Mestres Artesãos Das Alagoas 2015

 

Embed or link this publication

Description

Enciclopédia

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2

Presidente Carlos Alberto Mendonça Presidente do Conselho Estratégico Carlos Alberto Mendonça Diretor Executivo Luis Amorim Fazer Popular Mestres Artesãos das Alagoas Coordenação Geral Leonardo Simões Coordenação Editorial Farol Editora Apresentação Douglas Apratto Tenório Apresentação Cícero Péricles de Carvalho Pesquisa e Textos Cármen Lúcia Dantas Revisão Ivone dos Santos Fotografia em cores Ricardo Lêdo Fotografia em P&B Celso Brandão Direção de Arte e Diagramação Wellington Charles Cavalcanti Tratamento de Fotos Victor Paiva Impressão - Gráfica Moura Ramos Tiragem - 15.000 Exemplares Instituto Arnon de Mello (82) 3326-1604 M386m Mestres Artesãos das Alagoas: Fazer Popular. 2 ed. Cármen Lúcia Dantas – Pesquisa e Textos; Douglas Apratto Tenório, Cícero Péricles de Carvalho – Apresentação; Leonardo Simões – Coordenação Geral; Ivone dos Santos – Revisão; Ricardo Lêdo, Celso Brandão – Fotografias. Maceió: Instituto Arnon de Mello, 2015. 221p. Ill. Conteúdo dos Fascículos ( 1 Apresentação; 2 Cerâmica; 3 Cestaria; 4 Madeira; 5 Couro; 6 Metal; 7 Renda e Bordado; 8 Coco e Cabaça; 9 Tecelagem; 10 Metais Diversos) Capa: Figuras em madeira Artesão Antônio de Dedé (foto Celso Brandão) 1 Cultura Popular – Alagoas. 2 Arte Folclórica – Alagoas . I Dantas, Cármen Lúcia – Pesquisa e Textos. II Tenório, Douglas Apratto – Apresentação. III Carvalho, Cícero Péricles – Apresentação. IV Santos, Ivone dos - Revisão. V Alagoas, João das – Capa . VI Lêdo, Ricardo – Fotografia. VII Brandão, Celso – Fotografia . VIII Cavalcanti, Wellington Charles – Direção de Arte e Diagramação. IX Instituto Arnon de Mello. CDD 306.4.813.5 mestre_artesaos_livrão.indd 2 05/05/2015 15:34:00

[close]

p. 3

Cabeças - Irinéia do Muquém (União dos Palmares) Foto: Celso Brandão mestre_artesaos_livrão.indd 3 05/05/2015 15:34:01

[close]

p. 4

M estres Artesãos das Alagoas é uma incursão pelo universo do artesanato alagoano. Trata-se de uma leitura das habilidades e sensibilidades de inúmeros artistas anônimos que, através de sua arte, refletem a herança cultural de suas comunidades. Esta vasta obra, dinâmica e ao mesmo tempo conservadora de tradições técnicas e artísticas, representa um enorme tesouro. Talentos oriundos das distintas regiões do estado têm em comum o fato de representarem a capacidade de tradução lúdica da relação do homem com o seu entorno. mestre_artesaos_livrão.indd 4 05/05/2015 15:34:01

[close]

p. 5

Valioso registro histórico A publicação Mestres Artesãos das Alagoas, que cumpre um importante papel de documentar as diversas expressões manuais dos artesãos alagoanos, retrata de maneira habilidosa a simplicidade de seus mestres e a riqueza de suas obras, compondo um valioso registro histórico sobre esta importante parte das iniciativas populares brasileiras. Os valores presentes nesta obra são também os valores das diretrizes corporativas da Petrobras na Cultura, buscando uma atuação permanente na afirmação da identidade brasileira, e que se transforma em valores onde todos nós, brasileiros, podemos nos reconhecer. Através do seu apoio, a Petrobras reconhece a representatividade de obras como esta no fortalecimento da regionalização cultural e no acesso à produção de qualidade em todo o país. É parte de nossa responsabilidade apoiar as inúmeras manifestações culturais brasileiras, onde conhecer e divulgar nossa cultura também são partes dessa missão. Agradecemos a você, leitor, por também fazer parte desta história. mestre_artesaos_livrão.indd 5 05/05/2015 15:34:01

