Revista Arte Real - Edição N.50 - Abril/2011

 

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nesta edição capa ­ a eterna busca da pedra filosofal capa editorial 2 matéria da capa a pedra filosofal 3 destaques ­ a música e seus efeitos sutis no corpo do homem 4 informe cultural ­ i congresso internacional da glmmg 7 iii encontro maçônico do sul de minas 7 o estudo da cabala ­ a cabala e suas origens 7 academia da leitura ­ ler o melhor remédio 9 trabalhos alferes tiradentes 10 velas ou lâmpadas 12 reflexões ­ aves e almas 15 boas dicas ­ sites 16 lançamentos ­ livros 16 ficha técnica 16 editorial 17 a verdadeira iniciação é aquela que obriga o homem a descobrir por si mesmo pela meditação o que não envolvido daí a frase do ilusório conduz-me ao real das trevas à luz da morte à imortalidade emos recebido um grande volume de mensagens t pode desde logo ser desvendado diante de seus olhos nublados pelos densos véus da matéria em que se acha jhs este altruístico trabalho e passaram a anunciar suas empresas conosco firmando suas parcerias desde as primeiras edições e fazendo questão de que continuemos juntos convictos de que estão contribuindo para uma maçonaria de verdade pautada na cultura e consequentemente no aperfeiçoamento espiritual de seus membros a ele agradecemos todos os dias a oportunidade da vida a oportunidade de estarmos à frente deste veículo de conscientização e informação contemplamos esta trajetória de luz expressa por 50 edições o que nos deixa ensimesmado contemplativo e cônscio de que somos tão somente um canal da vontade do gadu para a divulgação de suas excelsas verdades auguramos merecer esta bênção por muito tempo e continuar conscientemente a fazer deste trabalho um sacerdócio queira o senhor dos mundos que nossa revista arte real seja eterna enquanto dure para comemorar a quinquagésima edição inauguramos nossa mais nova coluna ­ academia da leitura ­ que visa estimular a boa leitura em especial de temas que muito nos auxiliarão para decifrarmos os arcanos de nossa ordem através desta coluna disponibilizaremos gratuitamente livros eletrônicos para download valorizando o conceito de que nossa ordem antes de tudo é uma escola de iniciação apresentamos a matéria de capa intitulada a pedra filosofal de autoria de ferreira goulart já na coluna destaques optamos por fazer luz sobre um tema quase totalmente ignorado no mundo ocidental o poder do som o que nos levou a publicar a matéria a música e seus efeitos sutis no corpo do homem com manifestações de muitos de nossos leitores expressando sinceras considerações sobre o trabalho em que estamos empenhado à frente desta revista que a cada edição vem conquistando mais e mais o povo maçônico tal fato nos enche de orgulho e alegria não somente pelas mensagens elogiosas verdadeiras manifestações de carinho que muito nos estimulam nesse árduo porém prazeroso trabalho em prol da cultura mas também por aquelas que expressam sugestões e críticas sempre construtivas e orientadoras e nos fazem aferir nossa bússola e continuar a seguir confiantes na rota da excelência devemos muito aos nossos leitores que entendendo nossa sinceridade de propósitos numa corrente de divulgação do nosso trabalho permitiram-nos em um espaço de 50 edições mensais ininterruptas um crescimento de mais de 1000 de pouco mais de 1500 para 16.897 leitores espalhados por todo o brasil e exterior em quatro anos de trabalho nem o mais otimista editor imaginaria tal proeza principalmente quando nos vemos obrigado a navegar nesse imenso mar da cultura do não ler movido a desafios encontramos em cada obstáculo o estímulo e a coragem para seguir com denodo e alegria cultura jamais foi uma mercadoria fácil de ser vendida nesse país por isso resolvemos ousar e criar esta revista virtual passando a distribuí-la gratuitamente quanto tempo conseguiríamos subsidiar este trabalho nem ousei perguntar ao gadu apenas acreditei ele nos respondeu com soluções surgiram então os parceiros culturais irmãos que se solidarizaram com revista arte real 50 2

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estimulando o estudo da tradição hebraica a coluna estudo da cabala dá sua contribuição com a matéria a cabala e suas origens o mês de abril nos leva através da coluna trabalhos a prestar uma homenagem a um dos mais corajosos heróis de nossa história o alferes tiradentes ainda nessa coluna a matéria de autoria de ambrósio preters intitulada velas ou lâmpadas reforçando a compreensão do aspecto místico da ritualística maçônica de certo estamos comemorando com muito júbilo esta 50ª edição outras tantas virão se for a vontade da lei justa e perfeita e que venham recheadas com a fraterna solidária e carinhosa participação de nossos leitores com o prestimoso e solidário apoio de nossos parceiros culturais com as sempiternas bênçãos do gadu envolvendo a todos nós sigamos juntos matéria da capa a pedra filosofal d urante muitos séculos a busca do conhecimento foi cerceada pelas instituições religiosas que temiam perder o domínio sobre seus fiéis à medida que novas verdades pudessem derrogar os dogmas estabelecidos com isso os conceitos básicos da filosofia da ciência e da religião foram estipulados por decisões humanas que mais convinham às necessidades de poder do que correspondiam à procura da verdade pessoas povos corpos e mentes foram torturados e dizimados para que não divulgassem seus achados suas descobertas interiores entre tantos mistérios existiu um mito que falava da conquista de uma sabedoria absoluta acima do bem e do mal conhecida como a pedra filosofal a pedra dos sábios o grande sonho dos alquimistas afirma-se que conseguindo obter a pedra poder-se-ia o passado o presente claramente e prever o futuro a pedra filosofal é a substância mágica da alquimia que permite a transmutação dos metais a cura de todas as doenças e a imortalidade infelizmente como muitas outras maravilhas sonhadas pelos alquimistas essa substância parece só existir na fantasia humana contudo em nossas buscas pela felicidade ainda vivemos marcados pela influência de um mundo imaginário um lugar de venturas e sem dor um paraíso perdido onde o joão carvalho neto trabalho cederia lugar ao descanso eterno talvez seja possível que um dia distante das imperfeições que nos situam em um mundo marcado por tantas dores venhamos a merecer melhores condições de vida mas por enquanto parece que ainda temos muito a fazer aqui as dificuldades que nos afligem os problemas com a doença a poluição a conquista da sobrevivência são exercícios que desenvolvem nossa inteligência aprimoram nossa capacidade de sentir e conviver sublimam nossos instintos mais primitivos em sentimentos como poderemos querer viver em mundos melhores se não tivermos as condições em nós mesmos para nos sustentarmos lá em regiões onde a vivência social já seja regida pela paz e pelo amor não poderão conviver seres que ainda comprazem-se na violência e no egoísmo e esses seres somos nós ainda e então percebemos a imaturidade com que pessoas nos procuram para dizer de suas dores e aflições mas sem aceitar o quanto esses tormentos são construídos por elas mesmas o quanto precisam abandonar seus hábitos mais arraigados para ascenderem a uma condição de saúde física mental e espiritual ainda continuamos a procurar ídolos que nos conduzam santos que nos protejam espíritos que resolvam nossos problemas sem que tenhamos a menor responsabilidade sobre eles revista arte real 50 3

