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frente 1 ficha 1 grécia cidade-estado frente 2 história dos povos indígenais i frente 3 revolução inglesa frente 4 a história do brasil 2 gréca esparta história dos povos indígenais ii 18 30 o iluminismo e o século das luzes abolicionismo 42 ficha 3 ficha 2 4 gréca atenas i a conquista da américa i 20 independência das treze colônias 34 proclamação da república 44 46 belle époque 8 gréca atenas ii a conquista da américa ii 22 revolução industrial 36 ficha 4 12 gréca religiosidade mentalidade e imaginário 24 economia e sociedade açucareira a revolução francesa i 38 movimentos de contestação 50 ficha 5 16 28 40 54
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grécia cidade-estado a formação da sociedade grega fre n 01 te fic h 01 a 1.2 o berço da civilização ocidental É praticamente um consenso entre os helenistas que a sociedade grega representa em verdade o berço da civilização ocidental tamanha a sua influência nos diversos níveis percebidos da vida material do homem contemporâneo no campo das ideias a produção filosófica dos gregos constitui a fonte onde beberam todas as principais ciências de hoje matemática física anatomia história arquitetura química e etc as artes formaram uma escola denominada de classicismo que com uma produção teatral arquitetônica e literária vastíssima seria o inspiração primeira dos autores renascentistas praticamente dois mil anos mais tarde 1.3 o problema com a terra uma das questões que mais dificultaram a vida dos habitantes da grécia antiga foi certamente o problema com a terra cerca de 80 do território é composto por cadeias de montanhas sendo a menor parte composta por planícies de solo pedregoso e portanto pouco fértil tal situação fará com que os gregos muito cedo partam em busca de outras terras fora do seu espaço de origem colonizando diversos pontos do mar egeu e do mediterrâneo mantendo deste modo um contato com diversos dos povos da antiguidade fator que contribuiria substancialmente para seu desenvolvimento cultural a questão da terra também resultaria na eclosão de vários conflitos de ordem interna e externa pelo uso da mesma observação que verificaremos com maior detalhes ao longo desta apostila a grécia se localiza no continente europeu sendo a um só tempo continental peninsularpeloponeso e insularilhas diversas i noções preliminares 1.1 a ideia de mundo grego abaixo o partenon templo localizado na acrópole de atenas e dedicado a deusa atena ao longo da sua história os gregos antigos jamais conheceram a centralização política sua forma de organização eram as cidades-estados caracterizadas pela manutenção da autonomia administrativa e legislativa cada uma dessas cidades possuía o seu próprio sistema de governo regido por leis que só teriam valor nas áreas dominadas pela polis embora não existisse unidade política o mundo grego apresentava uma outra forma de identidade percebida na vida cotidiana a língua as praticas religiosas as características étnicas e inúmeros de seus elementos culturais poderiam aparecer com algumas variações em todas as cidades que compunham esta admirável civilização ii origens da civilização grega 2.1 a civilização creto-micênica as origens do mundo grego remontam os tempos da civilização cretense uma fascinante sociedade desenvolvida a partir da ilha de creta a maior ilha do mar egeu por volta do ano 2000 a.c os cretenses possuíam uma grande habilidade para a navegação e para o comércio tendo estabelecido contatos com a mesopotâmia e o egito dentre outras sociedades da antiguidade oriental tal experiência influenciou bastante no aprimoramento das artes em geral na ilha outra de suas grandes características até o século xv a.c os cretenses exerceram uma completa hegemonia na região do mar egeu construindo um sistema de saneamento complexo e um património cultural bastante apreciável contudo no que diz respeito a defesa ou a capacidade bélica de creta estas seria insuficientes tornando-se vulnerável a invasão de inimigos exteriores como ocorreria nos séculos seguintes 2.2 as migrações dos indo-europeus grupos nómades oriundos das regiões centrais da europa iniciaram sucessivas levas migratórias rumo à península balcânica contribuindo para a colonização da área e fundando algumas das mais importantes cidades do que mais tarde seria chamado de grécia vejamos os principais grupos indo-europeus 2 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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· aqueus estes são reconhecidamente considerados o primeiro dos grupos indo-europeus a chegar na região balcânico em algumas obras chegamos a ver a utilização deste nome como sinónimo de gregos foram os responsáveis pela fundação da cidade de micenas de onde estabeleceram um intercâmbio com os cretenses e assimilaram boa parte de suas características e valores era o apogeu da civilização creto-micênica · jÔnios e eÓlios estes dois grupos chegaram por volta de 1700 a.c foram responsáveis pela colonização de grande parte do litoral do mar egeu chegando até a Ásia menor dentre os feitos atribuídos a eles merecem destaque à fundação de atenas pelos primeiros e a fundação de tebas pêlos últimos · dÓrios estes foram os migrantes que causaram as mais expressivas transformações para o período de natureza guerreira e dominando perfeitamente as técnicas de metalurgia o que lhes permitia possuir armas de ferro os dórios impuseram sua vontade aos cretenses provocando a 1a diaspora 1° diaspora diante da inquestionável superioridade militar dos dórios ocorreu uma fuga em massa dos habitantes das regiões dominadas partindo para os mais diversos pontos da região do mar egeu a diaspora ou dispersão causaria uma regressão na produção intelectual dos cretenses truturava o oikos unidade económica que compreendia terras casas ferramentas armas e gado dos quais dependia a sobrevivência do grupo o trabalho no oikos pastoreio agricultura de cereais legumes e frutas produção de óleo e vinho fiação e tecelagem era realizado pêlos membros do genos e pêlos escravos obtidos através de pilhagens e saques tanto quanto possível o oikos procurava ser auto-suficiente a principal ocupação dos nobres chefes dos oikos era a guerra praticada contra os vizinhos ou inimigos externos as lutas se restringiam ao combate individual entre os guerreiros pesadamente armados o objetivo das guerras era essencialmente a aquisição de escravos e de metais que o oikos não produzia além dos reis e dos nobres existiam trabalhadores livres demiurgos ferreiros carpinteiros videntes e médicos que