[close]

p. 6

Um povo amável e lutador Em qualquer parte do mundo, o artesanato é um traço forte da identidade cultural de um povo. Talvez por ser uma expressão artística genuinamente natural, ele é capaz de demonstrar não só a habilidade do artesão, mas contar sua história, seus costumes, representar seu folclore, suas tradições. Alagoas é um dos estados brasileiros mais ricos em variedade de artesanato – uma demonstração da força cultural do nosso povo, tão amável e lutador. Maceió, conhecida por suas belezas naturais, tem se destacado também por essa força. Há pouco tempo, uma grande marca de moda no Brasil descobriu que o bordado filé, produzido no Pontal da Barra, poderia agregar mais valor às suas peças. O sucesso foi imediato, chegando a surpreender empresários do Rio de Janeiro que não pensaram duas vezes em repetir a dose. O bordado filé, patrimônio imaterial de Alagoas, está em processo para ganhar o registro de Indicação Geográfica (IG), um selo conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria. Dentro desse contexto, a Prefeitura de Maceió vem buscando fazer sua parte. O Espaço do Artesanato e o Corredor do Artesanato, montados em grandes shoppings da cidade, mostraram que o nosso produto agrada aos turistas e maceioenses, gerando renda e ajudando a consolidar a cultura local e a Economia Solidária. Em tempos onde a tecnologia tem forte presença nas relações interpessoais e de consumo, constatar o sucesso de um espaço de comercialização exclusivo do artesanato nos dá a certeza de que é preciso não só preservar esse patrimônio como também fomentar sua produção. Assim também é a importância desta bela publicação, que chega às mãos dos alagoanos. O registro de todas essas modalidades de artesanato e a documentação da vida de seus produtores nos enriquece de informações e ajuda a eternizar essa tradição, que tanto nos orgulha e enobrece. Rui Palmeira Prefeito de Maceió mestre_artesaos_livrão.indd 6 05/05/2015 15:34:01

[close]

p. 7

O valor da inteligência das Alagoas É um privilégio, além de uma honra especial, poder participar deste magnífico trabalho – “Mestres Artesãos das Alagoas”, cujo sucesso encheu de orgulho a todos nós que fazemos a Organização ARNON DE MELLO e o Instituto ARNON DE MELLO, obra que, depois de esgotada, é objeto desta reedição ampliada e atualizada, uma exigência do Brasil inteiro. Assim, esta valiosa obra, com nova feição, deverá atender aos reclamos da nossa sociedade, de estudiosos do nosso Brasil e, inclusive, de outros países. É este um trabalho produzido com a inteligência e o carinho especial de estudiosos que somente aprenderam a fazer o “bem feito”, a exemplo do Professor Doutor Douglas Apratto Tenório, com a sua descrição sobre a “A Arte Popular dos Brinquedos – Uma Herança nunca esquecida em Alagoas”, onde renova a verdadeira valorização do artesão da nossa terra, mulheres e homens capazes e inteligentes que continuam no anonimato. A valiosa participação do Mestre Cícero Péricles de Carvalho, que trata com maestria do valor do artesanato na economia do nosso estado. Aliás, diga-se, em tempo, sem dúvida alguma, uma grande parcela da economia de Alagoas é extraída da capacidade de criação dos nossos artesãos: mulheres e homens com especial criatividade e habilidade, capazes de produzir obras belíssimas com apenas um pouco de barro, uma peça de linha ou uma velha tábua. Consta, ainda, desta obra um esplendoroso ensaio do prestigiado fotógrafo Celso Brandão, em preto e branco, com textos bem produzidos pela museóloga Cármen Lúcia Dantas, com artesãos expressivos de cada uma das atividades abordadas. As imagens coloridas são do mestre Ricardo Lêdo, experiente e dedicado fotógrafo da Gazeta de Alagoas, cuja capacidade de encontrar o ângulo correto é incomparável. Sem dúvida alguma, na montagem e na estrutura deste tabalho, deve ser lembrada a participação decisiva do Diretor Leonardo Simões. Finalmente, sem a decisão firme do Diretor Executivo da OAM, Dr. Luis Amorim, que viabilizou os recursos humanos e financeiros, não seria possível uma só linha aqui impressa. Maceió, maio de 2015 Carlos Alberto Mendonça Presidente do Instituto ARNON DE MELLO mestre_artesaos_livrão.indd 7 05/05/2015 15:34:02

