Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 21

 

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mineracão sustentabilidade revistamineracao.com.br . Outubro . Abril de 2015 Setembro 2013 Março . Especial Edição 12 2 Edição 21 .. Ano 4 Água: não há tempo a perder Setor mineral adota inovações sustentáveis no uso do recurso, porém, desafios precisam ser superados Entrevista Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME Carlos Nogueira da Costa Júnior Siderurgia O potencial das estruturas em aço Meio Ambiente A luta de Sebastião Salgado

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clique Tânia Rêgo/Agência Brasil Homenagem ao Mestre O matemático Artur Ávila, primeiro latino-americano a conquistar a Medalha Fields, prêmio considerado o Nobel da Matemática, plantou em abril uma muda de jequitibá no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O gesto foi uma homenagem a Albert Einstein, que visitou o espaço há 90 anos. À época, o físico teria ficado impressionado com o tamanho da árvore, tendo inclusive abraçado e beijado o tronco de um espécime adulto. EXPEDIENTE Diretor Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Ívina Tomaz Thailor Gonçalves redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico, Editoração e Design Leopoldo Vieira Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Atividade Editora Gráfica Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Istockphoto On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guaicuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 /RevistaMineracao @RevMineracao

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Estante Recursos Minerais e Comunidade Minas a céu aberto Adilson Curi Oficina de Textos Francisco Rego Chaves Fernandes, Renata de Carvalho Jimenez Alamino e Eliane Araújo CETEM Tradutor: José Manoel dos Reis Neto Oficina de Textos Rochas Metamórficas: classificação e glossário Este ampliado trabalho reuniu 105 estudos de caso de mais de cem localizações no território brasileiro com atividades minerais. A publicação decorre do projeto “Recursos Minerais e Territórios”, iniciado em 2010. • Ano: 2014 • 392 páginas • 180 páginas • ISBN: 978.85. 8261.003-9 Disponível para download: www.cetem.gov.br O livro aborda o processo de planejamento da lavra, desde os conceitos básicos de mineração e projeto até a determinação dos limites da lavra. Esses aspectos, fundamentais para empresas de mineração, agentes governamentais de planejamento e gestão de recursos naturais e até mesmo bancos envolvidos no financiamento de projetos de mineração, são abordados de forma didática e eficaz. • R$ 69,00 • 23 x 16 cm • 232 páginas • ISBN: 978.85. 7975.149-3 O livro apresenta mais de 1.100 termos, divididos em doze capítulos que definem como determinar os nomes corretos para rochas e processos metamórficos, além de discutir a lógica para a definição de terminologias importantes. Uma obra de referência a professores e pesquisadores, e indispensável nas bibliotecas. • R$ 94,00 • 17 x 24 cm • 328 páginas • 2ª edição • ISBN: 978.85. 7975.135-6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 5

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sumário revistamineracao.com.br Março . Abril de 2015 Edição 21 . Ano 4 24 Especial O uso da água na mineração 14 Meio Ambiente Instituto Terra, fundado por Sebastião Salgado, recupera áreas mineradas. 30 Cidades Minerárias Mossoró, pioneira dos direitos civis 10 Entrevista Carlos Nogueira da Costa Junior 34 18 Produto Final Siderurgia O potencial das estruturas em aço Sal, fundamental para o homem Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Meio Ambiente 18 Siderurgia 22 24 30 34 37 Cetem Especial Cidades Minerárias Produto Final Ibram 38 40 44 48 50 Internacional Surpreenda-se Ceamin Comunidade Agenda 48 A tradição da Cerâmica Saramenha 40 Surpreenda-se As supermáquinas da mineração Comunidade 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015

