Guimarães mais verde

 

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eco-revista #01 junho 2015 Esta revista é uma publicação da Câmara Municipal de Guimarães. Trimestral, de distribuição gratuita, acompanhará o processo de candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020. Domingos Bragança em entrevista O que é a Capital Verde Europeia? Contornos da candidatura conta comigo! Guimarães inicia processo de candidatura a Capital Verde Europeia 2020

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2 guimarães mais verde Nota Introdutoria Já está em marcha a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. Nos próximos dois anos as equipas operacionais farão o seu trabalho de implementação de boas práticas ambientais identificadas no plano global de ação e, em 2017, será formalizada a candidatura. Neste contexto, e a partir de agora, a nova eco-revista Guimarães Mais verde trará até si todas as novidades ambientais do município e acompanhará as várias fases de pré e pós candidatura. Traremos entrevistas, reportagens e exemplos a seguir. Ao longo dos anos Guimarães deu provas da sua capacidade de mobilização. Do seu espírito de luta e determinação. E uma vez mais estamos perante um desafio que precisa de todos. É agora o momento de os vimaranenses se envolverem nesta nova causa. E muito mais que o resultado final, importa concentrarmo-nos no percurso a percorrer e nas conquistas e melhorias que esse mesmo caminho irá oferecer a todos. Guimarães Mais Verde é mais que um slogan. É uma meta. É uma responsabilidade. É um desígnio que assegurará mais qualidade de vida às nossas gerações e, principalmente, às futuras. Contamos consigo! Econotícias O que é a Capital Verde Europeia? Contornos da candidatura Imagem da candidatura Entrevista a Domingos Bragança Estrutura de Missão Áreas de Indicadores Perfil de Mohan Munasinghe Depoimentos de apoio Últimas 03 04 06 07 08 10 12 13 14 15 Ficha Técnica: propriedade Câmara Municipal de Guimarães / periodicidade trimestral / tiragem 20.000 exemplares edição e design Central de Informação / impressão Gráfica Ideal de Guimarães / papel Munken Pure / distribuição gratuita (O papel Munken Pure é produzido de acordo a certificação FSC - Forest Stewardship Council. O FSC é um dos selos florestais mais reconhecidos em todo o mundo. Trata-se de uma garantia de origem que assegura a exploração florestal de forma responsável. Criado em 1993 na Alemanha, por várias instituições internacionais, o FSC tem como objetivo estabelecer princípios e critérios para conciliar a exploração da floresta e a conservação dos seus recursos).

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guimarães mais verde  3 Uma das 26 autarquias portuguesas que assinaram o programa ClimAdaptPT.Local Guimarães aposta em reduzir impacto das alterações climáticas Guimarães está entre as cidades pioneiras do projeto ClimAdaPT.Local, um consórcio internacional que reúne entidades governamentais, universidades, empresas, Organizações Não Governamentais (ONG) e municípios em torno de uma estratégia comum de combate e adaptação às alterações climáticas. O grande objetivo é agir localmente, preparando os municípios para o futuro, mas numa resposta europeia conjunta face aos problemas colocados pelas alterações climáticas. O primeiro passo será o de criar equipas que, em colaboração com os municípios, tratarão de identificar vulnerabilidades específicas de cada região e estudar soluções que ajudem a mitigar os efeitos das mudanças no clima. Depois de identificados os principais riscos, definem-se as estratégias a aplicar a cada um dos municípios. Portugal é, reconhecidamente, um dos países europeus onde as alterações climáticas têm maior impacto, desde logo pela subida do nível do mar, que afeta os municípios do litoral, mas também pelo aumento da temperatura e da frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos, tais como ciclones, cheias, seca prolongada ou incêndios. Nesse contexto, a gestão dos recursos hídricos assume especial relevância. O protocolo com a Câmara de Guimarães foi celebrado a 15 de janeiro de 2015 e tem como principal objetivo a elaboração da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) e o apoio à formação de dois técnicos municipais com vista a preparar Guimarães para aderir à Rede de Municípios de Adaptação Local às Alterações Climáticas. O objetivo das autoridades é que, num futuro próximo, todo o país esteja coberto com planos locais de adaptação às Alterações Climáticas (AC), em estreita articulação com a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC). O ClimAdaPT.Local é um consórcio composto por entidades portuguesas e norueguesas cujas metas estão enquadradas no programa Adapt, gerido pela Agência Portuguesa do Ambiente e de acordo com os termos do Memorando de Entendimento entre Portugal, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O projeto ClimAdaptPT.Local tem um apoio de 1,5 milhões de euros, cofinanciado pelo EEA Grants (85%) e o restante pelo Fundo Português de Carbono (FPC). Guimarães 2020: a caminho da sustentabilidade O Plano de Ação para a Energia Sustentável (PAES) de Guimarães, aprovado em fevereiro último, representou um passo firme e decisivo rumo à candidatura a Capital Verde Europeia em 2017. O documento apresentado ao Pacto Europeu de Autarcas define metas ambientais ambiciosas, em linha com os objetivos comunitários expressos na chamada “Política dos Três Vintes”: chegar a 2020 com uma redução de 20 por cento nas emissões de dióxido de carbono, 20 por cento de aumento em eficiência energética e mais 20 por cento de energias renováveis. Guimarães procura assim diminuir a sua pegada ecológica, afirmandose como um concelho com baixa intensidade energética e carbónica e com elevada independência energética. (Ver abaixo quadro-resumo dos valores agregados da estimativa de impacto de implementação das medidas de sustentabilidade energética). Ano Cenário Projetado sem aplicação de medidas Cenário projetado com implementação de medidas 2020 2020 Consumo de Energia Emissão de CO2 (MW/H) (TCO2) 2.473.312 1.981.647 693.459 554.790 Fatura Energética (M€) 254,75 189,80

