Revista Saúde em 1º Lugar - Dezembro 2014

 

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Revista Cruz Azul Saúde

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Saú Sa úde em Feliz Natal e um 2015 repleto de saúde lugar Revista da Cruz Azul de São Paulo Ano I – N° 4 – Dezembro/2014 Distribuição gratuita Especial Tabagismo Caminhada é importante para a saúde física e mental Deficit do sono é muito prejudicial à saúde 4 16 18

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Sumário Expediente Revista Saúde em Primeiro Lugar É uma publicação trimestral da Cruz Azul de São Paulo Corpo Diretivo Cel PM Julio Antonio de Freitas Gonçalves Superintendente 4 5 6 7 8 Tabagismo X Saúde Um jogo de vida ou morte Dependência física/química Dependência Psíquica Condicionamento Doenças relacionadas ao tabaco Índices de tabagismo no mundo Tabagismo e cirurgia vascular Lei Antifumo é pra valer, a partir de dezembro Cel PM Renato Aldarvis Coordenador de Saúde Cel PM Renato Perrenoud Coordenador de Educação Cel PM Márcio Matheus Coordenador de Logística Cel PM Vicente Antonio Mariano Ferraz Coordenador de Finanças Cel PM Marcos Roberto Chaves da Silva Coordenador de Sustentabilidade Dra. Joyce Mari Stocco Coordenadora Clínica Cel PM Silvio Roberto Montagner Chefe de Gabinete Publicação desenvolvida pela equipe da Gerência de Comunicação Corporativa Elisabeth Diniz, Rosana Rodrigues, Bianca Maciel, Lucas Leandro, Marina Saraiva, Sabrina Tono e Victor Resende. Jornalista Responsável: Walter Mazar - MTb.: 16.431/SP Fotos Banco de imagens da Cruz Azul e Shutterstock Tiragem 20.000 exemplares comunicacao@craz.com.br www.craz.com.br Dezembro/2014 9 10 11 12 13 14 17 18 19 20 Regurgitação e bebês chiadores Ebola Superbactérias podem tornar mortais infecções consideradas simples Mutação lenta do HIV é fator positivo para a ação de futura vacina Top 10 da medicina Caminhada é importante para a saúde física e mental Deficit do sono é muito prejudicial à saúde Fobias raras Unidades de saúde 2 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Opinião Desejamos muita Saúde para o Brasil e o mundo em 2015 A sensação é de que o ano passou rápido. Talvez, porque vivemos um 2014 muito intenso, especialmente no âmbito da Saúde, um dos principais pilares históricos da Associação Cruz Azul de São Paulo, que em 2015 irá comemorar 90 anos de atuação e busca constante de soluções resolutivas e inovadoras para atender, condizentemente, a família do Policial Militar e a sociedade, na capital paulista e cidades vizinhas. Retrospectivas, muitas vezes, não são justas porque exigem informações sucintas demais para se poder dimensionar o trabalho árduo e prazeroso no desenvolvimento de projetos, implementação de novos equipamentos e tecnologias e aprimoramento profissional do contingente de colaboradores nas mais diversas áreas, entre outras realizações em nome da qualidade e sustentabilidade financeira da Instituição. Porém, breves números podem representar, objetivamente, as realizações da Cruz Azul em 2014, decorrentes das atividades, ações e interações interdepartamentais: mais de 520 mil consultas ambulatoriais no Complexo Hospitalar e Ambulatórios Descentralizados; 252 mil atendimentos no Pronto-Socorro; 18.700 internações; 8.120 cirurgias, 2 milhões de exames laboratoriais e de imagem e 3.120 partos na Maternidade Santa Maria, uma das mais tradicionais de São Paulo e do País. Por fim, para registrar nossos votos de Boas-Festas, na última edição do ano da revista Saúde em Primeiro Lugar, desejamos a todos os nossos leitores, colaboradores e integrantes da comunidade Cruz Azul, um 2015 repleto de realizações profissionais e pessoais, felicidade e, claro, MUITA SAÚDE! Cruz Azul de São Paulo 3

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Especial Tabagismo Tabagismo X Saúde Um jogo de vida ou morte Fumante é considerado “doente crônico” pela OMS A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica “Saúde” como o completo estado de bem-estar físico, mental e social; e não, simplesmente, o resultado da ausência de enfermidade. Nesse sentido, Saúde é consequência de processos sociais, que são influenciados pela condição de vida, aquisição de bens e acesso a serviços. Portanto, Saúde é um produto social que se desenvolve coletiva e individualmente, por meio de ações governamentais, mobilização social e mudança pessoal. Assim, considerada como um bem para o desenvolvimento