Os Confrades da Poesia70

 

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Boletim de Poesia

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 70 | Julho / Agosto 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 6,8,20,21.22 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneiros: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Aniversário: 23 Ponto Final: 24 EDITORIAL Verão e Romarias O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Parabéns! Aos confrades e amigos Sete anos são servidos Numa taça de cristal: A essência da poesia, Que criou em certo dia O Boletim bimestral, “Os Confrades da Poesia” São Tomé - Amora Pedro Valdoy Nogueira Pardal Nesta edição colaboraram 81 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

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2 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «A Voz do Poeta» Estrela prisioneira CONFISSÕES Lágrima salgada Tomei uma estrela E aprisionei-a numa mão fechada. Ela, chorosa, Fez sair uma ponta luminosa E pediu-me, com humildade: - Dá-me a liberdade Que, em troca, eu te darei Uma luz mais brilhante do que a minha. Quando a libertei Daquele tormento, Finalmente, Fez sair outra pontinha E, num momento, Pôs-te à minha frente. Tiago Barroso - Parede A CONSCIÊNCIA Ando assim triste, d’alma cansada Os problemas ferem o coração Sinto-me presa numa cilada Pousa no peito grave solidão Tu surges nesse mágico instante Contigo, subirei às montanhas, Caminharei sob sol escaldante Sou possante quando me acompanhas Mas sozinha nas noites escritas Invade-me então tamanha insónia Vejo vis mentiras, acreditas? Ah! Se soubesses que tudo sei Então mesmo assim sem parcimónia Juro, para sempre te elevarei Susana Custódio - Sintra Defesa silente Passeava junto ao mar revolto quando uma lágrima salgada me atingiu a face. Senti toda a sua tristeza mas sorri magnificamente para que a lágrima evaporasse e o mar ficasse extremamente risonho. Anabela Silvestre - Covilhã A Dona Consciência anda contente, Pois procura cumprir o seu dever… É correta e capaz p´ra toda a gente E sempre pendular no proceder. Adelino Azevedo Pinto GLOSA A Dona Consciência anda contente, E vê-se no olhar que está feliz; Detesta a inimizade e, tão ciente, Sabe julgar, até, como um juiz. Amiga do Direito e da Razão, Pois procura cumprir o seu dever… E se sofre qualquer ingratidão, Pensa que é preferível esquecer. É justa, verdadeira e complacente E graças ao Senhor bem sossegada. É correta e capaz p’ra toda a gente Pelo que deve ser acarinhada. Simples, sorri à boa compostura, Gosta de amenizar e enternecer; Que bom senti-la em forma, sem tortura, E sempre pendular no proceder. Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis Com a boca amordaçada Pela inépcia vigente, Escrevo… numa escrita silente Que muito tem a dizer – Sem pejo nem acrimónia, Eu versejo veemente E para me defender Tão-somente e sem glória – Escrita que denuncia Um pensar insubmisso, Absorto em crédulas incertezas – Desvendando a revolta, O desespero e a angústia De não poder desmascarar Tudo o que reprime e rói Este mundo destruído Pela perversão de valores – Por isso escrevo, Numa defesa silente Até ao infinito – Natália Vale - Porto Confrades da Poesia Parabenizo o “Confrades”, Boletim por excelência! Mesmo com dificuldades, É feito com paciência!... Tenho os seus Diretores, Como pessoas competentes. São também bons autores, Espalham boas sementes. Jorge Vicente - Suíça PASSEI POR MIM Entre ilusões sem medida E numa esquina da vida Eu passei ontem por mim, E vi meu rosto cansado Numa rua do passado Cheia de sonhos sem fim. Procurei a mocidade Nessa rua da saudade Por onde também passei, Percorri cantos em vão, P'ra minha desilusão Eu já não a encontrei. Ao viajar no passado Há ruas que pus de lado E não as quis percorrer. Naquelas por onde andei Muitas coisas encontrei Que gostava de esquecer Entre ilusões e fracassos Vi destroços e pedaços Dos sonhos que não vivi, E ao tropeçar num espelho Eu vi meu rosto mais velho... E não me reconheci. Isidoro Cavaco - Loulé “Podem me impedir de escrever, mas de pensar, jamais “ (JC Bridon)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 3 «Olhos da Poesia» Tristeza Quando a solidão sobre os ombros pesa, não há prece, oração, nenhuma reza, que afaste uma tristeza de ontem, de hoje, é tentar alcançar um horizonte que se imagina, ali, mesmo defronte, mas quando se caminha, sempre foge. Tristeza não é sina, é só momento em que, na alma, se aloja o sofrimento, com dor que não se explica, não se diz, é como viver em melancolia, sem poder alcançar a poesia que o deixe, então, sonhar e ser feliz. Porém, tudo, na vida, tem seu fim, atrás dum ermo agreste, há um jardim onde, em cada socalco, brilha uma flor, e os perfumes que se cruzam, descuidados, foi Deus que os criou p’ra os namorados sentirem, quando expressam seu amor. Momentos de amargura e de tristeza!... Ah! Tantos que eu já tive, na incerteza de poder superar a dor e o pranto, mas quando penso não ser mais capaz, chega um instante, então de calma e paz, e um hino de louvor, para Deus, canto. Mensageira do Fado Eu quero neste meu fado Dar graças ao Deus sagrado Por esta voz que me deu Para eu poder cantar Esta canção singular Que em Portugal nasceu. E destinou que um dia Para o mundo partiria Em rumo de aventureira Levando como bagagem A grande força e coragem Ser do fado mensageira... Os filhos de Portugal Longe da Terra Natal E em qualquer sociedade Terão sempre quem lhes cante Esta canção fascinante P'ra poder matar saudade... Aqui hoje tão saudosa Cumpro a missão preciosa Que Deus quis ter-me legado Quando canto sou feliz Por na voz do meu País Eu poder cantar o fado !… Tudo existe, nada existe Tudo existe, nada existe, Nesta vida de ilusões: Tudo nasce, tudo morre, No mundo nada resiste, À lei das quatro estações… Como Primavera florida, Começa assim cada vida: Verão, traz pujança e calor, A estação ideal do Amor… Outono, cai a folha de madura, Inverno, tudo volta à sepultura… Se o tempo passa por nós, Ou nós no tempo passamos, Mistérios que não entendemos: Como o vento na vidraça, Ou agitando a ramagem, Só que ninguém vê o vento, Nem de onde vem tal aragem… Temos sol no firmamento, A lua com suas fases, Temos estrelas a brilhar, A terra a girar no espaço E nós, no mesmo compasso, Com ela sempre a girar… Mas, se há vida após a morte, Qual será a nossa sorte? São Tomé - Amora 7º Aniversário Os confrades da Poesia, Que há sete anos nascia, Cheio de poemas e amores… Parabéns para o Pinhal, Também à São por igual, Os seus grandes CRIADORES! João da Palma – Portimão INSPIRAÇÃO Aquela voz Aquele olhar Aquele estar Aquele sorrir Faz-me sonhar Faz-me inspirar Faz-me sentir Cremilde Cruz - Lisboa Euclides Cavaco - Canadá António Barroso (Tiago) - Parede Às voltas Penso, penso e enquanto penso ouço um pássaro a chilrear na rua. Anda às voltas, às voltas para se proteger do vento forte! Anda às voltas, às voltas, cheio de frio. Anabela Silvestre Covilhã Fez-se branco Fez-se branco O olhar Puro Do teu Corpo. Albino Moura - Almada BRILHOS E FETICHES Não quis tentar-te com meus trajes sedutores, pintar a tez com a pomada dos enganos, nem dar aos olhos coloridos turbadores, sujar meus lábios de carmins, quiçá, profanos. Nem do perfume preferido me espargi p’ra não dopar-te num aroma afrodisíaco, símil a mim mesma, segura, me vesti, só meu profundo amor luzia, paradisíaco. Nua de disfarces, a minh’alma te mostrei, para que amasses, não o frasco mas a essência, o néctar, nu da falsidade da apetência! Brilho e fetiches de coquete resguardei, p’ra nossos íntimos momentos mais ousados, que ambos teremos numa alcova de pecados! Carmo Vasconcelos – Lisboa Vazio… Qual astro mudo, enfeitiçado, paro num tempo inconsistente… sou pelas sombras interpelado, vejo o silêncio correr p’ra mim… passa um olhar intermitente frio e cortante que então senti... visto o desgosto negro e ruim... gemo o vazio que não pedi! Abgalvão - Fernão Ferro