[close]

p. 8

Índice Capítulo 1 – Apresentação 11 13 14 26 34 Alagoas engenho e arte História, Cultura e Arte O Fazer Popular das Alagoas A Arte Popular dos Brinquedos O Artesanato e a Economia Alagoana Capítulo 2 – Cerâmica 48 51 52 54 55 56 57 58 59 60 61 62 64 61 66 Irinéia – A modeladora de cabeças do Muquém Devagar com o andor que o santo é de barro As cores do barro O meio e a história Do barro ao pote Tanto vai o pote à fonte que um dia lá se fica O barro, em todo canto se acha Os índios artesãos da Cafurna Um bem da terra As peças utilitárias de Penedo As moringas antropomorfas de Júlio Rufino O apurado da louça Nas margens do Paraíba e do Mundaú Figuras regionais em relevo historiado Ficou na memória Capítulo 3 – Cestaria 70 Maria José Jacinto – Guardiã da memória do artesanato Caeté 72 Cesteiro que faz um cesto, faz um cento 74 Cipó não trepa em pau morto 76 É da repetição que se faz o artesão 78 Não faça pose com chapéu alheio 80 Olho viu, boca pio 83 Até para sepultar os mortos 85 Urupembas 86 Cipó bom é o dormido 88 Covos, armadilhas de pesca mestre_artesaos_livrão.indd 8 05/05/2015 15:34:06

[close]

p. 9

Capítulo 4 – Madeira 94 96 98 100 101 103 104 106 107 108 109 110 111 112 114 115 Antônio de Dedé – Dando formas à madeira Pau pra toda obra Mobiliário de raízes Jangada é pau que boia Mulher não faz canoa Colheres de pau O carro de boi Pica-pau da xilo Os sons da madeira A arte que vem das ilhas Uma obra de muitas caras O universo mítico dos Xocós A fauna de Manuel da Marinheira Arapiraca de muitos mestres Aglomerados urbanos coloridos Universo policrômico de Resêndio Capítulo 5 – Couro 118 Pedrinho do Couro – “O uso faz o couro macio” 120 O boi sabe onde arromba a cerca 123 Conhece-se o boi pelo corno e o homem pela palavra 124 A curtição 125 De couro alheio, correias compridas 127 Chapéus 130 Quem não dá pra sela, dá pra cangalha 132 A arte das sadálias xô boi 136 Vaqueiro bom não gaba cavalo 138 Onde passa o boi, passa o vaqueiro Capítulo 6 – Metal 142 Basto do Zinco – “Quem escolhe a profissão não tem medo do risco” 144 Quem com ferro fere, com ferro será ferido 147 Casa de ferreiro, espeto de pau 150 O ferro se malha enquanto está quente 152 Ferro de marcar 155 Sangue quente, pavio curto 157 Peças rituais 162 Mãos que transformam sucata em arte mestre_artesaos_livrão.indd 9 05/05/2015 15:34:10

[close]

p. 10

Capítulo 7 – Renda e Bordado 166 168 170 176 178 183 188 192 Marlene de Oliveira – Um trabalho lento e caprichoso Onde há rede, há renda Tu me ensinas a fazer renda, que eu te ensino a namorar Você pensa que babado é bico? Moça na janela: nem renda, nem panela Não meta a mão em almofada alheia O bordado da ilha Descuidou, perdeu o ponto Capítulo 8 – Coco e Cabaça 198 201 207 208 209 212 214 Abelardo – Mestre da imburana e artista da cabaça Coco velho é que dá leite A tradição do coco A colheita Cabaça e coité Formas e usos Maracás rituais Capítulo 9 – Tecelagem 220 Ione Araújo – Tecelagem, uma atividade feminina unindo gerações 223 Cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso 224 Fios de algodão 227 Parecer sem ser é fiar sem tecer 232 De algodão velho não se faz bom pano Capítulo 10 – Materiais Diversos 238 241 242 246 250 252 Morena – Bonequeira e contadora de histórias O artesanato dos materiais diversos O papel como suporte Retalhos de pano coloridos Arte plumária Conchas Glossário 288 258 mestre_artesaos_livrão.indd 10 05/05/2015 15:34:13