pleno do ser humano, a Saúde tem no tabagismo um de seus maiores e mais preocupantes desafios; e não é de hoje... No cenário mundial, o tabagismo é associado à alta morbimortalidade – responsável por cerca de 6 milhões de mortes/ano. Por isso, foi conceituado pela OMS como “doença crônica”, gerada pela dependência à nicotina, e inserida no CID 10 da Classificação Internacional de Doenças. Para se ter uma melhor ideia da gravidade do problema, o tabagismo é a maior causa de morte evitável e, incoerentemente, de maior crescimento no mundo. Além disso, de acordo com estimativas da OMS, a partir de 2020, de cada dez mortes relacionadas ao tabagismo, sete acontecerão em países em desenvolvimento, dividindo espaço com outras mazelas, como desnutrição, doenças infectocontagiosas sem controle e falta de saneamento básico e de suprimento de água. Alguns riscos para fumantes • 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão • 5 vezes maior de sofrer infarto • 5 vezes maior de sofrer de bronquite e enfisema • 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral 4 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Especial Tabagismo Dependência física/química A síndrome de abstinência representa um conjunto de sintomas e sinas opostos aos proporcionados pela nicotina, e pode ser resumida como intenso desconforto físico e mental. Conceitualmente, a dependência física/química é resultante das adaptações de diferentes sistemas do organismo à nicotina. Tais adequações geram tolerância à droga e síndrome de abstinência quando da sua suspensão. Como se não bastasse a “vontade extrema” de fumar – por si só um considerável inconveniente –, a síndrome de abstinência inclui: • Desconforto gastrointestinal • Ansiedade • Bradicardia • Insônia • Irritação • Tremores • Depressão • Alteração de humor • Aumento ou diminuição do apetite • Perda ou ganho significativo de peso Entre outras sensações, sintomas e consequências Dependência psíquica Tabagismo é uma toxicomania caracterizada pela dependência psicológica do consumo de tabaco. A nicotina é uma substância psicoativa, estimulante do Sistema Nervoso Central. Assim como a dependência física/química, a psíquica deve ser combatida, por sua relevância, complexidade e potencialidade. São vários os motivos que levam milhões de pessoas para o terreno movediço do tabagismo, e cada fumante tem uma história para contar. No entanto, sabe-se que a maioria teve contato com o cigarro na adolescência. Nesse período de transição e insegurança, há a necessidade de pertencer a um grupo, e isso induz à “imitação”. Fumar também pode representar “maioridade” e status, além de dar suporte às situações difíceis da vida, por meio da sensação estimulante e prazerosa da nicotina. Muitas pessoas também se iniciam no tabagismo após a adolescência. No entanto, a exemplo dos jovens, e na maioria dos casos, os fumantes tardios passam pelo mesmo processo: necessidade de pertencimento e/ou por descobrir no cigarro um instrumento para abrandar situações adversas. Estudos demonstram que comportamentos reforçados por recompensa positiva tendem a ser repetidos. Assim, a nicotina incorpora-se no dia a dia do fumante em todas as situações, reduzindo sentimentos desagradáveis, aliviando momentos negativos, diminuindo a angústia, minimizando a depressão e, até mesmo, para relaxar e desconcentrar. Resumidamente, é uma válvula de escape muito eficaz, infelizmente. Condicionamento Processos comportamentais podem ser segmentados em duas categorias: não automático e automático. O não automático, também denominado de processo controlado, consiste em ato consciente, deliberado. O condicionamento enquadra-se no comportamento automático, sem necessidade dos requisitos do processo não controlado. Na presença de determinados estímulos, o ato condicionado é desencadeado. Por exemplo, quando dirigimos, realizamos diversas ações sem “racionalizar”, como troca de marcha, aceleração e frenagem, entre outras que não nos damos conta ao volante. O ato de fumar, no cotidiano do fumante, é um processo que não requer, necessariamente, controle deliberado, pois o condicionamento é capaz de resolver a questão, nas mais variadas situações. Pegar o maço de cigarros, ascender e fumar, muitas vezes, são ações realizadas “sem pensar”. O processo automático, na pessoa viciada em nicotina, pode ser acionado por diversos estímulos, como estresse, ansiedade, cafezinho, dirigir, esperar alguém, ver uma pessoa fumando e estar em um lugar agradável ou desagradável, entre outras motivações pessoais, sociais e ambientais. Cruz Azul de São Paulo 5