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Editorial Crises política, econômica e hídrica Em Brasília o governo federal procura, com a convocação do vice-presidente Michel Temer para a articulação política, realinhar seu grande cerco de alianças no Congresso Nacional, onde até hoje tramita o projeto sobre o novo Marco Regulatório da Mineração. Na escala de prioridades o projeto não está em primeiro lugar. A atenção é para a aprovação das medidas de reordenamento econômico para fazer o país voltar a crescer. Nesse contexto se somam as crises política e econômica. E aí sobra para a terceira crise, a hídrica, que afeta a todos os setores de atividade e a própria sobrevivência humana, isso numa visão de mundo. Por aqui a solução pode ser mais simples, mas não menos trabalhosa. As palavras de ordem são economia e criatividade. Reportagem especial do editor-geral Thobias Almeida e do repórter Márcio Antunes busca opinião de técnicos e autoridades públicas para saber como conviver com a falta d’água e potencializar seu uso. Consumidor de água, mas nem sempre da maneira mais sustentável, setores da mineração já se adiantaram e muitos estão bem preparados para conviver com a escassez hídrica. Segundo estudo da CNI e do Ibram, as grandes mineradoras já reusam parte da água de suas atividades, cujo percentual pode variar de 65% a 95%. A Anglo American, dona do projeto Sistema Minas-Rio, garante recuperar mais de 80% de toda a água necessária ao processo produtivo e informa que chegará a 100% de recirculação no processo de filtragem no porto. A mineração Rio do Norte (MRN) tem sistema fechado de reuso da água, cuja implantação ocorreu em 1989. Em 2009 investiu R$2,7 milhões em geração de energia, reduzindo o consumo de água em 90%. Mas o maior consumidor é o setor agrícola, responsável por 73% do total consumido. A atividade industrial, a mineração aí incluída, consome 21%, ficando 6% para os humanos. A questão da alteração do regime de chuvas, que segundo os especialistas, veio para ficar, é tão séria que chamou a atenção de nossos colunistas, a começar pelo decano deles, o engenheiro de minas e metalurgista, José Mendo Misael de Souza. Ainda nesta edição, a repórter Ívina Tomaz assina matéria sobre a busca incessante da mineração pela inovação de métodos e tecnologia. Se nos primórdios a mineração era feita com as mãos e ferramentas rudimentares, o leigo que chegar a algumas minas se surpreenderá com imagens futuristas. Máquinas gigantescas, de alta tecnologia, britadores de 450 toneladas e tratores de esteira pesando 113 toneladas, fazem parte da paisagem. Na coluna panorama, a informação é de que a Rio Tinto, da Austrália, opera 57 gigantescos caminhões por controle remoto e até um trem, o primeiro de uma série. Na mineração, o futuro já é hoje. O município minerário da vez é Mossoró, no Rio Grande do Norte, que produziu no ano passado 1,8 milhões de toneladas de sal, ou 32% da produção nacional. Com IDHM de 0,720 considerado alto de acordo com os padrões da ONU, a cidade vive clima de paz econômica e social. Além do sal, produz gás e petróleo. Tem muita atividade cultural e animadas festas regionais. Seu povo se orgulha de Mossoró ter sido a primeira cidade a libertar os escravos, a instituir o voto feminino e de ter resistido ao ataque de Lampião e seu bando de Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. cangaceiros. Como detalhes curiosos, a reportagem lembra que salário veio do sal, porque era com esse produto que se pagavam os trabalhadores e que soldado é aquele que recebia com sal. Nas páginas verdes o secretário de geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira da Costa Júnior manifesta otimismo com a mineração brasileira, que poderá começar a crescer. Já o banco Citi, que mostrou cotação de US$47 a tonelada de minério neste mês, prevê que no segundo semestre a cotação poderá chegar a US$37. Até a próxima edição. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 7

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panorama CFEM em queda O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) em Minas Gerais apresentou retração e atingiu em março o menor patamar nos últimos cinco anos. No período, o estado arrecadou R$ 44,166 milhões, frente a R$ 53,148 milhões em fevereiro, queda de 16,8%. São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas, foi onde ocorreu uma das maiores quedas na arrecadação, com retrocesso de 58,24% no primeiro trimestre de 2015 na comparação com o mesmo período de 2014. A receita proveniente dos royalties foi prejudicada pela queda nos preços internacionais do minério de ferro, principal item na pauta de exportações de Minas Gerais. Murilo Ferreira no comando do conselho da Petrobras Murilo Ferreira, CEO da Vale, assumirá a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. Ele substituirá o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), Luciano Coutinho, que estava interinamente no cargo após a saída do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. A intenção do governo federal é substituir todos os atuais representantes do Conselho, por possuírem perfil político. A nova composição deverá trazer nomes reconhecidos pelo mercado financeiro. Automação na Rio Tinto A mineradora anglo-australiana Rio Tinto deu início ao processo de automatização das minas de minério de ferro que possui em Pilbara (foto), na Austrália. Máquinas mais modernas, seguras e ágeis serão usadas na abertura de minas subterrâneas, poços e túneis. A presença direta de operários no local não será mais necessária, dada a possiblidade de controle remoto da operação. A segunda maior mineradora do mundo implantou 57 caminhões sem motorista e testou o primeiro trem sem maquinista na mina da joint venture Hope Downs 4, controlada em conjunto com a Hancock Prospecting. A mineradora é a maior operadora de caminhões autônomos do setor, tendo transportado mais de 200 milhões de toneladas de minério de ferro nos últimos anos valendo-se do sistema. Há três anos, a Rio Tinto anunciou que investiria US$ 500 milhões em trens autônomos com alta tecnologia que pudessem ser controlados por meio de um centro em Perth. A empresa desenvolve o programa de inovação Mine of the Future, que estuda tecnologias de automação para melhorar produtividade, eficiência e segurança. Christopher Biggs 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015