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4 guimarães mais verde O que é a Capital Verde Europeia? Onde, quando e porquê? ················································································································ Que cidades já obtiveram esse galardão? ················································································································ Até à data, as Capitais Verdes Europeias (CVE) eleitas foram Estocolmo (2010), Hamburgo (2011), VitoriaGasteiz (2012), Nantes (2013), Copenhaga (2014), Bristol (2015) e Ljubljana (já escolhida para 2016). Como regra, as candidaturas submetidas no ano “N”, são avaliadas e selecionadas no ano “N+1”, sendo que a vencedora ostenta o título de Capital Verde Europeia no ano “N+3”. Lisboa, Porto e Cascais que apresentaram candidaturas em 2014, foram selecionadas e eram candidatas ao galardão em 2017, não tendo sido eleitas. Precisamente em 2017, Guimarães apresentará a sua candidatura a Capital Verde Europeia de 2020. ················································································································ Quais são os indicadores que estão em jogo? 8 Gestão da água; 9 Tratamento de águas residuais; 10  Ecoinovação e emprego sustentável; 11 Desempenho energético; 12 Gestão ambiental integrada ················································································································ Por que faz sentido Guimarães concorrer? ················································································································ O processo de candidatura foca, essencialmente, 12 áreas ambientais, designadas por Áreas Indicadores (AI): 1  Alterações climáticas: mitigação e adaptação; 2 Transporte local; 3  Áreas urbanas verdes incorporando uso sustentável do solo; 4 Natureza e biodiversidade; 5 Qualidade do ar ambiente; 6 Qualidade do ambiente acústico; 7  Produção e gestão de resíduos sólidos; ················································································································ O Município de Guimarães acumulou ao longo das duas últimas décadas um enorme capital de prestígio, credibilidade e notoriedade, tornando-se num concelho pioneiro em vários domínios e um dos que mais consistentemente tem investido numa visão diferenciada, baseada na valorização dos seus ativos intangíveis. Hoje existe uma Guimarães do Talento, com um sistema de ensino de excelência, onde pontuam escolas secundárias prestigiadas e uma universidade de investigação; uma Guimarães da Inovação, com um parque de ciência e tecnologia, incubadoras e gabinetes de transferência de conhecimento, centros de investigação universitários e empresas exportadoras de grande expressão; existe por certo a Guimarães Conectada, por via das inúmeras ligações institucionais, como a mais recente Universidade das Nações Unidas, das ligações eletrónicas e também das ligações físicas concretizadas pela elevadíssima acessibilidade por terra, ar e mar; e temos ainda a Guimarães Autêntica, com o seu centro histórico como Património da Humanidade, com a excelente recuperação da zona de Couros ou com as suas mais variadas expressões artísticas e da cultura popular.

