Magazine CENES #02

 

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Magazine CENES #02

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Magazine Edição n.º 2 | Maio 2015 ENTREVISTA Faustino Ferreira Diretor Clínico e Vogal da Comissão Executiva dos SAMS REPORTAGEM ISO 13485 Qualidade Certificada no CENES RESPONSABILIDADE SOCIAL O CENES apoia a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama COMPETÊNCIA, RIGOR E INOVAÇÃO “A qualidade e a segurança dos cuidados de saúde não tem preço.” Dulce Dias, Enfermeira Coordenadora da UCS TAP

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Inscrições Abertas! 3º Curso de Reprocessamento de Dispositivos Médicos DATA: Setembro 2015 DURAÇÃO: 40 horas HORÁRIO: 9h00m-13h00m | 14h00m-18h00m LOCAL: CENES - Azinhaga dos Barros, nº8 B, 1600-016 Lisboa DESTINATÁRIOS Esta ação de formação é dirigida a todos os profissionais de saúde que, direta ou indiretamente, se encontrem envolvidos na preparação e manuseamento de dispositivos médicos em blocos operatórios, clinicas e/ ou laboratórios, nomeadamente: Enfermeiros, Assistentes Operacionais, Técnicos e Assistentes de Medicina Dentária, Auxiliares de Ação Médica, Técnicos de Laboratório, entre outros. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ™ HZch^W^a^oVgdheVgi^X^eVciZheVgVVeg{i^XVYZjbVXdggZiVeda†i^XVYZHZ\jgVcV!=^\^ZcZZEgZkZc dYdhg^hXdhYZ^c[Zd ]dhe^iVaVgZcZXZhh^YVYZYZji^a^oVdYZbViZg^VaZhiZg^a^oVYdZbVb W^ZciZ]dhe^iVaVg# ™ >YZci^ÒXVg[VidgZhfjZXdcig^WjVbeVgVdXdcigd adYV^c[Zd]dhe^iVaVg!gZ\gVhZegdXZY^bZcidhYZhZ\jgVcVZZÒX^„cX^VcV XdcYjdZbVcjiZcdYdhZfj^eVbZcidhYZZhiZg^a^oVd# ™ cheZdZ:bWVaV\Zb/gZfj^h^idhYZegZeVgVdZ ZbWVaV\Zch/^cheZd0i‚X c^XVhYZbdciV\Zb0iZhiZhYZ [jcX^dcV a^YVYZYdhbViZg^V^hVgZegdXZhhVg0Xg^i‚ g^dhZ métodos de embalamento 4. :hiZg^a^oVd/b‚idYdhYZZhiZg^a^oVd 5. :meZY^d/8dcigdadYZfjVa^YVYZ0egdXZ Y^bZcidhYZ validação e registo t: 211 324 129 | f: 211 324 194 | e-mail: formacao @ CENES.pt | www.CENES.pt

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Magazine SUMÁRIO | CENES 04 | Destaques FICHA TÉCNICA Magazine CENES A Magazine CENES é um suporte de distribuição gratuita, dirigida a clientes e parceiros. gra Os co conteúdos visam proporcionar ao público-alvo uma l leitura focada nas atividades do CENES e nos valor lores que o norteiam, incluindo também conteúdo editorial nacional e internacional relevante para o setor: entrevistas, reportagens, artigos de opinião, ciência, tecnologia e saúde. Propriedade CENES, Centro de Reprocessamento de Disp Dispositivos Médicos, Lda. Sede Azinhag aga dos Barros, nº8 B, 1600-016 Lisboa Tel. +351 211 324 129 | info@CENES.pt Tel 05 | Editorial 06 | Notícias 08 | Agenda 10 | Grande Entrevista 15 | Responsabilidade Social 18 | Grande Reportagem 22 | Certificação Coordenação e Gestão Integrada de Conteúdos Green Media – Agência de Comunicação R. D. João V, n.º 17, 1º Esq. 1250-089 Lisboa Tel. +351 214 120 0 868 | greenmedia@greenmedia.pt greenm 24 | Entrevista 28 | Opinião Tiragem 6.000 Exem emplares 32 | Como se faz? Depósito Lega al 383627/14 34 | Boas Práticas de Lavagem Isento de reg registo no ICS nos termos do n.º 1, alínea a, do art a artigo 12º do Decreto Regulamentar gulament nº 8/99 de 9 de Junho de 1999 36 | Exigência e Qualidade 3 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 A Magazine CENES es stá disponível online em: www.CENES.pt

