Figuras&Negócios #160

 

Embed or link this publication

Description

Figuras&Negócios #160

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2



[close]

p. 3

Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 3

[close]

p. 4

N CARTA DO EDITOR ta de que no tocante à política das terras, os caminhos estão a ser mal pisados por integrantes do poder que se aproveitam dos cargos que ostentam para se tornarem donos dos melhores espaços. Mas, afinal, esse não é um processo daquele País, pois Angola e Cabo Verde também vivem os mesmos problemas, tendo levado, inclusive, o Engenheiro Fernando Pacheco, uma figura abalizada e muito preocupada com a problemática das terras, em Angola a pedir cautelas nessa questão para se evitar o crescimento de um furúnculo com consequências nefastas para a estabilidade dos nossos países. No âmbito internacional, e ainda com os olhos postos no continente africano, continua a ser preocupante a situação de Moçambique onde a Renamo, a segunda maior força política, permanece armada numa altura que o seu líder, Afonso Dlakhama reivindica a governação de províncias onde o seu partido conseguiu o maior número de votos no mais recente pleito eleitoral que deu a presidência do País a Filipe Niyusi. Isso quando Armando Guebuza abandona, pelo menos directamente, a vida política activa e deixa, também a direcção da Frelimo, no final do seu segundo mandato à frente dos destinos de Moçambique. Outros temas da vida nacional e internacional o leitor encontrará nesta edição, ressaltando-se que no desporto, mais própriamente no futebol, os angolanos já conhecem os seus adversarios para as eliminatórias do CHAN, em 2016, e CAN em 2017, uma empreitada que pode ser vencida desde que a organização e melhor planificação na preparação dos palancas não seja descurada. Boa leitura a República de S.Tomé e Príncipe parece que se encontrou o caminho para a democracia poder caminhar sem sobressaltos, eliminando-se a constante mania de interrupção de mandatos de governos saidos de eleições livres. Patrice Trovoada é o actual Primeiro-Ministro e esta é a terceira vez que ele lidera um governo sendo certo que nas duas vezes anteriores não conseguiu terminar o seu mandato. Como Presidente da ADI, neste momento a maior força política do arquipélago, Patrice Trovoada não acredita que possam aparecer forças de bloqueio para impedir o seu partido de governar e levar o País a conhecer o desenvolvimento há muito desenhado. É o que ele fala em Página Aberta. De S.Tomé veio também o aler- 4 Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015

[close]

p. 5

Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 5

[close]

p. 6

7. EDITORIAL AFRICANOFOBIA 16. LEITORES INTRANQUILIDADE E DESCONFORTO EM VIANA 19. PONTO DE ORDEM PIRÂMIDE INVERTIDA 20. PAÍS "MULTIPERFIL" VENCE UMA ETAPA DE FORMAÇÃO 32. FIGURAS DE CÁ 35. MUNDO REAL A PAZ E AS LIÇÕES PARA O PAÍS 36. CULTURA YURI DA CUNHA "O INTERPRETE" FOI LANÇADO EM PORTUGAL 42. ECONOMIA & NEGÓCIOS ISABEL DOS SANTOS À BEIRA DA VITÓRIA NO BPI 50. CONJUNTURA UNIVERSIDADE-EMPRESA DÁLOGO PRECISA-SE 54. DESTAQUE A PROBLEMÁTICA DA TERRA 65. NA ESPUMA DOS DIAS MUSSULO, CEMITÉRIO DE VAIDADES! 72. MUNDO A MENTE DE UM PILOTO SUICIDA 91. FIGURAS DE JOGOS OLIVEIRA APONTA SOLUÇÕES CAPA: BRUNO SENNA PATRICE TROVOADA, PRIMEIRO MINISTRO DE S.TOMÉ E PRÍNCIPE PÁGINA ABERTA 10. 24. 92. REPORTAGEM CHUVAS O PAÍS SENTIU E O POVO SOFREU MODA & BELEZA 96. O ARMÁRIO MASCULINO SAÚDE A DECISÃO DIFÍCIL DE ANGELINE JOLIE Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 6

[close]

p. 7

MOÇAMBIQUE ...E DEPOIS DA ERA GUEBUZA ÁFRICA 66. DESPORTO 88. OS DESAFIOS DOS PALANCAS 100. 104. FIGURAS DE LÁ RECADO SOCIAL CUSTOU-NOS VOLTAR A SORRIR E ABRAÇAR... Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 160, Abril – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Londres: Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