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pois se o problema é o exercício para a evolução de que vale resolvê-lo sem esforço de que vale ter alguém a conduzir-nos pelo braço se precisamos aprender a andar com nossos próprios pés a questão da felicidade é acima de tudo algo de responsabilidade diante da vida de nossos próprios atos e de nossos destinos mas pela nossa imaturidade parece sempre mais fácil tomar alguns remédios que abrandam os sintomas de um transtorno qualquer sem curá-lo ingerir alguma droga lícita ou ilícita ou ainda render-se aos modismos alienantes de uma cultura onde o dinheiro é mais importante do que o homem do que realizar um processo de autoconhecimento que exige esforço persistência e vontade de se transformar grande parte das doenças que afligem nossa humanidade no presente têm origem psicossomática ou seja são frutos de estados mentais desequilibrados por conflitos e tensões não-resolvidos mas também os desajustes sociais e ambientais resultam da projeção desses estados mentais no âmbito da convivência comum gerando distorções nos relacionamentos interpessoais como conseguir construir uma sociedade mais justa em que seus membros não tenham que apelar para a violência a fim de obter o que não lhes damos de direito se ainda permanecemos egocêntricos e egoístas alimentando uma egolatria no estímulo de nossas vaidades e então não é de se admirar que exista tanta dor tanto sofrimento tanto medo tanta depressão quando pensamos hoje em técnicas de psicoterapia não mais consigo imaginar apenas um trabalho de curar os conflitos reprimidos que geram traumas e sintomas indesejáveis pensamos que se pretendemos nos fazer mais sãos é preciso que aprendamos a ser mais responsável diante da vida mais cônscio de nossos compromissos com o bem-estar pessoal e social o tempo dos milagres já se vai como se foram os tempos das fantasias infantis e as pedras filosofais continuarão a permanecer apenas naqueles que terão como destino imediato de ficar à beira do caminho lamentando-se das próprias aflições enquanto assistem à vida passar seguindo seus trâmites inexoráveis o presente é um tempo que nos impõe mais maturidade responsabilidade e ação contínua em favor de um mundo melhor de uma vida melhor não mais ídolos de ouro ou do que quer que seja aguardando a submissão genuflexa de fiéis compassivos mas homens e mulheres de bem capazes de construir o altar de sua devoção nos próprios corações garantindo que a sabedoria e a ventura do amanhã comecem agora nos exercícios de crescimento e transformações com que operamos nossa evolução destaques a mÚsica e seus efeitos sutis no corpo do homem a música é uma forma opção dentro do mundo desequilibrado que estamos testemunhando o mundo de final de ciclo É uma opção relativamente acessível que temos ao nosso alcance para diminuir nossas tensões e angústias aqueles que têm contato regular com os nossos meios de comunicação acabam descobrindo uma forma de buscar a música adequada ao seu lazer e a sua tentativa de reequilíbrio nós temos as emissoras de rádio fm que transmitem um som relativamente bom isto é bom em termos técnicos então é a música um meio relativamente barato temos um mercado fonográfico variado e acessível que nos possibilita a compra de cds até intuitivamente acabamos por encontrar o reequilíbrio que vínhamos procurando na busca da música o indivíduo acaba por assistir a um concerto que acreditamos ser um dos primeiros passos célio corrêa de almeida fº para se conhecer o grande valor que ela encerra porque num concerto ao vivo estabelecese uma forma de empatia muito grande entre a plateia e o executante ao presenciá-lo pode o indivíduo participar do manancial de vibrações ali geradas o que vem despertar dentro de si um sentimento de prazer elevado que poderá criar até um vínculo definitivo com a música vê então o indivíduo superada dentro de si aquela tão comum impressão de monotonia e até de sono característica daqueles que ainda não aprenderam a apreciá-la isso é um fato muito comum e nós o testemunhamos muitas vezes revista arte real 50 4

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numa instância final após assistir àquele concerto àquela execução passa o indivíduo a vibrar na mesma sintonia começa então a valorizar o que já ouviu e passa a buscar uma forma digamos mais aprimorada ou racional de direcionar esse prazer essa sua busca de reequilíbrio já que é essa a nossa proposta no geral ao falarmos de música temos de citar inicialmente o som porque obviamente ela nada mais é que um conjunto organizado de sons sabemos que o universo foi criado através deles todas as tradições religiosas e filosóficas estão de pleno acordo quanto a isso sabemos que o eterno expressou o seu poder criador por meio de vibrações sonoras então todas as tradições mencionam os sons sagrados que construíram algo de cima para baixo e se formando nos diversos planos da natureza dos mais sutis aos mais grosseiros a tradição da Índia por exemplo refere-se ao om o som sagrado que remonta ao aspecto criador do supremo arquiteto temos aqui um ensinamento dos vedas mais especificamente dos katha upanishad que vem pautar filosoficamente aquilo que pretendemos expressar o bom é uma coisa o voluptuosamente agradável é outra os dois diferem em suas metas mas ambos estão prontos para ação abençoados são os que escolhem o bom os que escolhem o voluptuosamente agradável erram o alvo tanto o bom quanto o agradável se apresentam aos homens depois de examiná-los os sábios distinguem um do outro o sábio prefere o bom ao agradável o tolo levado pelos desejos da carne prefere o agradável ao bom voltando a falar dos sons criadores nas tradições nas civilizações mais antigas tudo isso era levado muito em consideração como já nos referimos o om na filosofia indiana e hoje na nossa é o início de tudo tudo que existe no universo advém dessa simples palavrinha om então perguntarão se tudo vem do om ao pronunciá-lo estaríamos criando coisas realmente e aí está um grande mistério um grande segredo que chamamos o poder do mantran É o poder de se pronunciar corretamente o som de tal forma que ele possa criar algo aquele que encontrar essa chave deverá obviamente adquirir muito poder a grande dificuldade é que tal trabalho interno a iniciação é o exercício de uma difícil magia que somente poucos conseguem dominar na Índia então tudo o que se referia a som era feito levando-se em conta a consonância com o om na china havia em correspondência à palavra om o huang-chuang tudo o que se fazia em termos de som e música estava em consonância com o huang-chuang que literalmente significa sino amarelo toda a manifestação sonora realizada na china em épocas passadas levava isso em conta hoje com essa confusão reinante no mundo tudo mudou assim o indivíduo para realizar uma composição na antiga china tinha que ter em mente a tonalidade em que se situava o huang-chuang como um diapasão mas como era essa tonalidade sabia-se que sendo o processo evolutivo contínuo e mutável também o huang-chuang mudava tinha então a pessoa que se afinizar com esse aspecto universal para realizar a sua obra se não o fizesse corria o risco de entrar em desarmonia consigo mesma e ainda através de seu som podia provocar desequilíbrio no próprio meio em que vivia o potencial criador do eterno é expresso pelos sete tons fundamentais que no plano em que vivemos têm sua manifestação sonora nas conhecidas sete notas musicais essa projeção de potencial se faz então através das chamadas hierarquias criadoras os construtores do universo os sete anjos de presença da tradição cristã esse potencial sonoro se diversifica de tal forma que todos os aspectos da natureza nada mais são do que o resultado final no mundo objetivo de todo esse processo de criação o professor henrique josé de souza fundador da sociedade brasileira de eubiose deixou isso bem claro quando disse a evolução jamais se faria se o verbo proferisse sempre as mesmas palavras a bíblia nos diz que adão nomeou outros seres nomeou os animais e esse nomear tem o sentido de emitir um som o adão ou adam aí referido era um ser superior capaz de nomear e criar hoje em dia esse potencial criador do som tem sido usado em terapias e mais adiante vamos dar alguns exemplos de como isso pode ser feito como já dissemos anteriormente algumas civilizações mais tradicionais como a chinesa e a indiana levaram muito em conta tudo isso a ponto de no caso da china um certo imperador destinar a uma espécie de ministério a função de manter a música de seu país em concordância com o já citado huang-chuang ou seja afinada com essa vibração divina daí pode imaginar-se o quanto isso deve ter sido importante para o florescimento da civilização chinesa revista arte real 50 5