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Magazine CENES | DESTAQUES 10 18 15 24 28 36 10 | Grande Entrevista a Faustino Ferreira Nesta edição damos a conhecer a opinião do Dr. Faustino Ferreira, Diretor Clínico e Vogal da Comissão Executiva dos SAMS Prestação Integrada de Cuidados de Saúde, sobre a parceria com o CENES 18 | Qualidade Certificada no CENES O CENES está, desde abril de 2015, certificado pela Norma ISO 13485. Trazemos, a esta edição, a opinião da Responsável Técnica do CENES, Enfermeira Flora Carvalho, que foi também a mentora do processo de Certificação 28 | Artigo de Opinião por Miguel Andrade, Cirurgião Plástico O Diretor Clínico da FACCIA e do CENTRO CLINICO E CIRÚRGICO partilha a sua opinião sobre o reprocessamento de Dispositivos Médicos em Cirurgia Plástica e Estética 4 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 15 | Protocolo com APAMCM O CENES apoia a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. Para melhor conhecermos os contornos desta parceria, entrevistámos a Dra. Mafalda Pinto-Coelho, Presidente da Direção da APAMCM 24 | Entrevista à Presidente da Associação Nacional de Esterilização Para dar a conhecer a missão, a visão e o papel da ANES no setor da saúde em Portugal, conversámos com a Presidente, Dra. Amália Espada 36 | Competência, Rigor e Inovação na UCS TAP Damos a conhecer a opinião da Enfermeira Dulce Dias, Coordenadora na UCS TAP, sobre a parceria criada com o CENES

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Magazine EDITORIAL | CENES “Neste primeiro ano de operação o CENES já reprocessou mais de um milhão de dispositivos médicos e entrámos em 2015 a reprocessar, diariamente, mais de 4.000 dispositivos.” Pedro Rodrigues Diretor Geral do CENES publicação da segunda edição da nossa Magazine coincide com dois importantes momentos de comemoração do CENES: por um lado, a conclusão do processo de Certificação na ISO 13485; por outro lado, a celebração do primeiro ano de atividade, com um balanço francamente positivo, no que respeita ao modelo de negócio absolutamente inovador, que introduzimos, com pioneirismo, na indústria da saúde em Portugal. A Neste primeiro ano de operação, o CENES já reprocessou mais de um milhão de dispositivos médicos e entrámos em 2015 a reprocessar, diariamente, mais de 4.000 dispositivos! A conclusão do processo de Certificação na ISO 13485 comprova a capacidade do nosso Centro Operacional para fornecer Dispositivos Médicos em condições de máxima fiabilidade e segurança. Os serviços que prestamos respondem às necessidades específicas de cada Cliente e aos requisitos regulamentares aplicáveis, dando cumprimento à nossa missão: contribuir para o bem-estar do Doente, pela segurança que proporcionamos, potenciar o desempenho operacional de cada Unidade de Saúde e operar, proativamente na indústria da Saúde, de forma a reduzir a taxa de infeção hospitalar em Portugal. Sob outra perspetiva, temos assistido também, nos últimos meses, a uma conjuntura no setor da saúde, em Portugal, que se alinha, gradualmente, com a missão do CENES. Com a chegada dos dias mais longos e primaveris, chegou também ao nosso país um projeto europeu, para os próximos três anos, abraçado por 12 dos maiores Hospitais Públicos nacionais, que se comprometeram a cumprir o objetivo de reduzir, em 50 por cento, as infeções nosocomiais no nosso país, onde a média tem sido, verdadeiramente, preocupante. A meta é ambiciosa mas acreditamos que, com todas as ferramentas que este projeto engloba em conjunto com os Profissionais e as Unidades de Saúde envolvidas, certamente, irão suplantar-se todas as expectativas. O ADN português revela-se, pela objetividade dos desafios propostos e pelos resultados mensuráveis, em beneficio da pessoa doente. O CENES permanecerá atento, disponível e perfeitamente alinhado com os objetivos desta louvável e premente iniciativa. Para nós, a segurança do doente está sempre em primeiro lugar. Votos de uma excelente leitura na nossa companhia! 5 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015

