Jornal Domus Nostra 2013/14

 

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Jornal Domus Nostra 2013/14

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á rvore da v ida ANO 2014 domus nostra pág. | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida pág. 2 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Índice da v ida Pág Editorial | Madalena Lopes Domus Nostra: uma verdadeira Casa | Francisca Silva A Árvore da Minha Vida | Patrícia Coluna O Primeiro dia | Inês AgosƟnho O que a Domus foi sendo | Eve Reyes Pinto-Cardoso Apresentações | Ana Magalhães Custódio Domus Nostra, uma casa familiar | TaƟana Neves Olá Lisboa! 1 Dia para abrires os teus olhos à Boa Luz de Lisboa | Patrícia MarƟns, Natacha Moreira, Maria Thereza Maximiano 2 3 4 5 5 6 7 9 12 13 14 15 16 18 20 20 21 22 24 25 26 Páscoa na Universidade 2014 | Catarina Negrão Estávamos na Quaresma | Ana Magalhães Custódio Grupo SEMENTES, um sopro do Espírito | Rosangela Lorena A Domus | Joana Silva Uma história a 3 | Mª João Marques A Árvore da Amizade, A Árvore da Vida | MarƟna Maria Maffione Encontrei … | Jéssica Miguel Chegada ao Domus | Mayara Nicolau de Paula Era uma vez um Piano… | Maria Júlia Dodi Das Raízes e da Vida | Tibério Nunes da Silva A Princesa da Bata Branca - Epílogo | Velhinho Júlio Anónimo Os Aniversários em 2013/14 pág. 3 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Editorial da v ida Imaginemos a terra como uma imensa floresta. O lenhador entra na floresta, escolhe uma árvore qualquer, derruba-a e Ɵra dela a lenha para a fogueira, para alimentar o fogão e vai-se embora. Um marceneiro entra na mesma floresta e também escolhe uma árvore, dela ele faz uma cadeira, uma cama, uma mesa e também se reƟra. O artesão, adentro a floresta, escolhe a sua árvore, senta-se debaixo dela e fica, por alguns momentos, admirando-a. Ele então com a sua árvore pronta, vai-a lapidando, transformando-a e, por fim, faz dela uma linda escultura. Somos, na vida, o que decidirmos ser: somos o lenhador, o marceneiro e também o escultor. Demo-nos ao trabalho de rebobinar o filme da nossa vida. Imaginemo-nos por uns instantes ser uma daquelas árvores. Então decidamos o que queremos ser. O lenhador? Que reƟra a lenha, queima-a, transformando-a em cinzas. O Marceneiro? Que cria com a árvore apenas utensílios, os mesmos utensílios que um dia virão a deteriorar-se e acabando esquecidos em algum canto da sua existência. Ou por fim, escolher ser o artesão, que transforma a madeira bruta, os galhos curvos e a casca grosseira, em belíssima obra de arte, que será lembrada talvez por anos e anos. Pensemos agora, o que fazer desta árvore que somos, ou seja, da vida que temos? Como o lenhador que queimou a sua madeira e agora já não sabe como reagrupar as cinzas e tentar reconstruir o que ele mesmo destruiu? Como o marceneiro, que usou da sua árvore apenas para necessidades instantâneas e agora já lhe falta madeira para conƟnuar a sua jornada? Ou paramos para conscientemente decidir? Como orientar a vida que a árvore representa e a culƟvamos e a transformamos em obra eterna para que os que vierem depois de nós a tomem como inspiração? Seja lá quem nós formos, estamos sempre a tempo de escolher o que fazer com a árvore da nossa vida. É sempre tempo para decidirmos o que queremos fazer dela? Lenhador, Marceneiro ou Artesão? Seja qual for a nossa escolha, só nós somos responsáveis pelo que queremos fazer da nossa árvore. As transformações que nela acontecem são exclusivamente feitas a parƟr do nosso querer. No fim, aquela árvore será tão-somente o reflexo de nossas ações. A criação deu-nos a árvore, cuidemos muito bem dela! Madalena Lopes (baseado no poema de Magomerlyn) pág. 4 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Domus Nostra: uma verdadeira Casa da v ida Há muitos anos que os meus pais conheciam a existência da DOMUS NOSTRA. Na verdade, enquanto estudantes universitários, em Lisboa, Ɵnham amigas, designadamente dos Açores (de onde o meu pai é natural), que aqui se encontravam. Acharam, pelos ecos