prestavam serviços aos nobres e ocasionalmente participavam de suas assembleias como ouvintes sem direito a tomar decisões abaixo dos demiurgos havia os tethas homens sem posses e sem especialização que vagavam de um lado para outro em troca de algum alimento ou roupa na imagem acima desenho da acrópole do grego composto de extremo alto e cidade é a parte da pólis construída nas partes mais altas do relevo da região a posição tem tanto valor simbólico elevar e enobrecer os valores humanos como estratégico pois dali podia ser melhor defendida iv a formação da pólis ou a cidade estado grega por volta do século viii a.c em algumas regiões do território grego dos balcãs da Ásia menor e das ilhas do mar egeu já havia um grande número de comunidades dominadas por grupos de famílias aristocráticas proprietárias das melhores terras que justificavam seu poder pela autoridade que lhes provinha dos antepassados muitas vezes um herói famoso do passado ou mesmo até um deus a figura do rei desaparecera substituída por magistrados eleitos e por conselhos de nobres aos poucos o pequeno povoado tornou-se regra com a população reunindo-se em volta das antigas fortificações micênicas onde logo surgiam uma praça para o mercado e um ou dois templos esboçava-se assim a forma de vida tradicional dos gregos a polis que iria se expandir de forma original durante os séculos seguintes cada pólis ou cidade-estado clássica tinha sua própria forma de governo seus instrumentos de de peso e medida calendários e moedas particulares porém mantinha certos laços culturais como o idioma a religião e a prática de certas modaidades esportivas com as demais o advento do estado na grécia representou o surgimento da fase mais esplendorosa do mundo clássico pois a polis representaria o espaço de afirmação do cidadão grego onde a produção filosófica e literária ganharia sua maior expressão onde as tragédias e as comédias seriam encenadas nos teatros monumentais construídos ao ar livre por arquitetos de um brilhantismo invejável e ainda um espaço de discussões políticas em que a retórica seria um instrumento fundamental para a persuasão nos embates inflamados entretanto esta visão corresponde aos interesses de uma minoria da população que constituía um governo de poucos para a maioria a polis representou a exclusão social e a marginalizaçâo política iii o período homérico os quatrocentos anos que se seguiram à chegada dos dórios de 1200 a 800 a.c aproximadamente permanecem bastante obscuros para nós devido à escassez de fontes escritas o que existe sobre a época são os poemas épicos a ilíada e a odisseia escritos por homero provavelmente no século viii a.c baseado em poesias e cantos transmitidos oralmente pêlos aedos poetas e declamadores ambulantes entremeando lendas e ocorrências históricas relacionadas com as guerras entre os dórios e os aqueus os poemas homéricos referem-se aos acontecimentos relacionados à destruição da sociedade micênica como as guerras de tebas e de tróia relatam as açoes dos heróis gregos com a ajuda de seus deuses de sua leitura percebe-se que a sociedade da época era formada por reis basileus e nobres senhores de terras e rebanhos os nobres organizavam-se em famílias extensas os genói em que os membros eram unidos por laços de parentesco consanguíneo e/ou religioso o genos era o núcleo humano em torno do qual se es 3 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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esparta o modelo espartano i noções preliminares esparta é um caso particular dentro do estudo da civilização grega fundada pelos dórios sua arquitetura não era tão refinada como a de outras cidades-estados seus cidadãos não manifestavam grande preocupação com as artes ou a filosofia e seu processo de urbanização não foi sequer concluído a grande característica dos espartanos seria a sua extrema especialização militar preocupavam-se em enrijecer os músculos e o espírito e em realizar operações de guerra simuladas o filósofo grego platão afirmara certa ver que quando visitou esparta não teve a sensação de estar em uma cidade mas em um acampamento militar grÉcia fre n 01 te fic h 02 a ii a estrutura legislativa as leis que vigoraram nesta cidade conhecidas em seu conjunto como a grande retra são creditadas a um lendário legislador chamado licurgo que segundo a tradição oral as teria recebido do deus apolo o autor da constituição espartana teria em seguida partido para um exílio voluntário afirmando que o conteúdo do código não deveria ser alterado na sua ausência entendemos que o envolvimento com o sagrado no processo de construção da constituição espartana é um importante fator ideológico para a sua manutenção pois dificultava a sua contestação pela população da cidade ares deus grego da guerra iii organização social na composição da estrutura social espartana percebemos a existência de três grupos provavelmente estabelecidos um pouco depois da efetivação da conquista dórica são eles dões perícia militar e obediência absoluta libertosna realidade impedidos de todos os outros interesses vocacionais e respectivas atividades vivendo uma vida de caserna sempre prontos para medir forças com qualquer inimigo hilotas ou estrangeiros as suas necessidades eram preenchidas pelos hilotas e periecos o estado olhava pelo seu treino a sua obediência era assegurada pela educação e por um conjunto de leis que procuravam impedir a desigualdadenem sempre conseguindo econômica e qualquer forma de conseguir lucros todo o sistema estava fechado contra a influência externa contra todos os estrangeiros e até contra a importação de bens do exterior nenhum estado se podia comparar a esparta no seu exclusivismo ou na sua xenofobia periecos camada intermediária composta de homens livres que não detinham o direito de cidadania viviam na periferia do núcleo urbano de esparta atuando no artesanato e num discreto comércio sendo obrigados a pagar tributos ao estado segundo moses finley importante historiador norte-americano os periecos conservavam a liberdade pessoal e a organização de sua própria comunidade em troca da cessão de toda a espécie de ação a esparta nas áreas militar e no exterior assim restringidas as comunidades de periecos eram por assim dizer poleis incompletas no entanto não existem sinais de que tenham lutado para se libertarem da autoridade espartana sem dúvida a resignação era a única atitude prudente mas havia ainda outros motivos paz proteção e vantagens econômicas eram os periecos que dirigiam o comércio e a produção artesanal para as necessidades dos espartanos e eram eles que