CanaMix - Edição 81

 

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IAC recomenda maior dosagem de zinco no plantio canavieiro Ribeirão Preto SP Março - 2015 Ano 8 - Nº 81 R$ 10,00 22ª Agrishow: Feira destaca investimento em tecnologia contra pessimismo econômico Safra 2015/16: Estimativas indicam pequeno crescimento no volume de moagem de cana Etanol: Demanda por anidro deve aumentar em 1,3 bilhão de litros nesta temporada MECANIZAÇÃO Colheita atinge 84,8% em São Paulo REVISTA CANAMIX |sustentável MARÇO | 2015 CADERNO TERRA & CIA: Produtores do Centro-Oeste apostam em agricultura 1

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Carta ao leitor Expediente Heranças da mecanização Foto: Divulgação Diretor: Plínio César Gerente de Comunicação: Luciana Zunfrilli Redação Editor Chefe: Doca Pascoal Reportagem: Marcela Servano Colaboração: Alexandre Andrade Lima, Plinio Nastari, José Osvaldo Bozzo, Lara Moraes, Luiz Albino Barbosa e Ulisses Rocha Antuniassi Foto da capa: Ale Carolo / alecarolo.com Editor Gráfico: Jonatas Pereira / Creativo Artwork Publicidade: Alexandre Richards (16) 98828 4185 alexandre@canamix.com.br Fernando Masson (16) 98271 1119 fernando@canamix.com.br Plínio César (16) 98242 1177 plinio@canamix.com.br Assinaturas: assinaturas@canamix.com.br Eventos: eventos@canamix.com.br Contatos com a redação: reportagem@canamix.com.br ISSN: 2236-3351 Outras publicações do Grupo Agrobrasil Guia Oficial de Compras do Setor Sucroenergético Portal CanaMix Grupo Agrobrasil Av. Brasil, 2780 CEP 14075-030 - Ribeirão Preto - SP (16) 3446 3993 / 3446 7574 www.canamix.com.br Artigos assinados, mensagens publicitárias e o caderno Marketing Canavieiro refletem ponto de vista dos autores e não expressam a opinião da revista. É permitida a reprodução total ou parcial dos textos, desde que citada a fonte. Pesquisa do Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), mostra que a mecanização da colheita da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo cresceu 3,5% na safra agrícola 2013/14, em relação ao ciclo anterior. No total, cerca de 85% da lavoura canavieira foi colhida por máquinas no referido período. Esse crescimento da mecanização, sob o pilar legal de marcos regulatórios, é irreversível e traz reflexos importantes para o desenvolvimento do setor No que diz respeito ao meio ambiente, milhões de toneladas de gases de efeito estufa estão deixando de ser emitidos na atmosfera, por conta da redução gradativa da queima da cana. Também há mudanças no perfil da mão de obra, que precisa de maior qualificação para operar o maquinário agrícola. O corte mecanizado também estimulou a criação de novas tecnologias, tanto para a agrícola, quanto para a indústria, que passou a receber cana crua e identificou a necessidade de adequar seus equipamentos. Considerando que o fim total das queimadas está próximo, vale lembrar que o setor sucroenergético e a indústria de base precisam se manter atentas ao desenvolvimento de adequações tecnológicas que permitam atender a demanda com eficiência. Em um cenário de economia estagnada, crise política, falta de crédito e desconfiança do mercado, o setor canavieiro tem que se reinventar. De qualquer forma, especialistas afirmam que a safra 2015/16 será maior. Algumas ações do governo, como aumento da mistura do etanol anidro à gasolina, de 25% para 27%, e a volta da CIDE - reivindicação do setor para resgatar o diferencial tributário do etanol em relação à gasolina -, podem ser um pequeno alento para colocar um freio na queda do segmento canavieiro. Boa leitura! Plinio Cesar, diretor plinio@canamix.com.br A REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 3