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4 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Pioneiros» Margens da Vida A vida... É como um rio Onde em frágil desafio Navegamos todos nós E logo desde a nascente Enfrentamos a corrente Navegando até à foz. Alguns têm à partida Logo a rota protegida Em fortes embarcações Outros em débeis barquinhos Têm de remar sozinhos Com muitas tribulações. Por destino ou maus presságios Há os que têm naufrágios E ficam no rio perdidos Outros conseguem nadar Sem se deixar naufragar Nem se darem por vencidos. Contra a fúria da corrente Há que remar persistente Sempre em constante corrida Só lutando com coragem Pode chegar salvo à margem Deste rio chamado vida !... Euclides Cavaco - Canadá As dobras do tempo Verga-se-nos a vontade e a energia A alguns momentos que o tempo suspende O amor e a morte exercem tal magia Que o tempo pára, e a eles se rende. Somos obra de Deus e a Ele se deve - Como o exemplo que nos deu Jesus – Que o nosso tempo seja intenso e breve Feliz às vezes, outras uma cruz. É o destino que todos carregamos Neste deambular por que passamos Qual asserção a que há que aquiescer; Experimentando venturas, se amamos Ou sofrendo atrozmente, se matamos As mil razões que temos pra viver. Eugénio de Sá - Sintra Lisboa Ribeirinha Do outro lado do rio, Vejo um imenso casario, Assente sobre colinas: É Lisboa ribeirinha, Com ar de eterna menina, E o encanto das varinas… Varinas que são saudade, Pelas ruas da cidade, Entoando seus pregões: São ecos de um passado Desta Lisboa que é fado, E arrebata corações… O Tejo sempre a seus pés, Vai controlando as marés, No balançar da canoa: Ao cantar as suas mágoas, Pelo caminho das águas, Entre o Seixal e Lisboa! São Tomé - Amora Vida A vida é uma linda poesia! Você acha que é o poeta? O poeta não assina... Não faz questão de aparecer... Ele não nasceu e nem vai morrer... Está imortalizado sem princípio e sem fim. Não somos autores, somos pequeninos poemas não finalizados, em algumas das infinitas páginas, do magnífico poema Universal !!! Ivanildo Gonçalves – Volta Redonda - Brasil Amigo vem amigo vem comigo bailar uma valsa um tango tanto me faz vem amigo teus braços me enlaçar dancemos o que mais nos apraz numa ilusão docemente sentida iremos querido amigo imaginar que eu sou o amor da tua vida vem assim amigo comigo dançar é tão breve amigo esta nossa vida para juntos a podermos comungar sem sentimentos de despedida amigo por favor deixa-me sonhar E deslizando entre os teus braços ao som desta música bela celestial amigo esqueço tantos embaraços neste espaço dentro de mim irreal. Rosélia M G Martins P Stº Adrião-Lisboa BUCÓLICO DESPERTAR Um cão que ladra sem saber a quem, Um bando de pardais em debandada, Um corvo numa árvore tombada, A brisa que refresca e dispõe bem… Perto, uma casinha abandonada Esperando, paciente, por alguém Que, vendo-a assim tão só, lhe queira bem, Abrindo a porta, há muito fechada! Sons e cores que um poeta captou Numa manhã cinzenta, mas tão bela, Em que ao som da natura despertou. Encostado à vidraça da janela, Da Natureza alegre disfrutou, Sentindo que também faz parte dela! Carlos Fragata - Sesimbra

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» Hipocrisia Há quem viva de aparências Decerto para esconder As malogradas tendências Do que pretendiam ser. Alguns vestem de cordeiro A pele, mas sendo lobo Usam ardil matreiro Só para enganar o povo. Outros são uns fingidores Vestidos de fantasia Como eternos impostores Vivendo em hipocrisia. Vão mantendo a pretensão Com cinismo e com vaidade Fingem ser o que não são Com grande sagacidade. As grandezas aparentes Que não passam de fachadas São o produto das mentes Vazias e mal formadas. Nesse teatro de enganos Os farsantes mascarados Têm ao cair dos panos Seus palcos desmoronados!... Euclides Cavaco - Canadá UM POUCO, UM MUNDO Na pobre casita do humilde lugarejo Postei-me em silêncio à janela Movido por incontido desejo De saber o que veria através dela... Vi o grotesco dos ramos filhos da árvore nua Tentando ferir o céu com mudos lamentos Perguntei de quem era A seiva que suportava tais tormentos Recebi surpreso a resposta: Era tua ! Vi o tapede escuro e macio das folhas caídas Calando no chão as dores por que passavam Perguntei de quem era A resignação com que calavam Recebi surpreso a resposta: Era tua ! Vi árvores enormes quebradas pelo vento Que louco corria e sentidos ais não ouvia Perguntei de quem era A força hercúlea com que o fazia Recebi surpreso a resposta: Era tua ! Vi o deus da noite enamorado da lua Afagando os fios de luar que tanto amava Perguntei de quem era A vida da amada que assim adorava Recebi surpreso a resposta: Era tua ! Na pobre casita do humilde lugarejo Fechei contristado a janela A pensar que de meu nada tinha Mas uma voz num sussurro disse-me então Que a casita... Era minha. Quim D’Abreu – Laranjeiro Amizade Numa relação a dois, cinco, dez, ou muitos mais juntando compreensão, amor e sinceridade e em cada elo um abraço p’ra que não quebre jamais... se constrói corrente forte a que se chama amizade! E se acaso ou por má sorte algum elo se quebrar unam-se logo, os demais, p’ra se não desconjuntar Há amigos para sempre, há também os casuais e alguns que mesmo longe se sente a proximidade. Hoje em dia é bem normal ter amigos virtuais que apesar desse estatuto e não fugindo à verdade se dedicam com afinco e capazes de ombrear com outro qualquer amigo o que é de registar Tendo amigos temos tudo desde que bons e leais sem qualquer ponta de interesse, cinismo ou falsidade. Bons amigos nunca são, nem de menos nem demais poucos, muitos, não importa a cultura ou idade... que importa é ter carácter e o saibam demonstrar confortando e apoiando quem seu ombro procurar E... se alguém quiser amigos p’ra durar a vida inteira seja paciente e nobre... jamais rude e grosseira! Abgalvão – Fernão Ferro O brilho do sol cerejeira de Okinawa inicia a florada. Benedita Azevedo Praia do Anil , Magé-RJ - Brasil Ao pescador português Traga-me Flores Traga-me flores, não as de jardim, sofisticadas nem flores coloridas, com belos predicados, não lindas rosas exibindo seus reinados, tampouco, margaridas mimosas e delicadas. Quero flores simples, por ninguém notadas, geralmente solitárias à beira da estrada, sentindo a vida na raiz empoeirada. Com estas, gostaria de ser contemplada. Comigo são parecidas, eis o significado simplicidade de vida, profetizo este reinado. Podem estar murchas, sem viço, esturricadas... Vivendo na terra dura sem nenhum cuidado, nelas vejo beleza, e por mim são admiradas. Traga-me flores, as mais singelas encontradas! Rita Rocha - Santo Antônio de Pádua - RJ - Brasil