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aqueles que têm estudado os aspectos mais ocultos da música chegaram à conclusão de que a decadência das civilizações tem a ver com a da música e isso hoje em dia é algo muito preocupante em função do que se ouve por aí enfim num final de ciclo nada de muito bom poderia se esperar mas cremos que se conseguirmos realizar um trabalho geral de equilíbrio incluindo a música poderemos de uma forma ou outra evitar que a decadência seja mais drástica os gregos antigos também souberam cultuá-la devidamente todos os grandes sábios de então entenderam o quanto ela representava para a civilização helênica platão quando percebeu a decadência da mesma e consequentemente da civilização disse em as leis néscios iludiram-se pensando que não havia certo nem errado em música a qual seria julgada boa ou má de acordo com o prazer que proporcionasse através da sua obra e da sua teoria eles infestaram a massa com a presunção de se considerarem juízes adequados acontecia que o critério não era a música mas uma reputação de esperteza promíscua e um espírito de transgressão das leis vemos então o quanto essa afirmação nos vale ainda hoje fazendo-se um estudo histórico dos povos e levando-se sempre em consideração esse aspecto podemos notar que quando a música dos mesmos tornou-se caótica o caos passou a repercutir na estrutura social e política provocando por assim dizer o declínio civilizatório desses aludidos povos não podemos negar que as diversas crises que hoje sofremos não tiveram suas raízes numa crise musical visto que a música que hoje se faz é de um modo geral francamente decadente cremos que essa música só não é mais prejudicial porque seus criadores a fazem a fazem mal e poucas vezes são conscientes deu para perceber que a música quando executada atinge determinados objetivos ela pode prejudicar revolucionar e elevar o indivíduo assim diríamos que encerra três principais propriedades a elevação espiritual o animismo sensorial e o hedonismo a elevação espiritual é o objetivo de todo o processo iniciático visando ao aprimoramento de nossas faculdades internas e externas até o indivíduo através de um processo global pode se acercar desse objetivo daí o tão conhecido mens sana in corpore sano quanto à elevação espiritual cremos que está totalmente expressa na música de bach beethoven e wagner a tríade que acreditamos se apoiar a música ocidental através da música desses compositores podemos ter os elementos auxiliares num processo iniciático não queremos aqui dizer que a música dos demais compositores sejam menos importantes queremos deixar claro que se fizermos uma análise histórica e filosófica da música ocidental podemos concluir que as coisas aconteceram em torno desses três personagens a música que fizeram contém elementos que expressam desde a criação até a evolução da humanidade e seu mundo a de wagner por exemplo fala basicamente do homem da sua problemática sua construção e sua evolução a obra de beethoven está mais relacionada com o aspecto cosmogenético de um modo geral com a construção do universo a de bach está ligada mais à alma ao aspecto devocional religioso ponto de ligação entre o eterno e nós é o que na doutrina yoga chamamos de bakti o animismo é nosso aspecto puramente emocional É aquele tipo de música que nos dá unicamente prazer um prazer digamos mais elevado não unicamente sensual até agradável de se ouvir de um modo geral aí se enquadram as músicas populares bem elaboradas e muitas das chamadas músicas de grandes mestres seria um tipo de música descompromissado com um trabalho mais interno a música popular contendo muito desse aspecto sensorial se ouvirmos unicamente esse tipo de música certamente teríamos algum prejuízo principalmente levando em conta a nossa iniciação devemos deixar bem claro que esse tipo de música não é de forma alguma condenável se assim fosse estaríamos praticamente condenando as músicas populares do mundo todo ocorre que a audição constante dessa música nos impede de conhecermos o lado mais luminoso de nós mesmos a música é uma forma de energia que quando bem trabalhada e orientada pode realmente contribuir para nossa caminhada em direção à espiritualização ou à busca de nosso eu mais interno revista arte real 50 6

