Imprensa Sindical nº 116

 

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Jornal Imprensa Sindical - edição nº 116

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ANO XIII | 116a EDIÇÃO IMPRENSA SINDICAL DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 Desperdício de água no Brasil equivale a seis Cantareiras, diz instituto formado por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país. – A situação do saneamento no Brasil não condiz com um país que é a sétima economia do mundo –disse aos senadores. Édison Carlos acrescentou que o desperdício anual de água equivale a R$ 8 bilhões que deixam de retornar ao saneamento básico. Ele ressaltou que, se esses prejuíAÉCIO NEVES //Além de despejar todo dia o equivalente a 5 mil piscinas de esgoto em seus rios, o Brasil desperdiça, por ano, um volume de água que corresponde a seis sistemas Cantareira. As comparações foram apresentadas, dia 8 de julho, pelo presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado. O instituto é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), SÃO PAULO zos financeiros e naturais fossem evitados, seria possível reduzir os impostos cobrados ao setor de saneamento. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, participou da audiência pública e disse que independentemente dos desperdícios e da crise hídrica “as empresas de saneamento viraram arrecadadoras de impostos”. A seu ver, as campanhas de prevenção têm mostrado resultado no combate às perdas. Segundo Alckmin, em São Paulo, as campanhas foram responsáveis pela diminuição de gastos de água em 83% das unidades consumidoras (residências, empresas, indústrias, por exemplo). Para estimular a economia de água, o governo do Estado adotou a estratégia de dar bônus a quem passou a usá-la de forma racional e cobrar mais caro das unidades que mantiveram os gastos, afirmou o governador. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo PAULINHO DA FORÇA-SP SP assina contrato para projetos inéditos sobre água de reúso Página 8 Oposição denuncia Dilma à PGR por crime de extorsão, anuncia Aécio Neves Página 3 SECOVI-SP Senador Aécio Neves (PSDB) - MG Para entender o projeto da terceirização Página 16 Paulinho da Força, deputado federal e presidente nacional do Solidariedade CUT-SP LU ALCKMIN Temas condominiais na Convenção Secovi 2015 Página 14 Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP Adi dos Santos Lima é presidente estadual da CUT-SP O Fórum dos Movimentos Sociais e a construção de um projeto popular para o estado de São Paulo Página 4 Lu Alckmin participa da abertura da 4ª etapa regional dos Jogos Regionais do Idoso em Praia Grande Página 9 SINDIQUÍMICA-BA SINDUSCON - SP SUPLICY Melhorar a remuneração do FGTS sem prejudicar o país Página 6 José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sinduscon-SP BAHIA Eduardo Suplicy fala sobre o PT e os desafios da pasta que assumiu Página 15 Página 12 Eduardo Suplicy, secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo Assembleia no Polo de Camaçari inicia campanha salarial unificada e antecipada ITUIUTABA-MG GUARULHOS-SP Foto: Fábio Nunes Teixeira/Prefeitura Guarulhos Bahia faz parceria internacional para produção de próteses Página 5 Governador da Bahia, Rui Costa SITE DO JORNAL IMPRENSA SINDICAL Moradores do Santa Maria acompanham de perto melhorias no bairro Página 14 Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba/MG SAAE de Guarulhos implanta primeira fase do Sistema de Abastecimento Água Azul Página 5 PARAÍBA Prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida FORÇA SINDICAL O site do IS agora com novo visual, mais moderno e arrojado. Estará em manutenção até o dia 25/7 São 12 mil acessos diários! QUEM DIVULGA, VENDE MAIS! Juros da dívida interna é a grande despesa do governo Miguel Torres, presidente da Força Sindical SÃO PAULO-SP Página 6 Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho JADER BARBALHO Paraíba é o quarto estado do país a aderir à rede que melhora a efetividade do repasse de recursos federais Página 7 PARÁ Governador do Estado do Pará, Simão Jatene Página 7 Projetoleva esporte, cultura e lazer a adolescente em conflito com a lei GRÁFICOS-SP Prefeitura apresenta novo modelo detransporte coletivo para os próximos 20 anos Página 10 Fernando Haddad, prefeito de São Paulo Jader quer reestruturação do Hospital Barros Barreto Página 12 Senador Jader Barbalho (PMDB) Grécia diz não para agiotagem internacional José Alexandre da Silva (Gaúcho), Página 16 (11) Diretor do Sindicato dos Gráficos de São Paulo Anuncie no IMPRENSA SINDICAL 3666-1159 99900-0010 95762-9704

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Opinião //por Frei Betto IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 2 Editorial //O país passa por uma crise intensa, depois de muito resistir as influências da crise internacional. O povo começa a sentir os abalos em seu bolso. Ajustes fiscais e medidas de contenção de despesas feitas pelo governo refletem diretamente na economia doméstica. Estamos vivendo um processo de recessão. Porém, felizmente tudo passa. O país sairá dessa crise, sem dúvida. É questão de tempo. Embora os pessimistas de plantão propagem o fim da economia brasileira. Sabemos que um Estado não quebra facilmente. Especialmente o Brasil, que não tem mais a famosa e perversa dívida com o FMI — ­ Fundo Monetário Internacional. Hoje vemos países como a Grécia se recusar a honrar sua dívida com o FMI. A recusa é uma questão de sobrevivência para os gregos, que não têm como liquidar sua dívida com o Fundo. Diante da realidade econômica européia e da resistência do Brasil em entrar em crise junto com o resto do mundo, vindo a sentir mais fortemente seus efeitos nesse momento, devemos agradecer por termos um país autônomo e forte ante às intempéries econômicas mundial. Hoje somos um Estado fortalecido pela melhor distribuição de renda conquistada nesses últimos anos. A crise chegou a nós e temos que lidar com ela da melhor maneira possível. Ademais, vai passar!!! Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. Do ódio à esperança Sabem os publicitários que uma mentira repetida reiteradas vezes acaba aceita como verdade. É o caso dos sucos de caixinhas, vendidos como “naturais”. E ainda há quem pergunte por que tanta incidência de câncer… A Operação Lava-Jato presta excelente serviço à nação. Leva corruptores à cadeia e traz à luz bilionárias somas de recursos públicos destinadas a favorecer interesses privados. Mas por que a Lava-Jato é um samba de uma nota só? Será que houve corrupção apenas no governo do PT? E por que o Judiciário permite o vazamento de depoimentos especificamente centrados no PT? Algum diretor de revista anda corrompendo investigadores da Lava-Jato para obter o conteúdo dos depoimentos dos réus antes que cheguem à Justiça? O fato é que se criou, no Brasil, um clima de amargura e ódio. Amargura, porque Dilma prometeu na campanha o contrário do que faz agora: não tocar nos direitos dos trabalhadores. O ajuste fiscal desajusta as conquistas obtidas nos últimos 12 anos. Estão de volta a recessão, os juros altos, a inflação e, em consequência, o desemprego, a retração da indústria e o fechamento de lojas. Após 12 anos de avanços, o Brasil dá marcha a ré. O ódio resulta da falta de consciência política. Quando não se consegue racionalizar uma experiência traumática, o ódio emerge. Por isso se procura terapia quando as emoções são embaralhadas pelo ódio e a visão obnubilada pela sensação de desespero. Ou se busca uma “saída” no gesto vingativo: o jovem branco que, em nome da supremacia “ariana”, extermina negros em uma igreja, ou o Exército Islâmico que, em nome de Deus, degola inimigos… Muitos me perguntam se guardo ódio dos torturadores de meus tempos de prisão. Digo com sinceridade: não. Assim ajo, não por virtude, mas por comodismo. Aprendi que o ódio destrói primeiro quem odeia e não quem é odiado. Shakespeare já havia dito o mesmo com mais estilo: “Odiar é tomar veneno esperando que o outro morra”. O PT promoveu a inclusão econômica de milhões de brasileiros, mas se omitiu quanto à inclusão política. Não politizou a nação. Não organizou os trabalhadores. Não fortaleceu os movimentos sociais. Ao contrário, estimulou o sonho consumista e, agora, é vítima da síndrome da criança impedida de tomar sorvete –a carência gera frustração e raiva. Resta à sociedade civil descruzar os braços e não esperar dos políticos no poder. É hora de arregaçar as mangas e reorganizar a esperança. Com meros protestos não sairemos dessa depressão cívica. Há que ter propostas. O Brasil soube dar a volta por cima diante de muitos períodos críticos, tanto na monarquia quanto na República. Precisamos é deixar de lamentar e articular em especial os jovens e os movimentos sociais. Frei Betto é escritor Mercado perfeito e moral //O sistema financeiro, outra vez completamente desregulado, voltou ao local do crime //por Delfim Netto Cada preso é um cliente: o que se esconde por detrás da decisão da Câmara //por Roberto Malvezzi O mercado criado em torno de presos e presídios movimenta muito mais grana que a imaginação popular possa ver. Só o mercado de quentinhas servidas aos 715 mil presos no Brasil (4º maior população carcerária do mundo) movimenta cerca de dois bilhões de reais ao ano. Quando você vai conferir quais empresas fornecem essas quentinhas, muitas delas são de políticos ou de parentes deles, como é o caso dos Perrela em Minas Gerais. Além do mais, essas empresas também são financiadoras de campanhas eleitorais (Os mercadores das cadeias, Carta Capital). Além do mais, 30 grandes presídios brasileiros estão privatizados. Nesse sentido, cada preso é um cliente. Portanto, presídios lotados são evidências de lucros, presídios vazios são sinais de prejuízos, como em qualquer hotel. O detalhe é que cada preso em presídio privado é pago com o dinheiro público. A Pastoral Carcerária estimou em R$ 3.000,00 o custo de cada preso privado para o Estado. Poderíamos investir esse di- Expediente Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP . Fone: (11) 3666-1159 Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. nheiro em escolas, mas preferimos investir em presídios. Eduardo Cunha conseguiu reduzir a maioridade penal. Votaram com ele o PMDB, o PSDB, o DEM e outros partidos, gente da oposição e da tal “base aliada”. Sem dúvida, a indústria dos presídios está feliz com eles. Haverá mais clientes para suas empresas. Não haverá nenhuma redução da violência no Brasil ao se reduzir a maioridade penal. Pelo contrário, vamos fortalecer as facções que dominam os presídios em todo o Brasil. Ali o preso não tem escolha, ou participa de alguma facção, ou ele e sua família estarão marcados para morrer. Portanto, nessa votação há interesses econômicos e eleitoreiros, mas nenhum interesse na paz e na justiça. Teremos outras votações antes da decisão final, mas com tantas manobras talvez a razão tenha poucas chances. Menores de 18 podem cometer crimes hediondos, sim. Mas, em casas de ressocialização muitos são recuperáveis. Nos presídios, nunca. Os congressistas sabem, mas por todos os motivos acima, preferem jogar os adolescentes na jaula dos leões. Assim o Brasil vai se tornando cada vez mais uma sociedade policialesca, repressiva, mas não de paz. Como diziam os profetas da antiguidade, ou mesmo os da modernidade –como Gandhi, Luther King, Mandela e Papa Francisco–, a “paz é fruto da justiça”, não dos presídios e da repressão policial. Roberto Malvezzi é músico, filósofo e teólogo A economia mundial enfrenta uma desarticulação só experimentada nos anos 30 do século passado. A crise de 2007-2009 teve origem em causas que não são as das flutuações cíclicas do capitalismo. Numa larga medida, trata-se das mesmas, ou muito parecidas, com as que geraram a de 1929, combatida nos Estados Unidos por Roosevelt com profundas intervenções na economia (o plano New Deal). Uma delas foi a resposta do Congresso, que sob estímulo do Executivo aprovou o Glass-Steagall Act, de 1933. Os bancos comerciais foram proibidos de financiar investimentos: ficaram limitados à recepção de depósitos e a empréstimos de curto prazo. Aos bancos de investimento foram reservadas as negociações com as ações e bônus, formas típicas de financiamentos de longo prazo. Quais os motivos? O mais importante foi a descoberta de que alguns banqueiros importantes, que operavam simultaneamente o curto (comercial) e o longo (investimento) prazo, aproveitando-se de informações internas (insider trading), tinham desenvolvido comportamentos eticamente condenáveis. No fim do dia, eles teriam produzido ou, pelo menos, agravado a depressão. Quem não estiver convencido, deve ler o famoso Relatório Pécora, que resultou do inquérito feito pelo Congresso americano. Ele revelou os riscos para a estabilidade econômica escondidos na expansão de um sistema financeiro absolutamente desregulado, o mesmo que se recriou a partir de 2000, como veremos a seguir. Todos sabemos que um eficiente e competitivo sistema financeiro é elemento essencial para a mobilização das poupanças que financiam o investimento, alma do crescimento econômico. Tudo bem considerado, entretanto, foi visível até os anos 80 do século passado, que, apesar de terem prevenido outra “grande depressão”, as restrições impostas pelo Act de 1933 não eliminaram a repetição dos “ciclos de negócios” ínsitos na organização econômica das sociedades por meio dos “mercados”. É importante reconhecer que a eficácia da corajosa e enérgica operação rooseveltiana dos anos 30 nunca pôde ser avaliada porque a emergência da Segunda Guerra Mundial alterou tudo. A mobilização da “máquina de guerra”, a partir de 1939, fez deslanchar a economia americana até a volta do primeiro “ciclo de negócios” após a paz: do segundo trimestre de 1953, quando terminou a Guerra da Coreia, até o primeiro trimestre de 1954. Se a crise de 2007-2009, que insiste em não terminar, tem a mesma origem que a de 1929, é preciso perguntar: como isso foi possível? A resposta é que, nos anos 90 do século passado, o sistema financeiro começou a libertar-se da regulação imposta nos anos 30, alegando que ela prejudicava o desenvolvimento econômico. Com apoio no Congresso e suporte “científico” inventado ad hoc por uma tribo de economistas, cujos membros se enganam e se divertem mutuamente com o conforto do “mercado perfeito” (até na moralidade!), teve sucesso. E muito lucrativo... Assistiu-se, assim, em 1999, à revogação final do Glass-Steagall Act, de 1933. Pois bem, em menos de dez anos, o novo sistema financeiro –outra vez completamente desregulado– voltou ao local do crime. Promoveu, ou pelo menos ajudou a promover, a maior crise econômica da economia real dos últimos 75 anos. Como não sabemos como terminaria a crise de 1929 na ausência da preparação para a Segunda Guerra Mundial, continuamos a não saber como terminará a crise em que vivemos. Aparentemente, ela deixou uma desorganização que se manifesta na redução da capacidade política e do produto potencial de todas as sociedades, consequências da continuidade do absoluto domínio das finanças sobre a produção de bens e serviços, que até agora os governos foram incapazes de corrigir. É visível, por exemplo, a desorientação do Fed, que tem titubeado (e faz bem, porque as informações são contraditórias) diante do temor de uma recidiva, como aconteceu em 1937, quando antecipou sua manobra sobre a taxa de juros. Foi essa incerteza que tirou da gaveta o fantasma da “estagnação secular” criado por Alvin Hansen, em 1939, e recuperado por Larry Summers, em 2013. O Brasil, pelo recente comportamento de seu Congresso, parece querer flertar com ela. Delfim Netto, formado pela USP ,é professor de Economia, foi ministro e deputado federal