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Especial Tabagismo Doenças relacionadas ao tabaco O fumante está exposto, continuamente, a milhares de substâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas. Por isso, o tabagismo é considerado o mais importante fator de risco isolado de doenças graves e fatais. São mais de 4.700 componentes tóxicos no cigarro e na fumaça. Estudos desenvolvidos até o momento indicam que o tabagismo é responsável por, aproximadamente, 50 doenças. O câncer de pulmão é apenas uma das possíveis consequências dos produtos derivados do tabaco. Outras enfermidades causadas ou agravadas pelo tabagismo: • • • • • • • Enfisema Infarto do miocárdio Bronquite crônica Sinusite AVC (Acidente Vascular Cerebral) Envelhecimento precoce da pele Diminuição do calibre dos vasos sanguíneos (dificultando a circulação de sangue) Desenvolvimento de pressão alta Aumento da ansiedade Dependência física/química Dependência psíquica Deficiência auditiva em bebês de mulheres fumantes Distúrbios renais Distúrbios circulares Agravar a asma Redução da memória Úlceras Diabetes Infertilidade Quem fuma está sujeito, principalmente, aos cânceres de: • Laringite • Pâncreas • Fígado • Bexiga • Rim • Pele • Oral • Esôfago • Leucemia • • • • • • • • • • • • Se você parar de fumar agora: • Após 20 minutos, pressão sanguínea e pulsação voltam ao normal • Após 2 horas, não há mais nicotina no sangue • Após 8 horas, nível de oxigênio no sangue se normaliza • Após 2 dias, paladar e olfato melhoram • Após 3 semanas, respiração fica mais fácil e a circulação sanguínea normaliza • Após 10 anos, risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou, e o de desenvolver câncer de pulmão cai à metade • Após 20 anos, risco de desenvolver câncer de pulmão será quase igual ao de quem nunca fumou 6 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Especial Tabagismo de mortes por ano 100.000 jovens começam a fumar todos os dias irão morrer, anualmente, até 2030, por doenças ligadas ao tabagismo países em desenvolvimento 80% dos fumantes vivem em 25% das mortes por 25% das doenças vasculares entre elas, 45% das mortes por 85% das mortes por e em pessoas com menos de 65 anos 30% das mortes por 90% dos casos de - entre os 10% restantes, 1/3 é de fumante passivo Cruz Azul de São Paulo 7

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Especial tabagismo Tabagismo e cirurgia vascular Tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde uma doença, pois a nicotina que o cigarro contém causa dependência e provoca alterações físicas, emocionais e comportamentais. Assim, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, o tabagismo foi catalogado como “uma desordem mental e de comportamento, decorrente da síndrome de abstinência à nicotina”. O fumo é considerado um forte fator de risco independente do grupo étnico, sexo e idade. O risco aumenta quanto maior for a intensidade e duração do hábito de fumar. Este risco pode ser diminuído com a interrupção do vício, como na doença das coronárias, onde cerca de 40% do risco aumentado desaparece após 5 anos sem fumar. No setor de Hemodinamica do Hospital Cruz Azul, são tratadas diariamente, doenças cardiovasculares que apresentam o tabagismo como um dos seus principais fatores de risco, dentre as quais se destacam: • Doenças coronarianas (infarto, angina) • Obstruçao arterial – risco de perda de membros, amputações • Aneurismas (dilatações das artérias que podem levar a hemorragias) • Estenose de carótida (uma das principais causas de acidente vascular cerebral) Esses tratamentos são realizados de forma minimamente invasiva, através de cateterismo, guiados por meio de radiografia, através de punção ou microincisao, de modo a localizar o ponto de obstrução ou dilatação, seguindose a correção do problema. No caso das obstruções, a correção consiste na angioplastia, com o uso de balões e/ou stents (estrutura tubular metálica). Já as dilatações aneurismáticas são corrigidas de modo a não permitir que o fluxo sanguíneo continue pressurizando a parede do vaso, evitando sua rotura (e consequente hemorragia), por meio da colocação de próteses. A despeito da viabilidade de tratamentos menos invasivos, com bons resultados, reiteramos que nenhum tratamento