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informe cultural i congresso internacional da glmmg v em aí o i congresso internacional da grande loja maçônica de minas gerais de 6 a 9 de abril de 2011 belo horizonte será a capital maçônica mundial com a presença de várias delegações de todo o brasil e do exterior como parte da programação será comemorado o 182º aniversário do supremo conselho do grau 33º do reaa da maçonaria para a república federativa do brasil maiores informações no site da glmmg http www.glmmg.org.br iii encontro maÇÔnico do sul de minas a s características principais desse evento são a participação e a integração da família maçônica com uma programação variada os organizadores preparam atividades culturais e socio-recreativas para os irmãos cunhadas demolays e filhas de jó dada a riqueza dos temas abordados e do consequente sucesso alcançado o evento transformou-se em uma data muitíssima esperada no calendário maçônico este ano também com o apoio cultural da revista arte real que mais uma vez criará uma edição especial e exclusiva para o encontro sua realização receberá um apoio de peso o pacto maçônico sul mineiro que reúne a grande maioria das lojas sul mineiras além disso conta com a insigne presença de todos os membros da alta administração da glmmg da loja de estudos e pesquisas quatuor coronati pedro campos de miranda do oriente de belo horizonte o temário para este ano será maÇonaria e religiÃo ­ encontros e desencontros que será defendido através de painéis por palestrantes do rj sp e mg escritores e acadêmicos como denizart silveira josé airton de carvalho francisco feitosa fuad hadad juarez d Ávila leonel andrade e outros já estão confirmados o evento que será realizado na cidade de alfenas nas dependências da unifenas de 27 a 29 de maio vem tomando proporções cada vez maiores alimentando as expectativas de todos a programação completa já está disponível bastando acessar o link http encontromaconico.fraternidadecleuton.org temos um encontro marcado em alfenas mg estudo da cabala a cabala e suas origens n ão é nosso objetivo nesta peça de arquitetura explicarmos a cabala e muito menos preocuparmo-nos com os aspectos mágicos e invocatórios da mesma infelizmente a história judaica não é conhecida pelo leitor comum a menos que ele seja especificamente um estudioso da bíblia e do aramaico ou roberto antunes da silva hebraico antigo não o moderno no entanto é preciso notar que até a época de esdra o escriba 458 a c a torah livro de moisés ou pentateuco como os gregos a ele se referiam sintetizava as escritas dos hebreus É preciso lembrar que os hebreus naquela época era um povo em fuga dirigido por uma rígida teocracia revista arte real 50 7

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alguns estudiosos afirmam que a cabala e o talmude evoluíram mais ou menos paralelamente seja como for origem antiga ou recente isto não depreciará seu valor para nós na cidade de tebas em 1860 encontraram um papiro em consonância perfeita com o pensamento cabalístico da criação os cabalistas costumavam descrever a criação como resultado de certas emanações ou fluxos eferentes flowings forth da divindade havia 10 dessas emanações ou sephiroth seus nomes eram coroa sabedoria compreensão misericórdia fortaleza beleza vitória glória estabilidade e reino fala o deus rá eu estava só pois nada havia sido produzido eu não tinha emitido de mim mesmo nem shu nem tefnut eu me desdobrei emiti de mim mesmo os deuses shu e tefnut e de um tornei-me três eles emanaram de mim e passaram a existir na terra shu e tefnut geraram seb e nut e nut gerou osíris hórus set Ísis e nephthys em um só nascimento na época da destruição do segundo templo consta que um certo shim-on ben yohai simeão ben jochai deu instrução a seus discípulos sobre a tradição essas mesmas instruções segundo declara podem também ser encontradas no velho testamento hebraico especialmente na versão grega pode atribuir-se a elias ashmole 1617 a 1692 a feição atual do rito escocês tal como o utilizamos hoje como egiptólogo astrólogo e alquimista dotado de uma vastíssima cultura geral e hermética sua preocupação foi deixar um arquétipo que contivesse todos os elementos da tradição maçônica da época tanto operativa como especulativa englobando cabala alquimia e astrologia arquétipo da loja no divagar pelo hermetismo da maçonaria deparamos com jules boucher quando diz os dez oficiais da loja venerável 1º vig 2º vig orador secretário experto mestre de cerimônias tesoureiro hospitaleiro e o cobridor situam-se perfeitamente na Árvore sephirótica e não sephirotal como se usa correntemente ou seja na cabala equivalência planetária dos cargos e correlações antropológicas a Árvore sephirótica nos mostra como se entende tal esquema que coloca o sol como centro do nosso sistema irradiando luz e calor para todos os pontos do universo o sol tiphereth é o mestre de cerimônias portador do fogo sagrado a luz central circulando por todo o templo e levando luz e informações aos obreiros ao cargo do venerável mestre corresponde plutão kether a coroa o planeta mais distante do nosso sistema ao qual se atribui nos ensinamentos astrológicos o poder organizador a fonte de todas as energias a começar pela do átomo assim o venerável pode ser visto como aquele que recebe as energias sutis do universo organizando-as e canalizando-as para dentro da oficina o zodíaco ou urano se preferirmos completar o moderno conhecimento dos planetas transaturninos e não visíveis sem telescópio ­ chokmah ­ é a memória da natureza registrando no éter todos os acontecimentos do mundo através do princípio de vibração ­ correspondente ao secretário cuja tarefa é anotar as ocorrências de cada sessão da loja saturno binah a que se atribui o tempo a cronologia e também a experiência e a sabedoria advindas com a velhice está relacionado com o orador da loja sempre e obrigatoriamente um irmão com reconhecida experiência e suficiente idade maçônica a fim de desempenhar o papel de consultor conselheiro e responsável pela ordem nos trabalhos ele coordena o tempo e a duração da sessão e da palavra dos obreiros ­ incluindo a do venerável no pilar central entre o orador e o secretário está o altar dos perfumes que corresponde a netuno planeta dos mistérios do conhecimento secreto da intuição das substâncias desconhecidas especialmente em nossa loja como é de costume coloca-se uma cadeira com a alfaia do mestre arquiteto in memoriam dos obreiros da arte real que já passaram para o oriente eterno na cabala é daath uma sephira secreta por isso em geral não é representada o tesoureiro é marte geburah o planeta da força da energia física da coragem está relacionado ao trabalho cujo resultado é o salário do obreiro tendo ligação com as receitas da loja do lado oposto está júpiter ­ chesed ­ que responde pela justiça e pelas relações exteriores de um país é o chanceler cuja responsabilidade é selar com seu timbre ou chancela os acordos da loja assim como as presenças terminando a coluna ou pilar do rigor está o 1º vig que corresponde a mercúrio hod na mitologia grega o mensageiro entre os deuses e os mortais na simbologia astrológica é o intermediário de todas as ações humanas relacionando-se com a escrita as comunicações a mente a inteligência e o aprendizado em geral reporta-se à palavra perdida e ao poder do verbo tarefa que cabe ao aprendiz descobrir e desenvolver em seu tempo de estudos simbolicamente o aprendiz não fala por isso deve exatamente aprender a faculdade da comunicação um dom do planeta mercúrio no sentido hermético é a primeira matéria-prima dos alquimistas ou melhor o objeto da sua primeira busca o pilar da misericórdia termina com a esfera de vênus netzah ­ o 2º vig é o planeta da beleza do amor das artes corresponde aos sentimentos de fraternidade solidariedade e união entre os homens o pilar central do equilíbrio que começa com o venerável passa pelo mestre de cerimônias cujo assento fica num dos lados a fim de não bloquear a passagem nas colunas continua com a esfera de yesod a lua satélite da terra e corresponde ao guarda interno da loja governa as emoções os instintos e desejos humanos que tantas vezes escravizam-nos e contra os quais devemos estar sempre em guarda esse pilar termina com o cobridor malkuth a terra o mundo físico a existência material os cargos de diáconos hospitaleiros expertos bibliotecário etc correspondem a satélites planetários cuja atuação é complementar e símile à natureza dos astros ao redor dos quais eles giram alguns homens escreveu moisés maimônides lutam pela riqueza outros gostariam de ser fortes e sadios outros ainda almejam fama e glória mas os sábios aplicam seu coração à sabedoria a fim de que sabendo possam compreender o propósito de suas vidas e conduzir seus destinos antes que advenham as trevas extraída do informativo jb news edição 177 oriente de rio branco ­ ac o autor é do oriente de porto velho rondônia revista arte real 50 8