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Guia de Compras SA PG ÁREA ADMINISTRATIVA PG BANCOS - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.......................... 4 SICOOB............................................... (16) 3456 7407 CONSULTORIA - ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL........ 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 17 DATAGRO............................................ (11) 4133 3944 CONSULTORIA - GESTÃO AMBIENTAL......................... 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 CURSOS E TREINAMENTOS......................................... 13 MOURA LACERDA................................ (16) 21011076 ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES....................................... 4 SICOOB............................................... (16) 3456 7407 EDITORA, PUBLICIDADE E EVENTOS........................... 35 AGROBRASIL – CANAMIX/TERRA&CIA. (16) 3446 7574 FEIRAS, SIMPÓSIOS E EVENTOS................................. 30 AGRISHOW.......................................... (11) 3598 7832 27 AGROBRASILIA................................... (61) 3339 6542 17 DATAGRO............................................ (11) 4133 3944 45 GRUPO IDEA....................................... (16) 3514 0631 SEGURADORAS / CORRETORAS.................................. 51 KAPSEG.............................................. (16) 3633 9595 SITES / VIDEOS - DESENVOLVIMENTO........................ 39 RGB.................................................... (16) 3947 1343 SISTEMAS - CONTRA INCÊNDIO.................................. 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 55 ARGUS................................................ (19) 3826 6670 COLHEDORAS DE CANA............................................... 29 CIVEMASA........................................... (16) 3382 8222 EPI - EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL...... 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 FUNGICIDAS................................................................ 2 BASF DO BRASIL..................................0800 0192 500 HERBICIDAS................................................................ 56 BASF DO BRASIL..................................0800 0192 500 IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS........................................ 29 CIVEMASA........................................... (16) 3382 8222 IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS PEÇAS E SERVIÇOS....... 29 CIVEMASA........................................... (16) 3382 8222 INSETICIDAS................................................................ 2 BASF DO BRASIL..................................0800 0192 500 MATURADORES E REGULADORES DE CRESCIMENTO. 56 BASF DO BRASIL..................................0800 0192 500 MUDAS........................................................................ 2 BASF DO BRASIL..................................0800 0192 500 PLANTADORAS DE CANA............................................. 29 CIVEMASA........................................... (16) 3382 8222 TRANSBORDOS............................................................ 29 CIVEMASA........................................... (16) 3382 8222 ÁREA AGRÍCOLA PG ÁREA INDUSTRIAL BOMBAS CENTRÍFUGAS.............................................. 9 EQUIPE................................................ (19) 3426 4600 BOMBAS ESPECIAIS.................................................... 9 EQUIPE................................................ (19) 3426 4600 CABOS DE AÇO............................................................ 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 CLARIFICANTES........................................................... 18 PROSUGAR......................................... (81) 3267 4759 DESCOLORANTES........................................................ 18 PROSUGAR......................................... (81) 3267 4759 EMPILHADEIRAS......................................................... 29 EMPIZA EMPILHADEIRAS.........................1935713000 EPI - EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL...... 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 MEDIDORES, TRANSMISSORES DE VAZÃO E NÍVEL.... 7 DWYLER.............................................. (11) 2682 6633 PRODUTOS E SISTEMAS CONTRA INCÊNDIO.............. 16 ARAUJO RTC....................................... (16) 3237 0208 55 ARGUS................................................ (19) 3826 6670 QUÍMICA - PRODUTOS E DERIVADOS.......................... 24 ASHER................................................ (16) 3969 8999 6 REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015

