Revista Conviva Julho 2014

 

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Revista do Colégio Catarinense

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Nº 64 / ANO XVIII JUNHO 2014 EXCESSOS, FALTAS E REDE DE RELAÇÕES PENSANDO QUALIDADE A PARTIR DO SISTEMA DE QUALIDADE FLACSI EDUCAÇÃO AMBIENTAL: “COM AS MÃOS NA MASSA” PINHEIRAL: REFAZENDO LAÇOS ABRA-SE: POR UMA CULTURA DA HOSPITALIDADE NA AMÉRICA LATINA E NO CARIBE

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EXPEDIENTE 04 06 08 10 11 14 17 18 20 24 26 28 30 32 34 35 36 38 40 42 EDITORIAL FLACSI CLICK UNIDADE de ensino I ESPORTE SUSTENTABILIDADE PRA TODA VIDA ESPIRITUALIDADE ENQUETE NOTÍCIAS FAMÍLIA APP CLICK UNIDADE de ensino II PEDAGOGIA INTEGRAÇÃO LITERATURA MEMÓRIA TECNOLOGIA HOSPITALIDADE JESUÍTAS PASSATEMPO DIRETOR-GERAL Afonso Luiz Silva DIRETORA ACADÊMICA Jane Lúcia Pedro DIRETOR ADMINISTRATIVO Fábio Luiz Marian Pedro CONSELHO EDITORIAL Carlos Eduardo Martins Louisa Carla Farina Schröter Márcio Alexandre Pereira Patrícia Grumiche Silva Pe. João Quirino Weber Rozangela Kons Martendal Rodrigo dos Passos Magali Schmitz Knoll PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Marcca Comunicação FOTOGRAFIAS Márcio Alexandre Pereira Tiago Cristhian Costa José Renato Duarte Acervo Colégio Catarinense REVISÃO E CORREÇÃO DE TEXTOS Danieli Galvani João Júlio Freitas de Oliveira CONTATO Setor de Comunicação (48) 3251-1593 R. Esteves Júnior, 711 – Centro Florianópolis/SC – CEP 88015-130 (48) 3251-1500 www.colegiocatarinense.g12.br ESPAÇO DO LEITOR Se você quiser fazer comentários, sugestões, críticas ou tirar dúvidas, entre em contato conosco pelo telefone (48) 3251-1500 ou pelo e-mail comunicacao@colegiocatarinense.g12.br