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Divulgação ArcelorMittal investe em P&D O Brasil receberá o 12º centro de pesquisas e desenvolvimento da ArcelorMittal no mundo, um investimento de US$ 20 milhões entre 2015 e 2019. A unidade iniciou em abril as atividades, na ArcelorMittal Tubarão, a partir da estrutura já existente. Um projeto final ainda será elaborado. Está prevista a aquisição de equipamentos e modelos de simulação, caracterização e análise a fim de complementar a estrutura atual. Cerca de 30 pesquisadores e técnicos do Brasil serão contratados pela empresa nos próximos dois anos. Outros, vindos de centros de pesquisa da ArcelorMittal na Europa e Estados Unidos, também se juntarão à equipe para projetos especiais. O novo centro de pesquisas terá como foco o desenvolvimento de inovações para as indústrias automotiva, máquinas e equipamentos, de energia (oleodutos e gasodutos, estruturas off-shore, torres eólicas), construção civil e eletrodomésticos. China reduz imposto sobre minério de ferro A China cortará impostos para a mineração de ferro local, uma medida de estímulo que ampliará o excesso de oferta global da commodity e enfraquecerá o plano de grandes mineradoras de forçar a saída de concorrentes de alto custo, conforme noticiou a agência Reuters. A Vale e as australianas Rio Tinto e BHP Billiton buscam abrir caminho para um novo fluxo de produção na China. Para frear a movimentação, o governo chinês informou que cortará o imposto que cobra de produtoras domésticas de minério de ferro pela metade, aumentado a competitividade das indústrias nacionais. As mineradoras da China têm sofrido prejuízos seguidos com o atual patamar do preço do bem mineral, que baixou a menos de US$ 50 em abril. Empregados da Alcoa temem fechamento de mina A demissão de 650 funcionários e o anúncio do fim da produção de alumínio primário na Alumar provoca apreensão em Poços de Caldas, em Minas Gerais. A possibilidade de paralisação da fábrica é aventada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Poços de Caldas (Sindmetal). No ano passado, cerca de 500 funcionários da planta foram demitidos. Parte dos metalúrgicos teme que a paralisação do restante da produção desemboque no fechamento da fábrica. Com as demissões em São Luís, no Maranhão, a companhia deixará de produzir aproximadamente 740 mil toneladas anuais de alumínio. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, não há nenhuma mudança prevista nas operações e os ajustes da produção foram determinados em escala mundial. Quanto à saída da Alcoa do país, cogitada pelos funcionários, a assessoria da empresa afirmou que a possibilidade não existe. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 R$ 30 mi para a conservação ambiental A Anglo American anunciou investimentos de R$ 30 milhões para manutenção e implantação de Unidades de Conservação (UCs) em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, em regiões diretamente influenciadas pelo Minas-Rio. A expectativa é de que sejam destinados R$ 15 milhões no primeiro semestre de 2015. Cerca de R$ 5 milhões já foram liberados para o Parque Estadual Serra do Brigadeiro e outro R$ 1 milhão para o Parque Estadual Pico do Itambé, em Minas Gerais. Os recursos são direcionados à regularização fundiária e aquisição de bens e serviços necessários à implantação, gestão, monitoramento e proteção das UC´s. Votorantim investe em Vazante A Votorantim Metais investirá R$ 600 milhões na produção de minério de zinco em Vazante, no Noroeste de Minas Gerais. Os recursos serão empregados na ampliação da vida útil do complexo minerário. Segundo a empresa, obras de acesso a reservas mais profundas de minério mapeadas dentro da área de exploração de mina serão iniciadas em 2015. A Votorantim informa já ter destinado R$ 67 milhões para, por exemplo, o desenvolvimento de rampas impermeabilizadas, aquisições de equipamentos de mineração, estudos de engenharia, infraestrutura de superfície e início da construção de poço. As operações estão previstas para serem iniciadas em 2017. O grupo investe também no projeto Extremo Norte, com inversões de R$ 215 milhões. O empreendimento localiza-se no vetor norte da mina e tem a expectativa de produzir 470 mil toneladas/ano de minério bruto, o que corresponde a um terço da produção atual da unidade Vazante. O empreendimento já conta com a licença provisória. 9