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10 12 20 Cooperativismo - Cooperativa reaquece economia da Mata Sul de Pernambuco 40 Portal CanaMix - IBGE confirma expectativa de safra nacional recorde em 2015 - Garantia-Safra: mais segurança para os agricultores familiares - Milho safrinha ganha força para safra 2015/16 - Programa de gestão rural quer atender 1.100 produtores em MS - Conab e entidades arrozeiras iniciam levantamento de custos de produção nesta quarta Opinião - Plínio Nastari: Perspectivas para o mercado de açúcar Capa - Mecanização da colheita atinge 84,8% em São Paulo IAC recomenda maior dosag em de zinco no plantio de cana Foto: Biosev Tecnologia Agrícola Feira investe em ra tecnologia cont ico ôm on ec pessimismo Agrishow 2015 26 28 32 34 36 Mercado - Demanda por anidro deve aumentar em 1,3 bilhão de litros 42 Eventos - Calendário de eventos 2015 48 50 52 54 Sustentabilidade - Produtores do Centro-Oeste apostam em agricultura sustentável Marketing Canavieiro - John Deere é considerada uma das empresas mais éticas do mundo Corporativo - Lesaffre muda nome para Phileo Pecuária - Novo conceito em nutrição faz bezerros ganharem peso Safra 2015/16 - Projeções indicam safra maior em 2015/16 Milho - Santa Helena lança híbridos de milho para safrinha 8 REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 Foto: Divulgaçã o Foto: Ale Carolo / alecarolo.com Sumário

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Cooperativismo Cooperativa reaquece economia da Mata Sul de Pernambuco Apesar do governo pernambucano não ter investido na reativação da Usina Pumaty, em Joaquim Nabuco, PE, a receita estadual tem crescido devido a ação de uma cooperativa agrícola que arrendou e reabriu a unidade em novembro do ano passado. Nos últimos quatro meses, a Secretaria da Fazenda já arrecadou R$ 4,2 milhões com o ICMS da produção de 24,6 milhões de litro de etanol Foto: Divulgação Nos últimos quatro meses, a Secretaria da Fazenda de Pernqambuco já arrecadou R$ 4,2 milhões com o ICMS da produção de 24,6 milhões de litro de etanol na Usina Pumaty, reativada pelos cooperados da AFCP Da Assessoria A experiência dos fornecedores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Sul do Estado tem sido exitosa e surpreendido até os mais otimistas. Os agricultores, que se organizaram em tor- no de uma cooperativa, tomaram a iniciativa de arrendar e gerir a Usina Pumaty, a qual estava fechada desde 2012, a fim de não perder suas plantações por falta de unidade industrial para moer a safra. Desse modo, de novembro do ano passado pra cá, com a reativação da produção de etanol hidratado na unidade, já foram moídas 333 mil toneladas de cana que poderiam ter ficado no campo, ou parte desse total ter sido moído em usinas de estados vizinhos. Com a cana esmagada em Pumaty, já foram produzidos 24,6 milhões de 10 REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015

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litros do combustível, arrecadando R$ 33,9 milhões. A expectativa da cooperativa, a depender do clima, é atingir uma moagem de 500 mil tons até o início de abril, quando a safra acaba. Os efeitos positivos não param por aí com a reabertura da usina. Mais de 3 mil postos de trabalho agroindustriais foram abertos até agora. O fato tem gerado um efeito direto na economia da Região, que enfrentava dificuldade após Pumaty fechar em 2012, haja vista que são municípios com vocação e tradição canavieiras. Tais resultados positivos também têm chegado aos cofres do Estado, mesmo sem o governo ter investido recurso na reativação do parque fabril, apesar de ter prometido o apoio no fim da gestão de Eduardo Campos. Com a produção de 24,6 milhões de litros de etanol por Pumaty, a Secretaria da Fazenda arrecadou R$ 4,2 milhões em ICMS. Além disso, a Pasta tem recebido o imposto indireto gerado pela