Edição 206

 

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Edição 206 da Revista Jornauto

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EXPEDIENTE - EDITORIAL Começar tudo de novo? Por Gilberto Gardesani Parece que será assim. E, tudo indica que o Brasil nunca mais será o mesmo. Poderá até ressurgir melhor do que é hoje, mas, certamente, vai demorar algum tempo. Tudo deverá ser retrabalhado e revalorizado. Assim sendo, acho que devemos adotar uma nova maneira de encarar as coisas. O povo deve exalar menos hipocrisia e a classe pensante parar de agir somente de maneira politicamente correta. Vamos abrir o jogo. Estamos todos no mesmo barco. Nós, do setor automobilístico brasileiro vínhamos embalados e remando a favor da correnteza, entusiasmados com os resultados sempre crescentes. Mas, de repente, apareceu uma corredeira que prenunciava uma queda d’água que ninguém sabia que altura tinha. Acho que ainda ninguém sabe. Estamos todos na expectativa de que a queda não seja muito forte. Então, o que fazer a não ser reduzir a carga e tentar manter o controle da nave para não soçobrar? E, claro, tentar ser mais eficiente. É o que nós, da revista Jornauto estamos fazendo ao oferecer matérias relevantes na revista impressa e, a cada fabricante de caminhões, uma página exclusiva em nosso novo site. Lá publicamos todas as suas ações, editando seus comunicados, tornando-os mais atrativos. Os visitantes encontram notícias de todos os fabricantes em apenas um lugar. Adquirir mais qualidade e eficiência é o que deve, ou deveria estar ocorrendo em todos os setores da economia nacional. Devemos nos adequar a uma nova realidade procurando soluções para manter alguma lucratividade. Ou mesmo sobreviver. A venda de caminhões está ruim, mas não péssima. Alguns fabricantes estão agindo inteligentemente. Conscientes de que o mercado é menor, estão procurando aumentar a participação de sua marca em cada segmento onde participam. Cada número depois da vírgula representa um avanço e isso é muito importante. Na retomada da economia, certamente, sairão na frente dos demais. Outro aspecto que deve ser cuidadosamente mantido, ampliado e melhorado, é a prestação de serviços por meio de sua rede de concessionários. Nós, da AutoCam, editora que publica a revista Jornauto há 26 anos, também estamos procurando manter o nariz de fora para continuar respirando. Na edição passada, número 205, de março, conseguimos importantes apoios de algumas montadoras e de indústrias de autopeças, o que viabilizou sua circulação. Tínhamos trabalhado em matérias importantes e era preciso que chegasse ao conhecimento do mercado. Estamos mantendo todos nossos colaboradores em plena atividade, em cidades importantes de vários estados desse imenso país. Gilberto Gardesani Seus trabalhos mostram as atividades de destacados empresários dos setores de transporte, comércio de autopeças e prestação de serviços. Na revista, publicamos uma página com as notas do nosso twitter onde divulgamos vendas importantes dos fabricantes de caminhões, além de outras notícias de interesse. Lá, temos também uma página exclusiva para publicar notícias do setor de ônibus além de automóveis, manutenção, peças e serviços. É sempre bom lembrar que a revista Jornauto tem sua distribuição dirigida somente para importantes empresários, diretores e gerentes que ocupam cargos que decidem dentro de suas empresas e que possuem alto poder aquisitivo. E eles também são grandes compradores de automóveis e gostam de saber das novidades. Lá tem tudo o que de mais importante acontece nesses segmentos. No perfil, publicado em nosso site, você pode saber detalhadamente quem são os leitores da nossa publicação e os visitantes do nosso site. Agora, em nova empreitada, junto aos mais importantes operadores de cargas de todo o Brasil, estamos mostrando a situação de cada um, suas ações para minimizar e contornar a crise e as expectativas de cada um para o ano corrente e o próximo. Leia e guarde. Edição: Gilberto Gardesani editoria@jornauto.com.br Membro da Distribuição/Assinaturas: assinatura@jornauto.com.br Assistente: Giulio Gardesani Tuvacek giulio.gardesani@jornauto.com.br Colaboradores: Adriana Lampert (RS) Alexandre Akashi (SP) Antonio Ferro (SP) Eliana Teixeira (ES) Fernando Calmon (SP) Guilherme Ragepo (BA) Luís Perez (SP) Mauro Geres (SC) Paulo Rodrigues (RS) Ricardo Conte (SP) Cultura automotiva EDIÇÃO 206 - Maio - 2015 Diretoria: Gilne Gardesani Fernandez Gisleine Gardesani Tuvacek Administração: Neusa Colognesi Gardesani Cadastro: cadastro@jornauto.com.br Produção Gráfica: Daniel Moscardo Impressão: DuoGraf Uma publicação da Rua Oriente, 753 - São Caetano do Sul - SP Cep. 09551-010 | PABX: (5511) 4227-1016 contato@jornauto.com.br | www.jornauto.com.br Circulação Nacional: Distribuição dirigida aos diretores e principais executivos que decidem pelas marcas de veículos e peças utilizadas em suas empresas, nos segmentos de frotistas urbanos e rodoviários de cargas e passageiros, rede oficial e independente de oficinas mecânicas, retíficas, varejistas e distribuidores de autopeças, fabricantes de veículos, concessionários, autopeças, equipamentos, prestadores de serviços, sindicatos e associações de classes que representam todos os segmentos do setor automotivo brasileiro. 4 Revista Jornauto