que Ɵnham sobre o ambiente e os princípios por que se regia esta Casa, chegada que foi a minha vez de rumar a Lisboa para começar a minha aventura na Universidade, que seria o local ideal para o meu alojamento, uma espécie de porto seguro onde, por certo, me senƟria bem. Ingressei, assim, na DOMUS, aqui sendo acolhida, desde a primeira hora, com a arte de quem sabe receber com o coração. Fui sempre acarinhada pelas Directoras, Funcionárias e Colegas, que, apesar do meu temperamento reservado ou ơmido, me fizeram senƟr em casa, na minha casa, na Nossa Casa (tal é o significado, tornado realidade, de Domus Nostra). Coube-me em sorte uma Madrinha, a Joana Guerreiro, que sempre teve uma palavra amiga para mim, especialmente nas horas diİceis, quando a amizade é mais precisa. Mas o apoio que senƟ foi generalizado, aprofundado e cimentado por um conhecimento mútuo e enriquecedor. Gostei muito das experiências que aqui me foram proporcionadas, como sucedeu com a oportunidade de fazer voluntariado junto dos sem-abrigo, com as festas, as sessões de relaxamento, as conversas com as amigas e, last but not the least, com as cerimónias religiosas na nossa Capela. Tudo isso me fez crescer muito como pessoa. Espero que este testemunho, sincero e senƟdo, para além de manifestar o quão me senƟdo grata, contribua para abrir e iluminar o caminho às que acabaram de chegar, pois ele é a expressão de um período único na minha vida, que deixará marcas profundas e me fará ficar sempre ligada a esta CASA. Um bem-haja a todas. Beijinhos da Francisca Silva Finalista de Línguas, Literaturas e Culturas - UNL|Q205|Lagos pág. 5 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore A Árvore da Minha Vida da v ida Tudo começou em 2009, na altura pediram-me para escrever um texto para o jornal sobre a vida de caloira, como era parƟlhar um espaço tão pequeno e privado como um quarto com duas pessoas que até há pouco tempo eram completas desconhecidas, pois bem, 5 anos passaram mais rápido do que alguém poderia prever e aqui estou eu, mais uma vez, a escrever um arƟgo para o jornal mas agora como finalista e rodeada daquelas desconhecidas que se tornaram nalgumas das minhas melhores amigas e consƟtuem atualmente um dos ramos mais fortes da minha árvore, ramo esse que na altura não passava de um pequeno galho ainda a despontar. As raízes haviam ficado em casa, a muito custo e regadas com muitas lágrimas, e tudo o que eu Ɵnha era este frágil raminho para me agarrar durante este diİcil percurso…mas a este juntaram-se outros, como aquele dedicado ao pessoal que trabalha na Domus e que muito me ajudaram o longo destes anos. E assim inicio o tema deste ano, a árvore da vida, que é isto mesmo, são as raízes que criamos desde a infância e que nos seguram ao chão durante as tempestades, são os ramos que depois crescem grandes e fortes ou até aqueles que eventualmente se partem. E no final desta etapa tão importante da minha vida encontro-me mais uma vez num dos ramos da minha árvore, empoleirada a tentar chegar a um ramo mais acima que ainda mal despontou mas que espero tornar-se forte o suficiente para resisƟr a esta nova estação. Patrícia Coluna Finalista de Ciências FarmacêuƟcas|Q503|Mação pág. 6 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore O Primeiro dia da v ida O primeiro dia em que cheguei à Domus senƟ-me verdadeiramente em casa, e foi aqui que escolhi ficar durante três anos. A Domus foi a minha segunda casa. E uma casa não se constrói apenas pela sua arquitetura İsica, mas pelas pessoas que nela habitam. Aqui cresci enquanto pessoa, criei amizades fantásƟcas, ri até não poder mais, diverƟ-me, contei piadas estúpidas, senƟ-me feliz, triste, o mais importante de tudo, Ɵve sempre alguém ao meu lado quando mais precisei e isto só se sente quando nos senƟmos em casa. Por tudo isto, agradeço à Domus e a todas as pessoas que esƟveram comigo nesta caminha tão importante da minha vida. Muito Obrigada! Inês AgosƟnho Finalista de Serviço Social - ISCTE|Q203| Alcobaça O que a Domus foi sendo A primeira vez que vim a Domus Nostra foi em 2009, Ɵnha apenas 18 anos. Como qualquer rapariga da minha idade estava ansiosa por começar uma nova etapa da minha vida, nela incluía a faculdade e viver em Lisboa. Nos úlƟmos cinco anos cresci e aprendi não só por causa da Universidade mas tampág. 