reativação da usina, através da retomada de toda a cadeia produtiva da cana e da movimentação comercial na maior parte da Zona da Mata Sul. “Até o momento, cerca de R$ 21 milhões já foram pagos aos produtores pela cana fornecida à Pumaty e mais R$ 1,5 milhão com o pagamento salarial dos 277 trabalhadores da unidade, além de R$ 1 milhão com o arrendamento da usina”, informa Frederico Pessoa de Queiroz, vice-presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), que é uma das duas entidades responsáveis pela cooperativa que arrendou e reabriu a usina. O outro órgão é o Sindicato dos Cultivadores de Cana de PE, presidido por Gerson Carneiro Leão. As entidades antecipam que manterão a experiência na próxima safra, que começará em setembro deste ano. O contrato de arrendamento de Pumaty pela cooperativa foi de dois anos com chance de renovação por mais outros Para Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP, a região da Mata Norte vem sofrendo com a falta de usinas para moagem, prejudicando o progresso econômico do local, que tem tradição canavieira dois anos. Há uma possibilidade de ser produzido também açúcar ao longo do período. “Contudo, tudo dependerá da necessidade do mercado consumidor e de mais crédito para fazer a qualificação do maquinário necessário para tal fabricação”, diz Queiroz. O dirigente conta ainda que há a intenção de expandir a iniciativa para outra usina fechada no Estado. O desejo é, já na próxima safra, reativar Cruangi, fechada deste 2012 em Timbaúba, na Mata Norte. “Essa região vem sofrendo com a falta de usinas para moagem, prejudicando o progresso econômico do local, que tem tradição canavieira. É preciso fazer com a Zona Norte o mesmo que mostramos ser possível fazer na Sul”, defende Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP. REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 11 Foto: Unida

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Opinião Perspectivas para o mercado de açúcar *Plinio Nastari açúcar tem sido uma das commodities mais fascinantes a serem seguidas. Suas interconexões com o mercado de energia, através do etanol e da bioeletricidade e, mais recentemente, do biogás e do biometano, tem trazido crescentes desafios analíticos e oportunidades aos diferentes agentes do mercado. Por nossa observação, as variáveis que influenciam de forma mais intensa as tendências de açúcar tem sido: mudanças nas taxas de câmbio das origens mais relevantes, a produtividade agrícola, o custo da logística interna e para exportação aos destinos, a intensidade da diversificação, os custos dos fatores de produção, a existência de acordos comerciais e de parceria econômica, e finalmente o ambiente regulatório e de investimento - se não o real, a percepção que se tem dele. Sabemos que, enquanto a beterraba açucareira é a matéria-prima predominante em muitas partes do mundo, e que os ganhos de produtividade recentes mais expressivos foram observados em beterraba não em cana, 80% de açúcar mundo de hoje vêm da cana, e que o Brasil e a Índia permanecem como os maiores produtores, com a Tailândia crescendo sua área cultivada em ritmo acelerado nos últimos anos. Mais de 1/3 da cana do mundo é produzida no Brasil, uma origem que hoje responde por 42,7% das exportações mundiais, com apenas 29,8% de sua cana dedicada à exportação de açúcar, o que significa que qualquer coisa que afete a proporção de cana consumida internamente tem um impacto am12 REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 O pliado sobre as exportações. Dado que metade ou mais de metade dependendo do ano, da cana é convertida em etanol, principalmente consumida internamente, a produção de açúcar e as exportações têm uma ligação direta com os fatores de influencia do mercado de etanol. É por isso que o Brasil se tornou um fundamento tão importante. Historicamente, no entanto, este aumento é um evento recente. Foi só em 1989 que as exportações de açúcar foram privatizadas no Brasil, e os volumes de exportação aumentaram de 1,5 milhão de toneladas nesse ano, para o recorde de 28,0 milhões de toneladas