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MERCADO DE CARGAS NTC&Logística busca rentabilidade sustentável para o setor Ricardo Conte | São Paulo – SP “Como somos uma atividade meio, qualquer mudança impacta direto no nosso negócio, como o aumento do combustível, frete, impostos etc”, disse José Hélio Fernandes, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística. S egundo ele, o setor está na expectativa das medidas futuras do governo para reativar a economia do País e cobra investimentos em infraestrutura para reduzir custos operacionais. Medidas essenciais para dar competitividade ao transportador que, ultimamente, perde-a no momento em que o caminhão atravessa o portão. O dinheiro dos PACs está sendo aplicado com atraso nessa direção. Tanto que os primeiros resultados deverão aparecer entre 2016 e 2017. Conta que leva tempo um processo de licitação. Cita como exemplo, a abertura da concessão da BR 163, tão importante para o escoamento de carga em Mato Grosso. “Foi aberta só no ano passado”, critica. Crédito Christiane Ceneviva A ponta do pavio foi acesa São muitas as suas frentes, algumas bastante intensas que ocorrem até mesmo sem participação ou organização de outras entidades. A última semana de fevereiro registrou no noticiário a somatória de aumentos que impactou o setor. Como consequência, desencadeou protestos e bloqueios de estradas pelos caminhoneiros autônomos. No meio desse tumulto estava a aprovação, pouco dias antes, da Câmara Federal do projeto de Lei nº 4.246/12. “Flexibilizam diversos pontos revistos da Lei 12.619 de 2012, conhecida como a Lei de Descanso do Motorista”, informa. Foram três anos de um vai-e-vem entre Senado e Câmara para discorrer sobre o aumento de carga horária de direção e o controle da jornada pelo embarcador. É sabido que envolve interesse de parlamentaristas ruralistas e concessionárias de rodovias. Num ato de desespero para encerrar a mobilização, a presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, a Lei de Descanso do Motorista, em 2 de março, quando prometeu manter também a carência de um ano no pagamento das parcelas do Finame e Pro-Caminhoneiro, elaboração de tabela referencial de frete e congelamento de aumentos de Diesel por seis meses. Só depois da mobilização dos caminhoneiros, em 4 de maio, o Congresso aprovou, pelo menos, uma medida provisória (661/2014) que permite tal refinanciamento, repassando R$ 30 bilhões do Tesouro Nacional para o BNDES. O que garante que o caminhoneiro que contrariou emprésti­ mo para a compra de um caminhão possa refinanciar parcialmente sua dívida. “Uma medida que dá um pouco de fôlego aos que alegam que os valores médios pagos pelo frete rodoviário estão abaixo dos custos, o que inviabiliza o pagamento das parcelas”, disse. José Hélio Fernandes Além disso, altera a regra de espera no tempo da jornada, assegurando ao motorista o pagamento integral. Nova decisão judicial diz que o tempo de espera para carregar e descarregar deve ser indenizado com adicional de 30% (integra a Lei 12.619/12). “Sabemos que não será implementada no ritmo que queremos”, explica. “Só agora nessa aprovação do projeto é que foi autorizada a regulamentação da instalação de pontos de paradas com prazos que ficará a cargo do Ministério do Transporte”. Além disso, o projeto 4.246 altera a Lei da Balança e as regras de cobrança de pedágio para caminhões. Aumenta de 5% para 10% a tolerância admitida sobre os limites do PBT por eixo para rodagem. Prevê que os veículos que circulam vazios não pagem taxas de pedágio sobre os eixos mantidos suspensos. “O problema é que a lei é federal e as concessionárias estaduais”, aponta. Soluções para o roubo de carga e renovação da frota Enquanto isso, continua em pauta a preocupação com relação o roubo de carga. Uma empreitada antiga da NTC. Essa atividade ilícita, cada vez mais organizada e sofisticada, encarece as operações da transportadora, que investe alto em tecnologias, como rastreamento e gestão de riscos. “Fica à impressão que estamos sempre correndo atrás”, desabafa. Levantamento recente feito pela NTC&Logística traz índices alarmantes. Estima-se que em 2014 o aumento de casos foi de mais de 16%, comparado ao ano anterior, somando 17.500 casos. A região sudeste representa 85,31% dessas ocorrências, maioria em áreas urbanas, com 75% dos casos. Os números mais preocupantes são do estado do Rio de Janeiro que em 2013 registrou 3.535 casos e, no ano de 2014 contabilizou 5.889, elevando em aproximadamente 67% as ocorrências no período. “Os números sobem porque a legislação é branda com os criminosos”, alega. Revista Jornauto Como funcionará agora Lei de Descanso Segundo a NTC&Logística, o motorista poderá fazer até quatro horas extras, sendo duas negociadas com seu sindicato. Flexibiliza o tempo de descanso, podendo fracionar as 11 horas de descanso existentes hoje, em 8 horas e mais três no mesmo dia. Eleva o tempo de direção ininterrupta (pode aumentar de 4 para 5 horas e meia) e o intervalo de descanso de meia hora. 5