[close]

p. 11

10 Pássaros - Aberaldo Ilha do Ferro (Pão de Açúcar) mestre_artesaos_livrão.indd 11 05/05/2015 15:34:19

[close]

p. 12

Alagoas engenho e arte O artesanato é a expressão mais autêntica da criatividade popular, em que o criador se serve de habilidades manuais para dar forma à leitura do mundo que o cerca. A essas habilidades se agrega a sensibilidade de cada um desses artistas, que materializam os valores de seu meio. Um artesão, portanto, é a mediação mais autêntica entre seu entorno e o objeto por ele criado. Num mundo unívoco, em que a uniformidade é a regra, o artesanato de raiz tem sua própria representatividade. Elaborado em condições de semi-isolamento em relação às influências urbanas, esse fazer reflete fortes componentes de seus ambientes, recuperando elos perdidos da cadeia histórico-cultural. O termo raiz, segundo definição da professora Cármen Lúcia Dantas, autora dos nove textos acerca dos diferentes tipos de artesanatos, se refere àquela obra de forte vínculo com a comunidade onde vive o artesão, em que seu meio exerce uma influência maior do que as forças culturais e comerciais externas. Esse artesanato cheio de autenticidade, que bebe nas fontes da criatividade popular, é mais pujante em áreas que experimentam um certo isolamento geográfico. Revelando o contraditório das experiências sociais, é possível que esse tipo de obra se beneficie da carência de educação formal em certas faixas da população, “impermeabilizando” o artista contra as influências da igualdade oriunda da sociedade manufatureira. Esses artesãos são, invariavelmente, pessoas simples, de profunda inserção em seus ambientes. Mostram densos elementos de criatividade e de personalidade. Encontraram caminhos próprios e estabeleceram marcas. Há, também, produções mais utilitárias, de fortes técnicas pessoais, como é o caso dos seleiros e ferreiros, em que a habilidade se tornou a marca desses artífices, hoje em processo de extinção. Alagoas é rica em artesanato de qualidade. Mestres são encontrados em todos os quadrantes de seu território, do Litoral à Zona Mata, do Agreste ao Sertão. Este trabalho tem o mérito de documentar artesãos e obras que mostram uma Alagoas diversificada, autêntica, uma verdadeira matriz de engenho e arte. Stefani B. Lins 11 mestre_artesaos_livrão.indd 12 05/05/2015 15:34:19

[close]

p. 13

12 mestre_artesaos_livrão.indd 13 05/05/2015 15:34:33

[close]

p. 14

Apresentação História, Cultura e Arte 13 mestre_artesaos_livrão.indd 14 05/05/2015 15:34:40

[close]

p. 15

O Fazer Popular das Alagoas Douglas Apratto Tenório* Alagoas é um lugar onde a história e a cultura encontraram campo fértil para semeadura. Apesar das dificuldades, do quadro imenso de exclusão, cada momento da vida de seus habitantes e cada instante da sua trajetória no tempo se ritualizam em ondas de encanto e brilho, desde o exemplo de seus heróis até o suor de seus operários, do nascimento à morte, desde o duro trabalho na terra até a pesca nos seus rios, lagos e mares de infinito azul, ao toque de sensibilidade dos artistas, com a alma dos antepassados e a fé dos vivos. 14 Há uma coalescência histórica entre Alagoas e o Brasil. Alguém já afirmou – talvez até com não muito boa intenção, diante de tantos fatos de repercussão acontecidos em suas paragens – que este estado é um verdadeiro laboratório sociológico, histórico e antropológico para os estudiosos e pesquisadores. O fato inquestionável é que, por uma série de razões, ultrapassamos os limites geográficos e geopolíticos, e passamos a ocupar um lugar de destaque na história e na mídia em nosso país. A berlinda da chamada “terra dos marechais” não vem de agora. Nem dos primeiros presidentes da nossa República, após a queda do Império, em 1889 - Deodoro da Figura popular Irinéia do Muquém (União dos Palmares) *Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco, membro da Academia Alagoana de Letras, da Academia Brasileira de História, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e do Instituto Histórico Brasileiro. mestre_artesaos_livrão.indd 15 05/05/2015 15:34:44

[close]

Comments

no comments yet