Tipologia dos produtores Ovinos Caprinos do Ceara

 

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documentos técnico-científicos tipologia dos produtores de ovinos e caprinos no estado do ceará robério telmo campos engenheiro agrônomo e mestre em economia rural pela universidade federal do ceará ufc doutor em economia pela universidade federal de pernambuco ufpe bolsista do cnpq e professor titular do departamento de economia agrícola da ufc existirem vários métodos de agrupamentos apresenta-se como proposta metodológica uma técnica relativamente simples que produz resultados semelhantes aos do método de ward foram encontrados três sistemas de produção batizados pela ordem de número de práticas tecnológicas usadas de alta defasagem tecnológica regular defasagem tecnológica baixa defasagem tecnológica nenhum produtor se enquadra na situação de alto nível tecnológico conclui-se que a tecnologia faz a diferença e qualquer que seja o sistema de produção adotado há um número mínimo de técnicas ou práticas a serem programadas sem as quais a ovinocaprinocultura não oferece resultados econômicos positivos e compensadores além disso concomitantemente a adequada disponibilidade de benfeitorias apriscos cercas currais etc máquinas implementos pastagem e água no estabelecimento além de um mínimo de recursos financeiros condicionam a aplicação de melhor tecnologia na produção de ovinos e caprinos palavras-chave resumo procura tipificar caracterizar e determinar a rentabilidade econômica de cada grupo de produtores de ovinos/caprinos dos municípios de tauá e morada nova no estado do ceará agrupados segundo o nível tecnológico de produção praticado os dados são de natureza primária coletados através da aplicação de questionários apesar de revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003 produtores de ovinos-tauá-tipologia produtores de ovinos-morada nova-tipologia produtores de caprinos-tauá-tipologia produtores de caprinos-morada nova-tipologia 85

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1 introduÇÃo o ceará o quarto maior estado da região nordeste em termos de área desenvolve atividades agropecuárias bastante diversificadas que variam segundo a microrregião considerada no entanto apenas oito atividades de origem vegetal milho feijão arroz mandioca caju cana-de-açúcar e algodão arbóreo/herbáceo e quatro de origem animal bovinos de leite/carne caprinos e ovinos merecem destaque tanto pela área ocupada quanto pela elevada significação social e econômica para a economia do estado apesar dessa diversidade de produtos a agropecuária do ceará se caracteriza pelo baixo nível técnico o que explica em boa parte o atraso a grande vulnerabilidade e a baixa produtividade da economia agrícola do estado campos 1997 os praticantes dessas atividades são basicamente agricultores familiares pois o nordeste segundo estudo incra/fao 2000 concentra o maior número de estabelecimentos familiares do brasil especificamente para o ceará os estabelecimentos familiares representam 90,2 do total de 339.602 detêm 52,9 da área total de 8.986.842 hectares e são responsáveis por 52,2 do valor bruto da produção agropecuária além disso 84,1 dos estabelecimentos familiares empregam apenas mão-de-obra da família em suas atividades a renda proveniente das atividades agropecuárias é também muito baixa pois dos 149.506 estabelecimentos familiares da categoria proprietários de terra 70.846 ou 47,4 se enquadram na tipologia de quase sem renda que compreende aqueles agricultores com renda total por hectare ano de r 23,00 em ordem crescente listam-se os de renda baixa em número de 32.122 ou 21,5 que perfazem renda de r 62,00 por hectare/ano os de renda média que somam 34.376 ou 23 e renda de r 76,00/hectare/ano e por fim os de maiores rendas que são 12.162 ou 8,1 e obtêm renda média anual por hectare de r 170,00 deve-se ressaltar que a área média desses estabelecimentos é da ordem de 13,2 23,2 40,4 e 77,5 hectares respectivamente incra/fao 2000 86 alguns estudiosos como moreira filho coelho rocha 1985 apontam o tradicionalismo das técnicas utilizadas como causa desse baixo desempenho enquanto casimiro 1984 identifica fatores tais como a pobreza dos solos a inadequação das tecnologias disponíveis as irregularidades pluviométricas falta de recursos financeiros e de esquemas de comercialização as arcaicas relações sociais de produção e os baixos níveis de escolaridade como fatores de entrave ao melhor desempenho das atividades produtivas dentro do contexto específico da ovinocaprinocultura campos 1997 observou através do cálculo de índices simples de produção de carne que no período de 1970-83 houve reduções de 32,68 e 53,60 para ovinos e caprinos respectivamente em termos de taxa anual de crescimento constatou decréscimos de 2,08 no índice agregado de produção agropecuária para o período de 1984-90 tomando-se por base as estatísticas apresentadas torna-se fácil constatar que em geral a economia agrícola do semi-árido cearense tem uma base de sustentação muito frágil segundo a sudene 1978 e cavalcanti et al 1998 esta economia por fundamentar-se principalmente no complexo algodão-pecuária extensiva-culturas de subsistência com uso de tecnologias tradicionais e rudimentares portanto de baixa produtividade tanto agrícola quanto pecuária fica muito vulnerável ao fenômeno da seca/estiagem os apologistas da modernidade acreditam que a única maneira de tirar a agricultura nordestina do relativo atraso é através da introdução de técnicas e métodos modernos de produção de insumos de origem industrial e de maciça mecanização para aumentar a produtividade das atividades schuh 1996 entende que a agricultura tem papel estratégico fundamental no processo de desenvolvimento econômico a chave desse processo é não esquecer que a base para o desenvolvimento da agricultura é a tecnologia revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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acrescenta que ao ocorrerem ganhos tecnológicos importantes e de utilização generalizada os preços dos produtos agrícolas básicos caem muito em razão de suas inelasticidades o que acarreta um aumento da renda real per capita favorecendo a sociedade como um todo principalmente a população pobre além de o país ficar mais competitivo posto que não é preciso mexer no salário nominal ou na taxa de câmbio nesta mesma linha de argumentação estudiosos da fao 1988 defendem que a pesquisa agrícola na américa latina precisa ser repensada pois até o momento vem-se apresentando ineficaz ou pouco eficaz para a solução dos problemas tanto internos quanto externos ao estabelecimento rural apesar de um bom acervo tecnológico já se encontrar à disposição do agricultor lacki 1995 afirma que os baixíssimos rendimentos são reflexos de erros elementares que os agricultores cometem no uso dos recursos e na aplicação de tecnologias o baixo rendimento não necessariamente se limita à falta de insumos modernos de tecnologias melhoradas de animais de alto potencial genético de maquinaria sofisticada nem de crédito porém sim depende fundamentalmente de que o produtor esteja bem capacitado para aplicar as tecnologias adequadas às adversidades físico-produtivas num ambiente de escassez de insumo e recursos de capital porque são estas circunstâncias que caracterizam 78 dos agricultores da região o produtor agricultor ou pecuarista deve ser o agente e beneficiário do seu desenvolvimento desta forma se não se oferece às famílias rurais efetivas oportunidades para que tomem consciência do seu próprio potencial e das potencialidades do seu meio que estejam motivadas e desejosas de se superar e capacitadas para solucionar tais problemas simplesmente não haverá desenvolvimento ou os próprios afetados pelos problemas do meio rural os solucionam de maneira pro tagônica e basicamente com os seus próprios meios ou tais problemas dificilmente serão solucionados lacki 1995 nesse contexto um dos primeiros passos a ser dado é tipificar os sistemas ou subsistemas agrícolas caso se deseje ter uma compreensão acurada dos fatores que influem nas decisões dos produtores familiares uma boa compreensão dos processos envolvidos nos diversos sistemas é essencial para o desenvolvimento de um referencial de análise que seja aplicável na pesquisa de sistemas agrícolas dillon e hardaker 1994 de acordo com salles zaroni bergamasco 1995 o contato com a realidade rural permite identificar na agricultura familiar diferentes situações sócio-econômicas que vão do tradicional ao moderno com inegável capacidade de adaptação desenvolvimento ou mesmo resistência assim sendo este trabalho indaga se dentro das atividades ovina/caprina desenvolvidas no ceará em particular nos municípios de morada nova e tauá existe diferenciação entre as famílias a bibliografia específica para o estado indica haver esta diferenciação apoiado nesta hipótese procura-se tipificar as famílias pesquisadas tomando-se por base os controles administrativo e zootécnico adotados pelo produtor as características da propriedade o manejo e o desempenho dos rebanhos através da caracterização de cada produtor serão determinados os sistemas de produção predominantes segundo o nível tecnológico praticado levando-se em consideração o fato de que a produção como um todo não é homogênea pois existem grupos de produtores mais tecnificados do que outros em razão dessas diferenças qualquer estratégia para melhorar o desempenho da ovinocaprinocultura deve levar em conta o seu nível tecnológico e por conseguinte a sua rentabilidade 2 metodologias 2.1 Área de estudo para a realização deste estudo inicialmente selecionaram-se os dez maiores municípios em 87 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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efetivo total de caprinos e ovinos no estado do ceará dos dez municípios dois foram selecionados para fins de definição da amostra optando-se pelos municípios de morada nova e tauá esses municípios segundo ibge 1995 ocupam a primeira e terceira posição em tamanho desses rebanhos caprinos e ovinos com valores de 104.903 e 76.507 cabeças respectivamente a razão da escolha de ambos os municípios prende-se ao fato de além de contarem com maiores rebanhos localizarem-se em microrregiões diferentes do estado que apresentam características particulares principalmente no que diz respeito ao tipo de pastagem natural ofertada aos animais além disso esses municípios apresentam características bem diferenciadas de tamanho de rebanho por nível de produtor apesar das especificidades apontadas os dois municípios apresentam algumas características comuns morada nova e tauá caracterizamse principalmente por terem suas áreas inseridas no semi-árido cearense com alto risco de ocorrência de secas na agricultura as principais culturas exploradas são milho feijão algodão mandioca e arroz na pecuária em efetivo dos rebanhos há uma predominância dos rebanhos ovinos/caprinos vindo em seguida os bovinos e suínos em menores proporções 2.2 natureza e fonte dos dados os dados são de natureza primária coletados através de pesquisa direta por meio de questionários o período de análise compreende o ano de 2000 a coleta dos dados se deu no mês de dezembro 2000 portanto os preços de insumos e produtos são referentes a este período 2.3 amostra a seleção da técnica de amostragem depende em parte da característica da amostra assim como dos objetivos do estudo e dos dados de que se necessitam Às vezes faz-se necessário combinar métodos de amostragem no presente estudo inicialmente usou-se a amostragem estratificada que consiste em dividir a população objeto de análise em vários estratos ou grupos com base em uma ou mais