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MERCADO DE CARGAS Operadoras trabalham com queda no faturamento Ricardo Conte | São Paulo – SP Boa parte das empresas ligadas ao transporte de cargas registra perda média no faturamento entre 15% a 30% ou mais neste primeiro quadrimestre. Para sobreviver na atual recessão de mercado inovam, atraem novos clientes e cortam custos. S abem que, no fundo, todas as atividades retraem neste segundo mandato da presidente Dilma Roussef, consequência das corrupções em toda esfera governamental, escândalos na Petrobras, indefinições do Finame/BNDES e ajustes fiscais, entre tantos outros aspectos que impactam a credibilidade e confiança de investidores e dos empresários brasileiros. Sabem também que trabalharão sob pressão nos custos diretos, nas tarifas, elevação de juros, maior restrição de crédito e desaceleração da economia. Antonio Archilha Não foi diferente no setor de transporte de carga e gestão logística da pequena à grande empresa. “Inibe nossos investimentos”, afirma Antonio Archilha, empresário da Argius Transportes Ltda, conceituada transportadora com frota de quase 50 caminhões que distribuem produtos para os segmentos de vestuário e cosméticos (60% dos negócios), calçados, autopeças e materiais de escritório no varejo e atacado. desoneração fiscal. Lembra que em janeiro do ano passado o governo concedeu para o setor 1% e, agora, se fala em retornar aos 2,5%, um aumento de 150% em cima dessa operação fiscal. Isso sem contar com os aumentos do diesel em novembro e fevereiro e, ainda, a elevação de juros no financiamento da linha Finame do BNDES, essencial para o frotista levantar crédito para ampliar ou renovar suas frotas. “Não afeta só o nosso setor, mas também a indústria, a agricultura e o comércio. Este ano não temos intenção de compra.”, informa. Sem poder repassar para o cliente essas altas nas despesas de transporte, revê sua planilha e corta custos onde pode. “Não temos nem como repassar a inflação”, brinca. E fala sério sobre outro problema por acontecer: o aumento do pedágio a partir de julho no Estado de São Paulo. “Em 2013 se cogitou um aumento que não aconteceu. Porém, as concessionárias paulistas passaram a cobrar o terceiro eixo, o que nunca acontecia. O governo fala que não será mais cobrado. Aí ocorre um impasse. A lei é federal e as concessionárias são estaduais. Sabemos que, no final, vamos acabar pagando essa conta de um modo ou de outro. Elas não vão tirar do bolso delas”, argumenta. Archilha hoje trabalha para otimizar sua frota, seu espaço e sua mão de obra. Investir? Este ano não, lamenta. Para ele, é uma pena a economia estagnar neste momento, quando era para se traçar planos de investimentos para 2016. “Estamos sem perspectivas pela situação inaceitável que o setor enfrente este ano”, finaliza. Abrindo a carteira comercial Visão de mercado não muito diferente enxerga a Braspress, que também trabalha com cargas fracionadas com frota bem maior, perto de 1.300 caminhões. Para Tayguara Helou, da nova geração de empresários no comando, 2015 será um ano de maiores desafios. “Sabíamos disso lá trás. Já vínhamos nos preparando desde 2013. Este ano intermediaria dois grandes eventos esportivos – Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 – que geraria algum impacto na economia”, disse. Conta que acreditava que seria um ano de segundo provável mandato de um governo que já estava estabelecido há muito tempo. “Sabíamos de certa forma que isso traria problemas. E não deu outra”, brinca. A Braspress fechou o ano passado com aumento de 6% no faturamento. Hoje registra uma média de 18% de queda. Como resultado, Aguardar o mercado reagir Com mais de dez anos de atuação, pela primeira vez, enfrentou uma queda de 34% no primeiro trimestre de um ano, após crescer 18,2% em 2014, comparado ao ano anterior. “Trabalhamos com cargas fracionadas dentro do Estado de São Paulo e os setores onde atuamos foram bastante afetados”, disse. Para Archilha, a própria indústria enfrenta dificuldades e não tem disposição em investir. Antecipa um problema que vai piorar a situação: a 6 Revista Jornauto

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Tayguara Helou trabalha nas duas pontas do negócio para sobreviver. De um lado, implementa sistema ainda mais eficiente de gestão de custos e despesas, olhando para o que é realmente necessário para fazer sua operação fluir. De outro, revê suas receitas. E diversifica. “Abrimos nossas carteiras comerciais para mercados que a gente não tinha tanta atuação”, disse ao comentar da vantagem de se trabalhar com cargas fracionadas. “Podemos ser mais seletista, dependendo do momento econômico. Quando há retração, abrimos para novos mercados”, complementa. Informa que está expandindo visando setores de autopeças, confecções, sapatos. “Olhamos mais a fundo para conhecer melhor a natureza da sua operação. Isso trouxe possibilidades para manter nossos investimentos”, afirma. Principalmente em sistemas e na nova planta de Guarulhos, mas não prevê renovar ou ampliar a frota. “É muito nova com idade média de 2,5 a 3 anos. Talvez a ampliaremos em 2016, quando inaugurarmos nossa nova planta”, antecipa. Por acreditar que o Brasil é um País diferente do passado, hoje apresenta US$ 2 trilhões de PIB, eleva-o para um contexto econômico mundial. Além disso, é o maior mercado da América Latina. “Temos que ser precavidos nesses momentos de crises, mas não podemos perder de vista que tem um potencial de crescimento enorme”, destaca. Como também vice-presidente da SETCESP, entidade que representa os transportadores de São Paulo, analisa o momento pouco diferente. Descreve que o setor de transportes tem uma sazonalidade histórica, onde os meses de junho e julho são uma época de baixa, como acon­ teceu no ano passado, ao contrário, prejudicada pela Copa do Mundo. Porém, esse período próximo será diferente este ano. Sem evento esportivo, o número de dias úteis será maior. “Acreditamos num segundo semestre melhor. Ainda não o ideal. O que vai melhorar de forma mais sustentável será o ano de 2016”, aposta. de que tudo indica que fechará o ano negativo. Tem em sua mesa projeções de cenários futuros diversos. Difícil é optar pelo mais provável. A única coisa certa é que o volume de bens industriais para o mercado interno está baixo. Serão transportadas menos mercadorias em 2015, em quase toda atividade econômica. Aposta que a recessão de desemprego será característica Paulo Guedes marcante nesse período. Otimista, comenta que poderá, contudo, não ser raro surgir novas oportunidades. “Por exemplo, o tomador de serviços terceirizar mais a logística, na medida em que também busca preservar a rentabilidade da sua operação, como uma solução para diminuir seus custos”, especula. Com isso, criar demandas que agreguem outros serviços de logística. Não apenas de transporte, mas armazenagem (manuseio, controle de estoque, inventário etc). Porém, cada vez mais complexo, difícil e em escala menor. Desde que se garanta a eficiência e excelência operacional a custos menores daqueles praticados no mercado. “Escala que o usuário sozinho não tem”, disse. A Veloce quer manter seus investimentos para continuar crescendo. Mas vai depender muito da reação do mercado. “Disposição temos na medida em que o mercado corresponder positivamente”, disse. Por exemplo, ampliar frota não está na agenda. Substituirá uma ou outra carreta ou sider mais cansada para trabalhar com segurança. Distribuição de combustíveis sem abalos Um dos raros setores trabalhando no azul é a distribuição de combustíveis e lubrificantes. A mineira Zema Petróleo garante que todo investimento planejado ainda em 2014 será mantido para o ano de 2015. “R$ 60 milhões para embandeiramento e aquisição de ativos”, conta Hélio Costa, responsável pela área de Controle e Estratégia. Segundo ele, os abalos políticos e fiscais do início de ano não afetaram, até o momento, os negócios da empresa oriunda de Araxá. “Sofremos problemas de logística durante a paralisação de caminhoneiros. Cidades correram risco de desabastecimento”, disse. Acontece que a quase totalidade da frota da empresa é terceirizada, envolvendo algo em torno de 365 caminhões. 14 rodotrens e bitrens próprios somados a outros 150 veículos semelhantes, além de Hélio Costa mais de 200 caminhões tanques para distribuição. Revista Jornauto Projeções ao gosto do freguês Parte do Grupo Mitsui, a Veloce atua desde 2009 no Brasil e Argentina com frota de 460 veículos, passa pelos mesmos desafios com cortes de custos para adequar suas operações e sair do vermelho (hoje na faixa de 30%). E olha que faturou R$ 200 milhões no ano passado. Entre seus principais clientes se encontram GM, Honda, JCI (autopeças), Toyota, Tupi (Usina), Volkswagen. “Esta crise não vai se resolver tão rápida. Acreditamos este ano num crescimento próximo de zero, se não negativo, e retomada só lá para abril ou maio de 2016”, avalia o presidente Paulo Guedes. Portanto, o CEO acredita que o setor irá passar um ano e meio difícil. E quem depende da indústria enfrentará mais dificuldades pelo fato 7

