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A CARTA DO EDITOR vários credos religiosos em grande parte dos países que têm o portugues como língua oficial. Uma matéria oportuna, sobretudo para o caso de Angola, onde algum relaxamento das autoridades governamentais consentiu a proliferação de algumas seitas religiosas que, com práticas que atentavam contra os habitos culturais do Povo, permitiu a emergência de actos violentos que obrigaram agora a outra postura para o registo de igrejas reconhecidas e por isso mesmo autorizadas ao exercício livre do culto em Angola. No desporto, mais propriamente na modalidade rainha, o futebol, o assunto em cima da mesa é a Corrupção que se entranhou no seio do organismo reitor internacional, a FIFA, e se ramificou nas diferentes federações espalhadas pelo mundo, salpicando logicamente para os campeonatos internos dos país, arbitragens, clubes e jornalistas. Na FIFA, o cerco apertou-se e muitos dirigentes do organismo que esbanjavam poder na organização de várias provas de caris internacional foram detidos, o até então eterno Presidente da FIFA, Joseph Blatter foi "obrigado" a pedir demissão; no Brasil o cerco aperta-se contra clubes, dirigentes e jogadores que se suspeita estarem metidos no jogo sujo da corrupção e, para não variar, em Angola também estalou o verniz com um dirigente de clube, Horácio Mosquito, do Recreativo da Caála, equipa que milita no campeonato nacional, vulgo Girabola, a não ter meias medidas e colocar o dedo na ferida. Com o problema da corrupção na ordem do Dia, este é assunto que vai ocupar muitas páginas na imprensa nos próximos tempos porque o "arrumar da casa" só agora começou. Boa Leitura partir de Junho as antigas colonias portuguesas (Moçambique, S.Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Angola) começarão a assinalar os 40 anos como países independentes. A Guiné-Bissau "arrancou" a sua independência de Portugal muito mais cedo, em Setembro de 1974, fruto do recrudescimento da sua luta contra o colonialismo português naquele país. Nesta edição fazemos uma resenha historica do processo que se desenrolou desde o fim do colonialismo, a constituição dos novos estados independentes e as relações que cada um deles estabeleceu com a antiga potência colonizadora. É matéria de destaque de uma edição onde fazemos também uma incursão sobre o fenómeno religioso que se diversifica, com a criação de 4 Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015

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7. EDITORIAL SOLIDARIEDADE AFRICANA 16. LEITORES TANTO LIXO PARA POUCA GESTÃO SÉRIA 19. PONTO DE ORDEM SOBRANCERIA CHINESA 20. POLÍTICA CIMEIRA SOBRE INOVAÇÃO SEM DATA MARCADA 24. FIGURAS DE CÁ 29. MUNDO REAL CORRUPÇÃO CORROE O FUTEBOL 32. CULTURA BUSTO EM HOMENAGEM A AGOSTINHO NETO 35. NA ESPUMA DOS DIAS ESTAMOS A COMPRAR ANGOLA A PREÇO DE SALDO 36. DESTAQUE RELIGIÃO COMO FORTE (DES)ESTABILIZADOR SOCIAL 52. ECONOMIA & NEGÓCIOS BANCOS DE ANGOLA FORA DO PODIUM 82. MUNDO CASO LAVA JACTO - BRASIL NA CADEIA LÍDERES DA ODEBRECHT E ANDRADE GUTIERREZ 91. FIGURAS DE JOGO A CORAGEM DE MOSQUITO 98. VIDA SOCIAL LEILA LOPES E OSI UMENYIORA CASARAM-SE EM LUANDA CAPA: BRUNO SENNA 10. MIGUEL TROVOADA, FALA DA NOVA GUINÉ-BISSAU PÁGINA ABERTA 30. 62. SAÚDE CONJUNTURA QUARENTA ANOS DE PALOPS 96. MODA & BELEZA BARBA, PIERCINGS & TATUAGENS 6 Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015