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guimarães mais verde  5 ·············································································································· A par desse trabalho, Guimarães recebeu nos últimos anos iniciativas como a Capital Europeia da Cultura e a Cidade Europeia do Desporto que, para além do elevado impacto internacional, foram eventos que ajudaram a instalar dinâmicas e a entrar no quotidiano do vimaranense. Esta estratégia chegou agora a um novo nível de objetivos orientados para o ambiente e a sustentabilidade. Um novo paradigma de cidade, eficiente e com qualidade de vida, assente no cruzamento entre a história, a indústria, a criatividade e o conhecimento. Guimarães pretende assim desenvolver a dimensão ambiental, essencial para o modelo de desenvolvimento que tem sido até agora exemplar. Tal como a estratégia europeia, expressa no documento Europa 2020 e vertida para o Portugal 2020, também a estratégia de Guimarães sente a necessidade de conjugar os desígnios até agora assumidos com as preocupações da sustentabilidade: crescimento inteligente, inclusivo e sustentável são mais do que chavões, são na realidade um triângulo que, se bem equilibrado, pode constituir-se como a chave do sucesso. A candidatura de Guimarães ao galardão Capital Verde Europeia é, por isso, um desafio de grande dimensão. Mas o sucesso desta candidatura não é necessariamente o seu resultado final. Reside, isso sim, no valor do caminho para lá chegar. Um percurso que representa uma visão, uma ambição, e que se pretende mobilizador. É neste quadro que Guimarães apresenta esta candidatura. Que benefícios pode colher? ·············································································································· O estatuto de Capital Verde Europeia traz inúmeros benefícios que perduram muito além do ano de detenção do título, nomeadamente: ≥ Aumento do turismo ≥ Cobertura mediática internacional positiva no valor de milhões de euros ≥ Aumento da projeção internacional, do trabalho em rede e do estabelecimento de novas alianças ≥ Novos empregos – uma Capital Verde é mais atrativa para investidores estrangeiros ≥ Maior ênfase em projetos ambientais através de patrocínios e subvenções ≥ Orgulho entre os cidadãos ≥ Impulso para continuar a melhorar a sustentabilidade ambiental ≥ A Rede Europeia Capital Verde

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6 guimarães mais verde Contornos da candidatura Conta Comigo! O  Prémio Capital Verde Europeia, ou, para usar a expressão original, o “European Green Capital Award”, nasce da vontade de 15 cidades europeias em estimular e reconhecer as boas práticas ambientais. Foi assim que no ano 2006, as cidades de Talin, Helsinquia, Riga, Vilnius, Berlim, Varsóvia, Madrid, Liubliana, Praga, Viena, Kiel, Kotka, Dartford, Tarty e Glasgow resolveram criar um prémio que distinguisse as cidades que de alguma forma são exemplo a seguir no plano ambiental. A visão verde destas 15 cidades resultou num memorando de entendimento que serve atualmente de referência às cidades candidatas e que foi prontamente acolhido pela Comissão Europeia (presidida na altura por Durão Barroso), enquadrando-se no âmbito das políticas para um planeamento urbano sustentável. Quais os objetivos desta distinção? O título foi criado para reconhecer e atribuir mérito às cidades que apresentem um registo consistente de procura dos mais elevados padrões ambientais, encorajar as cidades a comprometerem-se com metas ambientais ambiciosas e divulgar modelos e práticas que sirvam como referência para outras cidades. Entre 2015 e 2017 é o período de preparação da candidatura no terreno. São os anos em que as equipas operacionais farão o seu trabalho de implementação das boas práticas ambientais e dos investimentos necessários, identificados no plano global. 2018 é o ano da decisão. As três candidaturas com melhor classificação integram uma “shortlist” e terão de apresentar perante um júri final o seu plano de ação e estratégia de comunicação. Em 2020 é escolhida e celebrada a Capital Verde Europeia. Esta é a data-referência para o plano de curto prazo, mas os projetos têm um horizonte mais alargado, que vai até 2030. Quais são os prazos e fases da candidatura? 2014 marcou o início da construção desta candidatura de Guimarães, com a elaboração de um plano global, em colaboração com várias entidades. Este é o documento técnico estruturante de toda a candidatura.

