Gazeta Valeparaibana

 

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Abril 2015

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Ano VIII - Edição 89 - Abril 2015 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê A Rejeição também passa BÔNUS: MÉRITO PARA UNS E DEMÉRITO PARA OUTROS. Secretaria de Educação de São Paulo anuncia bônus para 230 mil servidores, só que não! RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site VIVER COM UM SENTIDO DE RESPONSABILIDADE UNIVERSAL Mal entrei e já senti a aventura pela qual iria passar... Ao colocar o primeiro pé no degrau que, rapidamente, foi alcançado pelo outro que ficou no ar,num salto imperioso,as mãos amigas agarram -se nas argolas penduradas no alto de um deslizante “varão” me levando freneticamente pra frente e pra trás, impulsionando-me para todos os lados e pondo-me a prova do equilíbrio. Por: Genha Auga Leia mais: Página 2 O físico Brian Swimme (in: O universo é um dragão verde,p.9-11), de modo pertinente, indica algumas preocupações e rumos possíveis da ciência contemporânea, bem como, aponta a necessidade de defendermos um diálogo entre as ciências da natureza e a filosofia da natureza uma vez que ambas, dentro de suas áreas, procuram compreender o mundo em sua especificidade ontológica: A rejeição é achar que não posso ser aceito. Também é sentir-se desprezado, desvalorizado, achar que não somos bons o suficiente e que Todo ano, quando sai o resultado do IDESP (Índice de Desenvolvifizemos algo errado. mento da Educação do Estado de São Paulo), que visa parametrizar o Carlos Drummond de Andrade dizi- ensino em São Paulo, nos deparaa: "A dor é inevitável. O sofrimento mos com algo que nos parece, no é opcional". Será mesmo? Conse- primeiro olhar, justo e coerente... guimos não sofrer se assim decidirmos? Conseguimos “optar” estando Por: mergulhados na dor? Omar de Camargo e Ivan Claudio Por: Loryel Rocha Por: Mariene Hildebrando Guedes Leia mais: Página 6 Leia mais: Página 9 Leia mais: Página 11 Para muitos Escola de qualidade passa tão somente por uma comida segura no dia. Dia Nacional do Choro Qualidade, associada à educação, é entendida e trabalhada de muitas maneiras. A maior parte da população opina (muitas vezes induzida pelo governo, empresa privada ou por opiniões alheias) desconhecendo a abundante pesquisa e os acalorados debates sérios que acontecem há várias décadas na América Latina e no mundo. Leia: Página 3 O choro é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental, cuja origem remonta o século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira. Diz-se que o “pai do choro” foi Joaquim Callado Jr., um exímio flautista ... Leia: Página 4 Baseado nos estudos de Sigmund Freud Freud em 1915 registrou o ato falho como sendo uma manifestação do inconsciente sobre o consciente humano, em que as sucessivas tentativas para se realizar uma tarefa estava condicionada a uma incerteza da coordenação motora que orientava-se por uma via de expressão do pensamento na forma de uma falha de intelecção visualizada na recepção do estímulo humano adverso do sinal em que a intenção do emissor em transmitir o código era incapaz de refletir a decodificação da mensagem por parte do receptor quando este lançava sobre... A opção clara da política agrícola brasileira pelo agronegócio é a grande responsável pela situação. O agronegócio utiliza largas extensões de terras, os latifúndios, para plantar uma mesma espécie Convocamos toda a população a se engajar nesta luta, através dos comitês da campanha espalhados pelo Brasil. Ajude-nos na sua ESCOLA. Discuta com seus alunos! Leia: Página 8 Leia: Página 12 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Mal entrei e já senti a aventura pela qual iria passar... Ao colocar o primeiro pé no degrau que, rapidamente, foi alcançado pelo outro que ficou no ar,num salto imperioso,as mãos amigas agarram-se nas argolas penduradas no alto de um deslizante “varão” me levando freneticamente pra frente e pra trás, impulsionando-me para todos os lados e pondo -me a prova do equilíbrio. Mas, antes disso, cumpri a primeira etapa da tarefa e consegui passar pelo condutor que se alterna entre passar o cartão magnético dos que adentram a máquina com uma das mãos, atender o celular entre a cabeça e o pescoço e dirigir com a outra mão. Uau! Esse é “fera”. Próxima etapa: chegar até o assento o mais rápido que puder, sem cair, sem empurrar os demais e sem perder a respiração, manter a calma e passar por todas as fases dessa prova. Se der sorte, pego um assento baixo ou, com manobras radicais, subo mais um degrau sem bater o joelho e sem segurar na mão do adversário que está ao lado, até conseguir me sentar. Em alta velocidade num curto espaço, com boas freadas e passando por cima de vários obstáculos como lombadas, desvios de buracos e evitando sair da pista e sem atropelar quem está ao lado ou pela frente, o condutor faz de tudo para me derrubar e eu sigo firme e atenta. Detalhe: sem usar cinto de segurança. Próxima fase: levantar-me, passar para o final do corredor sem cair e, alcançar rapidamente, antes que passe do último momento que tenho para não perder o jogo, acionar o botão que me lançará pra fora resultando em êxito total no cumprimento de todas as etapas ou, serei levada para mais longe saindo do jogo, inconformada pelo meu desempenho e restando seguir a pé ou, reiniciar o jogo e alcançar o objetivo final por outra módica tarifa que será o preço da minha falta de destreza. Bem, faço esse jogo às vezes pela aventura e adrenalina que me é proporcionado nesta cidade moderna e uma das mais conceituadas pelo Brasil afora e,confesso que sinto inveja daqueles que podem usufruir disso todos os dias porque o jogo faz parte do cotidiano das pessoas daqui e está vinculado ao desempenho profissional que conta pontos no conceito de chegar pontualmente no trabalho e, sair a tempo da mesma forma para cumprir suas metas acadêmicas ou de casa onde seus familiares esperam e torcem pela sua chegada. Desde que o veículo não sofra nenhuma pane mecânica. Essa boa atividade que nos é oferecida quase que como uma ginástica diária, é um meio de transporte que temos e que se chama ônibus. Detalhe: você pode ganhar alguns bônus como: ser insultado, assaltado, incendiado e, ganha quem abandoná-lo o mais rápido possível, assim como se salta de um navio quando está afundando... Ah! Também conta pontos na performance no caso de: - Estar carregando objetos, sacolas, livros, etc. - Estar com criança no colo. - Ser mulher e estar grávida. - Ser idoso. - Ser idoso e usar bengala. - Ser deficiente. Que alegria! Acabei de receber a notícia de que houve uma atualização no jogo: De agora em diante, alcançará mais pontos quem estiver com seu animalzinho de estimação e equilibrar-se ou passar por quem os tiver também, ultrapassar o obstáculo sem esbarrar e sem “causar”... Quer um conselho? Seja um bom cidadão e deixe seu carro em casa e ande de ônibus. Divirta-se! Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 Cassiano Ricardo O tempo é efêmero, no momento em que se nasce, já se começa a morrer, ser é apenas uma face do não ser **** A esperança é também uma forma de continuo adiamento. **** O Relógio "Diante de coisa tão doida Conservemo-nos serenos Cada minuto da vida Nunca é mais, é sempre menos Ser é apenas uma face Do não ser, e não do ser Desde o instante em que se nasce Já se começa a morrer." **** Por que o raciocínio, os músculos, os... Por que o raciocínio, os músculos, os ossos? A automação, ócio dourado. O cérebro eletrônico, o músculo mecânico mais fáceis que um sorriso. Por que o coração? O de metal não tornará o homem mais cordial, dando-lhe um ritmo extra-corporal? Por que levantar o braço para colher o fruto? A máquina o fará por nós. Por que labutar no campo, na cidade? A máquina o fará por nós. Por que pensar, imaginar? A máquina o fará por nós. Por que fazer um poema? A máquina o fará por nós. Por que subir a escada de Jacó? A máquina o fará por nós. Ó máquina, orai por nós. Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Gazeta Valeparaibana Um MULTIPLICADOR do Projeto Social “ALeste” Uma OSCIP - Sem fins lucrativos CULTURAonline BRASIL Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Designe e artes gráficas: Rede Vale Comunicações - Fone: 0 xx 12 99703.0031

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 3 28 Abril - Dia da Educação Para muitos Escola de qualidade passa tão somente por uma comida segura no dia. Isso não é necessariamente assim. Existem muitas avaliações mal pensadas e mal feitas, cujos resultados não revelam nada de significativo e nem levam a reparos. A culpa sempre é colocada nos avaliados, nunca nos avaliadores. A avaliação distrai do importante: a aprendizagem. Ao tirar o prazer da leitura e do estudo, põe uma tensão enorme nos alunos, professores e escolas, fomenta a competição e o engano. Estudar para uma prova não é aprender. Também é difundida a ideia de que a educação pública é ruim e a privada boa. Há, no entanto, péssima educação privada (mesmo se é muito cara) e boa educação pública. Muitos – pobres e ricos – dizem que é boa a escola que oferece uma segunda língua prestigiosa. Ainda assim, o importante é que os alunos aprendam primeiro em sua própria língua. Isso é um direito e elemento essencial de uma educação de qualidade. 01 Abril - Aniversário do Golpe Militar - 1964 01 Abril - Dia da Mentira 01 Abril - Dia da Abolição da Escravidão dos Índios 02 Abril - Dia Internacional do Livro Infantojuvenil 05 Abril - Dia das Telecomunicações 07 Abril - Dia do Jornalismo 07 Abril - Dia Mundial da Saúde 08 Abril - Dia Mundial do Combate ao Câncer 09 Abril - Dia da Biblioteca 12 Abril - Guerrilha do Araguaia 13 Abril - Dia dos Jovens 13 Abril - Dia do Hino Nacional Brasileiro 14 Abril - Dia Pan-Americano 15 Abril - Dia da Conservação do Solo 15 Abril - Dia do Desarmamento Infantil 16 Abril - Dia Mundial da Voz 18 Abril - Dia do Amigo 18 Abril - Dia Nacional do Livro Infantil 18 Abril - Dia de Monteiro Lobato 19 Abril - Dia do Índio 19 Abril - Dia do Exército Brasileiro 21 Abril - Dia da Latinidade 21 Abril - Aniversário de Brasília 22 Abril - Dia Mundial da Terra 22 Abril - Descobrimento do Brasil 22 Abril - Dia da Comunidade Lusobrasileira 22 Abril - Dia do Planeta Terra 23 Abril - Dia Mundial do Escoteiro 23 Abril - Dia Nacional do Choro 24 Abril - Dia do Chimarrão 25 Abril - Dia Latino Americano da Mulher Negra 26 Abril - Dia da 1ª Missa no Brasil 28 Abril - Dia da Educação 28 Abril - Dia da Sogra 29 Abril - Dia Internacional da Dança 30 Abril - Dia do Ferroviário Calendário do mês Feriados, Datas Comemorativas ROSA MARIA TORRES Qualidade, associada à educação, é entendida e trabalhada de muitas maneiras. A maior parte da população opina (muitas vezes induzida pelo governo, empresa privada ou por opiniões alheias) desconhecendo a abundante pesquisa e os acalorados debates sérios que acontecem há várias décadas na América Latina e no mundo. Para os pobres, muitas vezes, a qualidade da escola passa simplesmente por uma comida segura por dia, Rosa Maria Torres é pedagoga, linguista, ativista soci- um professor ou uma professora que não falte, que al e assessora internacional em temas ligados à edu- não maltrate muito e que, oxalá, ao menos entenda a cação. Foi ministra da Educação e Culturas do Equa- língua dos alunos. dor. Costuma haver grande distância entre realidades e As famílias e os políticos tendem a se ater ao que es- percepções: na América Latina essa distância é enortá logo à vista: a infraestrutura. Assumem – equivoca- me. Há excessiva satisfação com uma educação de damente – que se o prédio é moderno, a educação no má qualidade e baixos resultados de aprendizagem. seu interior é boa. E, ao contrário: se o lugar é precá- Quanto menor o nível educacional, mais satisfeitas e rio ou a educação se faz ao ar livre, presumem – erro- mais conformadas as pessoas estarão com o sistema escolar. Por isso, não cabe confiar na opinião como neamente – que a educação é má. critério para identificar a qualidade da educação. Ultimamente, as tecnologias são cobiçadas: ter computadores e internet na escola é sinônimo de moderni- Muitos poucos se preocupam e se ocupam do mais dade (ainda que usem pouco ou mal) e de emprego importante que é como se ensina; o que e como se no futuro. Não obstante, se pode fazer uma educação aprende; o que, como e para que se avalia. péssima em meio aos aparatos eletrônicos e uma e- O afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de ducação excelente sem cabos, mais próxima das pes- aprender e a ausência de medo são ingredientes insoas e da natureza. dispensáveis para uma educação de qualidade em A Finlândia é um exemplo de um modelo escolar com qualquer idade. um perfil tecnológico baixo. A avaliação está na moda. Muitos creem que quanto mais avaliação – de alunos, docentes, estabelecimentos etc. – melhor. Avançar na direção de uma educação de qualidade implica, justamente, que a cidadania se informe melhor a fim de saber por que e como reivindicá-la. Em São Paulo antes, no Paraná... Os professores pedem um aumento de 75,33%, percentual necessário para equiparar a margem salarial da categoria com a de outras profissões com nível superior e mesma jornada de 20 horas semanais. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 4 23 Abril - Dia Nacional do Choro O choro é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental, cuja origem remonta o século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira. em Sol Maior e a parte C estará em Dó menor. Se a primeira parte estiver em Lá menor, a segunda estará em Mi maior e a terceira em Lá maior. Isso não significa no entanto que todo e qualquer chorinho seja assim. Há muitas variações, inclusive chorinhos com letra e chorinhoscanção. O exemplo de “Odeon” é uma prova de que um chorinho instrumental pode perfeitamente ser cantado. Ao lado podemos ver a capa do primeiro livro dedicado ao choro. O autor, Alexandre Gonçalves Pinto, conhecido como “Animal”, provavelmente viveu entre 1870 e 1940. Era carteiro e músico amador (tocava violão e cavaquinho). O nome do Animal ficou imortalizado por conta do livro que ele publicou em 1936: “O Choro - reminiscências dos chorões antigos”. NarraDiz-se que o “pai do em primeira pessoa, é um livro de memórias, que fala sobre as do choro” foi Joa- pessoas, as festas, e os costumes que Alexandre vivenciou nos seus quim Callado Jr., muitos anos de Choro. um exímio flautista mulato que organizou, na década de 1870, um O conjunto “regional” e os instrumentos do choro grupo de músicos com o nome de “Choro do Callado”. Os conjuntos regionais são compostos por instrumentos musicais de Os historiadores concordam, em geral, que o chorinho brasileiro é um sopro, cordas e percussão. Geralmente um ou mais instrumentos de estilo peculiar de interpretar diversos gêneros musicais. No século solo, como flauta, bandolim, cavaquinho ou ainda clarinete e saxofoXIX, muitos gêneros europeus como a polca, a valsa, o schottisches, ne, executam a melodia, enquanto o cavaquinho faz o papel de cena quadrilha, entre outros, eram tocados pelos chorões de maneira ori- tralizador de ritmo e um ou mais violões e violão de 7 cordas improviginal. Desse estilo de tocar consolidou-se o “gênero” do choro. sam modulações como acompanhamentos, harmonizando e formanQue tal conhecer um famoso chorinho composto por um dos mais im- do a base do conjunto com a chamada “baixaria” de sons graves. Além desses, há os instrumentos de percussão como o pandeiro. O piportantes músicos brasileiros de todos os tempos? ano e o trombone eventualmente fazem parte dos regionais. Os choA história do choro desde Callado rões são versáteis e revezam-se no solo com facilidade. Podemos dizer que a história do Choro começa em 1808, ano em que Chorões importantes do passado e do presente a Família Real portuguesa chegou ao Brasil. Depois de ser promulgada capital do `Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves´, o Rio de São inúmeros os compositores e intérpretes do choro. Alguns entreJaneiro passou por uma reforma urbana e cultural, quando foram cria- tanto merecem destaque. Os chorões do passado que estão presendos muitos cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instru- tes em nossa memória, por nos legarem uma obra maravilhosa são: mentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, saxofone, Joaquim Callado bandolim e cavaquinho e também músicas de dança de salão européias, como a valsa, quadrilha, mazurca, modinha, minueto, xote e, Anacleto de Medeiros principalmente, a polca, que viraram moda nos bailes daquela época. Ernesto Nazareth A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, podem ser considerados uma “receita” para o surgimento do Choro, já que possibilitou a emergência de uma nova classe social nos subúrbios do Rio de Janeiro, a classe média, composta por funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes, geralmente de origem negra. Origem do termo “Choro” Patápio Silva João Pernambuco Pixinguinha Luís Americano Villa-Lobos Radamés Gnattali Existe controvérsia entre os pesquisadores sobre a origem da palavra Waldir Azevedo “choro”, porém essa palavra pode significar várias coisas. Jacob do Bandolim Choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas es- Principais grupos de choro de ontem e de hoje trangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Daí o termo Choro. O próprio O Choro de Calado (aproximadamente 1870) conjunto de choro passou a ser denominado como tal, por exemplo, Oito Batutas (1919) “Choro do Calado”. Regional de Benedito Lacerda (1934) O termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia Regional do Canhoto (1951) os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, Época de Ouro (1964) na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”. Galo Preto (1975) Outros defendem, ainda, que a origem do termo é devido à sensação Os Carioquinhas (1977) de melancolia transmitida pelas “baixarias” do violão. Nó em Pingo D’Água (1979) A forma do chorinho clássico Camerata Carioca (1979) O choro “clássico” possui 3 partes, organizada em forma de rondó, geralmente seguindo o padrão de repetições AABACCA . A primeira parte A está na tônica, a segunda, B, no tom da dominante (ou no tom Fonte: http://www.musicabrasilis.org.br relativo, se a tônica for um tom menor) e C no tom homônimo. Exemplos: se a primeira parte estiver em Dó Maior, a segunda estará www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 5 01 Abril - Aniversário do Golpe Militar - 1964 das, um bar que existe até hoje na entrada da Cidade aconteceu neste meio tempo: somos de uma geração que dedicou boa parte de suas vidas à luta coletiva, Universitária. Já trabalhava na época como estagiário do Estadão, o queríamos mudar o país e o mundo, e fomos vitoriosos principal jornal brasileiro naquele tempo, onde tinha ao ajudar a derrotar a ditadura e a dar início a um proentrado no mesmo mês em que passei no vestibular. cesso de distribuição de renda, que tornou nosso país Como viajava muito para fazer reportagens, comecei a mais livre e menos injusto. frequentar cada vez menos a faculdade, que não con- Hoje, noto um comportamento mais egoísta, em que os jovens estão preocupados com a carreira e a próprio segui terminar até hoje. Agora, ao entrar na sala, onde os alunos do professor sobrevivência, na base do cada um por si e Deus por Santoro já nos aguardavam, tive uma sensação estra- todos. Em algum ponto, nós falhamos. Não conseguinha. Todos