A Minha Arquitectura

 

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o Meu plano de urbanização para o País

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A Minha Arquitectura O Meu Plano de Urbanização para o País José Pulido Valente

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A Minha Arquitectura O Meu Plano de Urbanização para o País José Pulido Valente

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Ficha técnica Título A Minha Arquitectura - O Meu Plano de Urbanização para o País Autor José Pulido Valente desenho da capa e composição gráfica Paula Morais Editora Edição de autor. Edição 1.ª, Maio 2015 Tiragem 1000 exemplares Depósito Legal Impressão e Acabamento (Tipografia do Carmo) Dagoberto Luís de Abreu, Lda. Praça Parada Leitão, 33-35, 4050-456 Porto, Portugal (PT) www.tipografiadocarmos.com | geral@tipografiadocarmo.com CDU 00+72

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Dedicatória À Paula Morais, excelente amiga e colaboradora que muito tem ajudado nesta caminhada.

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Apresentação Este livro, como os anteriores, é um libelo contra o imobilismo, a idiotia, a incultura, a iliteracia… enfim contra tudo o que tem paralisado o país desde 74 e tem feito dele a imundice em que estamos. A saúde está pelas horas da morte; o ensino nem português sabe para poder ensinar; a cultura é uma feira de vaidades (música, teatro, dança excluídas - que saiba -). Do resto não vale a pena falar pois toda a gente sabe a desgraça em que estamos. Dada a idade, não é a mim que compete lutar por um futuro mais saudável e feliz. No entanto tenho que continuar na luta para não me sentir, e ser acusado, cúmplice. Os poucos a quem ele pode interessar que desculpem qualquer coisinha dado que pus aqui o melhor que sei.

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Sumário I - O meu plano de urbanização para o país..............13 II - As razões para o mau comportamento generalizado dos cidadãos; propostas de solução................................................................................ 19 III - A cultura depois do modernismo.......................24 IV - O Ensino......................................................................... 33 V - O desporto.................................................................... 44 VI - À maneira de prólogo fora do sítio................. 46 VII - A minha arquitectura........................................... 52 VIII - A classe......................................................................93 IX - As câmaras municipais / os políticos / os técnicos........................................................................ 104 X - Os clientes................................................................... 113 XI - A Ordem......................................................................... 118 XII - As leis / os tribunais / os advogados.............. 121 XIII - A minha oficina...................................................... 144 XIV - A cooperativa de actividades artísticas árvore e as cooperativas de ensino....................... 149 XV - Final.............................................................................158

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A Minha Arquitectura - O meu plano de urbanização para o país I O meu plano de urbanização para o país Compreendo como foi possível que o prémio Camões não me tenha sido proposto depois do artigo que publiquei em 30 de Março de 2004 no Primeiro de Janeiro sobre Belgais, publicado também no meu segundo livro1. Nessa crónica pretendi homenagear a Maria João Pires mostrando o valor do seu trabalho e dedicação ao país, ilustrando essa intenção com um esquisso de plano de urbanização que dará ao país a maioridade intelectual, cultural e, espero, económica de que necessitamos. Parte esse plano do reconhecimento e inventário daquilo que temos de bom e que pode servir para resolver as finanças públicas. Ao mesmo tempo acaba-se com a exploração dos recursos naturais promovendo-os a bem público nacional. Assim dá-se aos cidadãos meios de subsistência decentes permitindo trocas de produtos e de serviços ou apoios. Feito o inventário ficamos a saber que temos os seguintes bens próprios que podem servir para dar o necessário fundo de maneio ao governo do país: floresta, cortiça, azeite, vinho, queijo, bolota, doces, fumeiro, fruta, legumes, sol, praias, mar, as ilhas, uma costa bem grande, algum solo fértil, pesca, artesanato, folclore, monumentos e museus, paisagem, aqui e ali alguma qualidade humana, apreciável fronteira com 1 «A remar contra a maré», pág. 271 11

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José Pulido Valente Espanha, boa qualidade de vida para dar ao turista, e uma indústria cultural que pode vir a ser importante se bem gerida. Não é pouco; é muito. Guardadas as devidas proporções, temos mais do que muitos países europeus. Por isso é que, para conseguir dinheiro vindo de fora para nos safar da crise, o que temos de fazer é explorar o que temos e os outros não têm, vendendo o que é nosso a quem gostar. Como não temos aço, deixemos a siderurgia e anexos. Como temos uma cultura própria que sobreviveu aos crimes a que tem sido submetida, façamos as devidas e necessárias exportações e o seu simétrico: desenvolvamos o turismo, para que as divisas entrem. Não é preciso fazer barcos para salvar a economia. Não digo que se deixem de fazer, mas não é nisso que devemos assentar o financiamento da nossa economia. Devemos apoiar as iniciativas locais de modo a contrariar a desertificação do interior onde há talentos na música, na gastronomia, no artesanato, no folclore, enfim, em todas as expressões próprias da nossa cultura que tão maltratadas têm sido. Com o chamariz do clima, das paisagens, da gastronomia e das manifestações culturais das regiões, ou das que delas decorram pela necessidade de progresso, criamos condições para a fixação das populações e para o retorno ao campo e ao mar que vão equilibrar as finanças, diminuir o número de pessoas sem trabalho e melhorar as contas da demografia. Vai demorar? Pois vai. 12