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guimarães mais verde  7 Isto é mais que uma flor Esta é a imagem da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. A partir de agora ve-la-á por todo o concelho, numa espécie de convite à participação de todos. O logótipo da candidatura evoca as cores da Natureza e, ao mesmo tempo, respeita o tradicional esquema de cores das Capitais Verdes Europeias. A figura, que no final se assemelha a uma flor, nasceu da combinação do sinal gráfico ‘Mais’ (+) combinado com a forma de uma folha, depois multiplicada por quatro e justaposta em forma de cruz, sendo que o corte arredondado junto ao centro lhe confere uma ideia de movimento que remete para um viravento, brinquedo muito comum e que serve de metáfora para uma das fontes de energia limpa mais importantes do nosso planeta: o vento. Esta imagem vai buscar essa força matriz. Num segundo plano, a azul, quatro outras folhas completam a imagem da flor e reforçam a ideia de união. Ao centro, também a azul, em losango, a semente, símbolo máximo da transformação, do ciclo de Renovação da Natureza. Numa leitura final, todos os elementos da imagem dependem desse núcleo e nele participam, são atores e, tal como todos os seres vivos, dependem dos equilíbrios dos ecossistemas. conta comigo! Daí também que a escolha da frase-chave da campanha tenha sido “Guimarães Conta Comigo”, uma forma simples e afirmativa de dizer que todos somos parte do problema e só viveremos em equilíbrio se todos fizermos parte da solução. Guimarães conta com cada um. E cada um poderá dizer que Guimarães conta consigo.

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Entrevista Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães “Nada nos fará desistir” Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, não esconde o entusiasmo pela candidatura da cidade a Capital Verde Europeia. Mas mais do que o resultado final vê como principal objetivo o percurso que fará de Guimarães uma cidade melhor, mais responsável e ainda mais amiga do ambiente. O que se pretende alcançar? Pretendemos ter um território amigo da natureza, apaixonado pelas linhas de água límpidas, sem focos de contaminação, com margens de rios fruíveis, com uma boa qualidade do ar, com recurso a energias renováveis e não poluentes, em síntese, criar um território de futuro. É possível Guimarães vir a ser a primeira cidade portuguesa distinguida? Que passos são necessários até 2020? Como define esta candidatura? É o assumir de uma ambição coletiva de uma cidade e de um concelho que pretende ser ambientalmente de excelência, onde se vive com qualidade, sendo uma referência a nível da Europa. As cidades e os territórios contemporâneos têm que ser espaços que vivam em harmonia com o ambiente e com uma forte consciência ecológica. Se não for assim, se não respeitarmos a natureza, ela tratará de reagir com fenómenos que vão penalizar o Homem. É a nossa ambição! Sabemos que temos um concelho bonito e organizado, mas também sabemos que é muito difícil uma cidade de média dimensão alcançar esse estatuto. Nada, porém, nos fará desistir! Definimos este objetivo e estamos a trabalhar nele, envolvendo todas as pessoas e entidades capacitadas. Precisamos de todos os vimaranenses, pois cada um de nós tem de estar neste processo! Estamos a trabalhar na candidatura que nos comprometemos apresentar dentro de dois anos, em 2017. A Câmara de Guimarães está de braço dado com a Universidade do Minho. Eu e o senhor Reitor estamos a liderar este processo; na parte operacional, estão os senhores vereadores Amadeu Portilha e Ricardo Costa e o senhor Vice-Reitor José Mendes. São 12 grandes áreas em que temos os melhores connosco para tratar de um plano onde figura cada requisito específico. Até 2020, serão feitas intervenções em várias áreas para termos um ponto de partida e condições de a candidatura ser aceite. O dossiê apresentará os nossos pontos fortes para sermos considerados um espaço de referência para se viver. Nas nossas fragilidades, temos de indicar o que vamos corrigir para que, em 2020, esses indicadores já