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editorial Uma expressão literária do nosso cotidiano escolar Ler, falar e escrever são atividades que pertencem à arte de comunicar, propor, expressar e revelar nossos sentimentos. Através delas, confrontamos análises e percepções da vida, agregamos inspirações e refletimos sobre o cotidiano. A edição nº 64/ANO XVIII da revista Conviva chega aos nossos leitores como produção e expressão literária do nosso cotidiano escolar, mostrando projetos, ações e reflexões acadêmicas, pedagógicas e dos contextos social, histórico e eclesial, nos quais estamos inseridos. Procuramos, com esta revista, fazer circular as tão ricas vivências estabelecidas através da rede de relacionamentos diários do Colégio Catarinense. Nesse sentido, um dos assuntos explorados nesta edição, dado o momento que vivemos, aborda as práticas esportivas. Como país-sede da Copa do Mundo, o Brasil viveu, nos últimos anos, grandes expectativas acerca dos sentimentos inerentes à realização do Mundial: o futebol sempre foi uma paixão do nosso povo, mas, infelizmente, foi muito utilizado como manobra “politiqueira” de poucos que usurpam o poder e se aproveitam desses momentos de “paixão nacional” para acobertar desmandos administrativos, corrupções, injustiças, e interesses partidários. Oportunamente, a revista traz a hospitalidade à tona, enaltecendo o caráter integrador do esporte como objetivo maior de sua prática; através dele, experimentamos um momento único de aproximação dos povos. A esse respeito, a revista traz o legado da prática do futebol, propagado e semeado também pelos jesuítas desde o século XIX. Em tempos em que tantos turistas são recebidos com carinho por nosso povo, precisamos ficar atentos à necessidade de ser difundida a cultura hospitaleira em benefício das comunidades latinoamericanas. A busca pelo Magis deve nos impulsionar na missão em prol dos refugiados, ajudando-os, acolhendo-os e oferecendo-lhes serviços humanitários. Nesse sentido, a campanha “Abra-se à Hospitalidade”, promovida pela FLACSI em ocasião do Dia Mundial dos Refugiados, dialoga com nossas práticas diárias de cuidado e respeito com o outro. Nesta edição, o leitor também apreciará reflexões importantes acerca do processo educacional desenvolvido no CC, subsidiado pelas ciências e modernidades das quais dispomos atualmente. Em uma entrevista feita com a professora Cléia Bernardete Fritzke Abdalla, observamos quão nobre é o trabalho docente, quando abraçado com dedicação a missão do Colégio Catarinense. A importância dos laços afetivos estabelecidos com o próximo também Afonso Luiz Silva Diretor-geral do Colégio Catarinense é lembrada nesta edição da Conviva. O Dia de Integração e Ação Social, as experiências do Pinheiral e os laços que nos envolvem em comunidade possibilitam que busquemos sempre ser “mais e melhores, com o objetivo de colocar a própria vida, nossos dons e talentos a serviço do próximo”. (MAGIS). Esperamos que os artigos, comentários, clicks fotográficos e projetos desta edição sejam convidativos a uma boa leitura e que proporcionem, ao mesmo tempo, lazer e aprendizado. Paz e Bem! 04

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www.tractebelenergia.com.br GERAR ENERGIA É O QUE NOS FAZ ACORDAR TODOS OS DIAS. FAZER ISSO COM SUSTENTABILIDADE É O QUE NOS FAZ DORMIR BEM TODAS AS NOITES. Produzir energia de forma sustentável é um compromisso da Tractebel com o futuro. Por isso, além de utilizar fontes renováveis em mais de 80% de tudo o que produz, a empresa investe em melhorias ambientais, apoia as comunidades em que está inserida e contribui para o desenvolvimento social e cultural de diversas regiões. É a Tractebel gerando desenvolvimento, oportunidades e a energia de que o futuro precisa.

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FLACSI Pensando qualidade a partir do Sistema de Qualidade FLACSI Sônia M. V. Magalhães - Assessora de Educação Básica O Sistema de Qualidade da Gestão Educativa que a FLACSI está propondo aos colégios jesuítas da América Latina pode ser visto apenas como uma ferramenta de gestão de qualidade. Isso já seria bom e de grande ajuda para os colégios, afinal, trata-se de um programa bem desenhado, com método e instrumentos testados e ajustados a partir de um piloto aplicado em dez colégios. No entanto, existe, também, a possibilidade de amplificar os efeitos do Sistema e reconhecê-lo como uma oportunidade de revisão dos critérios que sustentam nossas percepções, opiniões e até mesmo avaliações sobre o trabalho que fazemos nos colégios. Conversando com um grupo de diretores e coordenadores do Colégio Catarinense, surgiu a discussão sobre o que entendemos por “qualidade”. Depois de alguma conversa, começamos a nos perguntar o que mais poderia nos trazer um sistema como esse, além de melhorias naquilo que já fazemos de bom e até bem feito. Em algum momento da conversa, chegamos ao seguinte ponto: o sistema poderia nos ajudar a reconhecer que nem tudo que é bom (e até bem feito) produz o bem. Na verdade, o que queremos é mais do que fazer bem feito. Nesse ponto, paramos, conversamos mais, refletimos, de fato, que nem tudo que é bom produz o bem. Será essa uma frase de efeito ou fará algum sentido para a nossa reflexão? Pergunta boa e necessária para avançar... E avançamos. Levar a sério essa afirmação talvez nos remeta mais às finalidades do nosso trabalho do que efetivamente ao trabalho. Por certo, tal exercício nos ajuda a sair da segurança que sentimos ao constatar que fazemos bem feito para aprofundar sobre as razões pelas quais fazemos isto ou aquilo, deste ou daquele modo e, quem sabe, começar a perguntar se não deveríamos estar fazendo outras coisas, obviamente também realizadas com qualidade, isso é pressuposto. 06