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 3 Aécio Neves Oposição denuncia Dilma à PGR por crime de extorsão, anuncia Aécio Neves //Coube ao presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, anunciar a decisão dos partidos de oposição de ingressar junto a Procuradoria-Geral da República (PGR) com uma representação por crime de extorsão contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-tesoureiro do PT e da campanha presidencial, o atual ministro da Secretaria da Comunicação Social da Presidência Edinho Silva. A decisão foi tomada após a revelação pela imprensa das denúncias feitas pelo empresário da UTC Ricardo Pessoa, investigado pela Justiça na Operação Lava-Jato. Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário afirmou ter feito doações milionárias à campanha petista após ser chantageado pelo tesoureiro de Dilma. “Diante desse quadro o conjunto dos partidos de oposição optou por ingressar com uma representação na Procuradoria-Geral da República, na PGR, por crime de extorsão contra o então tesoureiro da campanha eleitoral e hoje ministro, Edinho Silva, e contra a presidente da República, com base na delação do senhor Ricardo Pessoa. Há ali, explicitado por ele, uma clara chantagem. Ou ele aumenta as doações ao Partido dos Trabalhadores e à campanha da presidente da República ou ele não continua com suas obras na Petrobras. E definimos que apenas a presidente da República é quem teria as condições de efetivar essa chantagem, não o senhor então tesoureiro do partido”, justificou Aécio Neves. O anúncio foi feito após um encontro dos principais líderes e presidentes de partidos da oposição. Entre eles os presidentes do PPS, Roberto Freire; do DEM, Agripino Maia; do Solidariedade, Paulinho da Força; os senadores Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado; Ronaldo Caiado, líder do DEM no Senado; os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Eduardo Amorim (PSC-SE); o líder em exercício do PSDB na Câmara, Nilson Leitão; os líderes do DEM, Mendonça Filho, e do PPS, Rubens Bueno; e os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Raul Jungmann (PPS-PE), Bruno Araújo, (PSDB-PE) e Arthur Maia (SD-BA). Ações no TSE e TCU A oposição decidiu requerer que a delação premiada de Ricardo Pessoa seja compartilhada com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde já existe uma ação Aécio Neves, senador da República e presidente nacional do PSDB dos partidos contra a campanha à reeleição de Dilma Rousseff. “Solicitamos o compartilhamento da delação do senhor Ricardo Pessoa com o TSE, onde uma ação foi ajuizada logo após as eleições, já denunciando o dinheiro da Petrobras, o dinheiro da corrupção na campanha da presidente da República. Essa delação do senhor Ricardo Pessoa comprova –obviamente ele terá mais informações a dar, ou certamente já as deu no conjunto da sua delação, que ainda não é pública– mas, na verdade, a delação corrobora, vai ao encontro das denúncias que fizemos no final do ano passado”, acrescentou Aécio. Os partidos de oposição decidiram ainda ingressar com nova representação contra a presidente Dilma Rousseff no Tribunal de Contas da União (TCU) com base na Lei de Responsabilidade Fiscal. O pedido decorre da constatação de que o governo federal deu sequência, em 2015, as chamadas “pedaladas fiscais”. A manobra já foi considerada irregular pelo TCU. “O conjunto dos partidos de oposição vai entrar hoje com mais uma representação no Tribunal de Contas da União, denunciando que as chamadas “pedaladas” continuaram no ano de 2015, impedindo que elas sejam também já investigadas junto com as contas de 2014. Portanto, o crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal foi continuado. Ele não aconteceu apenas nos últimos anos, continua acontecendo este ano. Em relação ao Banco do Brasil, por exemplo, há um débito do Tesouro para com essa instituição financeira de cerca de R$ 2 bilhões, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal”, informou o presidente nacional do PSDB.

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 4 Sindical CUT-SP em diversos indicadores sociais e econômicos. Alguns exemplos: caiu de 37 para 30% do PIB nacional em 10 anos, caiu para o 10º lugar no IDEB, está com a saúde pública com problemas de gestão e passando por um processo de destruição, o transporte público contém falhas e superlotação, a segurança pública e o sistema prisional estão sem saídas frente à violência policial, genocídio da juventude negra e ao fortalecimento do crime organizado. Como se isso não bastasse, amargamos agora a falta de água em nossas torneiras, fruto de anos de priorização do interesse privado em detrimento do público na maior empresa estatal paulista. Em resumo, os anos de gestão do PSDB em São Paulo não Foto: Sérgio Silva O Fórum dos Movimentos Sociais e a construção de um projeto popular para o estado de São Paulo //Trata-se de um espaço que se propõe a elaborar um diagnóstico político, econômico e social, bem como articular e promover mobilizações unitárias trouxeram melhorias para a população. No maior estado do país não há nenhuma política pública que seja referência em todo o espectro das responsabilidades públicas. Por tudo isso, e movidos pelo mesmo ideal, representantes de mais de 50 entidades, do campo e da cidade, decidiram criar um espaço que tivesse como caráter o fortalecimento da unidade política e ideológica dos movimentos sociais paulistas. Assim, no final de 2014 começou a ser gestado o Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo, que foi lançado no dia 13 de maio. Trata-se de um espaço que se propõe a elaborar um diagnóstico político, econômico e social, bem como articular e promover //por Adi dos Santos Lima //Consolidado como a maior economia do Brasil, o estado de São Paulo vem sentindo, ao longo de mais de 20 anos, o gosto amargo de perdas geradas pelos sucessivos governos tucanos que, ao virar as costas às políticas públicas federais, deixaram de aproveitar o crescimento econômico nacional, trazendo como resultado a não ampliação da capacidade produtiva do estado em todos os setores, desde a agricultura até a indústria. Esse rearranjo da renda no país vem fazendo com que São Paulo avance menos que outros estados mobilizações unitárias com vista a construir um projeto popular para São Paulo que contemple: educação pública de qualidade; outra política na segurança pública; saúde pública estruturada; indústria e setor de serviços fortes, respeitando os direitos trabalhistas; água de qualidade em nossas torneiras a preço justo; transporte público de qualidade; reforma agrária nas inúmeras terras públicas e griladas; reforma urbana e uma política habitacional; rodovias boas, sem pedágios com preços abusivos; um projeto energético popular. Queremos um estado de São Paulo inclusivo, justo e solidário! Adi dos Santos Lima é presidente estadual da CUT (Central Única dos Trabalhadores) São Paulo Desemprego não para de aumentar. Qual a saída? //Quem paga muitos impostos são os pobres, os trabalhadores e a classe média. Quem não paga ou é aliviado são os grandes empresários, os latifundiários, os rentistas e os milionários //por João Sicsú //Tudo acontece como o esperado. Mês após mês o desemprego sobe. E é sempre maior que o mesmo mês de 2014. E o rendimento médio real dos trabalhadores nas seis grandes regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE recuou 5,0% em relação a maio de 2014. É verdade que o desemprego já foi muito maior do que é hoje. Em maio de 2003, era 12,9%. O nível de desemprego ainda não pode ser considerado alarmante. Mas a trajetória crescente é desesperadora. Associado a esse problema, vem outra dificuldade, evidente e muito grave. O emprego formal, com carteira assinada, também vem sofrendo queda acentuada. O saldo de geração de empregos formais no ano é negativo. Já foram fechados mais de 278 mil postos de trabalho com carteira assinada de janei- ro a maio. No Brasil da última década, o mais importante instrumento de inclusão social foi o acesso ao trabalho e, especialmente, o trabalho com carteira assinada. O emprego com carteira assinada concede direitos, de férias, de 13º salário, de seguro-desemprego etc. E oferece, além disso, a possibilidade da compra a crédito. Por exemplo, permite a compra de forma parcelada de uma máquina de lavar, que é essencial em uma casa, porque possibilita mais horas para o descanso, o lazer e para a família. A atual exclusão social decorrente do desemprego é resultado da política de austeridade do governo que visa o chamado ajuste fiscal. O governo deseja reduzir o déficit nas contas públicas. E corta gastos e direitos trabalhistas e sociais. Sim, é preciso reduzir o déficit do ano passado que foi de 6,7% do PIB. Tal déficit não foi produzido por uma “gastança” pública dirigida a programas sociais. Foi produzido devido à baixa arrecadação, já que o crescimento econômico foi pífio, e devido aos gas tos do governo feitos para beneficiar empresários e rentistas. Aos empresários, foi feita uma transferência, na forma de desonerações, de mais de R$ 100 bilhões (2,1% do PIB). Ao rentistas, foram pagos mais de R$ 300 bilhões (6,1% do PIB). O país tem que voltar a crescer para gerar empregos, arrecadação tributária e melhorar suas contas públicas. É preciso gastar, e não cortar gastos públicos, para estimular o crescimento. É preciso gastar certo e com qualidade. Gastos públicos com pagamentos de juros e desonerações não geram empregos. É preciso gastar realizando obras na construção civil, que geram muitos empregos: ampliar o programa Minha Casa, Minha Vida, construir escolas, hospitais e infraestrutura urbana e rural. Novos gastos públicos não devem ser financiados com mais déficit público. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que há outras fontes de financiamento. Aliás, não é uma questão de inteligência, mas sim de escolha de projeto e de coragem política. As grandes empresas, bancos, latifundiários, ricos, milionários e bilionários poderiam começar a financiar o desenvolvimento brasileiro. Há no Brasil uma grande injustiça tributária. Quem paga muitos impostos são os pobres, os trabalhadores e a classe média. Quem não paga ou é aliviado são os grandes empresários, os latifundiários, os rentistas, os ricos, os milionários e os bilionários brasileiros. Uma reforma que faça justiça tributária seria uma fonte imensa de recursos para garantir empregos e financiar os gastos públicos de um modelo de contínuo crescimento. Com uma reforma justa, a receita pública aumentaria e a economia seria dinamizada pelos gastos feitos por aqueles que ganham menos e que, portanto, gastam toda a sua renda disponível. A justiça tributária poderia começar já, antes de uma reforma, com a cobrança efetiva daqueles que comprovadamente devem impostos e não pagaram (são devedores que estão inscritos na dívida ativa da União). Cabe à Procuradoria Geral da Fazenda fazer está cobrança ou execução. Fica aqui um número estarrecedor: segundo a Procuradoria da Fazenda, comprovadamente são devidos ao governo federal UM TRILHÃO DE REAIS de impostos não pagos. Esse TRILHÃO DE REAIS não para de crescer –e o governo federal somente consegue recuperar 1,3% desse montante ao ano.