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guimarães mais verde  9 estejam corrigidos e sejamos fortes em áreas que não éramos. Um desses exemplos é a poluição que, infelizmente, ainda existe nos rios, daí termos criado um Plano de Ação em que envolvemos diversas entidades para que se proceda à despoluição do rio Ave, rio Selho, Ribeira da Canhota, Ribeira de Couros… Tudo o que contamine tem de ser resolvido! De que forma esta candadatura pode mudar Guimarães? combustíveis fósseis irá substituí-lo, também, pelo carro elétrico… Temos igualmente como objetivo aumentar a eficiência energética ao nível dos edifícios, públicos ou privados, para que consumam cada vez menos energia e sejam autossustentáveis. Vamos construir uma Academia de Ginástica entre a Escola João de Meira e a Escola Santos Simões. Será um edifício “Carbono Zero”, em que toda a energia que consome é autoproduzida, ou seja, não produz carbono, nem qualquer poluente para a natureza. O que será exigido aos cidadãos? que se preocupam com a natureza, a tranquilidade, com a qualidade do seu espaço em todos os critérios que possam ser medidos numa sociedade de pessoas simples, sábias e que produzam riqueza com tranquilidade. O conhecimento que cada cidadão tem e diariamente acumula faz com que a sua intervenção na sociedade seja inclusiva e respeite os conceitos da ecologia. Como avalia o custo-benefício do projeto? Tem que mudar Guimarães! Por exemplo, é fundamental a criação de cortinas arbóreas voltando a ter uma floresta à base do carvalho, do castanheiro, da nogueira, de espécies autóctones. Já estamos a trabalhar para que toda a montanha da Penha, desde o Parque da Cidade ao Santuário e à Lapinha, seja reflorestada por folhosas e os percursos pedonais sejam recuperados. No verão, teremos zonas frescas, quase um microclima provocado pela reflorestação; no inverno, como as árvores são de folha caduca, deixarão penetrar o sol. Por essa via, combateremos também a praga dos incêndios florestais, porque este tipo de árvores é resistente ao fogo. Quando se fala em manchas verdes, nas zonas urbanas, incluímos as hortas sociais e os jardins, no sentido de valorização dos recursos da terra. A Ecovia também contribuirá para a mudança de paradigma. Estamos a apostar na utilização cada vez mais regular da bicicleta, com percursos cicláveis, para que as pessoas se possam deslocar com segurança. A mobilidade é um grande desafio para Guimarães! Gradualmente, o cidadão que utiliza o veículo à base de Não exijo nada. Apenas quero que os vimaranenses se envolvam no objetivo de termos um território verde, que seja um exemplo do ponto de vista ecológico e ambiental. Quero que tenham uma forte consciência ecológica e que sejam os primeiros cuidadores para que ninguém prejudique este objetivo. E tudo começa por questões simples. Um território verde é um território limpo, logo, não podemos deixar dejetos de animais na rua, deitar papéis ou cuspir para o chão. De uma forma pedagógica, temos de expressar que o cidadão não pode contaminar a natureza. Para tal, contamos com a envolvência da comunidade escolar e educativa. Os professores serão parceiros deste projeto e estes conceitos têm de ser inculcados desde o jardim de infância. Qual o principal ativo desta candidatura? O benefício é incomensurável. O caminho a percorrer é tão ou mais importante do que a meta a alcançar. Tudo o que fizermos é para melhorar e sermos referência como cidade e concelho excecionais para se viver. Quero que os vimaranenses se envolvam no objetivo de termos um território verde, que seja um exemplo do ponto de vista ecológico e ambiental. Quero que tenham uma forte consciência ecológica e que sejam os primeiros cuidadores para que ninguém prejudique este objetivo. E tudo começa por questões simples. O maior ativo é o da envolvência das pessoas. O que resulta de uma forte consciência ecológica é a qualidade de vida! As cidades de futuro são as

