Revista MBigucci News - Junho 2015 - Ed. 70

 

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Publicação institucional da construtora MBigucci - Junho de 2015. Ed. 70

Popular Pages


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Ano XIII – nº 70 – Junho 2015 com Responsabilidade Ambiental Entrevista Dr. Antônio C. Mariz de Oliveira Pág. 10 Decoração Tecnologia A iluminação ideal MBIGUCCI Apartamento Protótipo NEWS 1 Pág. 22 Pág. 36 10 anos Construindo

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PALAVRA DO PRESIDENTE O potencial mercado A imobiliário do ABC (O mesmo artigo foi publicado no jornal Estadão de 12/5/2015, na coluna da FIABCI - pág. B4) Região do ABC paulista tem cinco representantes no ranking das 100 melhores cidades com menos de 1 milhão de habitantes para investir em imóveis no País. O estudo, divulgado em fevereiro deste ano, foi realizado pela Prospecta Inteligência Imobiliária e colocou São Bernardo do Campo na primeira posição, enquanto Santo André ficou na 3ª colocação. Diadema, São Caetano do Sul e Mauá ficaram com os 31º, 36º e 39º lugares, respectivamente. O estudo avaliou 94% das cidades brasileiras e considerou a atratividade de cada local a partir da demanda, da renda per capita, do número de pessoas economicamente ativas, do nível de instrução da população e do déficit imobiliário, evidenciando que o ABC tem um grande potencial a ser explorado para investimentos no mercado imobiliário. Nos últimos anos, as construções do ABC têm ficado mais modernas e atrativas, menores em tamanho privativo e maiores em áreas comuns de lazer, em linha com a tendência do mercado e com as necessidades dos compradores. A tecnologia está cada vez mais presente na área, tornando os prazos de entrega mais rápidos e os preços mais atraentes para os clientes. Entretanto, a burocracia pública ainda onera muito o custo das moradias e deve ser revista pelos órgãos competentes para aumentar a eficiência e diminuir as dificuldades. As construções também estão partindo para uma linha mais sustentável, com economia de água e luz, coleta seletiva de lixo, reciclagem, energia solar e aumento do uso do gás canalizado Milton Bigucci - Presidente da construtora MBigucci não poluente. A MBigucci, por exemplo, está comemorando 10 anos do Big Vida, nosso Programa de Responsabilidade Ambiental, com ações de preservação ao meio ambiente durante as obras e com a obra pronta. A chegada da Linha 18 Bronze do monotrilho ao ABC, nos próximos anos, também virá em boa hora. O Grande ABC é a primeira região metropolitana de São Paulo a receber esse transporte público, que será importante para movimentar o mercado imobiliário, principalmente os empreendimentos próximos às estações. A Pesquisa Imobiliária do 1º trimestre de 2015, divulgada pela ACIGABC (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), mostra que os estoques estão baixando na Região do ABCDM (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá), passando de 2.760 unidades em dezembro de 2014 para 2.534 unidades em março de 2015. Quanto aos lançamentos, foram 848 unidades lançadas no 1º trimestre deste ano, um aumento de 171,8% em comparação ao mesmo período de 2014, com 312 unidades. Já as vendas reduziram 21,8%. Foram vendidas 1.059 unidades no 1º trimestre de 2015 contra 1.354 unidades em 2014. Outro dado importante são os 20,2% de participação que o nosso ABCDM tem nas vendas de imóveis novos da Região Metropolitana de São Paulo. O Grande ABC continua mostrando atratividade e capacidade de negócios, em função, principalmente, do preço médio dos imóveis na Região ser inferior em aproximadamente 30% com relação ao valor dos bairros vizinhos e similares da capital. Outro ponto a considerar é que, mesmo com o sucesso do “Minha Casa, Minha Vida”, ainda há um déficit habitacional acima de 6 milhões de moradias no País, ou seja, a necessidade de habitação continuará existindo por bom tempo, em maior ou menor intensidade, apesar do momento atual da economia. Em 2015 o mercado continuará seu rumo, mas de forma mais cautelosa, principalmente em relação aos lançamentos, o que obriga os empresários da construção civil a terem cada vez mais criatividade para inovar. Como dizia Albert Einstein: “No meio da dificuldade, encontra-se a oportunidade”. *MILTON BIGUCCI é presidente da construtora MBigucci e da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC, membro do Conselho Consultivo Nato do Secovi-SP e seu diretor para a Região do ABC, membro do Conselho Industrial do CIESP, conselheiro vitalício da Associação Comercial de São Paulo, conselheiro nato do Clube Atlético Ypiranga (CAY). Autor dos livros “Caminhos para o Desenvolvimento”, “Somos Todos Responsáveis – Crônicas de um Brasil Carente”, “Construindo uma Sociedade mais Justa”, “Em Busca da Justiça Social”, “50 anos na Construção”, “7 Décadas de Futebol” e membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, cadeira nº 5, cujo patrono é Lima Barreto. MBIGUCCI NEWS 3