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Magazine CENES | NOTÍCIAS Portugal adere a projeto europeu de redução de infeções hospitalares Este projeto vai decorrer nos próximos três anos e engloba os 12 maiores hospitais públicos, que se candidataram de forma voluntária a cumprir os objetivos que o Ministro da Saúde considera ambiciosos, apesar de crer que “faz todo o sentido que assim seja, uma vez que os hospitais terão requisitos a nível de acompanhamento e equipas de especialistas para prestar apoio no alcance dos objetivos.” A meta é reduzir 50 por cento das infeções hospitalares no país, que tem o dobro das infeções hospitalares da média dos países europeus. O Ministro da Saúde diz acreditar que Portugal vai conseguir aproximar-se dos resultados de outros países, uma vez que “não valeria a pena tomar uma iniciativa que tivesse objetivos banais e não se convertesse numa melhoria significativa do sistema de saúde.” afirma Paulo Macedo. CENES celebra primeiro aniversário com a Certificação na norma ISO 13485 O CENES foi o Primeiro Centro de Reprocessamento de Dispositivos Médicos a entrar no mercado português para operar em regime de outsourcing. Entrou em pleno funcionamento em maio de 2014 e celebra agora o primeiro aniversário sendo, também, o primeiro Centro Privado a obter a Certificação ISO 13485. Com um investimento inicial de dois milhões de euros, o Centro possui uma capacidade de 1.5 milhões de litros/mês de reprocessamento, num raio de operação 6 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 de 60kms na região de Lisboa e possui um plano de expansão para operar em todo o país. Neste primeiro ano de operação o CENES já reprocessou mais de 800.000 dispositivos médicos, sendo que, em 2015, estão a ser reprocessados mais de 4.000 dispositivos por dia. Relativamente à Certificação na ISO 13485, o benefício principal é dos utentes, muito embora os parceiros também usufruam de um centro que garante a segurança de que os dispositivos médicos foram reprocessados e esterilizados de acordo com as melhores práticas certificadas e com a legislação em vigor. Pedro Rodrigues, Diretor-Geral do CENES explica que “a esterilização deve ser considerada como uma atividade integrada na cadeia de valor de cada Unidade de Saúde, fundamental para a redução da taxa de infeção em Portugal que está muito acima da média europeia. Para o CENES, a segurança do doente está em primeiro lugar!”

