eisFluências de Abril de 2011

 

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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral abril/2011 ano ii núm x nova jerusalÉm o maior teatro ao ar livre do mundo reportagem de mercêdes pordeus Às vezes ouço comentários de pessoas em tom de ironia que recife ou pernambuco tem tudo maior e melhor do mundo ou das américas e isso por vezes me entristece porque só demonstra que o povo de uma terra bravia não sabe reconhecer os valores históricos e culturais da sua terra e é verdade recife tem no seu coração a primeira sinagoga das américas kahal zur israel rochedo de israel neste local onde a mesma funcionou e hoje é o arquivo histórico judaico de pernambuco no endereço http www.arquivojudaicope.org.br vale a pena fazer uma visita a cidade de olinda declarada em 1982 patrimônio histórico e cultural da humanidade pela unesco com riquezas inigualáveis o maior teatro ao ar livre do mundo a nova jerusalém e se formos enumerar esses valores seriam tantos porém gostaria de me deter nesta edição da revista eisfluências nesta última grandeza que tem sua história fundamentada na determinação de plínio pacheco com a dedicação e muito trabalho debaixo do sol ardente das pessoas simples que trabalharam arduamente lapidando moldando pedras inteiras que aos poucos iam se tornando colunas imensas e todo aquele cenário explicaram-me quando de uma visita naquele espaço um dia inteiro foi necessário para percorrer todos aqueles palcos que compõem o maravilhoso cenário e quando falo nesse povo provido de garra mas que tem uma dedicação especial ao que fazem eu me reporto aos que conseguiram erguer o que hoje é o maior teatro ao ar livre do mundo situada no município do brejo da madre de deus /pe a nova jerusalém sua forma arquitetônica erigiu-se no solo árido e seco entre montanhas e pedras em 1968 esse conjunto arquitetônico foi idealizado por plínio pacheco gaúcho que chegando ao brejo da madre de deus casou-se com diva mendonça filha do criador do espetáculo da paixão de cristo até então encenado em peça simples por camponeses comerciantes e alguns atores que se apresentavam nos teatros do recife plínio lá chegou em 1956 através do convite do ator luis mendonça o qual interpretava o papel de jesus a nova jerusalém tem no seu interior de cem mil metros quadrados delimitados por uma muralha de três mil e quinhentos metros e setenta torres nove cenários réplicas da jerusalém cidade santa onde acontece a paixão de cristo com a interação total do público turistas de todo o brasil e do exterior acompanhando de perto todo o espetáculo movimentando-se e percorrendo o cenário É o teatro vivo a área em que está situada a cidade teatro onde se realiza todos os anos o mega espetáculo equivale a 1/3 um terço da área da terra santa o conjunto arquitetônico da nova jerusalém e a atração teatral passaram a ser patrimônio cultural material e imaterial de pernambuco em março de 2009 graças à iniciativa do deputado alberto feitosa que apresentou o projeto de lei 816/08 na assembléia legislativa de pernambuco dando origem à lei 13.726/2009 alberto feitosa diz que há mais de quarenta aos na semana santa é encenado no maior teatro ao ar livre do mundo segundo o guiness book o espetáculo da paixão de cristo no município do brejo da madre de deus no agreste do estado de pernambuco o autor do projeto de lei diz que com essa iniciativa visa preservar as identidades histórica e cultural reconhece a obra de plínio pacheco ao construir em meio ao agreste pernambucano o monumental teatro ao ar livre hoje o teatro tem como responsável pela coordenação do evento a stfn ­ sociedade teatral fazenda nova presidida por robson pacheco filho do idealizador do espetáculo da paixão de cristo em nova jerusalém e assim passou a receber subsídios para aprimoramento do espetáculo.

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02 eisfluências abril 2011 por quase 20 anos o ator josé pimentel interpretou jesus cristo tendo sido substituído em 1996 pelo ator fábio assunção a partir daí surgiram os atores da tv globo nos papéis principais este ano será encenado de 15 a 23 de abril sendo jesus encenado por thiago lacerda dentre outros artistas da rede globo hoje josé pimentel continua fazendo o papel de cristo no espetáculo que dirige chamado paixão de cristo do recife no marco zero atualmente talvez devido ao desenvolvimento e complexidade e necessidade de aprimoramento do espetáculo é lamentável que o espetáculo da paixão de cristo de nova jerusalém tenha deixado um pouco de pertencer aos pernambucanos tolhendo talentos sublimando potenciais daqueles que foram o inÍcio palcos da cidade teatro 1 sermão da montanha 2 templo sinédrio 3 cenáculo 4 horto das oliveiras 5 palácio de herodes-bacanal 6 fórum de pilatos 7 via sacra 8 calvário ­ enforcamento de judas e crucificação 9 túmulo e ressurreição a descrição das cenas abaixo foram retiradas dos site http www.novajerusalém.com.br o sermão prÓlogo os profetas moisés e elias anunciam a vinda do filho de deus jesus aparece transfigurado entre os dois profetas tentaÇÃo no deserto jesus após quarenta dias no deserto é tentado pelas múltiplas faces do demônio sermÃo da montanha jesus prega à multidão acolhe as criancinhas cura e ensina o pai nosso ao saber da prisão de joão o batista decide seguir para jerusalém o templo de jerusalém discussÕes no templo jesus entra triunfalmente em jerusalém aclamado pelo povo expulsa os vendilhões do templo e discute com fariseus escribas e doutores da lei o sinÉdrio presidido pelo sumo sacerdote caifás o conselho supremo do sinédrio se reúne e decide condenar jesus judas vende o seu mestre por trinta moedas ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo nosso sítio http www.eisfluencias.ecosdapoesia.org conselho de redacção abilio pacheco brasil humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil petrônio de souza gonçalves brasil rosa pena brasil correspondentes alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci colômbia eugénio de sá espanha maría sánchez fernández revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil isnn 2177-5761 contacto eisfluencias@gmail.com

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eisfluências abril 2011 03 o cenáculo a Última ceia jesus reúne os seus discípulos para a Última ceia e deles se despede dando-lhes o pão o seu corpo e o vinho o seu sangue o horto agonia no horto jesus sofre antevendo sua paixão e morte a traiÇÃo judas com um beijo entrega jesus aos soldados de caifás a prisÃo de jesus jesus é levado preso para ser julgado o palácio de herodes a bacanal de herodes a bacanal do rei herodes é interrompida com a chegada dos sacerdotes que conduzem jesus jesus perante herodes herodes pede a jesus um milagre e não é atendido irritado o rei manda-o de volta a pilatos o fórum romano jesus perante pilatos o pretório romano é invadido pela multidão e pelos que querem a morte de jesus pilatos o procurador de roma chega ao pretório numa biga romana e saúda os seus legionários a flagelaÇÃo de jesus pilatos interroga jesus e manda-o à flagelação a condenaÇÃo de jesus pilatos solta barrabás e lava as mãos condenando o nazareno a morrer na cruz a via sacra o encontro com maria carregando a cruz jesus cai pela primeira vez e encontra-se com maria a sua mãe as mulheres das lamentaÇÕes compadecido das lamentações das mulheres jesus fala às filhas de jerusalém o cirineu jesus cai pela segunda e pela terceira vez e é ajudado pelo cireneu a transportar a cruz o calvário o desespero de judas judas é atormentado por sua consciência por ter traido e entregue o filho de deus à morte e enforca-se por isso crucificaÇÃo e morte na cruz jesus é pregado na cruz entre dois malfeitores É ultrajado e escarnecido pelos seus algozes na hora nona expira entregando ao pai o seu espírito a terra treme e tudo escurece com a morte do filho do homem a descida da cruz josé de arimatéia reclama o corpo de jesus que é retirado da cruz mater dolorosa o corpo de jesus é colocado no regaço de maria que chora sobre o filho morto o sepulcro o sepultamento arimatéia e nicodemos com os seus servos levam o corpo de jesus para ser sepultado num túmulo novo próximo ao local de suplício maria madalena e joão seguem ocortejofúnebre a ressurreiÇÃo jesus é sepultado e o sepulcro é fechado atendendo a uma ordem de pilatos soldados romanos montam guarda ao sepulcro na madrugada do terceiro dia numa forte comoção a grande pedra do sepulcro se move sozinha os guardas romanos fogem apavorados jesus glorioso ressurge dos mortos para a nova vida as trÊs marias maria madalena maria salomé e maria de cleofas vêm juntas para embalsamar o corpo de jesus encontram vazio o sepulcro o anjo da ressurreiÇÃo um anjo anuncia às três marias a ressurreição de jesus e lhes pede que sigam para a galiléia a ascensÃo quarenta dias após a sua ressurreição jesus sobe entre nuvens para a glória do pai diante da multidão extasiada.