faziam com que os produtos da lacônia se mantivessem a um nível razoável por vezes alto até de artesanato e de qualidade artística na imagem acima retrato de um soldado espartanos também chamados por alguns autores de esparciatas representam a única camada social que detinha a cidadania espartana concentravam as suas forças em duas atividades fundamentais a guerra e a política segundo uma característica bem comum entre os segmentos mais abastados das sociedades antigas os espartanos se recusavam a realizar trabalhos agrícolas e outras tarefas consideradas inferiores segundo o historiador moses finley o corpo de cidadãos de esparta formava uma soldadesca profissional criados desde a infância para duas apti ao lado uma bela peça do artesanato grego conhecida como Ânfora vasilha em forma de coração com o gargalo largo ornado com duas asas 4 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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hilotas eram a maioria esmagadora da população espartana cerca toda a sua força o que manteve o domínio espartano sobre os hilotas e de 80 podemos identificar tanto características de escravo quanto de evitou rebeliões mais frequentes foi a emergência de esparta como um servo em um hilota já que embora o seu trabalho se assemelhasse ao acampamento armado evolução cuja chave se encontra em messênia servil entregava uma parte da produção aos espartanos era considerado conquistada depois da lacônia e muito mais aniquiladade tal modo que propriedade estatal no entanto o hilotismo possuía uma série de parti a região ficou virtualmente esvaziada das grandes obras arquiteturais que cularidades que o diferenciava das relações de trabalho baseada na escra por toda parte eram as mascas visíveis do helenismo logo após meados vidão praticadas em atenas ou roma e também da chamada servidão do século sétimo os hilotas da messênia revoltaram-se a tradição designa medieval este conflito como a segunda guerra de messênia ao longo da história os hilotas protagonizaram com certa frequên e atribui-lhe a duração de dezessete anos os cia inúmeras tentativas de levantes sempre duramente reprimidas pelo messênios foram finalmente esmagados e a exército tal situação fez com que os soldados ficassem sobre constante lição que deixaram traduziu-se numa total estado de alerta mantendo os hilotas sobre pesada vigilância e realizando reforma social e constitucional que transas kríptias estudaremos posteriormente esta prática formou esparta em verdadeiro para o grande historiador moses finley os hilotas formavam uma for acampamento armado ça de trabalho compulsória mais do que isso o hilotismo era marcado por particularidades afinal a prática habitual em grande parte da antiguidade quando se escravizava uma cidade ou região era vender os habitantes ou dispersá-los os espartanos contudo tinham adotado a alternativa perigosa de os conservar subjugados na sua terra natal na imagem ao lado e pagavam o preço enquanto a história grega está isenta surpreum hilota endentemente de revoltas de escravos mesmo onde havia grandes trabalhando concentrações com nas minas de prata da Ática as revoltas de hilotas estavam sempre latentes e de vez em quando explodiam com iv o aparelho político diarquia realeza dual os dois reis tinham atribuições militares e religiosas em tempos de guerra um se deslocava com as tropas enquanto o outro permanecia na cidade a existência dupla de reis deve-se provavelmente ao receio de que ocorresse um regime autocrático na cidade gerÚsia conselho de anciãos composto por 28 gerontes chegava a 30 quando os reis participavam das reuniões a gerúsia tinha caráter vitalício e mantinha atribuições legislativas e consultivas eforato o mais importante órgão do aparelho político dos espartanos composto por um total de cinco membros os éforos tinham um mandato anual e seriam uma espécie de conselho administrativo e fiscal eram responsáveis peal organização das reuniões na apela e na gerúsia podendo vetar leis e denunciar indivíduos que comprometessem a ordem espartana apela todos os cidadãos espartanos podiam participar reuniam-se com a finalidade de votar leis e decidir sobre questões de política externa suas reuniões não primavam pelos longos debates a votação era feita pelo levantar simples dos braços características culturais a preparação militar praticamente todas as atividades promovidas pelo estado e pelos espartanos estavam direta ou indiretamente ligados a guerra o ambiente era sempre marcado por jogos exercícios treinamentos e preparação para os confrontos era hábito comum aos soldados abandonar suas mulheres em casa para almoçarem todos juntos no quartel reforçando deste modo a união da tropa heródoto historiador grego assim se referiu aos lacedemônios espartanos assim os lacedemônios não são inferiores a homem algum em combate singular e juntos eles são os mais valentes de todos os homens de fato sendo livres eles não são livres em tudo eles tem um déspota a lei mais respeitado pelos lacedemônios que tu por teus súditos eles cumprirão com certeza todas as suas ordens e suas ordens são sempre as mesmas não fugir do campo de batalha diante de qualquer número de inimigos mas permanecer firmes em seus postos e neles vencer ou morrer o mais alto valor para um espartano era a sua pátria na imagem acima espartanos almoçam juntos no quartel era a vida de caserna b patriotismo inflamado o mais alto valor para um espartano deveria ser esparta sua pátria abaixo veremos um fragmento de tirteu que explicita esta questão nós corajosamente combatemos por esta terra morremos por nossos filhos não poupamos a nossa vida Ó jovens combatei unidos uns aos outros e não temais senão a vergonha da fuga estimai em vossos corações uma valente e sólida coragem e não vos inquieteis com a vida na luta contra o inimigo tirteu eunomia citado por aquino rubim op.cit 5 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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c xenofobia poucos estrangeiros circulavam pela cidade e não eram vistos com bons olhos pelos espartanos que receavam a espionagem d eugenia os espartanos tinham uma preocupação obsessiva com o que se entendia ser a qualidade de sua raça a necessidade de se constituir um exército forte acabaria requerendo um material humano de primeira linha dessa maneira mantinham um acompanhamento cuidadoso na gravidez de suas mulheres que eram levadas para fazer exercícios que possibilitassem uma melhor gestação ao nascer a criança era avaliada por uma comissão de anciãos que buscava observar se o recém-nascido apresentava