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academia da leitura ler o melhor remÉdio d quem não lê mal fala mal ouve mal vê esculpem-nos o paradoxo mas o hábito de não ler francisco feitosa do brasileiro chega a ser cultural desde cedo somos levados a não nos aproximarmos do melhor dos amigos que o homem pode conquistar ­ o livro principalmente nos dias atuais em que a falta de tempo causada por um mundo imediatista impõe-nos deixar de lado bons hábitos como o de contar historinhas para nossos filhos dormirem o que poderemos comparar a assistir a um casamento de anão uma raridade já observaram por exemplo quando compramos um novo aparelho de som para nossa casa um brinquedo para nossos filhos ou algo que tenhamos que montar pois bem rasgamos a embalagem abrimos a caixa e passamos entusiasticamente a montar depois de insistidas tentativas sem sucesso vem a pergunta cadê o manual pior do que isso acometidos de alguma doença compramos o remédio indicado pelo médico e somente depois das reações adversas complicações etc preocupamo-nos em ler a bula É a cultura do não ler se é que não ler possa estar ligado à cultura em si a palavra ler de tão ignorada que foi virou o acrônimo ler para significar lesão por esforço repetitivo ao contrário deste a palavra ler sempre foi um santo remédio cultural libertando-nos dos grilhões da ignorância elucidando-nos sobre nossos direitos e nos permitindo ampliar nosso estado de consciência com relação ao nosso progresso material e evolução espiritual a razão deste texto é para apresentar a nova coluna de nossa revista ­ academia da leitura inaugurando-a com o texto ler o melhor remédio que nasce com o objetivo principal de estimular a leitura principalmente de textos e livros maçônico-culturais É claro que não iremos resolver o problema que em nosso país conforme abordamos no início desta matéria chega a ser uma cultura mas poderemos junto aos nossos leitores pelo menos virar essa página mal lida e iniciarmos uma nova história a cada edição através desta coluna iremos ofertar um livro virtual aos nossos leitores bastando clicar em seu título e baixar o e-book gratuitamente cabe-nos apenas a escolha desses livros e procuraremos fazê-lo tendo por base temas que facilitarão a compreensão dos arcanos de nossa ordem nossa sugestão é que o irmão após ler a obra que estaremos disponibilizando faça uma síntese do tema e apresente em sua loja no momento do ¼ de hora de estudos e se entender pertinente proferir uma palestra conquistaremos com isso um novo hábito o da escrita e daí despertará do hábito da pesquisa do estudo estimulando o surgimento de novos escritores e acadêmicos que muito enriquecerão culturalmente nossa ordem É notória a evasão das lojas com a justificativa de que após um exaustivo dia de trabalho não valeu a pena ir para uma sessão vazia e improdutiva ao som do bater de malhetes sem qualquer objetivo senão o de após os trabalhos passar horas tomando cerveja e jogando literalmente conversa fora nas conhecidas lojas etílicas como grande inspetor litúrgico da 14ª região de mg vimos desde 2007 adotando nas sessões dos graus superiores a prática de sortear um livro entre os irmãos presentes tendo como objetivo o mesmo desta coluna como acadêmico e escritor tais iniciativas não são mais do que nossa obrigação pois jamais corroboramos com o clubinho de serviços que os pseudos-iniciados desejam transformar nossa egrégia instituição iniciaremos disponibilizando uma obra escrita por christopher knight e robert lomas intitulada a chave de hiran traduzida pelo já saudoso irmão zé rodrix editado pela editora landmark um belo livro de cabeceira com cerca de 200 pg contendo muitas revelações e mistérios da arte real conclamamos que nos ajudem nessa altruística empreitada cultural encerramos com uma reflexão sobre o aprendizado aprender de fato divide-se em três etapas distintas a primeira quando adquirimos o conhecimento através do estudo e da pesquisa a segunda quando o colocamos em prática no teatro da vida a terceira e última quando repassamos a alguém sem perpassarmos por essas três etapas principalmente a terceira o processo não estará concluído seremos como uma biblioteca fechada ao público jamais deveremos ousar em pensar que chegamos a aprender alguma coisa sem ter passado por elas tenham todos uma boa leitura revista arte real 50 9

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trabalhos alferes tiradentes j oaquim josé da silva xavier nasceu na fazenda do pombal comarca do rio das mortes próxima a vila de são josé del rei atual tiradentes no ano de 1746 não se sabendo porém o dia de seu nascimento era o quarto filho de domingos da silva santos português e de dona antônia da encarnação xavier e seus irmãos eram domingos antônio e josé as irmãs antônia rita maria vitória e eufrásia maria tiradentes foi batizado no dia 12 de novembro de 1746 tendo sido seu padrinho o dentista sebastião ferreira leitão e como madrinha nossa senhora da ajuda foi criado e passou parte de sua infância na fazenda de seu pai sendo que aos nove anos de idade morre sua mãe e aos doze seu pai a família se desfez tiradentes foi morar na casa de seu padrinho o dentista sebastião ferreira leitão que procurou interessá-lo por sua profissão incentivando-o a ler livros de medicina e ensinando-lhe noções práticas de cirurgia e odontologia bem cedo começou a ajudar o padrinho no trabalho fazia curativos e logo aprendeu a tirar dentes e a substituí-los por dentaduras e dentes postiços ficando assim conhecido na vila de são josé del rei como o tiradentes trabalhou também como tropeiro e mascate caminhando pelos garimpos de minas e fazendo viagens até a bahia depois tentou a sorte na atividade mineradora ocasião em que comprou uma pequena porção de terras e quatro escravos aplicando o que economizou como dentista porém não deu certo sua tentativa deixandolhe apenas muitas dívidas em lº de dezembro de 1775 ingressou na carreira militar e alistou-se na 6ª cia de jair de almeida gomes dragões da capitania de minas gerais e por ser descendente de portugueses cristãos teve o privilégio de ingressar nas armas já como oficial sem passar pelos postos subalternos tornou-se alferes posto correspondente ao de 2º tenente recebeu missões perigosas que cumpriu com eficiência devido a seu conhecimento do sertão À frente do destacamento acabou com o banditismo na serra da mantiqueira e combateu os contrabandistas de ouro comandou a guarda dos armamentos depositados no quartel de vila rica em 1781 foi nomeado pela rainha de portugal para chefiar a patrulha do caminho novo estrada que ligava minas ao rio de janeiro por onde seguiam as tropas de mulas trazendo o ouro para ser embarcado no porto do rio de janeiro.nessa fase de sua vida fez amizades em todas as vendas e hospedarias da estrada onde ficou muito popular também nessa mesma época já contava com 35 anos de idade quando namorou uma jovem de quem gostou muito de nome ana que morava no tijuco atual diamantina e era sobrinha do padre rolim seu amigo e mais tarde também membro da conjuração mineira quando tiradentes a pediu em casamento através do padre ficou sabendo que ela já estava prometida a outro.iradentes nunca se casou continuava só porém duas outras mulheres haviam passado por sua vida ambas de nobre condição social a primeira uma mulata eugênia joaquina da silva com quem teve um filho de nome joão a outra uma viúva antônia maria do espírito santo vivia nos arredores de vila rica atual ouro preto que também deu-lhe uma criança uma menina de nome joaquina revista arte real 50 10

