Revista Sempre Viva

 
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Revista das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora - 2015

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APRESENTAÇÃO A Equipe de Comunicação da Província Imaculada Conceição quer apresentar às Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, aos membros da Associação Missionária de Leigos Franciscanos Madre Bernarda, familiares, amigos, a todas as pessoas queridas e próximas, a primeira edição da revista SEMPRE VIVA. Essa revista nasceu do anseio das Irmãs de tornar mais conhecida a obra de evangelização realizada em toda ação missionária, seja ela na pastoral ou nas obras. Quer ser um canal de comunicação com os familiares, amigos, benfeitores, colaboradores… Um meio de divulgação, mas também uma forma de estimular a comunhão, pela partilha e pela oração. Quer ser, ainda, um convite aos que simpatizam com o carisma, para conosco unir esforços em vista de realizar o projeto que o Senhor nos confiou. A revista pretende tornar cada vez mais palpável o compromisso da Congregação com o legado de Santa Maria Bernarda, aos que estão perto e aos que estão longe. Por isso, seu título: SEMPRE VIVA. Assim foi a vida de nossa fundadora, assim deve ser o nosso compromisso como franciscanas e missionárias, revelando o amor misericordioso de Deus Uno e Trino. Que permaneça SEMPRE VIVA esta espiritualidade, nossa fé, nossa esperança! Mantenha-se SEMPRE VIVO nosso ardor missionário, o compromisso de ir ao encontro do irmão, da irmã, de sermos agentes de transformação pelo testemunho da fraternidade e da alegria, na vida religiosa ou laical. A confrontação constante e necessária entre nossa resposta de fidelidade ao carisma e nossa ação concreta, seja realizada com abertura e generosidade. Assim, aqueçamos o frio do inverno, contemplemos o desabrochar da vida na primavera, saboreemos os frutos do verão e desfrutemos o descanso do outono. O nascer e renascer sejam um processo constante e permitam manter SEMPRE VIVO o Jardim de Deus. Equipe de Comunicação - Província Imaculada Conceição EXPEDIENTE DIREÇÃO Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora EQUIPE EDITORIAL Ir. Ir. Ir. Ir. Ir. Ir. Ir. Jaqueline Zilli Marta Vigne Vera Lucia Pereira da Silva Sandra Recktenwald Silvana Arboit Izelba Maria Volpatto Marinês Burin FOTOGRAFIA Ir. Jaqueline Zilli Arquivo Institucional FOTOS DE CAPA Ir. Jaqueline Zilli PROJETO GRÁF. / DIAGRAMAÇÃO Alexandre Lasari - (54)9603.6665 IMPRESSÃO Gráfia Imperial - (54) 3313.5434 TIRAGEM 2000 unidades O conteúdo e informações contidos nas matérias e artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores. É necessária prévia autorização, e devida citação de veículo para reprodução total ou parcial do conteúdo.

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SUMÁRIO EDITORIAL Uma revista mais? Não! Mais que uma pequena revista, uma partilha fraterna, uma comunicação de aspectos de nossa atuação missionária aqui e acolá. A concretização de um desejo expresso há tempos, de ir comunicando nossa vida e missão de Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora para além das paredes de nossas casas e obras e sentir como é gratificante chegar às fraternidades, aos lares, às comunidades, aos familiares, a muitos corações, com nossas mensagens e testemunhos. Leiamos, com interesse, o que está nas linhas e entrelinhas destas páginas. Alegremo-nos pelo que é nosso. Que esta publicação seja útil, convoque e provoque à reflexão e nos interpele, em meio aos desafios atuais, para ouvir o chamado sempre presente ao envio missionário e vivê-lo em diferentes expressões, contextualizadas e solidárias, através da esperança e da contínua doação pessoal de si. Profunda gratidão a cada uma das irmãs e fraternidades que fizeram o esforço de redigir os conteúdos aqui consignados. E ao saborear a leitura dos mesmos, possa você sentir-se animado(a) e transpor esta animação em algumas linhas para a próxima edição. Isto é um pouco. Para apreço mútuo e glorificação de Deus, muitas atividades mais deveriam estar registradas aqui. Porém, tudo tem seu limite, também as linhas de um texto e as páginas de uma revista...Tudo o mais, que é muito, Deus o guarda em seu amoroso coração e sabe recompensar. A bênção de nossa Fundadora, Santa Maria Bernarda, esteja sempre viva no meio de nós: “O Senhor nos unja e nos plenifique com o óleo de sua graça, abençoe nossa vida e nossas ações”. Ir. Marinês Burin Superiora Provincial 2015: Ano da Vida Religiosa na Igreja CATEQUESE Espaço privilegiado Carisma partilhado com os leigos Graça e dom: 102 anos de vida e missão NOVICIADO Jardim de Deus EDUCAÇÃO Uma grande missão Missionária além das fronteiras Projeto TranformAção Residencial Maria Bernarda Cuidando de quem já cuidou Ervas Medicinais A vida com mais sabor Santa Maria Bernarda Rastros luminosos A graça de Maria Antônia Humor Nossa presença Oração 4 8 9 12 14 18 20 21 25 28 30 31 32 34 35 36 38 SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 3