saúde perfeita caso contrário ocorreria a sua execução infanticídio e educação oferecida pelo estado a educação espartana era voltada para a preparação dos soldados desde muito cedo aos sete anos de idade os filhos dos cidadãos eram entregues aos cuidados do ensino estatal e recebiam o pouco do conhecimento letrado que sua formação lhe dispensaria durante a maior parte de seu tempo os aprendizes realizariam pesadíssimas cargas de exercícios físicos e diversas ênfase para a necessidade de um bom soldado saber roubar uns penetram nos jardins outros nos alojamentos dos homens e devem usar muita destreza e precaução quem for apanhado é chicoteado sob pretexto de que não passa de um ladrão preguiçoso e inábil eles roubam toda a comida possível e adquirem prática de ludibriar quem dorme ou os guardas preguiçosos aquele que for apanhado está sujeito a chicotadas e jejuns f laconismo ao contrário dos atenienses que desde muito cedo realizavam estudos de retórica e eloquência com o objetivo de aprimoramento de seus discursos os espartanos caracterizavam-se pelo hábito de falar pouco ou somente o indispensável compreendemos que a redução da oratória nesta cidade provoca um controle da capacidade crítica entre os espartanos e com isso debates e questionamentos não seriam comuns no cotidiano de esparta este laconismo contribuiria muito para o conservadorismo político e institucional g kríptias consistia numa matança ou espécie de policiamento periódico de hilotas já mencionamos aqui o medo presente entre os espartanos de uma grande rebelião deste segmento social neste sentido seria de suma importância controlar o seu crescimento populacional eliminado de tempos em tempos uma parcela de hilotas as kríptias também teriam uma grande importância na formação dos soldados já que através delas os jovens aprendizes poderiam viver a experiência de matar homens necessidade constante de qualquer sociedade belicosa segundo moses finley as kriptias eram inicialmente um ritual de iniciação na idade de dezoito anos depois tornou-se racionalizado isto é reinstitucionalizado ao ser vinculado a uma nova função de polícia atribuída a um corpo de elite de jovens significativamente o policiamento de hilotas era uma de suas obrigações 6 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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h a mulher espartana no mundo antigo de um modo geral as mulheres eram percebidas como inferiores aos homens permanecendo sujeitas a sua vontade do nascimento até a morte em esparta especificamente o gênero feminino apresentava pequenas regalias em relação ao restante da grécia por ser responsável pela procriação fornecimento de novos soldados portanto a mulher de um cidadão era tratado com certos cuidados praticando inúmeros exercícios físicos e recebendo o acompanhamento adequado.sobre a mulher espartana leia o texto abaixo do historiador e pensador grego plutarco considerava a educação a incumbência mais importante e mais bela do legislador por isso dela cuidou desde as causas mais remotas dispondo diretamente sobre os casamentos e nascimentos não é verdade que segundo conta aristóteles tenha desistido após tentativas de disciplinar as mulheres por não lograr vencer-lhes a excessiva liberdade e autoridade causadas pelas numerosas expedições dos homens que obrigados nessas ocasiões a entregar a elas a direção da casa por isso as tratavam com mais deferência do que convinha e lhes chamavam patroas ao contrário ele dedicou-lhes toda a atenção possível exercitou o físico das jovens por meio de lutas corridas arremesso de discos e dardos a fim de que não só os nascituros tivessem para começar raízes fortes em corpos fortes e crescessem melhor mas também para que elas mesmas os aguardassem robustecidas e resistissem galharda e facilmente às dores do parto na imagem abaixo o cotidiano de jovens espartanas na visão do pintor francês edgar degas abolindo a moleza sedentariedade e toda efeminação acostumou as moças tanto quanto os moços a marchar em camisa nas procissões e assim dançar e cantar em certas solenidades pias de que rapazes eram espectadores não raro elas dirigiam chacotas oportunas a cada um deles quando cometiam erros e inversamente nos seus cantos gabavam sucessivamente os merecedores assim inculcando nos jovens profundo amor à glória e emulação com efeito quem era louvado por sua varonilidade e ganhava notoriedade entre as donzelas saía orgulhoso dos elogios ao passo que a picada do motejo e da zombaria pungia tanto quanto as advertências sérias porque os reis e os senadores compareciam aos espetáculos juntamente com os demais cidadãos nenhuma indecência havia na seminudez das jovens por estar presente o pudor e ausente a incontinência ao contrário incutia-lhes simplicidade de costumes e o desejo de boa compleição dava ao sexo feminino o gosto dos sentimentos nobres pela ideia de que também ele tinha o seu quinhão de valor e de honra daí ocorrerem a elas ditos e pensamentos como se conta de gorgo mulher de leônidas uma estrangeira dissera-lhe parece que as espartanas eram as únicas mulheres a mandar nos maridos e ela respondeu porque somos as únicas que parimos homens 7 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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grÉcia atenas i noções preliminares sabemos conciliar o gosto pelo belo com a simplicidade e o gosto pelos estudos com energia usamos a riqueza para a ação e não para a vã ostentação de palavras entre nós não é vergonhoso reconhecer a pobreza é-o bem mais não tentar evitá-la os mesmos homens podem dedicar-se a seus particulares e aos do estado simples artesãos podem ter bastante compreensão das questões de política não consideramos o homem ocioso senão somente aquele que é inútil É por conta própria que decidimos nossos negócios e fazemos os cálculos exatos para nós não é a palavra que é nociva à ação mas o não se informar pela palavra antes de se lançar à ação pÉricles citado por mossÉ claude atenas a história de uma democracia brasília unb 1997 p.11 fre n 01 te fic h 03 a na imagem acima a acrópole cidadela ou parte mais elevada de atenas nela foi construído o famoso partenon em honra à deusa atena na imagem ao lado réplica do partenon construída nos eua localização atenas espalha-se pela planície central de Ática que é limitada pelo monte aegaleo a oeste monte parnita ao norte monte penteli a nordeste monte hímetus a leste e o golfo sarônico a sudoeste a terra é rochosa e de baixa fertilidade na imagem acima mapa da grécia antiga 8 