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04 eisfluências abril 2011 para perpetuar através de uma obra de arte a grandeza do idealismo e a importância da obra de plínio pacheco no contexto sócio-cultural de pernambuco e do país a sociedade teatral de fazenda nova stfn pelo seu presidente robinson pacheco ergueu em 2003 dentro da nova jerusalém uma estátua do seu idealizador e construtor a escultura mede dois metros a partir da base perfazendo um total de cinco metros de altura e retrata a figura de plínio pacheco a cavalo empunhando um megafone vide foto idealizada pelo cenógrafo octávio catanho tibí a peça foi executada pelo artista plástico josé caxiado e construída em concreto sob estrutura de ferro pesando aproximadamente três toneladas a estátua é fixada em uma base giratória que tem a função de movê-la em direção a cada cena durante os espetáculos e possui iluminação especial homenagem mais que justa a construção do monumento é ao mesmo tempo um grande reconhecimento à obra de plínio pacheco e ao seu nobre espírito de luta persistência coragem sensibilidade e amor à arte texto http www.novajerusalem.com.br/2011 quarta-feira de cinzas ­ começo da quaresma por antónio da cunha duarte justo À descoberta do infinito em nós com o dia de hoje quarta-feira de cinzas os cristãos começam a época da quaresma um tempo especial de jejum e abstinência durante 40 dias trata-se de aprofundar a dimensão espiritual da pessoa durante este tempo muitos cristãos não comem carne ou privam-se de algo em favor de alguém necessitado não se trata de renunciar por renunciar a alguma coisa a finalidade do jejum e abstinência é possibilitar uma experiência de alma especial uma experiência de interioridade espiritual muitos são sufocados pelas experiências de fora sem lugar para a própria experiência por se encontrarem sempre a correr na auto-estrada da vida precisamos de pousadas para satisfazer as necessidades corporais e espirituais geralmente andamos longe de nós mesmos apesar das doenças que surgem a bater-nos à porta a chamar-nos a atenção para pararmos e mudarmos o sentido da vida a prática do jejum e abstinência destina-se a adquirir a experiência espiritual da proximidade de si mesmo da proximidade de deus o jejum pelo jejum pode reduzir-se apenas a um acto de disciplina que não nos aproxima nem nos afasta de deus pode talvez num primeiro momento levar à auto-observação a vida é para ser vivida profundamente em todas as suas diferentes dimensões muitos escolhem a semana antes da páscoa par jejuar intensivamente não se trata de experimentar a fome mas de a superar de modo a que o corpo reduza o seu consumo ao mínimo e assim disponibilizar energias especiais que favorecem a experiência espiritual esta precisa dum ambiente recatado e de silêncio as pessoas não são obrigadas a jejuar têm a oportunidade de o fazer podem reduzir as turbinas da velocidade ao mínimo além da experiência interior verifica-se que se consegue viver com menos e que isto faz bem à saúde corporal e espiritual o mundo do consumo traz-nos sempre a trote desviando-nos do essencial da felicidade que é relação a páscoa é o símbolo dum objectivo e dum estado de vida na realização da felicidade quem tem um objectivo chega a algum lado doutro modo perde-se pelo caminho ou mantem-se na roda do hamster o jejum consequente levita o corpo e dá espaço ao espírito o jejum também tem regras a que se deve estar atento para não se prejudicar o corpo o tempo da quaresma destina-se também a reencontrar os ideais da vida o que se tem a mais pode ser deixado para os que têm a menos 9 de março 2011 www.antonio-justo.eu as vezes deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência Às vezes usa a raiva para que possamos compreender o infinito valor da paz paulo coelho in manual do guerreiro da luz-1997

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eisfluências abril 2011 05 nÃo se deixe iludir josé geraldo martinez ah minha amiga não se deixe iludir essas pessoas pessimistas que acham uma grande bobagem apaixonar-se agora na terceira idade estão sempre cercadas de um certo amargor de alma provavelmente trazido de um passado distante afaste-se urgentemente e se faça de surda amase em qualquer idade e momento apesar dos pessimistas e amargos sempre de plantão o que às vezes falta é coragem de abrir as portas do coração e admitir-se amando pode observar a pessoa tem uma certa timidez ou vergonha de confessar o amor que está sentindo e de passar por ridículoa diante da família e amigos sabe por quê lá no subconsciente escuta ainda a voz dos pessimistas e isto ocorre na maioria das vezes dentro da própria família aliás na maioria dos casos de separação a própria família não dá qualquer tipo de apoio principalmente se você for mulher que dirá chegar um dia você dizendo-se apaixonada são estas regras que devem ser quebradas é a síndrome da culpa sem mesmo ter quebrar algumas regras na vida faz grande diferença deixar de compensar os filhos apenas porque saiu para dançar ou porque arrumou um namorado não adianta eles filhos muitas vezes já criados e pais até não imaginam que a mãe tenha tesão fantasias prazer sonhos isso lembra aquela coisa de primeira professora a gente imaginava quase uma deusa que não comia não peidava não chorava não sentia uma quase robô que a gente admirava acima de tudo a ponto de querermos muitas vezes até se casar com elae são esses mesmos filhos raras exceções os tais pessimistas e agourentos que ainda enxergam na mãe a santa de sempre além de alguns amigos e a família hipócrita que a abandona de pronto em sua primeira crise conjugal isto é o suficiente para medos futuros daí a importância de quebrar algumas regras ou vai querer ficar eternamente apaixonadoa pelo seusua professora de primeiro ano nossa aquela louca com um rapaz bem mais jovem ou vice-versa e daí que homem feio a fulana arrumou e ainda é motorista de táxi como se para amar alguém a gente tenha que pedir currículo ou que tenha participado de algum concurso de beleza gente as regras existem para serem quebradas o que é feio ou bonito se olhado por quem está amando o amor real tem algumas coisas parecidas com o virtual ama-se sem ver o rosto percebe-se apenas a alma falando nisso quantasos não quebraram as tais regras no virtual e ficaram apenas por ali triste não é da mesma forma quantos fizeram do virtual um ensaio e saíram para o real e estão felizes não é raro vermos alguém correndo para frente da televisão no momento da novela e ficar com os olhinhos vidrados na grande trama amorosa de alguma cena triste não você poderia estar fazendo a sua própria novela e nem precisaria de qualquer produtor o destino estaria encarregado de montar o palco e convidar o personagem basta você dar o primeiro passo iniciar a primeira cena quebrando uma regra e aguardar por capítulos de pura emoção ainda que o final não tenha sido aquele que você desejou e dai você é a produtora da sua vida e com certeza um dia escreverá um final feliz pelo menos tentou josé geraldo martinez araçatuba 09/7/2007 josé geraldo martinez é natural de araçatuba interior de são paulo músico arranjador produtor fonográfico escritor poeta cronista compositor com mais de cento e cinquenta obras gravadas e editadas três livros publicados nada está perdido restou-me um poema poesias o homem que sonhava infanto juvenil caminhos Áridos infanto juvenil partindo agora para a sua quarta obra entre grãos os sonhos romance descobriu-se escritor pelos versos que fluíam fáceis em sua criatividade pelas lembranças vividas pelo homem que marcou sua vida quer pela grandeza miséria ou luta eu te quero tanto josé geraldo martinez eu te quero tanto meu amor que já não tenho mais o que te oferecer senão o que me sobrou desta vida minha com todo esse tanto de benquerença eu te quero tanto tanto qual moribundo descobrindo a cura e renascido completamente amor meu na infinitude da alma tua eu te quero tanto meu amor qual pecador confessando ao pai em minhas mãos tu és o terço nas preces longas em teu corpo altar eu te quero tanto tanto qual peixe o rio que desagua no mar com tua presença sou puro encanto menino grande voltando a sonhar eu te quero tanto meu amor qual andarilho a água no deserto em teu peito sou carinho sou carente órfão da dor que eu deixei por certo eu te quero tanto tanto e a querer-te tanto peco ainda assim É doce o erro que cometo e quanto em amar-te tanto tanto mais que a mim hoje sou teu josé geraldo martinez hoje sou teu minha poesia tenho o coração partido uma saudade não identificada que chega brincando comigo tenho na boca o gosto de um destilado que numa taberna o fiz companheiro o peito todo inflamado guardando meu desespero lágrimas pela minha face cintilantes com a luz da lua minha a lma que divaga sem roupa na solidão desta triste rua uma mistura de sentimentos um buraco com eco cá dentro precisando ser preenchido um aborto de ti resolveria ah triste poesia deste poeta buscando o teu abrigo araçatuba/sp/br as pessoas são solitárias porque constroem paredes ao invés de pontes martin l king araçatuba/sp/br