[close]

p. 8

8 Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015

[close]

p. 9

EDITORIAL a África do Sul, uma das grandes potências políticas e económicas do continente africano regista-se novamente casos de Africanofobia (expulsão de africanos) que atinge fundamentalmente cidadãos de países vizinhos que, num passado recente, se constituíram em baluartes na luta contra o apartheid sofrendo por isso rudes golpes do então exercito racista. A onda de africanofobia começou na cidade portuária de Durban e rapidamente se alastrou a outras cidades com especial incidência para Joanesburgo colocando-se em pânico milhares de imigrantes africanos que desde há muito alí constroem as suas vidas. Mas o mais grave, e que não deixa nada bem na fotografia as autoridades governamentais sul-africanas é que esta acção xenófoba não é nova e não abafa os problemas sociais que o País atravessa, cujas causas só podem ser imputadas a más políticas que vão sendo implementadas pelo executivo de Jacob Zuma, o actual Presidente. Na verdade, em 2008, numa outra onda de ataques contra os emigrantes africanos, o País registou 62 mortes e 50 mil deslocados na seqüência de uma semana de sangrentas manifestações feitas por sul-africanos incapazes de conviver com os problemas sociais que enfrentam devido a essas mas políticas governamentais e descarregam a sua bílis contra os indefesos irmãos africanos, mormente de Mocambique, Zimbabwe e Malawi, vizinhos com maior número de cidadãos a trabalharem em território sul-africano e que ocupam, na generalidade, os trabalhos de rendimento mais baixo, desde a dureza nas minas à limpeza doméstica. O saldo agora dessa atitude de baixo coturno também foi dramático com mortes selváticas, o que obrigou a tomada de medidas imediatas por parte dos países com os cidadãos mais atingidos. Instalou-se, assim, um clima pouco propício para uma solidariedade que deve ser fraternal na região e que vai trazer marcas na cooperação futura. Se é verdade que os actos de vandalismo praticados por cidadãos sul-africanos contra os seus irmãos africanos não pode ser entendido como uma decisão governamental, não N AFRICANOFOBIA se ignora que ele afecta sempre as relações e, no caso presente, tendo em conta a forma tardia e lenta como o executivo de Jacob Zuma reagiu, mais de uma semana depois do inicio dos ataques africanofóbicos. Por outro lado, a cimeira extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da SADC que terá lugar em Harare, capital do Zimbabwe (já depois do fecho da nossa edição), não é o melhor momento para Jacob Zuma fazer valer a supremacia de potência que o seu País é na região porquanto ver-se-á confrontado com duras criticas dos seus homólogos que o relembrarão a necessidade de um exame de consciência para ter presente os enormes sacrifícios que a África, em geral, e particularmente os países vizinhos consentiram para que os sul-africanos se vissem livres do apartheid. Os angolanos, por exemplo, não podem esquecer que fizeram da libertação da Namibia e da África do Sul a continuação da sua luta. Com a permissão de entrada no seu País de milhares de cidadãos vizinhos que se ocuparam dos empregos mais baixos na África do Sul, o governo deveria se precaver em termos de legislação que proteja os imigrantes, sobretudo depois da experiência negra de 2008, evitando-se confrontos afroxenófobos e criando um ambiente cívico que não propague a ideia de que os estrangeiros que trabalham no País são os grandes culpados pelas enormes dificuldades sociais que o País hoje enfrenta onde se ressalta uma taxa de desemprego na ordem de 25%. Mas foi precisamente nessa direcção que se seguiu, abrindo espaço para que o Rei Zulu viesse a público acender o rastilho da violência ao dizer aos imigrantes que se não fossem embora a bem, iriam a mal. Com o fogo em brasa, o que se pretende e apela é a prudência de outros países para se evitar a resposta de olho por olho dente por dente mas, principalmente das autoridades sul-africanas, medidas enérgicas traduzidas em muita acção e pouco jogo de palavras com vista a se salvaguardar a solidariedade africana tão importante e indispensável para se fazer face aos enormes problemas que a região e, de uma forma geral, o continente enfrenta. Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 9