características de interesse por fins práticos para evitar uma estratificação mais complexa e vieses os produtores foram estratificados segundo o tamanho dos rebanhos em pequenos médios e grandes1 esta decisão foi tomada para se evitar a assimetria existente entre os grupos de produtores dado o predomínio dos pequenos em relação aos demais a amostra foi definida tomando-se por base uma população de 460 produtores de morada nova e 440 de tabela 1 tamanho da amostra segundo os estratos por tipo de produtor municÍpios selecionados estado do cearÁ 2000 tipo do produtor municípios morada nova tauá estado do ceará fonte dados da pesquisa pequeno 8 7 15 médio 6 5 11 grande 6 6 12 total 20 18 38 1 deve-se utilizar estratificações diferentes por município em razão das características bastante peculiares de cada um no que diz respeito ao tamanho dos rebanhos 88 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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tauá que à época da pesquisa eram cadastrados na empresa de assistência técnica e extensão rural do ceará ematerce em seguida empregou-se o método da amostragem aleatória simples para se selecionar subamostras que fossem representativas da população em estudo pois pretender olhar os sistemas de produção agropecuários como um todo homogêneo pelo que é exposto neste trabalho e sobretudo pelo que ocorre na realidade é ignorar completamente sua realidade finalmente para o dimensionamento da amostra foi utilizado o procedimento estatístico recomendado por cochran 1965 considerando-se o nível de significância de 5 de probabilidade e desviopadrão de 10 tabela 1 2.4 referencial teórico 2.4.1 sistemas de produção agrícolas spas e tipologia os sistemas agrícolas familiares são de elevada complexidade sendo necessária uma abordagem sistêmica para que se possa compreendê-los em sua globalidade e dinâmica o foco é o estudo interativo dos componentes que formam o todo que geralmente é diferente da soma das partes assim sendo o simples conhecimento das partes não é adequado à previsão do comportamento do sistema como um todo segundo corrales 1994 este tipo de abordagem vem suprir essa lacuna já que procura observar os fatos de um modo holístico com especial atenção para as suas interações origens e efeitos a unidade de análise dependendo da situação pode ser a família uma comunidade ou qualquer outro tipo de agregação social que se defina por hábitos sociais técnicos e econômicos comuns desta forma o centro de atenção deve ser voltado para as pessoas que compõem a administração e não para a terra groppo 1995 brossier apud coutinho 1999 referenciando diversos autores menciona três tipos de definições sobre sistema de produção agrícola spa um primeiro conceito situa a exploração agrícola dentro da microeconomia este conceito baseia-se em que o sistema de produção é a combinação dos fatores de produção e das produções na exploração agrícola esta concepção de sistema é entendida como um conjunto de práticas que objetiva o aumento dos lucros a segunda baseiase no caráter social em que se considera a tipologia do spa um sistema de produção agrícola é um modo de combinação entre terra forças e meios de trabalho com fins da produção vegetal e/ou animal comum a um conjunto de explorações um sistema de produção é caracterizado aqui pela natureza das produções da força de trabalho qualificação e dos meios de trabalho e pelas proporções desse trabalho ainda levando em conta a dimensão social allaire e blanc 1979 ampliam o conceito quando não usam simplesmente a expressão sistema de produção mas sistema social de produção que permite explicar os conflitos as cooperações e as contradições em uma dada região agrícola e por fim tem-se o conceito de sistema de produção referindo-se ao emprego dos fatores de produção e sua repartição mazoyer 1985 ao se referir a spa relacionou um conjunto de fatores embutidos no conceito tais como operação técnica itinerário técnico sistema de cultura e de criação sistema de produção e sistema agrários brossier 1987 argumenta que o conceito de sistema de produção não pode desvincular-se da abordagem sistêmica ou seja não pode se prender somente às questões micro e macroeconômica mas à tentativa científica de resolver problemas tais como abordagem holística da compreensão dos sistemas camponeses coerência e lógica dos sistemas de produção existentes a exploração agrícola vista como um sistema quais são os atores desse sistema qual é a definição desse sistema a coerência dos sistemas de produção é acessível a partir de uma análise minuciosa do funcionamento interno dos sistemas identificação das práticas e das seqüênci89 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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as técnicas a pesquisa é fundamentalmente pluridisciplinar brossier 1987 na concepção da sudeco 1990 spa representa o conjunto das diversas atividades operacionais que compõem a exploração de uma cultura ou produto É a forma como está sendo explorada e vai ser explorada uma cultura todas as operações agrícolas do desmatamento à colheita com seus respectivos requerimentos técnicos e nível de rendimento para a implantação de uma cultura constituem o sistema de produção dessa cultura dillon e hardaker 1994 definem sistema de produção como sendo a tecnologia empregada em uma atividade ou conjunto de atividades em relação ao conjunto de atividades que constituem todos os cultivos de um estabelecimento agrícola o sistema de produção é especificado pelo conjunto de tecnologias usadas por ditas atividades os mesmos autores definem como cultivo agrícola a produção de um determinado produto ou grupo de produtos afins destinados à venda ou ao consumo doméstico assim o cultivo de arroz supõe a produção de arroz e talvez da palha de arroz para a venda ou uso doméstico sem especificar o