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Brasil Guarulhos-SP IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 5 Bahia SAAE de Guarulhos implanta primeira fase do Sistema de Abastecimento Água Azul //Entre as intervenções, foram perfurados cinco poços profundos, que vão aumentar a produção própria de água do SAAE //O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Guarulhos está finalizando um conjunto de obras para implantar a primeira fase do Sistema de Abastecimento Água Azul. Foram perfurados cinco poços profundos, que vão aumentar a produção própria de água do SAAE, construídos dois reservatórios e executados 12 quilômetros de redes; no momento, são realizadas obras para interligar os poços às redes. O SAAE está investindo recursos próprios da ordem de R$ 2,3 milhões. A previsão é que todas as intervenções sejam concluídas até o fim de julho. Enquanto isso, o SAAE vai realizar um trabalho de orientação Fotos: Stefane Senne/SAAE Guarulhos Bahia faz parceria internacional para produção de próteses Foto: Carol Garcia/GOVBA O prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, e o superintendente do SAAE de Guarulhos, Afrânio de Paula Sobrinho, testam um dos poços perfurados imóveis às redes. Essa ação foi iniciada dia 2 de julho. Com a implantação da primeira fase de obras, será atendida por meio do sistema público de abastecimento a parte baixa do Água Azul, o que equivale a 50% do bairro; nesse momento, serão feitas 385 ligações residenciais. Com essas obras, o SAAE atende O prefeito Sebastião Almeida e o superintendente do SAAE no terreno onde foram instalados dois reservatórios junto aos moradores do bairro Água Azul, para que apresentem a documentação necessária para a interligação dos a uma demanda antiga da população, que atualmente recebe água por meio de caminhão-pipa. Em vistoria às obras no dia 1º de julho, o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, destacou a importância do investimento, considerando o atual momento de crise hídrica, que afeta toda região metropolitana de São Paulo. A produção dos cinco poços profundos perfurados pelo SAAE é de 35 litros de água por segundo. O excedente desse total, o SAAE pretende transferir para a região de Guarulhos que recebe água por meio do Sistema Alto Tietê e que está com rodízio de dois dias sem água para um dia com água; com isso, indiretamente, poderão ser beneficiados com melhorias nas atuais condições de abastecimento os bairros Parque Residencial Bambi, Sítio Recreio Rober e parte do Vila Carmela. Desemprego Indicador de desemprego da FGV avança 1,6% em junho //ICD sobe há seis meses seguidos e, em maio, cresceu 2,9% “O aumento do ICD em junho foi decorrente, exclusivamente, da piora da percepção sobre o mercado de trabalho pelo consumidor das faixas de renda mais baixas, um resultado que parece sinalizar que as demissões poderão atingir mais fortemente os trabalhadores mais pobres daqui por diante”, destacou o economista Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador da FGV, em nota oficial. O ICD é construído a partir dos dados desagregados, em quatro classes de renda familiar, da pergunta da Sondagem do Consumidor que procura captar a percepção sobre a situação presente do mercado de trabalho. //O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou 1,6% em junho em relação a maio, para 89,7 pontos na série com ajuste sazonal, informou dia 8 de julho, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se do maior resultado desde maio de 2009 (90,4 pontos). O ICD sobe a seis meses seguidos e, em maio, cresceu 2,9%. //A Bahia, por meio da Bahiafarma, pretende começar a produzir órteses, próteses e testes rápidos para doenças como HIV, HCV e Sífilis. Para isso, o governador Rui Costa assinou, dia 30 de junho, na Governadoria, memorandos de entendimento com empresas italiana e a sul-coreana, para transferência de tecnologia. O governador recebeu os diretores da italiana Bioimpianti, Stefano Barbieri, que produz órteses e próteses, e da sul-coreana Genbody INC, Chom Kyu Chong, que produz testes rápidos. Rui solicitou que fosse definido o cronograma para a efetivação da parceria e também aprofundou o conhecimento a respeito das possibilidades dos negócios, que trazem benefícios tanto para a saúde do povo baiano e brasileiro quanto para o desenvolvimento econômico do Estado. Segundo o superintendente de Desenvolvimento Econômico do Estado, Paulo Guimarães, já foram iniciadas as negociações para que o Ministério da Saúde adquira os produtos da Bahiafarma. “As próteses utilizadas hoje pelo Ministério da Saúde ou são compradas de uma empresa estrangeira ou de um fornecedor nacional que tem produtos de menor qualidade. Nós podemos entrar neste mercado. E no caso dos testes de HIV, HCV e sífilis, por exemplo, nós poderemos dividir o mercado com a Fiocruz”, afirmou Guimarães. O secretário da Saúde, Fábio Vilas Boas, destacou que o mercado de próteses está crescendo no Brasil e que, na Bahia, há um grande número de cirurgias de colocação de próteses na cabeça do fêmur, devido às características genéticas da população. “Além de representar significativa redução de custos na aquisição desses produtos, serão criados empregos qualificados, haverá domínio de um processo tecnológico avançado e estratégico e ainda por cima o Estado passará a ter uma nova e importante fonte de receita”. Infraestrutura e mão de obra De acordo com o diretor da sul-coreana Genbody INC, Chom Kyu Chong, a Bahia tem infraestrutura e mão de obra qualificadas e mais baratas do que na Coréia do Sul. “O estado também tem uma localização estratégica para a distribuição do que for produzido”. E o diretor da italiana Bioimpianti, Stefano Barbieri, disse que neste momento foi assinado o termo de colaboração. “Agora vamos continuar a negociação para fornecer nossa expertise adquirida em 20 anos de experiência neste segmento. Assim a Bahia pode adquirir o know-how e crescer em tecnologia”. Termos do memorando A iniciativa vai permitir a transferência de tecnologia para a Bahiafarma atender à crescente demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) nestas áreas, além de incentivar as empresas a se instalarem no estado, transformando a Bahia em um pólo farmoquímico. A partir da fabricação de produtos inovadores, a Bahia visa diminuir os custos das aquisições e fomentar o desenvolvimento tecnológico do estado, além de trabalhar a venda desses produtos junto ao Ministério da Saúde, que destinou em 2014 cerca de R$ 1,9 bilhão do seu orçamento para órteses e próteses, isso sem contabilizar os testes rápidos, que englobam, entre outros, HIV/ Aids, Hepatite C, Sífilis. Testes Rápidos Os testes rápidos de diagnósticos são uma ferramenta clínica valiosa para prática da medicina, constantes em protocolos clínicos do Ministério da Saúde e utilizados na detecção e diagnóstico de infecções. São testes que produzem resultados em, no máximo, 30 minutos e apresentam metodologia simples, com utilização de antígenos virais. Os testes rápidos substituem o teste convencional, podendo ser indicados para triagem e diagnóstico da infecção de doadores em bancos de sangue e de outros tecidos biológicos. Os testes também são úteis para se tomar uma decisão terapêutica em situações de emergência específicas, como em casos de profissionais de saúde que tenham tido exposição ocupacional de risco ou de gestantes prestes a entrar em trabalho de parto, além da identificação precoce, por exemplo, dos casos de dengue. Nessas situações, os testes rápidos se mostram convenientes para indicar um tratamento profilático em tempo hábil e com boa relação de custo-efetividade. Órteses e próteses Esses investimentos têm tendências de crescimento decorrente do aumento do acesso da população a meio de transporte como motocicletas e ao aumento da população idosa, que se traduz em maior carga de doenças e, consequentemente, mais incapacidades e deficiências, refletindo no aumento de 20% ao ano nas despesas do SUS. No que se refere às internações na rede SUS na Bahia, em 2013, último dado consolidado, cerca de 11 mil internações foram para tratamento de lesões decorrentes de acidentes de trânsito, o que representou um custo superior a R$ 11 milhões para o Estado. Este montante não contabiliza medicamentos, fisioterapias, órteses e próteses, o que multiplicaria este valor em mais de dez vezes. Em 2013, 52,6% das internações por acidentes de trânsito foram de motociclistas, devido ao grande número de pessoas que passaram a trafegar utilizando este tipo de veículo, elevando a exposição ao risco de se envolver em acidentes. Devido à falta de proteção que este veículo impõe ao condutor, o envolvimento em acidentes tende a ser grave, com elevado número de mortes e internações.