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MERCADO DE CARGAS Fora isso, os negócios seguem de vento em poupa. Até o final deste ano, espera elevar o volume de vendas em 10% e 15% o faturamento, previsto perto de R$ 1,5 bilhão – só não será maior devido à alta dos combustíveis e da inflação. O executivo explica que o transporte de combustíveis e seus derivados tem, como pilar, as vendas dos mesmos. Produtos cruciais para manter o País se movimentando. “Mesmo com dificuldades econômicas, o consumo de combustível se mantém ou cresce e, este ano, deverá ser na ordem de 3% “, informa. A Zema entende que a situação está delicada. Mas tem muitos quilômetros rodados atravessando crises trabalhando com simplicidade e criatividade. “Passamos por diversas delas que remota da época da segunda guerra mundial”, conta. O Grupo surgiu em1923 e a Zema Petróleo em 1997. “Mas tem postos de combustíveis desde 1936, quando instalamos a primeira bomba elétrica em Araxá”, lembrando que o Grupo Zema atua também no varejo de eletrodomésticos, móveis, concessionarias, locadora de veículos, autopeças e serviços financeiros. Quando a Confenar fala em produtos específicos, como cerveja, o índice sobe para 4,9%, o que inclui o segmento de refrigerantes, com as inovações e estratégias diferenciadas. Já o desempenho da Ambev marcou sua melhor média histórica de participação de mercado, com 18,8%. “Isso impacta positivamente o andamento dos negócios de nossas revendas”, disse. O CEO prevê para 2015 que o cenário econômico será um forte complicador, sem dúvida. Mas o primeiro trimestre não foi tão ruim assim. Está otimista com os projetos para o restante do ano pelo fato da intensificação das parcerias. “Esperamos crescer de maneira orgânica, seguindo nosso plano estratégico para o ano que, entre diversos pilares, projeta elevar o nível de motivação de nossos colaboradores”, afirma. Com isso, quer dizer que este ano trabalhará focado em três pilares: ter profissionais cada vez melhores nas revendas, fechar gaps de performance comercial e produtividade operacional e rentabilidade. Para isso, mapeou os pontos que consideram mais estratégicos, uma vez que isso proporciona mais agilidade. Distribuição de bebidas diminuirá Para a Confenar (Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição) o cenário da economia foi sua principal dificuldade em 2014, algo que deve persistir em 2015. No ano passado, aproveitou para elevar o nível de entregas nos seus pontos de venda – hoje um milhão no País – e oferecer serviços e projetos que agregam mais valor para às suas associadas, que já soVictor Simas mam 120 revendas afiliadas e mil empresários ligados à rede. Desde 2002, quando criada, é a maior rede de distribuição de bebidas do País, contando com uma frota de 13.430 veículos. Desses, 8.200 são caminhões, sendo 1.400 terceirizados e 6.800 próprios dos quais 2.500 são bitrens e 4.300 são de entrega. Seus custos anuais são altos: consomem R$ 210 milhões em óleo diesel e lubrificantes, R$ 12 milhões em pneus, R$ 15 milhões em autopeças e R$ 30 milhões em seguros. Por isso, ano passado aprimorou seus serviços em busca de otimizar as demandas de seu público e conseguiu atingir os resultados esperados. Conta que tem por objetivo, este ano, criar outras ações, cada vez mais, assertivas e direcionadas para driblar a atual situação de desaceleração do mercado consumidor. ”Enxergamos um cenário econômico de pouco crescimento que deve refletir em queda de demanda por produtos”, disse o presidente Victor Simas. Ainda no ano passado, com o engajamento das equipes e ganhos de agilidade, conseguiu superar dificuldades e fechou o ano com um faturamento de R$ 12,2 bilhões junto às revendas associadas. “Queremos continuar em 2015 consolidando nosso trabalho, sempre em linha com a Ambev, que, no último ano, registrou um volume de produção 2,9% maior do que em 2013”, informa. Investimentos pontuais A IBL Logística, que atua 14 anos nos segmentos rodoviário, aéreo e armazenagem, acabou registrando retração de 4% na receita bruta em 2014. Mas prevê uma melhora este ano de 2.3% de crescimento do faturamento. “Foi um ano importante para consolidar os clientes conquistados em 2013 e aumentar nossa participação nos clientes que já estavam dentro de casa”, disse Cleber Felisbino Barbosa, gerente de Operações. Além da logística rodo-aéreo, conta com armazéns próprios e terceirizados para comportar, entre outros, produtos alimentícios, eletrônicos, farmacêuticos, lubrificantes, motopeças, químicos, tecelagem e de higiene e cuidados pessoais. Segundo o executivo, a política impactou diretamente nas decisões estratégicas da empresa para este ano. Apesar de verificar que, no fim, todo o mercado se mobiliza para manter seus investimentos. Conta que os investimentos em larga escala estiveram represados, enquanto o mercado não crescia no primeiro quadrimestre do ano de 2015. Aproveita a oportunidade para fazer ajustes internos nas suas operações para melhor consolidação e buscar novas rotas. “Isso tem nos desafiado a buscar internamente soluções que visem economias para nos manter competitivos”, comenta. “Estamos priorizando investimentos mais pontuais e cirúrgicos em áreas que nos permitam crescer com estrutura”, informa. Como exemplos, cita a ampliação da área de fármacos, que tem grande peso nos negócios, com a preparação de um novo espaço dentro das suas dependências em Guarulhos. “Estamos também investindo em infraestrutura na área de Gerenciamento de Riscos, na compra de rastreadores, adequando nossas filiais do Rio Cleber Felisbino Barbosa de Janeiro, Salvador e Manaus”, finaliza. 8 Revista Jornauto