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no ano de 1787 cansado da vida militar pediu licença no regimento e foi para o rio de janeiro onde apresentou ao vice-rei dom luiz de vasconcelos alguns projetos de engenharia e hidráulica para a canalização e captação dos rios catete e maracanã para abastecimento da cidade e edificação de moinhos construção de armazéns para o gado a ser exportado seus projetos porém ficaram aguardando a aprovação das autoridades de portugal e nunca foram executados enquanto permanecia no rio de janeiro reuniu-se com o estudante josé Álvares maciel que acabava de chegar da inglaterra com o padre rolim e com o coronel joaquim silvério dos reis e juntos elaboraram os primeiros planos da revolta contra portugal terminada sua licença militar em agosto de 1788 volta a minas comandando a escolta da mulher do visconde de barbacena novo governador de minas em vila rica tornou-se o principal articulador da conspiração para a libertação do país organizou um grupo de que faziam parte pessoas de grande projeção na capitania era ao mesmo tempo um idealista e um espírito prático não hesitava em fantasiar os fatos para atingir seus objetivos inventou por exemplo que o novo governador trazia instruções para que as fortunas particulares em minas não ultrapassassem dez mil cruzados garantiu a todos o apoio de potências estrangeiras à conjuração em fins de 1788 aconteceu a primeira reunião dos conspiradores na casa do tenente-coronel paula freire a ele se unira o padre carlos correia de toledo vigário de são joão del rei homem rico e influente e a conspiração foi crescendo com a participação do cônego luiz vieira da silva do padre rolim tomás antonio gonzaga cláudio manoel da costa alvarenga peixoto e outros que no decorrer do tempo juntaram-se aos primeiros naquela época a maçonaria permitia que se fizessem iniciações fora dos templos às vezes por um irmão com autoridade o que era denominado de iniciação por comunicação e assim josé Álvares maciel iniciou joaquim josé da silva xavier sendo que esse tipo de iniciação foi suprimida em 1907 com a promulgação da constituição de lauro sodré o coronel francisco de paula freire não gostava do alferes tiradentes com quem mantinha fria distância esse tratamento mudou completamente quando tiradentes de volta do rio de janeiro participou-lhe que havia sido iniciado nos mistérios da maçonaria os planos foram traçados na ocasião da derrama tiradentes depois de prender o governador despertaria vila rica aos gritos de liberdade a pretexto de restaurar a ordem paula freire e suas tropas ocupariam a cidade e com vila rica sob controle declararia sua adesão à inconfidência ele resolveu procurar todos os conjurados e verificar se cada um estava cônscio de sua responsabilidade obtendo um sim de cada um deles em março de 1789 seguiu para o rio com a desculpa de ver como iam os seus requerimentos de obras públicas porém sua verdadeira missão era conseguir o apoio da guarnição do rio de janeiro durante sua viagem ia divulgando suas ideias sem maiores cautelas pelas hospedarias e vilas do caminho novo no transcurso da mesma a conspiração foi denunciada em uma carta dirigida ao governador visconde de barbacena e assinada pelo traidor joaquim silvério dos reis com o seguinte teor existe um movimento contra a coroa e automaticamente contra v exª no sentido de derrubá-lo por ocasião da derrama e em seguida sublevar o povo e a tropa para logo após partirem com adesão do povo de outras províncias para uma louca independência para isso contam com as maiores inteligências desta terra e de pessoas de destaque do seu governo tendo como principal chefe o alferes joaquim josé da silva xavier um dos mais inflamados oradores acompanhado de perto por homens com ideais impregnados pelos últimos acontecimentos de independência da américa inglesa se v exª der crédito a esta missiva gostaria de ser chamado sigilosamente ao seu gabinete onde declinaria pessoalmente o nome de todos os que tramam contra nossa augusta e soberana rainha ponha todos esses importantes participantes na presença de v exª pela obrigação de felicidade não por meu intento nem vontade sejam de ver a ruína de pessoa alguma o que espero em deus que com o bom discurso de v exª há de acontecer tudo e dar as providências sem a perdição dos vassalos o prêmio que peço tão somente a v exª é o de rogarlhe que pelo amor de deus não se perca ninguém revista arte real 50 11