[close]

p. 10

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES REPÚBLICA DE ANGOLA LISTA DE AGENTES DO CNC Contact: Mrs. Ilse Fliege Martinistrasse.29 D-28195 Bremen Telf: (49) 421 339 365 Fax: (494) 213 393 699 Email: management@asa-services.net/ bremen@asa-services.net Germany, Poland, Lithuania, Latvia, estonia, Russia, Ukraine, England, Ireland and Scotland ASA GMBH HEISEI SHIPPING AGENCY Contact: Mr. Sawamoto Shiba Nishi Bldg, 6F 9-1 Shiba 4-Chome, Minato KU Tokyo Telf: (81)354765771/(81)354765710 Fax: (81) 354 765 711 Email: ops@hship.co.jp Japan FRABEMAR BEACON & SOUTH ATLANTIC AGENCIAMENTOS LTDA Contact: Mr. Franco Bernardini Ms Sara Pizzo Viale Brigate Partigiane 16/2 16129 Genoa Italy Telf: (390) 105 533 011 Fax: (39) 010 541 458 Email: dbernardini@frabemar.it/mbernardini@frabemar.it Italy and spain Contact: Sr. Thiago Lima, Srª Ana Quast, Sr.José Vela D. Silva Rua do Comércio 55 - SI. 61/63 / CEP: 11010-141 - Santos - SP / Brasil Telf: (55) 13 30234255 Fax: (55) 13 30234270 Email: thiago@beaconsouth.com.br/ana@beaconsouth.com.br/ marilinda@beaconsouth.com Brazil SCC Contact: Mr. Duarte Miranda Mr Miguel Camelier Silva R. de Moscavide, Lt 4.28.02, Loja A - Parque das Nações - 1990-198 Lisboa Telf: (351) 218 947 140 Fax: (351) 218 945 145 Email: lisboa@scc.com.pt/m.camelier@scc.com.pt Portugal MITCHELL COTTS Contact: Ms.Marisa Sidorak Calle Lima 29, Piso 3, Oficina I. Buenos Aires Argentina Telf: (54) 11 48780668 / (54) 11 48780669 Fax: (541) 143 811 713 Email: marisa@angomar.com.ar/luis@angomar.com.ar Argentina, Bolivia, Colombia, Ecuador, Peru, Ungria Paraguay and Venezuela ANGOMAR AGENCIA MARÍTIMA SRL Contact: Ms.Nadia Titton 11th Floor, Grindrod House 108 Victoria Embankment Durban P.OBOX 1021 Durban 4000, South Africa Telf: (27) 313 027 189 Fax: (27) 313041752 Email: nadia@mitchellcotts.co.za;/nigels@mitchellcotts.co.za Republic of South Africa, Namibia, Swaziland, Zimbabwe, Mozambique, ilhas Mauricias, Tanzania and Kenya SEAWAY EXPRESS CO, LTD OIC SERVICES INC. Contact: Ms.Phornsri Simavanichkul 718/6 Soi Suanplu, South Sathorn Road, Sathorn, Bangkok 10120 Telf: (66)267933456 (66) 67947979 (66) 26794019 Fax: (66)26794018/ (66)22131125 Email:phornsri@ksc.th.com Thailand, Myanmar and Laos Contact: Mrs. Veronique Durnerin B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (18) 329 126 820 Fax: (18) 329 126 864 Email: vdurnerin@oicservices.com/info@oicservices.com USA and Mexico TECHNIMAR Contact: Mr.Sylvain Lepage Mr. Hugo Bourassa 1695 Boul. Laval, Suite 330 - Laval, QC - H7S 2M2 Telf: 1 (450) 975 2058 Fax: (14) 509 752 125 Email: s.lepage@transgloballogistics.ca/h.bourassa@transgloballogistics.ca Canada TRANSGLOBAL Contact: Mr. Schreurs Philippe Square de Meeus 38/40 - 1000 Bruxelles, Belgique Telf: (32)24016139 Fax: (3) 224 016 140 Email: office@technimar.net Belgium, Netherlands and Luxemburg 10 Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015