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6 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm ACORDA MEU PAÍS! Acorda meu gigante do passado meu País de glórias sem tamanho acorda do teu profundo sono de antanho e busca a esperança perdida em qualquer lado! Acorda meu poeta sonhador! Ainda há rosas nas encostas mais bravias e sabemos que desde há muitos sóis as invejosas cobardias te tentaram vencer mas se quiseres unirás teus homens e mulheres à eterna luz do mais saber como um dia fizeste ao mar sem fim; e quem te ama, falo também por mim sempre servirá de testemunho e fará da tua história o maior punho como sempre fizeram teus heróis dos tempos ancestrais… ó Pátria, minha força e minha dor meu canto, meu chão e meu amor e não deixes que te escravizem nunca mais! Maria Mamede - Porto QUANDO O AMANHÃ VAI CHEGAR O amanhã vai chegar Sem tristeza e sem dor Radioso vai nascer Dando os bons dias ao SOL O amanhã vai chegar Trazendo boas noticias E no seu alvorecer Boas novas vão chegar Haverá sempre alegria Não haverá tristeza nem dor Fome e sofrimento Também não Quando o amanhã chegar O Sol será radioso A Paz e alegria Reinará … Quando o amanhã chegar Só nos trará Amor Alegria ao nascer uma flor E tudo será diferente Quando o amanhã chegar Que não tarde em aparecer Pois ainda quero ver … Este Mundo mudar Traineira da Vida Embarquei numa traineira, Que do cais saiu ligeira E desde a minha partida, Por mar bravo e por mar brando, À sorte fui navegando, Neste oceano da vida!… Passei por mil tempestades, Enfrentei dificuldades, Mas naveguei com esperança, Atravessando as tormentas, Das ondas mais violentas, Até encontrar bonança. Pesquei tristezas e dor, Pesquei raiva e dissabor E amargo da maresia, Se pesquei rivalidade, Pesquei também amizade, E até pesquei alegria!… E sem findar a viagem, Continuo com coragem, Numa aventura incontida. Neste mar sempre agitado, Eu vou cumprindo o meu fado, Nesta traineira da vida!… Euclides Cavaco - Canadá Edyth Teles de Meneses Lisboa BELMA TENHA CORAGEM ABRA A PORTINHOLA Belma tenha coragem abra a portinhola E ao pássaro dê a merecida liberdade No espaço e livre canta e diz olá Emanando para a natureza a felicidade Se o fizer, diz a Belma, ganho infelicidade Não posso sem ele a minha vida amola Maria tenha coragem abra a portinhola E ao pássaro dê a merecida liberdade Olha Belma que triste ele esta na gaiola Do raiar do sol ao toque da trindade Chora pela liberdade e pede esmola Belma veja o preço da tua felicidade Belma tenha coragem abra a portinhola Sonhando Escrevo um sonetilho Tento inspiração Quero a este filho Dar-lhe o coração. Tem que ter seu brilho E muita emoção Não o quero rodilho Quero perfeição. Será meu arauto Por ele me pauto Poético encanto. Envolvo-o no manto Belo, mas incauto Onde escondo o pranto. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau / Amora Podia ser rainha Que pena, Aquela cigana Não ser rainha! Ela vinha Com sua alma de ouro (Gémea, igualzinha À minha) Ter comigo, e trazia-me um tesouro E eu sentia-me Como se estivesse no céu! Trazia-me a sua companhia, A sua beleza interior. E eu, eu sorria, sorria De felicidade porque ela era o meu amor. Ela era tão linda, Tão…tão bela E encantadora, Que passado tanto tempo, eu, ainda, Sonho com ela, Por ser genuína e sedutora. João P. C. Furtado - Praia / Cabo Verde Luís Lameiras . S. Mamede de Ribatua