método de produção empregado ao contrário a atividade é um método específico para produzir um cultivo ou para fazer funcionar uma empresa pecuária por exemplo o arroz de sequeiro e irrigado são atividades distintas porém fazem parte do mesmo cultivo por sua vez dosi apud shikida 2001 refere-se ao termo tecnologia como sendo um conjunto de partes do conhecimento prático e/ou teórico que toma especificidade ao assumir formas concretas de aplicação em determinada atividade esse conjunto abrange desde procedimentos métodos experiências know-how até mecanismos e equipamentos salles filho 1993 entende que a identificação de novas soluções tecnológicas implica a percepção de possíveis opções atuais e de possíveis desenvolvimentos futuros ou seja compõe um conjunto limitado mas não bem definido de caminhos a seguir matesco 1994 admite que a tecnologia é um elemento de destaque entre os fatores concorrenciais das empresas produtivas modernas as empresas alocam recursos em alguma fonte de obtenção de tecnologia como forma de criar constantemente novos e melhorados produtos e processos de produção e assim aumentar a sua competitividade em seu mercado de atuação ou melhorar a capacitação para penetrar em novos mercados diante do exposto para tipificar os produtores este trabalho remete ao conceito de capacitação tecnológica associando-o aos diferentes níveis de utilização que compreendem as capacidades de adquirir assimilar usar adaptar mudar ou criar tecnologia em três âmbitos i na operação isto é no exercício das atividades correntes de produção administração e comercialização ii no investimento ou seja na execução de novos projetos e iii na inovação envolvendo a capacidade de buscar internamente inovações maiores de produto e processo e de desenvolver pesquisas básicas dahlman et al 1985 apud canuto 1991 para dufumier 1985 o sistema de produção compõe o conjunto de produtos vegetais e animais e meios de produção terra capital e trabalho administrados pelo produtor para atingir determinados objetivos sócio-econômicos e culturais o sistema de produção é uma limitada quantidade de trabalho e de outros modos de produção objetivando obter diferentes produções agrícolas sistema de cultivo ou de criação de animais corresponde a determinada superfície de terra administrada de modo homogêneo no que se refere à 90 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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ordem seqüencial do cultivo ou criação de diferentes produtos com seus respectivos itinerários técnicos por sua vez itinerário técnico é a seqüência lógica e ordenada das operações de produção animal e/ou vegetal portanto na unidade de produção existem normalmente vários produtos cada um deles correspondendo a um sistema de cultivo segundo groppo 1992 a aplicação do enfoque sistêmico no setor agropecuário tem avançado através de várias metodologias dentre elas a análise comparativa dos sistemas de produção que se vem concretizando através da elaboração de tipologias para groppo 1992 ainda no que se refere às análises via tipologia de sistemas é importante em virtude de a grande heterogeneidade das unidades de produção existente inclusive em pequenas áreas e a necessidade de evidenciar esta diversidade para poder impulsionar um apoio diferente que leve em conta as condições limitantes específicas de cada unidade de produção a elaboração de tipologias parte de um interesse operativo busca simplificar a diversidade ao identificar grupos ou tipos de sistemas de produção que apresentam potencialidades e restrições semelhantes frente a um ou vários elementos selecionados construir uma tipologia da unidade de análise consiste no objetivo declarado de tentar simplificar a heterogeneidade através da identificação de grupos tipos que apresentam potencialidade e restrições similares em relação a um ou mais fatores selecionados como critério geral para tipificar os spa devese identificar as heterogeneidades entre os spas para diferenciá-los e elementos comuns para reuni-los em tipos praticamente idênticos ou seja os sistemas de produção podem pertencer a diferentes unidades de produção mas os meios de produção o funcionamento a combinação de explorações agrícolas ou melhor a sua racionalidade deve ser muito parecida coutinho 1999 a tipologia pode ser feita sob diferentes critérios estratégias de produção formação histórica ní vel de composição da renda grupos étnicos nível tecnológico etc para este estudo considera-se na definição do spa a combinação entre família e unidade de produção pela qual são desenvolvidos sistemas de criação além da interação desses com as práticas tecnológicas as características da propriedade e a organização do agricultor com vistas a atender seus objetivos sociais e econômicos 2.5 procedimentos metodológicos existem vários métodos para construir uma tipologia um deles é através da aplicação inicial da análise multivariada mais especificamente da análise fatorial esta técnica permite identificar um certo número de fatores que podem ser usados para representar relações entre um conjunto de variáveis interrelacionadas após a redução das variáveis em fatores representativos aplica-se uma das técnicas de análise de agrupamentos destacando-se como bastante usada a análise de cluster esta técnica consiste em agrupar os produtores homogêneos através de características semelhantes representadas pelos fatores coutinho 1999 carneiro 1995 sales zaroni bergamasco 1995 apresenta-se a seguir uma proposta específica considerada mais simples que prevê três passos · separa-se o conjunto de unidades de produção que compõe a amostra em três grandes estratos definidos sob critérios apropriados que podem ser a área da propriedade o número de animais ou qualquer outro classificando-os pelo tamanho em pequeno médio e grande · dentro de cada estrato identificam-se os diferentes sistemas de produção existentes representados pelos principais sistemas de cultivo e/ou de criação de animais os sistemas de produção diferirão dependendo das características dos recursos capital fixo e de operação condições técnicas fatores econômico-financeiros e condições sociais de produção revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003 91