é mais eficiente do que a prevenção. A cessação do tabagismo reduz de forma significativa a chance de desenvolver doenças cardiovasculares e esta diretamente relacionada a um aumento da perspectiva de vida e melhora da qualidade de vida. Ao fumar, o cigarro causa as seguintes alterações: 1. Vasoconstricção e redução do fluxo de sangue para os tecidos (os vasos ficam afilados) 2. Aumento da pressão arterial 3. Aumento da freqüência cardíaca 4. Redução do colesterol bom (HDL) 5. Redução da liberação do oxigênio para os tecidos 6. Aumento da acidez do estômago 7. Irrigação e inflamação dos olhos, garganta e vias aéreas 8. Paralisação e destruição dos cílios das vias aéreas dificultando a eliminação de muco e catarro 9. Aumento da produção de radicais livres que lesam as células 10. Triplica o risco de morte por infarto em homens com menos de 55 anos e aumenta em 10 vezes o risco de trombose 11. Embolia venosa e infarto em mulheres que tomam anticoncepcionais orais 12. Aceleração da aterosclerose A pessoa que fuma fica dependente da nicotina. Considerada uma droga bastante poderosa, a nicotina atua no sistema nervoso central, como a cocaína, com uma diferença: chega ao cérebro em apenas sete segundos - dois a quatro segundos mais rápido que a cocaína. É normal, portanto, que, ao parar de fumar, os primeiros dias sejam os mais difíceis, porém as dificuldades serão menores a cada dia. Dr. Alvaro Razuk Dra Claudia Gurgel e Dr. Alvaro Razuk Serviço de radiologia vascular e cirurgia endovascular do Hospital Cruz Azul de São Paulo 8 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Especial tabagismo Lei Antifumo é pra valer, a partir de dezembro Com as novas regras, o Ministério da Saúde pretende reduzir em 10% o número de fumantes no País A Lei Antifumo, que passa a vigorar a partir deste mês, dezembro, foi regulamentada pelo Governo Federal em 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco. A medida proíbe qualquer tipo de propaganda comercial de cigarro e o ato de fumar em ambientes fechados e de uso coletivo. No Brasil, 200 mil pessoas morrem, anualmente, por conta do tabaco. O Ministério da Saúde afirma que a Lei Antifumo visa proteger a população do fumo passivo e diminuir o tabagismo no País. Fim dos fumódromos Os fumódromos de bares, restaurantes e empresas, entre outros, deixam de existir. Halls e corredores de condomínios também não escaparam da medida, assim como ambientes parcialmente fechados: toldo de banca de jornal e cobertura de ponto de ônibus. Fumar, agora, somente em casa, ao ar livre, tabacarias sinalizadas, cultos religiosos (quando parte do ritual), estúdios de filmagem (quando parte da obra), locais destinados à pesquisa e desenvolvimento de produtos fumígenos, instituições de saúde (pacientes autorizados a fumar) e áreas descobertas de estádios de futebol, segundo critérios específicos de dispersão de fumaça. Multa pode ser pesada A fiscalização será de responsabilidade das agências sanitárias dos Estados e municípios. Os alvos não serão os fumantes, mas os estabelecimentos, que podem ser advertidos, receber multas ou sofrer interdições. As multas serão de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. Também existe a possibilidade de suspensão de alvará de funcionament0. Cruz Azul de São Paulo 9

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Palavra de médico Regurgitação e bebês chiadores A grande maioria das mães já vivenciou idas e vindas ao consultório do pediatra com seus filhos apresentando vômitos, regurgitações, tosse e chiado/sibilos no peito em lactentes ou até mesmo em crianças um pouco maiores na idade pré-escolar. Um dos métodos de investigação destes sintomas é a cintilografia para pesquisa de refluxo gastroesofágico. Uma mínima quantidade de substância radioativa, extremamente segura, é misturada ao leite materno ou industrializado, leite de soja ou suco de fruta sem alterar o sabor dos mesmos minutos antes do início do exame, porém em volume suficiente ou quantidade que a criança esteja acostumada a tomar o líquido escolhido. Pois quantidades ou volumes insuficientes podem resultar em estudo falso-negativo. Dispensa uso de sondas ou cateteres, a criança fica deitada de barriga para cima durante meia hora na maca do equipamento com a mãe ou pai sentado ao lado distraindo o paciente. São adquiridas dezenas de imagens sequenciais, formando um “filme”. Nesta filmagem podemos identificar se o conteúdo