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06 eisfluências abril 2011 joÃo ­ um encantado petrônio souza gonçalves nasceu rosa no sertão infindo joão guimarães rosa filho de seu fulô florduardo pinto rosa e de dona chiquitinha francisca guimarães rosa a 27 de junho de 1908 era no signo da vida um enluado via-se bem no rosto e no olhar herdou no coração um burgo inteiro uma cidade povoada pelas histórias mineiras que não poderia ter outro nome senão cordisburgo batizado foi de forma singular numa pia batismal talhada em milenar pedra calcária ­ uma estalagmite arrancada da gruta de maquiné assim como no batismo glorificamos a nossa alma a deus o encantado glorificou sua alma às coisas da sua terra entranhadas no fundo do coração do povo enterradas em mistérios e transcendências os fundos e abismos da alma os mistérios das grutas escuras do pensamento e sentimento humanos era o primeiro dos seis filhos de dona chiquitinha o pai era caçador de onça e contador de história o filho caçou a vinda inteira as histórias das onças que não foram caçadas das onças que viviam e rugiam dentro dele para todo sempre na vendinha que o pai tinha à casa geminada o menino joãzito atento no embornal da memória colecionava histórias dos que por ali passavam gente sertaneja vaqueiros que conduziam boiadas a cordisburgo para embarque nos trens da central do brasil com destino a belo horizonte rio de janeiro e são paulo o pai com o filho ralhava conversa de adulto não é para menino mas joãzito sabia muito bem do tesouro mágico que aos seus olhos e ouvidos ali se desfraldava um dia declarou o que eu gostava mesmo era fechar-me num quarto e trancar a porta deitar no chão e imaginar estórias poemas romances botando todo mundo conhecido como personagem misturando as melhores coisas vistas e ouvidas quando se fechava em seu quarto joãzito libertava o pensamento e montado no cavalo alado da imaginação desvendava o sertão que só conhecia pelas histórias ouvidas na vendinha do pai o menino joãzito já gostava de ler e sentadinho no chão frio ­ à buda se curvava diante do universo lúdico das palavras assim ficava horas a fio certo dia recebendo a visita do dr josé loureço amigo da família foi analisado pelo médico que estranhou o jeito do meninozinho ler de forma tão curvada com os olhos semicerrados era miopia ­ vista curta ­ que o tornava cego para as coisas desprovidas de translucidez de algo além do mundo táctil normal via mais com os olhos do coração aprendeu a sentir o mundo que o cercava só aos nove anos de idade em belo horizonte passou a usar óculos já aos sete anos joãzito começou sozinho ou melhor com os seus a estudar francês com o frei canísio zoetmulder frade franciscano holandês iniciou-se no holandês e deu prosseguimento aos estudos de francês que iniciara antes aos nove anos incompletos foi morar com os avós na capital das gerais onde terminou o curso primário no grupo escolar afonso pena na terra natal foi aluno da escola mestre candinho estudou ainda o curso secundário no colégio santo antônio em são joão del rei por pouco tempo retornando a belo horizonte e matriculando-se no colégio arnaldo onde aprendeu alemão com os padres alemães algum tempo depois definiu falo português alemão francês inglês espanhol italiano esperanto um pouco de russo leio sueco holandês latim e grego mas com o dicionário agarrado entendo alguns dialetos alemães estudei a gramática do húngaro do árabe do sânscrito do lituânio do polonês do tupi do hebraico do japonês do tcheco do finlandês do dinamarquês bisbilhotei um pouco a respeito de outras mas tudo mal e acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional principalmente porém estudando-se por divertimento gosto e distração muito mais que todas as línguas aprendeu a falar ao coração da humanidade a ler e desvendar os corações e mistérios dos homens em 1925 matricula-se na faculdade de medicina da universidade de minas gerais aos 16 anos em 1929 ainda estudante de medicina joão guimarães rosa estreou no mundo surdo das palavras escreveu quatro contos caçador de camurças chronos kai anagke título grego significando tempo e destino o mistério de highmore hall e makiné para um concurso promovido pela revista o cruzeiro visava mais os prêmios cem mil réis o conto do que propriamente a experiência literária todos os contos foram premiados e publicados com ilustrações em 1929 e 1930 anos depois guimarães rosa confessaria que nessa época escrevia friamente sem paixão preso a moldes alheios ­ era como se garimpasse em errada lavra seguindo o veio da sua vocação natural em tutaméia revelou o que com ele se passou tudo se finge primeiro germina autêntico é depois nele não apenas germinou cresceu floresceu,deu frutos e sementes que são plantadas diariamente nos solos férteis da vida humana em 27 de junho de 1930 ao completar 22 anos casou-se com lígia cabral penna de apenas 16 anos o casal teve duas filhas vilma e agnes no mesmo ano formou-se em medicina pela u.m.g e pela aclamação dos 35 colegas torna-se orador oficial da turma seu discurso foi publicado no jornal minas gerais de 22 e 23 de dezembro de 1930 nele o encantado já perfilava o seu conhecimento linguístico e a cultura literária clássica na parte final do discurso refere-se à oração do illuminado moysés maimonides senhor enche a minha alma de amor pela arte e por todas as creaturas sustenta a força do meu coração para que esteja sempre prompto a servir ao pobre e ao rico ao amigo e ao inimigo ao bondoso e ao malvado e faça com que eu não veja sinão o humano naquelle que soffre depois de formado guimarães rosa foi exercer a profissão em itaguara então município de itaúna mg onde permaneceria por cerca de dois anos lá o doutor facultado como na oração vai conviver com a gente simples do lugar tornou-se amigo de manoel rodrigues de carvalho o seu nequinha que morava num grotão enfurnado entre morros conhecido por sarandi seu nequinha era adepto do espiritismo e parece ter inspirado a figura do compadre quelemém personagem de grande sertão veredas ainda em itaguara nasceria sua primeira filha vilma que na ausência do farmacêutico oficial fez ele mesmo o parto da primogênita quando saiu de itaguara guimarães rosa foi servir como médico voluntário da força pública durante a revolução constitucionalista de 1932 indo parar no setor do túnel posteriormente entra para o quadro da força pública por concurso em 1933 vai para barbacena na qualidade de oficial médico do 9º batalhão de infantaria de barbacena guimarães prestou concurso para o itamarati obtendo o segundo lugar nessa época rosa confidenciou ao seu colega dr pedro moreira barbosa em carta datada de 20 de março de 1934 a sua desilusão com a medicina não nasci para isso penso não é esta digo como dizia don juan sempre après avoir couché avec primeiramente repugna-me qualquer trabalho material ­ só posso agir satisfeito no terreno das teorias dos textos do raciocínio puro dos subjetivismos sou um jogador de xadrez ­ nunca pude por exemplo com o bilhar ou com o futebol o encantado queria mesmo era curar os homens por dentro na sua alma no seu coração por isso com o título de doutor dos homens não foi apenas o médico-doutor foi muito mais foi o doutor-escritor que com as mãos untadas de poesia curou muitos dos males que fazem dos homens o ser humano normal ele buscava o lado encantadohumano o lado que só cabe no sentimento e derrama nas palavras sendo assim anos depois abandonou a medicina para plantar no coração de muitos um canteiro inteiro de ervas e palavras todas aguadas pela fonte da poesia do etéreo do lúdico das coisas que estão muito além de nós guimarães rosa concorreu em 1936 com um livro de versos intitulado magma ao prêmio de poesia da academia brasileira de letras ganhou com louvor o primeiro lugar encantando com seus versos o modernista guilherme de almeida anos depois rosa falaria sobre a sua inicial produção poética meu começo foram poesias escrevi um volume nada pequeno de poesias que foram até elogiadas e que me proporcionaram louvor mas aí eu quase diria felizmente comecei a ser absorvido pela minha profissão eu viajei pelo mundo conheci muita coisa aprendi línguas acolhi tudo isso em mim mas não pude mais escrever assim se passaram 10 anos até eu poder dedicar-me de novo à literatura e quando eu revi então meus exercícios líricos achei-os na verdade não ruins de todo mas também não particularmente convincentes sobretudo descobri que a poesia profissional que a gente tem de lançar mão nos poemas pode ser a morte da verdadeira poesia por isso eu me voltei para a lenda heróica o conto fabuloso a estória simples por que isso são coisas que a vida escreve não a legalidade das chamadas regras poéticas então eu me sentei e comecei a escrever sagarana em 1937 guimarães rosa com uma série de contos os reuniu em um volume para concorrer em dezembro do mesmo ano ao prêmio humberto de campos criado pela livraria josé olympio editora a comissão julgadora deste concurso foi composta por graciliano ramos marques rebelo prudente de morais neto dias da costa e peregrino júnior com o pseudônimo de viator do latim o passageiro o viandante ­ o encantado conquistou o segundo lugar no concurso entre os 57 candidatos.