em silêncio, comportadamente sentados, mos repassar para as novas gerações valores como pareciam esperar o início de uma missa. Do lado de a solidariedade, a ousadia, o inconformismo, a capacifora, nenhum sinal ou som fazia lembrar a escola onde dade de sonhar e mudar o estabelecido para a construestudei quase meio século atrás. A ECA-USP velha de ção de uma sociedade mais generosa. Desapareceu do guerra, um dos principais focos dos confrontos dos a- mapa uma palavra chamada idealismo (não confundir com ideologia). nos 60, lembrava a sede de uma repartição pública. Imaginava encontrar um clima bem diferente após as Pior do que isso: não fomos capazes de criar novas manifestações do Fla-Flu político dos últimos dias. Nos lideranças nem deixamos herdeiros políticos, tanto que debates de que participei quando era aluno, os pales- o país continua dividido entre FHC e Lula, trinta anos trantes passavam o maior sufoco. Eram contestados a após a redemocratização do país, nem de manter vivo todo momento. Desta vez, porém, depois de uma hora o espírito que mobilizou os movimentos sociais em torde conversa, me dei conta de que só Heródoto e eu no das lutas pela anistia, pela Constituinte, pelas liberfalamos, sem ninguém nos interromper para discordar dades públicas. Ou alguém sabe quem são esses de nada. Até comentei isso para dar uma provocada "líderes" cevados nas redes sociais que apareceram na turma, que ficou só olhando para a minha cara como nas manifestações de março? De onde surgiram, quais são suas histórias, que representatividade têm, quais se eu fosse um extraterrestre. são seus projetos de país? É um mistério. Com o entusiasmo de sempre, Heródoto falava das maravilhas das novas tecnologias e eu da minha paixão Somos ao mesmo tempo vitoriosos e derrotados. Gapela reportagem, relembramos fatos históricos, arrisca- nhamos nas lutas do passado, mas fomos derrotados mos previsões sobre o futuro da profissão. Quando na construção do futuro. Por isso, chegamos ao final de chegou a vez das perguntas, ninguém tocou nas pro- um ciclo político, com a falência do chamado presidenfundas crises que o país está vivendo em todas as á- cialismo de coalizão da Nova República, esta zorra fereas. Na verdade, nem eram perguntas, mas apenas deral instalada em Brasília e tão distante do Brasil recomentários sobre teorias da comunicação e mercado al, colocando em xeque o futuro da própria democracia de trabalho, algo bem limitado ao que costumam discu- representativa pela qual tanto lutamos. tir em sala de aula. É como se não estivessem preocu- Nas voltas que a vida dá, nos livramos do jugo dos milipados com o que acontece fora das fronteiras da uni- tares e caímos nas mãos do PMDB dos Renan Calheiversidade. ros e Eduardo Cunha. Está na hora de começarmos À noite, na TV, quando comentamos nosso encontro na tudo de novo. ECA, me dei conta de uma diferença fundamental que Vida que segue. Geração 68, de vitoriosa a derrotada POR: Ricardo Kotscho Faço parte da geração 68, como ficou conhecida a dos estudantes libertários que viraram o Brasil e o mundo de cabeça para o ar naquele ano do século passado, contestando todas as hierarquias e estruturas de poder, sem ter ideia de onde pretendiam chegar. Sabiam o que não queriam mais, mas não se entendiam sobre o que exatamente sonhavam colocar no lugar. Pintava de tudo naqueles movimentos estudantis, das barricadas de Paris às grandes passeatas no Rio _ comunistas, trotskistas, anarquistas, hippies do paz e amor, guerrilheiros urbanos, porra-loucas e insatisfeitos em geral. Tinha acabado de entrar na faculdade, na primeira turma da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, criada um ano antes. Voltei lá esta semana para participar de um debate junto com Heródoto Barbeiro, meu colega no Jornal da Record News, que comemorou na segunda-feira sua milésima edição no ar. Para mim, foi um verdadeiro choque cultural. Nada mais restava daquele agito permanente em que os alunos ficavam mais fora do que dentro das salas de aula, pintando cartazes e faixas, fazendo discursos inflamados contra o reitor, a polícia, os americanos, a ditadura militar, o diabo a quatro. Confesso que não tinha na época a menor consciência política e gostava mesmo era da farra, das festas, das paqueras, das intermináveis conversas no Rei das Bati- SOBRE DEMOCRACIA REPRESENTATIVA Democracia representativa é o exercício do poder político pela população eleitora não diretamente, mas através de seus representantes, por si designados, com mandato para atuar em seu nome e por sua autoridade, isto é, legitimados pela soberania popular. VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL! Na cidade, a pressão da opinião pública é capaz de fazer o que a lei não consegue Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 6 18 Abril - Dia do Amigo A Rejeição também passa rejeição nos causa além de dor, medo! Medo que é anterior ao ato da rejeição em si. Mas que fica ali povoando nossos pensamentos. A rejeição é achar que não posso ser aceito. Também é Medo de sermos humilhados, abandonados, rejeitados sentir-se desprezado, desvalorizado, achar que não sonuma vaga de emprego? mos bons o suficiente e que fizemos algo errado. Não ser aceito no time da escola, no trabalho em grupo, Carlos Drummond de Andrade dizia: "A dor é inevitável. medo de ser rejeitado por não corresponder as caracteO sofrimento é opcional". Será mesmo? Conseguimos rísticas físicas que são consideradas pela sociedade conão sofrer se assim decidirmos? Conseguimos “optar” mo ideal. Enfim arrumamos desculpas para a rejeição, estando mergulhados na dor? achamos que tudo é pessoal. A rejeição também tem Vou falar de um assunto que já ocorreu com a maioria de conexão com o preconceito. Nosso e dos outros. Por prenós, uma ou várias vezes na vida. Sempre que acontece conceito, rejeitamos. E nem nos damos conta de que é achamos que vamos tirar de letra, afinal já passamos por preconceito. Deixamos de fazer inúmeras coisas por meisso antes e deveríamos saber lidar com essa situação. do da rejeição. Nem tentamos, o medo nos impede. E Mas a verdade nua e crua é: não sabemos. Quando so- quando a rejeição de fato acontece nos sentimos os piomos rejeitados por amor, sentimos uma dor imensa, mas res seres do mundo. Depois desse sentimento de dor, dói tanto, mas tanto, que achamos que nunca mais va- passamos para a raiva, é uma maneira de nos defendermos parar de sofrer. Ocorre uma revolução dentro da mos contra aquilo que está nos causando dor e