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Magazine NOTÍCIAS | CENES Formação Profissional e Certificada no CENES O 2º Curso de Reprocessamento de Dispositivos Médicos Nível 1, concluído em março de 2015, ministrado pelo Centro de Formação do CENES teve uma aderência de 100%, ficando as 18 vagas preenchidas. O objetivo do Centro de Formação do CENES consiste na promoção e difusão das boas práticas de reprocessamento, num claro contributo para a redução da taxa de infeção em Portugal que está bastante acima da média europeia. A formação praticada no CENES é consubstanciada com workshop prático. Estende-se a todos os profissionais e técnicos interessados em expandir os conhecimentos na área específica da Esterilização e Reprocessamento de Dispositivos Médicos contribuindo assim para a formação contínua dos profissionais do Setor da Saúde. CENES realizou, pela primeira vez em Portugal, uma biodescontaminação ambiental 10-6 O CENES realizou a primeira biodescontaminação ambiental por Peróxido de Hidrogénio Vaporizado a 35% (VHP) em Portugal, nas suas instalações em Lisboa. O VHP é a mais recente tecnologia na eliminação de vários tipos de micro-organismos resistentes e é patenteada pela STERIS, líder global no controlo de infeção e detentor da tecnologia para biodescontaminação ambiental em unidades de saúde. O processo abrange a eliminação de um amplo espectro de microrganismos, entre bactérias, fungos e vírus. Em ambiente hospitalar este processo deve ser realizado semestralmente, como forma de prevenção do risco de infeções nosocomiais através de fungos e bactérias oportunistas ameaçadoras, particularmente, para indivíduos em estado clínico comprometido. O equipamento VHP é instalado e a área evacuada e selada, começando um processo que demora cerca de cinco horas, vaporizando em alta concentração de peróxido de hidrogénio seco e estabilizando o ambiente para a segurança total, efetuando uma redução logarítmica de micro-organismos de 106, atingindo o nível de esterilização ambiental do espaço. 7 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 Antonieta Lucas lidera APORMED A Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED), que representa mais de 60 por cento do setor das tecnologias médicas, vai ser liderada por Antonieta Lucas, no biénio 2015-2016, e é representada também pelas empresas Johnson & Johnson, Medtronic, Baxter e Pulmocor. A Assembleia Geral é composta pelas empresas JMV, ST. Jude Medical e Medicinália e o Conselho Fiscal conta com a Normax, B. Braun Medical e Laboratórios Inibsa. A APORMED é a maior associação nacional das empresas que atuam no setor dos dispositivos médicos e tecnologias para a saúde. Mais informação em: http://www.apormed.pt/

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Magazine CENES | AGENDA 1.º CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO EM ESTERILIZAÇÃO 11 E 12 DE JUNHO A ANES - Associação Nacional de Esterilização promove o 1.º Congresso Luso-Brasileiro em Esterilização, em colaboração com a SOBECC - Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização e com a APIH - Associação Portuguesa de Infeção Hospitalar. O evento terá lugar em Lisboa, nos próximos dias 11 e 12 de junho, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa. PORTO ANAESTHESIOLOGY INTERNATIONAL CONGRESS 19 A 21 DE NOVEMBRO O Congresso Internacional de Anestesia, Medicina da Dor, Emergência e Cuidados Intensivos decorre de 19 a 21 de Novembro, no Porto, entre os Centros Hospitalares de S. João do Porto, Porto e Vila Nova de Gaia-Espinho. O evento decorre sob o tema “O Norte da Anestesia” e vai focar-se, sobretudo, na qualidade do serviço de anestesia. Esta iniciativa conta também com o apoio da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia. Como participar? rt tic cip par? Telf.: Telf : 226 076 290 Email: E Ema ma l: d diventos@diventos.com ven ntos diventos.com di m Mais informação em: www.anes.pt 6.º CONGRESSO DE PANDEMIAS NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO E 4.º SIMPÓSIO NACIONAL MEDICINA DO VIAJANTE 28, 29 E 30 DE MAIO O 6.º Congresso de Pandemias na era da Globalização e 4.º Simpósio Nacional Medicina do Viajante está agendado para 28, 29 e 30 de maio de 2015 no Hotel Vila Galé, em Coimbra, presidido pelo Dr. Meliço Silvestre. O evento organizado pelo Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra vai trazer a discussão temas como a infeção por VIH, hepatites víricas, doenças infecciosas emergentes, microorganismos multirresistentes, tuberculose, ébola, ameaça biológica, doenças sexualmente transmitidas. O simpósio de medicina do viajante é moderado pelo Dr. Saraiva da Cunha e pelo Dr. Jorge Atouguia e foca-se em destinos com a Angola, o Perú, a Índia e Timor. Mais informação em: http://spdimc.org 8 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015

