Os Confrades da Poesia69

 

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Boletim de Poesia

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 69 | Maio / Junho 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10,21,22,23, 24.25,26 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Baú: 27 Ponto Final: 28 EDITORIAL Vem aí o Verão O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Rosa Silva João C. Santos Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | António Barroso | António Boavida Pinheiro | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | …

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2 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «A Voz do Poeta» A Páscoa Semana Santa Poesia Maior do que o Natal pra cristandade A Páscoa é o evento essencial; Cristo ressuscitou já divindade E foi juntar-se ao Pai primordial. Depois da morte, a vida se refez Daquele que por amor se imolou Vítima das traições e sordidez Em holocausto o sangue derramou. Cinquenta dias dura a celebração Até em “Pentecostes” se encerrar Em festa, com andor e procissão. O Espírito Santo então vai derramar As suas graças em cada coração E d’Elas nos sentiremos penetrar. Eugénio de Sá - Sintra Tudo é movimento Dobram tristes na igreja Na torre que se agiganta Os sinos p'ra quem deseja Viver a Semana Santa. Morreu Cristo numa cruz Pela bondade ser tanta P'lo martírio de Jesus Se evoca a Semana Santa. Há cânticos da paixão Que algum povo crente canta Cultos de celebração Próprios da Semana Santa. Há quem faça penitência E se almoça já não janta Em jejum e abstinência Durante a Semana Santa. Neste mundo atormentado Que a maldade desencanta Devia ser transformado P'ra sempre em Semana Santa. O mais profundo sentido Que tem a Semana Santa É quando Cristo remido Do sepulcro se levanta !… Euclides Cavaco - Canadá TERRA QUE GEME Eu sou a poesia e podes me encontrar... Na alegria ou na tristeza ou no salão a bailar. Na felicidade e no amor com certeza estarei lá. Na chuva mansa que cai ou no sol a pino a brilhar. No sorriso da criança ou na velhice a dançar. Nas ondas quebrando na areia ou no pesqueiro a retornar. Nos acordes da música suave, ou na algazarra de crianças a brincar. No gorjeio dos pássaros ao fim da tarde ou na brisa fresca a soprar. No farfalhar das folhas ao vento ou na suave noite de luar. No abraço adolescente enamorado ou nas folhas que caem no outono. Nas flores da primavera ou no aconchego no inverno entre os quimonos. Na explosão de cores e alegria ou no por do sol à beira mar. Em muitos outros momentos podes me encontrar. Benedita Azevedo – RJ/BR Ecos Poéticos. Tudo está em movimento, Tudo tem o seu pulsar: O sol, as estrelas, o vento, A terra, os rios e o mar… Mesmo a corrida do tempo, Ninguém a pode travar, Até o meu pensamento, Não para, tem que sonhar… O amor com suas peias, Seja ou não mera ilusão, Sangue que corre nas veias, Faz pulsar o coração… A vida é um cata-vento, Vai girando sem parar, Não faças dela um tormento, Tens que saber respirar! … / ... Um país é do seu povo Se um país é do seu povo Não se deixem governar Por quem tem fome de lobo E tudo quer abocanhar! Não tenham medo das feras Levantem-lhes bem alto a voz Para que elas não se alimentem Daquilo que tiram de vós! São Tomé - Amora Sentada naquele monte Que tantas vezes visitava, Meus olhos vislumbravam Com dor, Aquela Terra queimada. Terra que ardia, Gemia, De uma negrura sem fim, Não mais poderia Germinar algo para mim. Aquelas papoilas vermelhas Que naquela Terra saltitavam, Com ela para sempre morreram E não mais desabrocharam. Terra mãe, sofrida, Por mãos cruéis e fatais, Serás sempre muito querida E aqui estarei, a escutar, Os teus eternos ais. A mão qu’escreve num poema que voa Simbiose de luz, romance de vida Cabelo branco, a idade não perdoa Ressarcia pela vida convertida Pela gávea do adeus! São protegidos Réstia de ecos de agradecimento Flui excelsos aplausos merecidos Com valores de fortalecimento Os famosos poetas declamadores Que gracejam os seus admiradores Por um potencial de poemas bélicos Relatos d’um cancioneiro fecundo Poesia pelos quatro cantos do mundo Poetas! Fadistas! São ecos poéticos. Pinhal Dias (Lahnip) – Amora / PT Natália Vale - Porto “Podem me impedir de escrever, mas de pensar, jamais “ (JC Bridon)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 3 «Olhos da Poesia» Crianças Longe vai o tempo em que a criança, Concebida em ternura e com amor, Entrava na família, co’o penhor De gratidão p’la bem aventurança. Hoje, há novo saber, tudo mudou, A teoria antiga é descabida, Doutra forma se encara, já, a vida, Transforma-se a criança num robot. A ave, na altura própria, no seu ninho, Ela que é mãe, que é protectora e guia, Vai batendo as asas, todo o dia, P’ra ensinar a voar o passarinho. Mas criança que, agora, vem à luz, Que tem pais de sabedoria imensa, Verá que a liberdade não compensa Sem os ensinamentos de Jesus. E, a criança, crescendo entre os ateus, Sem ter uma muleta, e sem raízes, Segue o caminho, só, dos infelizes, Pois, na alma, nunca lhe puseram Deus. RETRATOS Menina sozinha Muito pequenina Descia a rua. As lagrimas Desenhavam dois rios Na cara suja. Os restos do vestido Exibiam sem custo Um corpo franzino. Os pés rasgados Deixavam marcas De sangue Nas pedras da rua. Chorava Mas o choro Não se ouvia. Os braços Pendidos Seguravam duas mãos Descarnadas. O velho parecia Esperá-la Junto ao balde Do lixo. A custo mordeu O naco de pão Que o velho Lhe deu. O homem Sem trabalho E faminto Aproximou-se deles. E o pobre poeta Que na altura Passava Comentou em silêncio: Nada tenho p’ra Vos dar Cantá-los-ei Retratos do meu país. Nogueira Pardal - Belverde Pintura - Fernando