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eisfluências abril 2011 07 em 1938 guimarães rosa é nomeado cônsul adjunto em hamburgo já na europa conhece aquela que seria sua segunda esposa aracy moebius de carvalho a dona ara junto à esposa facilitou a migração de judeus alemães para o brasil no período da alemanha nazista pela grandeza da alma do coração em formato de rosa joão e ara tornaram-se nome de um bosque em jerusalém em 1985 talvez de uma forma figurada para lembrar que no meio de tantos escombros e opressões o encantamento se encontra abaixo dos homens escondido mas viceja num campo em flor quando o governo vargas rompeu com a alemanha em 1942 guimarães rosa foi internado em baden-baden juntamente com outros compatriotas os brasileiros ficaram detidos durante quatro meses e foram libertados em troca de diplomatas alemães retornando ao brasil depois de uma rápida passagem pela capital federal rosa segue para bogotá como secretário da embaixada ficando lá até 1944 em 45 de volta ao brasil retoma os originais dos contos com os quais concorrera ao prêmio humberto de campos e após uma reflexiva revisão publica em 1946 pela editora universal sagarana esgotando-se no mesmo ano duas edições a palavra sagarana uma formação híbrida criada pelo próprio autor é a fusão de saga substantivo comum de proveniência germânica aplicada genericamente a narrativas históricas ou lendárias e rana adjetivo tupi que significa parecido com mal feito tosco um dia rosa definiu os enigmas do livro como sendo uma série de histórias adultas da carochinha guimarães rosa é nomeado em 1946 chefe de gabinete do ministro joão neves da fontoura e vai a paris como membro da delegação à conferência de paz em novembro de 1947 publica no correio da manhã a reportagem poética com o vaqueiro mariano resultado de uma viagem ao pantanal matogrossense que o deixou deslumbrado a ponto de considerar a região um verdadeiro paraíso terrestre um Éden como secretário-geral da delegação brasileira guimarães rosa vai a bogotá em 1948 à ix conferência inter-americana de 1948 a 1950 rosa fica em paris como 1º secretário e conselheiro da embaixada em 51 volta ao brasil e é novamente nomeado chefe de gabinete de joão neves da fontoura em 53 torna-se chefe da divisão de orçamento e em 58 é promovido a ministro de primeira classe cargo correspondente a embaixador em janeiro de 62 assume a chefia do serviço de demarcação de fronteiras tendo tomado parte decisiva em momentos chaves com relação aos casos do pico da neblina e das sete quedas em 1969 em homenagem ao seu desempenho como diplomata seu nome é dado ao pico da cordilheira curupira situado na fronteira brasil/venezuela já estava acima de nós povoava os céus o mundo leve enevoado em 52 depois de viajar o mundo sentiu o peito desabitado pelas coisas que lhe eram mais baratas caras e raras sentiu que estava despovoado do sertão que lhe era tudo o princípio o fim e o meio de três marias da lendária fazenda sirga saiu ele junto de um grupo de vaqueiros para fazer uma viagem para dentro dele mesmo para os seus mistérios suas crenças o seu mundo escuro e desabitado na companhia de manuelzão redimensionou o seu coração vasto empoeirado de glórias e histórias em comitiva guimarães rosa percorreu 40 léguas de histórias abertas nos caminhos do seu peito da sua alma até chegar a araçaí no lombo do tempo plantou nele mesmo uma semente que vingaria e daria uma árvore imensa frondosa debaixo de onde descansaria e escreveria as histórias mágicas colhidas nas curvas das estradas no sabor do vento em 1956 rosa reaparece com as novelas de corpo de baile a partir da 3ª edição o livro se desdobra em três volumes manuelzão e miguilim no urubùquaquá no pinhém e noites do sertão como o ano estava a favor do vento da história rosa lança a 4ª edição de sagarana com ilustrações de poty e para marcar de forma definitiva a literatura nacional aparece ele com as flores do mês de maio com o grande sertão veredas ou melhor as veredas do grande sertão aquele que se esconde aos nossos olhos na linha do horizonte aquele que não se mede na linha do tempo como tudo que está acima de nós não vemos completamente ao primeiro olhar o sertão de rosa ficou um pouco desabitado pelos leitores e vendo o equívoco histórico que se sucedia afonso arinos de melo franco soprou aos ouvidos mais atentos cuidado com esse livro pois grande sertão veredas é como certos casarões velhos certas igrejas cheias de sombras.no princípio a gente entra e não vê nada só contornos difusos movimentos indecisos planos atormentados mas aos poucos não é luz nova que chega é a visão que se habitua e com ela a compreensão admirativa o imprudente ou sai logo e perde o que não viu ou resmunga contra a escuridão pragueja dá rabanadas e pontapés então arrisca-se a chocar inadvertidamente contra coisas que depois identificará como muito belas depois muitos todos mergulharam na catedral mágica do sertão grandioso para rezar as histórias mágicas do encantado para comungar com o que é maior com aquilo que não se toca mas se sente no mais fundo da alma era uma rosa nascendo no sertão infindo definitivamente ruminantemente o romance recebeu três prêmios machado de assis do instituto nacional do livro o carmem dolores barbosa de são paulo e o paula brito da municipalidade do rio de janeiro em 1985 o sertão roseano era levado ao ar pela rede globo de televisão entre 18 de novembro e 20 de dezembro num total de 25 capítulos com a direção de walter avancini joão guimarães rosa candidata-se pela primeira vez à academia brasileira de letras em 1957 mas obtém apenas 10 votos em 58 começa a sentir pesar o coração povoado pelas coisas impregnadas pelo tempo e é acometido por distúrbios cardiovasculares depois de ficar por um tempo contemplando o sertão que descobrira dentro dele mesmo guimarães rosa reapareceu em 1962 contando as suas primeiras estórias numa coletânea de 21 pequenos contos em maio de 63 candidata-se pela segunda vez à academia brasileira de letras na vaga deixada por joão neves da fontoura na eleição realizada no dia 8 de agosto o encantado é eleito por unanimidade mas sua posse só aconteceria anos mais tarde em janeiro de 65 rosa participa do congresso latino-americanos de escritores em gênova como resultado do congresso ficou constituída a primeira sociedade de escritores latino-americanos em 66 o conto a hora e vez de augusto matraga torna-se por roberto santos um filme admirável que percorre vários festivais internacionais em abril de 1967 guimarães rosa vai ao méxico como representante do brasil no i congresso latino-americano de escritores no qual atua como vice-presidente publica nesse mesmo ano tutaméia tutaméia foi o último livro publicado em vida pelo autor foram publicados em 1969 e 1970 os livros póstumos estas estórias contendo meu tio o iauaretê e ave palavra no dia 16 de novembro de 1967 o escritor depois de muito se preparar toma posse na academia brasileira de letras já havia levado o sertão silencioso além fronteiras por seu trabalho reconhecido e reverenciado mundo afora seria nesse mesmo ano indicado ao prêmio nobel de literatura três dias após sua posse na academia joão tendo a certeza de que as pessoas não foram terminadas resolveu continuar aprendendo e estudando as línguas que não são faladas aqui pesquisar nomes das coisas que não estão neste mundo ver os sertões que estão por detrás do sertão que havia dentro e fora dele mesmo 100 anos de uma obra não terminada depois de ficar entre nós por um instantizinho enorme 59 anos joão guimarães rosa escolheu ser novamente o menino joãzito queria agora ler livros sentadinho de pernas cruzadas na esteira do céu e deitadinho numa nuvenzinha viajeira passou a observar lá de cima o sertão profundo o principio de tudo o começo o meio o todo era o encantado uma rosa mística no céu do brasil nascida e crescida no coração dos homens que acreditam nas transcendências que admitem e comungam com o mistério com o inenarrável com uma caneta emprestada por um anjinho de asas de manuelzinho-da-crôa escreveu ele quando mal o sol se punha e lhe dourava a face na página da história do coração da gente travessia era o começo de tudo petrônio souza gonçalves é jornalista e escritor www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com morre-se de amor também se morre dessa doença cruel e implacável que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar o desprezo pelos outros autor baptista-bastos tema desprezo fonte jornal de negócios/portugal data 08/01/2010

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08 eisfluências abril 2011 vocÊ nem queira saber por marcelo sguassábia i só sei que nada sei pra se saber um por cento do que é preciso seria preciso mil quinhentas e noventa e seis vidas de oitenta anos cada a conta é essa por enquanto amanhã aumenta depois de amanhã nem se fala há um email marcado como não lido faz quinze dias leio e fico sabendo que lá se foi um camarada meu dos idos do rolemã e dos cachorros amarrados com linguiça acendo mentalmente uma vela e tomo um trago à sua saúde ou no caso à falta dela fica até chato ligar agora pra família depois da missa de sétimo dia É essa pressa maldita besta nervosa em que se monta e se galopa sem sela no desajeito desculpe aí meu amigo o que faltou ser dito fica pra outra encarnação tá certo isso eu juro pra você ii todo conhecimento do mundo é atualizado a cada 5 anos não sei mais onde nem quando li isso mas se sair pesquisando vou perder tonéis de infos que correm na raia 3 e chegam em cima da hora breaking news extra-extra plantões do jornal da globo e os outros 235 canais que clamam pelo meu zapping mendigando uma parada que justifique a assinatura mas aí toca o telefone aí o jantar tá na mesa e aí a mesa é só um adereço porque já me adianta a vida se der pra comer de pé por favor me quebra essa eu não tenho o dia todo e você sabe bem disso no olho do sobressalto o jeito é partir voando pode ir na janelinha no caminho eu explico tudo iii a urgência de ler o Ócio criativo aquele livro que fala da necessidade vital de fazer coisa nenhuma tenho muito o que fazer antes de pôr as mãos nele que encabeça uma pilha de 80 centímetros de livros que por sua vez faz as vezes de criado mudo para o copo d água e o lexotan É que acordo sempre no meio da madrugada assustado e suando frio na ânsia de precisar saber o que não é possível saber por não haver tempo hábil iv basculante de spams sendo despejado agora não blogs sendo atualizados depois quando baixar a poeira só que a poeira aumenta porque o galope aperta revistas resenhas de fôlego imperdíveis que se perdem não deixe o inadiável pra logo mais sem querer cobrar mas já cobrando há 1000 lugares que você precisa conhecer antes que se despeça do mundo 1000 filmes que você precisa ver de qualquer jeito irremediavelmente antes que seja tarde antes que algo mais grave impeça antes que uma merda de um parkinson se instale precocemente antes que o depois chegue de uma hora pra outra e seja o sujeito que rapte e faça refém e mate no esconderijo sem mesmo pedir resgate v estabeleça prioridades primeiro os clássicos sempre mas eles que esperem afinal são clássicos e venceram a prova do tempo essa coisa que lhe que me que nos falta continuarão sendo clássicos a despeito da sua leitura da audição que faça deles de aplaudir ou não suas peças e seu legado à humanidade só sei que nada sei quem foi que disse isso mesmo ao google são google tenho três minutos e meio até que o circo pegue fogo deve dar tem que dar torça por mim por favor http www.agitobrasil.com.br/blogs/consoantesreticentes agonia sentimental humberto soares santa eu sou feito de fogo terra e água e tenho em mim o hoje e o ontem logo ficarei amassado em dor e mágoa no leito deste rio em que me afogo em mim vivem tristeza e alegria feio e belo também vivem comigo assim como a arrogância e a simpatia unidos ao perdão e ao castigo possuo em mim a noite e a alvorada tenho o calor o frio e o sofrimento assim como a tristeza e a gargalhada deus pra aumentar a dor do meu tormento querendo que eu fosse tudo sem ser nada soprou dentro de mim o sentimento cotovia-sesimbra-portugal trem da vida joaquim marques somos levados em alta velocidade p lo trem da vida em que todos viajamos partimos da estação da mocidade e a esta alguma vez jamais voltamos o trem vai correndo a toda a brida os olhos se deliciam na paisagem não pára em estações não há saída pois é directo o curso da viagem enquanto viajamos podemos contar as estações por onde o trem passa em velocidade louca sem nunca parar um túnel escuro muda a paisagem uma luz ao fundo lentamente grassa estação de chegada e fim de viagem porto/portugal