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 7 Confrade desta Edição « José Branquinho » A MINHA SAUDOSA MÃE É hoje o dia dos teus anos - minha mãe querida! 25 DE MARÇO-dulcíssima primavera. Ter-te aqui- hoje-quem me dera! Ó mãe amada que me deste a vida. Para ti- querida mãe-todo o meu louvor! Sem ti… nada seria neste mundo! Digna do acendrado amor-querer profundo! Que teu filho te consagra co'o maior fervor. Não te tenho aqui?! Eu sei que sempre estiveste, Que estás e sempre estarás em minha jornada! Tua presença, dia a dia sinto! Sempre senti e sentirei - Mãe adorada! Por ti, é minha oração. Jamais poderei pagar tua enorme dedicação! Estás e estarás sempre em meu coração. AO TEU OLHAR Doce olhar que me endoidece E me faz sofrer assim É esse que em ti se esquece E eu quisera ter em mim. Olhas-me e fico fascinado Todo o meu ser transtornado Pulsa mais meu coração. Abraço-te enternecido Fico assim tempo esquecido Encontrei a salvação. Quisera-o sempre perto Do meu peito a palpitar E o meu árido deserto Mais suave me tornar. Com ele no meu caminho Sentindo um tal carinho Melhor seria o meu mundo! Encontraria a felicidade Outra seria a realidade Meu viver mais profundo. Quisera-o sempre a fitar-me Com bondade, com afeição, Para que à noite ao deitar-me O levasse em meu coração. E, de manhã ao acordar Depois de com ele sonhar Em meus sonhos de ilusão Envolto nesta real paixão Poder ter o teu doce olhar Bem juntinho ao coração. JGRBranquinho - “Zé do Monte” GRITO D’ALMA Sentimento muito íntimo- o mais profundo! Grito d’alma que por si mesma se manifesta. Um anseio de certezas sonhando a sua festa Que talvez nem tenha assento neste mundo. Uma interrogação, desabafo ou exclamação, Fortes emoções que ao poeta fazem sentido Fruto dum magno sentir! Dum coração partido! A sequência natural duma tão forte paixão. Sol num primeiro olhar, acaso mais brilhante! Motivação maior, de todas a mais importante!... Aquele encontro pontual em louvor da Poesia. Olhou-a nos olhos; todo o seu ser estremeceu! Desde então, sim, não mais o poeta a esqueceu! É hoje em seu pequeno mundo, adorável fantasia. JGRBranquinho - “Zé do Monte” A chama É esta a chama que me liga a ti- mulher! Chama imperecível que se chama amor. A mais intensa luz brotando do meu ser Para inundar-te e beijar-te- meu AMOR. Esta luz é a chama quente, acariciadora, Que quer envolver tua vida nesta Terra! A ternura e a suavidade da asa protetora Que te oferecerá quanto calor encerra. Então- AMOR- toda a sua força sentirás! Força de te amar que tu jamais olvidarás Que por ser única não teme comparação. Saberás o valor deste amor que te ofereço Esperando ouvir de ti- se é que o mereço: “Meu Amor, sou tua e é teu o meu coração”. JGRBranquinho - “Zé do Monte” JGRBranquinho Meu norte Alentejano Meu Norte Alentejano- terra/encanto onde nasci, Querido torrão, que me viste, também, crescer! Voltei, santo aconchego- berço/afago do meu ser, Como tu- no imenso mundo- eu jamais vi. Meu Norte Alentejano, que minha aldeia tem Em seu colo de amor, o meu largo de brincar! Onde tanta vez fui feliz, fruindo o seu amar Tão feliz- tão feliz como mais ninguém. Porque voltas do Destino, saí há tantos anos?! Porque me obrigaram a procurar outros lugares?! Se, da vida, aqui, não sentia os desenganos? Fui para longe, procurando outros amares, Desiludido, quantas vezes, por seus danos! Sofrendo, na distância, por meus azares. JGRBranquinho NA SEARA Caminho por entre as espigas do pão sagrado Na terra abençoada deste Alentejo imenso! Acaricio-as ao de leve por este amor intenso Que vive dentro em mim com total agrado. Caminho e contemplo a planície ora dourada, Meu encanto sem fim, meu amor primeiro. Planura estuante, vida e vigor de valor inteiro E chamo-lhe, apaixonado: minha noiva amada. Caminho, pé ante pé, nossos corpos se tocando Num gozo delirante como amantes se amando Nossas pernas se roçando em gesto de amizade. Caminho lentamente, desfrutando tal prazer! Ali quisera poder continuar, ali poder viver… Encontrado o sonhado lar, minha eternidade. JGRBranquinho