Pessoa Autor: Mário Juvénio Pinheiro Fernando teu nome Pessoa Pelas Arcadas do Martinho ecoa Poemas, prosas, lamentos Castigas teu corpo ao vento Cai o verde do teu absinto, Sobre os corpos da tua batalha E choros sobre a tua mortalha. Mário Juvénio Pinheiro - Amora Quadras Soltas Fazer quadras para quê? Já está tudo escrito. Mais toque menos retoque Fica tudo mais que dito. Isto cá entre amigos, Pouco trabalho é preciso É ouvir o pensamento Está o caso resolvido. E nem parece verdade Que está a acontecer Esta folha era branca E já tem algo que ler. Amadeu Afonso – Cruz de Pau António Barroso (Tiago) - Parede Paixão Dedos dedilham veias e nervos fundem-se bocas em frenesim… Sentidos ficam escravos e servos esquenta-se o sangue dentro de mim. Com mãos bailarinas, sábias, vividas, moldo-te o corpo com arte e engenho... Tiro de ti paixões ressequidas como quem faz um quadro, um desenho! Trituram-me a pele teus dentes e unhas... Sobem e descem gemidos dengosos… Soltam-se medos, “tabus vergonhosos”... Desejos se prendem com trancas e cunhas! Morrem vergonhas, medos, complexos... Pernas e coxas se enroscam gulosas e explodem visões paradisíacas! Colam-se peitos, línguas, sexos... E gotas de orvalho brotam de nós com cheiro a essências afrodisíacas. A PARTIDA Parti. Tudo deixei lá para trás! Sem me voltar caminhei sempre em frente Envolto em tristeza tão descontente Das partidas que a vida no faz Tempos depois, a vontade tenaz, Fragmentou-se. Caiu de repente... Hoje passaste a ser o meu presente Que aos meus olhos, muitas lágrimas traz. Eu caminho só neste meu Calvário Sem vontade e sem qualquer empenho Desfiando o meu próprio rosário... Há momentos que em mim tudo revive Até a dor, da dor que já não tenho Traz-me saudades do que nunca tive. Edgar Faustino – Correr D´Água Abgalvão – Fernão Ferro SAUDADE. Saudade é um passarinho que esqueceu o gorjeio e vem pousar no telhado do nosso coração. Filomena Gomes Camacho - Londres

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4 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Confrades» PAI Sabes, Meu Pai, Aqui, em 2015, a Vida, vai indo quase igual, A Casa está quase bem. A Gente faz quase por isso. Todos os dias são teus, Meu Pai! No meu pensamento, Nas minhas orações, tento Não te incomodar, Com o meu sentimento cheio de saudades tuas, mas, pronto…já sabes Que às vezes a qualquer hora te continuo a chatear, Ai no Céu…te chamando de aqui. Vou a Corroios, de vez em quando, Ver só o Correio, mas volto logo porque já Te não encontro Lá. Mas volto, sempre enquanto… Passo sempre na Cruz de Pau, Mas ao escritório, vou, às vezes. Está para alugar…um sagrado lugar, Mas aqui a crise deixou-se estar, Deixaste tanta saudade aqui, meu Pai. Quando vou a Malanje, vou… É só porque me levas contigo. Como sempre. Sabes meu Pai, Hoje, aqui, continuamos a reservar um dia no calendário… lembras-te? Para comemorar, tantas vezes, saboreámos uma moamba, cheia de gindungo e um fino. E muita paz e tanta gente tua amiga, junto. Me admirava, bué… Tanta gente gostar de Ti meu Pai. Sr. Jacinto. Sabes, é muito difícil te seguir, Pois essa bondade, essa simples forma de amar O Próximo, que tu tinhas, Não é para todos. Mas contínuo a tentar Passar no exame do teu ensinamento Sempre cheio de Paz e Amor. Estejas onde estiveres, este é mais um dia Teu, Mas este vai constar no Facebook. Porque me apeteceu. Descansa em Paz, meu Pai. que sejas Feliz por toda a Tua eternidade. Obrigado, meu Amigo. Zé – José Jacinto – Casal do Marco Se Deus descansou No sétimo dia, é justo Que nós também o façamos E aproveitemos o dia para o amor O momento mais importante De qualquer mortal O real sentido do estar aqui. Edson G. Ferreira – Divinópolis /BR http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Fado das Caravelas O fado das caravelas Trazido pelos marinheiros Veio rufia junto à proa E por ruas e vielas Deu os seus passos primeiros Pelos bairros de Lisboa. Logo após entrar na barra E mal atracou na doca Alguém pelo fado chama Era ansiosa a guitarra Que o levou de boca em boca Prò velho bairro de Alfama. Dali foi prà Madragoa Prò Bairro Alto e prà Guia E ao Castelo onde espreitou As colinas de Lisboa E o Bairro da Mouraria Onde a Severa o cantou. Foi de viela em viela E por Lisboa inteirinha Trilha os becos mais antigos Feito gingão tagarela Em cada bairro alfacinha Conquistou novos amigos. Já popular e famoso Conhece entre a fidalguia Mais nobre daquela era O Conde de Vimioso Que na antiga Mouraria Acompanhou a Severa. Foi até fora de portas Cantado pela Cesária Mas tinha predilecção Ser cantado a horas mortas Na taberna da Rosária Da Rua do Capelão. Fez-se alma portuguesa É eco da nossa voz P’la guitarra acompanhado É só nosso com certeza O fado habita em nós Ou somos nós feitos fado!... Euclides Cavaco - Canadá Sem lamento Não choro mais por amor, Meu rio já transbordou, O coração fechou-se à dor, A fonte das lágrimas secou… Se tive a alma ferida Pelas lutas que enfrentei Com a crueza da vida, Essas feridas, eu curei… Caminhos que já trilhei Cheios de pedras e espinhos, P’ros tempos que viverei, Eu quero novos caminhos… Se nada na vida se perde, Apenas tudo se transforma, Viver sem fome e sem sede, É viver da melhor forma! São Tomé - Amora Podes ir... Como queres voltar agora depois do que me fizeste, mas por favor, vai embora, porque deixaste na hora aquilo que nunca deste. Já por ti sofri demais enquanto tu me traías, eu nunca pensei, jamais, vir a poder sofrer mais, eu ficava e tu ias. Agora tenho outra vida, já não fazes parte dela, foi dura, mas conseguida, uma mulher que é traída, Já usa de mais cautela. Já que escolheste outro rumo e a chama se apagou, se do fogo há só fumo, é isso que eu presumo, volta p'ra quem te levou. Dulce Saldanha - Lisboa A GUERRA E AS CRIANÇAS: Deambulam tristes, as crianças, na dor que as envelheceu! Vagueiam apáticas, pela vida, onde a esperança já morreu! Gritam, os escombros, a cor vermelha do sangue inocente! Espreita, impiedosa, a morte, ceifando vidas…inclemente!... Choram, as ruas, subterradas pelo peso…pedaços de tudo! Agonizam, os parques vazios, pelo silêncio quedo e mudo!... Soçobram hediondas, as casas, nos sorrisos agora calados… Gemem, os jardins, suas flores, seus perfumes, sepultados… Filomena Gomes Camacho - Londres