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Magazine SABIA QUE... | CENES A ESTERILIZAÇÃO É UMA PRERROGATIVA DESDE OS PRIMÓRDIOS DA MEDICINA A descoberta das bactérias como causadoras de doenças foi uma das principais descobertas do universo médico. Desde os tempos de Aristóteles, que este alertava Alexandre, o Grande, para ferver a água e assim evitar doenças, tendo mesmo escrito que “por vezes formam-se pequenos animais na terra putrefacta, em plantas ou nos fluidos de outros animais”. Foi um longo caminho até à ciência microbiológica, que surgiu no séc. XIX. Até esta época, os procedimentos cirúrgicos eram realizados, sobretudo, em período de guerra e a taxa de mortalidade por infeção era de cerca de 90%. Foi também nestes ambientes que se descobriu que pessoas sãs ficavam doentes, quando em contato próximo com um paciente. No séc. XVI, Girolamo Fracastoro publicou “De Contagione” onde estudava a transmissão de doenças através do contato direto e da manipulação de objetos ou pessoas infetadas e até mesmo a transmissão à distância, começando a especular sobre processos de higienização tão básicos como a lavagem das mãos. No final do século XVII, no Reino Unido, eram desenvolvidos métodos de limpeza e ventilação adequada para salas hospitalares, assim como a esterilização por fervura das roupas de cama e outros objetos, um método descoberto HPV 2015 30th INTERNATIONAL PAPILLOMAVIRUS CONFERENCE & CLINICAL AND PUBLIC HEALTH WORKSHOPS 17 A 21 DE SETEMBRO A 30.ª edição da Conferência Internacional sobre Vírus do Papiloma Humano vai realizar-se no Centro de Congressos de Lisboa, de 17 a 21 de setembro, sob o tema “Exploring new worlds in research”. O fórum internacional terá um foco especial no vírus do papiloma humano (HPV) e a globalização, na procura de novos estudos clínicos e propostas no acesso aos cuidados de saúde. É a oportunidade para uma partilha de conhecimentos entre investigadores e as comunidades clínicas sobre os novos avanços e descobertas, através das palestras e debates que o programa oferece. O Encontro HPV 2015 terá como temáticas principais a nova geração de vacinas contra o HPV; compreender o comportamento biológico do vírus; a história natural do HPV; a sua relação com cancro cervical; entre outros. Mais informação em: www.hpv2015.org Louis Pasteur 9 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 por John Tyndall, conhecido posteriormente como tindalização. Estes processos resultaram na diminuição significativa da taxa de infeção. Foi mais tarde, no séc. XVIII, que foi descoberto o primeiro halógeno: o cloro, que foi utilizado como agente desinfetante, a par do álcool, durante largas décadas, até Pasteur ter descoberto as propriedades do iodo. Graças às experiências de Louis Pasteur sobre o processo de putrefação dos tecidos, foi descoberto o fenol como agente antimicrobiológico, tendo passado a ser utilizado na esterilização do ar nas salas de operação. Pasteur teve também uma grande influência para a invenção do autoclave, ainda hoje usado no reprocessamento de dispositivos médicos.

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Magazine CENES | GRANDE ENTREVISTA FAUSTINO FERREIRA 10 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 Diretor Clínico dos SAMS Prestação Integrada de Cuidados de Saúde “A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos.” Afirma o Diretor Clínico dos SAMS. Nesta edição damos a conhecer a opinião do Dr. Faustino Ferreira, também Vogal da Comissão Executiva dos SAMS Prestação Integrada de Cuidados de Saúde.