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10 guimarães mais verde Está criada a estrutura de missão para candidatura a Cidade Verde Europeia Uma equipa onde todos jogam por um Guimarães + Verde O forte empenho do município de Guimarães nesta candidatura está refletido numa estrutura de missão bastante alargada e multidisciplinar, com responsabilidade partilhada entre elementos técnicos, científicos e políticos ao mais alto nível e onde não falta também a supervisão e aconselhamento externo, garantidos por algumas personalidades que são referências mundiais nesta área. A Direção da Estrutura de Missão é presidida pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, e pelo Reitor da Universidade do Minho, António Cunha, e terá também um Comité Executivo (CE), uma Unidade Operacional (UO), um Comité Externo de Aconselhamento (CEA) e uma Comissão Consultiva (CC). Foi ainda criado o papel de Coordenador Executivo. O Comité Executivo reporta diretamente ao presidente da Câmara Municipal e tem por missão coordenar e desenvolver as estratégias, promover a sua implementação junto do Comité Operacional, fazer cumprir as diretrizes do Executivo camarário e integrar as recomendações do Comité Externo de Aconselhamento. Terá a seguinte constituição: ≥ Amadeu Portilha, vice-presidente da Câmara Municipal de Guimarães ≥ José Mendes, vice-Reitor da UMinho e Coordenador da UM-Cidades ≥ Ricardo Costa, vereador da Câmara Municipal de Guimarães Para assessorar este comité foi criado o cargo de Coordenador Executivo. A ele cabe acompanhar, a tempo integral, a implementação do plano global e ainda terá a missão de apoiar o Comité Externo de Aconselhamento e o Conselho Consultivo nas suas reuniões e assumir o papel de oficial de ligação com a Unidade Operacional. Uma responsabilidade para a qual foi nomeada Isabel Loureiro. O Comité Externo de Aconselhamento acompanhará a implementação do plano global, o documento que delineia toda a estratégia da candidatura, cumprindo a função de consultores externos dos projetos em curso e validando cientificamente os documentos de trabalho que lhe são presentes pelo presidente da Câmara e pelo Comité Executivo. Paralelamente, funcionará como entidade de seleção de projetos de natureza académica lançados no interior da Universidade do Minho, ou abertos a universidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente programas de bolsas de doutoramento ou mestrado. Este órgão é presidido por Mohan Munasinghe, emérito professor universitário e Prémio Nobel da Paz em 2007, a par de Al Gore.

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guimarães mais verde  11 O painel conta com um conjunto de personalidades de reconhecido mérito intelectual, académico e científico, nacional e internacional: ≥ Prof. Mohan Munasinghe ≥ Arq. Will Wynn ≥ Prof. Mauro Agnoletti ≥ Profª Jane Carruthers ≥ Profª Verena Winiwarter ≥ Prof. Doutor Viriato Soromenho Marques ≥ Prof. Doutor António Fontaínhas Fernandes ≥ Prof. Doutor Vincenzo Riso ≥ Profª. Doutora Estelita Vaz ≥ Prof. Doutor Manuel José Rocha Armada ≥ Prof. Doutor João Monteiro ≥ Profª. Doutora Helena Sousa ≥ Prof. Doutor José Pacheco ≥ Profª. Doutora Lígia Pinto A estrutura integra, ainda, uma Comissão Consultiva que terá como função acompanhar o desenvolvimento de todo o processo de candidatura e a implementação da estratégia global, bem como analisar os documentos de trabalho que lhe são presentes pela Direção e pelo Comité Executivo. Reunirá, ordinariamente, duas vezes por ano e integrará, para além de um representante de todos os partidos políticos com representação na Assembleia Municipal de Guimarães, os diretores dos agrupamentos de escolas e das escolas secundárias e dos presidentes das Juntas de Freguesia, um conjunto de entidades, associações e instituições que exerçam a sua atividade nas Áreas de Indicadores previstos na candidatura. As Unidades Operacionais têm como objetivo executar as ações, nomeadamente a preparação de candidaturas a fontes de financiamento, preparação dos procedimentos de contratação pública, o acompanhamento da execução dos trabalhos, o envolvimento dos serviços municipais, das empresas municipais e de outros agentes públicos ou privados e a recolha e levantamento de informações. Este órgão executivo terá especialistas em cada uma das 12 Áreas de Indicadores (AI), sendo que para cada uma delas haverá um Coordenador, um elemento da Câmara Municipal e um elemento da Universidade do Minho (que, contudo, podem acumular mais que uma AI). [ver página seguinte]

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12 guimarães mais verde Áreas de Indicadores Alterações climáticas: mitigação e adaptação  ² Renato Henriques (UMinho) Joaquim Carvalho (CMG) Transporte local ² Paulo Ribeiro (UMinho) Paulo C Branco (CMG) Áreas urbanas verdes incorporando uso sustentável do solo ² António Vieira (UMinho) Filipe Fontes (CMG)  Natureza e biodiversidade ² Fernanda Cássio (UMinho) Jorge Fernandes (CMG) Qualidade do ar ambiente ² Lígia Silva (UMinho) Dalila Sepúlveda (CMG) Qualidade do ambiente acústico ² Lígia Silva (UMinho) Mariana Oliveira (CMG) Produção e gestão de resíduos sólidos ² Jorge Araújo (CVR) Dalila Sepúlveda (CMG) Gestão da água ² Paulo Ramísio (LabP) Armindo C. Silva (Vimágua) Tratamento de águas residuais ² Paulo Ramísio (LabP) Armindo C. Silva (Vimágua) Ecoinovação e emprego sustentável ² Tiago Miranda (UMinho) Filipe Vilas Boas (CMG) Desempenho energético ² Tiago Vale (AE-Ave) Joaquim Carvalho (CMG) Gestão ambiental integrada ² José Mendes (UMinho) Isabel Loureiro (CVE)