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entrevista Francisco Stuckert / MME Carlos Nogueira da Costa Júnior Inovação, competitividade e sustentabilidade: o caminho da mineração brasileira 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015

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Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia aposta nas vantagens do setor no Brasil para a superação dos desafios do presente Thobias Almeida Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, o geólogo Carlos Nogueira da Costa Junior planeja um futuro de crescimento para a mineração brasileira. Sem deixar de levar em conta o atual cenário de, no mínimo, apreensão, o homem à frente da SGM garante que o país está bem posicionado no quadro global da mineração e que caminha para novos voos. O secretário destaca a posição estratégica do Brasil no desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de minerais com alto valor agregado, caso do nióbio e de seus produtos e ligas especiais, “dos quais somos o principal exportador do mundo”, ressalta. Além disso, Nogueira aponta o aumento do conhecimento geológico do território, com a consequente identificação de novas áreas potenciais para exploração, como avanço já conquista- do, que continuará a ser trabalhado nos próximos quatro anos. Incentivar a inovação, promovendo a integração entre academia, governos e empresas, é outra meta a ser perseguida, nas palavras do secretário. O incentivo à sustentabilidade, principalmente no uso racional de recursos hídricos, energia e no relacionamento com as comunidades, também está no mapa de prioridades da SGM, conforme atesta Nogueira. Os desafios são grandes, tendo em vista o preço desidratado das commodities minerais e o ciclo pouco dinâmico da economia mundial. Porém, para o secretário, o Brasil está preparado para cruzar as águas revoltas do cenário atual rumo a um porto mais seguro. Estes e outros temas estão na entrevista exclusiva concedida à Mineração & Sustentabilidade. Mineração & Sustentabilidade Quais os principais projetos da SGM para a mineração brasileira nos próximos anos? Carlos Nogueira Para os próximos quatro anos a expectativa da SGM é atuar de maneira articulada com as entidades vinculadas do setor, CPRM (Serviço Geológico do Brasil) e DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), Carlos Nogueira da Costa Júnior Presidente do Conselho de Administração da CPRM (Serviço Geológico do Brasil). Doutor em Geologia Econômica e Prospecção Mineral pela Universidade de Brasília. Mestre em Mineralogia e Petrologia Aplicada pela Universidade de Brasília. Trabalhou na iniciativa privada por mais de 15 anos, tendo vários trabalhos técnico-científicos publicados. e dar continuidade aos programas e ações de governo que já vêm sendo implementados com sucesso há mais de uma década e têm proporcionado resultados expressivos à indústria mineral brasileira e ao desenvolvimento socioeconômico do país. Cito como exemplo o aumento expressivo do conhecimento geológico do território, identificação de novas áreas potenciais para recursos minerais, aumento da produção mineral brasileira e melhoria na gestão do patrimônio mineral nacional. Todos os projetos de governo para os próximos anos estarão voltados à manutenção e ao aprimoramento dessas conquistas. Nesse sentido, esperamos continuar apoiando estrategicamente a CPRM em seus projetos, cujo objetivo principal é o de avançar na produção de conhecimento geológico, aerogeofísico e geoquímico do território e na identificação de recursos minerais, visando gerar mais informações para atrair novos investimentos em pesquisa mineral e produção de novas minas. A SGM atuará ainda, diretamente, na elaboração de programas de aproveitamento de minerais estratégicos, como terras-raras e minerais para fertilizantes; no fortalecimento das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação; na promoção da sustentabilidade na mineração; e na consolidação e ampliação dos programas de formalização da atividade minerária e de fortalecimento de micro e pequenas empresas do setor mineral, como capacitação técnica de pessoal e consolidação de arranjos produtivos locais (APL) de base mineral. M&S Como a SGM vê o atual cenário da mineração brasileira? CN O desempenho do setor mineral em 2014 apresentou comportamento semelhante a 2013, no que se refere ao volume de recursos minerais produzidos no Brasil. Mesmo considerando uma conjuntura econômica desfavorável para 2015, com recuo do preço e da demanda das commodities, esperamos que o desempenho do setor mineral brasileiro seja positivo e possa contriRevista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 11