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eisfluências abril 2011 09 sertanojo abilio pacheco uma leitora me pediu uma crônica sobre música sertaneja chamou-a de sertanojo disse-me não conseguir ficar num ambiente com música sertaneja e que ao chegar num bar só de sertanejo terminou suportando apenas a custa de muita cerveja nestas horas gostar de cerveja faz uma diferença ela surpreendeu-se talvez até tenha se decepcionado com meu gosto musical quando demonstrei certa afeição ao sertanejo à música sertaneja afeição sim mas não a isto que por aí se chama ou chamamos de sertanejo convém esclarecer até chegarmos nestes cantores jovens com linguagem urbana e calça jeans tocando um ritmo que ora se aproxima do rock ora se aproxima das novas mpb s e cantando letras que pouco ou nada lembram a atividade não-urbana tivemos pelo menos duas fases ou gerações de cantores desse gênero que é bem representativo de uma parcela identitária de nossa nação os primeiros sertanejos ora ou outra chamados caipiras hoje chamados clássicos sertanejos mas também conhecidos como sertanejos de raiz que eu gosto de chamar sertanejo de verdade cantavam usando o sotaque e vocabulários próprios de sua região a música estava mais próxima das modas de viola de fins do século 19 e início do 20 a interpretação dos artistas era discreta e mesmo sendo apenas a dupla no palco não havia uma supervalorização do artista em relação à música a entonação em muito se aproximava de um diálogo ou de um cantar baixinho as letras versam sobre a vivência numa atividade não urbana e muitas vezes ou eram elaboradas em redondilhas maiores ou contavam uma história não raro era encontrar canções que lembram os rimances romances medievais ou seja narrativas em redondilhas um bom exemplo creio que até bastante conhecido é o chico mineiro que além de tudo ainda apresenta um drama familiar bem ao gosto clássico mas também bem próximo da produção literária medieval da península ibérica depois destes surgem as duplas que ainda hoje estão por aí são formadas por pessoas cuja origem é rural foram criados em fazendas e seus pais ou eles mesmos na infância desempenharam atividades pecuárias ou agrícolas o sotaque parece suavizado e o próprio vocabulário empregado passa a se aproximar mais do urbano as músicas passam a incluir outros instrumentos e a semelhança com a moda de viola vai aos poucos se perdendo na interpretação a figura do artista passa a ganhar relevo surgem os backvocais e a entonação vai ganhando esta característica espremida de prisão de ventre que conhecemos hoje as letras vão abandonando a temática anterior e passando a incorporar o ritmo das cidades e mesmo as canções de amor perpassam por questões ligadas à vivência urbana não só a redondilha deixa de ser usada afinal eles não sabem o que é metrificar como qualquer outra aproximação com a literatura e a cultura literária é abandonada esse processo de empobrecimento artístico só piora depois que alguns artistas passam a fazer carreira solo o sertanejo ganha adjetivo romântico-sertanejo hoje já são muitos os qualificativos postos ao sertanejo batidão sertanejo sertanejo universitário entre outros os cantores em pouco ou nada lembram os cantores caipiras o sotaque sumiu de vez e o vocabulário não só é urbano como beira a variação etária da juventude não vou me assustar se ouvir qualquer dia uma gíria numa canção desses jovens a música ganhou ritmo moderno arranjos sofisticados e instrumentos eletrônicos além da diversidade de músicos no palco as letras se urbanizaram de vez e o tratamento temático se aproxima do rock ou mesmo do pop-rock o valor estético costuma sofrer mais a influência de uma cultura musical de outros ritmos que de uma cultura literária além desse ponto relativamente positivo os cantores jovens diminuem outros abandonam totalmente a intensidade do cantar puxado espremido dos segundos sertanejos ao contrário dos primeiros sertanejos ou dos caipiras estes em nada se assemelham a pessoas advindas de áreas não-urbanas aqui e na maioria da geração anterior é difícil perceber que se trata de música sertaneja ou mesmo difícil de classificá-la assim afinal o caráter identitário ligado a um certo brasil a parcela sertaneja especialmente de minas e goiás parece substituído por um caráter identitário de feição nacional totalizante não consigo reconhecer estes como sertanejos posso gostar da música que fazem posso encontrar nela qualidades artísticas e musicais ausentes nos segundos mas tenho uma resistência a aceitar a classificação já os segundos são frutos bem sucedidos de estratégias de publicidade são fenômenos próprios da indústria cultural alguém ouviu as trombetas soarem eles estão bem classificados como românticos e ponto já os primeiros caipiras sertanejos de verdade que abriram picada na mata em época sem internet com a tv ainda em surgimento e tendo apenas o rádio como aliado que não tiveram empresários e estratégias de marketing nem usufruíram o que a indústria cultural proporcionou a partir da década de 60/70 que realmente sabem/sabiam o que é/era o sertão a vivência nos rincões deste país deles eu gosto admiro ouço com satisfação e contentamento a música deles sim unicamente deveria se chamar música sertaneja algumas observações 1 o título da crônica foi citado pela primeira vez por rosa nepomuceno música caipira da roça ao rodeio são paulo ed 34 1999 2 a divisão que faço não tem fundamentação acadêmica mas sugiro a leitura de um texto que faz uma divisão diferente da esboçada aqui porém com fundamentação em pesquisa ivan vilela cantando a própria história disponível em www.musicadesaopaulo.com.br/ivan_vilela.pdf 3 outro texto fruto de pesquisa acadêmica que merece nota aqui é a dissertação de mestrado de elizete ignácio dos santos música caipira e música sertaneja classificações e discursos sobre autenticidades na perspectiva de críticos e artistas disponível em www.ppgsa.ifcs.ufrj.br/mestrado/texto_completo_226.prn.pdf 02 de fevereiro de 2011 abilio pacheco professor escritor http www.abiliopacheco.com.br hei-de soprar no trompete até o anjo gabriel dizer basta depois junto-me a ele e formamos um duo pois deve tocar trompete como gente grande louis armstrong n nova orleães 1901 m nova iorque 1971