do estômago volta para o esôfago, sugerindo Refluxo Gastroesofágico (RGE). Verificamos também o número de episódios, duração e extensão deste refluxo. A criança que não regurgita, não significa, necessariamente, que ela não tenha RGE, ela pode ter o RGE oculto ou silencioso. Ou seja, o episódio de RGE que não chega até a boca, mas é o suficiente para que este conteúdo gástrico com pH ácido vá para vias aéreas superiores, provocando sintomas otorrinolaringológicos ou trato respiratório, e causando sintomas irritativos como tosses e sibilos; e em casos mais avançados, ocasionando pneumonias de repetição por microaspiração e esofagite. O RGE também pode apresentar sintomas não digestivos como dor abdominal, dificuldade de ganho de peso, irritabilidade, choro frequente e halitose. Estas são as queixas mais frequentes relatadas pelas mães. Vale lembrar que o medicamento radioativo utilizado para este estudo não provoca reações adversas e não é prejudicial à saúde. Também não apresenta absorção pelo organismo e é eliminado pelas fezes. Não há necessidade de sedação do paciente para realização deste exame, nem para crianças pequenas ou agitadas. Após o estudo, o paciente é liberado para suas atividades normais. Entretanto, em casos de suspeita clínica de infecções respiratórias de repetição secundárias a microaspiração pulmonar do alimento refluído, realizamos imagens tardias dos campos pulmonares, que duram aproximadamente 5 minutos, adquiridas em geral a partir de 4 horas após a ingestão do alimento líquido para a pesquisa do refluxo. Caso haja acúmulo do alimento marcado com o material radioativo nos campos pulmonares após esse período, ficará caracterizada a aspiração pulmonar. Dada a pluralidade da apresentação do RGE tanto em lactantes, crianças em idade escolar e adultos devemos estar sempre atentos aos sinais indiretos de RGE e não somente se há presença ou ausência de regurgitação. Dra. Fernanda Zamprogno Fernanda Zamprogno CRM: 121.825 e Sonia Tagima CRM: 67.490 Especialistas em Medicina Nuclear pela Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear Médicas Nucleares do Setor de Medicina Nuclear e PET-CT do Grupo Nakano&Torata Diagnósticos por Imagem - Cruz Azul de São Paulo 10 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Saúde no mundo Ebola Novas projeções e vacinas experimentais para 2015 1,5 milhão Organização Mundial da Saúde O infectologista que integra a comissão da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ebola, Luiz Loures, afirma que teremos uma epidemia longa e que o risco de expansão é concreto. Para a OMS, mortes por ebola devem chegar a 1,5 milhão até o início de 2015. Sobre a possibilidade de ebola no Brasil, a entidade afirma que todos os países correm risco se a epidemia não for contida no continente africano e se não tiverem capacidade de controle interno. costumam demorar anos. Porém, em face da urgência imposta pela epidemia, as “farmacêuticas” terão que atuar em ritmo incomum. Como exemplo, duas vacinas experimentais já estão sendo testadas nos EUA, Mali e Reino Unido. Os resultados devem ser divulgados até o final de dezembro. SINTOMAS E CONTÁGIO Segundo a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) o ebola é um vírus altamente infeccioso, que pode atingir uma taxa de mortalidade de até 90% 1,4 milhão Centers for Disease Control and Prevention O CDC – Centers for Disease Control and Prevention projeta 1,4 milhão de mortes por ebola até janeiro de 2015. A entidade explica que este será o pior cenário se nada for feito para controlar a doença. Para o CDC, o vírus não é o único problema. A desconfiança da população é outro desafio, pois nem todos são infectados, mas todos são afetados de alguma forma: medo, falta de comida, desinformação e abalo econômico são algumas consequências possíveis. Alguns sintomas • • • • • Febre repentina Fraqueza Dor muscular Dores de cabeça Inflamação na garganta Como é Transmitido O ebola pode ser transmitido por animais e humanos. Não é uma doença transmitida pelo ar. A transmissão de humanos para humanos se dá por meio do contato com sangue, secreções ou outros fluidos corpóreos de uma pessoa infectada com ebola e somente quando o paciente apresenta sintomas da doença. O contato direto com cadáveres, durante os rituais fúnebres, por exemplo, é uma das principais formas de transmissão da doença. Os funerais são práticas importantes nas comunidades afetadas por essa epidemia e envolvem pessoas tocando e lavando o corpo, em demonstração de amor à pessoa falecida. Vacinas experimentais Vacinas experimentais serão produzidas até o final de 2015, diz a Organização Mundial da Saúde (OMS). Centenas de milhares de doses devem ser produzidas até a primeira metade do ano. A entidade também afirma que as primeiras vacinas podem ser fornecidas até o final de 2014 para agentes de Saúde na linha de frente do combate à epidemia. Até o momento, não há cura ou vacina comprovada para o ebola. De forma geral, a produção e testes de uma vacina Cruz Azul de São Paulo 11