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ÍNDICE 10 06 10 14 16 ACONTECE ENTREVISTA Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira 14 22 24 26 28 Decoração Clareie as ideias 16 Notícias Mundi: Sucesso de vendas Big Riso Vem aí a 3a Carreata do Agasalho Conheça seu vizinho Fernanda e Diego do Mundi MBigucci Matéria de Capa 10 anos de Big Vida Gastronomia Arthur Sauer: Cozinhando sem pressão PROJETO GRÁFICO: In Time Comunicação EDITORA: Rita Santos - MTb 26.183. / Reportagem: Marília Zuzarte REVISÃO: Assessoria de Imprensa MBigucci FOTOS: Arquivo MBigucci SUPERVISÃO: Marketing I SIM - Soluções Integradas de Marketing CRÍTICAS E SUGESTÕES: imprensa@mbigucci.com.br IMPRESSÃO: Formag’s Gráfica e Editora MBIGUCCI: Av. Senador Vergueiro, 3.597, 9º andar Rudge Ramos, São Bernardo do Campo - SP, CEP: 09601-000 MBigucci News é uma publicação trimestral da Construtora MBigucci. Distribuição gratuita. Anuncie na MBigucci News. Entre em contato: marketing@mbigucci.com.br 4 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo

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24 30 36 40 42 Entregue Royale Merit: alto padrão em Santo André 30 44 48 50 53 Espaço do Cliente Andamento de obra Olimpic: Riqueza nos detalhes 42 Espião do Lar: matando a curiosidade Tecnologia Apartamento protótipo Turismo Inverno Aconchegante CAPITAL HUMANO Detalhes do mestre Novidades Ideal para lofts De Olho na Obra MBIGUCCI NEWS 5

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06 ACONTECE Olho no olho com Kassab Mudanças estruturais do “Minha Casa, Minha Vida” e as metas para habitação foram alguns dos temas discutidos pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, no encontro de política “Olho no Olho”, promovido pelo Secovi-SP. O objetivo do evento é estabelecer um diálogo franco entre os empreendedores imobiliários e as personalidades relevantes dos cenários político, econômico, acadêmico e empresarial. O encontro ocorreu em 10 de abril de 2015 e contou com a participação do presidente da MBigucci, Milton Bigucci, que também é diretor regional do Secovi/SP para a Região do ABC. Gilberto Kassab e Milton Bigucci em bate-papo após o evento MBigucci na Rede Globo No mês de maio a MBigucci participou de uma gravação para o Jornal da Globo que fará parte de uma série especial sobre o mercado imobiliário. Além do atual cenário econômico, a entrevista abordou o programa My Home MBigucci, de personalização de acabamentos. O diretor técnico Milton Bigucci Junior e a cliente Maria Fátima S. Lemos Abreu foram entrevistados pela apresentadora Christiane Pelajo. A reportagem deverá ser exibida entre os meses de julho e agosto. A jornalista Christiane Pelajo e o diretor Milton Bigucci após a entrevista Cliente Maria Fátima Abreu falou sobre o My Home Guia da ONU definirá práticas socioambientais Roberta Bigucci, coordenadora de Projetos Sociais Especiais do Secovi-SP e diretora administrativa da MBigucci, participou em abril do workshop que definiu as propostas do setor imobiliário brasileiro para a elaboração do “Guia de Diretrizes e Responsabilidades Socioambientais – da ONU”. A iniciativa reuniu empresários do mercado, acadêmicos e representantes de instituições como Abrainc, CBCS, CBIC, Fiabci/Brasil, Fiesp, Fundação Vanzolini, GBC Brasil, USP, SindusCon-SP, entre outras. O guia está previsto para ser lançado em junho e deverá ser adotado mundialmente. Fotos: Calão Jorge/Secovi - SP Roberta Bigucci fala sobre a elaboração do Guia de Diretrizes e Responsabilidades Socioambientais da ONU O workshop teve a participação do presidente do Secovi, Cláudio Bernardes, e representantes de diversas instituições 6 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo Fotos: Calão Jorge/Secovi - SP