frustragente. Nossas emoções, nossa autoestima ( nosso ego), ção. ficam tão machucados que não raro entramos em uma Mudar. Precisamos mudar atitudes e pensamentos. Cada tristeza profunda que acaba nos levando a depressão. um tem o seu tempo para lidar com a dor da rejeição, A dor de uma separação que não foi querida por nós, nos para juntar os caquinhos. Mesmo achando que ela nunca faz questionar o que fizemos para merecer isso, onde foi vai passar, quando você menos espera se dá conta que já não está doendo tanto. Quando foi mesmo que isso que erramos? começou a acontecer? Não importa,o tempo realmente Achamos que a culpa é nossa, que temos algum proble- cura tudo, ou quase, bem... Se não cura, ameniza. E voma. Se somos trocados por outra(o) então? cê começa a sorrir aos poucos, a ver a alegria voltando, Nossa, daí a paranoia é maior. O que o outro(a) tem que os sonhos se instalando de novo, a solidão das noites longas e insones, quando eras visitado pelo medo... dimieu não tenho?. nuindo aos poucos. Carlos Drummond de Andrade dizia: "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional". Será isso verdade? Como O medo não vai embora de vez. Ele está sempre por ali. fazemos para não sofrer se sentimos dor? Conseguimos É esquecido quando estamos felizes, nos sentindo amados, mas no fundo persiste aquela ideia de “ isso pode “optar” estando mergulhados nela até a alma? acabar” e como vai ser? Passar por todo o sofrimento de A verdade é que as vezes saberemos porque fomos novo? Como diz Rubem Alves: “Nós temos uma capaci“rejeitados”, mas na maioria das vezes não. É algo dolori- dade quase infinita de suportar a dor, desde que haja do, sofrido, não é bom, mas faz parte da vida. E não so- esperança. Se diz que a esperança é a última que morfremos rejeição apenas nos relacionamentos, em outras re.” áreas da vida ela está presente também. O grau de intensidade da dor vai ser relativo ao que ela representa para E ela que nos move, a esperança. Não nos deixa esmonós. É sempre um baque no nosso ego, que fica ferido e recer, nos dá ânimo para recomeçar. Quando falamos de custa a se recuperar. Nos sentimos fragilizados, tenta- amor, da dor da rejeição, de um amor que acabou quanmos reverter a situação, alguns se humilham, expondo do não queríamos que acabasse, só conseguimos seguir sua autoestima em baixa perante o outro, o que com cer- adiante quando acreditamos que um novo amor vai surteza acaba nos desvalorizando aos olhos daquele que gir. Acredito que podemos e devemos tentar ser feliz sem depender do amor de outra pessoa para isso. Mas nem não nos quer mais em sua vida. todos conseguem. Alguns só são feliz asA maioria das vezes a pessoa que rejeita, está rejeitando sim,compartilhando a vida, amando e sendo amado. uma situação e não a pessoa em si. Ninguém conhece ninguém, mesmo estando anos ao lado da pessoa. Então Temos em primeiro lugar que nos amarmos. Depois tecomo posso rejeitar alguém que nunca saberei direito mos que entender que sermos rejeitados por alguém não como é?. Mostramos aquilo que queremos aos outros. tem a ver com a nossa maneira de ser, ou com algo que Não quer dizer que estamos mentindo ou enganando, fizemos e sim com um processo que não é nosso, é do mas não somos os mesmos sempre. Mudamos nosso outro. Tem a ver com amadurecimento de cada um, com comportamento frente a situações e pessoas. Não somos o tempo de cada um. Se conseguir entender isso, vou sempre iguais. Um fato que ajuda a passar por esse mo- querer sempre o bem do outro. Ora, se eu me amo, vou mento é descobrir porque fomos rejeitados, o que aconte- querer alguém que me ame também. Que esteja em since com o outro. A partir daí fica mais fácil elaborar o que tonia comigo. está acontecendo, mas nem sempre isso é possível. Respeitar o processo que cada um vivência, e entender A terapeuta de casais Marina Vasconcellos diz que: “O ser humano tem necessidade de ser aprovado de ser aceito”. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito, fica um vazio. A sensação é profunda: “Dói no peito, parece que estão enfiando uma faca”. que as vezes não existe mais lugar para a gente na vida do outro. São aprendizados que ocorrem ao longo da vida, e que nos fazem amadurecer. Como dizia Vinícius de Moraes...” a maior solidão é a do ser que não ama”. Então não vamos deixar de amar por medo da rejeição! “O trabalho dignifica e enobrece o homem”, diz um velho ditado que logicamente foi criado por quem não trabalhava, mas certamente por um explorador do trabalho alheio que queria convencer esse alheio que ele estava fazendo o melhor. Mas alguns que trabalham à revelia (como eu), só por necessidade, não porque gostam ou porque acreditam em frases edificantes sobre o trabalho, logo adaptaram o ditado: “O trabalho empobrece e danifica o homem”. Os que ganham enquanto os outros trabalham procuram nos convencer também que estamos todos juntos, “na mesma canoa”. Para esses, fiz uma imitação de haicai: Na mesma canoa Uns remam Outros ficam à toa O certo é que sempre se fala do trabalho como algo realizador, divino até. Todas as riquezas são criadas pelo trabalho. Concordo. Pena que essas riquezas não fiquem com quem as criou, os que fizeram o trabalho. Fiz uma seleção de ditados e de frases ditas por celebridades (ou não), sobre riqueza, ricos, bancos, dinheiro… e muito pouco sobre trabalho e trabalhador, porque, se há muito cinismo em ditos sobre o dinheiro e seus donos, há um cinismo que acho mais perverso nas frases pronunciadas em tom elogioso sobre o trabalho. É um cinismo diferente, que acho inútil reproduzir aqui. Mas antes desses ditados e dessas frases, começo por coisas da minha própria lavra, ditos meus, em forma de frases ou de haicais meio tronchos sobre dinheiro, trabalho e coisas afins (mas não semelhantes). Vamos lá *** O QUE EU DISSE: O inferno é aqui na terra mesmo, mas só para os pobres. Para os ricos, aqui é um céu. *** Em terra de endividados, quem tem um banco é rei. *** Banqueiro dos bons Não morre de amores Por ladrões amadores *** Há situações em que rico é que não vai pra frente. Na guerra, por exemplo. *** Mariene Hildebrando Estudos recentes feitos nos Estados Unidos dizem que a Email: marihfreitas@hotmail.com dor da rejeição é a mesma da dor física. Fato é que a Tá certo que o dinheiro não traz felicidade. Mas e a miséria, traz? www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 7 09 Abril - Dia da Biblioteca PROCRASTINAÇÃO Preguiça, cansaço ou falta de tempo? O que é procrastinação afinal... Atualmente, ouvimos