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» À espera do Verão Fico ansiosa à espera do Verão, Porque o Outono ou a Primavera, São iguais a euforia de quimera. O Inverno traz nostalgia ao coração… No verão há amoras em cachinhos, Que eu gosto de colher sem medos, Nas paredes que cercam os caminhos, Numa comunhão de sangue e dedos… No verão as manhãs são radiosas, As flores silvestres estão viçosas, As almas andam mais enamoradas… Do mar vem uma brisa refrescante, O Amor anda no ar constantemente, As noites ficam cálidas e estreladas! São Tomé - Amora Sonhando... Pisaste solo fértil e precioso, minado do mais puro afeto e o abandonaste, silencioso, voando pra longe, a céu aberto. Sonho que parecera auspicioso, cheio de ternura, mesmo discreto. Embora simples e afetuoso deixaste tudo pra viver liberto. Atenta a tudo e a todos, mas sem receio de ser apenas, mais um desafeto viro esta página sem manuseio. Tendo em mente um novo conceito, exponho-me aos céus de coração aberto: Um grande amor tenho no peito! Papoilas Rubras as papoilas Dentro do trigal Encantam moçoilas De alma trivial. Mas a alentejana Com alma de artista De sua arte, ufana Com gosto as rabisca. E traça com arte Um verde pezinho Prossegue destarte A flor com carinho. Papoila vermelha Também é emblema, È como centelha. Do nosso Alentejo, Símbolo e esquema É símbolo vermelho Algo de campestre A que Bela Mestre Imprime beleza Com tanta leveza… Numa folha branca Honra o Alentejo A beleza arranca Com papoilas rubras E imagens fulvas Que doiram a Vida. Poeta da Cor E de tons variados E com esse Amor Traz-nos conquistados. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau Sua Mão, Seu Amor ( Maio:10/2015 ) Mão que acolhe e que cuida Mão que ampara e defende Mão que embala e consola Mão que salva e acalanta Mão que faz e não lembra Mão que torna a fazer Mão que serve e acompanha Mão que é luz e caminho Mão que ensina a fazer Mão que ensina a orar Mão que ensina a ajudar Mão que é todos os bens Mão que vai mas que volta Mão que se ergue ao adeus Mão que espera que espera Mão que é bênção, perdão Mão que cura e alivia Mão que arranca de si Mão que oferta o bocado Mão que doa sem troca Mão que tira da boca Mão que doa sem ter Mão que doa sem volta Mão que dá sem cobrar Mão que é — mesmo vazia — Mão que tem mais que o mundo Mão que ensina e corrige Mão que livra e encaminha Mão que cria e que educa Mão que é pão e carinho Mão que é chão e que é sonho Mão que é vida e suor Mão que é riso e que é lágrima Mão que é céu sobre a terra Mão que nunca nos morre Mão que é aqui, Mão que é além Mão, ó Mãe, que é ventura Mão, ó Mãe, que é Amor Laerte Antônio –Casa Branca-SP-Brasil Sou lápis! Sou poema! Preso na vossa mão! … (Lahnip) Aprendizado Um coração sem amor, É como árvore sem fruto. Contemplamos a sua flor Sem pagarmos o tributo! … / ... Os rios que eu encontro, vão seguindo seus caminhos. Minhas penas reencontro, quando correm choradinhos. Rita Rocha Santo Antônio de Pádua- RJ – Brasil Ele arrancou a orelha O momento de desespero dos artistas Eu, cauteloso, resolvi Doravante, os clássicos ilustrarão meus poemas Ou ousarei minhas fotos, porque os vivos são mais confusos E as pessoas só veem os rostos, mas não leem almas E, assim, fazem confusão entre o que veem e o que sentem, Mas nunca procuram sentir o que o poeta sente Não, Fernando Pessoa tinha razão Nós somos capazes de sentir as duas ou três dores, Mas quem nos lê só enxerga a dor que nunca teve. Edson Gonçalves Ferreira - Divinópolis /Br Jorge Vicente - Suíça

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6 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Confrades» O CAMPO e A CIDADE (estrofes em entrelace) Com sapatos de grosso atanado Tendo longas carreiras de cardas Eu ando feliz lá no montado Apascentando gordas marrãs pardas Confesso que me sinto até corado! Eu, um Zé-ninguém como poeta De fraca aptidão, se comparado A esta escritora e poetisa completa! Mas tenho um certo ar inspirado De seres exóticos de mansardas E invejo o escritor engravatado Que percorre do mundo mil jardas E assim fica um homem embaraçado: (Eu, que raramente uso gravata), Ao ter a honra de ser desafiado Por esta poetisa, alentejana nata! E por isso lhe lanço o desafio De escrevermos belos versos a fio Num debate entre o campo e a cidade Mas entre o verde prado e o casario, Aceito serenamente a sangue-frio, Apesar de não esperar esta maldade. Ideia especial, não sei se chore ou cante Desculpe, poeta o meu desplante A poesia é a nossa afinidade. Então, sem hesitar um só instante, E não sendo, como ela, tão brilhante Eu quis ripostar a tal celebridade! http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm RECONSTRUINDO PONTES Derrubem-se as paredes orgulhosas, Erigidas na raiva dos repentes, Triturem-se os tijolos insolentes E as pedras de arremesso, belicosas! E desfeitos os muros corrompidos, Reconstruam-se pontes migratórias Que resgatem afectos e memórias, Em águas rancorosas imergidos! Retome-se a palavra naufragada, Recolham-se os abraços afundados, Desafoguem-se os réus, por nós julgados… - E a travessia da paz faz-se