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Seguindo a conversa, começamos a nos dar conta de que não raramente estamos envolvidos e, às vezes, envolvidos com comodidade pelo bom trabalho que realizamos. Nem sempre nos perguntamos se a boa aula, a boa atividade de pastoral, a boa estrutura física do colégio, os bons professores contribuem para a realização do bem que o colégio quer produzir a partir da atividade educativa que desenvolve. Para isso, precisaríamos estar sempre conscientes de que o bem produzido não se mede pela bondade da coisa em si, mas pelos efeitos que produz aquilo que fazemos. Às vezes, avaliamos a “coisa” como um fim em si mesma, e por isso mesmo nos apegamos a tantas delas: programas, atividades, estruturas e até processos. A literatura das ciências organizacionais indica que fazer bem feito nada mais é que um indicador de eficiência. Para avançar na direção da eficácia, dizem os especialistas, há que fazer bem feita a coisa certa, a partir da razão de ser da instituição. Afinal, existimos para quê? Lido de trás para frente: há que saber muito bem o que se quer para definir o que deve ser feito. Fazer bem feito é uma espécie de obrigação ou condição de sobrevivência, uma vez que está na base dessa pequena pirâmide que diferencia as instituições eficientes das eficazes. Voltando à frase que gerou a conversa, diferenciar o bom (ou bem feito) do bem que produz é distinguir função (ou tarefa) de missão (ou finalidade); é fazer a experiência de migrar da avaliação de um colégio apenas pelo bom ou bem feito que realiza e olhar para essas instituições, perguntando-nos, antes de mais nada, se o que fazemos no cotidiano das escolas dá conta do que pretendemos como instituição católica e jesuíta. Para fazer bem feito, muita coisa boa é condição necessária, mas insuficiente para qualificar uma instituição educativa que pretenda contribuir, ainda que modestamente, para a transformação da sociedade.

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CLICK UNIDADE DE ENSINO I João, Profª Cláudia, Ana Clara e Isadora. Carolina Ventura, Valentina Couto, Profª Janaina Zanardo e Manuela Fonseca. Gabriela, Profª Vanessa, Nathália e Martina. Vicente, Profª Pâmela, Gustavo e Manuela. Lívia Santos, Educadora Adriana e Helena Cruz. Maitê, Profª Ana Carolina e Igor. Isabella S, Profª Elisa e Sofia. 08 Nicole S. Buss, Ana Laura Pelajo, Educadora Terezinha e Anna B Gentil. Maria Carolina, Profª Letícia, Bárbara Medeiros e Vitória.

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Orientadora Berenice, Orientadora Andréa, Pedro Antônio, Maria Eduarda, Heloisa Catarina e Mariana Franca. Ricardo, Profª Isadora, Davi, Enrico, Profª Maria Carla, Enzo e Valentina. Arthur, Profª Kátia Hipólito, Luiz e Maria Eduarda. Sofia, Maria Eduarda, Prof. Paulo, Geórgia, Luciana, Profª Marília, e Maria Catarina. Juan, Homero, Profª Cris, Gabriela e Igor. Agatha, Isabela, Educador Felipe, Isabela C, Enzo e André Felipe. Pedro S. Sarda, Profª Luciane, Poliana S. Sarda e João S. Sarda. Rafaela, Aline e Sofia. Pedro, Profª Carla, Thayná e Bruna. Profª Poline, Lara, Murilo e Profª Isabel. 09