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2015 O Animadoras Vocacionais IRMÃ CRISTINA BISOLO IRMÃ FRANCISCA M. RODRIGUES IRMÃ JAQUELINE ZILLI IRMÃ MARINÊS BURIN IRMÃ MARTA VIGNE IRMÃ VERA LUCIA P. DA SILVA ANO DA VIDA RELIGIOSA NA IGREJA Papa Francisco declarou 2015 como o Ano da Vida Religiosa na Igreja. O objetivo desta iniciativa, segundo o Papa, é dedicar um tempo especial onde a Vida Consagrada possa “olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança”. Sem dúvida, um convite por retomar o papel da vida consagrada na Igreja e na sociedade, reconhecendo os grandes feitos do passado, abraçando com esperança os desafios do presente e potencializando sua força profética e missionária para o futuro. No dia 30 de novembro de 2014 ocorreu a abertura do Ano da Vida Consagrada, em celebração realizada na Basílica São Pedro em Roma, e se estenderá até o dia 02 de fevereiro de 2016. Em comunhão com o Papa, em todas as dioceses do Norte do Rio Grande do Sul, reuniram-se os religiosos e religiosas para solenizar esse momento com uma vigília e/ou celebração da Eucaristia. Para dar novo impulso à missão da vida religiosa, o Papa sugere às ordens, congregações e institutos repensar a enculturação do carisma próprio nos tempos contemporâneos. Nisso, indica o diálogo intercultural como caminho necessário. Francisco também aponta outros aspectos a serem considerados com atenção: a formação a este estado de vida deve basear-se nos pilares espiritual, intelectual, comunitário e apostólico. À formação faz-se necessária dedicação como a uma obra artesanal. Na missão, os consagrados devem priorizar as realidades de exclusão, preferindo os mais pobres. Na evangelização, privilegiar os âmbitos da educação. A proclamação do Ano da Vida Consagrada, segundo o Papa Francisco, deve confirmar algumas expectativas: 1) Onde há religiosos, há alegria. A alegria é a marca do religioso(a); 2) Os religiosos devem “despertar o mundo” com seu anúncio profético; 3) Os consagrados são chamados a ser “peritos em comunhão”; 4) A vida consagrada precisa sair de si para ir às periferias da existência; 5) Cada forma de vida consagrada deve interrogar-se sobre o que pedem Deus e a humanidade, hoje. Por fim, o Papa convoca os vários âmbitos da Igreja a unirem-se à vida consagrada e a valorizá-la. CONTINUA >>> 4 • SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora

