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memorias de mocambique colonial define s da bandeira define para alguns objectivos para o desenvolvimento sociocultural de moÇambique pesquisa e texto de carlos lopes bento antropologo e antigo administrador colonial 1
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memÓrias de moÇambique colonial sÁ da bandeira define alguns objectivos para o desenvolvimento sociocultural de moÇambique pelo decreto de 14 de outubro de 1856 foi constituída na província de moçambique a junta geral de distrito que na sua primeira reunião deveria ocupar-se e discutir as providências relacionadas com uma vasta diversidade de assuntos melhoria pelo ensino do estado civilizacional das populações indigenas criação de novas escolas desenvolvimento do comércio tanto maritimo como com o interior colonização com gentes alienigenas abolição do tráfico de escravos construção de novas estradas introdução de novos animais domésticos desenvolvimento de várias culturas agrícolas tanto para o comércio como para indústria extração de minérios aproveitamento e distribuição de terrenos para a agricultura pesca e prepararação do bicho do mar reorganização do serviço de justiça e novos pontos do território a ocupar em concreto os assuntos enumerados a debater 1º o estudo e os propositados meios necessários para melhorar o estado da população indígena da província a fim de a trazer às práticas da civilização introduzindo nela o ensino religioso e das primeiras letras e o amor do trabalho agrícola e mecânico criando para os indivíduos as necessidades da vida civilizada as quais lhe trarão a de adquirem pelo seu próprio trabalho os meios com que possam satisfazer a essas novas necessidades 2º o estabelecimento de escolas e a conveniência de que entre elas haja algumas de língua árabe 3º o desenvolvimento do comércio dos sertões 4º o aumento do comércio marítimo tanto entre os portos da província como para fora dela 5º a colonização com gente do reino e ilhas adjacentes e bem assim com cristãos da Índia ou com china 6º quais os meios mais profícuos para levar a efeito o completo acabamento do comércio da escravatura 7º quais as estradas carreteiras que primeiro se devem abrir os meios pecuniários para tais obras 8º a maneira de introduzir na província a criação de cavalos camelos e gado lanígero 9º a cultura de gergelim gramalupopurgueira mafurra e de quaisquer outras plantas oleaginosas 10º a cultura do anil e a sua preparação para os mercados da europa 11º a cultura do cravo girofle noz moscada do cacau e da cana e a fabricação do açúcar 12º a cultural do nopal e a criação do cochonilha cujo produto é tão importante que constitui hoje uma das principais riquezas da ilhas canárias 13º a cultura do tabaco e a sua melhor preparação para o fim de ser trazido ao mercado no estado em que é mais bem aceite pelo comércio 14º a maneira de dar maior extensão à cultura do algodão 2
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15º a conveniência da formação de companhias que empreendam especialmente a mineralização 16º o aproveitamento dos terrenos baldios e melhor distribuição dos terrenos que constituem os denominados prazos da coroa 17º a pesca do macuchuche ou do bicho do mar e a sua conveniente preparação 18º qual o meio de melhor organizar a administração da justiça e de acabar com as autoridades cafreais substituindo-as por autoridades administrativas ou judiciais 19º quais os pontos que para o aumento do comércio convenha ocupar e os meios indispensáveis para levar a efeito essa ocupação 20º finalmente a junta cumprirá com os fins da sua instituição elevando à augusta presença de s m as suas consultas sobre as providências de que careça a província de moçambique para o desenvolvimento da prosperidade de que em si encerra tantos e tão importantes elementos bo 38 de 19.9.1857 p 153 o conteúdo do citado decreto mostra-nos a adesão de portugal às novas linhas de orientação surgidas partir da segunda metade do século xix na europa que face ao seu desenvolvimento económico necessitou não só de matérias-primas para o seu sector industrial como também de escoar a sua produção para outras paragens nessa época já se equacionavam seriamente os problemas resultantes da prática da escravatura e do tráfico de escravo que pela saída duma mão-de-obra válida continuava a empobrecer a África negra facto que não favoreceria as novas ambições da economia europeia uma vez que os colonos europeus e outras proveniência pelo seu limitado número e pelas condições menos favoráveis do clima dificilmente poderiam substituir a mão-de-obra escrava utilizada no sector primário toda ela manual tornava-se necessário imaginar um novo processo capaz de colmatar tão grave falha os factos pós 1850 dão-nos disso conta as viagens exploratórias ao interior profundo de África realizadas por vários exploradores europeus deram a conhecer novas realidades socioeconómicas e levaram à realização de dois grandes acontecimentos que viriam transformar a geografia política e social do continente africano o primeiro foi a conferência geográfica internacional realizada em bruxelas em 1876 para a qual portugal não foi convidado com fins científicos e humanitários e políticos camuflados era seu propósito conhecer mais profundamente África dela nasceu a associação internacional africana esta conferência constituiria um primeiro passo para a nova partilha de África que viria a ser realidade com a conferência de berlim segundo grande acontecimento que teve lugar em 1884-1885 na qual esteve presente luciano cordeiro secretário geral da sociedade de geografia de lisboa a nova política emanada desta segunda conferência iria exigir das nações colonizadores novas estratégias no que respeita à ocupação territorial à exploração económica e ao domínio político a partir de agora tornava-se necessária uma ocupação efectiva que exigia não só a mão-de-obra necessária à produção de matérias-primas como também novas formas de organização político-administrativa o bom selvagem com uma vida calma e sem perturbações iria transformar-se no indígena selvagem analfabeto ignorante e preguiçoso com uma cultura atrasada que era necessário educar e civilizar cabia essa missão civilizadora ao homem branco ao homem civilizado antropo pesquisa e texto de carlos lopes bento antropologo e antigo administrador colonial 3
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