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· decidir por uma tipologia reunindo os produtores dos estratos em grupos segundo a sua homogeneidade independente da classe a que pertencem conforme classificação definida no primeiro passo aqui os grupos tipos são redefinidos levando-se em consideração o nível tecnológico adotado em cada unidade de produção a seguir desenvolvem-se os procedimentos metodológicos a serem adotados quando da aplicação de qualquer técnica de análise de agrupamentos 2.5.1 tipificação e caracterização de sistemas homogêneos de produção e pesquisas desenvolvidas na universidade federal do ceará desta forma as seguintes variáveis foram selecionadas para a classificação dos produtores segundo os níveis tecnológicos i ­ gerenciamento do produtor 1 uso de assistência técnica 2 uso de mecanismos de gerenciamento 3 faz anotações zootécnicas ii ­ caracterização da propriedade 4 raças melhoradas de ovinos 5 raças melhoradas de caprinos 6 faz divisão de pastagem 7 tem aprisco 8 tem curral coberto iii ­ manejo do rebanho 9 faz suplementação com volumoso 10 faz suplementação com ração concentrada para ovinos 11 faz suplementação com ração concentrada para caprinos 12 ministra sal e minerais 13 adota critério de seleção 14 faz separação das crias 15 pratica a monta controlada 16 faz a separação por sexo 17 faz marcação com brinco 18 utiliza algum critério para a primeira monta 19 faz a detecção do cio 20 faz castração dos animais 21 faz a limpa/desinfecção do curral 22 faz o corte e desinfecção do umbigo 23 faz vacinações 24 combate piolho/carrapato 25 faz vermifugações 26 adota o número de vermifugações recomendadas 27 usa medicamento caseiro iv ­ desempenho dos rebanhos 28 idade média da desmama 29 idade média do primeiro parto 30 intervalo entre partos 31 número de partos por ano 32 taxa de mortalidade a seleção das variáveis influencia decisivamente o resultado de uma análise de agrupamento desta forma variáveis que assumem o mesmo valor para todos os objetos são pouco discriminatórias para a determinação da estrutura de agrupamento por outro variáveis com grande poder de discriminação porém irrelevantes podem mascarar os grupos e conduzir a resultados equivocados bussab miazaki andrade 1990 segundo o mesmo autor quando o número de variáveis envolvidas no estudo é grande a ponto de dificultar a análise deve-se procurar reduzir o seu número até o limite de não causar prejuízo tipificar aglomerar ou efetuar análise de agrupamentos são termos semelhantes esta análise engloba uma variedade de técnicas e algoritmos cujo objetivo é determinar e separar objetos em grupos similares segundo bussab miazaki andrade 1990 a técnica de análise de agrupamentos pode ser decomposta nas seguintes etapas i definição do objeto objetivos e variáveis inicia-se explicitando claramente o objeto que se pretende investigar para classificá-lo segundo as características de interesse a fixação de critérios variáveis distintos conduzem a grupos homogêneos distintos e o tipo de homogeneidade depende dos objetivos a ser alcançado as diversas etapas desta técnica serão aqui apresentadas definindo-se a estrutura básica de aplicação a ser usada neste trabalho assim sendo o objeto de estudo são os produtores de ovinos e caprinos dos municípios de tauá e morada nova o que se pretende investigar são as semelhanças entre objetos produtores no intuito de agrupá-los em níveis tecnológicos segundo algumas variáveis previamente especificadas para definir as semelhanças entre produtores as variáveis aqui utilizadas seguem as recomendações propostas em documento da embrapa 1989 92 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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quanto à relevância de poder de discriminação dos grupos em último caso pode-se recorrer à análise de componentes principais e à análise fatorial para reduzir a dimensão da matriz de dados ii obtenção e tratamento dos dados de variáveis bussab et alii 1990 uma das transformações mais comuns é subtrair a média x de cada observação xi e dividir pelo respectivo desvio padrão s matematicamente tem-se zi a obtenção dos dados segue o procedimento amostral conforme definido anteriormente uma vez obtida a amostra constrói-se a matriz de dados que indica os valores das características variáveis por objetos de interesse nesta matriz convenciona-se dispor os n objetos nas linhas e as p variáveis nas colunas ou seja a matriz de dados brutos tem a seguinte disposição x1 x2 xp xi s x i 1,2 n esta transformação faz com que os dados tenham média zero e variância unitária além de restringir todas as variáveis ao mesmo peso ou seja mesmo grau de agrupalidade assim obtém-se a matriz de dados relativizados padronizados z z 11 z 12 z 21 z 22 o1 x o2 o3 x 11 x 1 2 x 2 1 x 2 2 x n 1 x n 2 x 1p x2p x np z z 1p z 2p normalmente agrupam-se objetos semelhantes segundo as suas características ou variáveis mas pode-se também agrupar variáveis segundo os valores apresentados por cada objeto por exemplo o objeto pode ser produtor e a variável de interesse nível de renda familiar renda do empresário ou o objeto pode ser nível de renda familiar e a variável produtor a característica pode ser também a mesma mas associada a objetos distintos implicando em significado bem diferente no agrupamento tomando-se o exemplo anterior pode-se chamar de objeto a família e a variável de interesse nível de renda da família remuneração do empresário quando