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Big Ofertas O Big Ofertas da MBigucci foi um sucesso. Realizado no dia 16 de maio de 2015, no Plantão de Vendas do Marco Zero MBigucci (av. Kennedy com Av. Senador Vergueiro – São Bernardo do Campo/SP), o evento teve mais de 150 visitas, 10 milhões em VGV vendido, além de muitos negócios prospectados. O feirão também movimentou as redes sociais, com diversos contatos via WhatsApp e Facebook. Foram oferecidos empreendimentos na planta, em construção e prontos, com descontos de até 10%. Segundo o diretor de Vendas da MBigucci, Robson Toneto, a melhor hora de comprar é agora: “negociação e flexibilidade são as palavras chaves para não perder negócio”, afirma. A cliente Alice Fantin comprovou: “Moro em frente ao Olimpic MBigucci e vim ver as condições sem nenhuma pretensão. Gostei muito da negociação e acabei aproveitando.” Milton Bigucci Cidadão Sulsancaetanense A Câmara Municipal de São Caetano do Sul, em sessão realizada no dia 14 de abril de 2015, aprovou a concessão do título de Cidadão Sulsancaetanense ao presidente da MBigucci e da ACIGABC, Milton Bigucci. O projeto é de autoria do vereador Eder Xavier, que homenageia Bigucci pelo seu histórico de trabalho no setor da construção civil em especial ao município. Em breve será agendada a cerimônia de entrega do título. Plantão do Marco Zero no dia do Big Ofertas: 150 visitas Alice Fantin, acompanhada do namorado Ailson, aproveitou o Big Ofertas e conseguiu 9% de desconto no imóvel que queria ACIGABC - Gestão Condominial “Orientar os administradores de condomínios sobre as responsabilidades gerais dos síndicos.” Este foi o objetivo do Encontro de Gestão Condominial organizado pela Associação dos Construtores do Grande ABC (ACIGABC) e pelo Secovi- SP. O evento ocorreu em 14 de abril de 2015 e teve como apoiador institucional o Bradesco. Como presidente da ACIGABC, Milton Bigucci abriu o encontro na sede social da entidade que teve como palestrante o advogado especialista em condomínios, Dr. Luiz Ribeiro Oliveira Nascimento Costa Júnior, também colaborador do “Boletim do Direito Imobiliário”. MBIGUCCI NEWS 7 Antonio Carlos Gonçalves - diretor social da ACIGABC, Dr. Luiz Ribeiro O. N. Costa Júnior palestrante, Dr. Milton Bigucci - presidente da ACIGABC.

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MBIGUCCI na mídia Confira as matérias na íntegra no site: www.mbigucci.com.br/imprensa Jornal Hoje - Rede Globo Matéria gravada com o presidente da MBigucci, Milton Bigucci, e os clientes Samuel Souza e Jaqueline Richard, no plantão do Mundi MBigucci, sucesso de vendas na Pauliceia/ SBCampo 26/5/2015 A entrevista foi realizada pelo jornalista Roberto Paiva. O Estado de S.Paulo 29/3/2015 Diário Regional 17/3/2015 Tribuna do ABCD 5/5/2015 Guia Qual 1/4/2015 O Estado de S.Paulo 29/03/2015 8 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo

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Rádio ABC – Programa Júlio César 21/5/2015 O Estado de S.Paulo 24/5/2015 Tribuna do ABCD 16/5/2015 Revista do Mesc Maio de 2015 Destak São Paulo 30/4/2015 DCI 9/4/2015 Revista Unick Abril de 2015 MBIGUCCI NEWS 9