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Magazine GRANDE ENTREVISTA | CENES CENES e o SAMS contam atualmente com um Centro Operacional situado em Lisboa, com 1.600 m2 de área operacional, dividida pelas áreas técnica e logística. A capacidade de produção mensal é de 1,5 milhões de litros de esterilização por vapor e de 130 mil litros de esterilização por peróxido de hidrogénio sem plasma. Esta combinação de competências e infraestrutura veio possibilitar a otimização entre eficácia e a eficiência operacional dos processos que, no serviço de reprocessamento de dispositivos médicos, consiste em garantir a fiabilidade e aptidão para uso de um Dispositivo Médico estéril no menor custo e tempo possíveis. Sabendo que a taxa média de infeção em Portugal é superior à média Europeia, é evidente que existe um caminho de melhoria a percorrer, em conjunto com todos os intervenientes no Setor da Saúde, no papel que cada um desempenha, nomeadamente no reprocessamento de dispositivos médicos. O SAMS, com a sua visão empreendedora e pioneira, permitiu que este projeto inovador se tornasse uma realidade em Portugal, sendo, simultaneamente, o parceiro estratégico do CENES, sempre focado na melhoria da qualidade da prestação integrada de cuidados de saúde. O Que balanço faz desde que abraçou os cargos de Diretor Clinico e vogal da Comissão Executiva dos SAMS? Trabalho nos SAMS há 25 anos, tendo participado ativamente, desde 1993, no processo de instalação e abertura do Hospital. Sou Diretor Clinico dos SAMS desde Maio de 2004 e membro da Comissão Executiva desde o início de 2013. Tem sido uma experiência riquíssima em que me tenho realizado profissionalmente. O SAMS tem, no panorama da saúde nacional, uma situação única por ter uma população própria a quem assegura cuidados de saúde, quer pelos meios que dispõe para essa missão, quer humanos, quer técnicos e de infraestrutura. A organização da prestação de cuidados de saúde é uma atividade muito complexa que requer um conhecimento profundo, quer de gestão, quer clínico, de modo a encontrar as melhores soluções em qualidade e custo, o que numa situação de constrangimento económico se torna particularmente importante. A Direção do SBSI soube ler a realidade e ao ter desafiado o Dr. Adalberto Campos Fernandes para Presidir à Comissão Executiva (CE) deu um passo importantíssimo para a sustentabilidade dos SAMS como subsistema de saúde. O futuro dos SAMS, num contexto de redução dos seus beneficiários, fruto das profundas alterações do setor bancário e do envelhecimento da sua população beneficiária, está dependente da rentabilização do capital acumulado em património em experiência, voltando a atrair os seus beneficiários que preferiram recorrer a outras instituições (internalização da assistência médica) e disponibilizando os seus meios de assistência a não bancários (atraindo novos clientes). Este tem sido a principal missão da CE, nos últimos dois anos. O SAMS tem, no panorama da saúde nacional, uma situação única por ter uma população própria a quem assegura cuidados de saúde, quer pelos meios que dispõe para essa missão, quer humanos, quer técnicos e de infraestrutura. O SAMS tem passado a mensagem de que está a materializar um “profundo processo de adaptação à realidade”. Fale-nos sobre este processo e do que está a acontecer nos SAMS do SBSI? O balanço é francamente positivo pois a resposta dos bancários às iniciativas que tomamos – alargamento do corpo clínico, reapetrechamento tecnológico, facilitação das marcações de consultas através dum centro único de contacto, melhoria das instalações quer do Centro Clínico de Lisboa, quer das clínicas, bem como a renovação de todos os quartos do hospital e ainda a abertura do Centro 11 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015