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BURUNDI CAÇA ÀS BRUXAS E MASSACRES EM VISTA ÁFRICA 78. DESPORTO 88. 100. CORRUPÇÃO NO MUNDO DO FUTEBOL 104. RECADO SOCIAL Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015 FIGURAS DE LÁ Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 162, Junho – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Londres: Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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SOLIDARIEDADE AFRICANA s presidentes africanos reuniram-se em meados de Junho, na 25º cimeira da organização continental, UA, em Joanesburgo e decidiram centrar as atenções no combate ao terrotismo que ganha espaço em alguns países do continente e trabalhar eficazmente pelo fortalecimento económico, sustentabilidade e crescimento do comércio intra-africano, a qualificação de quadros, inovação tecnológica e a busca de uma verdadeira emancipação da mulher africana. Todos esses aspectos devem estar alinhados com a Agenda 2063, considerada por Dlamini Zuma, Presidente da Comissão da União Africana, o "roteiro e farol de África", tendo ela prometido apresentar, no próximo ano, a estratégia global para desenvolver a capacidade e habilidades africanas em direcção à Agenda 2063, que priorizará fundamentalmente os jovens de África para que eles se tornem o condutor da transformação e desenvolvimento. Este é o assunto de destaque no mês de Junho de um continente rico em recursos mas que está, como reconheceu Dlamini Zuma, um século atrasado muito por causa das potências ocidentais continuarem a pensar que ele continua a ser o local onde "cada abutre pode debicar o seu pedaço". Falou por isso mais alto a solidariedade africana, representada pelo país anfitrião, a África do Sul, que não permitiu a manobra de diversão que consistia na prisão, em Joanesburgo, do Presidente do Sudão, Omar El Bashir, que tem um mandato de captura do Tribunal Penal Internacional, acusado de vários crimes contra a humanidade. A União Africana já tomou a sua posição em relação ao TPI, considerando-o como muito parcial, sobretudo na perseguição de personalidades políticas africanas, deixando em liberdade pessoas de outras regiões acusadas de graves violações dos direitos humanos. Não se trata de "apadrinhar" crimes mas de situar a abrangência de algumas decisões que se tomam, na esteira de não abrir feridas graves no Continente que podem perigar a paz e tranquilidade que se precisa para se combater com energia os males que enferma, desde a pobreza à corrupção. Omar El Bashir é Presidente de um País EDITORIAL O membro da União Africana e da Comunidade das Nações, a ONU, o Sudão, que muito recentemente realizou eleições presidenciais consideradas como livres e democráticas e que respaldaram a sua vitória. É um País grande em dimensão geográfica e em recursos naturais que continua a viver uma guerra fratricida e que tem estado na mira dos "abutres" ocidentais que procuram espaço para debicarem o seu pedaço e, nessa direcção, já proporcionaram a divisão do País em dois, Sudão e Sudão do Sul, um erro que a história, um dia, encarregar-se-á de corrigir. Os exemplos de guerra fratricida que o continente conheceu recentemente, desde a primavera árabe, a destruição do Iraque e da Líbia, o terrorismo que ganha espaço, não são práticas alimentadas por vontades internas africanas mas sim fomentadas em praças do Ocidente e dos EUA com o argumento de ser importante para se "implantar a democracia que eles cultivam". O racismo e mesquinhez na ingerência da dupla Ocidente/EUA em África tem de encontrar barreiras fortes para que não se continue a penetrar nos nossos países e espalhar a guerra e o terror. Isto mesmo foi o que se evitou, com o governo sul-africano a não permitir acatar a prisão, em Joanesburgo, do Presidente do Sudão, Omar El Bashir. Agindo ao contrário, sem sentido estratégico de Estado, a África do Sul abriria um precedente gravíssimo nas suas relações com outros países africanos, instalava-se a crise no continente com reflexos evidentes no seio da UA e comprometia-se a vontade do renascimento de África, que deve ser, sim, a grande prioridade dos africanos. Caberá agora aos líderes africanos encontrarem em conjunto, imediatamente, a melhor solução para que a decisão do TPI contra Omar El Bashir não se eternize de forma que o Sudão e os seus dirigentes possam contribuir sem qualquer condicionalismo para o desenvolvimento do Continente e os problemas que o País vive encontrem a melhor solução interna. Ingerências envenenadas, os africanos, de forma geral, não podem aceitar nem aplaudir presentes minados em troca de pseudos democracias importadas de outras latitudes. Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015 9