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buir decisivamente para o crescimento da economia brasileira. M&S Quais as principais vantagens competitivas da mineração brasileira? CN No que diz respeito à qualidade dos bens minerais, o país dispõe de jazidas de classe mundial. No caso do minério de ferro, principal produto mineral exportado, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de produção mundial e suas jazidas possuem teores particularmente atrativos, associados a custos de produção bastante reduzidos, o que representa uma importante vantagem competitiva em nível global. O setor mineral do país possui também recursos humanos altamente qualificados e tem investido no desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de bens de base mineral com valor agregado, colocando o Brasil em posição de destaque mundial neste cenário. É o caso, por exemplo, do nióbio e de seus produtos e ligas especiais, dos quais somos o principal exportador do mundo. Outra vantagem competitiva do setor mineral brasileiro é a disponibilidade de reservas de minerais portadores de futuro. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de minerais de elementos terras-raras, o que propicia a implantação de uma cadeia produtiva integrada de produtos de elevada tecnologia e alto valor agregado fabricados com esses elementos. Não se pode deixar de citar a plataforma continental do país como mais uma fronteira que revela o atraente potencial do setor mineral brasileiro. Avanços tecnológicos recentes associados aos métodos e equipamentos de prospecção mineral em regiões de águas profundas permitirão a reavaliação de áreas antes consideradas não promissoras para a atividade de mineração. Em 2014, a CPRM obteve da Autoridade Internacional do Fundo do Mar (ISBA) autorização a para realização de prospecção e exploração mineral no Alto do Rio Grande, localizado em área de jurisdição internacional do Atlântico Sul. M&S Em 2014, o setor mineral obteve superávit comercial de US$ 35 bilhões. Há uma projeção para 2015? CN Apesar da recente queda nos preços 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 das commodities minerais nos mercados mundiais, os investimentos na expansão e abertura de minas de classe mundial foram mantidos no país, especialmente para o minério de ferro, principal item da pauta de exportações minerais brasileiras. Nesse contexto, se mantido o cenário econômico atual, esses novos projetos representarão um incremento na produção do minério que será capaz de sustentar o patamar atual das receitas da exportação, podendo resultar em um superávit comercial em 2015. titivas do que os grandes players? CN De fato, a queda do preço do minério de ferro poderá impactar a atividade das pequenas e médias mineradoras, que geralmente operam a custos de produção maiores dos que as mineradoras de grande porte. A expectativa é de que o setor continue empreendendo esforços na redução de custos por meio de investimentos em infraestrutura e logística e do emprego de tecnologias que otimizem a produção. M&S A mineração, bem como a indústria em geral, é dependente de dois insumos que hoje atravessam momentos delicados, seja pela oferta, seja pelo aumento do custo: água e energia. Como a SGM enxerga esse contexto? CN Desafios quanto à oferta de água e energia não são uma realidade nova para a atividade de mineração no Brasil e no mundo. Ao longo dos anos, a indústria mineral tem superado tais dificuldades e obtido sucesso na implantação de seus projetos. Para o futuro, a expectativa é de que não seja diferente, visto que investimentos em novas tecnologias, otimização do uso dos recursos e emprego de técnicas de reuso são práticas cada vez mais adotadas pelas empresas. M&S Como a SGM pretende incentivar a sustentabilidade na atividade extrativista? CN Promover a sustentabilidade em todas as etapas da cadeia produtiva de bens minerais é uma das diretrizes do Plano Nacional de Mineração (PNM 2030), que norteia as politicas setoriais. Nesse sentido, as políticas setoriais consideram, cada vez mais, a importância de se assegurar uma oferta adequada de bens minerais à atual e às futuras gerações. As ações voltadas para esse fim são de amplo espectro e envolvem desde iniciativas para o setor empresarial, com a criação de um ambiente propício aos investimentos produtivos e ao uso eficiente dos recursos, até ações de caráter sistêmico em favor de práticas sustentáveis, como aquelas que envolvam os trabalhadores e a comunidade geral. As ações para a produção mineral sustentável propostas O setor mineral tem investido no desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de bens de base mineral com valor agregado M&S O minério de ferro representou, em 2014, 88% das exportações brasileiras de bens minerais. Este é um contexto que pouco pode ser mudado ou é preciso diversificar a pauta de exportações de commodities minerais? CN Não há dúvidas de que a diversificação da produção e da exportação mineral brasileira é um caminho a ser buscado, razão pela qual o tema tem sido objeto de discussão no âmbito da definição de políticas setoriais. Exemplo disso são os esforços empregados pelo governo, nos últimos anos, na elaboração de programas de aproveitamento de minerais estratégicos, como terras-raras e minerais para fertilizantes. Entretanto, há que se considerar que o protagonismo do minério de ferro no cenário mineral nacional deverá permanecer, em razão do volume de nossas reservas, da qualidade do minério e da demanda mundial por este insumo. M&S As previsões são de que a tonelada de minério de ferro será negociada abaixo dos US$ 50 em 2015. Qual o risco para as pequenas e médias mineradoras brasileiras, menos compe-