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10 eisfluências abril 2011 escrevendo com sangue jorge cortás sader filho pois é o que lhe digo não se escreve pelo simples prazer de teclar ou desenhar letras os resultados são ruins escrever como toda arte necessita do aprendizado fundamental a língua e a literatura e sobretudo a alma da verdade o transmitir conhecimento sem ser professor usando sua sabedoria É penoso a língua tem que ser trabalhada em todo o trecho não pode haver erro perde-se tudo o autor não merece crédito É preciso ter amplo domínio do vernáculo e da ciência do saber a comunicação com quem lê o cérebro sangra o coração sangra os dedos tremem as ideias funcionam como engrenagens de uma máquina perfeita além de não poder brincar com o leitor e ter por ele o máximo respeito há que se despertar o seu interesse nas primeiras linhas e levá-lo assim até o final um processo difícil e na maioria das vezes doloroso sua verdade tem que ser exposta não interessa se não é a do leitor não podem existir mentiras falsidades quem escreve para agradar o leitor preocupado com este pensamento cai fatalmente em erro sem remédio É bom que tenha em mente que quem lê logo percebe se o autor está enchendo o papel ou querendo demonstrar cultura escrever não é isto É entregar-se num ato de doação todo aquele que tem conhecimento fica na obrigação de transmiti-lo sem alterar uma letra enfim escrever é um ato de amor que não está sujeito a outra regra senão esta doar-se niterói/br 28/3/2011 http aduraregradojogo24x7.blogspot.com deus pátria e família antónio barroso tiago não sou dado a formular juízos de valor entre duas épocas diferentes no meu tempo creio que a evolução da humanidade hoje em dia tão acelerada não se compadece de saudosismos estéreis nem das reminiscências dos tempos de criança no entanto quando se alteram os valores que formam o carácter ou se eliminam princípios considerados desde há séculos como a identidade dum povo ou ainda se substituem usos e costumes que constituem o normal funcionamento duma vida em comunidade por modas importadas sem nexo sou levado a pensar que algo não está correcto num evoluir que olha apenas o lado material e se esquece de o fazer acompanhar dos ensinamentos espirituais legados por gerações de antepassados vem este pequeno preâmbulo ao caso por me aperceber de ter lido não me recordo quando ou onde uma dissertação sobre o conceito de deus pátria e família considerado por alguns como uma herança do fascismo na ânsia pessoal ou doutrinariamente imposta de destruir um passado cuja história vão impondo como dado irrefutável pelas obras que legaram ou pelos feitos que o tempo não deixou esquecer esta trilogia deverá ter servido de bandeira ou guião a tantos henriques gamas e cabrais que camões imortalizou mais tarde tomando-lhes o exemplo também serpas mouzinhos ornelas e tantos outros honraram o lema de seus antepassados mas porque este guião quer no seu conjunto quer tomado individualmente contém conceitos contrários às modernas ideologias ou ao cifrão eleito como símbolo do poder de há muito que se vem desenvolvendo por variadíssimas formas uma campanha surda e subterrânea mas persistente contra este conjunto de princípios que pela sua honesta existência pode pôr em causa a sobrevivência de alguns agregados oportunistas ou grandes grupos económicos todo o ser humano é livre de crer ou não na existência de deus desde que haja honestidade no seu pensamento e seguir a religião que mais se adeqúe à sua forma de interpretar a vida o que já não é válido é a procura sistemática da destruição dessa crença não por uma argumentação positiva e séria mas antes evidenciando à exaustão os erros cometidos pelos homens que as constituem quando são por demais conhecidos os defeitos inerentes à condição humana É sabido quer se acredite quer não que a religião é um repositório de princípios morais que rege as relações individuais de modo a formar o homem como um ser fraterno pronto a auxiliar sem esperar contrapartidas o seu semelhante ora isto está em completo desacordo com grupos onde o amoral é prioridade para dar satisfação aos mais estranhos desígnios É o slogan do tudo é válido não importa os meios utilizados por outro lado o capital procura rentabilizar os seus investimentos triturando toda e qualquer imposição social que lhe possa causar sombra e por isso uma acção que seja sinónimo de justiça no trabalho representa uma diminuição dos lucros que é preciso combater os extremos unem-se no combate a uma ameaça comum a pátria hoje em dia é um conceito ultrapassado para todos aqueles que sobrepõem a matéria ao espírito longe vai o tempo em que havia uma interioridade que fazia sentir orgulho do local em que se nasceu das tradições dos avós e dos antepassados que a escola ia mostrando através duma história ímpar recheada de exemplos de fazer inveja a todo o mundo as novas gerações nasceram já sob a égide das união europeia e por esse facto e porque a escola que nos foi imposta adultera muitos dos factos que deram origem à situação actual perderam o sentimento de amor à terra onde nasceram e habituaram-se a aceitar como boas todas as directivas oriundas de bruxelas e o mais curioso é que dirigentes que deveriam pugnar pela defesa dos interesses do povo a que pertencem traiam a sua confiança e por cobardia medo incompetência ou o que é bem pior com a cupidez de futuras colocações internacionais aceitem sem pestanejar todas as imposições que lhe são colocadas e assim a pouco e pouco vai-se perdendo um sentimento que camões retratou em versos sublimes restaria a família se os ataques também não a atingissem com o ímpeto da ferocidade de mentes para quem tudo deveria ser permitido aliás sendo a família um dos sustentáculos da igreja seria de estranhar que não sofresse dos mesmos ataques então com a persistência do obstinado aprova-se uma lei do aborto que sem ter em atenção qualquer princípio moral apenas promove a livre promiscuidade como forma de satisfação de desejos primários depois facilita-se ou até se incentiva o divórcio como arma que elimina o matrimónio que passa a ser considerado um mero acto de papel passado sem consistência e sem valor em sua substituição os termos junto amigo companheiro namorada e tantos outros passam a fazer parte da terminologia do quotidiano finalmente e numa estranha contradição o casamento gay é autorizado depois de longas e enfadonhas dissertações sobre liberdades e direitos sem que curiosamente todos aqueles grupelhos que mais se encarniçaram na defesa desses valores alguma vez tivessem falado em deveres É que estes são só obrigações de outros isto é do povo que tem o dever de aceitar tudo o que lhe é imposto incluindo a libertinagem legalizada deus pátria e família e as gerações vindouras ainda virão a perguntar intrigadas o que isso quererá dizer antónio barroso tiago parede/portugal

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eisfluências abril 2011 11 um sentir diferente antónio barroso tiago ser poeta é ver azul o céu cinzento e vaguear sem rumo quando apraz rasgar com raiva o verso que se faz escutar calado a doce voz do vento ser poeta é na derrota ter esperança e na desgraça ser sempre confiante cheirar com prazer a flor brilhante sonhar com o amanhã como a criança ser poeta é admirar o beija-flor sugando o néctar em voar feliz É ser adulto com mente de petiz e a cada mulher prometer amor ser poeta é chorar na despedida viver cada minuto em liberdade sentir a alma repleta de saudade respeitar a morte por amor à vida ser poeta é expressar toda a tristeza em palavras para muitos sem sentido É ver no arco-íris tão colorido sete cores diferentes de beleza ser poeta é querer tudo não ter nada mendigo a todo o preço de afeição fugindo com pavor da solidão trazendo sempre a alma enamorada ser poeta é gostar de toda a gente ter do mundo visão de paraíso ser boémio tresloucado sem juízo e não seguir ninguém ser diferente ser poeta é querer e não ter calma p ra esperar o momento tão sonhado ficar p lo dom da vida deslumbrado ser poeta afinal é estado de alma parede portugal a primavera e a orquestra fahed daher pare um momento só a carruagem louca da busca do dinheiro e do poder veja que a nossa vida é breve e muito pouca a chance de viver para viver encontre tempo para olhar o céu apague as luzes todas que há ao seu redor aguce o ouvido d alma que você esqueceu procure no universo um bem maior escute o som harmônico de estrelas os cânticos corais das brisas tão macias há luzes faiscantes e tão belas no embalo levitante de alegrias aguce seus ouvidos e da su alma esqueça o chão esqueça a luz apaga fite as estrelas fite as com calma e sinta de começo notas vagas É primavera eclode em tudo a vida nas folhagens nos talos e nas flores na orquestração sublime que convida a viajar nos mundos multicores há nos trovões também toda a estridência dos tambores da orquestra celestial compondo a sinfonia da existência da primavera augusta e triunfal eclode a vida nas marés vertentes nas vagas nas marolas e nos rios no murmurar dos riachos e nos pios das aves tagarelas e contentes tomando os instrumentos do universo numa orquestra de anjos e de arcanjos em sonatas alegros melodias compondo partituras com arranjos são repetidas pelos mais diversos espíritos de luzes e harmonias que nos trazem aqui na nossa espera todo esplendor dos sons da primavera a natureza é um grande palco multicores onde estão trompas vozes e violinos violas violoncelos harpas e tambores e flautas e um maestro de sentidos finos que pode ser você sozinho num cenário buscando a voz de deus num campo solitário 01 de 10 de 1.998 23,30 horas a voz da primavera carmo vasconcelos já vão partindo as noites invernosas os dias tristes de humores enevoados degelam as correntes caudalosas furam a terra os brotos encubados regressam andorinhas migratórias os céus revestem mantos de esplendor ao pai celeste sobem oratórias das aves em seus cantos de louvor É a nova primavera a despontar que sem palavras vem pra nos dizer da natureza o eterno renovar que da aparente morte há renascer ouça-se dela a fala da razão que a morte é só da vida uma estação lisboa/portugal 21/março/2011 tempo de quaresma carmo vasconcelos das cinzas salta o tempo prá quaresma rumo à glória da páscoa promissora a elevar-nos divina por si mesma aos cumes da verdade redentora Êxtase do cristo em ressurreição alvorada que já se faz sentir fazendo repensar todo o pagão seus desmandos ateus que urge remir e a renascida flama de jesus virá trazer-lhes uma nova luz seus ímpios corações há-de tocar pois todo o ser humano é um altar onde a fé se ora em cinzas não reluz aos eflúvios da páscoa há-de se atear lisboa/portugal março/13/2011