alcançada! Que a morte espreita e surge inesperada, E o que sabemos dela é quase nada! Repensando a amizade (Sextilhas) I Bem fraca é uma amizade Que treme à diversidade De controversas visões Pois não é com exageros Que se gerem os temperos Que adoçam os corações II Não se apodam de sevícias Correcções a injustiças Usando de impunidade Não é próprio dos amigos Travestirem os sentidos Para alterar a verdade. III Nem há como exagerar Ao ponto de castigar Com citações dolorosas Aos amigos cabe amar Jamais magoar, afrontar Contestar, doando rosas. IV Mas não havendo saída E antes que seja perdida Toda a esperança, toda a fé Faça-se um sério balanço aproveitando o remanso na paragem da maré ! Eugénio de Sá - Sintra Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Sem direção... Ando sem direção Por caminhos tortuosos... Sem saber! Se um dia! Poderei ser de fato feliz. Vago por terras desoladas... Sem conhecer... Os meus próprios limites Mas sei que a negra dor Rasga a carne e dilacera a alma O meu livre versejar Verseja livremente... Voa pelo céu estrelado E sem nuvens E abraça os astros Meus livres versos Alçam as estrelas... E se dispersam pelo cosmo infinito São negros poemas De dor... Sigo pela estrada sem fim Caminho sem destino Sem saber ao certo Se um dia Poderia ser feliz de fato Samuel da Costa - Itajaí /BR Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau Fernando Reis Costa - Coimbra Mãe Mãe És o meu orgulho, e a minha referência És uma mulher de Fé, e lutadora O teu amor é a minha força e sobrevivência Numa mensagem de felicidade protetora. Mãe És a minha melhor amiga Atenta ouvinte e conselheira Cresci e tornei-me numa linda rapariga Refilona e atrevida para a brincadeira. Mãe Os teus conselhos são repletos de sabedoria Sabes como ninguém manter a calma, e alegria Com uma coragem que me motiva a crescer. Mãe Tens a beleza nas palavras ditas com o coração Tens a realidade moderada pela compreensão Num desafio permanente que só tu sabes vencer. Ana Santos - Vilar de Andorinho CORAÇÃO FECHADO Tenho o coração fechado, Três voltas na fechadura. Se a sorte dá vida dura, Melhor é tê-lo guardado. Tenho o coração metido Numa gaveta secreta, Embrulhado em seda preta Para dormir escondido. Dei amor a tanta gente, Não o comprei a ninguém. Amor, amor que se sente, Só mo deu a minha mãe. Por viver só, isolado, Sem amor e sem ternura, Três voltas na fechadura, Tenho o coração fechado. Tito Olívio – Faro

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 7 Confrade desta Edição « Joaquim Abreu » Para Ti Eu fui para ti A brisa levemente perfumada Que te preencheu a vida por momentos e passou. Uma papoila à beira do caminho Que o seu belo sorriso te ofereceu e murchou. A música do encanto arrebatado e terno Que deu asas aos sonhos que sonhaste E se calou. Mas tu para mim Foste um rochedo duro esmagador Que caiu Não sei donde nem porquê Mas que ficou. Canto à Humildade Eu canto as árvores, Mesmo os troncos secos também... Que nem só de flores é feita a vida, E tão pouco a morte. Quim d ' Abreu - Laranjeiro In "Passos Poemas Que Dei” MÃE Ventre dado numa entrega total A outra vida como se fosse No universo a coisa mais doce O aconchego do ventre maternal… Gota de Azul (3) Não sei o que mais dói, A esperança fecundada Ou aridez da realidade. O que afunda fere, mói, É a ausência indesejada ameaçar ser só saudade. …Ventre que ama o ser que gera E transporta às vezes doridamente Aguardando com amor pacientemente O nascer do ser que do amor espera… …Ventre órgão como outro qualquer Mas tão diferente afinal É que sendo fonte de vida natural É princípio e fim do mistério da mulher …Mulher. Amor. É. ECOS DA PRIMAVERA Há no teu olhar Uma Primavera em flor, Uma oferta d'amor, Um intenso desejo d'amar. Há no teu olhar Andorinhas a caminho De morarem no fofo ninho Onde tu sonhas morar. Há no teu olhar Um brilho de diamantes, Um futuro feito d'instantes Que abrigam o sonho bom de o dar. Há no teu olhar Uma fonte jorrando prazer, Onde só bebe quem souber Entrar em ti por ele e, ficar. Mulher, Lonjura… Vestida de branco, em tela d’esperança, Odorisas os desejos quando sugeres O amor urgente para além do mistério. E o tempo, impaciente, Grita o manifesto dos sentidos Afirmando a tua exigência de prazer. Vestida de negro, em tela de dor, Personificas a revolta quando denuncias A insensatez com que te roubam Pedaços, frutos, gotas de ti. E o tempo, lentamente, Grita o manifesto dos sentidos Vincando a tua exigência de paz. Vestida de cinza e verde, em tela quente, Humedeces os olhares quando dizes Carinho no ventre das palavras. E o tempo, desesperadamente, Grita o manifesto dos sentidos Demarcando a tua exigência de silêncio. Vestida de transparência, em tela de nudez, Adoças os sonhos quando acaricias O momento bom de dar e receber. E o tempo, decididamente, Grita o manifesto dos sentidos Libertando a tua exigência de liberdade. Mulher, lonjura de mar, onda de veludo, Quando rasgas o corpo És sopro de sensações vestidas de azul. ETERNIDADE Que nunca tanto uns olhos choraram Nem mesmo um coração ainda que forte Tantas e tão sentidas dores suportou; Que só entendem o amor os que já amaram Aqueles que só esquecerão pela morte O que esquece em vida quem nunca amou. Que nunca as lágrimas foram tão sentidas Nem tão bem mostraram no rosto magoado A imagem triste duma alma torturada; Que só há solidão nas almas abandonadas Ao destino de quem nasceu malfadado Para jamais ter a felicidade desejada. Que nunca o poeta sentiu na mão a dor Gerada no cansaço de tanto escrever Sobre o que da vida se não vê mas sente; Que não haverá nunca Primavera sem amor Nem a mais simples flor ao amanhecer Deixará de o inspirar e ser eternamente.