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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1 o período aristocrÁtico 1.1 considerações iniciais o primeiro momento da história política de atenas desenvolveu-se concomitante ao início da desagregação da ordem gentílica percebe-se que a sociedade da época era formada por reis ou chefes basileus e nobres senhores de terras e rebanhos os nobres organizavam-se em famílias extensas os genói em que os membros eram unidos por laços de parentesco consanguíneo e/ou religioso na imagem ao lado a figura do basileu com o fortalecimento dos eupátridas percebemos uma crescente contestação aos poderes do basileu as pressões sofridas por ele fizeram com que este lentamente perdesse força em benefício dos grandes proprietários de terras atenienses o genos era o núcleo humano em torno do qual se estruturava o oikos unidade econômica que compreendia terras casas ferramentas armas e gado dos quais dependia a sobrevivência do grupo o trabalho no oikos pastoreio agricultura de cereais legumes e frutas produção de óleo e vinho fiação e tecelagem era realizado pelos membros do genos e pelos escravos obtidos através de pilhagens e saques tanto quanto possível o oikos procurava ser auto-suficiente com o fortalecimento dos eupátridas percebemos uma crescente contestação aos poderes do basileu as pressões sofridas por ele fizeram com que este lentamente perdesse força em benefício dos grandes proprietários de terras atenienses tal fato marcaria o início do período aristocrático que iremos estudar neste primeiro tópico 1.2 organização social a sociedade ateniense era constituída na fase aristocrática pelos seguintes grupos basicamente eupÁtridas donos das grandes propriedades de terra em atenas constituíam a aristocracia de nascimento eram os únicos a possuir o título de cidadãos atenienses durante este período podendo ocupar cargos públicos e tendo os direitos civis assegurados georgóis pequenos proprietários de terra não possuíam direitos civis não sendo portanto considerados cidadãos thetas a imensa camada de homens livres expropriados sujeitos à escravização por endividamento ao longo do desenvolvimento histórico de atenas novas camadas sociais foram ocupando posições de destaque em seu cotidiano especialmente a partir da colonização que estudaremos adiante dentre os novos personagens destacamos demiurgos de origens diversas e controversas seriam os comerciantes e artesãos atenienses compondo a princípio um segmento intermediário metecos denominação dada aos estrangeiros e/ou gregos de outras cidades-estados que habitavam na cidade convém recordar que a idéia de forasteiro entre os gregos está relacionada com qualquer indivíduo oriundo do exterior da cidade fosse grego ou não escravos eram inicialmente poucos mas acabaram crescendo em número e importância dentro desta sociedade estudaremos o tema mais detalhadamente em um tópico posterior 1.3 organização política a origem era o fator decisivo para a definição de direitos na atenas aristocrática fato que conforme já dissemos beneficiava apenas os eupátridas que detinham o controle de todos os órgãos políticos arcontado com o declínio da autoridade do basileu surge o arcontado representado pela nobreza eupátrida o governo passa a ser exercido por 9 arcontes eleitos anualmente pelo areópago deles ao mais importantes foram arconte-basileus encarregado do culto;o arconte-epônimo responsável pela administração e o arconte-polemarco comandante do exercito areópago conselho aristocrático formado por representantes da nobreza formado com a finalidade de indicar os arcontes e fiscalizar as suas atividades sofreu inúmeras transformações ao longo da história ateniense exercendo por exemplo no período aristocráticoque posteriormente iremos estudar importantes funções jurídicas como a responsabilidade de julgar os crimes de homicídio premeditado envenenamento e incêndio entre outros o filósofo sócrates foi julgado no areópago quando anito um democrata radical responsabilizou-o publicamente como corruptor da juventude além de costumeiramente destilar dúvidas sobre a eficácia dos deuses da cidade sócrates como se sabe foi condenado à morte pela cicuta rejeitando o apelo de vários dos seus discípulos platão entre eles negou-se a escapar da prisão bebendo na presença deles o pote amargo do veneno 9 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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a colonização ateniense o que se convencionou chamar de colonização entre os gregos também pode ser entendido como uma 2ª diáspora tendo em vista que a ruína do sistema baseado na estruturação dos chamados oikos expôs toda a fragilidade do território grego no que diz respeito ao desenvolvimento da produção da terra os anos que se seguiram foram marcados por uma verdadeira crise agrária que só poderia ser resolvida a partir da expansão dos domínios das principais cidades para outros pontos do egeu e do mediterrâneo o estabelecimento das colônias em outros pontos do mundo antigo foi de uma importância tremenda para a história ateniense pois favoreceu uma série de transformações expressas em diversos níveis no plano econômico houve um certo alívio na questão do abastecimento de gêneros agrícolas um comércio intenso foi desenvolvido com as colônias e outros centros ampliando assim o contato entre atenas e as sociedades do mar mediterrâneo no plano cultural tivemos um notável incremento impulsionado a partir do intercâmbio com as regiões conquistadas e com aquelas que atenas mantinha relações comerciais tal fato transformou esta cidade numa referência obrigatória em termos de produção intelectual o incremento do comércio ainda favoreceria os demiurgos que de meros coadjuvantes se transformaram em co-protagonistas da vida econômica de atenas gradualmente o enriquecimento dos comerciantes funcionaria como um estímulo para que passassem a reivindicar uma participação política igual a dos eupátridas o aumento do número de escravos foi outra importante conseqüência da colonização a expansão foi muitas vezes imposta e desta maneira acabou fornecendo inúmeros prisioneiros de guerra o aumento do fluxo de escravos dificultava o aproveitamento da mão-de-obra livre forçando os thetas a contrair dívidas junto aos cidadãos de modo que não conseguindo quitar seus empréstimos acabavam escravizados os georgóisem menor proporção também na imagem acima o brilho e a beleza foram vitimados por da arquitetura ateniense clássica esta situação as lutas sociais É impossível negar que as mudanças geradas pela colonização ateniense provocaram em demiurgos georgóis e thetas