[close]

p. 11

Contact: Mr. Willy Deku P.O. BOX CT 2878 CANTONMENTS ACCRA Fax: Telf: (23)322210509 (23)3243715976 (23)3208116762 Fax: (23) 322 210 509 Email: wilmardel@ighmail.com/ wildeku@yahoo.com Benim, cameron, Ivory Coast, Gabo, Ghana, Equatorial, Equatorial, Guinea, Nigeria, Senegal and Togo WILMARDEL LTD TIME OCEAN SHIPPING LIMITED Contact: Ms.Wang Yue I 19/F, International Ocean Shipping & Finance Center, No. 720 Pudong Avenue, Pudong New District, Shanghai - China Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China WILHELMSEN HYPWOON SHIPS SERVICE LTD Contact: Mr.K.S. Lee 12th floor, Doryeom Bldg., 60 Doryeom-Dong, Jongno-Gu, Seoul Korea Telf: (82)237030801 Fax: (8) 227 388 130 Email: k-s.lee@wilhelmsen.com South Korea ALADIN SERVICES CONGO Contact: Mrs.Diane Carole Makiza B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (2) 426 481 016 Email: aladin.services.congo@yattoo.com Congo SAGA SHIPPING Contact: Mr.Leo Mikkelsen Auktionsvej 10 9990 Skage Dinamarca Telf: (4) 598 443 311 Fax: (4) 598 450 029 Email: saga@saga-shipping.dk/ Denmark, Finland, Norway and Sweden Contact: Mrs.Yasemin Uyar ISTOC 18 ADA NO:120 BAGCILAR ISTANBUL-TURKEY Telf: (902) 124 823 743 Fax: (902) 124 827 757 Email: info@dsf-cnca.com/ yasemin.uyar@dsf-cnca.com Turkey DSF DOLPHIN CHARTERING SERVICES PVT. LTD Contact: Mr.Subodh Joglekar 405, Gokul Arcade. A-Wing. Vile Parle (East). Mumbai 400 057, INDIA Telf: (91)2228368825/ (91)2228368827 Fax: (912) 228 361 849 Email: dolphin@dolphinchart.com India WAB CORP MARINE TRANSPORT SERVICES (L.L.C.) Contact: Ms. Vivian Fernandez Mr. Hussein El Zein Platinum Business Center Offices No 606/607, 6th Flr. Bagdad Road, Al Nahda 2nd P.O Box 172203 DUBAI - United Arab Emirates Telf: (97) 142 583 529 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria FOREMOST LINE LIMITED Contact: Mr. ST Chen Chuang Thio Beijing Office 2708-07, Tower C, Office Park 5, Jianghai South Street, Chaoyang District, Beijing China 100020 Tel: (85) 225 418 671 Email: foremosthk@foremostline.com China WAB CORPORATION Contact: Mr. Hassan Yahfoufi, Ms. Abeer Ashour 2931, Airport Business Center, 4th Floor #402 Beirut, 2814-4105 Lebanon Telf: (9) 611 458 825 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria SIN CHIAO SHIPPING AGENCY PTE LTD MARITRADE SHIPPING CONSULTANT SAS Contact: Ms.Nadia Berkane 10,Rue du Colisée, 75008 Paris Telf: (330) 156 591 640 Fax: (330) 156 591 642 Email: maritradesas@yahoo.fr France Contact: Mr.Thio.S.T 12 Prince Edward Road #03-13 Podium B Bestway Building Singapore 079212 Telf: (6) 562 241 011 Fax: (6) 562 242 775 Email: sinchiao@pacific.net.sg;/sthio@pacific.net.sg Australia, Indonesia, Malaysia, New Zealand, Philippines, Singapore, Bangladesh, Pakistan and Srilanka HT TRADE-COOPERATION AND TRANSPORT JOINT STOCK COMPANY Contact: Mr.Le Thiet Thao 31ª, Rua Nguyen Khuyen, Destrito Dong Da, Hanói, Vietnam Telf: (04) 374 783 47 Fax: (04) 374 716 42 Email: sociedade_ht@cnca.vn Vietnam and Cambodja SAN LIAN SHIPPING Contact: Mr.Lu Suen Yu 11/F, Ngan House, - 206/210 Des Voeux Road Central - HONG KONG Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 11