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8 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Confrades» 25 de Abril http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm A minha sentida homenagem a todos os cidadãos que corajosamente enfrentaram a Ditadura. Uns pagaram a ousadia com a própria vida; outras sofreram na pele as sevícias dos calabouços e ainda outros reduzidos à condição de exilados... Agradecido a Todos! Infelizmente hoje os partidos, enxameados de demagogos oportunistas cada vez menos merecem a consideração dos Portugueses. Mesmo assim, a Democracia mesmo frágil, supera qualquer regime ditatorial. Fomos enganados por este ou aquele partido, votemos num outro, tradicional ou novo. Viva a DEMOCRACIA . VIVA PORTUGAL António Pinto da Rocha – S. Mamede de Ribatua Água Danço na leveza do sonho Na beleza da liberdade Entre nuvens gordas e escuras…! Gosto delas assim Cheias! Carregadas… Cor de chumbo Inchadas! Prontas a rebentar A terra seca já clama Nela há vida adormecida Derramem sobre ela O suco sagrado… A água que dá vida! AMORA! AMORA! Tu és, sem vaidade, A nossa cidade, Que a gente adora, De quem te visita, AMORA! AMORA! Fica sua favorita, Volta logo na hora, Por vezes medita, É atracção infinita, Jamais se vai embora, E, por aqui habita Porque s’enamora! AMORA! AMORA! Ó que alegria Parece magia, Na margem da baia Dar um passeio, Devagar à vontade, Chega à Trindade, No melhor recreio, AMORA! AMORA! É d’agrado cheio, Quando a aurora Rompe seu lampejo Baia e o grande TEJO, Com tempo demora A dar-lhe um beijo Sempre pelo dia fora! AMORA! AMORA! Tens todas as cores, Tens todos os cheiros, Dos velhos pescadores, A fazer cacilheiros, Hábeis carpinteiros, No mar dominadores, Ninguém os detinha Co’os nervos n’um feixe, Na pesca da sardinha, Fosse o que fosse que vinha, Ó camaradas é peixe! AMORA! AMORA! O tempo foi bruto, Mandou tudo embora, Deixou tudo no luto! Nelson Carvalho - Belverde Bárbaro tempo Espanta-se a sociedade segregada Perante o fausto elogio contra natura Falsa doutrina, podre, malfadada Parto maldito de uma causa impura. Abrem-se as salas dos notariados E em breve as naves dos templos de Deus Incensarão iguais apaixonados Escárnicos pares que o fado perverteu. Que pais darão estas aberrações Que a lei uniu e as bênçãos dotaram Que poderá esperar-se dessas adopções? Que será das crianças que privaram No dia-a-dia c’o as contradições Que lhes fará aquilo com que lidaram? Conceição Carraça – Torre da Marinha Eugénio de Sá - Sintra "DE QUE TE QUEIXAS?" Descalço e roto, porém sorridente, Deixou-me tão confuso que o chamei E ali mesmo eu lhe perguntei A razão de mostrar-se tão contente. Um motivo p’ra tal não encontrei, Mas ele respondeu-me calmamente Que vivera uma vida deprimente, Mas agora sabia que era um rei… Durante toda a vida lamentara, Por percorrer as ruas e tabernas E que descalço e roto sempre andara, Maldissera as misérias paternas Até àquela hora em que encontrara Um homem bem vestido, mas… sem pernas! Carlos Fragata - Sesimbra DOIS EM UM Eu saí do Alentejo, Mas o Alentejo não saiu de mim Veio no meu coração Na minha Pele Na minha Alma E no meu olhar de criança Veio uma réstia de Esperança A Força, e a Fé que me acalma… Rosa Guerreiro Dias - Lisboa O que enche a tua boca? Palavra banal e oca? Palavra de gente louca, Que a Sua Palavra apouca? CMO “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 9 “Cantinho Poético” A DÉCIMA VIDA!... À minha dedicada esposa DOLORES com mais 100 vidas Tudo o que sabemos do amoro amor é tudo que existe. O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem. (Antoine de Saint-Exupéry) DOLORES: Meu amor, que pena, que essas sete vidas, Que a lenda diz, alguns são dotados a gozar, Não tenham sido por Deus a nós of’recidas Pra que a nossa felicidade se prolongar! Isso mesmo, sete vidas em nada reduzidas, Porque fomos emigrantes, foi só trabalhar, Anos! Meses! Dias! Noites, e noites perdidas, Não houve tempo o momento certo de amar! Contigo, sempre ao lado a vida passou veloz, Apesar das apuros houve sempre entre nós, Diálogo, compreensão com justos compassos!... Por isso peço a Deus a décima vida segura, Pra morrer Matusalém, com tua ventura; Pr’assim, morrer tranquilo, feliz nos teus braços! Nelson Fontes Carvalho (NELFONCAR) POEMA LIVRE ÀS AVESSAS Sou livre. Não faço sonetos com rimas. Escrevo, somente, o que sinto no peito. Já pus fim às regras. E sem preconceito desfiz exigências sem ter de usar limas. A livre poesia me lembra as vindimas, onde há moças lindas, cantando a seu jeito, depondo em canastras o fruto perfeito, que apenas suplica doçura de climas. Bastou-me a doutrina que vai na distância, com marcas deixadas por toda a infância e restos de medos, no fundo, submersos. Tirei as algemas. Escrevo sem lei palavras plebeias, opostas ao rei, sem métrica ou rima a cingir os meus versos. Valentim embriagado, Da festa de S. Gonçalo, Vinha às avessas montado No seu vistoso cavalo. Ao chegar ao povoado Encontra o Doutor Silveira, Que lhe diz, admirado, De o ver dessa maneira! - Não esperava vê-lo assim, Nesse estado, Valentim, E de chapéu. Ora essa! - É certo. E o pior mal É que o pobre do animal Deixou cair a cabeça! Glória Marreiros - Portimão Clarisse Barata Sanches (In: “Cantei ao Céu e à Terra”) “Onde há música não pode haver maldade.” – Miguel de Cervantes

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10 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» CEIFEIRAS JAMAIS Este cante envolto em pranto, lembrando um tempo sem volta Vai ganhando um outro encanto, pondo de lado a revolta Nossos pais sofreram tanto, nossos avós ainda mais Nós, nós fugimos a esse pranto, p’ra não ouvirmos seus ais Homem que foi terra foi barro, em pleno campo criado Comeu as sopas no Tarro, levou aos ombros seu fardo... Vamos olhar de outro jeito, o progresso em caminhada Para aliviar o peito, desta gente amargurada Nossos campos ainda lá estão, as searas até o gado, Mas ceifeiras, essas não, foram escravas do passado Ainda o sobreiro dá sombra, e a cortiça que é riqueza Árvore que a todos deslumbra, de raiz bem portuguesa Ainda há regatos correndo, e há ribeiras naturais E a chuva que Deus vai mandando, p’ra dar vida aos cereais Ainda se ouvem cantar os rouxinóis na ribeira Os pardais; a chilrear em alegre cavaqueira. Ainda há lírios, alecrim, papoilas, planícies de trigais Codornizes, perdizes rolas, mas as ceifeiras? Jamais… Alegra-te meu amigo, olha a alvorada, outro dia Anda vem cantar