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guimarães mais verde  13 Guimarães conta com Mohan Munasinghe o Prémio Nobel que ficou maravilhado com a cidade-berço Mohan Munasinghe é uma figura quase lendária, com um currículo interminável. Natural do Sri Lanka, desde a década de 90 do século passado que este professor produz pensamento crítico e académico sobre economia e sustentabilidade, sendo mesmo autor do neologismo “sustainomics”, como uma espécie de síntese entre o desenvolvimento das sociedades e a gestão sustentável dos recursos. Durante anos centrou a sua atenção no equilíbrio do que, segundo ele, são as três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, económica e ambiental) e o seu trabalho teve eco tanto em alguns dos mais reputados organismos internacionais, como na OCDE ou no Banco Mundial, e em governos, como no Brasil, Canadá ou China. Durante anos, Mohan Munasinghe centrou a sua atenção no equilíbrio do que, segundo ele, são as três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, económica e ambiental). A influência deste economista amplificou-se quando, em 2007, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, organismo de que era vicepresidente, repartiu o Prémio Nobel da Paz com Al Gore. A academia sueca resolveu premiar o empenho de ambos, à escala global, na problemática dos efeitos negativos das alterações climáticas, da mensagem de responsabilização das sociedades em todas essas mudanças e no alerta para a necessidade de alteração de comportamentos. Atualmente, Muhan Munasinghe é presidente e fundador do Instituto Munasinghe do Desenvolvimento (MIND, em inglês), no Sri Lanka, é ainda professor convidado na Universidade de Darmstadt (Alemanha), no Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade do Pará (Brasil), da Universidade de Pequim (China) e membro do Conselho Consultivo da SCI, Universidade de Manchester (Reino Unido). No seu currículo conta com várias pós-graduações e títulos honoris causa. Em mais de 40 anos de carreira tem desempenhado elevados serviços públicos, sendo conselheiro sénior do presidente do Sri Lanka para a Energia, consultor do Conselho Presidencial dos Estados Unidos sobre Qualidade Ambiental (PCEQ) e consultor sénior do Banco Mundial. Livros, publicou 97. Teses e dissertações técnicas foram mais de 350, fundamentalmente sobre economia, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, energia, recursos hídricos, transportes, ambiente ou desastres meteorológicos. Pelo caminho recebeu vários prémios e distinções mundiais. Quando no ano passado se deslocou a Guimarães para assistir ao 2º Congresso Mundial de História do Ambiente, Munasinghe afirmou estar maravilhado com a cidade e mostrou-se disponível para dar o seu contributo à candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, aceitando encabeçar o Comité Externo de Aconselhamento e em articular com Domingos Bragança, presidente da autarquia, e António Cunha, Reitor da Universidade do Minho, a melhor forma de Guimarães reunir condições de sucesso nesta candidatura. Nessa altura declarou que “o futuro da sustentabilidade ambiental está nas mãos das autarquias, importantes polos urbanos que trabalham em proximidade com as pessoas”.