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8 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Confrades» Guitarras do meu país As guitarras portuguesas Que ao fado emprestam vida Dizem adeus em segredo Na hora da despedida. Trinando notas dolentes Na hora calma e serena Em gesto de despedida Parecem chorar de pena. Quando chega a despedida Profunda emoção se sente Melancólica a guitarra Dá gemidos comovente. Soluçai, guitarras minhas Nesta hora mais sentida A vossa ausência na noite Deixa-a mais entristecida. Guitarras do meu País A noite chegou ao fim Uma tristeza me invade Guitarras chorai por mim !… Euclides Cavaco - Canadá QUANDO O AMANHÃ VAI CHEGAR O amanhã vai chegar Sem tristeza e sem dor Radioso vai nascer Dando os bons dias ao SOL O amanhã vai chegar Trazendo boas noticias E no seu alvorecer Boas novas vão chegar Haverá sempre alegria Não haverá tristeza nem dor Fome e sofrimento Também não Quando o amanhã chegar O Sol será radioso A Paz e alegria Reinará … Quando o amanhã chegar Só nos trará Amor Alegria ao nascer uma flor E tudo será diferente Quando o amanhã chegar Que não tarde em aparecer Pois ainda quero ver … Este Mundo mudar http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm LIVRO INACABADO Quanta saudade!... São lembranças, recordações. Não é nostalgia! Não! É reviver…Voltar atrás Ler e reler… As páginas que escrevemos No livro inacabado E reconhecer Ver o quão importante… És!...Na minha vida Minha rocha… Minha segurança Meu prazer…Amor desmedido Meu querer… Sempre no pensamento Sempre no coração És o meu viver! Quero-te tanto! Sinto-te comigo… …Minha luz!… No perfume da rosa Na brisa que me beija No silêncio que me seduz Na música que escuto Quando fecho os olhos… …Para te ver… Sonhar contigo… E é tão bom sonhar!… Espero-te! Quero ver-te chegar Correr para os teus braços No teu colo aninhar Sorrir!... E ao teu ouvido confessar: Amo-te! Conceição Carraça Torre da Marinha SEMPRE A AMAR Desce a água pura da nascente, Pela encosta da verde montanha. O poeta acorda, e de repente Lhe acode imaginação tamanha, Que grita, grita, desmedidamente. A água canta uma cantiga estranha, Um poema surge em sua mente. E o poeta embebedado sonha. A água canta e baila até ao mar. O poeta sonha, sonha só poesia, Porque nada é verdade senão sonhar. A água desce num delírio de chegar, E o poeta sua esperança doentia, Grita sua loucura sempre a amar. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa TENHO MEDO Tenho medo de ter medo, Deste medo que me faz medo. Tenho medo do medo que tenho. Tenho medo que tanto medo, Me faça perder o medo, De perder o que não tenho. Tenho medo... Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa TRISTEZAS E ALEGRIAS São primaveras, Verões, Outonos E, ainda, o nosso amigo Inverno, Que nos ativam como nossos donos, Nos fazem felizes ou são inferno! Juntos, vencemos imensos perigos E vos tive sempre em meu coração! Quando, um dia partir, amigos, Não chorem p’la nossa separação! Foi bom vivermos na Graça de Deus Termos que aturar cada qual os seus E, sofrer, por vezes, mas feliz! Não parar dá força e engrandece Na nossa labuta nada esquece E nos encanta sentir tal cariz! Bento Tiago Laneiro - Lisboa Um Amor Escondido Mote Procuro um amor escondido Dentro do teu coração Sentindo-o enternecido Abomino a solidão. E sendo um pouco carente Sem ter nada definido Eu neste tempo presente Procuro um amor escondido. Esse amor vou encontrá-lo Quando a Deus em oração Peço para divisá-lo Dentro do teu coração. E sabendo que ele existe Embora despercebido È minha ideia presente Sentindo-o enternecido. Que o retribuo ternamente Eu digo com devoção E constato certamente Abomino a solidão. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau / Amora Edyth Teles de Meneses “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 9 “Cantinho Poético” POEMA SOBRE A MISÉRIA DA VIDA Com esta crise e austeridade Muito tem ficado por fazer Falta espírito e autoridade Cada um pense o que quiser. Existem carências sociais Porque não há investimento Falta trabalho e coisas mais Tanta gente em sofrimento. Há pobreza envergonhada Que devia ser preocupação Nesta democracia falhada Onde todos falam e têm razão. O País cada vez mais endividado Com tanta crise a reinar Infelizmente do mau resultado Que não se consegue emendar. Muitos impostos a pagar Num País com desemprego Não sei onde isto irá parar Cada vez é maior enredo. Tanta gente desempregada Que quer comer e nada tem Presentemente revoltada Pela miséria que por ai vem. Em democracia e liberdade Até faz doer o nosso coração Cada vez maior desigualdade Que desrespeito pelo cidadão. Deodato António Paias - Lagoa Divulgações do Espírito Ai quanto amor e carinho Tenho para te dar! Mesmo no outro lado do mundo Minha alma por ti palpita! Um desejo bom que cresce Tamanha afeição humana Sinto nas palavras Serenidade, que resolve o problema, Eleva a nossa amizade, Ao respeito mútuo, alegre e leal Sob a dimensão divina do Céu Olho as estrelas, sinto a presença Vinda numa carta, num poema Ouvir a minha voz Dizer que somos nós? A esperança que cresce Nas palavras leves, suaves, Da nossa harmoniosa correspondência Feita de alegrias e penas, - Ambos queremos que seja, “A ciência da amizade eterna” *** Desperta na minha mente A lua, o sol e o vento, Que vem do mar. Murmuro o Céu e o ar Esse ar que ninguém vê Esse ar que a gente não sente, Me embriaga e me encanta!... Há falta de amor no mundo! Tão suave…mas não nos amamos, Sempre, como é devido! Porque os que não sentem…não querem Amar os mais desfavorecidos Pois só o prazer os convida, Num outro sentido! Feito, o homem, os sentidos da censura, Se faz ouvir o grito De quem está caído no mundo, A explodir a sumida esperança, Da vida… Luís Fernandes - Amora PRESO NA SOLIDÃO Preso na solidão, falo comigo, Como se houvesse aqui outra pessoa. A cela não tem porta nem postigo, Na casa tudo é mudo e não ecoa. Outro tipo de vida, que persigo, Nas frinchas me escorrega, foge à toa, Porque o peito se nega a ser abrigo Desse ideal que eu tinha e já não voa. Tanta gente viveu e vive só! Viveu a minha mãe e minha avó, Sofrendo a solidão em névoa solta. Mas eu não me conformo. Pode ser Que a sorte mude e venha a acontecer Eu ver a minha vida a dar a volta. Tito Olívio - Faro O FADO DA VIDA Anda a greve à toa P'ra tramar quem voa E quem quer voar Com, ou sem razão Perdem a noção Do que é trabalhar Trabalho em verdade É responsabilidade De quem está no activo Não é brincadeira Perigar a carreira Por qualquer motivo Entram no Stresse E tudo acontece Por falta de siso Destroiem sem razão Quem lhes dá o pão Resta o prejuízo E Portugal coitado Vai cantando o Fado O Fado da briga Leva Xaile e garra Viola e Guitarra E lá vai na cantiga Rosa Guerreiro Dias Lisboa O Melro canta bonito De plumagem toda negra, E com seu bico amarelo, O melro canta bonito Nas ameias do Castelo. . Nesta época do ano, Dedica a sua canção A uma fogosa parceira, Com alegria e paixão. . Logo que a vê, corre atrás Procurando alcançá-la. Suas perninhas velozes Tentam em vão apanhá-la. . A fêmea levanta voo E deixa triste o seu par. A ingrata não foi sensível Ao mavioso cantar! Maria da Fonseca – Lisboa Não faz sentido! Nossas vidas folhas de cetim, amareladas, amarrotadas pelo tempo mesmo em desalinho, desacordo total: continua templo! TERRA DE NÓS Viva! Viva a Nossa Terra, a nossa Cidade. Ela continuará sempre Mãe. Os filhos e filhas de todas gerações continuarão com Ela sempre. Os mais novos estão a tratá-la bem. Ainda bem. Nós estamos... e perto ou longe passamos e os outros que vierem passarão também. Mas, Ela nos trespassa por onde andamos e se passa por nós, não passa, Fica sempre connosco. Está presente, é divina. E nós levamo-la e mesmo que não a mostremos, nos reconhecem DELA, mesmo. Cidade Malanijna, terra de Nós. José Jacinto "Django" - Casal do Marco Anna Paes - Brasília

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10 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» A noite de Lisboa Fosforejam na noite os olhos de Lisboa. Do seu ventre fadista nascem os primeiros acordes das guitarras. Nas suas artérias nobres, que outrora conheceram o passeio alegre de tantos poetas e escritores, hoje manda o silêncio. Não se ouvem já os ecos da tertúlia da Brasileira, da sonora gargalhada de mestre Almada Negreiros, dos passos tímidos do grande Fernando Pessoa, da algazarra de Cardoso Pires e dos seus amigos marialvas, a saltitar de bar em bar. Alcântara, Cais do Sodré... ali ainda cheira a Tejo, a cacilheiros, a maresia, a saudade. Ali, as memórias vogam sobre as águas daquele Tejo que conheceu tempos melhores, de varinas, de peixe, da Ribeira... de gente mais feliz, que gostava de acabar a noite a saborear-lhe o cacau! Ah, Lisboa alvissareira, bem disposta, cruzada pelos pregões das sardinhas, das favas, das castanhas, dos jornais.... que foi que te fizeram? - Quem te silenciou o encanto da vida? - Quem te baixou à condição única de comerciante, que até o fado vendes a quem o quer comprar? - Quem te mandou cumprir o único papel que decoraste; o turístico, atenta e veneradora, a cobrar uns quantos euros pela visita ao castelo? Não que de condenável nada tenha essa atitude... Mas só essa? Bem, verdade se diga, tens muito mais para oferecer; a tua belissima e ancestral monumentalidade, os teus museus… e os tipicos elevadores que levam aos deslumbrantes miradouros que pasmam e enchem cada alma que lhes aflora os varandins… E com os rubos alvores da madrugada vão-se calando, aos poucos, as guitarras e as vozes dos fadistas, e o teu fado, agora qualificado de Património Imaterial da Humanidade, deita-se no respeitável aconchego das vielas, até que a noite volte de novo a despertá-lo. Eugénio de Sá - Sintra Nota: Este texto foi criado a pedido de uma amigo para alojamento no nobre espaço internético “Lisboa no Guiness”. Declamação a cargo de Luis Gaspar uma flôr de amor na minha mão... abro a mão (de amôr) solto a flôr e vai (em flôr) afagar a alma e a dôr do coração... Jorge Cortez - Suíça Impulsos Matinais Impulsos matinais, Nos olhares que se cruzam...! Rajadas de vento, Correntes sem retorno...! Amarrados sentimentos, Indeléveis sorrisos, Nos seres desprendidos.....! Momentos inertes Com passagem marcada No advir que se avizinha....! Manuel G. Silva - Fogueteiro ANSIAR PERDIDO Ilegítimo, o ansiar perdido, Se me conduz a esse campo aberto. Onde os frutos do Éden prometido, Leite e mel jorrados do deserto? Das ilusões às tolas iguarias, Na mesa posta à vida descontente: Se é licor o doce da semente, Por que murchar a cada novo dia? Se sou alguém e nisso insisto tanto, Ser mais da existência. Livre canto! O fremir de um lamento apaixonado. Exijo que se retrate o insulto De a vida ter passado como um vulto E ter-me como um verso ignorado! Eliane Triska - Porto Alegre / RGS /BR DIA DO ABRAÇO Hoje é Dia do Abraço… quem se abraça, de maneira virtual ou de verdade, compreende o que é sentir felicidade, quando Deus concede a todos essa graça. Hoje é dia de te dar meu coração e sentir teu coração dentro do meu percebendo, neste amor que é meu e teu, a essência da palavra união. Quando um dia um de nós se ausentar e o passado que tivermos que chorar nos lembrar que com amor nos abraçamos, esse Dia do Abraço há de mostrar que há bem mais que emoção em nosso olhar… há o dom de amar que nós… abençoamos. Luiz Poeta – RJ/BR Luiz Gilberto de Barros Horizonte Quando os mastros dos barcos vazios Rompem o silêncio do horizonte As cores quentes do céu Iluminam as águas das fontes. Mário Pinheiro - Amora