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Magazine CENES | GRANDE ENTREVISTA Clínico ao sábado, como exemplos do que se está a fazer, tem sido excelente. Um dos nossos objetivos – a internalização dos cuidados é visível nos resultados de 2014 - aumento de: 6% das consultas realizadas, 7% dos exames e 17% dos tratamentos. A maternidade teve também um aumento de 37%, entre 2013 e 2014. Por outro lado e, sem que tenha afetado a assistência aos bancários, o número de não bancários que recorrem aos nossos serviços tem estado a crescer, representando já hoje cerca de 20% da nossa atividade, o que constitui uma fonte importante de receita contribuindo para a sustentabilidade dos SAMS. Recentemente criaram nos SAMS o Gabinete da Qualidade, do Risco Clínico e da Segurança do Utente. Quais são os objetivos e a missão deste gabinete? Este Gabinete, presidido pelo Professor Doutor Henrique Bicha Castelo, tem como missão garantir que as boas práticas são seguidas nos SAMS e que tudo é feito para garantir a segurança dos doentes que confiam em nós, minimizando ao máximo os riscos inerentes à atividade clinica. Os SAMS sempre se pautaram pela excelência dos cuidados dispensados aos seus beneficiários. Num contexto de cada vez maior complexidade da assistência médica é essencial ter uma estrutura que monitorize e audite, internamente, aquilo que é a prática corrente. Importa, por outro lado, prosseguir um esforço continuado de melhoria de qualidade e, em simultâneo, garantir as condições que permitam a certificação e a acreditação das nossas unidades de prestação de cuidados. Recentemente, os SAMS alcançaram a Certificação da Unidade de Saúde Oral e temos já em marcha outros processos de certificação. O número de não bancários que recorrem aos nossos serviços tem estado a crescer, representando já hoje cerca de 20% da nossa atividade, o que constitui uma fonte importante de receita contribuindo para a sustentabilidade dos SAMS. Numa recente entrevista, falou da criação de um Conselho Clínico, que integrará personalidades médicas de reconhecida notoriedade para a validação das boas práticas dos SAMS. Este Conselho já está constituído? O Conselho Clínico encontra-se já formalizado e teve a sua primeira reunião em 3 de Dezembro de 2014. Integra personalidades de notoriedade clinica, reconhecidos da Medicina Portuguesa que trabalham nos SAMS, mas também externas à nossa organização e que acederam a colaborar connosco na definição da boa prática médica nos SAMS. Os SAMS são o parceiro pioneiro que decidiu participar no CENES. Qual o balanço que faz desta parceria? A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos. Sendo uma solução inovadora entre nós, sabemos que há mais de 10 anos que é utilizada nos países do centro da Europa (como a Alemanha, por exemplo). O serviço de esterilização nos SAMS - após 20 anos de atividade, no Hospital - estava a necessitar de total renovação e aumento da sua capacidade o que implicava um significativo investimento. A parceria com o CENES tem-se revelado uma ótima opção com melhoria significativa da qualidade de todo o processo . Pertence à Direção do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos. Na sua opinião, o que tem mudado, nesta especialidade, ao longo dos últimos anos? 12 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015