[close]

p. 12

PÁGINA ABERTA DESTAQUE Patrice Trovoada, 53 anos, é o actual Primeiro Ministro da República de S.Tomé e Príncipe. É a terceira  vez que ele ocupa esse cargo mas nunca cumpriu um mandato completo, sempre interrompido por problemas internos decorrentes das diversas leituras sobre a democracia no País. Hoje ele assume o mandato depois do seu Partido, ADI, ter conseguido  uma maioria absoluta nas eleições que fez dela a maior força política do arquipélago pelo que Patrice Trovoada  acredita que dessa vez é para valer e está aberto o caminho para, sob a sua direcção aplicar-se as medidas que possam levar S.Tomé e Príncipe a erguer-se no conjunto de estados africanos.Potencialidades, ele reconhece que existem as suficientes para guindar o País, determinação das pessoas também acredita que é alta, daí a razão do seu optimismo expressado numa conversa de quase três horas com o jornalista Víctor Aleixo, depois dos primeiros cem dias de governação do novo executivo santomense. Entrevista: Víctor Aleixo (Texto) e Lourenço Silva (Fotos) F iguras&Negócios (F&N) Senhor Primeiro-Ministro, passaram os primeiros cem dias da governação do seu governo. Já existe balanço para apresentar? Patrice Trovoada (P.T.) - Nesses cem dias foi preciso diagnosticar, radiografar a situação, o que foi feito rapidamente para se começar de facto a trabalhar, a resolver os problemas e a perspectivar os eixos que vão permitir o País crescer. F&N - Conhecia a situação porque já foi Primeiro Ministro duas vezes. P.T. - Sim, nós conhecíamos a situação, tínhamos já um plano que, por ter sido interrompido, sabíamos que teria de haver uma continuidade, mas a verdade é que nós tínhamos de saber sobretudo a situação real das contas nacionais, o tesouro, os engajamentos, a situação das empresas, mormente as públicas que são as mais estratégicas para o País, como a empresa do aeroporto, o porto, a empresa de electricidade, os sectores críticos que são sobretudo a protecção civil, a saúde com o hospital de referencia,...Enfim, tínhamos de perceber em que estado estavam estas instituições. Fizemos isso rapidamente porque em alguns sectores mais críticos tivemos que mudar as equipas. As situações mais gritantes que têm a haver com a má utilização de dinheiros públicos, encomendamos auditorias que levam o seu tempo, praticamente demoraram três meses para permitir que as pessoas pudessem se justificar e hoje já passamos esta fase. A inventariação está feita e concentramo-nos no relançamento da máquina. O País não tinha Orçamento Geral do Estado, está finalizado e vamos apresentá-lo para votação na Assembleia Nacional em Abril. Mas deixa-me dizê-lo que mesmo sem orçamento tivemos que começar a resolver alguns problemas, como o sector de manutenção de estradas onde tínhamos 1600 pessoas desempregadas. Voltamos a pô-las a funcionar, são pessoas que vêm do meio rural, que representa 8% da população activa. Conseguimos já levar electricidade para algumas zonas, pôr àgua em outras e começamos a pagar uma grande dívida que temos para com os estudantes no exterior do País, para além das accões de fundo que é o diálogo com os nossos parceiros tradicionais, no sentido de os explicar as perspectivas económicas deste governo e como podemos interagir buscando interesses que sejam mútuos, ao governo e aos parceiros, sobretudo de longo prazo, sendo certo que neste sentido temos de fazer um grande esforço de reestruturação da estratégia a adoptar. Neste âmbito, para além dos contactos com as instituições financeiras, como o BAD, Banco Mundial, União Europeia, nós privilegiamos também os contactos a nível da sub-região porque, como sabe, a nossa ambição para S.Tomé e Príncipe é que o País seja efectivamente um centro de negócios, de prestação de serviços, de turismo de excelência a nível do Golfo da Guiné. Para isso precisamos de construir relações sólidas com os nossos vizinhos, de construir uma matriz de interesses económicos complementares e não competitivos ou competidores. Esse é um dos eixos primordiais da nossa política, o que levou-nos a algumas visitas aos países vizinhos. Foi, aliás, dentro disso que elegi a primeira visita oficial a Angola não só pelas razões que referi, mas, fundamentalmente, por ser um parceiro histórico que após a independência tem sido o País que mais ajuda S.Tomé e Príncipe, quer financeiramente,como politicamente no sentido da consolidação  de um clima de estabilidade e paz. F&N - O senhor que esperanças dá aos santomenses? P.T. - Nós estamos tranquilos. F&N - Tranquilos pelas palmas ou porque eles acreditam em dias melhores? P.T. - Estamos tranquilos pela nossa capacidade para ultrapassar dificuldades.No momento da campanha eleitoral eu pessoalmente tive muito presente a dificuldade da obra que tínhamos pela frente, daí que nós temos, desde 2010, construindo uma visão clara daquilo que queremos para o País e sabemos que esta visão para ser materializada precisa PATRICE TROVOADA, PRIMEIRO MINISTRO DE S.TOMÉ E PRÍNCIPE "O MEU PAÍS TEM POTENCIALIDADES E FUTU 12 Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015