as variáveis têm unidades de medidas distintas às vezes é importante que se efetue a homogeneização a fim de evitar dificuldade de interpretação do conceito de homogeneidade neste caso ao se agruparem as observações faz-se necessário que todas as variáveis sejam convertidas para um único índice de similaridade pois a contribuição de cada variável é função tanto de sua escala de mensuração quanto das demais variáveis para reduzir o efeito de escalas diferentes surgiram várias propostas de relativização zn1 z n 2 z np no presente estudo dispensa-se a transformação pelo fato de todas as variáveis assumirem valores zero ou um iii escolha de critérios de semelhança e dessemelhança uma vez obtida a matriz de dados transformados escolhe-se agora um coeficiente de semelhança o qual mede a distância entre dois objetos visando a quantificar o quanto eles são semelhantes neste caso quanto maior o valor deste coeficiente mais parecidos são os objetos interpretação inversa se dá ao coeficiente de dessemelhança objetos menos parecidos o coeficiente de correlação pode ser usado como medida de semelhança enquanto que a distância euclidiana é um exemplo de dessemelhança de um modo geral estes coeficientes são criados na intenção de moldar situações especiais de interesse do pesquisador daí a existência de uma série ampla de tais medidas 93 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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neste estudo como se trata de variáveis qualitativas nominais caso em que os critérios envolvidos são todos do tipo binário sim ou não para cada prática agrícola selecionada e utilizada pelo produtor atribui-se um peso de valor igual a 1um e 0 zero para a não utilizada desta forma considera-se que cada uma das práticas listadas tem igual importância na definição dos níveis tecnológicos iv aplicação da técnica de agrupamento esta etapa inicia-se pela formação da matriz de distância que é formada pelos coeficientes de semelhanças ou seja coeficientes que indicam a presença da característica definida pelo número de práticas tecnológicas recomendadas que são realmente utilizadas pelo pecuarista assim como em cavalcanti et al 1998 a definição de cada grupo delimitado pelo nível tecnológico resulta da relação entre o uso efetivo das práticas adotadas pelo produtor e o número total de práticas agrícolas selecionadas ou propostas conforme explicitadas na etapa inicial uma questão complicada neste tipo de estudo é determinar quantos grupos homogêneos existem nos dados assim sendo para a delimitação dos grupos de produtores faz-se uso do cálculo da média aritmética associando-se o desvio padrão como medida de variabilidade das observações em torno deste valor médio v caracterização dos grupos em sistemas homogêneos de produção esta etapa consiste na especificação das características peculiares a cada grupo homogêneo resultante da análise de agrupamento mostram-se as variáveis que entram na formação de cada sistema assim como seus níveis de participação não existe um padrão numérico definido para que se possa comparar se o grupo definido é muito ou pouco semelhante ao padrão o conhecimento do processo a familiaridade com o sistema de produção e as grandezas envolvidas é que irão ajudar na formulação dos grupos os grupos homogêneos são aqui representados de acordo com o número ou percentagem de práticas tecnológicas empregadas independente de se são as mesmas ou não pois toma-se por pressuposição que cada prática presta igual contribuição para a formação de cada nível tecnológico finalmente procede-se à avaliação e interpretação à luz dos objetivos e dos resultados produzidos as análises estatísticas são efetuadas usandose planilhas eletrônicas em excel por meio deste aplicativo calculam-se as tabelas de freqüências para classificar hierarquizar e confrontar os dados e informações 2.5.2 avaliação econômica segundo reis apud moura 1995 é através da análise econômica e dos resultados monetários encontrados em cada atividade que o produtor passa a conhecer melhor a sua empresa para tomar conscientemente decisões acertadas e ver o seu estabelecimento agropecuário como um negócio assim de acordo com a discussão apresentada define-se a seguinte expressão para o cálculo da renda bruta n rb i=1 piqi onde rb renda bruta da produção pecuária no caso caprinos e ovinos pi preço ao produtor do produto i i 1,2 n qi quantidade produzida do produto i o custo operacional efetivo coe ou custo variável total cvt de produção pode ser expresso por 94 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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m r mb rb ­ coe pjqj coe h =1 phqh j=1 a mb indica o que sobra de dinheiro no curto prazo para remunerar os custos fixos em termos percentuais a margem bruta mbp pode ser calculada pela seguinte expressão mbp onde ph preço da diária ou do serviço contratado temporário h h 1,2 m qh quantidade de mão-de-obra ou do serviço contratado temporário h pj preço do insumo j j 1,2 r qj quantidade do insumo j o custo operacional total cot é o somatório do coe e de outros custos operacionais não-desembolsáveis que especificamente para este estudo consideram-se os seguintes itens cot coe d mof onde d depreciação de bens duráveis rateada e animais mof valor da mão-de-obra familiar empregada na atividade por fim o custo total ct compreende o cot mais os juros ou a remuneração do capital estável rc e a remuneração da terra rt pertencente ou não à empresa colocados à disposição da produção de ovinos/caprinos o que resulta na seguinte expressão ct cot rc rt a partir dos resultados das expressões anteriores alguns indicadores econômicos de rentabilidade do negócio podem ser calculados inicialmente tem-se a margem bruta mb absoluta ou em valores monetários calculada subtraindo-se da renda bruta rb o custo operacional