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Saúde no mundo Superbactérias podem tornar mortais infecções consideradas simples A resistência de bactérias a antibióticos deixou ser uma ameaça. Ela se transformou em realidade, de acordo com o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao destacar que infecções atualmente consideradas menores podem voltar a ser mortais. O relatório, resultado da análise de dados de 114 países, e divulgado em abril, é o primeiro da OMS sobre resistência a antibióticos em escala mundial. Em determinado trecho, o documento afirma que “essa grave ameaça não é mais uma previsão e, sim, realidade em cada região do mundo”. Para a organização, o uso inapropriado dos antibióticos é uma das principais causas da resistência: nos países pobres, as doses administradas são muito pequenas e nos países ricos o uso é excessivo, o que acabam gerando as denominadas “superbactérias”, capazes de sobreviver, até mesmo, a altas dosagens de antibióticos. O antibiótico é considerado um dos principais pilares da Saúde, pois nos permite viver com saúde por mais tempo. Mas o uso inapropriado, em poucas décadas, está tornando o medicamento praticamente ineficaz. A OMS também destaca a falta de vigilância, em escala mundial, da utilização de antibióticos em animais destinados ao consumo. “A menos que os diferentes atores envolvidos atuem em caráter de emergência e de maneira coordenada, o mundo prossegue para a era “pós-antibióticos”, na qual infecções correntes e feridas menores, que durante décadas eram curadas com facilidade, podem voltar a matar”, adverte Keiji Fukuda, subdiretor geral da OMS para a segurança alimentar. “Se não adotarmos medidas significativas para prevenir melhor as infecções e modificar a forma como produzimos, prescrevemos e utilizamos os antibióticos, vamos perder, pouco a pouco, estes benefícios da Saúde pública mundial e as consequências serão devastadoras”, completa. 12 Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Saúde e pesquisa Mutação lenta do HIV é fator positivo para a ação de futura vacina Pesquisa contradiz estudos e indica baixa velocidade de adaptação do vírus HIV no organismo humano, o que poderá facilitar a ação de antígeno de imunização O trabalho de acompanhamento das mutações do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), realizado pela infectologista Zabrina Brumme – líder dos pesquisadores da Universidade de Simon Fraser (Canadá) e de instituições dos Estados Unidos –, foi divulgado no segundo semestre deste ano pela revista PLOS Genetics. Os resultados, na contramão de vários estudos já realizados, indicam que, apesar da capacidade de transformação do HIV, as mutações não deverão comprometer a ação de futura vacina contra a enfermidade. O processo lento de mudança deve-se a um dos principais “objetivos” do vírus, por mais estranho que isso possa parecer: não causar doença. Segundo Brumme, o patógeno “sabe” que, se for identificado como intruso, será combatido pelo sistema de defesa do organismo; uma batalha que poderá ou não vencer. Assim, a “estratégia” do HIV é não ser notado, para se multiplicar livremente, e realizar pequenas transformações de sobrevivência quando necessárias. Muitas pesquisas – explica Brumme – concentram-se em como o vírus se adapta às drogas antivirais. “Nós optamos por investigar de que forma ele se adapta a nós, seus hospedeiros, ao longo do tempo”. Foi assim que a equipe de pesquisadores descobriu que o subtipo B é praticamente o mesmo vírus original. A descoberta, uma vez confirmada pela comunidade científica, irá motivar ainda mais a busca por uma vacina definitiva, já que mutações significativas e constantes poderiam inviabilizar o desenvolvimento de um antígeno eficaz contra o HIV que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), acomete mais 700 mil brasileiros e 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Cruz Azul de São Paulo 13