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todos os inconfidentes foram presos porém tiradentes encontrava-se na casa de seu amigo domingos fernandes da cruz na cidade do rio de janeiro onde no dia 10 de maio de 1789 foi preso e ficou incomunicável cerca de três anos nesse período só foi visitado por seu confessor o padre raimundo penaforte no dia 18 de abril de 1792 foi proferida a sentença dos cinco réus padres no dia seguinte a dos demais conjurados a tiradentes foi proferida a seguinte sentença portanto condenam ao réu joaquim josé da silva xavier por alcunha o tiradentes alferes que foi da tropa paga da capitania de minas a que com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a vila rica onde em lugar mais público dela será pregada em um poste alto até que o tempo a consuma o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregado em postes pelo caminho de minas no sítio da varginha e das cebolas onde o réu teve suas infames práticas e os mais nos sítios de maiores povoações até que o tempo também os consuma declaram o réu infame e seus filhos e netos tendo os seus bens aplicados para o fisco e câmara real e a casa em que vivia em vila rica será arrasada e salgada para que nunca mais no chão se edifique no dia 21 de abril de 1792 às 9h iniciou o triste cortejo à frente uma cia de soldados depois os frades dizendo orações e em seguida tiradentes o laço da forca no pescoço e a ponta da corda segura pelo carrasco e quase abraçado ao condenado frei penaforte rezava com ele descalço com o cabelo todo raspado e sem barba vestido com uma camisola branca seguia de cabeça erguida porte ereto e passo firme a marcha para a forca construída no largo da lampadosa atual praça tiradentes onde às 11h20min foi enforcado frei raimundo penaforte o confessor escreveu o seguinte sobre tiradentes foi um daqueles indivíduos da espécie humana que põem em espanto a própria natureza entusiasta empreendedor com o fogo de um d quixote habilidoso com um desinteresse filosófico afoito e destemido sem prudência às vezes em outras temeroso ao cair de uma folha mas o seu coração era sensível ao bem a coroa quisera com o espetáculo do enforcamento afirmar o seu domínio sobre a colônia brasileira tiradentes tentara com o sacrifício salvar os companheiros e abrir ao povo o caminho da emancipação política um espírito inquieto um homem leal esse alferes joaquim josé da silva xavier por alcunha tiradentes herói sem medo de todo um povo velas ou lÂmpadas h ambrósio preters á muitos irmãos que colocadas em posições predeterminadas para cada ato litúrgico e em quantidade exata implica aceitação de que há um ritualismo a cercá-las e consequentemente um misticismo implícito se assim não fosse não haveria por que determinar com exatidão seu número e sua localização se aceitarmos esses fatos estamos atribuindo um caráter litúrgico às nossas luzes ritualísticas e portanto místico porque toda liturgia é uma ponte para o misticismo defende-se intransigentemente a obediência à tradição em nossos trabalhos e vela-se cuidadosamente para que nossos rituais sejam seguidos com toda correção e se mantenham o mais possível fiéis aos de nossas lojas primitivas estas sempre usaram velas em seus altares as quais fazem parte integrante de nossas mais caras tradições defendem o uso indistinto de ambas em nossos trabalhos ritualísticos por não se aperceberem cremos que esses instrumentos em nossos altares são algo mais que simples pontos de iluminação meros objetos ornamentais não obstante assim pensarem insistem que elas velas ou lâmpadas devem existir em número definido e invariável para cada circunstância ou grau o simples fato de aceitarem que essas luminárias devem ser revista arte real 50 12

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mas por que velas serão diferentes de lâmpadas as velas de cera pura de abelhas como manda a tradição emitem uma chama pura e sem fuligem emitem fogo o que não acontece com as lâmpadas elétricas o fogo acompanhou a humanidade desde os mais primitivos ancestrais e nessa sua marcha através da história foi assumindo o aspecto de elo entre o homem e os espíritos entre o homem e deus a primeira prova inequívoca de que o homem usava o fogo em seu dia-a-dia apareceu na caverna de chucutien na china onde junto aos achados arqueológicos do homem de pequim sinantropus encontraram-se restos de fogueiras não-acidentais esse homem viveu há cerca de quatrocentos mil anos junto às cinzas encontraram-se também sinais evidentes de que esse hominídeo já enterrava os seus mortos com rituais pois perto das sepulturas localizaram-se restos fósseis evidentes de polens de quase todas as flores da região a conclusão é evidente os cadáveres foram sepultados rodeados de flores iluminada a cerimônia obviamente ritualística sem muito esforço poderemos imaginar a cena com os nossos primitivos ancestrais amuados no fundo de suas cavernas apreensivos e temerosos ante o fulgor dos relâmpagos a iluminar as paredes de sua morada podemos até conceber o seu temor e o seu espanto ante os raios e os vulcões e ante os ocasionais incêndios nas matas de seus territórios de caça a ameaçar suas vidas o medo do fogo faz parte de nossa natureza humana e também da natureza dos animais irracionais É frequente vermos animais retratados fugindo do fogo como que alucinados provavelmente resquícios inconscientes dos traumas provocados por este fenômeno ainda em tempos remotos nós humanos tememos tanto o fogo que a simples menção dessa palavra em algum recinto fechado leva ao pânico e ao desastre há um medo incontido em todos os seres vivos homens e animais mas o homem dominou o fogo primeiro aprendeu a conservá-lo quando colhido em eventuais fogueiras naturais e depois descobriu também como fazê-lo não sabemos se o homem de pequim já o sabia apenas que o usava ainda hoje há tribos de pigmeus no centro da África que não aprenderam a técnica de fazê-lo desde os primitivos tempos deve o fogo ter sido tratado com grande respeito tanto pela utilidade como em virtude dos danos que normalmente trazia consigo sua ligação com a divindade vem de tempos imemoriais assim o atestam as inumeráveis lendas que correm entre os povos primitivos a seu respeito todas dando-lhes uma origem celeste os índios navajos dos estados unidos cultuam a lenda do grande coiote que roubou o fogo dos deuses e o deu de presente aos homens ela é muito semelhante ao mito de prometeu que também roubou o fogo dos céus e o trouxe para os homens também entre os índios brasileiros conta-se que um pássaro foi ao sol buscar o fogo e que tendo-o segurado com o bico ficou com ele vermelho para sempre daí a origem das aves de bico vermelho há muitas outras lendas semelhantes junto a outros povos primitivos os gregos tinham a deusa héstia protetora do fogo doméstico os romanos a deusa vesta protetora também dos espíritos e do fogo doméstico ligada a esta última havia a comunidade das vestais jovens virgens encarregadas de zelar pela conservação permanente do fogo sagrado os descuidos eram punidos com a pena de morte não poderemos deixar de mencionar a mitologia egípcia da fênix um grande pássaro que tinha vida eterna morrendo pelo fogo mas sempre renascendo das cinzas temos ainda as lâmpadas votivas dos templos e igrejas simbolizando a presença divina permanente nas igrejas católicas essa luminária indica a existência de hóstias consagradas nas quais está presente deus em pessoa o fogo desde que o homem começou a percebê-lo conscientemente como um dos elementos da natureza foi frequentemente olhado como um elemento mágico de origem divina pois deus usava-o tanto para iluminar seus diletos filhos como para castigar os que incorriam em sua ira por desobediência aos seus preceitos considerava-o como um elemento de purificação e castigo purgatório inferno isso naturalmente quando não era adorado como o próprio deus dada a sua misteriosa origem e seus misteriosos efeitos houve muitas culturas que mantiveram e que ainda mantêm um verdadeiro culto sagrado do fogo esse culto na sombria pré-história do homem deve ter se originado na ansiosa necessidade de sua conservação já que a técnica de fazê-lo foi aprendida muito mais tarde revista arte real 50 13