[close]

p. 13

PÁGINA DESTAQUE ABERTA de tempo, estabilidade e muito trabalho. Nós fomos ao detalhe dos problemas que temos de atacar, desde as infra-estruturas à saúde e estamos a começar com as medidas correctivas. Mas tenhamos presente o seguinte: o OGE vai ser votado em Abril, o que vai deixar-nos depois oito meses de execução mas isso vai acontecer quando os outros países já estão há mais de seis meses com os seus orçamentos em execução.S.Tomé é um País que depende a 95% da ajuda externa pelo que não pode pensar que no mês de Abril haverá disponibilidade das linhas orçamentais dos países para alocarem algumas verbas para S.Tomé e Príncipe no ano de 2015. F&N - Então, o País será adiado? P.T. - Não, não será adiado porque se nada fizermos a situação irá repetir-se em 2016. Então, é preciso muito trabalho, capacidade negocial, credibilidade e imaginação para levarmos o País, neste 2015, em termos de orçamento e, evidentemente, da actividade económica para a realização do programa, e isso está garantido. Vamos ter um orçamento que nos permitirá uma boa execução em 2015, de algumas obras importantes para o País e posso, desde já, garantir que no início  do segundo semestre de 2015, já teremos praticamente feito o nosso projecto de orçamento para 2016. Aí sim, poderemos junto dos nossos parceiros fazer com que na base dos nossos projectos, das nossas relações, das perspectivas e das vantagens mútuas eles inscreverem alguma verba para apoio a STP, URO" Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 13

[close]