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MERCADO DE CARGAS Crise afeta demanda e volume de cargas no Sul Adriana Lampert | Porto Alegre – RS O desaquecimento da economia brasileira já traz consequências para o setor de transportes gaúcho, que sofre com a queda da demanda e dificuldades para manter a clientela, além da impossibilidade de repassar custos em meio à recessão. E ntre os frotistas de carga do Rio Grande do Sul, a estimativa é de que apenas será possível a manutenção dos faturamentos, com ajustes nas operações, cortando gastos até que o tornado passe, para que se possa retomar o crescimento a partir de 2016. Desafio é manter as tarifas “A maior dificuldade do setor é a própria crise”, resume o diretor da Roma Cargo, José Carlos Silvano. A empresa tem visto o volume de cargas diminuir, enquanto luta para aplicar tarifas ao mercado e manter os clientes fidelizados. “Tivemos que ajustar a oferta com a demanda, que caiu bastante.” Na lista de ações para contornar o problema, a solução foi parar parte da frota, reduzir o quadro funcional, e enxugar custos em geral. “Tudo que foi considerado José Carlos Silvano desnecessário, foi cortado”, pontua Silvano. O dirigente admite que também entrou na estratégia de 2015 a decisão de postergar investimentos. “Não houve, nem haverá nenhum investimento este ano”, garante o diretor da Roma Cargo. Segundo ele, o crescimento estimado para a empresa é de 0%. “Estamos trabalhando apenas para manter os clientes, com alguma fidelidade”, explica Silvano. A estratégia da transportadora para superar o momento de retração da demanda tem sido procurar melhorar o atendimento. Na cartela da Roma Cargo, atualmente estão cadastradas mais de 1 mil empresas. Com uma capacidade instalada superior a 60 mil m² em armazenagem, a companhia tem terminais em todas as capitais do Sul e Sudeste, mas atende todo o País, contando com parcerias. Atualmente, a frota da transportadora com matriz em Porto Alegre é de aproximadamente 100 caminhões – 15% deste volume está parado para ajustar o trabalho à demanda. “Também não estamos contratando novos funcionários, e os que saíram recentemente não foram repostos. Mas demitimos muito pouca gente”, pondera Silvano. Sustentar o faturamento O primeiro trimestre de 2015 também foi período de diminuição de pessoal na ACBJ Transportes e Logística, empresa de Santa Cruz do Sul, com 17 anos de mercado. Segundo o diretor da transportadora, Júlio Henrique Gärtner, a falta de fluxo de mercadorias, em função da recessão, e o crescente custo da matéria prima do setor de logística – óleo diesel (que teve alta significativa em fevereiro), mão de obra, pneu, manutenção ¬– afetaram negativamente o desempenho do negócio. “A maioria dos clientes também não está conseguindo repassar estes aumentos, nem cobrir o valor que a gente precisa, gerando para nossa empresa um problema de fluxo de caixa.” Responsável pelo transporte de toda a cadeia produtiva do tabaco, a ACBJ sofreu queda de 10% do faturamento em 2014, devido ao enfraquecido desempenho da exportação de tabaco, com resultados 20% inferiores a 2013. Para este ano, a perspectiva da transportadora é continuar no mesmo patamar de 2014, focada na manutenção do faturamento. Para garantir pelo menos alguma estabilidade, a empresa já está reduzindo custos, e, além de dispensar 10% dos motoristas, também Júlio Henrique Gärtner estacionou por tempo ilimitado parte da frota. Revista Jornauto 9