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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES REPÚBLICA DE ANGOLA LISTA DE AGENTES DO CNC Contact: Mrs. Ilse Fliege Martinistrasse.29 D-28195 Bremen Telf: (49) 421 339 365 Fax: (494) 213 393 699 Email: management@asa-services.net/ bremen@asa-services.net Germany, Poland, Lithuania, Latvia, estonia, Russia, Ukraine, England, Ireland and Scotland ASA GMBH HEISEI SHIPPING AGENCY Contact: Mr. Sawamoto Shiba Nishi Bldg, 6F 9-1 Shiba 4-Chome, Minato KU Tokyo Telf: (81)354765771/(81)354765710 Fax: (81) 354 765 711 Email: ops@hship.co.jp Japan FRABEMAR BEACON & SOUTH ATLANTIC AGENCIAMENTOS LTDA Contact: Mr. Franco Bernardini Ms Sara Pizzo Viale Brigate Partigiane 16/2 16129 Genoa Italy Telf: (390) 105 533 011 Fax: (39) 010 541 458 Email: dbernardini@frabemar.it/mbernardini@frabemar.it Italy and spain Contact: Sr. Thiago Lima, Srª Ana Quast, Sr.José Vela D. Silva Rua do Comércio 55 - SI. 61/63 / CEP: 11010-141 - Santos - SP / Brasil Telf: (55) 13 30234255 Fax: (55) 13 30234270 Email: thiago@beaconsouth.com.br/ana@beaconsouth.com.br/ marilinda@beaconsouth.com Brazil SCC Contact: Mr. Duarte Miranda Mr Miguel Camelier Silva R. de Moscavide, Lt 4.28.02, Loja A - Parque das Nações - 1990-198 Lisboa Telf: (351) 218 947 140 Fax: (351) 218 945 145 Email: lisboa@scc.com.pt/m.camelier@scc.com.pt Portugal MITCHELL COTTS Contact: Ms.Marisa Sidorak Calle Lima 29, Piso 3, Oficina I. Buenos Aires Argentina Telf: (54) 11 48780668 / (54) 11 48780669 Fax: (541) 143 811 713 Email: marisa@angomar.com.ar/luis@angomar.com.ar Argentina, Bolivia, Colombia, Ecuador, Peru, Ungria Paraguay and Venezuela ANGOMAR AGENCIA MARÍTIMA SRL Contact: Ms.Nadia Titton 11th Floor, Grindrod House 108 Victoria Embankment Durban P.OBOX 1021 Durban 4000, South Africa Telf: (27) 313 027 189 Fax: (27) 313041752 Email: nadia@mitchellcotts.co.za;/nigels@mitchellcotts.co.za Republic of South Africa, Namibia, Swaziland, Zimbabwe, Mozambique, ilhas Mauricias, Tanzania and Kenya SEAWAY EXPRESS CO, LTD OIC SERVICES INC. Contact: Ms.Phornsri Simavanichkul 718/6 Soi Suanplu, South Sathorn Road, Sathorn, Bangkok 10120 Telf: (66)267933456 (66) 67947979 (66) 26794019 Fax: (66)26794018/ (66)22131125 Email:phornsri@ksc.th.com Thailand, Myanmar and Laos Contact: Mrs. Veronique Durnerin B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (18) 329 126 820 Fax: (18) 329 126 864 Email: vdurnerin@oicservices.com/info@oicservices.com USA and Mexico TECHNIMAR Contact: Mr.Sylvain Lepage Mr. Hugo Bourassa 1695 Boul. Laval, Suite 330 - Laval, QC - H7S 2M2 Telf: 1 (450) 975 2058 Fax: (14) 509 752 125 Email: s.lepage@transgloballogistics.ca/h.bourassa@transgloballogistics.ca Canada TRANSGLOBAL Contact: Mr. Schreurs Philippe Square de Meeus 38/40 - 1000 Bruxelles, Belgique Telf: (32)24016139 Fax: (3) 224 016 140 Email: office@technimar.net Belgium, Netherlands and Luxemburg 10 Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015

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Contact: Mr. Willy Deku P.O. BOX CT 2878 CANTONMENTS ACCRA Fax: Telf: (23)322210509 (23)3243715976 (23)3208116762 Fax: (23) 322 210 509 Email: wilmardel@ighmail.com/ wildeku@yahoo.com Benim, cameron, Ivory Coast, Gabo, Ghana, Equatorial, Equatorial, Guinea, Nigeria, Senegal and Togo WILMARDEL LTD TIME OCEAN SHIPPING LIMITED Contact: Ms.Wang Yue I 19/F, International Ocean Shipping & Finance Center, No. 720 Pudong Avenue, Pudong New District, Shanghai - China Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China WILHELMSEN HYPWOON SHIPS SERVICE LTD Contact: Mr.K.S. Lee 12th floor, Doryeom Bldg., 60 Doryeom-Dong, Jongno-Gu, Seoul Korea Telf: (82)237030801 Fax: (8) 227 388 130 Email: k-s.lee@wilhelmsen.com South Korea ALADIN SERVICES CONGO Contact: Mrs.Diane Carole Makiza B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (2) 426 481 016 Email: aladin.services.congo@yattoo.com Congo SAGA SHIPPING Contact: Mr.Leo Mikkelsen Auktionsvej 10 9990 Skage Dinamarca Telf: (4) 598 443 311 Fax: (4) 598 450 029 Email: saga@saga-shipping.dk/ Denmark, Finland, Norway and Sweden Contact: Mrs.Yasemin Uyar ISTOC 18 ADA NO:120 BAGCILAR ISTANBUL-TURKEY Telf: (902) 124 823 743 Fax: (902) 124 827 757 Email: info@dsf-cnca.com/ yasemin.uyar@dsf-cnca.com Turkey DSF DOLPHIN CHARTERING SERVICES PVT. LTD Contact: Mr.Subodh Joglekar 405, Gokul Arcade. A-Wing. Vile Parle (East). Mumbai 400 057, INDIA Telf: (91)2228368825/ (91)2228368827 Fax: (912) 228 361 849 Email: dolphin@dolphinchart.com India WAB CORP MARINE TRANSPORT SERVICES (L.L.C.) Contact: Ms. Vivian Fernandez Mr. Hussein El Zein Platinum Business Center Offices No 606/607, 6th Flr. Bagdad Road, Al Nahda 2nd P.O Box 172203 DUBAI - United Arab Emirates Telf: (97) 142 583 529 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria FOREMOST LINE LIMITED Contact: Mr. ST Chen Chuang Thio Beijing Office 2708-07, Tower C, Office Park 5, Jianghai South Street, Chaoyang District, Beijing China 100020 Tel: (85) 225 418 671 Email: foremosthk@foremostline.com China WAB CORPORATION Contact: Mr. Hassan Yahfoufi, Ms. Abeer Ashour 2931, Airport Business Center, 4th Floor #402 Beirut, 2814-4105 Lebanon Telf: (9) 611 458 825 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria SIN CHIAO SHIPPING AGENCY PTE LTD MARITRADE SHIPPING CONSULTANT SAS Contact: Ms.Nadia Berkane 10,Rue du Colisée, 75008 Paris Telf: (330) 156 591 640 Fax: (330) 156 591 642 Email: maritradesas@yahoo.fr France Contact: Mr.Thio.S.T 12 Prince Edward Road #03-13 Podium B Bestway Building Singapore 079212 Telf: (6) 562 241 011 Fax: (6) 562 242 775 Email: sinchiao@pacific.net.sg;/sthio@pacific.net.sg Australia, Indonesia, Malaysia, New Zealand, Philippines, Singapore, Bangladesh, Pakistan and Srilanka HT TRADE-COOPERATION AND TRANSPORT JOINT STOCK COMPANY Contact: Mr.Le Thiet Thao 31ª, Rua Nguyen Khuyen, Destrito Dong Da, Hanói, Vietnam Telf: (04) 374 783 47 Fax: (04) 374 716 42 Email: sociedade_ht@cnca.vn Vietnam and Cambodja SAN LIAN SHIPPING Contact: Mr.Lu Suen Yu 11/F, Ngan House, - 206/210 Des Voeux Road Central - HONG KONG Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015 11

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE M iguel Trovoada, representante do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, diz que o país está calmo e “há sinais de que as coisas começam a funcionar”. A Guiné-Bissau está a dar passos importantes para deixar para trás anos de golpes de Estado e violência política. Mas sem meios o Governo “não poderá ir muito longe”. É o que pensa Miguel Trovoada, que sucedeu a Ramos-Horta como representante do Secretário-Geral das Nações Unidas. Antigo primeiro-ministro e Presidente de São Tomé e Príncipe, Trovoada, 78 anos, considera positivos os resultados da mesa-redonda com os doadores em que, em Março, em Bruxelas, onde foram prometidos mil milhões de Euros a um país que no último ano retomou o caminho da democracia. Entende que “não há qualquer ameaça iminente de golpe de Estado”, mas alerta que “se não houver desenvolvimento a instabilidade volta a instalar-se”. Pelo interesse e oportunidade retonamos na íntegra a entrevista concedida pelo Presidente diplomata a um órgão de comunicação de Portugal, o Jornal Público. P - Quando foi nomeado, disse que a sua principal tarefa seria contribuir para a “consolidação das instituições democráticas” da Guiné-Bissau. Essa consolidação está a ser feita? Miguel Trovoada (M.T.) - Acho que sim. As actuais instituições foram constituídas com base nas eleições de há um ano. Funcionam regularmente. O 12 Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015