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12 eisfluências abril 2011 la poesía actual y el dadaismo maría sánchez fernández ­ espaÑa veja-se na página seguinte a tradução para português por carmo vasconcelos ­ portugal hace pocos días a través de una correspondencia virtual con un gran amigo mío también poeta del mundo cubano y residente en españa mantuvimos una interesante conversación en la que disertamos muy amplia y ricamente sobre la poesía actual y la forma de expresión del poeta en nuestros días él llama a la forma de escribir sus versos coloquial informal un recogimiento en retazos de la vida cotidiana todo esto nos condujo sin remedio a un tema muy interesante el dadaismo es decir la oposición a la razón allá a principios del siglo xx un grupo de jóvenes poetas parisinos encabezados por el rumano tristán tzara se hallaban reunidos en un café en agradable tertulia y entre bromas y ambiente desenfadado surgió como una explosión volcánica un nuevo movimiento cultural que se caracterizó por borrar todos los cánones y convencionalismos ya establecidos en el arte y en la literatura en general provocando unas técnicas de rebeldía y aniquilación de la belleza su cometido era la destrucción de la lógica pues bien dadÁ ¿que significa dada pues da-da son las primeras sílabas que pronuncia un niño cuando quiere empezar a hablar Él intenta con este balbuceo expresar un sentimiento quiere hacerse entender con un lenguaje incipiente que es imposible descifrar nadie lo entiende da-da de ahí de esas dos inocentes sílabas nació el concepto de dadaismo el dadaismo fue un fenómeno con una fuerza extraordinaria que se extendió rápidamente en todos los campos de las artes si empezó en un ambiente literario como en broma pronto caló e influenció en la música la pintura la escultura la literatura el teatro la poesía y hasta en la forma de hablar de las gentes he leído que el cubismo y el dadaismo confluyen en un mismo punto ¡cuantos maravillosos artistas del pincel plasman sus temas en estas formas de expresión son coloristas imaginativos ¡pero tan difíciles de entender cuando pintan una imagen una naturaleza muerta una puesta de sol dicen con fuerza expresiva da-da pero ¿todo el mundo los comprende dicen que le impresionismo pudiera ser un antecesor o precursor del dadaismo algo con lo que no estoy de acuerdo si el dadaismo expresa el inconformismo en todos los campos socio ­ culturales son los antitodo en la pintura el impresionismo es la renovación de la belleza en una brillante imaginación llena de luz y colorido dándole a las formas un halo un tanto especial aunque nunca salido de la más hermosa realidad en la música el dadaismo hizo mella destacados compositores de principios del siglo xx basaron sus obras en temas llenos de disonancias y estridencias que no llegan ni calan en todas las personas son difíciles de asimilar crispan los nervios todos mis respetos para ellos porque son grandes de la música pero la música estoy convencida que es para elevar la conciencia a un estado de paz poseo una biblioteca bastante nutrida en la que tengo obras de varios autores universalmente conocidos de aquella época de principios de siglo xx y que están inmersos en el más puro dadaismo los he leído más de una vez pero cuando termino el libro caigo en una gran depresión son muy particulares en su forma de escribir por tener una imaginación extremadamente excéntrica y enfermiza que me inducen a pensar en mundos irreales que me llevan a una especie de desaliento que hace que el ánimo se me venga por los suelos y en la poesía ¡ay en la poesía hay mucho dadaÍsmo en la poesía actual el poeta escribe quiere elevarse y darle forma al verso pero lo destruye con un vocabulario que está fuera de los cánones poéticos con esto no quiero decir que no se exprese libremente que la poesía es pura y bellísima cuando es libre el verso rimado y medido es algo maravilloso por cierto así nos lo enseñaron los clásicos y la expresión poética lo que se llama poesía es otro algo muy distinto tan loables son el uno como el otro pero el poeta debería intentar llevar siempre un mensaje de belleza en sus palabras escritas escribir un poema no es poner un texto cualquiera que apenas dice nada en una serie de palabras superpuestas en forma de versos tiene que llevar un mensaje que diga poesía ahí está el fenómeno del dadaÍsmo que a través de un siglo sigue vigente en nuestros días Úbeda 1 de febrero de 2011 maría sánchez fernández ­ cónsul poetas del mundo provincia de jaén ­ espaÑa http www.poetasdelmundo.com/verinfo_europa.asp?id=3170 maría sánchez fernández É espanhola e andaluza nascida em almería e educada em Úbeda jaén onde reside trabalha e escreve decoradora escritora e poeta estudou composição armónia e piano com seu pai notável músico e compositor foram-lhe outorgados vários prémios literários e é autora de letra e partitura de várias composições musicais É a nova colaboradora da revista eisfluências como escritora-correspondente em espanha.

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eisfluências abril 2011 13 a poesia actual e o dadaÍsmo maría sánchez fernández ­ espaÑa tradução de carmo vasconcelos portugal há poucos dias através de correspondência virtual com um grande amigo meu também poeta del mundo cubano e residente em espanha mantivemos uma interessante conversa em que dissertámos ampla e ricamente sobre a poesia actual e a forma de expressão do poeta em nossos dias ele chama à forma de escrever seus versos coloquial informal um apanhado de retalhos da vida quotidiana tudo isto nos conduz inevitavelmente a um tema muito interessante o dadaÍsmo quer dizer a oposição à razão em princípios do século xx um grupo de jovens poetas parisienses encabeçados pelo romeno tristán tzara encontravam-se reunidos num café em agradável tertúlia e entre brincadeiras e ambiente descontraído surgiu como uma explosão vulcânica um novo movimento cultural que se caracterizou por eliminar todos os cânones e convencionalismos já estabelecidos na arte e na literatura em geral provocando técnicas de rebeldia e anulação da beleza o seu propósito era a destruição da lógica pois bem dadÁ que significa dadÁ da-da são as primeiras sílabas que pronuncia uma criança quando quer começar a falar ela intenta com esse balbuciar expressar um sentimento quer fazer-se entender com uma linguagem incipiente que é impossível decifrar ninguém a entende da-da daí dessas duas inocentes sílabas nasceu o conceito de dadaÍsmo o dadaÍsmo foi um fenómeno com uma força extraordinária que se estendeu rapidamente a todos os campos das artes começou num ambiente literário de brincadeira mas de pronto influenciou a música a pintura a escultura a literatura o teatro a poesia e até a forma de falar das pessoas já li que o cubismo e o dadaÍsmo confluem num mesmo ponto quantos maravilhosos artistas do pincel plasmam os seus temas nestas formas de expressão são coloristas imaginativos mas tão difíceis de entender quando pintam uma imagem uma natureza morta um pôr-de-sol dizem com força expressiva da-da mas será que todo o mundo os compreende dizem que o impressionismo pode ter sido um antecessor ou precursor do dadaÍsmo algo com que não estou de acordo se o dadaÍsmo expressa o inconformismo em todos os campos socio-culturais é o anti-tudo na pintura o impressionismo é a renovação da beleza numa imaginação cheia de luz e cor dando às formas um halo todo especial ainda que nunca saído da mais formosa realidade na música o dadaÍsmo falhou destacados compositores dos princípios do século xx basearam as suas obras em temas cheios de dissonâncias e estridências que não impressionam nem chegam a toda a gente são difíceis de assimilar crispam os nervos todos os meus respeitos para eles porque são grandes da música mas a música estou convencida que é para elevar a consciência a um estado de paz tenho uma biblioteca vasta na qual tenho obras de vários autores universalmente conhecidos daquela mesma época de princípios do século xx e que estão imersos no mais puro dadaÍsmo li-os mais do que uma vez mas quando termino o livro caio numa profunda depressão são muito particulares na sua forma de escrever por terem uma imaginação extremadamente excêntrica e doentia que me induz a pensar em mundos irreais que me levam a uma espécie de desalento que faz com que o ânimo me caia aos pés na poesia ah na poesia há muito dadaÍsmo na poesia actual o poeta escreve quer elevar-se e dar forma ao verso mas acaba por destruí-lo com um vocabulário que está fora dos cânones poéticos com isto não quero dizer que não se expresse livremente que a poesia é pura e belíssima quando é livre o verso rimado e medido é algo maravilhoso certamente assim nos ensinaram os clássicos e a expressão poética o que se chama poesia é uma outra coisa muito diferente tão louváveis são uns como outros mas o poeta deveria tentar levar sempre uma mensagem de beleza nas suas palavras escritas escrever um poema não é colocar um texto qualquer que nada diz em uma série de palavras sobrepostas em forma de versos tem de levar uma mensagem que diga poesia aí está o fenómeno do dadaÍsmo que através de um século segue vigente em nossos dias em 30 de março 2011 carmo vasconcelos ­ poeta del mundo -lisboa/portugal http www.poetasdelmundo.com/verinfo_europa.asp?id=1650 dadaísmo como fazer um poema 1-pegue um jornal 2-pegue uma tesoura 3-escolha um artigo de jornal que tenha o comprimento que você queira dar o seu poema 4-recorte o artigo 5-corte cuidadosamente cada palavra e coloque-os todos em num saco 6 agite suavemente 7-tragam as palavras um após o outro colocando-os na ordem em que eles vão ficar 8-cópie-os com cuidado 9-o poema está feito técnica exposta por tristan tzara samy rosentock escritor fundador do movimento dada.