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MERCADO DE CARGAS SEGURANÇA “Se o cenário não mudar, com certeza haverá mais demissões”, lamenta Gärtner. O diretor da companhia, afirma que, antes da crise anunciada, a meta era de renovação de frota em 2015. “Mas não iremos mais cumprir. Este ano, não haverá investimento”, avisa. “Tem que ser meio mágico para se manter neste setor, em função da alta carga tributária e custos crescentes.” Redução de acidentes é fundamental Gilberto Gardesani | Via Web Redução de custos Contensão de despesas e foco em cima de custos, com fortes ajustes de processos, principalmente na questão do desperdício, tem sido a receita implementada na TW Transportes, de Carazinho. “Foi preciso rever nossa forma de trabalhar”, admite o diretor comercial, Ricardo Schmitz. O investimento previsto em compra de veículos e construção de estruturas estão sendo postergados: um investimento de R$ 10 milhões na construção de dois CDs foi U A Volvo aponta que, para a sustentabilidade do transporte de cargas, é necessário conscientizar todos os envolvidos nesse segmento. Ricardo Schmitz adiado para período pós recessão. “Nossa maior dificuldade tem sido a adequação dos impactos de custos, devido ao baixo movimento dos clientes”, assume Schmitz. O executivo faz coro à problemática de repasse do custo de insumos do setor de transporte (combustível, mão de obra, entre outros). “É difícil repassar na integralidade para os clientes, que também estão com dificuldades de vender as produções, devido à economia estagnada.” Na carteira de 9 mil clientes da TW Transportes, os principais estão no ramo agrícola, que sofre com cortes de subsídios do governo federal. “O agricultor se retraiu e não está comprando equipamento para modernizar a lavoura”, lembra Schmitz. Segundo o diretor da empresa, a TW não tem conseguido repassar sua demanda de readequações de preços dos fretes devido à situação dos clientes e tem trabalhado com valores defasados. “Agora, é segurar custos, e tudo que não gere retorno”, projeta Schmitz. “Estamos aumentando nossa área de vendas, sendo mais agressivos no mercado, verificando novas oportunidades, e outros segmentos em transportes para atuar, aumentando nossa malha de distribuição, trabalhando forte em cima disso.” Com estas ações, a perspectiva é de manter o faturamento de 2014 na pior das hipóteses. “Mas ainda projetamos crescimento de 10%, só não há certeza de que se alcance.” m levantamento feito pela Volvo com as principais seguradoras do mercado aponta que o sinistro médio com um caminhão pesado ou semipesado é de R$ 150 mil em prejuízos materiais. Além disso, o tempo médio que o veículo fica parado para conserto é de 43 dias. O levantamento aponta ainda que 13% dos sinistros possuem danos corporais e 7% vítimas fatais. “A Volvo é reconhecida pela sua liderança em segurança veicular. Temos o caminhão mais seguro do mundo e o gerenciamento da frota para evitar acidentes traz muitos Solange Fusco ganhos aos negócios. Não há valor financeiro que compense a perda de uma vida”, afirma Solange Fusco, diretora de Comunicação Corporativa do Grupo Volvo América Latina. Acidentes com caminhões é o segundo colocado no ranking de acidentes por tipo de veículo, atrás das colisões envolvendo automóveis. No Estado de São Paulo, considerando as rodovias federais e estaduais, foram registrados 94.404 acidentes no ano passado, dos quais 30.018 envolveram caminhões. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, em 2014, aconteceram 166.223 acidentes nas rodovias federais que cortam o país. Deste total, 28.871 envolveram caminhões, resultando em 7.844 feridos e 1.436 mortos. 10 Revista Jornauto

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MERCADO DE CARGAS Volta por cima Michelle Monte Mor | São José do Rio Preto - SP Mesmo com algumas dificuldades na economia do País, transportadoras e logísticas acreditam no crescimento do setor e estão otimistas P ara evitar uma economia mais difícil em 2015, a Pacer Logística tem se preparado desde o início do segundo semestre de 2014. “Não é uma condição da empresa, é da economia, que afeta a todos. Ainda assim, conseguimos passar o período com o mesmo quadro de funcionários, que até aumentou nos últimos tempos. O setor de logística ainda apresenta oportunidades”, afirma, Luciano Guedes, vice-presidente. Para este ano, o foco é aumentar a atuação no segmento de cargas fracio- Luciano Guedes de Mello Costa nadas. “Vamos trabalhar para aumentar nossa atuação no segmento moveleiro, no qual hoje somos operador logístico da Tok&Stok no Rio Janeiro e em Belo Horizonte, realizando o abastecimento das lojas e fazendo as entregas para os consumidores finais”, explica Guedes. Segundo ele, a Pacer vai investir na ampliação dos seus segmentos de atuação. “Esse ano pretendemos ampliar nossas licenças junto à Anvisa, assim nos preparando para atuar com empresas do segmento fármaco. Em 2014, já nos habilitamos para atender o setor de cosméticos, no qual já estamos atuando.” A principal dificuldade atual no transporte de cargas, de acordo com Denys Marc Ferrez, Diretor Executivo, Financeiro, Administrativo e RI da JSL, operadora logística rodoviDenys Marc Ferrez ária do País, é a falta de condições e de qualidade dos ativos que prestam serviço para a empresa. “Contratamos muitos empreendedores individuais e hoje, acredito que o maior problema no transporte de cargas no Brasil seja a idade média da frota de caminhões. Por isso, nós temos trabalhado em parceria, para melhorar o equipamento desses ativos que nos prestam serviços. Um exemplo é o nosso leasing para concessão de crédito para caminhoneiros. Ele facilita a modernização da frota”, explica Ferrez. Apesar das dificuldades, a JSL registrou lucro líquido consolidado de R$ 26,2 milhões no primeiro trimestre de 2015, o que representa uma alta de 89,9%, em comparação com igual período de 2014. A receita líquida da empresa cresceu 11,2%, para R$ 1,385 bilhão, enquanto oEbitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), no critério recorrente consolidado, alcançou R$ 256,4 milhões, alta de 40,5% sobre o primeiro trimestre de 2014, com margem de 18,5%, ou 3,8 pontos porcentuais maior. A companhia inclui no resultado consolidado as operações JSL Concessionárias, Movida e Leasing. Com a transferência de operações do HUB de São Paulo para novas instalações no km 18 da Rodovia Anhanguera, a partir de junho próximo, com área total de 40 mil m2 e mais de 70 docas, a JadLog , empresa de logística, resolveu sua principal dificuldade, que era obter um centro de operações compatível com o volume atual de encomendas. “Isso permitiu absorver nosso rápido e intenso crescimento nos próximos anos”, afirma Ronan Hudson, diretor comercial da JadLog. Ronan Hudson Segundo ele, para este ano, a empresa irá superar em mais de 20% no crescimento, com o faturamento saltando de R$ 353 milhões (2014) para R$ 420 milhões (previsão 2015). “O momento atual tem favorecido muito o mercado de cargas fracionadas, segmento em que estamos muito bem posicionados”, afirma Hudson. Para 2016, a JadLog prevê a abertura de uma filial em Miami, na Flórida. Com isso, pretende dar apoio e ampliar o atendimento a empresas de logística de e-commerce americanas. A Jadlog oferece um sistema rodo-aéreo, integrado por uma frota de 20 aeronaves próprias de pequeno porte, operando em 10 terminais de cargas. Possui ainda mais de 500 franquias em todo território nacional. Sua frota terrestre nacional é de 240 caminhões e carretas e 1.600 utilitários. Revista Jornauto 11