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10 ENTREVISTA Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira Dr. Mariz foi presidente da OAB/SP, secretário de Justiça e de Segurança Pública do Estado de São Paulo C asado, pai de quatro filhos e avô de quatro netas, quem conhece Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira pela primeira vez, com seu jeito simples, fala pausada e afetuosa, não imagina estar diante de um dos maiores advogados criminalistas do Brasil. Entre seus clientes famosos estão: PC Farias, quando foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor; Eliana Tranchesi, dona da Daslu; Edinho, o filho de Pelé; Pimenta Neves, ex-diretor de redação de O Estado de S.Paulo; o ex-prefeito Celso Pitta, entre outros. Mestre em Direito Processual pela PUC/SP, Dr. Mariz explica que o criminalista não é um apologista do crime, mas cumpre obrigação constitucional de defender, de garantir a obediência aos direitos do acusado, o que ele vem fazendo em 45 anos de carreira. Aos 69 anos, completará 70 no dia 25 de junho, é amante do samba antigo, fã de Noel Rosa e Carmen Miranda, além de são-paulino fervoroso (é conselheiro vitalício do clube e seu pai, Waldemar Mariz de Oliveira Junior, foi um dos principais diretores que o São Paulo já teve). Dr. Mariz nos recebeu em seu escritório na Av. Paulista, em São Paulo, para uma entrevista exclusiva à MBNews. As perguntas tiveram a contribuição dos colaboradores da MBigucci: Dr. Luiz Gustavo T. Costa (advogado) e Cauê Ramalho (estudante de Direito). 10 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo MBNews: Como iniciou sua carreira e o que o levou para a área criminalista? Dr. Mariz: Comecei a trabalhar em escritório de advocacia em 1962 com meu pai, que tinha escritório na Praça da Sé. Eu era office boy de Fórum. Papai só advogava no cível e eu trabalhei nesta área durante um bom tempo, até me formar, quando então comecei a advogar no crime. Meu primeiro caso criminal foi em 1969, e quem me indicou foi o advogado e exministro José Carlos Dias. Em 1970 comecei a receber nomeações do Tribunal do Júri para defender réus pobres. Fiz 130 casos de graça e comecei a frequentar a Casa de Detenção do Estado. Tenho muito orgulho disso, porque posso dizer que me humanizei nas cadeias de São Paulo. Eu conheci o outro Brasil. Uma realidade sabida, mas não vivenciada. Todos nós que vivemos em outra esfera social, há uma burguesia que nos afasta da realidade, e o crime nos coloca nesta realidade. Em 1978 abri meu próprio escritório e desde então só faço advocacia criminal, há 45 anos. MBNews: O Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) abriu diversas discussões sobre o documentário “Sem Pena”, que retrata as questões da população carcerária. Qual sua opinião sobre o sistema carcerário? Dr. Mariz: Fui um dos fundadores do IDDD e hoje sou conselheiro e posso dizer que nosso sistema carcerário é um dos piores do mundo, pelo menos das Américas