muito as pessoas reclamarem que o tempo parece que “voa” e não conseguem realizar seus intentos e cumprirem suas obrigações e, a maioria, realiza tudo que precisa na última hora e em cima do prazo. Será realmente falta de tempo ou estamos acostumados a adiar as obrigações por não haver consequências maiores. Afinal, vivemos em um país onde culturalmente é normal a impontualidade e entregar com atraso as obrigações financeiras, de trabalho, de escola. Sem punição, ou maiores consequências, isso nos leva à procrastinação e adiamentos. Portanto, a falta de repreensão, fez o brasileiro ter um estilo diferente de outros países onde o comprometimento com a pontualidade dos prazos é relevante para seu status e progresso. No entanto, analisando por outro ponto de vista que não apenas a procrastinação meramente por hábito e certeza da impunidade, algumas pessoas sentem-se bem avaliadas no seu modus operandi quando dizem que estão acostumadas a agir sob pressão. Outrasse sentem mais capazes por conseguirem executar tarefas no último momento e deixar à mercê da ansiedade aquele que sofre como refém no aguardo do seu trabalho para obter resultados. Há os perfeccionistas que exigem tanto de si e reveem suas tarefas até o último momento e não entregam enquanto não atingirem o máximo da perfeição por medo do fracasso, embora, nem sempre esse máximo será exatamente o melhor esperado e podendo até causar frustrações. Muitas vezes, a entrega com antecedência, possibilita ajustes, se necessário, e a tempo. O contrário também causa esse adiamento, pois o medo do sucesso pode gerar pensamentos de que se entregarem no prazo e se saírem muito bem, sempre será esperado isso desses indivíduos. Vem então, a ideia de que o sucesso lhes será cobrado pelo êxito obtido e surge o medo de sempre ter que ser assim. Muitos são os motivos e justificativas, mas, a verdade é que além da falta de repreensão, do medo, do estilo ou do desafio, a procrastinação pode impactar negativamente na vida profissional e social de cada um e, muitas vezes o bem estar e a certeza de ter cumprido o que foi tratado, pode gerar menos ansiedade, menos austeridade e maiores recompensas nos relacionamentos. Pensem nisso! GenhaAuga jornalista – MTB: 15.320 Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Que esconde em seu âmago que o faz calar!!! Há dentro de nós, Profundos segredos, – fantasias e pecados – Deliciosos, horrorosos, inconfessáveis... Que faz com eles? Jamais me contarás. Nem eu a ti! Cada um tem dentro da alma irrevelados Desejos proibidos que moram no ser de cada um, Ah! Se pudéssemos falar... Quem seríamos? Quem sabe... O homem que mostra do seu intimo o pior, Que revela seu lado mau, E que não mostra seu outro lado. Esconde por medo, Ou é tolhido de usar... Pois seu lado bom, ah! Esse tem que guardar Pois na face da terra, Cada um tem seu lugar. Já está escrito. Ou escolhemos o lado que queremos usar?

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 8 07 Abril - Dia Mundial da Saúde Ser psiquiatra em sua visão holística era mais do que simplesmente observar o indivíduo que supostamente estivesse enfermo. Era necessário bem mais. E para isto o psicanalista deveria se colocar no lugar do paciente para dele extrair seus estados puros de afetação que o condicionava a ter comportamentos Baseado nos estudos de Sigmund Freud considerados distantes de um padrão social Conferências Introdutórias sobre Psicanálise que pudesse ser observado dentro de uma (Parte I – 1915) sociedade. Freud em 1915 registrou o ato falho como Então as Parapraxias, ou atos falhos, soavam sendo uma manifestação do inconsciente socomo uma informação relevante, que permitia bre o consciente humano, em que as sucessiao psicanalista mergulhar dentro da demência vas tentativas para se realizar uma tarefa ese loucura do seu paciente e assim compreentava condicionada a uma incerteza da coordeder profundamente o que ele estava sentindo nação motora que orientava-se por uma via dentro do seu mundo perceptivo imaginário. de expressão do pensamento na forma de uma falha de intelecção visualizada na recep- Se o princípio para que a demência fosse insção do estímulo humano adverso do sinal em talada dentro do indivíduo estivesse devidaque a intenção do emissor em transmitir o có- mente mapeada seria possível controlar os digo era incapaz de refletir a decodificação da movimentos parapraxiais em que tais atos famensagem por parte do receptor quando este lhos poderiam ser contornados e equilibrados lançava sobre o ambiente a repercussão do com as inflexões de pensamento que não levassem os indivíduos sãos a manifestarem sinal que fora capaz de absorver. estados alterados de consciência psíquica. Este sentido pessoal em que os engramas, ou seja, unidades biológicas de informação mne- Assim, se o distúrbio era medido a partir da mônica carregavam os conceitos, era motivo intensificação de uma confusão psicológica, de muito entusiasmo por parte do pesquisador então compreender as falhas que tivessem Freud. Porque a crença pessoal do pai da psi- sobressaindo particularmente em um indivícanálise era que se os seres humanos apro- duo reduziria o risco de afetação do pensafundassem seus estudos sobre a particulari- mento que levaria em médio e longo prazo dade da transmissão do sinal e fosse possível uma pessoa a manifestar uma demência. Parapraxias: atos falhos ra entrar na percepção do seu paciente com o nítido objetivo de mapear as causas onde o problema tinha sua origem. Queria o estudioso que o tratamento fosse capaz de ativar o consciente do indivíduo corrigindo os signos que formam captados de forma análoga ao objetivo real de um ato de comunicação entre indivíduos. Para ele a parapraxia induzia muitos indivíduos ao raciocínio afetado, uma vez que a manifestação da demência buscava similaridade dentro de um rol de signos que ao serem transmitidos possuíam uma identificação muito próxima aos signos correlatos e a outros que tivessem estruturas se significado antagônico. Queria dizer em seus estudos que a identificação passiva do indivíduo muito próxima da estrutura de sua linguagem era capaz de gerar fortes desvios de entendimento quando um indivíduo passasse a canalizar de forma estruturada, através da rotinização de processos, no uso da memória procedural, sequências de intelecção falhas que se vinculavam despercebidas ao olhar de quem as gerou. Assim, à medida que se avolumavam parapraxias o indivíduo tenderia de forma natural a sobressair o seu campo hipotético da pura