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ESPORTE COMPETIR, MAS COM MODERAÇÃO E LEALDADE Rodrigo Nagel - Coordenador das Categorias de Base do Figueirense Futebol Clube A competição é condição inerente ao esporte, assim como a ética. Falo isso porque a filosofia da “vitória, custe o que custar” é a fiel reprodução de valores sociais arraigados à nossa cultura. Todos os fenômenos sociais que permeiam a nossa história e a cada dia estão mais evidentes e banalizados, como o crescimento da violência e a corrupção, são facilmente observados em nossas arenas esportivas, quer seja entre os atletas ou entre os torcedores. Infelizmente, muitos acreditam que os fins justificam os meios, e a prática de atos ilícitos ou antiéticos para vencer ou levar vantagem é, muitas vezes, reforçada como uma qualidade de quem a faz. Comumente, as pessoas validam comportamentos inadequados como legítimos: “Fulano foi esperto”, “Cicrano foi malandro”. No esporte, isso fica evidente quando um atleta simula uma agressão, uma falta ou uma lesão, agride um adversário, incita a violência ou promove atos discriminatórios. Não precisamos nos esforçar muito para reconhecermos esses comportamentos no nosso cotidiano, seja no esporte ou não, e o que mais preocupa é quando a mídia e o senso comum qualificam esse tipo de atitude como normal e pertinente ao esporte, o que, de fato, não é! Mas o que a ética tem a ver com cooperação? Tudo! Cooperação é uma relação baseada na colaboração entre indivíduos ou grupos de indivíduos que buscam alcançar objetivos comuns, e essas interações são reguladas por regras, valores e convenções sociais, conceitos fundamentalmente atrelados à ética. O esporte é educativo; ele nos expõe a diversas situações em que podemos compartilhar atitudes positivas, éticas e solidárias. Através do esporte, constitui‑se o ambiente perfeito para vivenciar a vitória e a derrota, mostrar virtudes e fraquezas, aprender e ensinar, entender que vencer é importante, mas de forma justa e honesta. Então, não deixe de competir todos os dias, mas com moderação e lealdade! 10

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SUSTENTABILIDADE Educação Ambiental “Com as mãos na massa” Louisa Carla Farina Schröter - Coordenadora do Comitê Lixo Zero Inaugurado em setembro de 2013, o residuário central do Colégio Catarinense consolida-se como uma poderosa ferramenta de educação ambiental. Os conceitos trabalhados nesse espaço transcendem nossas matrizes curriculares e tornam concreto o engajamento de meninos e meninas na preservação do planeta e na necessidade de se viver de maneira mais simples e sustentável. Uma visita ao residuário central é uma experiência transformadora. Nesse local, alunos e colaboradores participam de oficinas e vivências acerca da triagem de resíduos, que permitem o aprofundamento de temáticas relacionadas ao tema da sustentabilidade. Além de promover a qualificação dos processos de informação, o projeto busca refletir sobre a crise ambiental, considerando suas problemáticas e a promoção da ética ambiental, o que reflete nossa responsabilidade sobre a plenitude da vida. As aulas monitoradas no residuário contam com a presença dos alunos, de seus professores regentes e dos integrantes do Comitê Lixo Zero, fazendo com que crianças e adultos ponham, literalmente, a mão na massa. Isso significa conhecer os tipos de ênfase na redução de emissão desses resíduos e uma reflexão sobre o consumismo, evitando, dessa forma, o uso indiscriminado dos recursos naturais e a degradação ambiental. Os alunos do Colégio Catarinense podem conferir, nessa visita, que a resíduos, organizá-los por categorias, compreender suas características de decomposição e as possibilidades de reciclagem e reúso. Há, além disso, a educação ambiental se faz para além dos conceitos teóricos, devendo se constituir em práticas efetivas e concretas que pautem a vida das