tel quel em 2010, volume que desde então caiu para 24,1 milhões de toneladas em 2014. O Brasil alcançou sua posição de destaque na produção e as exportações a partir do alto grau de sua diversificação para o etanol, que começou no final de 1970 como uma estratégia de governo desenvolvida para reduzir a dependência do país por importações de gasolina. Diversificação que permitiu que os açúcares contidos no melaço, geralmente vendidos a desconto sobre o açúcar, passassem a ser fixados a um preço mais próximo do equivalente em açúcar, apesar de ainda em níveis mais baixos durante a maior parte do tempo. Ironicamente, as importações de gasolina ainda são um dos problemas que afetam a economia brasileira hoje, apesar de registros significativos a favor do etanol desde então. O etanol permitiu que 2,41 bilhões de barris de gasolina fossem substituídos desde 1975, para um país com reservas de petróleo de 16,61 bilhões de barris, e um valor de gasolina substituí- do que varia de 185,4 a 381,3 bilhões de dólares, dependendo se o custo da dívida evitada é levado em consideração. Os instrumentos de intervenção que desencadearam esta diversificação foram eliminados em parte durante os anos 1980, e o resto deles durante a fase de desregulamentação de 10 anos entre 1989 e 1999. Em 2002, a percepção era de que a indústria tinha uma intervenção mínima do governo e era competitivo, com um custo de produção em equivalente de açúcar a granel de 5,5 centavos de dólar por libra-peso FOB, e um custo para o etanol ani- Foto: Ale Carolo / alecarolo.com

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Opinião dro de 68,1 centavos de dólar por galão ex-mill, o que significava que tinha uma competitividade robusta com gasolina. As perspectivas de expansão para o etanol no mercado de combustíveis pareciam limitadas apenas pela capacidade para abastecer os mercados interno e de exportação. A nova tecnologia dos carros flex-fuel, capazes de utilizar qualquer proporção de etanol hidratado ou gasolina com etanol, e a preferência dos consumidores altamente positiva em relação a esses veículos que, desde então, foram responsáveis por mais de 80% de todas as vendas de automóveis, trouxe a perspectiva de uma rápida expansão de mercado. Na verdade a aceitação do consumidor tem sido tão grande que, em dezembro de 2014, 67% da frota de veículos leves foi composta por carros flex. No Brasil toda a gasolina vendida no país é misturada com etanol anidro em um nível de mistura padrão de 25% em volume, o que poderá aumentar para 27% no futuro próximo. Uma grande onda de investimentos foi formada, e uma indústria que já era grande mais do que dobrou de tamanho em apenas nove anos. A moagem de cana passou de 293,05 milhões de toneladas em 2001/02, para 620,0 milhões de toneladas em 2010/11. Esta expansão só foi superada, tanto em termos relativos quanto absolutos, pela expansão do uso do milho para produção de etanol nos EUA, cujo volume aumentou 1,6 para 14 bilhões de galões, entre 2000 e 2014. Foi também em 2002 que o Brasil liderou um esforço juntamente com a Tailândia e a Austrália para desafiar os subsídios da União Europeia sobre suas exportações de açúcar na Organização Mundial do Comércio (OMC), a maior e de maior alcance em suas implicações disputa comercial já realiza14 REVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 da na Organização. Em 2002, a CE foi o segundo maior exportador de açúcar, com exportações de 7,5 milhões de toneladas por ano. O Órgão de Solução de Controvérsias da OMC determinou que a Comunidade Europeia revisse sua Política Comum para o Açúcar, o que levou a uma profunda reorganização do setor na Comunidade. Desde então, a partir da ação da Comissão Europeia, a indústria tem sido gradualmente desregulamentada, e o próximo passo neste processo vai acontecer em 2017, quando as quotas de produção de açúcar serão completamente abolidas. Devido à relevância do Brasil como exportador de açúcar no mundo, as alterações na taxa de câmbio entre o dólar e o Real têm desempenhado um papel relevante na determinação dos preços nominais