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Saúde e pesquisa Top 10 da medicina 2 3 4 5 14 1 A relação das maiores descobertas no ramo da medicina é resultado de uma pesquisa realizada entre 800 cientistas em todo o mundo e publicada na revista MedPage Today Pesquisas sobre genoma humano chegam aos hospitais A sequência do genoma humano foi divulgada em 2000. Apesar de a pesquisa ser divisor de águas, promovendo novos métodos de diagnóstico e tratamento de diversas doenças, a ciência ainda precisa decifrar completamente o código para solucionar os mistérios que ainda envolvem várias patologias, como câncer e Alzheimer. Tecnologias estão mudando a forma de pensar de médicos e pacientes Médicos têm na tecnologia um grande aliado para se aprofundar em temas e tirar dúvidas. Aliás, em apenas cinco minutos, pode-se coletar mais conteúdo do que o necessário. Porém, o acesso “ilimitado” à informação também está disponível a qualquer pessoa, o que pode estimular ainda mais a automedicação. Saúde ganha aliados contra o tabaco: leis antifumo e campanhas pelo mundo A conscientização sobre os problemas de saúde provocados pelo cigarro e assemelhados, para fumantes e fumantes passivos, provocou uma reviravolta em vários países, como a limitação imposta à publicidade e leis intransigentes. A Lei Antifumo do País foi regulamentada e passa a vigorar neste mês (dezembro). Doenças do coração diminuem consideravelmente em uma década Na medicina preventiva, os resultados mais significativos ocorreram na cardiologia: desenvolvimento de diversas drogas de grande poder, como a sinvastatina e assemelhados, para o controle do colesterol; e uma maior conscientização das pessoas quanto aos benefícios de uma alimentação saudável e prática esportiva. Pesquisas com células-tronco geram descobertas e alguns avanços clínicos O estudo e manipulação de células-tronco transformaram-se em grande esperança para a ciência. Apesar de suas implicações éticas, muitas descobertas já fazem parte do cotidiano da medicina e, futuramente, poderão abrir caminho para tratamentos inovadores e desenvolvimento de diversas drogas, inclusive, personalizadas. Revista Saúde em Primeiro Lugar - N° 4 - Dezembro/2014

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Saúde e pesquisa 6 7 8 9 10 Terapias contra o câncer devem levar a novas drogas e métodos de tratamento Descobertas recentes devem revolucionar o tratamento do câncer. A Trastuzumab e a Lapatinib, indicadas para no câncer mamário, e a Gleevec, que atua sobre a mutação que gera leucemia e câncer de estômago, devem contribuir para o desenvolvimento de novas drogas contra o suprimento de sangue e crescimento de tumores. Aumento da sobrevida de portadores de HIV é resultado de terapia combinada Os portadores de HIV, causadora da Aids, que realizam terapia combinada, conhecida como “coquetel”, passaram a ser considerados “pacientes crônicos”. Trata-se de uma terapia antirretroviral, altamente ativa e capaz de aumentar a sobrevida de pessoas infectadas. Some-se a isso a “cura funcional” de um recém-nascido, em 2013. Novíssimas técnicas cirúrgicas pouco invasivas e robotizadas A vantagem dos pequenos orifícios, no lugar de grandes incisões, é que a recuperação do paciente é menos dolorosa, mais rápida e com menor chance de complicações. Quanto à cirurgia robótica, especialmente importante nos casos de câncer, cogita-se para breve a sua realização de forma remota: paciente em um lugar e médio em outro. Pesquisadores brasileiros desenvolvem monitor cardíaco portátil e inteligente O primeiro aparelho do tipo, no mundo, é composto por eletrodos, GPS e transmissor que envia as informações para uma central de monitoramento. Assim, pessoas com alto risco de problemas cardíacos poderão realizar suas tarefas cotidianas e, em caso de anormalidade, um médico entrará em contato para dar orientações. Tecnologia poderá desvendar todos os segredos do cérebro humano O estudo funcional do cérebro humano ou “leitura do pensamento”, até pouco tempo somente concebido em obras de ficção, está a um passo de se tornar realidade. O avanço é proporcionado pelo MRI – Magnetic Resonance Imaging, uma sofisticada tecnologia de imagem que se mostra capaz de mapear todo o funcionamento do cérebro. Cruz Azul de São Paulo 15

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