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pessoas na comunidade escolar e que devam ser levadas para a vida. O diálogo com o contexto é parte essencial do Paradigma Pedagógico Inaciano. O Comitê Lixo Zero busca constantemente mostrar, à comunidade educativa, que uma relação de equilíbrio com o meio ambiente começa pelo respeito aos seus processos e pela consciência de que todos constituem parte integrante de uma realidade maior. Assim, a preocupação com a sustentabilidade constitui-se como a tônica central de todas as suas proposições. Para a efetivação de tal projeto, há um longo processo a ser trilhado junto a toda a comunidade, buscando a conscientização de que podemos reduzir a produção de lixo, consumindo menos, reutilizando e encaminhando adequadamente os resíduos. Todos nós somos responsáveis pelo descarte apropriado daquilo que produzimos, e o papel do projeto Lixo Zero é contribuir na avaliação e no exame de hábitos e costumes, questionando a lógica do consumismo e do descarte. Impregnado de valores, repleto de possibilidades formativas e diversificado quanto às suas formas de abordagem, o projeto segue desafiando a comunidade a viver com mais simplicidade e de forma a repensar seus padrões de relacionamento com a natureza e com os demais. A necessidade de uma mudança de atitude, em vista de reconciliação com a criação, nasce de nossa fé, enquanto nossa condição humana nos torna conscientes da análise racional e científica dos problemas. Referências: SECRETARIADO DE JUSTIÇA SOCIAL E ECOLOGIA DA COMPANHIA DE JESUS. Curar um mundo ferido: relatório especial sobre ecologia. São Leopoldo: Instituto Humanitas Unisinos, 2011

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MAGIS O QUE É MAGIS ? Muito utilizado por Santo Inácio de Loyola, o termo Magis significa tudo aquilo que podemos fazer para nos superar e sermos pessoas melhores. Ser Magis é ser mais. O PROJETO MAGIS    O Projeto Magis é uma proposta que visa a ampliar oportunidades educativas. A partir dele, os alunos do Colégio Catarinense têm uma infinidade de atividades complementares – integradas ao Currículo Escolar – que combinam conhecimento, convivência, formação e alegria, envolvendo esporte, arte, cultura, aprofundamento de aprendizagem e pastoral, todas visando à formação integral e social dos alunos. As atividades acontecem em contraturno: Quem estuda de manhã faz à tarde, quem estuda à tarde faz de manhã. É mais tempo para aprender. são mais experiências para viver. Para mais informações, ligue (48) 3251 1500

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PRA TODA VIDA Lição de vida Durante 42 anos, nossa ex-diretora acadêmica contribuiu como educadora e colaboradora da Companhia de Jesus e com a missão do Colégio Catarinense. Carlos Eduardo Martins - Jornalista Perfil: Cléia Bernardete Fritzke Abdalla graduou-se em História pela UFSC, em 1969, e formou-se também em Direito, pela mesma universidade, no ano de 1973. Nessa época, Cléia viveu a experiência pioneira de constituir o primeiro escritório de advocacia de Florianópolis gerido exclusivamente por mulheres. Em sua vida, a advocacia foi exercida por quinze anos, mas seu verdadeiro espaço de realização pessoal e profissional só foi encontrado junto à escola e às suas dinâmicas. Nos quarenta e dois anos de contribuições prestadas ao Colégio Catarinense, professora Cléia assumiu diversas funções: professora, coordenadorageral, assessora pedagógica e, nos últimos cinco anos, diretora acadêmica. O que a Educação e o Direito têm em comum e como marcaram a sua formação pessoal? Educação e Direito têm o ser humano como referência; as duas áreas veem o cidadão como portador de direitos e deveres para com a sociedade em que está inserido. Enquanto o Direito luta para que essa realidade seja constantemente observada e respeitada, cabe, à Educação, preparar esses futuros cidadãos para que vivam a cidadania em plenitude, de modo a conhecerem seus direitos, lutarem por eles e cumprirem seus deveres, a fim de que todos possam viver alegremente e em harmonia. Por serem áreas tão próximas e vislumbrarem objetivos semelhantes, creio ter sido atraída por ambas as profissões. No entanto, opto pela Educação talvez por perceber ser mais fácil trabalhar com corações e mentes livres, abertas e desejosas por conhecimento. Como a Educação entrou na sua vida, tornando-se o marco da sua trajetória profissional? A Educação entrou em minha vida desde a mais tenra idade, pois sempre me vi professora, ansiosa por partilhar minhas descobertas com os demais. Estudar era prazer; ler era passatempo predileto. Talvez minha escolha tenha sido por influência de meus pais, que não eram professores, mas defendiam a profissão e a exaltavam sempre. Professores eram sempre referências importantes, e estudar era sempre o melhor caminho apontado. É preciso levar em conta que estávamos nos anos 50/60, e poder chegar a uma universidade morando no interior de Santa Catarina não era tão natural assim. Logo, o desafio tão necessário para o jovem também estava presente e era bastante incentivado. Hoje, percebo o porquê do cuidado de meus pais, ao optarem por escolas que nos provocassem a pensar, a discutir e a refletir. Os debates e as pesquisas eram constantes especialmente nos almoços e jantares, e meus pais também sempre estavam lendo, ouvindo as notícias e trocando ideias comigo e meus irmãos. Nossa casa era repleta de livros, especialmente da chamada cultura erudita, e de obrasprimas cuja riqueza apenas nos ficou clara com o passar do tempo. 14