comigo as cantigas d’álegria Saudades sim, porque não, mas passado, nunca mais Pois marcou uma geração de dores misérias e ais O mundo está em mudança, hoje a vida tem outro fado Nova canção Outra dança Pois o passado, é passado... Rosa Guerreiro Dias - Lisboa Desilusão O Mar me deu alento nos trilhos da Poesia, Os cânticos das “Sereias” encantadas me seduziram, A absorção aromática inebriada da maresia: Me inspiram neste mundo, nos faróis que não luziram! Hoje, saudoso do passado e da aventura, Passei pela Escola da vida sem paredes Lição abrangente na minha Alma perdura, Não me deixando envolver na ratoeira das redes! Rasguei a penumbra à procura da Luz, Deixei centelhas no espaço no atrito que tracei, De tanto esforço, o sofrimento me deu a “cruz” De querer sonhar na vida, aquilo que não sonhei! Sou um Poeta triste e desiludido, Sangrando em folhas brancas da desilusão; Sem rumo vagueando ao norte, perdido… À procura do sentido nato e firme na razão! Por aqui vou andando triste cambaleante, De fisga no bolso, como arma de arremeço, De atalaia me sinto sempre um combatente, De não aceitar agruras na vida, que não mereço… Convicto nesta minha expressão sincera, Como escape de liberdade na minha dor… Hoje, sou aquilo que outrora não era, Porque não vejo fraternidade, mas sim desamor!... Tempos mutantes Há tempos que tudo transformam onde pouco ou nada se perde; Mas há outros que nos mudam o rumo, o destino e onde se empenham a vergonha e o tino. Há tempos que engendram e disformam… que alteram as formas e o sítio... tempos sem norte que atempam a sul… anúncios de morte dum planeta que já foi azul. São tempos que acolhem um tempo confuso disforme e obtuso onde impera a escória e o vício! Tempos que alimentam protegem e encobrem as crias duma quimera que comem no mesmo espaço... devasso... onde as bestas deste tempo, sem vergonha nem pudor, vão o sonho hipotecar e as taras defecar. Tempos sem tempo onde se perde o rumo e a forma eficaz… onde se estende o prumo a régua, o compasso, e a fórmula não dá. É neste tempo que se iludem as crenças, se escondem diferenças, se negam vontades e ao mesmo tempo se trocam mentiras por meias verdades. Culpamos então o tempo que está, o tempo que faz, que gasta, desgasta e provoca erosão. Mas há tempos de outro tempo! Tempos de honra e glória! Tempos que o tempo gravou nos anais da nossa história! Este tempo... o nosso tempo... é só tempo de viver e pedir que o tempo, sem contratempo, nos dê tempo para amar, sorrir e sonhar! Abgalvão (In Palavras aladas) Ortsak – S. Mamede de Ribatua

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 11 «Tempo de Poesia» AMOR A DEUS Quando amamos a Deus intensamente Sua presença é sensação radiosa, O espírito sente uma paz ditosa. Bem estar que nos inunda corpo e mente. Procurar conhecê-lo firmemente, Deixar mundo e pecado é flor viçosa, Ele se dá á alma virtuosa, A eleva a si de forma ascendente. Erguer o olhar! De lamentar parar! Em oração constante sem falar, Em doce e espiritual consciência, Ter com Cristo uma plena comunhão, Pela fé, pelo amor, dedicação. Na mais pura e humilde obediência. Um Poema O Poema Ah! O poema que derrama pétalas de palavra a palavra de sons em sons Como sentimentos como sorrisos declamados serenos no véu suave Poemas sim poemas como o saltitar viril de um pardalito bailarino de ramo em ramo São cravos vermelhos que brilham no ar de sílabas soltas rimadas ou não… Pedro Valdoy - Lisboa VENHAM PROVAR! Bola de Carnes ou Folar Pascal (feito por Susana Custódio). Primeiro é a farinha branca e fofa Logo os ovos, a banha, o azeite O fermento a fechar, como um enfeite E a Susana a mexer como uma louca Saltam as carnes nobres, o chouriço E o presunto, a linguiça, o salpicão Tudo se junta e se amassa c’o a mão Pois o preceito antigo é compromisso Depois a forma larga e bem untada E vai tudo pró forno fundo e quente Avulta já o odor, o cheiro é abrangente E solta-se a promessa desvendada; Está prestes a surgir ainda fumegante A pitoresca bola, ou o “Pascal Folar” Apetitoso ao ver, crocante ao mastigar Petisco irrecusável, manjar delirante! Eugénio de Sá – Sintra Anabela Dias – Paivas - Amora Início da noite Uma outra visão da praia no poente de outono. Benedita Azevedo – RJ/BR Haikai 14 Doçura silvestre – Amoreira, nossa amora cobrindo o quintal. Pinhal Dias - Amora/PT MÃOS FURADAS COMPROVAM Mais que estarem furadas A vida Dele não foi tirada Os cravos que o sustentaram São nossos pecados que O maltrataram Foi por amor que sacrificou -Se Uniu -nos ao Pai pela dor Redimiu nossos pecados Assim sem merecermos nos perdoou Dando -nos a liberdade de segui-Lo Apontando o caminho da salvação São estas mãos que nos mostram a direção Cabe a cada um de nós Ouvir a tua voz. Mudança de faz necessário Para vivermos neste mundo precário. Rico ficaram os teus versos Onde mostrou o verdadeiro universo Vazio o túmulo ficou Aquele que tanto nos amou Mãos furadas que sempre nos abençoou Angélica Gouvea - Luminárias-MG Meus pensamentos Meus pensamentos voam nas asas dos pássaros Em uma ânsia louca de te encontrar no universo. Foste a alegria que me fez sorrir à cântaros, Orgulho e tesouro que sempre canto em verso. Divago nas recordações de tempo diverso, Quando meu sorriso existia aos píncaros. Meus pensamentos voam nas asas dos pássaros Em uma ânsia louca de te encontrar no universo. Sonhando alto em meus pensamentos viageiros, Encontro-me contigo em abraço incontroverso. Meu coração bateu em incontroláveis disparos Levando-me em definitivo deste mundo perverso. Meus pensamentos voam nas asas dos pássaros. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/BRASIL