7 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida bém graças à Domus Nostra. Estes úlƟmos cinco anos da minha vida têm sido uma montanha russa de emoções – stress com os testes, trabalhos da faculdade - mas sempre que Ɵnha Ɵdo um dia menos bom baƟa à porta da Domus e nela sempre me esperava um sorriso para me cumprimentar. Em bons e maus momentos sempre encontrei conforto por parte da família Domus. Já não consigo considerar a Domus apenas um insƟtuição mas sim uma segunda casa, as amizades que aqui criei sei que serão para toda a minha vida. Resta- me agradecer à Domus pelo acolhimento fantásƟco que me proporcionou durante estes anos. Eve Alexandra Reyes Pinto-Cardoso Finalista de Relações Empresariais – UCP|Q202|Setúbal Apresentações «Queres ascender às livres alturas, a tua alma está sedenta de estrelas» Lembro-me de chegar à Domus Nostra no verão de 2009 e de me deixar deslumbrar com a cidade, com o movimento e a vida que correm 24h/dia. Lisboa era exóƟca aos meus olhos. Símbolo de um novo ritmo que se impunha e me distraía os senƟdos. Lembro-me bem da sua imensidão. Lembro-me, inclusivé, de ser apresentada a uma nova residente cujo nome não consegui pronunciar: Grimanesa. Estava sedenta, e cega, por querer ver num único momento tudo o que há para ver. A vida passou mais rápido nesse ano do que em qualquer outro. Durante esse período conquistei amizades e pessoas excepcionais, testemunhei momentos únicos que marcam a primeira fase de transformação na minha vida. « L’essenƟel est invisible pour les yeux » Ao longo do ano presente tenho assisƟdo a uma nova fase do crescimento, como se um filme esƟvesse a rodar à minha frente e eu o assisƟsse com a responsabilidade de um críƟco de cinema. Este ano fui-me apresentada, e não me lembro de alguma vez o ter sido antes. Tomei mais decisões concretas relaƟvas ao meu futuro do que achei possível. Comecei uma experiência de voluntariado, em que fui desafiada a servir em vez de ser servida. Entrei num grupo de discussão em que aprendi que o mísƟco dá as mãos ao quoƟdiano e brinca com os conceitos. Aprendi que a vipág. 8 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Aprendi, acima de tudo, a parar. da v ida da pode ser simples e que uma gargalhada alivia um dia inteiro de más experiências. A verdade é que tentei tornar este texto no menos pessoal possível. Entre escritas e censuras, procurei em vão não reduzir a escrito a idenƟdade que acabei por lhe emprestar. Tenho um longo caminho a percorrer, mas o facto de, neste momento, senƟr que não estou em contra-mão afaga-me e dá-me moƟvos de orgulho pelo que conquistei. É com carinho que deixo para trás esta etapa da minha vida e as pessoas que a preencheram. « ... » Ana Magalhães Custódio Finalista de Direito – FDUL|Q618|Faro Domus Nostra, uma casa familiar Recordo claramente a minha entrada nesta casa em 2010… Na minha chegada à residência, eu e os meus pais fomos recebidos pela diretora CrisƟna que nos fez uma visita guiada pelos diversos espaços e nos foi informando acerca do funcionamento desta casa e dos funcionários que dedicam o seu trabalho e se empenham para que esta insƟtuição possa apoiar as suas estudantes universitárias da melhor forma possível. Desde o primeiro dia Ɵve o privilégio de ficar hospedada num quarto individual, onde podia manter a minha privacidade, coisa que não prescindo. Procurei decorar o meu espaço bem do meu agrado para me senƟr ainda mais na minha própria casa. Logo me apercebi que a Domus Nostra reunia todas as condições necessárias para conƟnuar o meu percurso universitário (3º ano) num ambiente meramente familiar. Não era uma “verdadeira caloira” visto ter realizado os dois primeiros anos do curso de Medicina na Madeira, contudo, a primeira semana foi igualmente diİcil. Eram os aviões que passavam tão baixo e faziam o favor de me lembrar constantemente que o oceano AtlânƟco me separava da minha família e faltava imenso tempo para fazer a primeira viagem de regresso à minha casa. SenƟa uma sensação de insegurança, solidão, Ɵmidez, tristeza e algum medo que felizmente desaparepág. 