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PÁGINA DESTAQUE ABERTA Governo dispõe da legitimidade mais ampla possível na medida em que tem a participação de todos os partidos parlamentares, não tem havido perturbações. P - A Guiné-Bissau de hoje funciona melhor do que aquela que encontrou há nove meses? M.T. - A nível institucional funciona, as reformas estão em curso, o país está calmo. Em termos de funcionamento de serviços, há uma melhoria no fornecimento de água, de energia, vejo que as ruas da capital estão a ser reparadas..., São sinais de que as coisas começam a funcionar. A Guiné dá a sensação de ter entrado num processo dinâmico. A realização da mesa-redonda em Bruxelas, a 25 de Março, veio trazer um novo impulso. As pessoas pensam que agora há instrumentos para fazer avançar o processo de estabilização, de normalização da vida política e económica. P - O que é necessário para que não haja um retrocesso? M.T. - O fundamental é que o Governo funcione. Quando falo de Governo refiro-me ao conjunto de instituições de governação, Assembleia, executivo, Presidente, tribunais. Durante muitos anos de conturbações houve uma estagnação e em alguns casos retrocesso. O Governo tem uma ampla legitimidade mas não dispõe de meios. A mesa-redonda foi um sucesso, houve grande mobilização interna, todas as forças vivas da nação participaram; a comunidade internacional respondeu de forma maciça, participaram 70 países, instituições; e o sector privado também esteve representado. Há confiança neste Governo, nestas instituições. Agora o que é preciso é o Governo gerir as expectativas e os parceiros concretizarem as promessas. P - A fase de golpes e assassinatos políticos está definitivamente ultrapassada? M.T. - É sempre difícil dizer que está definitivamente ultrapassada porque algumas dinâmicas político-militares continuam. O que posso dizer é que não há aquela ameaça iminente de uma perturbação do tipo golpe de Estado. As reformas começaram. Há várias questões que se prendem com o processo de reformas: fundo de pensões, reconversão dos militares, redimensionamento de efectivos. Tudo isso exige meios. Se o Governo não dispuser de meios não poderá ir muito longe. Há vontade de fazer, há passos importantes que começaram a ser dados, agora é necessário que o Governo tenha meios para prosseguir. A estabilidade é fundamental para o desenvolvimento mas se não houver desenvolvimento a instabilidade volta a instalar-se. cional. Fomos solicitados e manifestámos disponibilidade das Nações Unidas para apoiar esse processo. A comissão de diálogo nacional foi criada. Vamos apoiar e esperamos que daí resulte uma melhoria do relacionamento institucional e do clima social. P - Não há o risco de se reavivarem feridas que ainda não sararam? Não houve julgamentos. M.T. - O diálogo poderá contribuir para uma resposta a essa questão. Está-se a referir à impunidade. Está-se a referir a uma eventual amnistia. São temas que estão no ar. Eu creio que ninguém é apologista da impunidade. Porque é o maior dos estímulos à criminalidade. Hoje, no estádio actual da Guiné-Bissau, estou convencido que as condições não estão ainda reunidas para que se possa avançar com margem de sucesso no apuramento das responsabilidades e na punição de culpados. P - Os eventuais arguidos têm ainda força para impedir julgamentos? M.T. - Enquanto o sistema judicial não estiver suficientemente reforçado é muito difícil obter resultados em termos de Justiça. Isto em qualquer lugar. E a Guiné-Bissau conhece ainda alguma fragilidade nesse aspecto. Tenho perguntado aos parceiros bilaterais: O que é que pretendemos, afinal? Se pusermos muita pressão sobre as entidades, que têm mil e uma preocupações, para que julguem e prendam, isso será em benefício de quem? É preciso não confundir velocidade com precipitação. Temos de entender a situação de determinados países. Não se faz tudo de uma forma mecânica ou uniforme. Há situações