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REFUNDAÇÃO CONGREGACIONAL Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja vem motivando aos institutos de vida religiosa à refundação, ou seja, à ressignificação do carisma e missão próprios, de acordo com os sinais dos tempos. A princípio, esse movimento foi vivenciado através da inserção: a vida religiosa, então, saía dos muros de seus conventos para estar presente nas periferias e inserida nos movimentos populares. Mas esse propósito se faz mais desafiador no mundo contemporâneo, onde os valores são fortemente questionados. Vivemos a revolução tecnológica que acelera mudanças em curtos espaços de tempo. Vivemos uma mudança radical de época que nos obriga a construir novos paradigmas, ou seja, um novo jeito de pensar. Neste contexto, a vida religiosa é questionada pelo pensamento secularizado que não vê razão de ser neste jeito de viver. Diante deste e outros questionamentos, também frente à realidade que exige dinamismo e renovação constantes, a vida religiosa é obrigada a redescobrir seu lugar na história. No esforço para atender os apelos do Espírito Santo e da Igreja, as Irmãs Franciscanas Missionárias Missionárias de Maria Auxiliadora, igualmente, procuram trilhar os caminhos de renovação. Recentemente, vários eventos aconteceram em vista disso. O ano de 2015 promete mudanças significativas para a continuidade desse processo. Passeio em Quito. Olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança. ASSEMBLEIA DE ANIMADORAS VOCACIONAIS De 10 a 13 de julho de 2014, aconteceu em Quito, no Equador, uma Assembleia de Animação Vocacional reunindo irmãs de toda a Congregação. O objetivo foi definir linhas de ação para tornar realidade o Serviço de Animação Vocacional Congregacional (SAVC). A Assembleia apontou algumas diretrizes: - Toda pastoral deve ser lugar e meio de animação vocacional; - A animação vocacional é dever de cada irmã e leigo; - É importante trabalhar em rede com outras congregações, com dioceses e entre províncias; - Os leigos tem um papel importante junto ao SAV - Serviço de Animação Vocacional; - A missionariedade é elemento base do carisma para a formação das futuras irmãs; - É necessária disponibilidade para trabalhar com novos campos e sujeitos juvenis; - A animação vocacional tem o compromisso de acompanhar as juventudes em suas buscas e opções de vida; - A prática da acolhida é um fator essencial no processo vocacional. Animadoras Vocacionais e Superiora Geral CONTINUA >>> SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 5

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Momentos de encontro e celebração. ASSEMBLEIA DE FORMAÇÃO Também na cidade de Quito, de 14 a 19 de julho de 2014, realizou-se a Assembleia de Formação, com a presença do governo geral, das superioras provinciais das seis províncias da Congregação, irmãs animadoras vocacionais e formadoras de toda a Congregação. Daí resultou o Plano Geral de Formação. O documento ilumina o processo de formação para a vida religiosa desde o despertar vocacional, na família, o crescimento humano-espiritual-missionário durante as etapas formativas específicas, às quais se estendem até o final da vida da irmã. Após a assembleia, todas as participantes visitaram o porto de Manta, a Bahía de Caráquez, as localidades de Chone, Santa Ana, Canoa e demais lugares considerados berço missionário da Congregação, onde Santa Maria Bernarda desembarcou, viveu e trabalhou com as primeiras irmãs, quando chegou à América do Sul. Ao todo, foram doze dias de oração, trabalho, partilha de vida, experiências formativas e missionárias, de muita fraternidade, alegria e emoção. REORGANIZAR PARA REVITALIZAR E RESSIGNIFICAR Após a Assembleia Geral de Formação, outro evento teve lugar em Quito: reunião do Governo Geral Ampliado da Congregação. O Governo Geral Ampliado é constituído pelas irmãs que compõem o governo geral e as superioras provinciais das seis províncias de que é formada a Congregação. Nesse encontro, a necessidade de mudança foi discernida e assumida: desenvolver um processo de reorganização da Congregação para que seja ressignificada e vitalizada em seu carisma, em seu ser e atuar no mundo de hoje. Um processo que há de ser gradual, orante, dialogal, assumido com alegria, conversão e participação ativa de todos os membros da Congregação, à luz da Palavra de Deus e dos apelos da realidade. Aí se definiram linhas que irão nortear a Assembleia Geral da Congregação (que nós chamamos Capítulo Geral), que acontecerá em outubro deste ano 2015, onde serão decididos processos efetivos para ressignificar o carisma e a missão e garantir o futuro da Instituição. Certamente, mudanças organizativas farão parte desta pauta. Marco da linha do Equador CONTINUA >>> 6 • SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora

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CONGRESSO MISSIONÁRIO Missionários(as) pelo mundo, escutando a Deus onde a vida clama A linda cidade da “Eterna Primavera”, Medelin, na Colômbia, que já foi palco das grandes conclusões do Episcopado Latino Americano em 1968, foi a cidade escolhida para a realização do I Congresso Missionário Congregacional das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. Contou com a presença de mais de trezentas pessoas, entre irmãs e leigos da Colômbia, da Áustria, do Brasil, da Bolívia, da Venezuela, do Peru, de Cuba, e de dois países africanos: Chad e Malí. A presença dos leigos colaboradores na missão da Congregação, principalmente nos colégios e hospitais, e membros de ALMABER (Associação de Leigos Madre Bernarda), foi determinante. Em sintonia com o programa da CLAR (Conferência Latino Americana de Religiosos) e, atendendo o pedido do Documento de Aparecida, de repensar a Igreja a partir da missão e repensar a missão a partir das emergências do mundo, o Congresso apresentou como lema: “Missionários pelo mundo, escutando a Deus onde a vida clama”. O Congresso convocou a ouvir os clamores da vida humana retratados nas situações emergentes. Os temas abordados para esse fim retomaram, entre outros: a economia e a política, a família, a crise de valores e de fé, a educação, a saúde, os conglomerados urbanos, as tecnologias de informação e comunicação, o sincretismo religioso e o individualismo crescente. Destacam-se, de modo especial, os compromissos assumidos e a celebração de envio, realizada no final do encontro, com rituais africanos em torno do Baobá, a árvore sagrada, que simboliza a vida e a esperança, o centro de tudo: Deus. Irmãs e leigos no Congresso Missionário SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 7

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CATEQUESE ESPAÇO PRIVILEGIADO IRMÃ NILVA BRUGNERA Irmã Nilva visitando paróquias nuição de filhos por família, as diferentes igrejas e religiões que surgiram, a indiferença religiosas atual e a mudança de época que traz crise religiosa e dificulta a adesão a uma instituição. Nestes anos de coordenação, estimo que acompanhamos entre 35.000 a 40.000 crianças, adolescentes e jovens, que receberam os sacramentos da Primeira Eucaristia e do Crisma, sem contar os demais sacramentos. Algumas questões chamam minha atenção neste período de coordenação: embora grande número de cristãos não tenham a consciência bem formada sobre o compromisso cristão, é grande a confiança dos pais e famílias na formação que a Igreja oferece; é grande o tempo dedicado à formação dos catequistas que acontece, ininterruptamente, em todas as paróquias e áreas pastorais, bem como a participação deles nos encontros. O serviço dos catequistas é realizado na gratuidade. Em nível eclesial, além de uma boa organização, há uma riqueza no que tange o material produzido para amparar a formação dos catequistas e grupos de catequisandos. A catequese é, sem dúvida, uma escola aberta, sem contratação ou nomeação, que se mantém viva e atuante de modo organizado e gratuito. Anualmente, em nível de arquidiocese, realizamos o retiro espiritual, que é sempre muito bem preparado e com ótima participação de representantes Reunião com a coordenação de todas as paróquias. Em 2013, lançamos o caderno de formação: “Catequese: viver e anunciar Jesus”, com fundamentos teóricos e práticos, para o bom andamento da catequese. O acompanhamento da catequese na arquidiocese é um trabalho árduo, exige a dedicação para criação de planos, preparar momentos formativos, atender pais, catequistas e catequizandos… Contudo, expressa a beleza da Igreja viva e atuante, preocupada com a formação de seus membros e dedicada à evangelização. A missão desenvolvida pelas Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora envolve a atuação nas diversas pastorais da Igreja. A catequese é uma destas pastorais. Desde aí, a comunidade cristã mantém viva a fé e a tradição transmitindo esse legado de geração em geração. Por isso, a catequese merece toda atenção já que, através dela, as crianças e jovens podem vivenciar o encontro pessoal com Jesus Cristo. Irmã Nilva Brugnera, de modo especial, vem se dedicando ao acompanhamento da catequese. Há oito anos trabalha na coordenação de catequese na arquidiocese de Passo Fundo, RS. Alguns dados são significativos para entender a dimensão desse trabalho: Conforme o Censo de 2010, a aquidiocese abrange uma população que ultrapassa meio milhão de habitantes: 507.833 pessoas em 47 municípios, organizados em 53 paróquias e 9 áreas pastorais. Num intervalo de 10 anos, essa população cresceu cerca de 10%. Os habitantes alcançam várias etnias: descendentes de italianos, alemães, poloneses, caboclos e várias culturas indígenas. A coordenação arquidiocesana de catequese tem como objetivo evangelizar à luz da Palavra de Deus, num processo formativo desde a dimensão pessoal e comunitária, fortalecendo a vida de fé, o discipulado missionário e o compromisso dos cristãos na construção do Reino de Deus. Para ter mais claro como acontece esse processo, Ir. Nilva comenta: “Quando assumi esta missão, a arquidiocese contava com 4000 catequistas e mais de 20.000 catequizandos entre as quatro etapas de formação. No ano de 2013, levantamos a seguinte estatística sobre os catequizandos: Pré-Eucaristia 4.865; Eucaristia 3.887; Pré-Crisma 4.104; Crisma 4.488, num total de 17.344 catequizandos e 2600 catequistas. Em termos de estimativas anuais, existe uma diminuição de 400 a 500 jovens na formação catequética. Isto ocorre por vários fatores, especialmente: a dimi- 8 • SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora

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CARISMA OS LEIGOS E A IGREJA PARTILHADO COM OS LEIGOS IRMÃ IVALDINA BASSO HEIDI ZANHER Atualmente, vemos leigos, mulheres e homens engajados nas diferentes pastorais, movimentos e serviços, ou na missão evangelizadora propriamente dita, em paróquias ou regiões mais distantes, até fora do país, participando, junto com religiosos ou religiosas, da espiritualidade, carisma e missão de seus institutos. O Papa João Paulo II foi um grande incentivador para que as Congregações Religiosas partilhassem o carisma, a espiritualidade e a missão com os Leigos, dizendo que o carisma não é exclusividade dos religiosos/as da Congregação, mas pertence à Igreja. A Igreja sonhada por Jesus nunca foi uma instituição centrada no clero. Nos primórdios do cristianismo, os batizados eram vistos como povo, discípulos fiéis, eleitos, cristãos, herdeiros da promessa e coerdeiros com Cristo, formando a comunidade de irmãos, partilhando os carismas pessoais no serviço mútuo para o bem e o crescimento de todos (I Cor 12,4-31; At 2,42). Com o tempo, o sentido da participação dos fiéis cristãos e do povo eleito, foi-se desvirtuando e passou-se a aplicar o termo “leigo” àquele que não pertence ao clero. O Concílio Vaticano II (1962-65) recuperou o sentido da expressão “Povo de Deus” para todos os batizados, convocando à comunhão e participação, devolvendo aos leigos o protagonismo e responsabilidade na Igreja. Pela graça batismal e vocação universal à santidade, todo cristão é chamado a dar continuidade à missão de Cristo, fazendo crescer o Reino de Deus no mundo (Cf. LG 3,4,5). IVALDINA BASSO, ASSESSORA DOS LEIGOS CONTINUA >>> Retiro de leigos SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 9

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Encontro de leigos. OS LEIGOS E AS IRMÃS No ano 2000, nascia a ASSOCIAÇÃO MISSIONÁRIA DE LEIGOS FRANCISCANOS MADRE BERNARDA - ALMABER. É composta de leigos(as) animados(as) pela espiritualidade de Santa Maria Bernarda e São Francisco de Assis, integrando a família franciscana. Sua proposta é a vivência do Evangelho e a expressão do amor misericordioso da Trindade, pelo seguimento de Jesus Cristo, construindo o Reino de Deus na família, na vida social, no trabalho, na Igreja. A sede geral da Associação encontra-se em Bogotá, Colômbia. Sua coordenação foi eleita em Assembleia Geral, com a presença de alguns representantes das fraternidades laicais dos países onde a ALMABER está presente. Atualmente, é grande o grupo dos que fazem parte da Associação nas diversas fraternidades espalhadas nos países onde as Irmãs estão presentes. No Brasil, há leigos que estão vivenciando sua formação e conhecendo mais de perto a essência do seguimento a Jesus do jeito de Santa Maria Bernarda e São Francisco de Assis: no Amazonas, na Paraíba, em Goiás, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. No dia 04 de outubro de 2014, um grupo de trinta e cinco leigos deu resposta positiva a esse jeito de viver, assumindo a consagração laical. O ritual de consagração aconteceu, reunindo três grupos diferentes, em Passo Fundo, Erechim e Marau. A Província Imaculada Conceição contava já com um grupo de leigas consagrada na cidade de Manaus. Assessoras e coordenação. CONTINUA >>> 10 • SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora