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Magazine GRANDE ENTREVISTA | CENES Tendo sido presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos fui - até há poucos meses e durante 8 anos - membro do Comité Executivo, como Tesoureiro da Federação Europeia de Medicina Interna. Tenho uma visão muito positiva da Medicina Interna Portuguesa e o trabalho realizado nos últimos 20 anos tem permitido, aos internistas, garantir um lugar insubstituível no nosso sistema de saúde, pois são determinantes na assistência, na estrutura hospitalar e na integração desta com os cuidados primários. Os internistas, especialmente os jovens especialistas tem hoje uma formação muito sólida e multifacetada que lhes permite assumir as mais variadas funções quer na enfermaria, nas consultas, na urgência e nos cuidados intensivos. Podem, também, atuar nos cuidados continuados. Sendo a primeira especialidade hospitalar em número, é a segunda em termos globais, logo a seguir à Medicina Geral e Familiar. Qual é a imagem genérica que as pessoas têm do Internista? Hoje a Medicina Interna deixou de ser uma especialidade “clandestina”. Uma importante parte da população já sabe o que é um internista! Para muitos ainda é “o médico do hospital”, mas fora “do hospital” os internistas são procurados para a resolução e orientação de situações complexas. Qual considera ser a missão da Medicina Interna e quais as funções do Internista do futuro? A Missão da Medicina Interna assenta em 3 vetores: 1) o diagnóstico de situações clinicas mais complexas; 2) a integração de saberes das várias especialidades para a melhor solução para cada caso clinico; 3) e a gestão clinica do doente crónico com comorbilidades, multipatologias e polimedicação. O futuro da medicina na Europa focar-seá na atenção aos idosos que vão viver mais, mas com mais patologias. A Medicina Interna tem aí um potencial de oportunidade e responsabilidade que certamente não irá enjeitar. PERFIL Atualmente é Diretor Clínico dos SAMS - Prestação Integrada de Cuidados de Saúde (desde maio de 2004) e Vogal da Comissão Executiva É Membro do Conselho Administrativo da Federação Europeia de Medicina Interna (EFIM), em representação da SPMI desde 1996 Integra o Comité Executivo da EFIM (Tesoureiro), desde Setembro de 2006 É Honorary Fellow da EFI e Fellow da American College of Physicians, desde 2009 Foi Diretor do Departamento de Medicina do Hospital dos SAMS, entre setembro de 1990 e abril de 2004 Foi Assistente Hospitalar do Hospital Pulido Valente, entre outubro de 1990 e setembro de 1993 Pertenceu à Direção do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos entre 1994 e 2006, tendo sido eleito para 5 mandatos Foi Presidente da Direção do Colégio em 1998/9 e foi o representante do Colégio junto da seção de Medicina Interna da UEMS (Union Européene des Medecins Spécialistes) Coordenador da Comissão Nacional para o Exercício Técnico da Medicina entre 2002 e 2005 Integrou a Comissão de Avaliação de Cuidados de Saúde do Algarve nomeada pela Ministra Profª. Manuela Arcanjo Foi Presidente da Mesa da Assembleia Regional da Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos no triénio 2005 – 2007 13 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015 A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos.

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Magazine RESPONSABILIDADE SOCIAL | CENES MAFALDA PINTO-COELHO Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama O CENES apoiou recentemente a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) para o reprocessamento dos dispositivos médicos da sua unidade saúde AMAVITA. As receitas revertem, na totalidade, para o desenvolvimento da capacidade de apoio terapêutico à mulher com cancro da mama. A clínica oferece cuidados médicos de diversos tipos e é especializada no tratamento pós-cirúrgico do cancro da mama. A disponibilização deste serviço enquadra-se na política de responsabilidade social defendida pelo CENES. Para melhor conhecermos os contornos desta parceria, entrevistámos a Dra. Mafalda Pinto-Coelho, Presidente da Direção da APAMCM. Como surgiu a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama e qual tem sido o papel da APAMCM na luta contra o cancro? A nossa Associação é uma Instituição Particular de Solidariedade Social com fins de saúde e sem fins lucrativos, de utilidade pública e registada na Entidade Reguladora da Saúde, com 16 anos de experiencia em patologia mamária. Foi criada em abril de 1999, por um grupo multidisciplinar de profissionais de saúde ligados à problemática do carcinoma da mama, primordialmente do IPO Lisboa, que constataram a necessidade de se criar um apoio diferenciado nesta área. Assume-se como entidade de referência na prevenção, no diagnóstico e no tratamento das patologias mamárias e ginecológicas, bem como no estímulo à informação no âmbito das mesmas. Como se traduz o apoio social da APAMCM às mulheres vítimas de doença oncológica? A sua atuação carateriza-se pela prestação de cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação e assistência medicamentosa a utentes com doença oncológica, nomeadamente mamária e ginecológica, e a utentes não oncológicos. Para o efeito, conta com um equipa de profissionais altamente qualificados que valorizam o profissionalismo, o rigor, o acompanhamento personalizado e a simpatia no seu trabalho. Dá especial atenção ao diagnóstico precoce em oncologia em diferentes situações e em especial na mulher. Qualquer elemento da Comunidade pode usufruir da oferta clínica da sua Unidade de Saúde de sector social - AMAVITA Clínica - que foi, cuidadosamente, organizada de forma a apoiar e providenciar a satisfação das necessidades dos utentes na medida dos seus recursos e de forma equitativa a custo assistencial. 15 Magazine CENES Edição n.º 2 Mai 2015

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