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MERCADO DE CARGAS Eliana Teixeira | Vitória - ES Momento exige foco e muito trabalho Como em outras empresas do segmento, a MMA, que atua no transporte de cargas fracionadas e fechadas, também precisou adequar seu quadro de funcionários à nova demanda. “Infelizmente, medidas duras como redução do quadro de funcionários são, neste momento, absolutamente necessárias”, lamentou o empresário. No entanto, Fortunato destaca que a expectativa para o ano é otimista. “Entendemos que junto com uma dificuldade vem sempre uma oportunidade. Precisamos estar atentos e identificá-las.” A falta de credibilidade na economia do País é apontada pelos empresários como um dos principais desafios para o segmento O diretor Corporativo da Pretti Cargas, Liemar Pretti, acredita que o problema tem gerado retração no consumo, incertezas com relação ao futuro das empresas e manutenção dos empregos e medo de investir. O resultado é a falta de dinheiro circulando no mercado. Para driblar este cenário, a empresa “faz seu dever de casa”, como foco em uma gestão de qualidade, como destaca Liemar Pretti. “Estamos observanLiemar Pretti do os processos, avaliando os departamentos e procurando novas ou velhas ferramentas que possam ajudar a melhorar ou adequar a organização, da limpeza à operação.” Apesar da perspectiva de um ano difícil, o maior desafio, para ele, é mostrar que o Brasil não pode parar pela irresponsabilidade de seus administradores. “Nós, da classe prestadora de serviços, temos que acreditar, não sonhar, pois existem oportunidades. É um ano de muita cautela, foco e muito trabalho”, afirma Pretti, que preside o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Espírito Santo (Transcares). Insumos entre os vilões Com quase três décadas de trajetória, a ES Transportes também teve de adotar medidas para manter a qualidade dos serviços e a saúde financeira da empresa. Segundo um dos sócios, Jeferson Alves Sedano, o alto custo de operação no ramo de transporte de cargas tem sido um dos vilões para o segmento. Entre os insumos que vêm sofrendo aumentos estão o óleo diesel, lubrificantes e pneus. Os pedágios cobrados nas rodovias também pesam para os frotistas, como lembra o empresário. A empresa atua no transporte de produtos do fabricante aos pontos de distribuição e venda. Além disso, potencializa as viagens de retorno dos seus caminhões ao carregar itens como frutas, verduras, rações para cães, madeiras e vidros. Custos e novas oportunidades Investir na qualidade dos serviços e reduzir os custos foram as estratégias adotadas pela MMA Cargas Expressas para driblar a retração do mercado. O diretor da transportadora, Marcos Fortunato, afirma que, apesar do momento ruim da economia brasileira, a empresa não perdeu clientes, mas o faturamento caiu mais de 20%, o que provocou reflexos na movimentação da MMA. “Todos os nossos clientes, sem exceção, tiveram quedas nas suas vendas. Em alguns casos, muito acentuadas”, explicou o diretor da empresa, localizada na Serra (ES) e com Marcos Fortunato unidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Jeferson Alves Sedano Seguindo a tendência do mercado, a transportadora, localizada no município de Cariacica (ES), reduziu o número de colaboradores e enxugou gastos no momento de crise. “A nossa perspectiva não é das melhores para o decorrer de 2015. Pelo cenário atual, podemos prever um ano difícil e com muitos empresários endividados”, comentou Jeferson Sedano. 12 Revista Jornauto

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LOGÍSTICA Existe potencial a ser explorado Michelle Monte Mor | São José do Rio Preto - SP A Pacer Logística, operadora de abrangência nacional, traça planos de redução de custos e parte em busca de alternativas para manter o negócio em alta F undada em 2003, com mais de 30 unidades espalhadas pelo País, 700 funcionários e uma frota de 430 veículos próprios e terceirizados, está otimista diante da atual situação. O vice-presidente da empresa, Luciano Guedes de Mello Costa, afirma que, independentemente do cenário econômico brasileiro atual e dos já conhecidos gargalos do setor de logística, ele vê que o segmento ainda demonstra força para crescer. “A logística é fundamental para qualquer negócio e uma área ainda com grande potencial a ser explorado pelas empresas e indústrias, especialmente em momentos difíceis com o atual, em que as companhias precisam buscar alternativas para operações mais eficientes e rentáveis. As empresas precisam continuar ofertando seus serviços e buscando reduções de custo, e o trabalho de operadores logísticos oferece soluções para isso, deixando-as livres para focar em seu core business”, explica. Operações diversificadas A Pacer oferece diversas soluções de transporte de carga fracionada, milk run e armazenagem e gestão de estoques. Também realiza picking & packing e montagem de kits para abastecimento dos mais variados canais de distribuição. Entre seus principais clientes, estão: GVT, Nokia Solutions and Networks, Grupo Itavema e Tok&Stok. Luciano Guedes de Mello Costa Para evitar uma economia mais difícil em 2015, a empresa tem se preparado desde o início do segundo semestre do ano passado. Foram realizadas ações para apertar os cintos, ganhar em eficiência operacional e rentabilidade, como revisão e melhorias nos processos. “Não é uma condição da empresa, é da economia, que afeta a todos. Ainda assim, conseguimos passar o período com o mesmo quadro de funcionários, que até aumentou nos últimos tempos. O setor de logística ainda apresenta oportunidades”, afirma o vice-presidente. Para este ano, o foco é aumentar a atuação no segmento de cargas fracionadas. De acordo com Luciano Guedes, eles também trabalham para aumentar a atuação no segmento moveleiro, no qual hoje são operador logístico da Tok&Stok no Rio Janeiro e em Belo Horizonte, realizando o abastecimento das lojas e fazendo as entregas para os consumidores finais. “Vamos investir para ampliar nossos segmentos de atuação. Esse ano pretendemos ampliar nossas licenças junto à Anvisa, assim nos preparando para atuar com empresas do segmento fármaco. Em 2014, já nos habilitamos para atender o setor de cosméticos, no qual já estamos atuando.” Revista Jornauto 13