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aos poucos esse misticismo todo em torno do fogo tornou-o um verdadeiro agregador social reunindo os membros do grupo em suas cavernas para se aquecerem e afastar as teias as ondas de calor o cheiro inebriante das madeiras queimando o crepitar das labaredas as nuances bruxuleantes das chamas os rostos e corpos semi-iluminados ao clarão vermelho tudo isso deve ter provocado uma sensação enlevante e muito próxima ao espiritual essa fascinação após terminado o dia quando começa a misteriosa noite e a aproximação dos espíritos das trevas que se julgava virem com ela naturalmente levou os primitivos hominídeos a fazer do fogo o centro de suas atenções e de seus rituais os escoteiros ainda hoje realizam seus atos mais solenes ao redor do seu fogo de conselho e ali encerram suas reuniões mais importantes com a cadeia de união a intromissão desse elemento natural em todos os atos humanos a sua divinização o seu caráter ritualístico fez que com frequência fosse cercado de respeito e de inúmeras crendices populares não se pode sem atrair desgraças urinar no fogo empurrar tições com os pés apagá-lo com água acender sobre fogueira extinta fogo morto e muitas outras mais os alquímicos o usavam como seu instrumento predileto derretendo seus metais purificando o ouro obtendo o mercúrio e o enxofre seus materiais prediletos considerando-o a ferramenta ideal para alteração da matéria existente usavam-no na tentativa de transformar tudo em ouro não para ficarem ricos mas para tornar incorruptível o corruptível segundo a antiga sabedoria já desde os babilônios era considerado um dos quatro elementos que compunham todas as matérias visíveis porém enquanto o ar a água e a terra podiam abrigar habitantes no fogo não podia habitar nem mesmo a salamandra não é de se admirar portanto que ainda hoje a mística que cerca o fogo faça que continue a ser considerado uma espécie de mediador entre deus e os homens o símbolo do espírito santo da iluminação da alma símbolo do amor da pátria do lar É conhecido que biologicamente falando somente se transmitem aos descendentes características genéticas quando absolutamente indispensáveis à sobrevivência da espécie É certo outrossim que nas épocas das grandes glaciações o fogo se tornou um elemento indispensável à sobrevivência do homem e daí parece-nos lícito concluir que certos tipos de comportamento em relação a esse elemento natural como o pânico que ele causa o embevecimento ante as chamas e o seu fulgor místico essa reação quase sensual que ele cria em nós são transmissões genéticas que nos acompanham de geração em geração quando o homem tendeu ao aperfeiçoamento de seus rituais realizando-os nos recônditos de suas cavernas e tornando-os aos poucos secretos não houve mais possibilidade de acender fogueiras foi mister passar ao uso de objetos mais práticos para manter o fogo sagrado como tochas por exemplo posteriormente com a invenção das velas feitas de cera de abelhas obteve-se uma chama pura e praticamente isenta de fuligem mais prática para uso em recintos fechados e ocultos muitas dessas tradições se fixaram e permaneceram até os nossos dias as igrejas em suas cerimônias religiosas não permitem o uso de velas que não sejam produzidas de cera pura de abelhas como a igreja católica a vela se tornou um fogo simbólico e ritualístico mantendo acesa a chama sagrada em nossas reuniões como o faziam nossos ancestrais em suas moradas primitivas todo iniciado recebe a luz esse tipo de iniciação está muito bem simbolizado no novo testamento quando os apóstolos receberam a luz do espírito santo sob a forma de uma língua de fogo descendo dos céus portanto o iniciado recebe uma luz vinda do alto do poder de deus vinda do fogo infinito da imortalidade simbolizado no ato iniciatório pela chama da vela a chama simboliza a sabedoria dos iluminados os três altares dos poderes que governam nossas lojas têm nas velas o símbolo de sua sabedoria de sua iluminação como era um símbolo de iluminação a chama que veio dos céus trazer o espírito santo a iluminação para os apóstolos as velas são ainda com suas chamas o símbolo da transformação a que se deve submeter permanentemente o maçom na sua busca incansável pelo aperfeiçoamento pessoal o fogo não é uma matéria como o criam os antigos sábios é um processo de transformação como a maçonaria também é um processo uma luta contra a incompreensão as luzes em nossas lojas não são meramente decorativas ou instrumentos de iluminação são objetos ritualísticos e de simbologia muito profunda sua substituição por lâmpadas elétricas é quase uma afronta às nossas mais caras tradições lâmpada elétrica não emite chama não tem simbologia não tem misticismo o uso da eletricidade em nossos altares nos parece um comodismo que deveria ser abolido pois não se coaduna com nossa ânsia de misticismo sempre reforçada pela luz das velas as velas com sua chama limpa e multicolor cheia de nuances são um símbolo de sabedoria de iluminação interna de transformação espiritual não deixemos morrer essa tradição o autor é escritor historiador filósofo e livre pensador membro da arls os templários gob/paraná oriente de curitiba pr revista arte real 50 14

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reflexões aves e almas autor ignorado textos da fé bahá í religião monoteísta fundada por bahá u lláh na pérsia durante o século xix enfatizando a unidade espiritual da humanidade que compara o corpo físico a uma gaiola e o espírito a uma ave que nela habita imaginar que o espírito pereça ao morrer o corpo é como imaginar que o pássaro morra ao quebrar-se a gaiola nosso corpo é apenas a gaiola enquanto o espírito é o pássaro nada tem o pássaro que recear porém com a destruição da gaiola o suave voo das aves é uma metáfora visual a nos sussurrar que a alma é livre das limitações impostas pela matéria uma metáfora visual e poética revelada aos que se dispõem a enxergar além do que os olhos podem e ao deslizar pelo céu as aves nos recordam nossos entes queridos que já partiram todos os que deixaram para trás esse mundo de provações e caminhadas sonos e vigílias noites e dias esperanças recordam-nos ainda que em breve também chegará a nossa hora de voar s metáforas conforme certa vez definiu um poeta são pontes poéticas que o amor constrói e que fazem ligação entre coisas e conceitos da força das asas depende a altura a que se pode chegar o corpo frágil argila sofre os efeitos do tempo a alma puro sopro é eterna aproveitamos os nossos breves e incertos dias para alimentarmos a nossa alma com coisas boas uma dieta espiritual farta de amor e bondade caridade pureza compaixão perdão e justiça virtudes gratidão bemaventuranças de modo que quando a hora derradeira bater à nossa porta possamos voar com asas limpas e puras até as mais sublimes alturas a as escrituras sagradas das diferentes tradições religiosas não raramente lançam mão de metáforas para tornar mais claro o entendimento das verdades do mundo espiritual e dentre as metáforas poéticas que os versos sagrados utilizam uma das mais belas é uma passagem dos a qualquer pessoa faça mas faça agora não adie tal oportunidade pois até conseguiremos passar novamente pelo mesmo caminho porém jamais conseguiremos viver de novo o mesmo momento feitosa todo bem que puder fazer a outrem toda ternura que puder demonstrar revista arte real 50 15

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