p. 14

PÁGINA ABERTA DESTAQUE em 2016. Mas volto a dizer que estamos tranquilos. Diria mais, aquilo que não podermos fazer em termos de obras, este ano, por limitações não só orçamentais mas também de capacidade de realização, iremos fazer de progresso a nível de reformas que muitas vezes não custam dinheiro mas sim vontade política. Nós estamos no poder para quatro anos. Pergunta-me se vamos ao encontro das expectativas das pessoas? Sim. Tomamos o caso de slogans de campanha, que são promessas e não só técnicas de caça ao voto, que para mim são engajamentos para se materializar. O que prometemos em relação ao arroz doado pelo Japão já estamos a cumprir quanto aos preços e estamos a trabalhar no sentido de ter um arroz acessível a populações durante todo o ano mas não podemos ficar dependente permanentemente dele. Vamos investir na cultura alimentar de produtos nacionais, na valorização daquilo que é nosso para que a dependência ao arroz pouco a pouco possa diminuir nos próximos anos. Prometemos internet para os jovens e no próximo mês vamos começar com nove praças digitais e o objectivo este ano é completarmos trinta praças digitais em que os jovens poderão de facto ter acesso gratuito à internet. Outra questão mais profunda é o emprego. Com o orçamento aprovado ter-se-ia mais hipóteses, com o lançamento de obras, de se empregar pessoal, de resto, a outra solução tem de ser o investimento estrangeiro directo porque o santomense tem muito pouco capital. Então, temos estado a mehorar o clima de negócios, melhorar a fiscalidade, a desburocratizar a função pública, olhar para as resistências que a própria administração cria. A nível da banca, dos tribunais e dos agentes da justiça estamos a promover um diálogo de forma que o risco do negócio baixe e se traduza, também, pela baixa de taxas de juros, que se possa ir mais para procedimentos de arbitragem, tribunais especializados em determinadas matérias. O Estado está interessado no Tribunal Tributário para resolver algumas situações. Nós estamos a atacar a questão dos registos e notariados que têm sido serviços cujas performances emperra a economia. Essas questões todas vão levar a melhorar a nossa política de criação de oportunidades de emprego. F&N - Então precisa começar tudo de novo, foram quase 40 anos perdidos?    P.T. - Bom, seria muito severo dizer que foram 40 anos perdidos mas quero que as pessoas tenham noção disso: o tempo mudou e boa parte da classe política santomense com responsabilidade de reconstruir o País não se deu conta disso. Ficaram agarrados a mecanismos antigos, a um sistema de dependência muitas vezes oriundos de contextos históricos que já não existem e não perceberam que hoje as solidariedades são outras, as exigências são outras. Eu não quero comparar essa nossa chegada ao poder aqui em STP, o como uma mudança de geração em termos de idade porque em outros países também temos gente mais velha que é extremamente jovem e adaptada à realidade dos tempos actuais. Agora no nosso País temos uma classe política, uma classe administrativa que ficou parada no tempo, daí que foram fazendo, às vezes, algumas reformas modernas do sistema simplesmente para corresponder à pressão dos doadores internacionais (FMI,BM,...) que punham como condição para a libertação de fundos mas sem se apropriarem das necessidades que o País tem de se modernizar. essa visão pelo que não podemos mudar é o tempo. É preciso que nesse período construamos uma capacidade nacional e fazer a advocacia da mudança. F&N - A partir de quando os santomenses vão sentir melhorias da sua governação? P.T. - Eu posso garantir que neste ano de 2015 o acesso à electricidade vai melhorar a nível de toda ilha de S.Tomé; nós vamos estender a rede eléctrica a praticamente todo País, posso garantir que nos próximos três anos quase 80% da população terá acesso à água e electricidade. Os projectos existem, as fontes de financiamento igualmente, por isso pensamos que é uma questão de execução. Podemos também garantir que a partir de 2016 haverá mais criação de postos de trabalho. F&N - O desemprego é alto? P.T. - Exactamente. Nós estamos a criar as condições para a entrada de capital privado internacional, nomeadamente no sector de agricultura e na pequena indústria de transformação. Também estamos a dar ênfase ao sector das pescas que tem sido  muito pouco explorado e eu acredito que só por aí as pessoas irão ver que a escolha feita nas urnas foi acertada. Há alguns sectores que terão de melhorar o seu desempenho. Estamos em diálogo com o sector da justiça porque é muito criticado e nós pensamos que aí não devemos entrar em contradição, tem de haver trabalho de bom entendimento entre o executivo e a justiça para que a reforma se faça, que haja uma atitude mais inclusiva do que exclusiva. Não são coisas que as pessoas se apercebam à primeira vista mas isso ajuda a restabelecer a autoridade do Estado. Do ponto de vista económico, ajuda a diminuir o risco do negócio. A nível da agricultura, temos um grande problema para a segurança alimentar: o preço dos insumos. O Estado está a trabalhar no sentido de reduzir os preços dos insumos agrícolas para que isso se possa reflectir nos  preços dos produtos locais. Outra situação preocupante é que o custo de transporte marítimo é proibitivo em STP devido à fraca performance do País. Qualquer investidor olha para isso e sabe perfeitamente que o produto final, em STP será inflacionado sobretudo pelo fraco desempenho do porto. Estamos a trabalhar no sentido do actual porto ter um desempenho logístico muito mais eficiente, sabemos quanto custa,o tipo de equipamentos que temos de adquirir e por isso estamos perfeitamente disponíveis para estudar propostas e encontrar mecanismos, quer sejam parcerias público-privadas, quer seja concessão para o tempo mudou e boa parte da classe política santomense com responsabilidade de reconstruir o País nao se deu conta disso. Ficaram agarrados a mecanismos antigos, a um sistema de dependência muitas vezes oriundos de contextos históricos que já não existem e não perceberam que hoje as solidariedades são outras, as exigências são outras.” Fizemos alguns progressos há quatro anos atrás quando estive no governo, mas constato, hoje, que retrocedemos. Por exemplo, a nível dos vistos avançamos muito no meu tempo com os vistos electrónicos mas verificamos que há de novo deficiências. Isto quer dizer o quê? Enquanto não tiver uma liderança que se aproprie dessas necessidades haverá outra pressão das instâncias internacionais, e isso não levará a parte nenhuma. Portanto, este País tem de virar para uma outra era e eu acredito que é esta a exigência do povo, que se apercebeu que não havia resultados e que os exige agora. Por isso é que disse que estamos tranquilos porque temos a visão, conhecemos os passos para chegar lá e, até certo ponto, sabemos sectorialmente quais são as reformas e os projectos que devem suportar “ 14 Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015

[close]

p. 15

PÁGINA DESTAQUE ABERTA Figuras&Negócios - Nº 160 - ABRIL 2015 15

[close]

Comments

no comments yet