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Entrevista com Carlos Nogueira da Costa Junior pelo PNM 2030 compreendem estímulos ao uso mais eficiente de energia elétrica e recursos hídricos, incluindo tratamento de efluentes e aumento da recirculação da água; medidas de acompanhamento, fiscalização e controle de barragens da mineração; programas de incentivo à reciclagem e reuso de materiais provenientes de bens minerais; incentivo à produção mais eficiente, com uso das melhores técnicas na lavra, no beneficiamento e na transformação mineral; dentre outras. M&S Como a SGM pretende trabalhar para incentivar a inovação na mineração brasileira? CN A atuação do MME no incentivo à inovação na mineração brasileira é fundamentada nas diretrizes do Plano Nacional de Mineração 2030, baseando-se, portanto, na promoção de agregação de valor, adensamento do conhecimento e sustentabilidade em todas as etapas da cadeia produtiva mineral. Uma política de incentivo à inovação deve estar voltada, dentre outras ações, ao aumento de recursos orçamentários disponíveis para PD&I na indústria mineral, incentivo à cultura de inovação no setor e investimentos em recursos humanos. Para a promoção dessas ações o MME está trabalhando de maneira articulada com outros órgãos, especialmente o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O objetivo para os próximos anos é promover a integração entre academia, governos e empresa na área de PD&I e a adoção por estes agentes de novo modelo de desenvolvimento tecnológico para o setor mineral brasileiro que transforme o país numa liderança mundial no desenvolvimento tecnológico e na inovação, em longo prazo, e que o estabeleça como exportador de tecnologia, principalmente inclusa em equipamentos e serviços, bem como promotor da agregação de valor aos recursos minerais e adensamento da cadeia de fornecedores de bens e serviços para indústria da mineração, de forma competitiva e sustentável. M&S A mineração brasileira retoma- Carlos Costa Júnior (centro) quer aproximar a academia, a iniciativa privada e o governo para a produção de inovações Layse Lacerda / MME rá a pujança de investimentos vivenciados na primeira década do século 21 ou o setor deve se preparar para um novo ponto de equilíbrio? CN Os dados mostram que o setor mineral possui caráter cíclico, não apenas no Brasil, mas no mundo. Experimentamos recentemente um ciclo de quase dez anos de grande valorização das commodities minerais no mercado internacional, que resultou na aplicação de grandes volumes de investimentos na indústria mineral brasileira, com a abertura de novas minas, expansão da produção e geração de riqueza para o nosso país. Entretanto, dado o caráter cíclico e uma estreita relação entre a conjuntura econômica mundial e o desempenho do setor mineral, não é possível afirmar quando se dará uma retomada de investimentos para o setor em níveis mais elevados. Independentemente do cenário vivenciado, é certo que a atuação dos agentes públicos e privados do setor deverá estar continuamente direcionada ao aumento da produtividade, à diminuição dos custos, incentivo à competitividade e à promoção da inovação tecnológica e da sustentabilidade. M&S Os investidores internacionais devem apostar no Brasil? CN Com certeza. O Brasil é a sétima maior economia do mundo e um importante player mundial do setor mineral. Possui forte tradição em mineração e é um país que tem a concorrência livre como princípio constitucional. Com isso, somado o potencial geológico do país e os investimentos em infraestrutura e em levantamentos geológicos, o Brasil se coloca como um importante destino de investimentos estrangeiros. Os levantamentos geológicos recentes confirmam o elevado potencial mineral do Brasil na medida em que mostram indícios favoráveis às descobertas de novas áreas promissoras para o desenvolvimento de empreendimentos minerais, não apenas na Região Norte, mas também no Centro-Oeste e Nordeste. Isso confirma que ainda é necessário investir na ampliação do conhecimento geológico do território brasileiro, e por meio dos resultados desse apoio governamental, atrair investimentos para esses novos alvos. Outra fronteira a explorar é a plataforma continental brasileira. Avanços tecnológicos recentes associados aos métodos e equipamentos de prospecção mineral em regiões submersas poderão levar à reavaliação do leito marinho da costa brasileira e à identificação de áreas potenciais antes consideradas não promissoras para a atividade de mineração. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 13