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e da Europa. É um sistema em que se prende e só, não se prepara o homem para a liberdade. O Estado há anos investe na cadeia, e não investe na liberdade. É um sistema extremamente cruel, porque diminui ou anula a dignidade do preso e, mais que isso, prepara aquele preso que entra com uma pequena ou média carga criminógena para ser em um verdadeiro facínora, fazendo crescer nele esse potencial criminógeno, muitas vezes recheado de ódio e o desejo de vingança contra a sociedade. Prende-se mal no Brasil e só a prisão é considerada a resposta ao crime, quando nós sabemos que há outros meios. Só se pensa em punição e não se pensa em atacar as causas do crime. MBNews: E a maioridade penal? Dr. Mariz: Lança-se esta questão como uma panaceia, um remédio, mas com a maioridade penal estaremos contribuindo para agravar ainda mais a questão carcerária e da própria delinquência. E a pergunta que se faz é a seguinte: diminui-se para 16 anos, porque não para 10? Se a questão é prender, tem menino de 10 anos assaltando. E esses meninos que hoje assaltam estão recebendo o mesmo tratamento que estamos dando há 50 anos para as crianças carentes, que hoje se tornaram criminosos adultos. Só estamos nos preocupando com a criança carente porque ela está nos assaltando, se ela estivesse quietinha, debaixo das pontes, ninguém estaria preocupado. Só estamos tratando o crime, trabalhando seus efeitos e não suas causas. Estamos há 50 anos enxugando gelo: nós prendemos e o crime aumenta, o crime aumenta, nós prendemos. Não temos saída imediata. O Brasil hoje é o 4º país do mundo em preso (só fica atrás dos EUA, China e Rússia), temos cerca 700 mil presos, dos quais 35% não foram julgados ainda, estão em prisão preventiva. A saída é trabalhar as causas, as punições serem alternativas, e não só a prisão. E na parte do crime do colarinho branco precisamos de um choque ético, civilizatório. MBNews: Como o senhor vê a Delação Premiada, tão usada ultimamente? Dr. Mariz: É um instituto importado, muito comum nos EUA, Inglaterra, Itália, mas não se encontra devidamente regulamentado e adaptado ao nosso sistema jurídico. Acho que a delação está sendo usada como porta de entrada e de saída da cadeia. Prendese para delatar e solta-se porque delatou. Com isso as prisões estão sendo desvirtuadas e muita injustiça tem sido cometida. Por outro lado, a delação está substituindo uma obrigação constitucional do Estado, que tem de investigar, através da polícia, de acusar, através do Ministério Público e julgar, através do juiz. Com a delação não há necessidade de investigação, há um acordo entre o Ministério Público e o acusado e o processo fica posto de lado, o juiz fica posto de lado. Aplica-se a pena quase que automaticamente. Fica-se refém da palavra do delator, que acaba sendo “top de linha”. A delação acusando alguém já é suficiente para que ele sofra as agruras da punição, da lei penal, da busca e apreensão, da prisão. Quando não, a delação faz com que o delatado caia na mídia, e sabemos que a exposição na mídia é uma pena perpétua, mesmo que se apure que não se fez aquilo que o delator falou, o nome já está manchado. Até por uma questão ética, acho horroroso delatar. MBNews: Como lidar com valores e crenças sendo advogado criminalista? Dr. Mariz: É uma questão muito gostosa de abordar porque a sociedade não sabe nosso papel. O advogado não é um apologista do crime, eu não faço apologia do roubo, do homicídio. Sou porta-voz dos direitos do acusado. É como a passagem bíblica: “eu não defendo o pecado, eu quero compreender o pecador”. Não há possibilidade de haver processo penal e uma condenação, se não houver defesa, e essa defesa é atribuída a nós, advogados. Temos obrigação constitucional de defender, de exercer esse papel, que não implica necessariamente em se procurar absolvição. Nosso papel é para garantir a obediência aos direitos do acusado, a um processo regular, legal, e quando possível aplicação da pena justa, se for o caso de condenação. Todos nós temos direito de defesa. MBNews: E como fazer para que a sociedade não confunda o advogado criminalista com a “figura do criminoso”? Dr. Mariz: Eu defendi o PC Farias, no início dos anos de 1990, e era interpelado na rua até por advogados: ‘como você tem coragem?’ e do advogado você não MBIGUCCI NEWS 11 “Posso dizer que me humanizei nas cadeias de São Paulo”