do açúcar negociados no mercado mais líquido e transparente, o mercado de futuros de Nova Iorque. Desde 2000, esta taxa de câmbio passou 1,72 para 3,96, depois de volta para 1,53, e, mais recentemente, voltou a 2,85 reais por dólar. Desde 2009, a fortuna do Brasil no que tange a açúcar tem sido prejudicada por uma série de fatores, que tem influenciado o seu desempenho tanto como produtor quanto como exportador: a intervenção do governo no preço doméstico da gasolina, vendida a preços subsidiados aos consumidores durante a maior parte dos últimos seis anos (só recentemente este lag inverteu, e é motivo de incerteza a decisão sobre qual será o preço de referência da gasolina); condições climáticas adversas desde 2009 alternando chuva e seca excessiva, com a ocorrência de geadas e florescimento da cana; e o aumento dos custos de produção causados por serviços elevados de dívida gerados desde a crise financeira de 2008/09, juntamente com as consequências operacionais profundas da rápida mecanização da colheita e plantio. A mecanização intensa foi implementada para o cumprimento de crescentes restrições ambientais e também pela pressão de custos trabalhistas mais elevados. O motor que forneceu a maior parte do açúcar que cobriu a crescente demanda do mundo, de repente parou a expansão de sua capacidade de moagem. Será necessária uma mudança profunda de confiança para reverter a aversão atual por novos investimentos em expansão da capacidade de moagem, que não só deixou de se expandir, mas desde 2008 com a crise da indústria brasileira fechou 83 fábricas, na maior parte absorvidos ou consolidados pelas usinas mais próximas. A moagem de cana deve permanecer no curto prazo na faixa de 570 a 590 milhões de toneladas no Centro-Sul, e entre 57 e 60 milhões de toneladas no Norte-Nordeste. Apesar de esmagamento de cana ter estabilizado, e o fato de que pode até cair no médio prazo se a reestruturação da dívida não for possível ou bem-sucedida, mudanças na produção de açúcar ou nos níveis de produção de etanol ainda podem acontecer devido à grande flexibilidade da capacidade industrial. Estas mudanças podem acontecer em reação ao que temos denominado Preços de Equivalência, um estatística desenvolvida pela DATAGRO no início de 1999 para medir diáriamente os preços de açúcar, para uso doméstico e para exportação, bem como de etanol anidro e hidratado, em uma base comum de centavos de dólar por libra peso FOB Santos de açúcar bruto a granel equivalente. A flexibilidade industrial trazida da diversificação está permitindo que os produtores brasileiros reajam mais rapidamente às mudanças de preços do que os produtores de outras regiões. Ela explica o aumento na produção de açúcar de 33,0 milhões de toneladas tel quel em

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2009 para 38,00 milhões de toneladas tel quel em 2010, em resposta ao aumento dos preços naquele ano. E também a redução na produção de açúcar observada no período de 2012-2014, de 38,3 para 35,50 milhões de toneladas tel quel, em resposta aos preços menos atrativos. Alternativamente, tem causado grandes mudanças na produção de etanol, que atingiram recordes sucessivos em 2013 e 2014, e que devem se repetir novamente em 2015, apesar de todos os problemas e incertezas relacionadas à remuneração de etanol e gasolina. Desde 2012, a proporção de cana direcionada para açúcar caiu de 50,3% para 43,6% em 2014, e a de etanol subiu de 49,7% para 56,4%. Para 2015 (safra 15/16), a DATAGRO projeta mais uma nova safra orientada para o etanol, com cerca uma variação marginal de 0,8% da cana sendo direcionada para o etanol. Sem novos investimentos em moagem, os produtores brasileiros tem mantido foco em reduções de custos, uma vez que são atualmente quase três vezes superiores aos observados em 2002, e sobre a aplicação, sempre que possível de uma maior diversificação em direção à bioeletricidade, e a novos usos para bagaço e palha para o etanol de segunda geração e o biogás e biometano. Há uma clara tendência de aumento da produção de etanol a partir do milho em unidades anexas