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LOGÍSTICA E TRANSPORTES Mercado exige novas apostas Michelle Monte Mor | São José do Rio Preto - SP Para continuar competitiva, Kuehne + Nagel foca no crescimento e investe no transporte rodoviário e em contratos logísticos P resente há 50 anos no Brasil, a Kuehne + Nagel, líder de mercado em transportes internacionais, agora pretende focar no crescimento da empresa e aposta em duas áreas: soluções em transporte rodoviário e contratos logísticos. Em 2011, a empresa adquiriu a transportadora Eichenberg, aumentando a sinergia interna. Agora, está cada vez mais voltada para o mercado e aposta em soluções como o conceito milk run, e também nos contratos logísticos de grande porte. Atualmente, conta com uma equipe especializada e desenvolve soluções sob medida. Oferece plataforma de monitoramento online customizada, garantindo o acompanhamento das cargas pelos clientes. Trabalha com transportes aéreos, marítimos, desembaraço aduaneiro, além de oferecer uma estrutura de transporte rodoviário nacional, com uma frota de 400 veículos rastreados, além de certificação para operações químico-perigosas. Mas o transporte rodoviário é o novo desafio. também com uma base em nossos sistemas e equipamentos que são capazes de projetar soluções sob medida e que atendem clientes que possuem alta exigência de qualidade. Ou seja, a tecnologia faz toda a diferença para nós”, diz. Qualidade exigida Globalmente, a Kuehne + Nagel conta com mais de 63 mil funcionários e destes, 1600 estão no Brasil. Na frota, são 400 veículos próprios, 13 armazéns e uma área de armazenagem de 244.000 m2. Os números são altos e os desafios a serem enfrentados são diversos. De acordo com o vice-presidente Julio Marin, o grande ponto é manter a qualidade nos serviços oferecidos. “Acredito que o principal desafio de hoje é o de se adaptar às flutuações do mercado, enquanto continuamos a atender os nossos clientes com um alto padrão de qualidade”, afirma. Exigências crescem De acordo com Julio Marin, Vice President Overland Transportation South & Central America Region, o transporte rodoviário no Brasil é um mercado muito difícil devido à composição dos prestadores de serviços que é composta, em sua maioria, por motoristas autônomos. “A parcela de prestadores de serviços de grande e médio porte ainda é pequena e, além disso, as normas estão cada vez mais exigentes e os custos para a manutenção de licenças específicas, como SASMAQ e ANVISA, cada vez mais altos. Por essas razões, este mercado possui grandes oportunidades para que fornecedores de serviços mais desenvolvidos, como a Kuehne + Nagel, cresçam a cada dia, já que ofereceremos, além do transporte, serviços de valor agregado como monitoramento e rastreamento, as interfaces TMS com os sistemas ERP do cliente, ou seja, a administração de toda a cadeia logística do cliente. Por conta disso, não temos nenhuma dúvida de que o transporte rodoviário no Brasil vai continuar crescendo nos próximos anos”, explica Julio Marin. É por isso que a empresa pretende expandir os seus serviços nesse modal. “O rodoviário é o maior meio de transporte hoje no Brasil e, através da integração dos nossos serviços LTL e FTL nacional e MERCOSUL, somos capazes de atingir uma parcela maior do mercado, com serviços de supply chain completos, além do transporte porta-a-porta com qualidade padronizada e opções de visibilidade”, disse Marin. Tecnologia faz a diferença Tecnologia e logística andam juntas. Otimiza o trabalho da empresa e melhora o relacionamento com o cliente. Na Kuehne + Nagel a tecnologia desempenha um papel muito importante na eficiência e qualidade do serviço prestado. “Por executamos os serviços de acordo com as exigências e necessidades dos nossos clientes, a tecnologia está presente em cada etapa do transporte, desde a reserva, a gestão de riscos até o rastreamento da carga em si. Contamos 14 Revista Jornauto

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AUTOPEÇAS Entidades fazem a festa na Automec 2015 Alexandre Akashi | São Paulo - SP Presença institucional dos sindicatos foi mais intensa nesta edição da feira; varejistas e reparadores ensaiam união de forças; fabricantes e distribuidores apostam em alta das vendas É sempre assim: quando o mercado de veículos novos cai, o de reposição e reparação tende a subir. A aposta é grande e por isso todo o aftermarket automotivo mostrou ânimo durante a Automec 2015, principal feira de autopeças da América do Sul. Estudo desenvolvido pela Roland Berger em conjunto com o Sindipeças Renato Giannini (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo) e Sindirepa-SP (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo), revela que o setor deve cresce 4,6% ao ano. Paulo Butori O aumento do dólar também tem ajudado o setor de reposição, uma vez que encarece as importações vindas da Ásia, considerado um dos grandes inimigos dos empresários brasileiros. Outro fator positivo para o aftermarket foram os recordes de vendas no mercado interno, com a comercialização anual e consecutiva de mais de três milhões de veículos novos durante os últimos anos. Sob estas condições, o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, mostrou-se otimista. Segundo ele, o mercado de reposição vai revigorar as forças do setor automotivo. “Hoje, a frota chegou a 41,5 milhões de veículos e se não compramos carros novos, consertamos o que usamos”, disse Butori ao destacar que a inspeção técnica veicular e de emissões, e a renovação da frota também devem ser pautas do governo. Já o presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças e do Sindicato do Comércio Atacadista Importador, Exportador e Distribuidor de Peças Rolamentos, Acessórios e Componentes para Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo, (Andap/Sicap), Renato Giannini, ressaltou a magnitude do setor, que conta com a representação de mais de 1,2 mil marcas. “Apesar de a economia mostrar sinais de enfraquecimento o setor está se desenvolvendo”, comentou. Antonio Fiola e Francisco de La Tôrre brindam união do Sindirepa e Sincopeças União e estrategia Durante a Automec 2015, o Sincopeças-SP e o Sindirepa-SP anunciaram uma parceria estratégica. “Temos que unir nossas forças para tornar nossos negócios mais eficientes e nos aproximar dos consumidores”, disse o presidente do Sincopeças-SP, Francisco de La Tôrre, ao acrescentar que as oficinas geram demanda e os varejistas têm relacionamento bem próximo aos consumidores. Segundo de La Tôrre, a proposta é criar um modelo de sindicato patronal Estande Sindipeças Estande Sincopeças Estande Sindirepa Revista Jornauto 15

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