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pode admitir uma coisa destas. A grande campanha que deveria a OAB empreender agora é exatamente essa: a de esclarecer qual o nosso papel. A sociedade não sabe a que veio o advogado, já soube; depois com essa cultura punitiva que tomou conta do país, nós passamos a ser os coautores dos crimes. Outra questão muito sensível também é a dos honorários. Hoje, todo mundo fala que os advogados ganham milhões. Primeiro não é verdade. A concorrência existe e ninguém paga milhões, mas há de se considerar, mesmo aqueles honorários maiores, que um processo não demora menos que cinco anos, se você dividir um milhão de reais por cinco anos... Por outro lado, é hipócrita isso, porque em nosso país se valoriza o ter.Quem ganha é aplaudido, como jogador de futebol, cantor, banqueiro. Além do mais, essa questão dos altos honorários é uma meia verdade. Hoje, nós somos em 700 mil advogados no Brasil, e em São Paulo, militando, uns 200 mil. Existem 60 mil advogados, conveniados com o Estado que dão assistência judiciária gratuita, e recebem por mês uma média de R$ 3 mil reais. MBNews: O senhor já defendeu algum caso que não acreditava? Dr. Mariz: Isso é bobagem. Não preciso acreditar nas razões, eu vou defender. Eu costumo brincar e digo assim: eu só defendo inocente, e um dia falei isto para um sujeito que veio aqui no meu escritório e ele olhou para mim e disse: então eu vou procurar outro advogado (risos). Você não precisa defender a inocência, você está ali para garantir os direitos dele e a pena justa. O processo vem com uma versão unilateral, é preciso que o réu dê a sua versão, para que no cotejo das duas versões e análise das provas, o juiz possa dizer se é culpado ou não e qual o grau de pena. MBNews: Com a recente aprovação do Novo Código de Processo Civil, não seria o momento de aproveitar e mobilizar para a Reforma do Código Penal e do Processo Penal Brasileiro, haja vista que são da década de 40? Dr. Mariz: A mobilização já há, os projetos estão em discussão na Câmara, mas essas discussões são eternas. Acho sim que precisamos pelo menos codificar todas as leis esparsas. Temos muito mais de 200 leis penais, e é preciso codificar, reformar, reformular, mas demora. Infelizmente, essa questão de legislação fica muito a critério da vontade do legislador. De repente a Câmara resolve atacar o processo penal, como resolveu atacar o Código Civil anteriormente. Até porque o Código Penal é interessante, talvez, uma das legislações que mais receba influência da sociedade. Exemplo: em 1940 e até pouco tempo, sedução era um crime, hoje é risível você falar em sedução com a liberação dos costumes. Adultério também era crime. A sociedade se incumbe de criminalizar certas condutas. Há 20 anos você não ouvia falar em crime contra o meio ambiente, crime contra o consumidor. O homem tem uma ação predatória e na medida que ele vai sacrificando certos valores, o direito penal entra para proteger esses valores, pelo menos teoricamente. MBNews: Qual seu hobbie fora da Advocacia? E o seu time do coração? Dr. Mariz: Escrevo um pouco e gosto muito de samba antigo, sou um conhecedor do samba, modéstia parte. Sou fã do Noel Rosa, Carmem Miranda, esses das antigas. Tenho uma neta de 16 anos que de vez em quando coloco para ouvir Carmem Miranda comigo (risos). Já até dancei samba, mas tive um problema de coluna e agora não danço mais. Eu frequentava uma gafieira chamada Sonho de Cristal, na Rego Freitas/ SP. Mas eu ia mais para ver dançar, porque o pessoal lá dança tão bem que eu não tinha coragem de me arriscar. Quanto ao time, sou são-paulino roxo, mas na fase de agora tem de botar fé... 12 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo

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14 BIG RISO Vem aí a 3ª Carreata do Agasalho! A ação é uma inciativa do Big Riso e da ACIGABC N o dia 28 de junho (domingo), das 9h30 às 12h30, as ruas do Centro de São Bernardo do Campo ficarão cheias de cor, alegria e solidariedade! Nesta data, os voluntários do Big Riso/ MBigucci (palhaços de hospital) e da Associação dos Construtores, Administradoras e Imobiliárias do Grande ABC, percorrerão as ruas recolhendo doações de agasalhos para as crianças e adolescentes do Lar Escola Pequeno Leão (www.larpequenoleao.org.br). Animados por um caminhão de som e pelo “Carro da Alegria” do Corpo de Bombeiros (8º GB/ SBC), o percurso também será acompanhando pela Polícia Militar (6º BPM/MP3-SBC), AES Eletropaulo, motoclubes e Departamento de Trânsito da Prefeitura de São Bernardo. A ação conta ainda com o apoio da SBC/Trans, do Supermercado Morando, além dos patrocínios das empresas: MBigucci, Ciasul, Atipass, Jacy, Casari Imóveis, Neon, Grupo VLS e Avant Signs. Em 2014 a campanha arrecadou mais de 3.500 peças Ligue para: Você também pode participar! (11) 4367-8600 – Big Riso/MBigucci | (11) 4330-8911 – ACIGABC | (11) 4356-5285 – Lar Peq. Leão “O amor é contagioso” E ste foi tema da palestra que a coordenadora do Big Riso e diretora administrativa da MBigucci, Roberta Bigucci, apresentou aos estudantes da Faculdade de Medicina do ABC nos dias 15 e 27 de maio, durante os eventos: 16ª Semana de Enfermagem e 1º Encontro Multidisciplinar ‘Onco com Amor’. As palestras viraram boas conversas com direito a novos voluntários (ao final) e aplausos de pé da plateia, que se emocionou com o trabalho de humanização feito pelo Big Riso e por diversos voluntários espalhados pelo mundo. “Quando você vira um palhaço, deve entrar no personagem com o coração e não pensando em outras coisas... Tempo a gente sempre arruma, basta querer.” 14 MBIGUCCI NEWS – Construindo o melhor conteúdo Roberta Bigucci (Spiningrifka Pirulito), idealizadora do Big Riso

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