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14 eisfluências abril 2011 ele foi meu aluno luiz poeta luiz gilberto de barros ­ especialmente para a revista eisfluências da série textos de provas Às vezes fico pensando sobre a vida da gente neste cantinho de planeta chamado sala de aula fico imaginando o que mais podemos esperar desse mundo tão conturbado repleto de violência medo e sonhos frustrados por uma bala perdida uma agressão desnecessária ou por um acidente provocado por um carro desgovernado aí vem a pergunta além da relação das pessoas com deus o que mais pode ampará-las nos momentos mais difíceis será que a gente consegue sobreviver no meio de tanta má informação tanto desrespeito pelas normas sociais tantas mentiras e demagogias os políticos mentem as autoridades mentem alguns religiosos mentem e nós como ficamos em quem devemos acreditar como devemos nos comportar no meio dessa confusão toda ainda restam as escolas os alunos os professores os pais e as pessoas que fazem parte da nossa vida e que no fundo querem o nosso bem na verdade ninguém gosta de ouvir a verdade É muito mais cômodo e até agradável que um professor por exemplo concorde ou aparente concordar com tudo que a gente faça deixando de estabelecer limites para o nosso comportamento mas será que ele está dizendo a verdade para nós será que quando o professor tenta falar a nossa própria linguagem ele não tem uma outra intenção que não seja a de nos conhecer melhor para poder nos socorrer na hora certa É meio complicado não acha ou será que a complicação está só na nossa cabeça tão teimosa sabe de uma coisa nós educadores também já fomos alunos entretanto estamos aprendendo muito mais agora com vocês É claro que às vezes ficamos irritados falamos alto e até gritamos para mostrar o óbvio quem é responsável pela aula é o professor mas e você já parou para pensar sobre isso já percebeu que quando você procura ser diferente agindo de forma errada em relação aos demais alguém tem que repreendê-lo verdadeiramente ou você se julga único nesse planeta de bilhões de pessoas que têm os mesmos sonhos a mesma dificuldade a mesma eletricidade há um pensamento que diz o seguinte deus nos dá o dom o talento ele deixa por nossa conta mas o que é talento É ser diferente invadindo a autoridade dos outros É procurar reagir de modo arrogante e agressivo quando alguém não aceita a nossa indisciplina ou é mostrar criativamente o que a gente pode fazer de bom para a vida para a sociedade e para nós mesmos quando você estiver solto no mundo por mais que não goste deste ou daquele professor o tempo cobrará um preço será que você pode pagá-lo afinal o mundo não é feito de professores nem de pais nem de parentes que costumam chamar a nossa atenção quando a gente erra o mundo é implacável algumas pessoas mentem para nós outras falam a verdade mas se nós não soubermos a diferença e aproveitar o melhor que há em cada uma delas tudo que nos tenham ensinado terá ido por água abaixo daqui a bem pouco tempo você estará livre do seu professor porém ele continuará falando as mesmas coisas para pessoas como você continuará tentando mostrar o lado sensato correto dos fatos e sabe o que o professor quer de você que você seja melhor do que ele que seja verdadeiramente um vencedor e que ele possa admirá-lo muito mais e dizer enfim orgulhosamente ele foi meu aluno rio de janeiro/br http www.luizpoeta.com sublime movimento luiz poeta luiz gilberto de barros especialmente para a revista eisfluências a nossa mente nebulosa de poetas É como um cofre que se abre sem aviso e mostra mais que a solidão de um paraíso feito de ânsias e lembranças incompletas É nesse sonho solitário que habita qualquer vontade que se torne necessária ao nosso amor pois quando a dor é arbitrária a nossa inércia ganha alma sofre e grita o coração na intenção de ser feliz enxerga a vida pelos olhos da emoção porém os óculos serenos da razão visualiza a certeza do matiz É na paixão que a razão se desvincula dessa loucura promovida pelo amor viver se torna um sentimento sedutor quando a vontade de amar não mais se anula amar é dar o mais sublime movimento ao som do vento quando finda a calmaria e o barco abre suas velas na baía e se liberta na leveza do momento rio de janeiro/br rosas silenciosas luiz poeta luiz gilberto de barros especialmente para a revista eisfluências rosas sem espinhos existem tu sabias muita gente não as toca com medo dos espinhos apenas olham-lhes as cores as folhas as pétalas macias depois se afastam esquecem-nas seguem seus caminhos entretanto quando alguns interessados observadores notam que seus caules não apresentam perigo entendem-nas como raríssimas e delicadas flores e as cortam imergem-nas na água de solitários abrigos então no momento exato em que tentam replantá-las que pena seus botões murcham e suas folhas secam silenciosas elas não se adaptam não resistem morrem esta é a cena num canto triste apenas um galho seco em vez de rosas certas pessoas são assim como flores desprovidas de defesa e que no entanto parecem tão terrivelmente ameaçadoras elas atraem pela cor pelo esplendor pela beleza mas morrem por tão pouco só por serem sedutoras rio de janeiro/br

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eisfluências abril 2011 15 a quarta darlene da costa diniz londrina/pr era de uma família humilde mas extremamente honesta naquela época a cidade era em sua maioria composta de pessoas que trabalhavam na zona rural sempre procurava colaborar na medida do possível com seus pais seja ajudando com a criação de seus irmãos menores ou com os afazeres do dia a dia que a sua mãe tinha e também com as obrigações que haviam sido dadas para os seus irmãos mais velhos a casa embora de madeira estava sempre limpinha e bem adornada aquelas crianças suas irmãs e irmãos sempre estavam impecáveis em suas vestimentas e nunca faltava nada de comer É claro que não havia abundância mas o pai nunca permitia faltar nada para aqueles filhos quando não podia comprar determinado brinquedo a criatividade sempre aparecia e a arte do artesanato vinha à tona para brindar aquelas pequenas criaturas seus filhos o pai às vezes em razão do trabalho de ferroviário ficava alguns dias fora e quando retornava era aquela festa a mãe mais sisuda e séria não deixava a qualidade de vida cair e mantinha todas as crianças sempre bem-educadas e ordeiras as tardes de brincadeiras e de passeios eram longas e divertidas de vez em quando um ou outro se machucava pulando de algum lugar alto ou caindo da bicicleta mas nada que não pudesse remendar e continuar a folia a inocência era um privilégio daquela época como se fosse possível amarrar cachorro com lingüiça o tempo passava devagarzinho bem zinho mesmo naquela cidade praticamente todos conheciam a todos mais do que isso cada um se importava com o outro que infância bonita parecia tudo tão perfeito certo dia aquela família teve que mudar para outra cidade foi uma apreensão o local era longe para os padrões de transporte da época as viagens só eram possíveis para o interior se fossem de carro ônibus ou trem claro também tinha a possibilidade do jegue e da carroça mas as estradas rodoviárias normalmente eram de chão batido muita dificuldade a nova cidade onde iriam morar estava começando e a infraestrutura era precária aí surgiu o dilema como cuidar de tantos filhos ainda pequenos numa cidade que estava começando o seu desenvolvimento e onde não tinha muitos conhecidos ou amigos o jeito foi contar com aqueles amigos que já conheciam isto foi vital para o estabelecimento de residência naquele local passados os primeiros impactos na nova vida as coisas foram se ajeitando alguns anos depois mesmo com a tragédia da morte do pai aquela família mostrou o seu valor e com a ajuda daqueles amigos de longa data conseguiu comprar uma casa sem portas e janelas distante do centro da cidade na periferia a vida era dura nessa nova realidade mas a mãe que era uma mulher de fibra sábia e de muita convicção não desistia e não admitia a palavra desânimo mais do que isso tinha filhos obedientes e corretos o pai tinha deixado uma base cristã sólida antes de falecer diaapós-dia aquela casa ia melhorando algo aos poucos uma porta aqui uma janela ali um utensílio doméstico aqui e outro acolá os filhos mais velhos um pouco mais crescidos começavam a trabalhar e a ajudar em casa inclusive na educação dos pequenos a cidade ia crescendo e aquela região onde estava a casa antes periferia e zona rural já recebia os primeiros sinais de urbanidade água luz esgoto etc a casa ia se tornando enfim aquela que no futuro todos passariam muito tempo na varanda batendo-papo horas e horas tendo como vista o ipê amarelo sempre muito florido a filha do meio sempre muito criativa e hiperativa não parava um minuto fazia um bico aqui e outro ali tudo em cima de uma bicicleta não media esforços para ajudar os outros gostava de dançar e de passear em frente ao cine ouro verde também gostava de saborear um bom e gostoso sorvete na companhia das irmãs e amigas com regularidade parava para olhar uma bela paisagem e ouvir os passarinhos assobiarem como se as músicas tivessem sido feitas para ela ah e o pôr-do-sol no lago que maravilha tinha adotado aquela cidade como sua e só sua e de seus entes queridos o cuidado todo especial com cada um dos irmãos sempre foi uma regra que nunca abandonou chorava e ficava triste sempre que sua mãe lhe chamava a atenção nunca esqueceu a educação de berço e por isso sempre foi obediente apesar de tudo o que aquela família havia passado todos eram muito felizes logo as filhas começaram a constituir suas próprias famílias e com isso aumentava com genros e netos a família daquela mãe que havia criado tantos filhos e filhas as filhas do filho mais velho na verdade netas também sempre estavam na casa da vó que benção era ver todos reunidos Às vezes um ou outro não podia ir mas sempre dava um jeito de aparecer em outra ocasião Êta que família abençoada deus sempre esteve presente alguns da família de tanta unção o senhor quis que eles ficassem bem pertinho dele na glória oh glória mas a história não termina aí não muito pelo contrário um novo capítulo está surgindo na vida desta outrora filha do meio e a quarta mulher mãe sogra e daqui a pouco vÓ a mudança foi de ourinhos em são paulo para londrina no paraná e a época inicial refere-se à primeira metade do século xx principalmente as décadas de 1950 e 1960 darlene da costa diniz nasceu em ourinhos/sp no dia 08/fev/1943 mas adotou londrina/pr como sua cidade onde mora até hoje É escritora e artista plástica pintura em óleo sobre tela e em porcelana É viúva e tem 03 filhos dois homens e uma mulher tem curso superior incompleto de design de interiores já foi promoter de desfile de modas gosta muito de plantas flores e pássaros como hobby gosta de ler e comentar sobre vários assuntos de perspectiva nacional e internacional tais como política segurança pública meio-ambiente relações internacionais etc eu amo-te sem saber como ou quando ou a partir de onde eu simplesmente amo-te sem problemas ou orgulho eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta onde não existe eu ou tu tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se pablo neruda in cem sonetos de amor

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