concretas e é preciso entender isso. Aqueles que exercem pressões muitas vezes exercem-nas segundo A Guiné dá a sensação de ter entrado num processo dinâmico. A realização da mesa-redonda em Bruxelas, a 25 de Março, veio trazer um novo impulso. As pessoas pensam que agora há instrumentos para fazer avançar o processo de estabilização, de normalização da vida política e económica.” P - Falou do clima de estabilidade e da composição alargada do Governo, que são aspectos importantes. Do seu ponto de vista, o diálogo e a reconciliação estão a ser feitos? M.T. - Sim. Vai haver uma cerimónia de lançamento do diálogo na- “ MIGUEL TROVOADA, REPRESENTANTE DA ONU NA GUINÉ-BISSAU “ESTÁ ULTRAPASSADA A FASE DE GOLPES DE ESTADO” Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015 13

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE um critério de geometria variável. Há violações em determinados países de que fingem não saber quando estão em causas os seus próprios interesses. Mas para outros casos há rigor. O problema para mim é saber se há vontade política das actuais autoridades. P - E há? M.T. - Na minha perspectiva há. Querem resolver os problemas. Mas é preciso dar-lhes tempo, é preciso dar-lhes meios. Vamos apoiá-las. Falava-se muito do general [António] Indjai [chefe do Estado Maior e líder do golpe de 2012], [que] era o papão. Foi removido e está tranquilo! Não temos indicações de que haja efervescência por causa disso. Outras altas patentes estão a ser mudadas. Há uma dinâmica que se está a instalar, que devemos apoiar, em vez de estarmos sempre de pé atrás. Se tivermos essa posição não se fará nada. E é muito mais oneroso o custo da instabilidade do que os sacrifícios para manter a estabilidade. P - Falou dos militares. A reforma do sector de defesa é sempre referida como a chave para a estabilização, o que exige meios. Parte dos meios garantidos na conferência de doadores de Bruxelas são para isso. O que está a ser feito? M.T. - Quando falo da reforma do sector da defesa e da segurança acrescento imediatamente a Justiça. Acho que as duas estão ligadas. Houve mudança das chefias. O chefe do Estado Maior foi removido. Há um Hoje, no estádio actual da Guiné-Bissau, estou convencido que as condições não estão ainda reunidas para que se possa avançar com margem de sucesso no apuramento das responsabilidades e na punição de culpados.” pacote de sanções no plano internacional contra determinadas entidades e o Governo, de uma forma muito prudente, adoptou na substituição de altas patentes um critério de base – quem está sob sanção não é passível de promoção ou mesmo manutenção em certos casos. Houve um decreto já promulgado que contempla a criação de um fundo de pensões. É preciso atender às pessoas que saem, o que vão fazer. Há uma lista, fala-se em cerca de 500 nomes, os primeiros “ que irão para a reforma. Há passos que estão a ser dados. Em Bruxelas houve promessas de apoio para o fundo de pensões, sem o qual não se pode começar a fazer reforma. Há parceiros que têm estado a intervir na área da defesa e segurança. Há a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] que tem uma força na Guiné, que participa activamente na reforma do sector. Tudo isso está em marcha. Por isso é necessário que haja meios para suportar a reforma. P - Desta vez a reforma está em marcha? Digo desta vez porque foi sendo anunciada ao longo dos anos. M.T. - O mote fundamental da mesa-redonda de Bruxelas era Terra Ranca, quer dizer que o país está a arrancar. Há esse sentimento. Se não houver fenómenos que perturbem a serenidade que se vive hoje, estou convencido de que estamos no bom caminho. P - Há a imagem de marca negativa do narcotráfico que se colou à Guiné. Como está a ser encarado o problema? M.T. - Uma das narrativas ligadas à Guiné-Bissau é o narcotráfico. A Guiné nunca foi um narcoestado. 14 Figuras&Negócios - Nº 162 - JUNHO 2015

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