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12 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Trovador» Tirania Neste mundo conturbado Hoje quase entregue aos bichos Nós somos o resultado Do poder e dos caprichos. Os déspotas poderosos Só para a glória manter São pérfidos mentirosos E abusam do poder. Urdem desígnios de guerra Injustos e imprudentes Que matam por toda a terra Muitos milhões de inocentes. O mundo perde seus filhos Enlutam-se os corações Com o ditar dos caudilhos Nas suas resoluções. Porque é assim quem ordena Preterindo o altruísmo? Lamento com muita pena Esta falta de humanismo. Nosso mundo melhor era Liberto da tirania Se todo o que a prolifera Jamais visse a luz do dia!... POEMA SOBRE O DIA MUNDIAL (Da Criança) O Dia Mundial da Criança Desde 1950 comemorado Mais um dia de esperança Neste mundo vigarizado. Deve ser um dia divertido É um dia muito especial Para a criança faz sentido Este dia em Portugal. Mais um dia para pensar Nas crianças a sofrer Fome e outro mal-estar Que muitos estão a viver. Não há cor nem religião Todos o mesmo direito Afecto, amor e consideração Todos merecem respeito. Declaração dos direitos da criança Devia ser bem cumprida Presente essa lembrança Em todos os rituais da vida. Não devem ser exploradas Em paz devem crescer Pelos adultos respeitadas Muito carinho devem merecer. Devem ser acompanhadas Mas crescer em liberdade Afastada das trapalhadas Que existem nesta sociedade. Deodato António Paias - Lagoa Quadras No reduzido de uma quadra Vou apostando em dizer Aquilo que na alma traga E outrem possa entender. Sou de meu viver ‘stratega. Não sou fã de virtuais. Invejo quem tem adega De trinta pipas ou mais. Tenho uma amiga vizinha, Pessoa muito “bacana”, Que escreve conto ou faz rima Da Odemira alentejana. Esta feliz escritora, Que Colos muita vez cita, É ‘sposa, progenitora, Linda avó de Marianita! Casimiro Soares “MARÇO FRIORENTO” O Março voltou inverno A meio, com variações… Para mim, é um inferno, Com medo às constipações A temperatura desceu Aos níveis do mês passado, E a Primavera não deu Um sinal, antecipado! Inda estamos, agarrados Às roupas do tempo frio E muito preocupados Com choques, ao arrepio… As gripes, em certa idade, São um perigo eminente E há sempre a necessidade, Precauções urgentemente! Portanto, vem Primavera, Num ameno florescer! Que eu estou à tua espera, Para o Inverno esquecer! João da Palma - Portimão Dia das Mentiras Vou à praia da maldade Ver se lá tem boas, giras Hoje só falam verdade, Por ser dia das mentiras. Arménio Domingues Euclides Cavaco - Canadá Onde é que o sol se meteu?! Será que o sol desapareceu? Eu de guarda chuva aberto, Nem de longe, nem de perto, Onde é que o sol se meteu?! João da Palma - Portimão Ditosa Pátria Ai, Portugal, pátria de glórias tantas, Entregue aos que te vendem e esquartejam. Sem heróis que te amem e protejam, Calou-se já teu hino nas gargantas… Tão velho estás, as pernas te fraquejam, Tão cedo, Portugal, não te levantas!... Apesar das conquistas que hoje cantas, Teus guerreiros dormitam, não pelejam… Desmembrado, vendido ao desbarato, Tu, que foste Nação, entre as primeiras, Passaste de nação a colonato… E nas mãos de potências financeiras És hoje um D. Quixote caricato, Uma feira da ladra sem fronteiras!! Carlos Fragata – Sesimbra Minha Rosa preferida Lá findou em Chaviãe Era linda e bem querida, Chamava-se minha Mãe. Arménio Domingues - Melgaço Vou fazer um verso Que rime que nem prosa, Quero que seja disperso, E lindo como uma rosa. Sandra Bela Tomé Cid - C. Pau Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 13 «Poemar» Visão Eu vejo-te Como gente À minha frente… Foges na retina do meu pensamento Transformas-me em gente Que vê e não sente O carisma próprio do ser Presente No cumprimento da minha mente… Sou gente Que vê e sente Na ilusão pensante De um ser Pensador e presente No mundo ingrato Da gente Deste tempo Que vê e sente Caminha e mente Sem motivo aparente… Ana Alves – Melgaço Primavera Tormentas! Voaram do regaço, Foi-se da boca o sabor antigo, Céu azul ao alcance do meu braço! Nos olhos um sorriso amigo… P’ra chegar junto de ti só um passo, O tempo cinzento foi inimigo! Agora quero dar-te um abraço, E poder gritar isto que digo! A Primavera enche ocos corações, Chegou enfim, linda a amena estação, Foi-se embora o tempo da solidão! É hora de tomar muitas decisões, Ornar a vida com vastas flores, Encher a alma com novos amores! Susana Custódio - Sintra PROCISSÃO Belo Horizonte, 02-11-1977 Começam a cantar. Quando o grupo da frente Está no final da música, E o grupo do meio Ainda está em três quartos, É porque o grupo de trás Ainda falta a metade Para chegar a um inteiro. Parece um eco co o. Gilberto Nogueira de Oliveira Nazaré- Bahia- Brasil PASSEI POR MIM Entre ilusões sem medida E numa esquina da vida Eu passei ontem por mim, E vi meu rosto cansado Numa rua do passado Cheia de sonhos sem fim. Procurei a mocidade Nessa rua da saudade Por onde também passei, Percorri cantos em vão, P'ra minha desilusão Eu já não a encontrei. Ao viajar no passado Há ruas que pus de lado E não as quis percorrer. Naquelas por onde andei Muitas coisas encontrei Que gostava de esquecer Entre ilusões e fracassos Vi destroços e pedaços Dos sonhos que não vivi, E ao tropeçar num espelho Eu vi meu rosto mais velho... E não me reconheci. Isidoro Cavaco - Loulé VOAR E SONHAR! Um dia eu fui sonho e construí meus castelos à beira mar... Desabrochei para a vida e, impulsionada pela brisa, sem asas, pus-me a voar... Galopava o destino, vagando ondas, sem fim... Quando me procurei em desatino, deixando-me o coração em pedaços, estava longe de mim... Eu que punha todo o desejo de conquistas, que me envolviam e me faziam levitar, tão sutilmente... Me levaram ao êxtase, ao flutuar... Do meu ser emana a magia, que de um só golpe amordaça minhas energias e que desnuda todo o meu eu... E no meu reino de fantasias, todas as cores eram soberanas... Me confundiram atirando-me num picadeiro e, cega por instantes, não tive como me equilibrar. Então eu chorei... E se apesar do pranto, a sós, fiquei... Busquei no voo o teu recado e cobriram-me com implume silêncio. Triste, sem voo e sonhos... Desfaleci! ZzCouto – Niterói/RJ/BR Cora Coralina Minha doce Ana humildade que encanta das suas mãos a doce profissão. Transformou a doçura em palavras e palavras em poesia e poesia em sentimentos e sentimentos em pessoas. Sem se importar com gramáticas com escolas literárias priorizou a mensagem para a forma virar simplicidade. Dos becos históricos de Goiás o cotidiano da nossa gente canônica eternamente doceira das palavras. Leva o Prêmio Juca Pato com o carinho da sua gente Ana, Aninha nossa doce Cora Coralina. Danielli Rodrigues - Paraná / BR “CALCULISMO” Mote: Eu não sei o que dizer De tanta coisa escondida… Quanto mais queremos saber, Menos sabemos da vida! Glosas: Como que de olhos fechados Ao que não queremos ver! De factos já consumados, Eu não sei o que dizer! Não queremos acreditar Na realidade exercida… Ficamos a palpitar… De tanta coisa escondida! C’o a força da fé, sonhada… E o real sem resolver, Daí, não sabemos nada, Quanto mais queremos saber! Em opções calculistas… Imaginamos à partida, Se não somos realistas, Menos sabemos da vida! João da Palma, (Amlapad)