abstração extraída do ambiente externo a seu corpo biológico. Então olhando dentro de uma visão integrada com a neurociência é possível chegar a conclusão que indivíduos possam ser orientados para perceber estes traços de intelecção do entendimento do sistema de códigos e signos cujos estímulos percebidos do ambiente geram os conceitos que os tornam ativos quando a consciência é acionada reduzindo a chance do ato falho (parapraxia) desencadear uma demência na psique de um indivíduo. por meio de uma profunda absorção do pensamento delirante, compreender de fato como um paciente se sentia e era capaz de interpretar o mundo a sua volta estando em um profundo estágio de interiorização característica de uma demência que necessitasse de tratamento, dentro dos padrões da época. Então Freud convidava médicos a não simplesmente interpretarem seus pacientes conforme a codificação que foi condicionada a gestar num consultório. Como um processo simples de uma pura intelecção que o profissional era capaz de extrair de seu paciente em uma consulta ambulatorial. Então o pai da Psicanálise estudou largamente como as pessoas se comportavam a ouvir mensagens, a esquecerem de informações antes assimiladas, a forma que percebiam o mundo a sua volta ... Foi fixando na forma em que o erro da percepção em relação ao emissor iria surgindo falhas sobre os conceitos universais instalados dentro da mente dos indivíduos para chegar à conclusão brilhante sobre o mundo das causas que levavam uma pessoa sadia a assumir para si um estado de lou- Max Diniz Cruzeiro cura. Neurocientista Clínico Freud ousou em sair da observação simples e Psicopedagogo Clínico e Empresarial pura como um médico em um consultório, pa- lenderbook@gmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 9 13 Abril - Dia dos Jovens BÔNUS: MÉRITO PARA UNS E DEMÉRITO PARA OUTROS. Secretaria de Educação de São Paulo anuncia bônus para 230 mil servidores, só que não! mente e temos ciência de que tais critérios aqui o alto nível de pressão de accountability (algo selevantados, realmente não fazem parte desta mo- melhante à transparência) enfrentado pelas escolas levaram ao encerramento do programa e mesdalidade de avaliação do IDESP. mo assim, com resultados insípidos, no país de Estamos cogitamos enfim é que, de alguma forma, origem, o governo estadual de São Paulo resolveu a política de bônus é altamente prejudicial quando aplicar a mesma sistemática. se avalia um grupo (escola) justamente por conta das diversas variáveis que se fazem presente na A verdade é que desde 2008 esse projeto é natidinâmica de uma escola. Vale lembrar que nem morto. Só nossos governantes não viram ainda e todos os professores, diretores, coordenadores, tentam de alguma maneira, no mínimo, torna-lo um funcionários e alunos estão lá com o objetivo de zumbi ou algo que justifique tanto dinheiro sendo ensinar-aprender e trabalhar com seriedade. Cogi- desperdiçado e que poderia muito bem reverter tamos que todas as individualidades do profissio- sob forma de valorização permanente do profissional pudessem ser levadas em consideração para nal. Via de regra, apoiamos o fim desta política de contar pontos e acabar realmente premiando o es- “bônus” em troca de uma política de valorização do forço do profissional (ainda que, no limite, continu- magistério a partir de evoluções funcionais pela amos contra essa política de meritocracia na edu- produtividade dos seus funcionários. cação). O professor tem que ser valorizado e entendido, Entendemos que tais peculiaridades poderiam ser- como realmente ele é. Um corpo docente, uma vir como uma maneira de incentivar o engajamento categoria única de profissionais, que mesmo gado trabalho docente, já que o sentido do bônus, nhando insuficiente percorre, muitas vezes, quilôdado pelo governo, é este. Afirmamos isso porque metros até chegar ao destino. Destino esse, que sentimos que, da maneira que está sendo compu- são salas de aula precariamente montadas, muitas tado e aplicado, o bônus quando não é pago para vezes sem sequer com giz ou mesmo uma simples aqueles que se esforçaram, mas não conseguiram, lousa decente, onde muitas vezes se alimenta junage como se fosse um banho de água fria, geran- to aos seus alunos, pois não tem dinheiro para voldo o desânimo em vários professores chegando ao tar para sua casa e fazer o seu almoço ou seu janponto de desistir de tentar, para o próximo ano, tar. São esses profissionais, que se emocionam atingir tais metas. quando vêm seus alunos passarem num exame de vestibular, ou conseguirem um bom emprego às Em outros dois momentos discutimos a questão da duras penas. São esses profissionais que os gomeritocracia a partir do bônus. Nos artigos vernos que se revezam ou se perpetuam no poder, “SARESP, indicador de qualidade ou paranoia pe- através dessa política de bônus, rotulam de desdagógica” publicado na Gazeta Valeparaibana de preparados, quando não de incompetentes. Mas, novembro/2012 e, “SARESP, indicador de qualida- nos parece que a incompetência é daqueles que de ou paranoia pedagógica parte II” publicado no insistem em usar um modelo falido, morto no prómesmo jornal em março/2013, iniciamos a discus- prio berço. são abordando o quanto tal política publica pode ser prejudicial em torno do processo pedagógico. Recomendamos a leitura destes dois textos, caso Omar de Camargo você ainda não os conheçam. Técnico Químico Colocamos essas preocupações do ponto de vista do professor, mas temos também que levar em conta que o aproveitamento dos alunos não depende única e exclusivamente do esforço do professor. Um dos pontos que podemos apresentar, neste momento, é sobre a concepção de que muitos alunos não são estudantes, como diria nosso saudoso professor Pierluig Piazzi. Muitos são apenas alunos, estão lá para assistir aulas, mas não para estudar. Não se esforçam para melhorar e em alguns casos os pais até corroboram essa atitude irresponsável inquirindo o professor porque passou dever para casa sendo que eles (pais) não têm tempo para ajudar o aluno. Temos então, uma situação extremamente ingrata e até mesmo vexatória para aqueles profissionais que tentaram, mas não conseguiram. Onde está o fiel dessa balança? No ano de 2015 o governo de São Paulo destinou R$ 1 bilhão para ser distribuído a título de bônus. Porém, apenas para cerca de 19,8 mil servidores, num universo de 232 mil, serão contemplados com bônus, ou seja, apenas 8,5% dos servidores. Será que a rede é tão incompetente assim? Segundo a concepção de meritocracia, esses 