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A senhora transitou por diversas funções dentro do Colégio Catarinense. O que diferencia cada uma das atribuições, que, apesar de distintas, têm como único foco o processo educativo do aluno? Transitei, na área pedagógica, por todos os setores: na sala de aula, lecionei História, EMC e OSPB desde a antiga 5ª série até a 3ª série do Ensino Médio. Depois, como representante de área de Ciências Humanas, fui coordenadoraadjunta, coordenadora do 1º Grau e coordenadora-geral; acompanhei o desenvolvimento pedagógico e a formação dos professores desde as séries iniciais até o Ensino Médio. Finalmente, assumi a Direção Acadêmica. Portanto, desenvolvi minha trajetória a partir de todo o conhecimento e da atuação anterior em todas as áreas pedagógicas, inclusive dominando todas as atividades. O CC sempre valorizou o professor, pois sabe que dependem dele toda a orientação e o traçar do caminho educacional. Por isso, voltamos a ter o Serviço de Orientação Pedagógica distribuído por áreas do conhecimento, um responsável geral pelas orientações, para que haja unidade nas ações, e ainda uma Assessoria Pedagógica, que auxilia nos estudos e no acompanhamento das constantes e inúmeras demandas que permeiam o campo da Educação no âmbito global. Qual o principal espaço de formação que fará a diferença na caminhada do educador? Lembro que ser um professor competente e entusiasmado com seu trabalho não surge por “dom”, vocação ou sacerdócio. É preciso que a pessoa queira, dedique-se, realize tudo com amor e ideal e, acima de tudo, seja consciente de que é grande responsável por disponibilizar, às novas gerações, as expectativas de comportamentos que se esperam poder servir para reduzir as relações de poder na sociedade. Para o desenvolvimento de uma prática docente de qualidade, é necessário que o professor estude, autoanalisese, tenha clara sua visão de sociedade e o que deseja semear, de modo a planejar sua prática pedagógica; seu preparo precisa ser especializado nos conhecimentos científicos e na sua formação pedagógica, para que a atividade de ensinar supere os níveis do senso comum, tornando-se uma atividade sistematizada. É necessário contato@livrariazen.com.br Ao o seu lad w w. Liv rariaZ com.br en . Perfumes Importados Presentes Fique por dentro! Uniformes Xerox / Impressão Todos os livros de leitura indicados pelo Colégio Localizada dentro do Colégio Catarinense Piso Térreo (em frente ao elevador) w Livraria Zen Aceitamos 3222-4717

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