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 6 Sinduscon-SP Melhorar a remuneração do FGTS sem prejudicar o país //JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO //Embora seu propósito seja justo, o Projeto de Lei 1.358/2015, que determina a correção dos depósitos no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pelos mesmos parâmetros utilizados para atualizar os saldos dos depósitos da Poupança, poderá ter consequências extremamente negativas, caso venha a ser aprovado. to segmento da construção que depende do FGTS para esses financiamentos sofrerá grandes prejuízos. A fase 3 do Projeto Minha Casa, Minha Vida se inviabilizará. Os contratos em andamento sofrerão um descasamento. saneamento, mobilidade, entre outros investimentos de infraestrutura urbana, além de energia e projetos de logística nos setores de rodovia, ferrovia, hidrovia, porto, aeroporto e infraestrutura complementar a estes setores. Ficará inviável implementar a fase 3 do Programa Minha Casa Minha Vida. A oferta de habitação popular cairá bruscamente, e ficarão ameaçados os empregos dos 400 mil trabalhadores com carteira assinada que hoje trabalham nas obras daquele programa em todo o país. Como um efeito dominó, haverá outros desdobramentos signi- ficativos sobre toda a economia, se prosperar o aumento da taxa de juros dos financiamentos do FGTS. Entretanto, o setor da construção tem defendido uma alternativa para atender aos trabalhadores, sem os prejuízos acima relatados. O FGTS possui patrimônio que está aplicado em operações de financiamentos, títulos públicos, fundos de investimento, dentre outros ativos que geram receita ao FGTS. A proposta é distribuir parte destes resultados aos trabalhadores a partir de 1º de janeiro de 2016, de forma que o rendimen- Por ter um custo operacional muito superior ao da Caderneta, o custo de captação do FGTS se tornará mais oneroso do que a Poupança. Assim, as pesPara elevar a remu- soas de menor poder neração de 3% ao ano aquisitivo terão mais dos depósitos do FGTS, restrições para o acesso será necessário elevar à casa própria. os juros cobrados nos financiamentos à haO mesmo ocorrebitação popular, sane- rá com o setor público, amento e transportes, que obtém recursos do concedidos por este FGTS a menor custo fundo. Com isto, o vas- para investimentos em vantagem desta proposta é a de contemplar o anseio por uma melhor remuneração das contas vinculadas no FGTS, com a vantagem de que, sem o aumento dos custos de captação, não haveria A sugestão, se co- necessidade de elevar locada em prática, terá os juros dos financiaeficácia imediata, pois mentos do FGTS à hadeterminará que esta bitação, saneamento e divisão do rendimento transportes, evitandovariável seja creditada -se todos os prejuízos integralmente a partir acima mencionados. de 2016, na proporção do saldo de cada cotis- JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO ta. Isto favorecerá todas é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da as contas dos trabalhaConstrução Civil do Estado de dores no FGTS, e não São Paulo), vice-presidente somente os depósitos da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), feitos a partir de janeimembro dos Conselhos da ro de 2016, conforme Fiabci-Brasil (Federação proposto pelo projeto Internacional das Profissões Imobiliárias, seção Brasil) e da de lei referido. Assim, a grande Adit Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico, seção Brasil). to continuaria tendo uma parte fixa de 3% ao ano e uma parte variável que poderia ser “calibrada” para se aproximar ao aumento pretendido no Projeto de Lei 1358/2015. Força Sindical - SP Juros da dívida interna é a grande despesa do governo //Como já dissemos anteriormente, o aperto monetário que o governo federal vem promovendo, com a intenção de conter a inflação, vem penalizando enormemente a classe trabalhadora brasileira, principalmente os trabalhadores de renda mais baixa. Apenas nos cinco primeiros meses de 2015, os gastos do governo com o pagamento dos juros da dívida interna aos grandes especuladores alcançaram o estratosférico valor de R$ 198,8 bilhões –equivalentes a 8,4% do PIB–, o que representa R$ 1,3 bilhão por dia, incluindo-se aí finais de semana e feriados. É o pior desempenho desde 2001, tanto em percentual de geração de riquezas no País quanto em termos nominais (no período de um ano, a dívida do governo aumentou em cerca de R$ 200 bilhões, graças à sua dificuldade de arrecadar e economizar). Vale ressaltar que esses R$ 198,8 bi representam uma alta de 95,8% em relação aos juros pagos no mesmo período do ano passado (R$ 101,5 bilhões), e que essa alta só aconteceu graças às majorações nos principais elementos de correção da dívida, ou seja: a taxa básica de juros (Selic) e os índices de preços, induzidos pelo dólar alto e pelo reajuste das tarifas públicas. Dá para imaginar quantas escolas e creches poderiam ser construídas com todo esse dinheiro? Quantos hospitais? E se esse dinheiro fosse investido no parque industrial brasileiro, haveria tanto desemprego como há hoje? Pois é... na verdade o aperto financeiro imposto pelo governo tem custado muito caro para o País. E a intenção do governo em promovê-lo, sob o argumento de conter a inflação, está se mostrando totalmente desacertada, pois a inflação está aí, feroz e voraz novamente. Lembramos que os juros altos são os grandes responsáveis pela desindustrialização que vem ocorrendo no País, pela queda na produção, no consumo e pelo “boom” do desemprego. A Força Sindical luta por um Brasil para todos os brasileiros. Um País igualitário, com emprego decente, bons salários, educação de qualidade, saúde e justiça social. Só que o governo tem de fazer a parte dele! Miguel Torres, presidente da Força Sindical

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Paraíba Geral IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 7 Pará Projeto leva esporte, cultura e lazer a adolescente em conflito com a lei //Com o objetivo de estimular nos adolescentes internos o interesse por modalidades esportivas e fomentar a participação em práticas artísticas e culturais visando à inclusão social, a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) apresentou oficialmente dia 7 de julho, no Núcleo de Esporte, Cultura e Lazer Apoena, localizado em Ananindeua, o projeto Recreio de Verão. As ações são desenvolvidas em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que promove, ao longo deste mês, uma série de atividades pedagógicas, esportivas, rodas e oficinas de leitura, informática e gincanas, entre outros. Essas ações também ocorrerão de forma itinerante e integrada em todas as onze unidades socioeducativas da Região Metropolitana de Belém. A Fasepa estima que mais de 200 adolescentes participem das programações. O presidente da Fasepa, Simão Bastos, diz que a perspectiva do projeto é juntar as políticas de lazer, educação e profissionalização para o desenvolvimento da socioeducação. “Estamos estabelecendo uma metodologia de trabalho que tem como foco a transformação e o desenvolvimento social destes adolescentes com o apoio de outras políticas sociais relacionadas à socioeducação, com a participação de toda a comunidade socioeducativa”, frisa. A programação contou com prévia das atividades que ocorrerão durante o mês de julho. Torneio de futebol de campo, natação, queimada e futsal foram algumas das recreações esportivas que movimentaram os jovens. A coordenadora do Apoena, Marta Santos, diz que a ideia é transformar o espaço em um centro de referência socioeducati- Paraíba é o quarto estado do país a aderir à rede que melhora a efetividade do repasse de recursos federais //O Governo do Estado firmou acordo de cooperação técnica com o Ministério do Planejamento e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), e a Paraíba tornou-se o quarto estado do país a aderir à rede de capacitação de convênios –Rede Siconv–, que tem por objetivo melhorar a efetividade dos repasses de recursos federais para o Estado. Além da Paraíba, já aderiram à Rede os estados do Sergipe, Acre e o Distrito Federal. Atualmente, o Estado da Paraíba apresenta 244 operações ativas no Siconv, totalizando R$ 999,7 milhões em investimentos, sendo R$ 199,8 milhões de contrapartida do tesouro estadual. Para o secretário do Estado de Planejamento, Orçamento, Gestão e Finanças, Tárcio Pessoa, o acordo tornará possível a capacitação do corpo técnico do Estado para utilização dessa ferramenta que é o portal de entrada criado pelo Governo Federal para que os Estados possam ter acesso aos recursos do Orçamento Geral da União. “Quando nós temos pessoal capacitado para operar essa ferramenta significa que nós estamos monitorando tudo que abre de possibilidades do Governo Federal em termos de convênios”, explica. Ainda de acordo com ele, a Diretoria de Gestão Estratégica e Captação de Recursos criada no início deste ano dentro do âmbito da Seplag servirá como um radar para monitorar as possibilidades de captação e direcionar para os órgãos que vão possivelmente executar. “O Sistema de Gestão Integrada vai acompanhar a implementação desses recursos de sorte que a gente tenha o aumento das fontes e o acompanhamento da execução desses convênios porque não adianta só captar. É preciso captar e executar. Transformar o recurso em obra e ação para o desenvolvimento do Estado”, conclui. A previsão é de que até o fim do ano sejam formados sete multiplicadores e, ainda, de que seja feito o treinamento de cem servidores que já atuam em operações de convênios nas diversas Secretarias e órgãos da administração estadual. Atualmente, já ocorre a capacitação à distância de 16 servidores indicados para a formação de multiplicadores, por meio do curso à distância “Gestão de Convênios Para Convenentes” oferecido no portal da Enap, com carga horária de 40 horas. A Rede, que tem como principal objetivo sistematizar e ampliar a capacitação dos usuários para ganhos na apresentação de projetos para captação de recursos por meio de convênios, contratos de repasse e termos de parceria, foi lançada em abril de 2015 pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/MP), em parceria com a Enap. A meta é capacitar 19 mil usuários até o final de 2015. A proposta prevê a adesão de todos os 27 entes da Federação. va, “onde pretendemos convergir várias ações que possibilitem que estes adolescentes desenvolvam diferentes habilidades e descubram novas possibilidades a partir da integração, coletividade, concentração e disciplina”. A coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Seduc, Núlcia Azevedo, diz que está bastante otimista quanto ao desenvolvimento do projeto e ansiosa porque “é a primeira vez que um trabalho como este será feito por professores em período de férias escolares a adolescentes em conflito com a lei. Conseguimos sensibilizar os professores em relação à importância da programação no contexto socioeducativo, e a partir daí passamos a estruturar a programação juntamente com a Fasepa para que possamos avançar nestas políticas inclusivas das quais estes adolescentes necessitam”, salientou. “Participar de uma atividade externa como essa é muito importante porque ajuda muito no cumprimento da medida socioeducativa e traz pontos positivos para o relatório, e também faz a gente esquecer toda a preocupação lá de fora. Ainda tenho um sonho em ser um jogador de futebol, e aqui brincando mantenho o meu sonho de pé”, disse um adolescente de 17 anos, que está há um ano e dois meses cumprindo medida socioeducativa. Para ele, esse calendário de ações esportivas e educacionais é uma forma de aprender cada vez mais. Sustentabilidade Agricultura urbana, ativismo e direito à cidade //As hortas urbanas são pequenas revoluções pacíficas que introduzem novas vivências no espaço urbano e avançam na conquista do direito à cidade //por Giulia Giacchè, Gustavo Nagib e Lya Porto //1973: o ano parecia de colapso mundial. A Guerra do Yom Kippur e a Crise do Petróleo abalaram a economia global e impuseram a necessidade de reflexão sobre o uso excessivo e a grande dependência planetária de uma fonte de energia não renovável e extremamente poluente. Naquele mesmo ano, em Nova York, a artista e ativista Liz Christy resolveu reunir uma galera amiga para agir sobre um terreno abandonado do bairro de Lower East Side, que fora vítima da fuga da classe média para as periferias “verdes” e “seguras” onde o automóvel chegaria facilmente. Liz e seus companheiros criaram um jardim comunitário. Assim nascia o movimento que ficaria conhecido como “guerrilha verde” (“green guerrilla”), cujas armas seriam ferramentas do bem: em vez de destruição, fortalecimento comunitário. Nada de explosivos, mas terra boa recheada com sementes de alimentos e flores, mudas saudáveis, abelhas sem ferrão, integração social e uma solução real para a crise urbana. Nestes 42 anos, as hortas comunitárias urbanas pipocaram pelo mundo inteiro. Estas pequenas revoluções pacíficas introduzem novas leituras e vivências ao espaço urbano e avançam na conquista efetiva do direito à cidade. Esta passou a ser vista, definitivamente, como espaço fundamental para a produção de alimentos. Em São Paulo, a agricultura urbana é, sem dúvida, mais uma solução para enfrentarmos as crises pelas quais temos passado em decorrência de nosso questionável planejamento, que resultou em especulação imobiliária e ingratidão socioambiental. As avenidas em fundos de vale; a absurda ocupação das várzeas por vias expressas; a cidade do automóvel; os condomínios fechados com seus extensos muros e gramados internos nos arredores da grande metrópole; a insuficiência de transporte público sobre trilhos; a poluição atmosférica, das águas e dos solos; o consumismo exacerbado; a constante falta de tempo e todas as demais mazelas que já parecem fatos “normais” comprovam que o modelo adotado fracassou. Este modelo nos conduziu aos colapsos atuais. O mundo do petróleo e dos conflitos armados anunciavam suas duríssimas consequências em 1973. Um dos caminhos para a passagem do “consumir a cidade” ao “viver a cidade” também já se anunciava 42 anos atrás. Se modelos violentos detonaram tentativas de harmonia urbana, teriam de brotar novas revoluções tranquilas, encontrando soluções democráticas e solidárias para dar a volta por cima. A agricultura urbana é uma das atividades que busca melhor “viver a cidade” e compartilhar os seus espaços públicos, tal como as manifestações das artes de rua, a presença das bicicletas e tantas outras. Nos últimos anos, houve uma significativa ascensão da articulação desses movimentos com o intuito de transformar a cidade. No que tange ao ativismo em prol da agricultura urbana, o Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo (MUDA-SP), os Hortelões Urbanos, o Movimento Horta di Gueto e as diversas hortas comunitárias que nasceram articuladas a estes coletivos e redes são alguns exemplos importantes nesta segunda década do século XXI. Ainda assim, toda mudança necessita de um tempo para assimilação e incorporação social e para sua integração nas políticas públicas, a fim de evidenciar reais transformações na estrutura da sociedade e no espaço urbano. As hortas comunitárias em São Paulo são exemplos de práticas inovadoras que buscam democratizar o uso do espaço de maneira a “derrubar os muros” da segregação social e do individualismo. Várias são as experiências coletivas e hortícolas criadas ao longo dos anos. Mas, agora, também é preciso atentar àquelas que nasceram do ativismo urbano com a ocupação do espaço público, na maioria das vezes abandonado, para criar uma área verde agregável onde se partilham experiências e se cultivam alimentos. Mas nem tudo são flores. Ainda existe a oposição daqueles que estão ancorados nas estruturas sociais da diferença e da segregação. Ao mesmo tempo, é preciso praticar o desapego aos bens materiais e desejar uma nova forma de vivenciar o espaço público de uso coletivo, onde as diferenças podem se manifestar e se interagir democraticamente. Qual é o significado de plantar uma muda, de regá-la, de acompanhar seu desenvolvimento e, enfim, deixar que uma outra pessoa qualquer colha seu fruto para comer? Os hortelões urbanos poderiam dar inúmeras respostas diferentes que justifiquem suas motivações. Os ativistas da Horta do Ciclista, na Avenida Paulista, por exemplo, afirmam que plantar e cuidar de um espaço público de uso coletivo no coração da cidade pode ser uma terapia para relaxar da estressante rotina paulistana e uma conexão com a natureza, melhor compreendendo como são os ciclos das plantas e o significado de produzir os alimentos. Trata-se de um aprendizado coletivo sobre as funções e os usos do espaço público, onde há trocas de experiências entre moradores da vizinhança, trabalhadores dos escritórios próxi- mos, moradores de rua e dos transeuntes em diferentes circunstâncias: nos mutirões, nos turnos de rega, na colheita de alguma hortaliça ou mesmo nos bate-papos cotidianos. Ser uma hortelã ou um hortelão urbano é muito mais que plantar e produzir alimento na cidade. É acreditar que há outra maneira de se relacionar com os espaços públicos, com todas as pessoas que moram na cidade e com a alimentação de seus milhões de habitantes. Talvez nem todos queiram se engajar em defesa da agricultura urbana, mas, sem dúvida, ela é uma das soluções possíveis para a crise metropolitana em que vivemos. 2015: em novembro, Brasília realizará a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, cujo lema é “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”. Esperamos que a agricultura urbana, em todas as suas categorias e concepções, seja muito bem contemplada durante a conferência. E que São Paulo tenha sempre água limpa disponível para todos; respire um ar melhor; conviva com as diferentes maneiras de ser e de pensar; viva democraticamente suas ruas, parques e praças; desça do automóvel; e que seja, enfim, comestível! Giulia Giacchè, Gustavo Nagib e Lya Porto são membros do Grupo de Estudos em Agricultura Urbana (GEAU)