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14 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho 2015 «Confrades» FLORES Não são cravos São espinhos de rosas Os filhos Do desempregado. Espinhos Que lhe rasgam O peito exangue Quando Os ouve chorar Soluços de fome. No outro lado Da cidade O jovem embriagado Matou Com o carro de luxo A criança Que esmolava. O dinheiro Do papá Livrá-lo-á certamente Da prisão. Onde estão Os cravos de Abril E as rosas De Maio? Só vejo Flores Nas lagrimas Das crianças Que choram com fome. Afinal Com a alma em pedaços Cantei As flores. Nogueira Pardal - Verdizela REGRESSADOS DE “ABRIL”! AO MEU CÃO http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm CONSERVA TEU “BEM” Ninguém é responsável por teu bem Só tu, apenas tu, o manterás! Bom ou mau só o sente quem o tem Se tu o tens, só tu o amarás! Quem tem o seu bem pode ser feliz Apenas não o é, quem só tem mal! Quem sente mal constante e não o diz Vai sofrendo em si, um golpe fatal! Um bem é um tesouro a não perder É bom que o tenha e queira manter, Jamais te desfaças de coisa boa. Dizemos que dura pouco o que é bom O tempo o mantemos com nosso dom, Nunca se conserva um bem à toa. Bento Tiago Laneiro De Vila Nova de S. Bento Le poéte Oui Madame Esta vida de poeta Sabe-se que é…! Um dos atributos…mais bonitos Que Deus concedeu ao ser humano E, por isso, não me engano De dizer, que o prazer E a forma como se liberta Dos momentos de amargura A revolta criada em si! É…com modos de ternura E por ser método eficaz O poeta ainda é capaz De fazer um poema Por tudo o que ama Mas, como é pacífico De coração e físico Em si habita Os horrores da fome, miséria e guerra Medita ao céu…e beija a terra Para atravessar o deserto do mundo; E enfrentar o terror da morte Com fé e sem medo Pede…! Aos raios luminosos do sol Para libertar os filhos da má sorte E, sem rumor, nem rancor Dá asas ao seu ego…! E vai até… À mais longínqua galáxia do cosmos E como é tão grande…tão grande Aquele banho de liberdade Que o poeta é… Privilegiado Desse dom abençoado. Oui Madame, c’est lui Le poéte… Vejo na tua negrura Uma aurora imensa... Teu olhar de ternura Minha mágoa compensa! Tu saltas para meu colo Quando lágrimas me rolam pelas faces! Tu és amigo! Tu sabes sentir! Sempre pronto a dar carinho Quando a tristeza me invade Tu matas a solidão Tu animas meu viver Tu és meu companheiro De todos os dias, de todas as horas De todos os momentos Ao olhar o mundo Eu vejo os demais… Onde encontrar amigos mais leais? Amizade não tem preço, Tu tens todo o meu apreço Os desgostos me consomem Que nós não somos iguais… Quanto mais conheço os homens… Mais gosto dos animais! E na voz do coração: TU ÉS LINDO MEU CÃO! Maria José Fraqueza - Fuseta Aí vão de malas feitas os políticos heróis. Parecem uns idiotas Mas, irão voltar depois! Jorge Vicente - Suíça Eis que olvidaram, nas noites de perseguição (os sequazes que a “PIDE” punha em cada esquina), de preverem o movimento, chamado Revolução, que há muito se movia, do simples ardina ao intelectual; que a todos juntava com precaução não denotando desconfiança - de muitos a sina que então guardavam, como toque de união o “passa-palavra”, encetada rua abaixo rua acima: o que nascera fora e dentro das prisões, nos asilos, como algo que teria de ser levado Avante quando cada um de nós passou a simples pupilos. E todos quantos, os que tinham voz, acossados em silos, partiram um dia, para lutarem num país distante: ei-los volvidos em “Abril”: cravo vermelho com muito estilo. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Luís Fernandes - Amora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 69 | Maio / Junho l 2015 | 15 «Faísca de Versos» PARA UM PORTUGAL NOVO Viva o 25 de Abril Vi os nossos heróis de Abril Que mereciam outro fim Se políticos de << anil >> Não fossem classe tão ruim. Se querem um País novo Terão pois que ponderar Só votos sábios do Povo Sem se deixar enganar. Não vão nessa de partidos Escolha antes um "inteiro" Muitos já são conhecidos Por só quererem poleiro. Tudo está nas vossas mãos Faça a si próprio um favor Para que os cidadãos Tenham um País melhor. Pensem bem na vossa aposta Sigam os sábios conselhos Pois não vai lá com o Costa Nem com políticos velhos. Dão com uma mão tiram com a outra. (Dueto) Estes são cartazes do antigamente Divulgando os rostos criminosos Que mudança foi esta realmente?! Nas ruas cartazes pedindo os votos Quem cabritos vende e cabras não tem Aproveitamento!? Mas? Estão noutra Em plena corrupção vão mais além Dão com uma mão tiram com a outra Jorge Vicente - Suíça Devagarinho devagarinho, pé ante pé, querem lixar o Zé Povinho Aposto que até já, sonham prender a água do moinho de maré. Só que...As mós vão se por de pé e esmagar os ditadorzinhos. Pinhal Dias (Lahnip) - Amora - PT Riqueza não é pecado, e que o mundo se convença, todo o ladrão condenado tem sempre pena suspensa. José Jacinto "Django" - PT Klyde Wood António Tiago Barroso - Parede - PT Embrulhos de protagonismo. “MOMENTO DE CAÇAR” Vamos à caça aos “primeiros” Que são os que comem mais, Porque dos milhos rasteiros, Restos de ricos, rendeiros… São comidos p’los pardais! Vamos à caça de quem, Nesta vida não trabalha E a riqueza lhe advém Do povo, e de mais ninguém, Prenda-se essa canalha! Prenda-se a corrupção, Doces, azedos e salgados… Que sugaram a Nação E ainda há muito ladrão, Que têm de ser caçados! Vamos caçar os ladrões E, pegá-los de cernelha… Políticos e aldrabões Que nos cortaram milhões, Vamos metê-los na grelha! Há gente que governa este mundo Pelas sombras, dizem-se democráticos São corruptos por um saco sem fundo Se entram na prisão!? Ficam dramáticos Esses embrulhos de protagonismo Que adulteraram a economia Esses governantes do cataclismo Banca rota!? A todos prometia! Nas eleições… Todos eles prometem Amantes de si mesmo que arrefecem Fazem desmaiar o mundo platónico Balança num peso e duas medidas Vil sociedade de classes perdidas Onde são graduados p’lo Gin Tónico “TEMOS OS COFRES CHEIOS” De desemprego, trabalho precário De insegurança, e muita emigração. De jovens sem futuro, servidão… De muito compadrio e corrupção. Evidentemente! Nem tudo é mal Em Portugal, há quem ufano! O filho de fulano e de beltrano… De mo cra ti ca men te! A “cunha” à frente… Pinhal Dias (Lahnip) – Amora - PT Aires Plácido - Amadora - PT João da Palma - Portimão - PT "A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país. É esse o nosso problema." Howard Zin – Santa Mónica – Califórnia

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