9 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida ceu rapidamente com a praxe e à medida que fui conhecendo as minhas colegas e criando novas amizades o ambiente revelou-se muito acolhedor e familiar. Neste primeiro ano até também Ɵve direito a uma madrinha fantásƟca que sempre me apoiou e ainda hoje é uma grande amiga! Apesar de no final do primeiro ano muitas amigas terem saído desta residência para irem viver juntas, preferi conƟnuar na Domus Nostra até concluir o curso, pois aqui sempre me senƟ acompanhada, tenho alguém que me abre a porta quando regresso a casa, onde posso contar com a ajuda de qualquer funcionária, o que me tranquiliza imenso. Podemos contar com o apoio desta “família” principalmente durante o período de adaptação, quando alguém adoece ou mesmo em situações em que a vida nos corre menos bem! É de louvar o empenho e dedicação da diretora e de todo o pessoal que trabalha nesta casa para apoiar devidamente cada uma das estudantes residentes, principalmente nos períodos de doença ou em momentos de maior fragilidade em que a vontade imediata era desisƟr e voltar definiƟvamente à sua terra Natal. Foi nesta casa que formei grandes amizades que perduram até hoje e onde Ɵve a oportunidade de conhecer meninas dos mais diversos cantos de Portugal e também de outros países. Sabia bem à alma conviver entre as pausas dos estudo e aproveitar para conhecer outros costumes, outras culturas e trocar experiências. Já sinto saudades das nossas conversas nos corredores, nas escadas, dos nossos jantares prolongados no refeitório e até mesmo dos convívios e brincadeiras nos nossos quartos que eram bem diverƟdos e nos faziam senƟr integradas numa verdadeira família. pág. 10 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida Realço que o balanço da minha permanência nesta residência, durante estes quatro anos é largamente posiƟvo. Da minha passagem por esta casa guardo amizades, saudades, recordações, parƟlhas, desabafos, cumplicidade... E o mais valioso que posso Ɵrar de tudo aquilo que conquistei é o fato de, apesar de a abandonar porque sou finalista, não esquecer aquilo que aqui juntas construímos. Um obrigada muito genuíno a todas! TaƟana Neves Finalista de Medicina – FMUL|Q507|Madeira Olá Lisboa! 1 Dia para abrires os teus olhos à Boa Luz de Lisboa! Olá Lisboa!!! Quando ouvi pela primeira vez que iria haver uma visita guiada por Lisboa pareceu-me uma excelente ideia dada eu ser péssima a geografia e não conhecer quase nada de Lisboa e apesar de já estar à espera de uma viagem de descobrimentos nunca pensei que esta se transformasse numa viagem de autodescobrimento. Tudo começa na cidade universitária onde o ambiente é familiar para todas nós, onde tudo parece estar no seu síƟo habitual e não há nada que se destaque excessivamente, mas a parƟr do momento em que chegamos ao Jardim do Príncipe Real tudo o que poderia parecer comum ou simplesmente mais uma folha no chão, transforma-se em algo novo. Fomos ao Jardim ver o cedro-do-Buçaco que é conhecido como um local de interesse e observamos a beleza em toda a sua majestosidade, mas mais do que uma linda paisagem Ɵvemos hipótese de conhecer mais cada uma das presentes, durante um momento de reflexão sobre a virtualidade e o tempo de ser, onde nos debatemos com várias ideias e opiniões contrárias que deram espaço para um dos momentos mais marcantes deste passeio. Pudemos aprender com os mais sábios e expressar a nossa opinião livremente mas, sobretudo, um momento onde todos os nossos fazeres habituais do dia-a-dia foram esquecidos e demos por nós, simplesmente, a falar. Posteriormente subiu-se até ao castelo de São Jorge onde Ɵvemos hipótese de ver a paisagem e de lanchar. Subimos também ao