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LEIGA MISSIONÁRIA A senhora Heidi Terezinha Zahner, de Erechim-RS, membro de ALMABER, sentiu forte o apelo missionário. Desafiando-se a si mesma, ofereceu-se para colaborar na missão da Congregação. Foi enviada como missionária à região de Anori, Amazonas, onde as irmãs já trabalham há 40 anos. Chegando lá, Heidi foi festivamente recebida pela comunidade e integrou-se na Fraternidade das irmãs. Os primeiros dias foram dedicados à observação da realidade, ao conhecimento do novo contexto e à adaptação ao clima. Afinal, tratava-se de outra cultura, de costumes e hábitos diferentes. O ritmo do rio define o compasso da vida. Heidi dá testemunho daquilo que viveu: “Minha maior admiração foi observar a garra, a coragem, a determinação dos membros da Pastoral Ribeirinha. Todos os domingos, os agentes deixam o conforto do lar, os seus familiares, sem pensar nos perigos do Rio Solimões. De lancha, às 7 horas da manhã, partem para levar a Mensagem de Deus às comunidades distantes que aguardam a equipe para ouvir a Palavra de Deus. Na saída do porto, no meio do Rio Solimões, faz-se uma parada para oração, pedindo a proteção e a luz do Espírito Santo. O mesmo acontece na volta, para agradecer a viagem. Outra equipe sai pelo rio com o Barco Rainéria. Passam vários dias visitando as comunidades, animando as orações e celebrando os sacramentos. Onde o barco não pode chegar, usa-se a “rabeta” (um bote). Quando este encalha por causa da tapagem, ajuda-se a empurrar com o remo. Mas tudo é superado com um sorriso e com um agradecimento no final do dia. Eu tive a oportunidade de fazer tudo isso”. Heidi provou muito bem a dinâmica do cotidiano pastoral dentro do barco. Andou rio abaixo e rio acima visitando as comunidades, assessorando cursos, visitando doentes, participando de congressos, dando catequese e visitando outras cidades: “Para mim, estes HEIDI TEREZINHA ZAHNER quatro meses foram de grande aprendizado. Vou levar comigo muitos exemplos de vida, de pessoas que se doam para o bem dos outros, que não medem esforços para ir ao encontro dos irmãos mais distantes. Vi o trabalho incansável das irmãs, vi as dificuldades daquele povo que, apesar de todo o sacrifício e dificuldades por que passam, vivem com simplicidade, são felizes e agradecidos a Deus pelo que possuem”. Além de Anori, Heidi conheceu Manaus, onde conviveu com o grupo de leigas da Associação Missionária de Leigos Madre Bernarda aí existente. Conheceu a missão das Irmãs Franciscanas em Beruri, cidade às margens do rio Purus. Depois desta rica experiência, Heidi regressou ao Rio Grande do Sul pela necessidade de cuidar dos netos, sendo que os filhos tinham uma viagem para o exterior. Ela guarda em seu coração muito ardor missionário, gratidão profunda por tudo e agradece a todos os que a acompanharam com a comunicação, o incentivo e a oração. Agradece principalmente às irmãs da Fraternidade de Anori: Gorete, Ilda e Cristina que a acolheram com afeto, como uma religiosa a mais. Agradece à Congregação das Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora pela abertura em favorecer-lhe este tempo de missão que valeu a pena. PARTICIPE DA ALMABER! As fraternidades laicais da Associação estão abertas a acolher pessoas que têm o desejo de dar uma resposta efetiva como missionários leigos na Igreja. As pessoas interessadas podem acercar-se, conhecer e integrar-se num dos grupos existentes e iniciar seu processo de formação para fazer parte da Associação. A vida e testemunho dos leigos anima e fortalece as irmãs da Congregação no seu compromisso de fidelidade ao Evangelho e à missão confiada por Santa Maria Bernarda. Outras pessoas que desejam poderão vivenciar fortemente o compromisso missionário, a exemplo de Heidi. Venha participar você também! SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 11