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 8 São Paulo SP assina contrato para projetos inéditos sobre água de reúso //Recursos serão fornecidos à Sabesp pela Finep; projetos terão prazo de 30 meses de execução e avaliação de resultados //O Estado de São Paulo e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) firmaram contrato para o financiamento de projetos inéditos sobre água de reúso e esgoto. “São projetos e pesquisas que vão trazer bons avanços para a área tecnológica e para o saneamento básico de São Paulo, além de ajudar todo o Brasil também”, disse o governador Geraldo Alckmin após assinatura do acordo, que ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Ao todo são quatro trabalhos e todos serão desenvolvidos pela Sabesp. Há projetos sobre o aumento da produção de água de reúso para a Grande SP , o uso da casca de coco para eliminar o mau cheiro do esgoto, superaquecimento para transformar o lodo do esgoto em asfalto e uso da luz solar para secar o lodo de esgoto. O investimento total é de R$ 60,3 milhões, sendo R$ 48,3 milhões financiados pela agência federal e R$ 12 milhões em recursos próprios da Sabesp. Os projetos terão prazo de 30 meses de execução e avaliação de resultados. Foto: A2img/Ciete Silvério Alckmin assina contrato para projetos inéditos sobre água de reúso; ao fundo, o ministro Aldo Rebelo Emprego GM demite em São Caetano //Parte dos demitidos pertencia a um grupo de 819 que estava em lay-off desde novembro de 2014 (com contrato suspenso), cujo prazo vencia dia 2 de julho //No mesmo dia em que o presidente da Anfavea (fabricantes de veículos) e diretor da GM (General Motors), Luiz Moan, participava do lançamento do programa de proteção ao emprego, em Brasília, a montadora iniciou demissões na fábrica de São Caetano. O programa, previsto em medida provisória, permite redução de salários em até 15% e da jornada em até 30% em troca de estabilidade aos trabalhadores, caso as empresas decidam aderir ao plano e os trabalhadores o aprovem em assembleia. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, disse que as dispensas começaram dia 6 de julho e não há informação do número total de cortes. A GM emprega 9.800 trabalhadores na unidade. Parte dos demitidos pertencia a um grupo de 819 que estava em lay-off desde novembro de 2014 (com contrato suspenso), cujo prazo venceu dia 9 de julho. Outros trabalhadores dispensados são do segundo turno e alguns tinham até estabilidade, segundo a reportagem apurou. Segundo o sindicato, 400 trabalhadores desse grupo em lay-off vão permanecer um tempo maior afastados. Existe um segundo grupo em lay-off, com 628 trabalhadores, que se afastou em junho e ficam com contratos suspensos até outubro. Em nota, a GM informa que o plano de proteção ao emprego “tem como objetivo promover um ajuste temporário no contrato trabalhista com o objetivo de preservar empregos e conta com o apoio da GM do Brasil”. “No entanto, no caso específico de necessidade de reestruturação de uma operação industrial para adequar sua organização a uma nova realidade de mercado, não é o melhor caminho neste momento. Este é o caso da unidade da GM em São Caetano do Sul”, completa. A montadora também destaca que “cabe salientar que esta redução permanente do quadro funcional deste complexo atinge um número inferior a 5% do total de empregados e foi aprovada pelos empregados em assembleia realizada por ocasião da aprovação do contrato de “lay-off”. Caso as condições do mercado não melhorem no futuro, poderemos sim utilizar esse programa.”

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 9 Lu Alckmin - Ação Social-SP Lu Alckmin participa da abertura da 4ª etapa regional dos Jogos Regionais do Idoso em Praia Grande //O JORI tem como principal objetivo promover a integração dos idosos na sociedade 60 anos, entre elas atletismo, bocha, buraco, coreografia, damas, dança de salão, dominó, malha, natação, tênis, tênis de mesa, truco, voleibol e xadrez. “Acompanho o evento desde 1996 e fico feliz em dar continuidade a este projeto que incentiva os idosos a ter um convívio social, promovendo a saúde e o bem-estar de todos eles”, comentou Lu Alckmin. A modalidade coreografia iniciou as competições com a apresentação de 27 equipes. Os vencedores foram os municípios de São Bernardo do Campo (1º lugar), São Caetano do Sul (2º lugar) e São Vicente (3º lugar). Nas fases regionais do JORI, são selecionados os dois melhores competidores em cada modalidade, que competem na grande final estadual. Em 2014, as 11 etapas realizadas em todo o interior do Estado reuniram mais de 14 mil atletas de 414 municípios. Municípios participantes da 4ª etapa regional Barueri, Bertioga, Biritiba Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuiba, Cotia, Cubatão, Embu-guaçú, Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Guararema, Guarujá, Guarulhos, Ilha Comprida, Itanhaém, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mauá, Miracatú, Mogi das Cruzes, Mongaguá, Osasco, Pedro de Toledo, Peruíbe, Poá, Praia Grande, Registro, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Paulo, São Vicente, Suzano, Taboão da Serra e //No dia 25 de junho, a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin, participou da abertura da 4ª etapa regional dos Jogos Regionais do Idoso (JORI), em Praia Grande, no litoral paulista. Até domingo, 28, mais de 2.600 atletas de 43 municípios das regiões de Santos, Registro e Grande São Paulo competirão em 14 modalidades adaptadas para o público a partir de Vargem Grande Paulista. Sobre o JORI O JORI é uma iniciativa do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP) em parceria com as secretarias de Estado e prefeituras que sediam o evento. Para participar, o idoso deve ter no mínimo 60 anos de idade e atuar em projetos sociais desenvolvidos ou apoiados pelo FUSSESP . Amparo sedia 7ª reunião de trabalho com primeiras-damas e presidentes de Fundos Municipais //Primeira-dama do Estado realizou encontro para acompanhar os resultados das parcerias entre FUSSESP e Fundos Municipais trabalho com as primeiras-damas e presidentes de Fundos Municipais das regiões de Bragança Paulista e São João da Boa Vista. Este é o 7º encontro no total de 23 reuniões que acontecerão em todo o Estado até o final do ano. O principal objetivo do encontro é apresentar os resultados dos trabalhos que são realizados nos municípios em parceria com o Fundo Social de Solidariedade do Estado. “O nosso trabalho é voltado principalmente para a qualificação profissional da população carente, para dar oportunidade para quem precisa e resgatar a autoestima destas pessoas”, comentou Lu Alckmin. Os projetos Escola de Moda, Escola de Beleza, Escola de Construção Civil, Padaria Artesanal, Praça de Exercícios do Idoso, Geração de Renda e Horta Educativa acontecem no interior por meio de parceria do FUSSESP com os Fundos Municipais e visam atender a população em situação de vulnerabilidade social de todo o Estado. Para a 7ª reunião, participaram 28 municípios, são eles: Aguaí, Águas de //No dia 30 de junho, a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin, realizou em Amparo reunião de Prata, Águas de Lindoia, Amparo, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Caconde, Casa Branca, Divinolândia, Espírito Santo do Pinhal, Itobi, Lindoia, Mococa, Nazaré Paulista, Pedra Bela, Piracaia, Santa Cruz das Palmeiras, Santo Antônio do Jardim, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, São Sebastião da Grama, Serra Negra, Socorro, Tambaú, Tapiratiba, Tuiuti e Vargem.