cada qual por um fator específico um anseio por transformações de ordem política social e jurídica este panorama daria início a um período de confrontações que acabaria provocando mudanças no século vii a.c atenas já estava completamente envolvida nestes conflitos demonstrando um período de grande instabilidade para uma melhor visualização observe o quadro ao lado denominação partidÁria pediano habitantes do pédium planície fértil paraliano habitantes da parália litoral diacriano habitantes da diacria montanhas camada social eupátridas posicionamento conservadores buscavam manter o monopólio da cidadania ateniense moderados:buscavam a equiparação política com os eupátridas radicais exigiam reformas amplas de ordem política e econômica demiurgos georgóis e thetas os reformadores atenienses o ambiente das lutas sociais em atenas acabou por forçar os eupátridas a permitir algumas reformas que promoveriam mudanças internas a partir de propostas elaboradas pelos legisladores dentre os quais destacamos as duas mais importantes as reformas de sólon 594 a.c sólon foi eleito arconte em 594 a.c era um aristocrata que desde muito cedo se envolvera com as atividades de comércio e as viagens ao exterior ficando assim afastado dos eupátridas e bem mais próximo aos demiurgos preocupado com as agitações sociais promovidas por georgóis e tetas insatisfeitos com o conservadorismo do código de drácon sólon viria a proclamar a abolição da escravidão por dívidas fato que jamais voltaria a se repetir em atenas segundo a historiadora claude mossé a reforma de drÁcon 621 a.c nos últimos anos do século vii a.c o legislador drácon estabeleceu a primeira tentativa de instituir um direito comum a todos até aquele momento as leis em atenas ainda assumiam um caráter consuetudinário baseadas nas tradições orais passando a ser escritas o que possibilitaria o acesso de toda a população ao conhecimento do código as leis de drácon foram uma conquista limitada uma vez que os privilégios dos eupátridas permaneceram inalterados 10 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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as leis de sólon foram além da reforma sobre o endividamento nos campos o legislador também teria alterado o conceito de cidadania baseado na origem característica da atenas aristocrática passando a adotar uma nova divisão social baseada nos rendimentos anuais de cada indivíduo esta nova ordem seria conhecida como timocracia governo dos ricos onde os demiurgos seriam os grandes beneficiados ao se igualarem politicamente aos eupátridas contudo esta reforma ainda possuía limitações como veremos nas palavras de claude mossé o fato de que esta classificação se tenha feito a partir de então em função da fortuna e não do nascimento revela não apenas uma profunda alteração das mentalidades mas também a vontade de sólon de substituir por novos critérios os antigos costumes aristocráticos É certo que ainda assim isto não resultaria de imediato senão no fortalecimento da autoridade da aristocracia uma vez que o exercício da magistratura era-lhe exclusivo do mesmo modo que somente ela tinha competência para administrar justiça em virtude de um novo código de leis instituído por sólon no entanto ao codificador uma autoridade que até então poder-se-ia dizer baseava-se no direito divino sólon fixava-lhe limites aos quais a evolução ulterior daria pleno significado a tirania conforme vimos no tópico anterior as reformas de sólon embora tenham produzido alguns avanços também tiveram limitações além disso não foram do agrado de todos os habitantes desta pólis os eupátridas sentiram-se prejudicados pela perda do monopólio político e da possibilidade de usar o próprio credor como calção pelo empréstimo concedido as camadas populares esperavam por reformas bem mais profundas como a redistribuição da propriedade privada da terra estes fatores faziam com que as disputas tivessem prosseguimento em meio a essas agitações assistimos o aparecimento dos governantes tirânicos que alcançavam o poder com o apoio das massas populares psístrato 560-527 a.c foi o maior dos tiranos gregos líder do partido diacriano é visto por alguns historiadores como um político demagogo que fez uso do discurso favorável às massas como uma ferramenta capaz de sublevá-los contra os eupátridas tendo conseguido o seu intento psístrato acabou sendo atacado sucessivamente por fundiários e comerciantes chegando a ponto de ser expulso da cidade quando passou doze anos exilado tendo ainda sido expulso uma segunda vez pisístrato acumulou riquezas no exterior para finalmente desembarcar em atenas apoiado pelas massas urbanas e rurais conseguiria assim impor o seu governo pessoal dos eupátridas e demiurgos a popularidade que este tirano alcançou junto aos indivíduos menos abastados de atenas se deve fundamentalmente a algumas de suas medidas ao confiscar terras de seus inimigos aristocratas psístrato fez um arrendamento aos camponeses pobres desenvolveu uma série de obras públicas que acabou por absorver grande parte da mão-de-obra livre e estimulou largamente o comércio e a cerâmica segundo alguns autores psístrato ainda faria a concessão de ajuda material aos homens do campo como um artifício para adiar a partilha das terras exigidas por estes psístrato governou atenas até o dia de sua morte no ano de 527 a.c quando foi sucedido por seus filhos hiparco e hipias que governariam até 510 a.c quando um levante popular poria fim no período da tirania e iniciaria a mais importante fase da história ateniense a democracia pisístrato pisístrato esteve no poder de 545 a.capós um ou dois breves espaços de tempo antes disso até à sua morte em 527 a.c tendo-lhe sucedido seu filho mais velho hípias que foi expulso em 510 a.c durante trinta anos houve um governo pacífico um período em que atenas cresceu rapidamente em poder e riqueza e é quando surgiram muitos novos sinais visíveis deste crescimento e do espírito de comunidade poder-se ia quase dizer nacionalismo que o acompanhavam sobretudo em obras públicas e em grandes festivais religiosos mas em 514 a.c o irmão mais novo de hípias hiparco foi assassinado por um rival despeitado num caso amoroso com um adolescente e a tirania depressa se transformou num despotismo cruel e foi derrubada 11 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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grÉcia introdução atenas ii no século vii a.c momento que marca a expansão grega pelo mediterrâneo as condições de vida da maioria da população ateniense se agravaram pois faltava terra boa para o