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A Minha Arquitectura - O meu plano de urbanização para o país Só que o que levou trinta ou quarenta anos a destruir não pode ser recuperado em pouco tempo. Tivéssemos tido a coragem de impedir os roubos e outras maldades e não estaríamos a chorar desesperados. A culpa é nossa. Se for necessário para receber mais turistas, façamse aeroportos, desenvolva-se a indústria hoteleira na vertente alojamento local, tipo bed and breakfast, disseminados por todo o país de modo a que o turista tenha mais escolhas baratas para próximas visitas. Não se façam hotéis e semelhantes investimentos de vulto. Façamos as coisas à nossa escala. Facilite-se a vida de quem sabe e quer produzir bens de qualidade dando apoio à constituição de empresas, grupos em autogestão e de cooperativas que sejam mesmo cooperativas, isto é, que tenham um voto por cada sócio, em que todos os sócios são responsáveis pela gestão. Gestão feita através de reuniões regulares e tão frequentes quanto a especificidade do objecto social exija. Destrua-se a burocracia vigente de modo a que os cidadãos possam organizar-se e ter apoios em tempo útil que não dificultem ou impeçam a laboração e a angariação de clientes que recebam a nossa produção ou que venham usufruir da qualidade de vida que podemos oferecer. Assim se conseguirão as entradas de divisas necessárias e se restaurará o país que passará a funcionar como um todo com a consciência individual a reconhecer o papel que cabe a cada um na grande organização que será Portugal. 13

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José Pulido Valente O trabalho organizar-se-á horizontalmente por afinidades e regiões; os produtores de bens terão os seus representantes no governo, condicionando-o para que responda rápida e eficientemente às necessidades comuns, sejam elas de que espécie forem. O governo terá que ser reformulado para responder às necessidades desta nova organização social e assumir que é um mero gestor das relações produtivas que integram a estrutura nacional. Os partidos deixam de ser necessários porque a organização social, sendo nivelada, é democrática, representa-se a si própria através dos delegados escolhidos entre pessoas que se conhecem e trabalham para o mesmo fim e dos grupos ou organizações que se apoiam uns nos outros na necessária e conveniente entreajuda. As leis passarão a ser provocadas pelas necessidades daqueles que precisam delas e que proporão o modo de as fazer, de condicionar a produção e os negócios, resolver conflitos de interesses, interligar actividades, escolher pessoas e renovar mandatos de representantes. As condições e os limites de acção destes, as margens de lucro e suas percentagens a reinvestir na actividade, nos apoios e subvenções a dar a outras organizações ou a indivíduos deles necessitados. Afirmando a solidariedade social que está na base do nivelamento, fazendo tudo o que acabe com a hierarquização de funções no que respeita a remuneração e estatuto social. Responsabilizando cada um pela gestão do seu trabalho e permitindo-lhe ter consciência da importância daquilo que produz para que possa ter orgulho e gosto no seu trabalho. 14

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A Minha Arquitectura - O meu plano de urbanização para o país A competição de preços será impedida. Os preços na produção serão fixados pelos representantes dos produtores; os intermediários serão pagos de acordo com tabelas estabelecidas com a participação de representantes dos consumidores. A qualidade será exigida e será impedido que os equipamentos e produtos sejam degradados para obter mais vantagens económicas repetindo as vendas em curto ou médio prazo. A organização social feita por esta via tem de ter como objectivo o reforço da consciência nacional e a necessidade de que cada um assuma o seu papel na máquina produtiva e reconheça a sua importância de modo a ter gosto e ser feliz com o trabalho que faz. Os serviços do Estado e anexos devem ter as condições necessárias à consciência de que o que cada um faz é importante, permitindo que o funcionário saiba para que serve o seu trabalho e a utilidade que o seu papel tem no desenvolvimento do país e no enriquecimento colectivo. Os tribunais terão menos trabalho, e este será facilitado pela participação das organizações representativas, que são conhecedoras dos assuntos em causa nos pleitos. Retira-se aos juízes, advogados e até peritos, o desconhecimento das especificidades dos processos. O cidadão, uma vez consciente da importância do seu papel na sociedade, terá grande dificuldade em faltar aos seus deveres cívicos tanto mais que o nivelamento do trabalho exige o bom relacionamento entre os trabalhadores que reconhecem as falhas uns dos outros e impedem que o seu trabalho seja prejudicado por outrem. Os trabalhadores conscientes da ajuda 15

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