efetivo coe assim tem-se o Índice de lucratividade il mostra a relação percentual entre a margem líquida e a renda bruta rb coe coe x 100 a mbp representa o resultado em percentagem que sobra em relação ao custo operacional efetivo coe a margem líquida ml absoluta ou em valores monetários também chamada de lucro operacional é o resultado da diferença da renda bruta rb e o custo operacional total cot ou seja ml rb ­ cot a ml mede a lucratividade da atividade no curto prazo mostrando as condições financeiras e operacionais da atividade pecuária pode-se calcular também a margem líquida percentual mlp da seguinte forma mlp rb cot x100 cot essa margem indica a sobra de caixa para cobrir os demais custos fixos e o risco não computados na presente análise il ml x100 rb o il indica o percentual disponível de renda da atividade após o pagamento de todos os custos operacionais conforme definidos anteriormente 95 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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o lucro l é resultante da diferença da renda bruta do custo total assim l rb ct uma outra medida bastante útil é a valorização unitária da mão-de-obra familiar vumof que é estimada pela divisão da renda do trabalho familiar rtf pelo número de diárias/jornadas ou equivalentes-homens de mãode-obra familiar dhf empregados na atividade durante o ano agrícola a rtf é calculada subtraindo-se da renda bruta rb os custos de todos os fatores de produção exceto o trabalho familiar É uma medida residual que expressa o valor máximo da diária que a atividade pode pagar pelo trabalho familiar podendo-se calcular pela expressão cm e ct q segundo nogueira et al 2001 alguns cuidados devem ser tomados na interpretação dos indicadores econômicos aqui apresentados sob pena de se retirarem conclusões equivocadas assim sendo com respeito à margem bruta tem-se a mb 0 ­ significa que a rb é superior ao coe e o produtor pode permanecer na atividade no curto prazo se a mão-de-obra familiar for remunerada b mb 0 ­ ocorre quando a rb é igual ao coe neste caso a mão-de-obra familiar não é remunerada e se o produtor não tem outra atividade não resistirá por muito tempo no negócio c mb 0 ­ acontece quando a rb é inferior ao coe significa que a atividade está resultando em prejuízo visto que não cobre nem os desembolsos efetivos quanto à margem líquida podem-se fazer as seguintes interpretações a ml 0 ­ significa que a rb é superior ao cot e o produtor pode permanecer na atividade no longo prazo b ml 0 ­ ocorre quando a rb é igual ao cot neste caso as depreciações e a remuneração da mão-de-obra familiar estão sendo cobertas mas o capital não foi remunerado c ml 0 ­ acontece quando a rb é inferior ao cot significa que alguns dos fatores de produção não estão sendo remunerados e o produtor encontra-se em processo de descapitalização no caso do lucro as conclusões são as seguintes a lucro 0 ­ lucro supernormal a atividade está remunerando todos os fatores de produção e ainda está gerando uma sobra que varia com a produção vumof rtf dhf uma boa medida para se medir o retorno sobre o capital utilizado na atividade é a taxa de remuneração do capital trc obtida dividindo-se a renda capital rc pelo valor do capital médio empatado c durante o ano e multiplicando-se o resultado por 100 em termos matemáticos tem-se trc rc x100 c a renda do capital é estimada pela diferença entre a margem líquida e a remuneração previamente atribuída à terra arrendamento da terra uma vez que a renda familiar inclusive empresário já foi incluída o valor do capital médio empatado compreende a soma de todos os bens em plena utilização na atividade levantados através de inventário para completar a avaliação e análise podese determinar o custo total médio cme fazendo-se a divisão do custo total ct pela quantidade obtida do produto q ou seja 96 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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b lucro 0 ­ lucro normal a atividade está remunerando todos os fatores de produção inclusive a mão-de-obra familiar e administrativa a terra e o capital lucro 0 ­ prejuízo este caso não requer necessariamente prejuízo total pois se a ml for maior do que zero significa que a atividade está remunerando a mão-de-obra familiar as depreciações e até mesmo parte do capital empatado após a listagem dessas práticas procedeu-se a tabulação dos dados primários identificando o produtor que faz uso de cada recomendação tecnológica em seguida depois de contabilizadas as práticas empregadas fez-se o enquadramento de cada produtor tomando-se por base o número ou o percentual das práticas adotadas relativamente ao total preconizado pelo nível tecnológico considerado como o melhor conforme exposto na seção de procedimentos metodológicos a delimitação dos produtores em grupos exigiu a fixação de parâmetros que envolveu uma certa arbitrariedade mas uma boa dose de discernimento foi fundamental nesta etapa assim sendo para evitar as distorções e objetivando contemplar a homogeneidade dos produtores no uso das técnicas de produção a opção encontrada foi tipificar tomando-se por base a média x e o desvio padrão s das práticas adotadas nos municípios de forma que se obteve um grupo inferior formado por criadores que se situam abaixo da média menos o desvio padrão x s um grupo intermediário delimitado pela média mais/menos o desvio padrão x s um terceiro grupo compreendido acima da média mais o desvio padrão x s até o limite máximo de 22 práticas realmente utilizadas um quarto grupo que seria formado por indivíduos da faixa superior 23 a 32 práticas é vazio ou seja nenhum produtor se enquadra neste intervalo após esta análise os produtores são finalmente agrupados em três tipos diferentes de sistemas de produção em uso na pecuária ovina e caprina do ceará estes sistemas são batizados