plantio isso aconteceria por duas razões principais o grande aumento da população e o fato de os mais ricos estarem se apoderando da terra dos mais pobres quando estes não lhes pagavam as dívidas outro problema grave que causava grande descontentamento e que muitas pessoas além de perderem a terra ainda se tornavam escravos por causa de dívidas geralmente contraídas em anos de mais colheitas uma saída para essas dificuldades foi justamente a imigração para outras terras a colonização de outras terras estimulou muito o desenvolvimento do comércio e da produção artesanal além de estabelecer a influência cultural de outros povos sobre a grécia principalmente atenas toda via apesar do desenvolvimento econômico e cultural boa parte da população ateniense continuava descontente principalmente pela escravidão por dívida e a ausência de participação política que era restrita aos aristocratas fre n 01 te fic h 04 a 1 os processos de evolução política em atenas a acentuada desigualdade política econômica e social que prevalecia na polis ateniense leva as camadas sociais desfavorecidas a se organizarem com o intuito de reivindicar os seus direitos para tentar mudar a sua triste realidade desta forma iniciou-se um processo de evolução política em atenas com o surgimento dos primeiros grupos que passariam a lutar para defender seus interesses o primeiro grupo que surgiu foi o dos pedianos composto pela elite eupatrida e apresentava um caráter conservador tinha este nome por que a elite eupatrida ocupavam a região do pédium que era a região mais fértil da península da Ática os paralianos representavam a classe dos chamados demiurgos que apresentavam um caráter moderado pois os demiurgos já possuíam poder econômico faltando-lhes apenas poder político receberam este nome porque ocupavam a paralia que era uma região litorânea na Ática os diacrianos agrupavam a camada dos camponeses e apresentavam um caráter revolucionário radical sendo que estavam sobrecarregados devido os altos impostos e as más colheitas receberam essa denominação devido ocuparem a parte menos fértil da Ática chamada de diácria a primeira grande vitória dos atenienses insatisfeitos foi a nomeação de um legislador chamado drácon em 621 a.c com drácon as leis passaram a ser escritas em pedras e colocadas em praça pública onde se organizavam as votações e as discussões políticas as leis draconianas foram consideradas bastante rígidas pois drácon não acabou com a escravidão por dividas e muito menos estendeu participação política a maioria da população no entanto a importância das reformas de drácon estava no fato de ele elaborou as primeiras leis escritas que a partir de então não puderam mas ser ignoradas ou falseadas as leis draconianas foram consideradas desfavoráveis para a maioria dos atenienses então as revoltas e os movimentos sociais continuaram exigindo reformas radicais desta forma os aristocratas pressionados pelos demiurgos e camponeses realizaram outra reforma desta vez comandada pelo legislador sólon que tinha um vínculo com os comerciantes demiurgos com sólon no governo foi proibida a escravidão por dívida assim muitas pessoas recuperaram sua liberdade e suas terras sólon também dividiu a sociedade ateniense baseado na renda ou seja o indivíduo participava do governo de acordo com a sua condição econômica está lei beneficiou demasiadamente a classe dos ricos demiurgos que a partir de então passaram também a ter poder político as reformas implementadas por sólon apesar de ter aberto ainda mais o caminho para o futuro regime democrático ateniense foram consideradas moderadas pois descontentou os dois extremos da sociedade de um lado feriu os privilégios dos nobres eupádridas e de outro não satisfez os anseios dos camponeses que exigiam reformas radicais dentre as realizações de sólon podemos citar fim da escravidão por dívida fixação da extensão de terra que cada pessoa poderia ter restituição dos lotes de terra que haviam sido tomadas pelos ricos à aqueles que os haviam perdido pelo não pagamento de dívidas 12 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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2 a guerra civil e o regime tirânico de pisístratus após a reforma de sólon boa parte dos atenienses livres continuavam insatisfeitos principalmente os camponeses que passaram a apoiar os tiranos ou seja homens que assumiam o governo a força sem seguir as leis em atenas o tirano foi pisístratus que se aliou aos camponeses conseguindo derrubar a nobreza e implementando um regime tirânico em atenas,onde o povo passou a ter muito mais participação pois pisístratus realizou reformas radicais em benefícios dos camponeses 3 realizações de pisístratus confiscou as terras da nobreza e entregou aos camponeses iniciou a realização de várias obras públicas diminuindo o desemprego criou frentes de trabalho deu apoio ao comércio e a agricultura através de empréstimo aos camponeses acelerou o desenvolvimento cultural 4 a democracia nasceu da luta com a morte do grande estadista pisístratus assume a administração em atenas os seus filhos hipargo hípias e téssalos entretanto não obtiveram o mesmo do pai fazendo uma péssima administração em atenas o que propiciou a nobreza retomar o poder toda via surge um homem clistenes que assim como pisístratus reorganiza o povo e novamente através de uma sangrenta batalha o poder dando início a uma série de mudanças radicais em prol da população nascia o regime democrático de clistens que ficou conhecido como o pai da democracia 5 o regime democrÁtico clistenes fortaleceu a participação do povo na administração da cidade ao implantar suas reformas clitenes deu a atenas um governo popular na democracia ateniense todos os atenienses possuíamdireitos políticos independentes de sua condição social ou econômica no entanto a democracia não representava todo o povo da cidade pois os escravos estrangeiros e as mulheres não eram considerados cidadãos esse era um direito exclusivo dos homens livres filhos de atenienses e nascidos em atenas 6 o funcionamento do regime democrÁtico ateniense a partir da reforma de clistenes o poder dos arcontes representantes dos eupátridas passou para dez magistratos chamados estrategos e eleitos pela assembléia popular independentemente de sua riqueza a bule o conselho dos 400 passou a ser formada por 500 membros 50 de cada uma das 10 tribus os membros da bule eram escolhidos por sorteios essa forma de escolha era a maneira de garantir a participação de qualquer cidadão as leis votadas pela bule deveriam ser aprovadas ou não pela assembléia popular