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GRAÇA E DOM 102 ANOS DE VIDA E MISSÃO IRMÃ LUCILA BEBER A longevidade é uma realidade possível nos dias de hoje, graças à melhora da qualidade de vida e aos recursos da medicina. Antigamente, alcançar a idade avançada era privilégio de poucas pessoas. dades e possíveis conflitos. Esse modo de encarar a vida indica, sem dúvida, uma atitude importante para viver com qualidade, independente da idade. Viver com prazer e alegria, permite vida mais prolongada. Irmã Lucila fala de sua própria trajetória: “Com 12 anos conheci as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, em Gaurama. Logo senti o apelo de ficar Irmã. Aos 13 anos, ingressei no Colégio das Irmãs, em Três Arroios. Em 1930, iniciei a formação no noviciado, juntamente com outras quatro colegas. Ao término, fui enviada à missão no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo. Pouco tempo depois, fui a Severiano de Almeida para trabalhar como enfermeira. Realizei essa missão com alegria e sempre buscando o melhor para os doentes. Em compromisso com minha comunidade religiosa, fui designada para Chapéco/SC, no Colégio Bom Pastor, onde atuei como professora do Jardim da Infância. Hoje muitas dessas crianças são avós, pais/mães de família que vêm me visitar. Ali, trabalhei ainda com vocacionadas à Vida Religiosa. Várias delas, hoje, são boas Irmãs. Tudo isso me alegra, graças ao bom Deus. O salmo 89 nos traz uma reflexão sobre a duração da vida humana. No versículo 10 diz o seguinte: “Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes, talvez, cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos”. Essa não parece ser a situação de Irmã Lucila Beber. Em seus quase 102 anos de vida (junho de 2015), nos deixa um testemunho de alegria e lucidez. Irmã Lucila reside na Fraternidade Cristo Rei em Marau. Para comemorar os 100 anos de vida, reuniu os familiares, irmãs e pessoas da comunidade para festejar, com direito a um bom churrasco e desfile de Miss. Afinal, chegar aos 100 anos com saúde e lucidez como ela chegou, é imensa graça. Assim é a Irmã Lucila: A caminho dos 102 anos, vive com alegria na sua fraternidade, sempre disposta a acolher as pessoas e contribuir nas tarefas da comunidade, segundo suas forças. Sua presença atrai a juventude e anima as vocações. Revela jovialidade, leveza de espírito, atitude descomplicada frente às dificul- 12 • SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora

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Passando esse período, fui morar em Cruz Alta/RS, no Lar da Menina, onde trabalhei por mais de 40 anos com meninas carentes. Agora, há 13 anos estou em Marau. Faço tricô, gosto de ajudar em pequenos trabalhos da casa, acolho pessoas que chegam. Mas minha principal missão é rezar. Rezo pelas necessidades da Província e Congregação, pela missão das Irmãs de minha fraternidade no Colégio Franciscano Cristo Rei, pelos necessitados, pelos familiares, pela igreja, pelo mundo e por todos os que me pedem orações. Com alegria, agradeço os meus 101 anos, que nunca esperei. Agradeço a Deus pela minha vida, pela convivência com as Irmãs, por tudo o que recebi da Congregação, dos amigos e familiares. Deus seja louvado e sua vontade feita, até o dia em que Ele me chamar para o abraço eterno”. Irmã Lucila Bebber também cumpriu 83 anos de vida religiosa missionária. E mostra que sempre é tempo de praticar a caridade. Diariamente, faz seu tricô e produz sapatinhos de lã, que são doados aos hospitais, para os bebês mais carentes. Nós, suas Irmãs de Congregação, agradecemos a Deus a grande bênção que é a Irmã Lucila. Ainda dá pra tomar chimarrão. “Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes, talvez, cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos”. (Salmo 89) SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 13

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NOVICIADO JARDIM DE DEUS No dia 30 de janeiro de 2015, as províncias brasileiras (Santa Clara e Imaculada Conceição) da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, receberam quatro jovens para o noviciado interprovincial. As jovens concluíram a etapa do postulantado e continuam na formação para a vida religiosa consagrada. São elas: Cristiane Maria Götzs (Tapera/RS), Ellen Mayra Silva Mendes (Santo Antônio do Descoberto/Goiás), Norma Eugênia Thae Miro (São José de Covendo/Bolívia) e Évelin Barbieri Carneiro (Paraná). As noviças residem na Fraternidade Lar de Nazaré, Marau, e são acompanhadas pela mestra, Ir. Míria Bordin. Constituem uma fraternidade marcada pela diversidade, fator formativo importante para a vida missionária. O noviciado é um período da formação à vida religiosa consagrada onde as formandas passam a acompanhar o ritmo da comunidade religiosa e integram-se completamente ao seu cotidiano. Como se trata de uma etapa básica no processo formativo, esse período se destaca pela dedicação à oração e ao estudo específico para a vida religiosa consagrada. O noviciado precede a profissão religiosa temporária e está composto por dois momentos: 1º) Noviciado Canônico, estabelecido pela Igreja como período para vivência intensa da oração e a espiritualidade. Dura um ano. 2º) Noviciado Apostólico, no qual as noviças são integradas numa fraternidade durante um tempo pertinente e partilham concretamente da missão com as irmãs. CONTINUA >>> SEMPRE VIVA • Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora • 15

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