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 11 «Tempo de Poesia» PARA OS OUTROS SEMPRE Nem sempre serei para mim o melhor conselho quantas bastas vezes sou algo de sozinho não me encontrando sei que me olho no espelho mas que razão me assiste se nem sei se há caminho? Mas é aí que me estudo no discreto desenho entre o vidro oblíquo e o que me está mais vizinho. Porque por essa altura vai-se todo o desdenho e eis quando me fica o que almejei: o secreto amigo. E é para ele daí em diante eis todo o meu esforço quando me procura expõe-me seus medos e o obscuro e é então que lhe digo: é preciso saltar o muro! Ir daqui para o outro lado, onde está o conforto que diga-se é lá que está o novo mundo que fará do inseguro ir buscar a si o mais profundo. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Planeta Multicultural A diversidade se estende além das fronteiras. Sonhos se entrelaçam em líamos de conceitos. Os desafios ufanizam os contextos. A vida pulsa na atmosfera terrestre. Um fluxo de pensamentos movimenta as ideologias. Em microrrecortes o desenrolar da história humana. A vida cósmica desabrocha. O fluído vital energiza todo o globo terrestre. Os períodos são dilacerados. O tempo narra o desenrolar do cronograma existencial. O fim funde-se com o início. O tudo surge na vastidão do infinito do nada. A arte de aprender nos leva a compreender o desconhecido. Esta miscelânea filosófica promove a fusão planetária. Dhiogo José Caetano - Uruana - Brasil Um coração sem amor, É como árvore sem fruto. Contemplamos a sua flor Sem pagarmos o tributo! Jorge Vicente - Suíça VELHO Ser velho E ser sábio… Será bom ser sábio? Será bom ser velho? Eu preferia … Não ser sábio E não ser velho… Tanka Tudo é possível A guerra pode acabar!? Havendo vontade… Com apelos de mudança Esvoaça a pomba da paz. Pinhal Dias – Amora PT Queria ficar… Não queria ir… Mas vou… E vou ficar velho… E vou-me embora… Só não saberei… Se realmente… Chegarei a ser sábio… Lili Laranjo - Aveiro A ética humana Das muitas definições, que as há a rodos Da humana ética, porque essencial Direi desse princípio original Que ele é o mor princípio dos princípios todos. Procura o ser que somos, na satisfação Dos seus muitos desejos naturais A felicidade proposta aos mortais Enquanto lhes bater o coração. Ganha então dimensão o raciocínio Lutam as tentações c’o a razão E os sentimentos vibram de emoção Perante a consumação d’algum fascínio. São as escolhas que o caráter dita No livre arbítrio que ao homem concerne Mas que o podem baixar à condição de verme Se elas servem a outros de desdita. Por isso, há regras que regem as acções Que cada um de nós em si caldeia Pois não deve chocar-se com a alheia A liberdade das nossas razões. Eugénio de Sá - Sintra Não Chores Por Mim Se um dia encontrares vazio Um canteiro que outrora foi jardim Se surgir um campo bravio Eu te peço, não chores por mim… Se o silêncio um dia persistir Sem estrofe nem nota musical Se um poema do livro se esvair Não chores, o poema intemporal… Se o pássaro abandonar o ninho Em chegado o momento de hibernia E cessar o seu burburinho Não chores, vive a nostalgia… E se não voltar a aurora matinal E não sentires o cheiro do jasmim A ausência dum momento triunfal Eu te peço, não chores por mim… Maria Eugénia – Sesimbra Partilha A luz da manhã me sorrio Assim que abri a janela E os sons das aves cantando Também entrar por ela! Sons de alegria que partilho Porque vivo, porque existo... Porque a vida é só isto. É pouco mais que só isto! Felismina mealha - Lisboa

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12 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Trovador» SOBRE A SORTE E A SAUDE Tanta coisa ouço falar E outras tantas discutir Quando eu quero explicar Ninguém me quer ouvir Pede-me o meu coração Para eu parado não ficar Só me resta a solução Dizendo isto a cantar... refrão Se ninguém quer escutar Que mais posso eu fazer Pois não posso obrigar A acreditar quem não quer É por isso que eu canto O que o coração me diz A saúde adoro-a tanto E a sorte faz-me feliz... refrão Refrão Quando começo a falar Podem vocês estranhar Esta minha atitude Porque muito já ouvi O que penso digo aqui Sobre a sorte e a saúde Nós sabemos muito bem Nenhuma delas porem Se encontram á janela Porque nada me ilude Desde que tenha saúde A sorte faço eu por ela. Chico Bento - Suíça Os Barcos Rabelos Lá vêm os barcos Rabelos Todos prós lados de Gaia; É sempre bonito vê-los Quando voltamos à Maia. Vão carregados de pipas, Cheias de Vinho do Porto. Levam também muitas rimas De cantigas pra conforto. Vindimas são uma festa, Com desafios a cantar. Uma alegria como esta, Vindimas são de encantar! Lá vêm os barcos Rabelos Com Porto e muita saudade, Por vezes com pesadelos E com bastante ansiedade! Jorge Vicente - Suíça MEU PORTO DE ABRIGO Acordei, fui à janela Vi chover o desencanto Senti a dor do meu pranto E o vento a chamar por ela Gemeram os meus sentidos Naveguei no mar da "sperança Vejo os sonhos de criança Que nunca foram vividos Desta vida que vivi Da chama que me consome Mil vezes chamo o teu nome Dói-me a saudade de ti Vem murmurar-me aos ouvidos Com a voz da solidão Bate forte o coração Ao ouvir os teus gemidos Fica meu peito cansado A cabeça a latejar Da mágoa que me vem dar A saudade do passado Embarco em sonho contigo Mergulho no mais profundo No espaço onde me afundo És o meu porto de abrigo. Maria de Lurdes Brás - Almada POÇO OU FONTE? De Poço, lhe ouvi chamar Mas de Fonte, nem pensar Nem Bica nem Chafariz Depois; a Fonte nasceu E a mudança aconteceu Foi o Ministro que quis!... Donde veio esta nascente Talvez andasse na mente Dalgum Homem do Estado!... Poço seria Grosseiro… E um nome mais lisonjeiro Tinha de ser inventado Esta Terra que nos conte Era Poço e hoje é Fonte Boliqueime orgulhosa… Com ou sem governante A Fonte foi por diante E ficou Terra famosa Será que o Poço secou? ... E um milagre se passou Fazendo a Fonte Nascer!... Pois seja lá como for Digam-me lá por favor Eu não consigo entender. João da Palma - Portimão Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin) AS ONDAS DO MAR Fui contemplar o mar E nos braços da areia Vi a sereia descansar Trazida pela maré cheia No vai e vem das ondas Formam rendas de cambraia Irrequietas e turbulentas Se desfazem na praia Vêm espreguiçar-se na areia Envoltas num manto de bruma Com as ondas veio a sereia Coberta em lençol de espuma Com os sussurros do vento E as ondas a murmurar Em constante movimento No areal vêm-se beijar As ondas no seu cantar Compõem uma melodia Quando na areia vem brincar Escrevem a sua poesia Sentada na praia deserta Comtemplo o mar até ao sol-posto Ele me inspira e me encanta Com a brisa a beijar-me o rosto Perpétua Rodrigues – Olhão Coração cheio de segredos, Que dentro de ti encerras! Não fujas dos meus enredos, Só porque não queres guerras. Com teus olhos penetrantes, Mais parecem duas flechas. Para mim são dois diamantes, Dos mais belos que tu guardas! Jorge Vicente - Suíça