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São Paulo-SP Geral IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 10 Prefeitura apresenta novo modelo detransporte coletivo para os próximos 20 anos //Modelo de concessão de transportes por ônibus, apresentado dia 3 de julho, prevê ampliação de 24% da oferta de viagens com reorganização das linhas e aumento de 13% de assentos com veículos maiores. Pontualidade será controlada eletronicamente //O prefeito Fernando Haddad e o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, apresentaram dia 3 de julho, em entrevista coletiva na sede da prefeitura, o novo modelo de concessão do serviço de transporte público sobre pneus da cidade de São Paulo. A licitação, que será disponibilizada para consulta pública para críticas e sugestões dos cidadãos por 30 dias, deverá ser lançada em três editais diferentes previstos para o segundo semestre deste ano. Os detalhes do novo modelo foram publicados no Diário Oficial da Cidade (DOC). O contrato da concessão terá validade por 20 anos, prorrogáveis por igual período. Com a reorganização de linhas, o novo modelo prevê aumento de 24% da oferta de viagens aos usuários em comparação com o sistema atual e aumento de 13% de assentos disponíveis nos coletivos, com a adoção de veículos maiores como os superarticulados e redução da presença de veículos como miniônibus na frota. Todos os ônibus deverão oferecer ar-condicionado e terão as partidas controladas eletronicamente por um Centro de Controle Operacional (CCO), garantindo melhor frequência para os usuários. “Não vai dever nada para nenhum transporte de massa sobre pneus mais moderno que vocês podem imaginar. Estamos colocando o que há de melhor até para estimular o uso, para que as pessoas sintam mais conforto e continue caindo as reclamações. Ainda tem muito trabalho pela frente”, afirmou o prefeito Fernando Haddad. Os veículos também ganharão novos mecanismos eletrônicos, como sinal wi-fi livre e a possibilidade do usuário recarregar o Bilhete Único na própria catraca do veículo, sem precisar ir a um posto fixo da São Paulo Transportes (SPTrans). “Colocar ar-condicionado no sistema de ônibus de toda a cidade de São Paulo não é pouca coisa, ainda mais em uma cidade cada vez mais quente. Colocar wi-fi não é produto supérfluo. Computador de bordo ou carregar o Bilhete Único no próprio validador é um avanço. Imagine que a pessoa não tem o dinheiro, mas tem um aplicativo de um banco para comprar o crédito. Ela poderá carregar imediatamente no próprio validador. São mecanismos que melhoram e vão melhorar ainda mais o transporte”, disse Jilmar Tatto. Licitação As empresas ou consórcios interessados poderão participar da concorrência de todos os três lotes (dos três editais), que estão divididos em quatro áreas no caso do grupo estrutural, que faz o transporte em grandes corredores por linhas radiais e perimetrais; em sete áreas no caso do grupo local de articulação regional, que tem linhas um pouco menores que circulam entre regiões próximas; e em 13 áreas no grupo de distribuição local, que faz caminhos mais curtos para os terminais, por exemplo. As empresas ou consórcios vencedores da concorrência terão de se constituir como Sociedades de Propósito Específico (SPE), não podendo permanecer como cooperativas ou permissionários, como era na última licitação. Além disso, a nova licitação torna obrigatória a verificação independente das contas do sistema a cada quatro anos, o que não era previsto na última licitação. As duas sugestões foram apontadas pela empresa EY (Ernst & Young), contratada em março do ano passado para fazer uma verificação independente do sistema. Em dezembro, foram apresentados os resultados que nortearam o novo modelo de concessão. “A cada quatro anos, teremos uma verificação independente e isso será bom para a sociedade acompanhar a margem de lucro das empresas vencedoras”, afirmou Haddad. Mais viagens O novo sistema de transporte coletivo municipal por ônibus da cidade de São Paulo prevê o aumento de 24% na oferta de viagens para usuários e passageiros, em especial nos horários de pico. Enquanto o sistema atual oferta, durante as 24 horas, em todas as linhas municipais, 186.350 viagens, o sistema projetado pela Secretaria Municipal de Transportes deve ter 231.846 viagens diárias para os passageiros. Mais assentos Outra novidade será a mudança no perfil ou tipologia da frota de ônibus da cidade. Os miniônibus, os chamados “micrões”, que têm capacidade para cerca de 30 passageiros, praticamente deixarão de existir, passando de 4.000 veículos para menos de 500. Já os coletivos articulados de 23 metros, que hoje são menos de 500, passarão para quase 2.000. Esse tipo de alteração aumentará em cerca de 13% a oferta de assentos disponíveis, ou de capacidade de transporte, que hoje é de 1.133.000, para 1.284.000 com o novo sistema. Outra mudança será a troncalização das linhas, diminuindo o tempo de viagem, aumentando a velocidade do deslocamento, evitando sobreposição e utilizando veículos de capacidade ideal para o viário, com veículos grandes em grandes avenidas e corredores e veículos menores nos bairros. Remuneração A remuneração dos concessionários do sistema de transporte também será alterada na nova concessão, e a qualidade do serviço será ainda mais determinante no valor pago às empresas. Além de horas operadas, quilômetros percorridos e veículos disponibilizados para compor a remuneração básica, o valor será ponderado ainda com fatores como o cumprimento das viagens (40%), cumprimento na disponibilização da frota (10%) e os passageiros transportados (50%). Além disso, para compor a remuneração do serviço, entrarão a produtividade econômica e a qualidade, rateadas com o poder público, que prevê as variações de custo do sistema e de passageiros pagantes e a satisfação por indicadores. A medição do serviço será por sistema eletrônico, por meio de Centro de Controle Operacional (CCO), que já vem sendo implantado pela Prefeitura na Rede Noturno. “Esse controle, para o usuário, evidentemente, é um ganho importante. O poder público vai poder de imediato ver o que está acontecendo no sistema e não pagar se ele não colocou a frota à disposição”, afirmou Tatto. Tarifa De acordo com o prefeito, a composição do valor da tarifa do transporte coletivo não dependerá somente do custo do sistema e da licitação, mas da política de subsídio –valor que a prefeitura destina às empresas. Mesmo assim, a nova licitação, assim como indicou a verificação independente da EY, reduziu a TIR no novo modelo para, no máximo, 9,9%. “Nós queremos trazer essa taxa interna de retorno pra um dígito. Então, a taxa interna de retorno máxima, prevista no edital, vai ser de 9,9. Esse é o teto que nós vamos admitir. E vamos prever no edital verificação independente a cada cinco anos”, explicou o prefeito. Habitação Mudança no FGTS elevaria prestação habitacional em pelo menos 27% do FGTS é de TR mais 3% ao ano. Segundo a Caixa, para pagar uma remuneração maior ao trabalhador será necessário também elevar os juros cobrados de quem usa esse dinheiro para financiar a compra da casa própria. Nas famílias de renda mais baixa, por exemplo, o valor médio da prestação passaria de R$ 527 para R$ 726. Na faixa limite para usar esse recursos, subiria de R$ 1.225 para 1.560. Os dados foram apresentados por Sérgio Antônio Gomes, superintendente Nacional do FGTS na Caixa, que participou de audiência pública, dia 7 de julho, na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados. De acordo com estudo do Conselho Curador do FGTS, o aumento da remuneração vai significar um ganho anual de R$ 5,26 para 67% dos trabalhadores com recursos no Fundo. Cerca de 1% dos cotistas, que são donos de um terço dos recursos, terão um ganho de superior a R$ 1.920 ao ano. Quênio Cerqueira de França, secretário executivo do Conselho Curador do FGTS, afirmou que o projeto cria um novo FGTS, algo semelhante ao que aconteceu com o projeto que alterou a remuneração da poupança há alguns anos. “Vai se criar outro FGTS, voltado para a população que pode arcar com essa nova taxa de juros. A população de baixa renda vai deixar de ter acesso [a esses financiamentos]”, afirmou França. //O aumento na correção do FGTS, em discussão na Câmara dos Deputados, elevaria em pelo menos 27% as prestações dos financiamentos habitacionais com esses recursos. Os cálculos são da Caixa, que estima um impacto de até 40%. Pela proposta patrocinada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os saldos depositados a partir de 2016 formarão uma conta paralela e serão corrigidos pelo índice da poupança (6,17% ao ano mais TR). A correção atual