às instalações de processamento de cana, devido ao relativamente baixo preço do milho no interior, por conta do elevado custo de nossa deficiente logística. No norte do Mato Grosso e em Goiás, o milho tem um preço na faixa de 2,3 a 3,5 dólares por bushel, um preço convidativo para qualquer produtor de etanol bem estabelecido. O desafio para a indústria de açúcar e etanol do Brasil repousa na necessidade de uma regulação mais transparente de o mercado de combustíveis, e continuados esforços para reduzir custos e aumentar a produtividade. Movendo o foco para a Índia, observamos uma maior estabilidade desde 2008, apesar de o preço da cana regulado pelo governo permanecer desvinculado dos preços de mercado do açúcar. O governo da Índia está inclinado a renovar o subsídio à exportação de açúcar no nível de 4.000 rúpias por tonelada (equivalente a 65,5 dólares), com o objetivo de exportar até 1,4 milhão de toneladas em 2015, restringindo-o a usinas que produzam etanol, proporcionando assim um incentivo para a sua diversificação . A Índia tem uma capacidade de produção de açúcar instalada de 31 milhões de toneladas, e deve-se esperar que a produção atual de cerca de 26 milhões de toneladas valor branco (contra 24,27 milhões de toneladas na safra anterior) aumente gradualmente para o nível de 29 a 30 milhões de toneladas no médio prazo. Esse desempenho é esperado por conta do PIB da Índia continuar expandindo rapidamente (7,5% em 2014), e por conta do aumento de consumo de alimentos industrializados como resultado de uma renda mais elevada e melhor distribuída. Enquanto a Índia continua a ser o maior consumidor de açúcar do mundo, provavelmente irá manter sua posição como um fator de swing, alternando anos de superávit e déficit, dependendo do clima e da concorrência local com outras culturas alimentares. Na Tailândia, observamos também um caminho de expansão constante. Enquanto a atual safra está sendo afetada pela seca, as exportações podem chegar a um recorde de 8 milhões de toneladas em 2014/5, com estoques finais ainda mantendo um nível elevado de cerca de 8,05 milhões de toneladas. A área cultivada com cana pode crescer até 74% nos próximos três anos, de 1,48 para 2,57 milhões de hectares, a partir de um programa liderado pelo governo de conversão da área plantada de arroz para cana. Considerando a produtividade atual, a Tailândia poderá produzir entre 18 e 19 milhões de toneladas de açúcar em 2018. Com umo consumo interno de apenas 2,5 milhões de toneladas, a Tailândia surge como um forte exportador, com uma posição geográfica privilegiada próxima de crescentes mercados na Ásia. A Rússia, que já importou mais de 5 milhões de toneladas de açúcar por ano, em 2014/15 vai importar menos de 900 mil toneladas. A produção de beterraba da Rússia continua a expandir se beneficiando de tarifas de importação que variam de 171 a 240 dólares por tonelada, durante o ano. A união aduaneira criada na região tem reforçado os laços comerciais entre a Rússia e os países vizinhos, que também se beneficiaram de ganhos significativos de produtividade em beterraba. As tarifas, o comércio e os acordos de parceria económica (APE) também continuam desempenhando um papel importante na determinação comércios de fluxo e no desenvolvimento regional da indústria. Iniciativas para aumentar as tarifas de importação na Indonésia, o recente acordo comercial entre a Tailândia e Coréia, os APE entre a CE e países latino-americanos selecionados principalmente Colômbia e Peru, o fortalecimento da união aduaneira dos países da Europa Oriental liderados pela Rússia, e o recente acordo entre os EUA e o México, com concessões mútuas em sua integração de açúcar, são exemplos de como acordos tem desempenhado papel relevante na consolidação de mercados. Neste contexto geral, o mercado mundial continua sofrendo o impacto de elevados estoques. A safra comercial de 2014/15 (Outubro-Setembro) está indicando um déficit inferior ao inicialmente estimado, em função de produções aciREVISTA CANAMIX | MARÇO | 2015 15

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