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14 guimarães mais verde Depoimentos de apoio “As exigências desta candidatura vão fazer com que Guimarães se torne ainda mais verde. Todos podemos contribuir através da reciclagem, da utilização de transportes públicos, poupança de energia. Estou certo que o habitual voluntarismo dos vimaranenses e a típica vontade de contribuir vão ajudar a cidade nesta candidatura que é extremamente competitiva e complicada”. Rui Reis | Investigador no AvePark “Acho que é um projeto em que vale a pena apostar. Estamos a falar da nossa sustentabilidade, da nossa qualidade de vida, de tudo o que podemos fazer pela nossa geração e pelas gerações vindouras. A câmara dá o passo certo para começarmos a mudar as mentalidades, mas não pode ficar-se por ser só um projeto institucional. Estou certo de que os vimaranenses vão envolver-se”. Rui Leite | Presidente da CerciGui “A autarquia fez um trabalho notável nas várias áreas ambientais, em especial na gestão e recuperação dos recursos hídricos. Este projeto, para além de distinguir aquilo que são boas práticas, pode inspirar outras cidades. Há aqui um enorme desafio, para os cidadãos, sociedade civil, agentes económicos e políticos e acredito que será um enorme sucesso”. Pimenta Machado | Diretor da Agência Portuguesa do Ambiente-Norte “A palavra ‘todos’ é para mim a palavra chave neste desígnio de conseguir que uma comunidade se torne verde. Quanto mais unanimidade mais depressa conseguimos chegar a uma cidade mais ecológica. Se todos se envolverem é mais fácil obrigar os políticos a comprometerem-se com estes desígnios. Para mim é um conforto saber que há uma autarquia que pensa como eu”. Noémia Carneiro | Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães “Estou com esta candidatura, sobretudo porque Guimarães merece. Por tudo o que tem sido feito, tudo o que tem demonstrado ao mundo ser capaz de fazer, este é mais um desígnio que vai, certamente vencer. Aplaudo uma iniciativa que é capaz de mobilizar a cidade para uma missão – esta talvez ainda mais forte e complicada que algumas das anteriores”. Manuel Oliveira | Empresário do setor dos transportes “Sem dúvida que é uma iniciativa que vale pena apoiar. Até para ajudar as pessoas a refletir no que é preciso fazer para ser uma cidade verde. Não tenho dúvida nenhuma, está comprovado cientificamente – e historicamente – que os vimaranenses são pessoas de causas, por isso, se houver esse trabalho de mobilização da autarquia, acho que vai ser um sucesso”. Isabel Fernandes | Diretora do Paço dos Duques de Bragança

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guimarães mais verde  15 “Ao assumir esta posição, Guimarães está a dar um exemplo ao país e a incentivar as outras cidades. Eu diria que é um bom investimento. Porque os recursos que se gastam a tratar os problemas causados pela má conservação da Natureza são sempre muito superiores ao que se gastará na conservação da Natureza. É uma questão de raciocínio. Se investirmos nesse campo estamos a poupar no futuro”. Fortunato Frederico | Empresário do setor do calçado “Esta é uma candidatura que deve encher de orgulho os vimaranenses. Tal como estivemos todos de parabéns na Capital Europeia da Cultura e na Cidade Europeia do Desporto, tenho a certeza que Guimarães vai dar o seu melhor também nesta candidatura. Porque Guimarães, onde se mete, é para dar sempre o seu melhor”. Dulce Félix | Atleta “Este é um objetivo que tem sustentação nas políticas ambientais do município dos últimos anos. Portanto, será como que uma cereja em cima de um bolo que vem sendo construído com uma participação muito ativa e interessada dos vimaranenses. E nem é importante que termine na consagração de Guimarães como Capital Verde Europeia, mas que sirva para reforçar comportamentos ambientalmente responsáveis”. Costa e Silva | Administrador Vimágua “É uma boa ideia, que pode servir para refletir sobre o que a cidade é do ponto de vista ambiental. Guimarães é uma cidade que está apaixonada por si própria há séculos. Isso pode potenciar a mobilização mas também uma certa resistência à mudança. É importante que os cidadãos não sejam apenas solicitados a aplaudir a candidatura mas a tornarem-se mais exigentes, porque a exigência é uma forma de amor à cidade”. Carlos Mesquita | Presidente do Cine-Clube de Guimarães “É difícil, não se carrega num botão e as coisas acontecem, mas o que é preciso é que os nossos cidadãos aceitem um desafio que pode dar um contributo fundamental para atingirmos essa meta. Quando a população perceber que vale a pena o que estamos fazer, naturalmente que o seu contributo será fundamental para o êxito da candidatura”. António Magalhães | Presidente da Assembleia Municipal de Guimarães “É um passo muito importante que só será possível com a cumplicidade dos vimaranenses, como aconteceu na Capital Europeia da Cultura ou na candidatura a Património da Unesco. Mas este projeto é ainda mais ambicioso porque aposta num novo modelo de desenvolvimento, em que associamos o Património e a Cultura a uma cidade onde a modernidade a ciência e a tecnologia são pilares de sustentabilidade”. António Cunha | Reitor da Universidade do Minho

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