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 13 «Poemar» Estou aqui... Sozinha e no entanto Estás na minha solidão Deixas o teu encanto No meu coração... Estou aqui por enquanto Inventando uma oração Só não sei até e quanto Vai ser tua esta canção. A paz que se quer na vida Traz-nos ternos momentos Na solidão dos aposentos. É assim que curo a ferida Que afoga o vil passado Com a solidão de lado. Rosa Silva ("Azoriana") Os Que Ficam De todos os poemas hão de ficar aqueles que falam do ser e seu destino. Os que falam do gesto da mão a mitigar a dor. Os que ensinam o caminho entre os espinhos e a rosa. Os que não abriram mão da fé, da esperança, do amor. Os que sabem o que é o bem, o que é o mal. Os que dizem não à desventura. Os que intuíram um sentido, um rumo, um nexo, uma finalidade por entre a negação e a insistência de não havê-los. Os que sabem no coração o que é a verdade, o que são meias-verdades, hipóteses e inverdades. Os que se deixam alentar pelo sopro do Espírito. Os que conseguem expressar conflitos e bloqueios tornando a doença realização e liberdade. Os que reúnem num só ser o adulto, o jovem, a criança e permitem-se fluir num ponto-centro microscópico do círculo — onde chegar é chegar-se. Os que sabem ser humanos e, claro, não ficam por aí — mas ensinam o salto... Laerte Antônio Casa Branca-SP-Brasil XII Um sortilégio antigo este que aporto à memória perene das palavras e com ele me cubro e me levanto me revolto grito e me rebelo e mais alto ainda ouso meu canto quando o entrego ao vento para que solte o agitar urgente dos alentos Fernando Fitas In: “Alforge de Heranças” QUE AMOR É ESSE Que faz o poeta cantar a dor Uma dor perante um corpo inerte E que não recebeu flores Apenas teu sangue verte Morreu na inocência Onde o ciúme falou mais alto Reflexo da louca ignorância É o poeta aflito, sente E faz Soar o Seu grito E diz QUE AMOR É ESSE: Angélica Gouvea - Luminárias-MG SERES ESPERANÇADOS Corpo embebido em cânticos Tornados fruto em noite ardente De silêncios feitos música Num dizer nunca renegado A alturas controlado Fizeram de nós Homens que somos E seres que seremos Infinitamente esperançados Rosa Branco - Cruz de Pau DE MÃO ESTENDIDA (3) De mão estendida, naquela manhã, estive contigo, beijei o teu rosto, lembrando um passado tingido de agosto e rubro dos tons que embeleza a romã. Trocámos afetos que são talismã guardado na boca, onde o vinho é sem mosto. Não vimos idades nem ar de sol-posto, apenas partilhas sulcadas de afã. A névoa de seda foi palco de tema a escritos profundos, sem culpa ou dilema, em dia pintado no tom predileto. Pegámos na pena, molhámos na tinta, surgiu a magia que sempre requinta a forma sublime do nosso soneto. Glória Marreiros - Portimão PERDÃO Quem vai trazer de volta essa alegria Que fui perdendo ao longo destes anos? Tentando compreender a cada dia Tua instabilidade de arianos. A cada dia faço um propósito, Cuidar de ti tal qual tua mãe fazia; Mas, mesmo as mães, coitadas, são depósito Às vezes de tristeza, outra, alegria. Mas, tal qual ela sublimei a dor De te saber assim tão desligado... E só pensar em ti pra ser amado. Mas como mãe também eu te perdôo O fato de assim teres me encontrado, Pois eu já bem previa o resultado. Benedita Azevedo – RJ/BR