em ordem crescente de número de práticas tecnológicas usadas de nível i nível ii e nível iii tabela 3 os produtores que utilizam 10 práticas ou menos situam-se em um nível tecnológico considerado de alta defasagem tecnológica entre 11 e 16 têm nível tecnológico de regular defasagem tecnológica entre 17 e 22 têm nível tecnológico de baixa defasagem tecnológica o alcance de 32 práticas classifica-se na situação de alto nível tecnológico ou melhor no patamar tecnológico proposto pelos órgãos de pesquisa voltados para o desenvolvimento da ovinocaprinocultura nordestina 97 3 resultados e discussÃo inicialmente é feita a tipificação dos sistemas de produção em seguida procede-se à caracterização dos produtores de ovinos e caprinos de acordo com os sistemas identificados nos municípios de tauá e morada nova no estado do ceará finalmente efetua-se análise econômica dos três sistemas de produção identificados no presente estudo 3.1 tipificação dos sistemas de produção inicialmente chama-se a atenção para o fato de que o modelo de tipificação aqui utilizado se enquadra melhor em situação de uma amostra relativamente pequena pois caso contrário muito tempo exigirá do pesquisador para a obtenção do objetivo em foco aplicando-se a presente metodologia tudo começou com a intenção de estudar os produtores de ovinos e caprinos no objetivo de agrupálos em níveis tecnológicos de produção tomandose por base o nível tecnológico proposto pelos órgãos de pesquisa em que várias práticas são definidas como de adoções obrigatórias neste caso trinta e duas para que o produtor tenha sucesso na atividade tabela 22 o nível tecnológico proposto aqui referido pode ser encontrado em embrapa 1989 em nível tecnológico 3 apesar de ser do conhecimento amplo de que outros indicadores refletindo melhor nível tecnológico do que o preconizado no referido documento já estão disponíveis em estudos isolados da própria embrapa/cnpc e da universidade federal do ceará 2 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003

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98 tecnologia nível i nº 1.gerenciamento do produtor assistência técnica mecanismos de gerenciamento anotações zootécnicas 2.caracterizaÇÃo da propriedade raças melhoradas ovinos raças melhoradas caprinos divisão de pastagem aprisco curral coberto 3.manejo do rebanho suplementação com volumoso suplementação c/ração concentrada ovino suplement com ração concentrada caprino fornece sal/minerais ao rebanho critério utilizado para a seleção do rebanho faz separação das crias tipo de monta controlada faz separação por sexo tauá nível ii nº nº 3 0 0 75,00 4 0 2 57,14 28,57 2 5 7 2 0 1 0 0 50,00 25,00 3 1 4 1 1 42,86 14,29 57,14 14,29 14,29 7 5 4 4 7 revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003 0 3 1 3 0 0 0 0 75,00 25,00 75,00 2 7 2 7 4 5 2 3 28,57 100,00 28,57 100,00 57,14 71,43 28,57 42,86 3 5 4 7 6 3 3 3 tabela 2 distribuiÇÃo dos ovinocaprinocultores que adotam as prÁticas tecnolÓgicas propostas por nÍvel nos municÍpios de tauÁ e morada nova estado do cearÁ 2000 continua adotantes morada nova nível ii nível iii nº nº total nível ii nº nível i nº nível i nº nível iii nº 28,57 71,43 100,00 0 0 0 5 1 1 83,33 16,67 16,67 6 5 6 85,71 71,43 85,71 3 0 0 27,27 9 1 3 69,23 7,69 23,08 8 10 13 57,14 71,43 92,86 100,00 71,43 57,14 57,14 100,00 6 0 5 4 5 85,71 71,43 57,14 71,43 6 0 5 2 6 100,00 83,33 33,33 100,00 6 2 5 5 6 85,71 28,57 71,43 71,43 85,71 8 0 6 4 5 72,73 54,55 36,36 45,45 9 1 9 3 7 69,23 7,69 69,23 23,08 53,85 13 7 9 9 13 92,86 50,00 64,29 64,29 92,86 42,86 71,43 57,14 100,00 85,71 42,86 42,86 42,86 1 2 0 5 0 0 0 1 14,29 28,57 71,43 14,29 4 4 3 4 4 1 0 1 66,67 66,67 50,00 66,67 66,67 16,67 16,67 2 5 3 7 7 3 2 1 28,57 71,43 42,86 100,00 100,00 42,86 28,57 14,29 1 5 1 8 0 0 0 1 9,09 45,45 9,09 72,73 9,09 6 11 5 11 8 6 2 4 46,15 84,62 38,46 84,62 61,54 46,15 15,38 30,77 5 10 7 14 13 6 5 4 35,71 71,43 50,00 100,00 92,86 42,86 35,71 28,57

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revista econômica do nordeste fortaleza v 34 n 1 jan-mar 2003 tabela 2 distribuiÇÃo dos ovinocaprinocultores que adotam as prÁticas tecnolÓgicas propostas por nÍvel nos municÍpios de tauÁ e morada nova estado do cearÁ 2000 conclusão tecnologia nível i nº 0 0 0 0 0 1 25,00 0 0 3 75,00 1 25,00 3 75,00 morada nova nível iii nível ii nº nº 28,57 14,29 2 1 42,86 14,29 3 1 14,29 0 1 85,71 71,43 6 5 28,57 28,57 2 2 85,71 71,43 6 5 28,57 2 0 28,57 2 0 85,71 85,71 6 6 28,57 28,57 2 2 1 14,29 1 14,29 adotantes tauá nível ii nº 16,67 1 16,67 1 33,33 2 66,67 4 16,67 1 33,33 2 0 0 83,33 5 33,33 2 4 66,67 total nível ii nº 15,38 2 15,38 2 23,08 3 69,23 9 23,08 3 53,85 7 0 0 11 84,62 30,77 4 5 38,46 faz marcação com brinco critério para primeira monta detecção do cio no rebanho faz castração dos animais limpa/desinfecção do curral corta e desinfeta o umbigo vacinação combate piolho/carrapato vermifugação vermifugações recomendadas vezes/ano medicamentos caseiros 4.desempenho dos rebanhos idade média da desmama idade média do 1o parto intervalo entre partos número de partos/ano taxa de mortalidade fonte dados da pesquisa nível i nº 0 0 1 14,29 4 57,14 0 1 14,29 3 42,86 0 5 71,43 0 3 42,86 nível iii nº 0 28,57 2 28,57 2 85,71 6 42,86 3 7 100,00 71,43 5 14,29 1 7 100,00 42,86 3 5 71,43 nível i nº 0 0 9,09 1 36,36 4 0 18,18 2 27,27 3 0 72,73 8 9,09 1 6 65,55 nível iii nº 14,29 2 35,71 5 14,29 2 12 85,71 35,71 5 13 92,86 50,00 7 21,43 3 13 92,86 35,71 5 6 42,86 4 2 2 1 2 100,00 50,00 50,00 25,00 50,00 5 0 6 5 3 71,43 85,71 71,43 42,86 4 2 6 2 4 57,14 28,57 85,71 28,57 57,14 0 0 0 1 1 14,29 14,29 1 0 1 1 4 16,67 16,67 16,67 66,67 4 2 2 2 4 57,14 28,57 28,57 28,57 57,14 4 2 2 2 3 36,36 18,18 18,18 18,18 27,27 6 0 7 6 0 46,15 53,85 46,15 53,85 8 4 8 4 8 57,14 28,57 57,14 28,57 57,14 99

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