miradouro de Sophia de Melo Breyner (Miradouro da Graça), onde avistámos todo o percurso que ơnhamos efetuado. A úlƟma paragem foi em Belém, a “terra” dos pastéis de Belém, mas também do jardim da praça do Império, da torre de Belém, do centro cultural, do mosteiro dos Jerónimos e do Monumento pág. 11 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida aos Descobrimentos. No jardim da Praça do Império descobrimos um pequeno canto no jardim onde aproveitamos para descansar, conviver e ter um momento de descontração e parƟlha de histórias e pequenas aventuras. Acabamos a nossa pequena aventura docemente com um pastel de nata e retomamos rumo à Domus. Pelo caminho parƟlhamos (avaliamos) qual Ɵnham sido os nossos momentos mais marcantes, o que Ɵnha sido mais diİcil, o que mais ơnhamos gostado de ouvir e com que senƟmento ơnhamos concluído esta viagem. Apesar de todas termos um senƟmento diferente acerca da viagem em si podemos todas concordar que no fim os testes, as contas para pagar, as aulas em atraso, aqueles incómodos habituais foram totalmente esquecidos durante o passeio e pudemos aproveitar todos os minutos para relaxar, aproveitar a beleza de Lisboa mas, sobretudo, aproveitar do convívio umas com as outras. Patrícia MarƟns 1º ano de Biologia, FCUL|Q501|São Miguel-Açores Este passeio por Lisboa permiƟu-nos passear, também, nas nossas recordações e na nossa consciência. Guardo, deste tempo fantásƟco, os ensinamentos e as opiniões que me foram transmiƟdas. Apesar do cansaço, cheguei ao fim com uma alegria e uma energia consequentes deste tempo de aprendizagem, parƟlha e diverƟmento. Natacha Moreira 1º ano de Psicologia, FPUL|Q601|Torres Vedras pág. 12 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore da v ida Sonhar com Lisboa e poder descobrir Lisboa é mesmo incrível. A sensação de se encontrar com uma cultura que fora o berço da sua civilização é confortável e inquietante, na mesma medida. Imagine, ainda, quão maravilhoso é poder dizer "Olá, Lisboa!" ao lado de pessoas com personalidades maravilhosas em um dia de outono, sem chuva e com sol generoso. Sinceramente, não há como escolher o melhor lugar ou a melhor cena de todo o passeio, pois, para além de jardins, monumentos ou pastéis de Belém, exisƟam lá sorrisos, histórias e reflexões que fizeram com que tudo fosse igualmente bonito e especial. Obrigada Domus Nostra por proporcionar momentos acalentadores, fazendo com que aqueles, os quais estão longe da família, sintam-se menos sozinhos e, por conseguinte, mais felizes. Foi "bué fixe", foi muito "giro" mesmo! Maria Thereza Maximiano Estudos Clássicos – FLUL|Q614|João Pessoa – Brasil Antes deste passeio desconhecia a beleza de Lisboa, considerava-a uma cidade sem grande interesse cultural para além dos pastéis de Belém que apelam bastante a todas as pessoas. Mas depois de ver que realmente há espaços culturalmente interessante e que é possível passear por lisboa e ver mais do que prédios e casas em pé, ver mesmo um pedaço da história de Portugal apercebi-me que não são só os locais em si que fazem a diferença mas sim com quem os vamos ver, pois apesar de interessante, esta viagem sem as pessoas que passaram o dia comigo não teria Ɵdo um peso tão grande como o que teve. Patrícia MarƟns 1º ano de Biologia, FCUL|Q501|São Miguel-Açores pág. 13 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Páscoa na Universidade 2014 da v ida Estamos próximos do dia 3 de abril, a próxima quinta-feira! Neste tempo de Quaresma renuncia a um café...e traz um pacote de bolachas ou de sumo para parƟlhar! Era esta a indicação do cartaz “Páscoa na Universidade” que se encontrava na receção da Domus. Foi a este apelo que 4 jovens da Domus Nostra acompanhadas da directora, Madalena responderam no dia 3 de Abril. Em finais da Quaresma, a um passo da semana Santa, aqui foram as cinco ao Centro Social 6 de Maio em busca da “Páscoa na Universidade”. O Centro era de todo desconhecido de qualquer uma de nós. Metemo-nos à aventura, e com um espírito de descoberta de quem sente Aquela voz que