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14 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto 2015 «Poemas saídos do Baú» NA TRINCHEIRA Cel. Henrique Lacerda Ramalho É (foi) exactamente assim: As horas não passam, olha-se o relógio quase de instante a instante porque o tempo se arrasta de longo segundo ao seguinte segundo longo... Quando chegará a hora de passar ao turno seguinte? O medo faz suar na friagem da noite, cada sombra parece um inimigo, a cada sombra os olhos se estreitam, lacrimejantes, esperando qualquer movimento. Os dedos crispam-se na arma pronta a fogo, a garganta seca, a língua intumesce na boca, recua-se dentro da própria sombra. Recordações são puxadas à lembrança para não sentir a lentidão do tempo, revivem-se situações e as probabilidades se tivessem tido outras as resoluções, a dúvida se instala: estará a arma pronta a fazer fogo?... A tentação de puxar a culatra atrás a ver se salta o cartucho e introduz um novo...mas, e o barulho?... Desisto. A patilha é apalpada: estará em segurança, tiro a tiro ou em rajada?... A mão instintivamente procura nos bolsos o maço de tabaco na necessidade de um trago tranquilizante, além da sensação de companhia. Porém, denunciante o cheiro e a brasa, impedem a concretização da intenção. O tempo não passa, será que o relógio parou? Sacode-se e encosta-se no ouvido. Sobressalto: além um barulho...será animal, homem ou imaginação? Será de acordar todos por precaução e sofrer os insultos e piadas se nada existir?... O suor escorre pela face, pinga, ardente nos olhos, concentra-se na ponta do nariz, desliza no rosto, encharca a nuca. Se eu fosse os outros, como faria? De onde viria? Esperaria o amanhecer? Aproveitaria a escuridão? Usaria a faca?... A mão livre da arma, levanta a gola envolvendo a garganta, um arrepio estremece o corpo numa pré-sensação do frio da lâmina cortante, na pré-visão do esguichar sanguíneo intermitente... E o tempo não passa na m (..) do relógio... F.d.p. do relojoeiro que me convenceu com esta m (...)! O cérebro intoxica-se com palavras soezes buscando o culpado dos lentos segundos...Tira-se o relógio do pulso e, dobrado na mão, os olhos acompanham o ritmo: 210...211...212...213... Parece que, afinal, os segundos são segundos... E o corpo espalma-se ainda mais no solo, na procura, na mãe-terra salvadora, da minha escondida silhueta... Lisboa, Portugal (tempos passados) Cel. Henrique Lacerda Ramalho Educar as crianças. (Eduquem as crianças e não será necessário castigarem os homens. Pitágoras) TORRENTE INQUIETA Sou torrente enlouquecida sem saber p'ra onde vai, correndo louca, perdida, num delírio que se esvai. Essa corrente se espraia, é turbulento caudal, nesse correr talvez caia num precipício final. Esse rio impetuoso vai correndo, doloroso, indo sempre sem parar. Suas águas tortuosas deslizando, revoltosas, não sei onde vão levar. Natália Parelho Fernandes Portalegre EVASÃO No silêncio e na paz da natureza, de toda a sensação eu me desligo, extasiando-me apenas na beleza deste divino mundo onde me abrigo. Mergulhada no verde onde me deito, sou pedra, folha morta abandonada, e d’alma em evasão eu me deleito, por ser no todo imenso um quase nada. E é neste bem-estar doce em quietude, que, saudosa, relembro a mansuetude do sacrossanto lar primevo e antigo… Basto-me do ar que sorvo e está comigo, e qual erva que símplice brotou, nada mais quero ou peço… Apenas sou! Carmo Vasconcelos - Lisboa Primeiro: - há que educar as crianças Com pais! Escolástica de ensinar! São potencialidades, de mudanças E a sociedade tem pés para andar Com a liberdade que lhes assiste Por si…crianças são imitadoras Erros do passado…quem resiste!? Personalidade! De vencedoras! Pela reflecção da criança, que arde Por um sol inclinado dessa tarde Fluíram crianças educadinhas Crianças que reflectem a sua luz Com lições ilustradas por Jesus “Deixai vir a mim as criancinhas”. Teus olhos Teus olhos são para mim Toda a luz do Universo; Uma beleza sem fim, Que não cabe neste verso... Ferdinando - Germany Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 70 | Julho / Agosto l 2015 | 15 «Faísca de Versos» VALOR DOS DIAS Os Abutres cheiram a carniça. Os Ursos já sentem o mel, Os porcos chafurdam já impacientes, Os ratos já roem as saídas. Os besouros já se dão ao luxo de sair de dia. Ah, Grécia! Haverás sempre. Devem-te tanto E cospem no prato Que lhes serviste, Mas como esqueceram o efeito Do boomerang, Nem vão apreciar a surpresa. Cobram-te, exigem-te, sabotam-te, assopram para o teu lado da mesa, assobiam para seu lado, confiantes na sua riqueza, que deve tudo ao Povo explorado. Ah, Grécia! Haverás sempre. E quando apresentares as contas, Ah, credores…nem vos sobrarão as pontas. Uns dias do caçador, Outros da caça que vai provocar maior dor. Ouve lá cachorro malvado Ouve lá cachorro malvado É feio o teu proceder De pão dei-te um bocado E tu vieste-me morder Fiquei triste com a história Dum cão eu ter ajudado Que hoje digo sem glória Ouve lá cachorro malvado Porque agiste tu assim Eu gostava de saber Comigo foste tão ruim É feio o teu proceder É bem triste, hoje eu sei Ser-se assim enganado A tua fome eu matei De pão dei-te um bocado O teu passado recente Acabaste por esquecer Dei-te uma vida decente E tu vieste-me morder. Chico Bento - Suíça A verdade dói, a mentira mata, mas a dúvida tortura. (Bob Marley) Debates políticos vão ao rubro. Na hora da verdade!? Eu descubro! Bocas carecidas de água, abanam Ateando o fogo até Outubro… Fagulhas que caem e não desandam Testam: - “Sete pecados capitais” Eles que castigaram muita gente Resvalam…dez pragas e muito mais! Tranquilidade!? Com vida aparente! Fumo negro!? Troica: - “portas abertas”! Outros a fecharam!? Palavras certas… Povo foi inflamado, nesse estupro! Se o Estado da Nação não anda bom… Finanças? Impostos sobem de tom! Debates políticos vão ao rubro. Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT Tanka Raposa esperta Cavalo inteligente Abutres devoram… Animais do habitat Interagem no seu reino. Pinhal Dias – Amora PT Aos reformados Quem nos havia de dizer Descobriram um tesouro, Os reformados viraram Galinha dos ovos d´oiro. Há dias ia eu passando Por dois fulanos “exaltados,” Dizia um deles ao outro: “ Vão ao bolso dos reformados.” Pensei cá prós meus botões Se o governo ouve isto, Esfrega as mãos de contente E outra vez – lá vai disto! Dito e feito, a ministra Já veio a terreiro dizer, Que por isto ou aquilo Talvez tenha que o fazer. Mau Maria – mau Maria Mentir é, mentir é feio, E com o povo a julgar Que tinham o cofre cheio. Té dá vontade de rir Este governo tem graça, Um dia que tudo bem Outro dia que desgraça… Este governo e aquele… E o outro que há-de vir, Todos prometem o céu Dá resultado mentir. Se quem mais mente ganha Viva, viva, o mentiroso! O que mais mentir será Outra vez vitorioso. E o povo pá! O povo… O povo está lixado, Tem que carregar o fardo Dum país mal governado, Aires Plácido - Amadora INDEPENDÊNCIA… Erguida foi a sua Bandeira, No clamor da voz tão imortal, Dum Povo sem a terra nem eira, Na Independência Total... ………………… Há olhares sem qualquer Esperança. Agora sós e a sua mercê… Esperam-na com tanta tardança. Kuá sé, sakuá ku Povo mecê? É isso que o Povo quer? José Jacinto “Django” - Casal do Marco O ESTALAR (Escândalos colocais) de corrupção E lavagem de dinheiro, Em cada qual sua opinião Em cada um!... Um tenreiro. Sigo estes meandros volúveis Através da comunicação, Julgam-se implacáveis Caindo na contradição. Regressa ao espaço sem fundo Sequências de convergências, E, assim vai este mundo Em desordem sem transparência. Eleva-se entre a espuma Em redonda ressonância Como uma leve pluma Enfeites da própria petulância. O rosto da terra se renova Um ouvido desperta, O estalar da crosta Transforma ferida aberta. Esfrangalhar é a palavra Para tanta ganância, A terra que não se lavra Por essa manigância. Damásia Pestana - Seixal Edgar Faustino – Correr D’Água

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