eclésia 7 o ostracismo uma das características marcantes do regime democrático de clistenes foi a criação do ostracismo que significava o exílio de 10 anos para o cidadão que colocasse os ideais democráticos em perigo 8 o século de péricles péricles governou atenas durante trinta anos 461 431 a.c representava o partido popular e tornou-se ardoroso defensor da democracia escravista durante seu governo instituiu a remuneração para os ocupantes de cargos públicos assim como para marinheiros e soldados realizou várias obras gerando empregos e estimulou o desenvolvimento intelectual e artístico principalmente o teatro marcado pelo antropocentrismo característica fundamental da cultura grega em suas tragédias ou comédias a preocupação era retratar a vida humana buscando compreender tudo o que cercava o ser humano na sua história e em seu cotidiano todo o desenvolvimento da cidade estava baseado na exploração do trabalho escravo e no expansionismo sobre as demais cidades gregas obrigando-as a manter a confederação de delos mesmo após o final da guerra 448 a.c quando os persas já haviam sido derrotados a postura imperialista ateniense serviria ao ideal panhenístico defendido por péricles para o líder ateniense as cidades deveriam se reunir em um congresso para tratar de assuntos comuns como a reconstrução de templos ou o combate à pirataria no entanto esse ideal não foi concretizado pois as intensas lutas existentes serviram para reforçar a histórica separação das cidades culminando com a guerra do peloponeso envolvendo praticamente todas as cidades gregas polarizadas entre atenas e esparta é preciso saber mais durante o governo de pericles 461 á 429 ac a democracia atingiu o seu nivel mais alto principalmente por que pericles alem de ter dotado a cidade de grandes obras publicas e ter feito grandiosos investimentos na cultura agregou ao estado democratico os principios da isonomia que significa igualdade de todos perante a lei da isegoria que era a igualdade de todos os individuos de acesso a palavra nas assembleias e o isocracia que era igualdade de participação de todos os cidadão no governo o que tornou o governo de pericles voltado para o cidadão ateniense julio charchar 13 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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vamos ver o que diz o proprio péricles nossa constituição é chamada de democracia por que o poder está nas mão não de uma minoria mas de todo o povo quando se trata de resolver questões privadas todos somos iguais perante a lei quando se trata de colocar uma pessoa diante de outra em posição de responsabilidade publica o que vale não é o fato de pertencer a determinada classe mas a competencia real que o homem possui desta forma percebemos que o processo de configuração do estado democratico ateniense foi lento e gradual envolvendo multiplos conflitos sociais que acabaram contribuindo para que a participação politica se extendesse aos atenienses desprovidos de poder economico e origem nobre entretanto nunca podemos esquecer que a democracia ateniense encontrava-se restrita a minoria da população pois tratou-se de uma democracia escravista onde o trabalho do escravo foi de suma importancia para a formação do cidadão 9 a democracia grega e a democracia moderna É importante observar a diferença básica entre a democracia que surgiu a séculos a.c no mundo grego e a democracia dos tempos modernos pois a democracia ateniense era bem diferente da nossa principalmente se tratando de como ela era realizada pois os gregos possuíam uma democracia direta ou seja os cidadãos iam para a assembléia em que qualquer um deles poderia propor leis e todos tinham o direito de falar para defender ou atacar uma proposta hoje possuímos uma a chamada democracia representativa pois nossos cidadãos votam para escolher seus representantes e são estes que propõe discutem e votam as leis 14 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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10-guerra e ideal de cidadania na polis do sédulo iv a função social da guerra para os gregos É na relação indissociável entre política e guerra que encontramos o ideal hoplítico os critérios censitários de participação política estabelecidos por sólon tinham por base justamente a capacidade dos atenienses de custearem o próprio armamento foi na falange hoplítica que nasceu o espírito público já que os soldados lutavam em grupo de forma coesa e não mais enquanto indivíduos como nos tempos homéricos É a revolução hoplítica que promove a democratização da função guerreira e o enfraquecimento das distinções sociais a transformação da atividade guerreira em prerrogativa do cidadão em atenas restringiu a contribuição militar da aristocracia ao serviço pessoal relegando à nobre cavalaria um papel diminuto e não permitindo que ganhassem capital simbólico ao lutar com seus dependentes isto ocorreu enquanto expressão do poder da classe hoplita paralelamente o feito heróico desaparece o sucesso na guerra não é mais resultado da ação de um indivíduo excepcional divinamente inspirado ao invés disso a vitória é celebrada em honra da cidade como expressão da comunidade cívicai a derrota por sua vez é cantada por ocasião das orações fúnebres em que os mortos em guerra são homenageados sendo momento privilegiado de reafirmação da identidade da cidade e da philía entre os homens uma questão teórica central para o nosso estudo é a da naturalidade da guerra para os gregos a guerra é um fato natural acerca do qual nada pode ser feito É a partir desta localização da guerra no reino da physis que a ética aristocrática construirá a hierarquia ao dividir os homens entre os que comandam e os que são comandados o desempenho na guerra desvela a natureza das coisas ao diferenciar o vitorioso livre do derrotado escravo sobressai assim dos tempos homéricos ao período clássico uma identidade entre guerra e cativeiro enquanto resultado da guerra o cativeiro é justo xenofonte nos oferece uma radicalização da concepção grega de que à dinâmica interna da personalidade correspondem as relações sociais exteriores em suas obras o comando militar é justificado pela moral atribuindo ao sucesso militar o autodomínio a coragem e a dureza a guerra surge como teste da natureza interior dos combatentes atualizando-a o sucesso legitima o governo e a hierarquia social por conta disso faz da derrota a legitimidade da escravidão considerada justa por ter sido avaliado o caráter do escravizado 15 n histÓria www.portalimpacto.com.br
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