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Sindiquímica/BA Geral IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 12 Assembleia no Polo de Camaçari inicia campanha salarial unificada e antecipada da assembleia, além de apreciar e discutir a pauta de reivindicações tirada nacionalmente. O objetivo dos dirigentes sindicais é unificar a campanha salarial da categoria em 2016, assim como acontece com os bancários. No ano passado, três bases não assinade transbordo do Pool ram o Acordo ColetiI e da Braskem, e con- vo de Trabalho (ACT): tou com a presença de Bahia, Rio Grande do dirigentes dos maiores Sul e Alagoas porque sindicatos petroquími- rejeitaram a proposta cos do Brasil e, ainda, patronal. Por isso, em de integrantes da Rede 2015, a pauta de reide Trabalhadores da vindicações, que estará Braskem. A categoria sendo encaminhada ao participou ativamente sindicato patronal em meados de julho, inclui itens não negociados em 2014. Na Bahia, por exemplo, o Sinpeq (sindicato patronal) abandonou a mesa no meio da negociação, em outubro. Desde então, o Sindiquímica-BA tem realizado várias mobilizações e algumas paralisações para pressionar o patronato a voltar à mesa de negociação, o que não aconteceu. Por conta disso, e devido ao estado de mobilização dos petroquímicos dos estados que não assinaram o ACT, os sin- //No Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, foi dado o pontapé inicial da campanha salarial nacional unificada do setor petroquímico. A assembleia aconteceu na madrugada do dia 30 de junho, na estação dicatos petroquímicos petroquímicos brasileidecidiram antecipar a ros. Veja alguns pontos campanha salarial pre- da pauta: vista para agosto. Reajuste salarial liA pauta nacional de near de 15%; reivindicações foi tiraSalário educação no da, no dia 29 de junho, valor de R$ 4.500,00; durante um seminário Investimentos em que reuniu represen- segurança; tantes dos sindicatos PLR nacional. Taurus é acusada de prática antissindical uma sala, conhecido no meio jurídico como contrato de ilação. Os cipistas foram proibidos de circular pelas dependências da empresa e estão sob constante ameaça. Centenas de trabalhadores encaminharam a denúncia ao sindicato contra o gerente de produção por assédio moral. No dia 19 de junho, o sindicato iniciou uma greve que foi suspensa para dar lugar às negociações. No dia 1 de julho, dirigentes sindicais participaram de uma tentativa de conciliação mediada pela presidência do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que foi infrutífera, diante da falta de proposição patronal, fato que se repetiu no dia 3 diante do Ministério Público do Trabalho, em nova audiência de tentativa de conciliação. Nessas audiências, o sindicato denunciou o descumprimento da Cláusula 57 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que determina a negociação específica para as grandes empresas. Os trabalhadores permanecem em estado de greve para pressionar a empresa a negociar uma pauta encaminhada pelo sindicato desde janeiro deste ano. //A empresa Taurus Blindagens Ltda, do grupo CBC, foi acusada pelo Sindiquímica de praticar atos antissindicais e de assédio moral. A Taurus mantém a dirigente sindical, Jaquelie Carvalho, sem ação, isolada em Auditoria do SPIE na empresa Oxiteno de Camaçari //Entre os dias 16 e 19 de junho, aconteceu uma auditoria de Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE) na empresa Oxiteno, no Polo de Camaçari, atendendo o estabelecido no Anexo II da NR-13 e nas Portarias do INMETRO N° 349 e 351 de novembro de 2009. Diretores do Sindiquímica participaram das reuniões de abertura e encerramento, além das entrevistas. Durante as visitas, foram verificados pela equipe de auditores do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), órgão credenciado pelo Inmetro, a situação de conservação das instalações; as atividades da Inspeção de equipamentos, no que se refere ao monitoramento das condições físicas: deterioração, controle de reparos, e a aplicação de ensaios e exames em equipamentos. Os resultados da Auditoria de SPIE servem para uma melhor confiabilidade operacional e com isto um maior nível de segurança para os trabalhadores. O relatório preparado pelos auditores segue para ser analisado pela Comissão de Certificação (COMCER), que devera emitir seu parecer. A certificação foi suspensa na Oxiteno após a ocorrência de dois graves acidentes no início e final de 2014 e depende do resultado da auditoria para operar novamente os equipamentos inspecionados. Jader Barbalho-PA Jader quer reestruturação do Hospital Barros Barreto senador Jader Barbalho (PMDB) encaminhou ofício ao ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, relatando o sucateamento da instituição, que é referência estadual nas especialidades de endocrinologia, doenças infectocontagiosas e parasitárias como HIV, doença de chagas, meningite, tuberculose, entre outras e solicitando recursos para sua reestruturação. Os hospitais universitários do país estão sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação. A Empresa liberou R$ 4,75 milhões de créditos orçamentários do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) a quatro unidades hospitalares. Nenhum hospital paraense foi incluído neste repasse publicado no Diário Oficial da União (DOU). No final de maio o diretor geral do Barros Barreto, Antônio Carlos Franco da Rocha, encaminhou um ofício ao gabinete do senador Jader Barbalho relatando todas as dificuldades que o hospital vem enfrentando ao longo dos últimos anos. Anexou junto ao documento o demonstrativo contábil que atesta os problemas financeiros da instituição, além do Plano de Trabalho, encaminhando para a Ebserh. No documento encaminhado ao ministro da Educação, Jader Barbalho relatou que o Hospital Universitário João de Barros Barreto atende à população carente de todas as regiões do Pará. “Trata-se de um hospital cujo perfil assistencial recebe pacientes de todo nosso Estado o qual vem passando por grandes dificuldades financeiras”, informou. O senador encaminhou junto ao seu ofício toda a documentação recebida do diretor geral do Hospital. Jader Barbalho solicitou especial atenção do Ministério da Educação para a adoção de duas medidas. A primeira medida seria a execução dos planos de trabalho do Hospital Barros Barreto, já cadastrados no Sistema de Informação Gerencia da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A segunda medida seria a antecipação do contrato entre o hospital e a Empresa ainda para o primeiro semestre de 2015. Ao final de sua solicitação, Jader Barbalho alertou ao ministro sobre a importância do Hospital Universitário João de Barros Barreto para os cidadãos paraenses, considerado um dos principais prestadores de serviços de saúde do Estado do Pará e região Norte. SERVIÇOS O Hospital universitário João de Barros Barreto completou 55 anos de existência. No início, o HUJBB prestava serviços voltados apenas para tratamento de pacientes portadores de tuberculose. Passou por diversas transformações, quando e em 2004, além da implantação do núcleo de vigilância epidemiológica, foi certificado como Hospital de Ensino, respeitando o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, caracterizando-o como Hospital Universitário. Hoje é considerado um dos principais prestadores de serviços de saúde do Estado do Pará e Região Norte, sendo Referência Nacional em AIDS e Referência Estadual em pneumologia, infectologia, endocrinologia, diabetes e atenção à saúde do idoso. //O Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) vem enfrentando, nos últimos anos, uma série de dificuldades que comprometem o atendimento gratuito à população paraense. São problemas como a redução de leitos aos pacientes do SUS, vulnerabilidade na segurança e dívida financeira que prejudicam o funcionamento do hospital. O

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 13 “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.” Carlos Drummond de Andrade Meio Ambiente Planejar manejo de espécies marinhas é caminho para sustentabilidade, diz pesquisa //Tão importante quanto identificar o volume total de peixe retirado do mar é saber a quantidade de cada espécie pescada, como explica a bióloga Mônica Peres. Segundo a pesquisadora, o litoral do Brasil, com 8,5 mil quilômetros de extensão, tem grande diversidade de espécies marinhas, mas número limitado de cada uma. – Ecossistemas com essa característica dependem do equilíbrio entre as espécies para funcionar. Nesse contexto, o planejamento e a gestão por manejo são fundamentais para que a atividade seja sustentável a longo prazo, tanto do ponto de vista da biodiversidade quanto do negócio –destaca a especialista. O pesquisador Paulo Pezzuto, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), avalia que a gestão do setor pesqueiro no país tem sido feita por medidas pontuais. “Quando acontece uma crise, como a ameaça de extinção de alguma espécie, uma ação pontual é tomada. Desconsidera-se a complexidade do setor.” Ele também defende que a gestão seja feita por planos de manejo, que incluem a descrição das pescarias com as informações científicas para que todos entendam o que precisa ser feito. Mônica Peres conta que a gestão na Austrália é uma boa referência. Lá, para cada espécie marinha estão definidas as metas de pesca e os planos de ação caso um ponto crítico seja atingido. “Reduzem-se os barcos pela metade, proíbe-se a pescaria pelo período necessário. Essa decisão não é tomada por um gestor que acabou de chegar. Isso já está decido com base na ciência.” De acordo com ela, dessa forma o setor pode se preparar. “Todos acompanham e podem, inclusive, prever o quanto vão investir naquela pescaria. No Brasil, o pescador compra barco, compra rede, investe e depois descobre que aquela pesca foi proibida.” Para Mônica, o ideal no Brasil é ter uma produção menor, mas de peixes mais nobres, portanto mais lucrativa. “Os vermelhos e as garoupas, por exemplo, têm grande potencial de exportação a preços altos. O setor pode pescar menos e ganhar mais.” Além disso, a pesquisadora destaca a importância da diversidade de peixes para a segurança alimentar do país. “Quando se tem a diminuição dos estoques das populações de peixe, você está gerando impactos que não podem ser contabilizados.” Mônica lembra que em algumas áreas do país, com na Amazônia e na região costeira do Rio Grande do Sul, por exemplo, a população come peixe em todas as refeições. Uma pesquisa recente da Oceana revelou que o consumo médio das famílias ribeirinhas é cerca de 200 quilos de pescado por ano. O secretário de Planejamento e Ordenamento da Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura, Fábio Hazin, também está certo de que a administração dos estoques de forma mais eficiente pode aumentar a produtividade e lucratividade do setor. Lazer Horóscopo //Não desanime. A vida é cheia de altos e baixos. 21/03 a 19/04 20/04 a 20/05 Empadão de frango cremoso //INGREDIENTES Massa: • 500g de farinha de trigo • 1 ovo • 500 g de margarina Recheio: • 2 peitos de frango cozidos, desfiados e refogados • Tomate • Cebola • 2 colheres de molho de tomate • Sal e temperos a gosto • Azeitona • Milho • Ervilha • 2 copos de requeijão cremoso ou catupiry Culinária //MODO DE PREPARO Massa: • Misture bem todos os ingredientes e se necessário acrescente um pouco mais de farinha, caso fique muito oleosa, até obter uma massa lisinha • Abra com um rolo ou forre a forma utilizando as mãos Recheio: • Refogue todos os temperos, coloque o frango, acrescente um pouco de água ou caldo de frango, para não ficar muito seco, e o restante (milho, ervilha etc) • Despeje sobre a massa, cubra com requeijão ou catupury • Coloque o restante da massa por cima • Pincele com gema e leve por aproximadamente 30 minutos ao forno //Correr pra quê? A calma é sua melhor conselheira. //Ah, lembra daquele seu sonho? Está na iminência de acontecer. Seja feliz! 21/05 a 21/06 22/06 a 22/07 //Segure-se! Não vá atropelar os outros. Fonte: http://www.tudogostoso.com.br/receita/67619-empadao-de-frango-cremoso.html //Uma boa ideia surge de algo simples. Preste atenção ao que não olha normalmente. 23/07 a 22/08 Humor Oportunidades... //Voar voar, subir subir... Seu destino é maravilhoso! 23/08 a 22/09 //Saudade nem sempre é ruim. Dê a chance de que sintam sua falta. 23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 //Cautela! Não é momento para estravagâncias financeiras. //Paciência para compreender. A vida não acontece em linhas retas. 22/11 a 21/12 //Olhe os detalhes. É neles que estão escondidas as respostas. 22/12 a 19/01 //Festa!!! Celebre a vida! Ela é uma dádiva! 20/01 a 18/02 Fonte: https://www.facebook.com/edibardasilva/photos/a.740189772761308.1073741862.151311254982499 /838789616234656/?type=1&theater //Descanse! Já fez muito. É momento de repor as energias. 19/02 a 20/03 “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.” Carlos Drummond de Andrade

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IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 14 Secovi-SP Temas condominiais na Convenção Secovi 2015 //Anualmente, o Secovi-SP promove a Convenção Secovi, evento que já consta do calendário de atividades da cidade de São Paulo. A edição 2015 começa dia 30/8 e se encerra em 2/9. Serão inúmeras atividades, como palestras, fóruns de debates, shows, visitas técnicas, minicursos. O presidente do Sindicato da Habitação, Claudio Bernardes, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Imprensa Sindical. Acompanhe! Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP //Imprensa Sindical – Qual o tema da Convenção Secovi deste ano? Cláudio Bernardes – O tema central da Convenção Secovi é “A Rosa dos Ventos da Indústria Imobiliária”, justamente porque o mercado imobiliário, assim como outros setores da economia, tem sofrido os efeitos da crise econômica, das incerte- zas políticas e da falta de confiança. Por isso, nada melhor do que reunir os atores do segmento de imóveis para encontrar saídas e reforçar a esperança. IS – O evento começa quando? Cláudio – A abertura do evento será no dia 30/8. Durante o dia, haverá visitas técnicas e, à noite, os participantes serão agraciados com a apresentação da Bachiana Filarmônica SESI-SP sob a regência do maestro João Carlos Martins. A abertura oficial, porém, será na segunda-feira, 31/8, com apresentação do “Panorama político-econômico e os fundamentos para o desenvolvimento imobiliário” pela jornalista Cristiana Lôbo e o executivo Fábio Barbosa, presidente da Fundação Osesp e ex-presidente do Grupo Santander, Febraban e Grupo Abril S/A. No mesmo dia, a área de Condomínios terá um painel especial, das 18h30 às 20 horas, para tratar da comunicação entre as administradoras, os síndicos, condôminos e usuários. Será que é possível usar a tecnologia para melhorar o diálogo nos edifícios? Sob a coordenação de Sergio Meira, diretor de Condomínios da vice-presidência de Administração Imobiliária e Condomínios do SECOVI-SP , os especialistas em comunicação com clientes Marcelo Amorim e Wanda Sanchez darão dicas e esclarecerão dúvidas sobre o uso de blogs, sites, aplicativos e murais no aprimoramento da comunicação. IS – Somente a área de Condomínios terá destaque na programação do evento? Cláudio – Não, além da programação voltada para os condomínios, a Convenção SECOVI tem palestras de interesse de todos os cidadãos. Esse é um dos mais importantes eventos do SECOVI-SP , com programação e palestrantes cuidadosamente escolhidos, e eu convido todos a participarem desses dias de conhecimento, networking e diversão. Até lá! Quem tiver interesse em participar da Convenção SECOVI 2015 pode acessar o site www.convecaosecovi.com.br. Lá, também é possível fazer inscrição e escolher as palestras de interesse. Ituiutaba-MG Moradores do Santa Maria acompanham de perto melhorias no bairro //A Prefeitura de Ituiutaba está desenvolvendo, desde 2011, o maior projeto de asfaltamento e recapeamento de vias públicas na cidade, levando asfalto a bairros que durante décadas aguardavam pelo benefício, como também colocando fim às ruas e avenidas calçadas com paralelepípedos. “O asfalto no bairro Santa Maria já é uma realidade”, comentou Boró Paiva nas redes sociais, ele que é um dos membros da Associação dos 12 Bairros, que tem buscado se reunir com frequência com o prefeito de Ituiutaba, pautando os principais problemas em alguns setores. A forma democrática proposta pelo prefeito de Ituiutaba, Luiz Pedro Corrêa do Carmo, que tem atendido aos pleitos das associações, tem motivado o trabalho de apoio dos seus representantes, que não só reivindicam, como também acompanham de perto o serviço feito. “Os moradores de vários bairros, dentre eles na região do Santa Edwiges e Santa Maria, têm nos procurado com frequência e sempre que vêm ao Gabinete, trazem sugestões importantes e pedidos que estão ao alcance do nosso atendimento, e isso é muito bom para que possamos levar aquilo que de fato a população quer para o seu bairro”, comentou o prefeito. Para não incorrer nos erros do passado, quando se asfaltou muitas ruas sem se preocupar com as chuvas e construção de redes pluviais, desta feita o prefeito definiu que deveria ser feito as redes pluviais, não deixando o problema para os administradores futuros. “Tivemos que abrir muito asfalto já feito para construir redes pluviais, bueiros, e esse erro não vamos cometer”, afirmou o prefeito. Nesta semana, juntamente com o secretário municipal de Obras, Luiz Manoel, o prefeito visitou várias obras na cidade, principalmente nos bair- ros onde o benefício está chegando.