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Meio Ambiente Instituto Terra Um novo Atlântica Entidade criada por Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos do mundo, atua na recuperação de áreas impactadas por setores como a mineração Mata Márcio Antunes Reprodução internet retrato da 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015

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Um dos biomas mais castigados no Brasil é a Mata Atlântica, que hoje sobrevive com apenas 8,5% de remanescentes florestais do que, em um passado não muito distante, estava presente em 17 estados. Na contramão da destruição, o cultuado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e sua esposa Lélia Deluiz Wanick Salgado criaram, em 1998, o Instituto Terra. A recuperação ambiental promovida pela entidade foi premiada pela Agência Nacional das Águas (ANA) em 2014, na categoria ONG, devido ao Programa Olhos d’Água, cuja meta é proteger as nascentes do Vale do Rio Doce. Desde a criação, o Instituto Terra reflorestou 7,5 mil hectares de áreas no Vale do Rio Doce. No viveiro da instituição, mais de quatro milhões de mudas nativas foram cultivadas. A sede da ONG fica na Fazenda Bulcão, na cidade de Aimorés, localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. O fotógrafo tem forte proximidade com a propriedade, pois lá foi criado. Na década de 1960, Sebastião Salgado e Lélia foram exilados pela Ditadura Militar e não acompanharam as mudanças pelas quais passava a Fazenda Bulcão, vendida à então Vale do Rio Doce. Àquela época, a ação da mineração era menos atenta aos cuidados com o meio ambiente. Início Há 17 anos, Salgado decidiu devolver à natureza um pouco de vida. A Fazenda Bulcão foi recomprada. O fotógrafo trabalhou na recuperação de 700 hectares de uma área modificada, e empobrecida ambientalmente, pela atividade minerária. Atualmente, a propriedade é um exemplo de como o reflorestamento de áreas mineradas pode ser feito de maneira eficiente. O Instituto Terra estima que restam 90 hectares a serem recuperados. O local já abriga uma floresta com mais de 293 espécies arbóreas e arbustivas originárias de Mata Atlântica. Inserção Social O diretor de Meio Ambiente da prefeitura de Aimorés, Bruno Leles Conceição e Silva, reforça o sucesso do trabalho re- alizado pelo Instituto Terra junto aos 25 mil moradores do município. Segundo o diretor, a ONG contribui para a inserção social de jovens por meio de capacitação técnica-ambiental, além de recuperar as áreas degradadas da cidade, benefício que se estende a várias porções do Vale do Rio Doce, formado por mais de 200 municípios. “Hoje o mundo conhece o Instituto Terra, conhece Aimorés e conhece esse trabalho bem sucedido na área ambiental. Tudo por causa desse grande aimoreense chamado Sebastião Salgado”, reconhece. Jaeder Lopes Vieira, analista ambiental do Instituto Terra, comemora o fato de a instituição criada por Salgado e Lélia conseguir levar adiante a promoção do desenvolvimento sustentável da região. Ele aposta no relacionamento com a 7,5 mil hectares comunidade, na formação de parcerias e na vocação rural e prática do Instituto como responsáveis por isso. Presença Sebastião e Lélia vivem na França há cerca de quatro décadas. Ainda assim, as visitas ao Instituto Terra são constantes. No começo de 2015 eles estiveram no Brasil e participaram de uma série de eventos Sebastião Salgado O Instituto Terra já reflorestou 2000 2013 Luciana Aluada Sebastião Salgado recuperou 700 hectares de Mata Atlântica na fazenda onde viveu Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2015 15

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