diz “venham por aqui”. Apareceram uns rapazitos que no inicio mais criavam medo do que proximidade. Foram mesmo esses que simpaƟcamente nos acompanharam até lá. Chegámos ao desƟno! Um breve convívio, uma visita pelo Centro - guiada por quem o dirige - e a tão esperada Missa! Para nos sentarmos, ơnhamos as simples cadeiras do jardim-de-infância. O senƟdo que Ɵrei deste cenário: é que mesmo jovens universitários, seremos sempre os pequeninos de Jesus. Da homilia recolhi as palavras que nos impelia a ressuscitar Jesus no nosso coração todos os dias. Os cânƟcos enchiam-nos de esperança. As leituras falavam do Homem, que por ser Filho de Deus, foi condenado a morrer para nos salvar. Era comum a alegria que transparecia em todas nós. Saímos com um coração mais leve e mais aberto; conscientes de que a nossa relação com Deus e com o nosso irmão deve ser semelhante ao funcionamento do nosso coração. Esta foi a mensagem final deixada pelo padre Nuno: Tal como a nossa bomba cardíaca recebe sangue e o expulsa num ciclo conơnuo, também nós, devemos receber e dar na mesma medida, não guardar nada para nós, mas sim viver em espírito de parƟlha. Catarina Negrão 1º ano de Medicina, FMUL|Q401|São Brás de Alportel pág. 14 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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á rvore Estávamos na Quaresma da v ida No dia 16 de Abril, saímos da Domus Nostra com uma missão académica: parƟcipar numa missa no Centro Social 6 de Maio, na Damaia. A única coisa que sabíamos era que se tratava de uma creche e escola pré-primária, e que se situava num dos bairros mais degradados de Lisboa, o resto foi inesperado. Os acessos a esta "lisboa" são simples e razoáveis mas a paisagem rapidamente muda, à medida que a acompanhamos pela janela do comboio, Lisboa vai-se esbatendo por trás de ediİcios, cada vez mais cinzentos, e de ruas cada vez mais despidas de verde. A paisagem é pesada e o perigo desenha-se nos graffiƟs que a tomam de assalto. Falam de guerra e de violência, e vestem de encarnado a calçada. A comunidade é maioritariamente africana, muitos imigrantes à procura de trabalho os que primeiro pousaram pé na Damaia, cidadãos portugueses de uma lisboa nua de complexos os que nela vivem hoje. Nesta fotografia, o Centro 6 de Maio sobressai como um centro missionário que pintou alguma cor de esperança numa comunidade excluída. A instrução e a possibilidade de brincar num ambiente seguro aparecem como armas a uma geração a quem é oferecida a possibilidade de escolha. Era uma tarde como tantas tardes de Primavera, em que o sol incute nas pessoas uma roƟna de "veste casaco-despe casaco". O ar, embora respirável, senƟa-se em harmonia com a história das ruas. No entanto, o espaço encheu. Três padres a celebrarem a missa e um desafio foi lançado à pequena mulƟdão académica, que ouve em silêncio. "O que significam as minhas relações com os outros?". Remexi-me na cadeira. Dobrei o guião da missa, desdobrei-o. Tomei redobrada atenção à decoração das paredes. Sei lá o que significam as minhas relações, pensei. Sabia que o espaço à minha volta era infanƟl, ingénuo, decorado a criaƟvidade e a laivos de fantasia, persuasivo, esqueci Lisboa. Estava outra vez no meu infantário, era de novo capaz de pegar num lápis ou num marcador e desenhar sem moƟvo. Podia desenhar um Sol a sorrir que ninguém me quesƟonaria. Era capaz de ultrapassar qualquer desafio porque sabia desenhar uma casa com um telhado encarnado e uma lareira sempre acesa. São crianças. São vidas as que me falaram naquelas paredes. De repente, a viagem não me pareceu tão triste. O caminho de volta foi outro, por certo. As cidades fundiram-se numa e vi mais semelhanças nas pessoas que vivem nesse bairro do que naquelas com quem convivo todos os dias. Estávamos na quaresma e acho que me apercebi do que preciso de procurar, nas relações com os outros, isto é. Ana Magalhães Custódio Finalista de Direito – FDUL|Q618|Faro pág. 15 | www.domusnostra.net 2013/14 |

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