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Política Eduardo Suplicy IMPRENSA SINDICAL // DE 10 DE JULHO A 10 DE AGOSTO/2015 // PÁGINA 15 Eduardo Suplicy fala sobre o PT e os desafios da pasta que assumiu //O jornal Imprensa Sindical publica abaixo, entrevista do secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo, Eduardo Suplicy, do dia 8 de julho, para a revista O Professor, do Sindicato dos Professores de São Paulo moradia, como “Minha Casa, Minha Vida”. Mas muito mais precisa ser realizado, pois passamos do 3º país mais desigual do mundo para o 16º. Por outro lado, tivemos dificuldades na condução da política econômica, em boa parte por causa da conjuntura mundial, mas também por nossa responsabilidade. Os desvios de procedimento ético que aconteceram no âmbito de nossos governos contribuíram para que hoje haja uma avalanche de críticas ao nosso partido. //— Qual a avaliação que o senhor faz, hoje, do Partido dos Trabalhadores em comparação quando o PT surgiu há 35 anos? — Eu era deputado ­ estadual pelo MDB em 1979, o segundo mais votado com 78 mil votos para a Assembleia Legislativa. Éramos 53 pelo MDB e 26 pela Arena. No segundo semestre, por iniciativa do governo Ernesto Geisel, foram extintos a Arena e o MDB. Naquele ano muito interagi com os movimentos de trabalhadores, metalúrgicos, lixeiros, professores, motoristas de ônibus, que realizavam greves e movimentos de reivindicação por melhores salários e condições de trabalho. Também me empenhei para a defesa dos direitos humanos nos mais diversos lugares. Quando houve denúncias de maus tratos e torturas na FEBEM, ali fiz diversas visitas. Empenhei-me na luta pelo restabelecimento de eleições diretas para prefeito de São Paulo, quando o governador Paulo Maluf, eleito pelo Colégio Eleitoral, queria designar Reinaldo de Barros, cuja nomeação tinha que ser aprovada pela Assembleia Legislativa. Denunciei a forma como o governador procurava prover vantagens aos deputados da oposição para que aprovassem aquele nome. Em razão dessas diversas ações, no segundo semestre de 1979, os líderes sindicais e intelectuais que estavam preparando a fundação do PT convidaram-me, junto com cinco outros deputados do MDB, para participarmos da fundação do partido. Procurei consultar a todos que votaram em mim, na medida do possível. A grande maioria aprovou e, em 10 de fevereiro de 1980 participei da fundação do partido, realizada no Colégio Sion. Eu estava de acordo com os propósitos do partido de defender a construção de um Brasil justo, civilizado, por meios democráticos, dando voz e vez a todos os brasileiros e brasileiras, sempre defendendo a ética, a transparência, a busca da verdade e a aplicação dos instrumentos de política econômica e social que poderiam levar o Brasil a se desenvolver com justa distribuição da renda e da riqueza. Continuo a defender os mesmos ideais da fundação do PT. Houve descaminhos e procedimentos errados. Numa organização que hoje reúne mais de 1,7 milhões de filiados constitui nosso dever tomar medidas para prevenir e corrigir os desvios e mal feitos que aconteceram ou venham a acontecer. — Qual sua análise da trajetória petista? — O PT conseguiu contribuir para que o Brasil tivesse extraordinários avanços para promover o desenvolvimento econômico e com políticas que garantiram avançar muito no que diz respeito à erradicação da pobreza e à melhoria da distribuição da renda, com programas como o “Bolsa Família”. Houve saltos de qualidade em se prover melhor educação para todos, assim como ampliação dos serviços de saúde para toda a população. Grandes progressos foram realizados nos programas de — Muitos criticam o partido dizendo que hoje ele governa visando seus próprios interesses. Na sua opinião o PT, depois que passou a ser governo e teve que fazer acordos com outros partidos, fugiu aos seus ideais? — Seja como Deputado Estadual, Federal, Vereador, Senador por 24 anos, sempre defendi que o chefe do Executivo pudesse dizer aos parlamentares que votem sempre de acordo com a sua convicção em defesa do interesse público e nunca em função de designação de nomes para a administração pública ou de emendas que tivessem sido aprovadas e liberadas. Tive sempre por norma não fazer indicações de nomes para o governo, seja quando na oposição ou na base aliada. Essa é a recomendação que continuo a fazer. — Os escândalos de corrupção envolvendo muitos políticos petistas denigrem a imagem do partido. De acordo com sua visão o PT se desviou do caminho e não representa mais a classe trabalhadora? — É fato que os escândalos prejudicaram sobremodo o nosso partido. Em 2014, no estado de São Paulo em especial, houve um verdadeiro tsunami contra o PT. No primeiro turno, se em estados do Norte e do Nordeste a Presidenta Dilma teve mais de 70%, 80% dos votos, em SP ela alcançou 25% dos votos; já o nosso bom candidato a governador, Alexandre Padilha, teve 18%; eu para o Senado 32,5%, insuficientes para vencer. Será importante que o PT em cada lugar do país possa se esmerar, sobretudo com exemplos práticos de atuação diária, para que continue ser expressão do sentimento e dos anseios de todos os brasileiros. — Muitos políticos que tiveram representatividade no PT saíram do partido alegando alianças escusas feitas por governantes para ter base política. Na sua opinião, todo tipo de aliança é válida para conseguir governabilidade? — Acredito que as alianças devem ser realizadas e se justificam com o objetivo de se alcançar as metas maiores que desejamos para o país e nunca em função de distribuição de favores. — Nestes 35 anos de partido quais os maiores acertos do PT? — Tantos feitos importantes caracterizaram a marca do PT, como o orçamento participativo; a formulação de políticas econômicas e sociais elaboradas com a participação dos movimentos sociais na cidade e no campo; a luta pelas diretas já e pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas; a batalha pela reforma política, que ainda precisa ser realizada. Ainda precisamos avançar em direção à instituição da Renda Básica de Cidadania, apresentada pelo PT e aprovada pela Lei 10.835/2004 por todos os partidos, sancionada pelo Presidente Lula em 8 de janeiro de 2004, e que precisa ser objeto de um grupo de trabalho que estude as etapas em direção à sua implantação, conforme tenho sugerido à querida presidenta Dilma Rousseff. — E os maiores erros? — Os mal feitos que têm sido apurados pela Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas, Polícia Federal, Procuradoria Geral da República e Supremo Tribunal Federal. — O senhor esteve no Senado Federal durante 24 anos. Na última eleição perdeu para o candidato do PSDB, José Serra. A que o senhor atribui a sua saída do senado? O senhor acredita que foi um voto de protesto dos paulistas contra o PT? — Em grande parte foi. Tenho a consciência tranquila de que procurei sempre defender os interesses maiores do povo de São Paulo e do Brasil e a adoção de políticas econômicas e sociais que sem dúvida são consistentes com nossos objetivos maiores. — Como o senhor visualiza o futuro do PT no País? — Acredito que saberemos corrigir os rumos e dar a volta por cima de forma que os responsáveis pelos governos do PT em nível municipal, estadual e federal deem todos os passos para sempre agirmos de acordo com as metas e ideais de nossa fundação. — Atualmente o senhor exerce o cargo de secretário de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Quais os seus planos para a pasta? — Tem sido um extraordinário desafio levar adiante os propósitos do honroso cargo que o prefeito Fernando Haddad me designou como Secretário de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Aqui trato de bem coordenar as 13 áreas de atuação: de políticas para as crianças e adolescentes, para a juventude, para os idosos, para a população em situação de rua, para a comunidade LGBT, para álcool e drogas, para os migrantes, para o trabalho decente, para a participação social, para o direito à memória e a verdade, para o direito à cidade, para a educação em direitos humanos, para a ouvidoria e balcão de atendimento à população que procura a Secretaria diariamente. Numa metrópole de 12 milhões de habitantes, em todos os momentos ocorrem ofensas aos direitos humanos e daí a necessidade de estarmos sempre atentos. São tantas as iniciativas interessantes que, para não alongar, menciono algumas: 1) O programa “De Braços Abertos”, que atua na chamada “cracolândia”, no qual estão inscritos mais de 450 usuários de drogas que passaram a ter uma oportunidade trabalho de varrição de ruas e limpeza de praças e pelo qual recebem R$ 15 por dia. Além disso, foram destinadas vagas para os inscritos em hotéis conveniados com a prefeitura, com resultados bastante positivos até agora. 2) Outro programa é o “Transcidadania”, que visa fortalecer atividades de colocação profissional, reintegração social e resgate da cidadania para 98 LGBT em situação de vulnerabilidade; 3) Através da coordenação de migrantes temos um programa de abrigo emergencial e uma política de atenção contínua de diálogo com os imigrantes de diversas nacionalidades que chegam a São Paulo; 4) Em relação à população em situação de rua, buscamos construir um cenário favorável à implementação de projetos que garantam os direitos humanos, a cidadania e a dignidade do povo da rua. Desenvolvemos parceria para a realização de uma pesquisa feita com os moradores em situação de rua sobre as suas histórias, dificuldades e qualidade de vida, que envolve 15 pesquisadores escolhidos entre eles próprios. — O senhor tem outros projetos políticos dentro do PT? — No momento, meu maior propósito é desempenhar bem as minhas responsabilidades e colaborar para que a gestão do prefeito Fernando Haddad seja a melhor possível. Mais tarde, se Deus continuar a me dar boa saúde e eu também souber me cuidar, está tudo em aberto. — Considerações finais. — Muito obrigado pela oportunidade. Toda força aos professores para continuarem a prover ótima qualidade de educação a todos os paulistas, brasileiros e brasileiras.

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