8,5% podem ser classificados como competentes. Os demais, 92,5 % serão taxados de incompetentes? Não nos parece verdade e tampouco justo. Em 2007-2008 a cidade de Nova York (Estados Unidos da América) implantou e manteve durante três anos, um programa de bônus para os professores visando à melhoria da qualidade do ensino. Para a surpresa dos pesquisadores isso não foi o suficiente para mudar a situação. As condições necessárias para motivar os professores, tais como compreensão, critérios para cálculo do bônus e Todo ano, quando sai o resultado do IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), que visa parametrizar o ensino em São Paulo, nos deparamos com algo que nos parece, no primeiro olhar, justo e coerente, afinal, é justo que as escolas que atingem suas metas recebam bônus pelo belo trabalho docente realizado no decorrer do ano anterior. Entretanto, fazendo uma análise fria e tendo em mente que sempre, assim como uma moeda, tem dois lados, verificamos que no caso do bônus, instituído pela Lei complementar nº 1078 de 17/12/2008 pelo exgovernador José Serra, temos duas óticas. Uma visão do lado daqueles que se julgam merecedores de tal bônus e outra que é do lado daqueles que não conseguiram. Do lado daqueles que conseguiram alcançar as metas pré-estabelecidas pelo governo não há muito que discutir, estão embasados pela lógica mercadológica do ensino e são merecedores (conforme Delors, Ioschpe, Azevedo, editoriais da Folha, Estadão e por ai vai). Porém, do lado daqueles que não obtiveram sucesso, seja qual for o motivo fica a pergunta: Será que todo esforço foi em vão? Será que os professores não se empenharam o suficiente, ou não são competentes? Será que os critérios para compor o IDESP e o bônus são coerentes? Evidentemente, pelo olhar do governo, o não pagamento de bônus já é uma penalidade pela incompetência em atingir as metas. É justo isso? Sob o olhar meritocrático podemos adiantar que recebem bônus aqueles que conseguiram atingir a meta, mas sob um olhar mais humano, talvez até complacente, podemos arriscar que não é tão simples assim atingir tais metas, pois nas escolas que não atingiram as metas temos pessoas competentes, que se esforçaram, mas que por razões mil não conseguiram (neste curto espaço será impossível destrinchar todas as variáveis que envolvem o dia a dia de uma escola – entretanto temos várias discussões em diversos outros artigos) e não existe como medir o esforço individualizado do profissional, e é aí que está o nó da situação. O bônus, além de verificar se o aluno tirou uma boa nota, se a escola teve ou não um fluxo exagerado de alunos (os quais podem ir e vir da escola por razões imponderáveis para a Direção), deveria de alguma forma medir o trabalho individual do professor. Não se observa, por exemplo, se ele desenvolveu trabalhos diferenciados e efetivos com seus alunos, por exemplo, de iniciação científica. Projetos que poderiam ser levados em conta tais como trabalhos interdisciplinares, transversais e até estudos do meio. Não se analisa o professor individual- Professor em Química. decamargo.omar@gmail.com Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com OUÇA-NOS Todos os Sábados 16 horas Na CULTURA online BRASIL PROGRAMA: E agora José? www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 10 Democracia Participativa ser criados para o complemento e não reformulação das instituições representativas, mas que englobem na dinâmica política a realidade da sociedade civil que está A democracia participativa é uma cada vez mais organizada em suas entidades forma de exercício do poder, baseada na par- e associações, dando a prática democrática ticipação dos cidadãos nas tomadas de deci- uma realização mais dinâmica, efetiva e real. são política. A democracia participativa, ou semidiAtravessamos grande parte do século XX, acreditando que a forma Representativa era um modelo ideal para os cidadãos, que assegura a liberdade e igualdade de todos, que isso seria o verdadeiro conceito de democracia, mas passados quase cem anos, chega -se ao fim do século XX e acredita-se numa crise existente nesse modelo de Democracia. Os representantes já não conseguem mais identificar e atender demandas da sociedade. A população tem se organizado melhor em torno de infinitas questões, e conquistando melhor o espaço público e essa população tem cobrado de maneira mais efetiva de seus representantes. As exigências vêm se tornando mais complexas e fica evidente a necessidade da participação em conjunto entre representantes e representados. O conceito de democracia sofre então uma nova reviravolta em sua trajetória. É preciso considerar que a democracia representativa já não responde mais as demandas da sociedade e a democracia direta parece impossível. E como síntese para a resposta dessa crise começa a se formar o conceito de democracia participativa, tendo características da forma semidireta, por não desconsiderar seus representantes, mas aproximando os representados na arena política. E conforme alguns teóricos afirmam que a democracia participativa se configura entre a direta e representativa. Por democracia participativa podemos entender um conjunto de experiências e mecanismos que tem como finalidade estimular a participação direta dos cidadãos na vida política através de canais de discussão e decisão. A democracia participativa preserva a realidade do Estado (e a Democracia Representativa). Todavia, ela busca superar a dicotomia entre representantes e representados recuperando o velho ideal da democracia grega: a participação ativa e efetiva dos cidadãos na vida pública (SELL, 2006, p. 93). representantes e representados de forma mais efetiva, o que se percebe, é que o exercício da cidadania está delimitado ao direito de votar e ser votado” (FONSECA, 2009, p. 14). Os mecanismos e instituições da democracia representativa tem se mostrado significativamente limitados: “os velhos e tradicionais mecanismo e instituições tem se revelado muitas vezes insuficientes, embora necessários, para garantir a existência de um regime político efetivamente democrático” (Ricardo Rodrigues apud ANDRADE, 2003, p. 6-7). Com isso, novos e modernos instrumentos de controle e participação no poO problema é que “apesar de serem der devem ser permanentemente colocados em prática democrática em junção com a so- encontrados no sistema jurídico brasileiro, nociedade atual. Esses mecanismos tem que vos canais que viabilizam a integração entre Fonte: www.portalconscienciapolitica.com.br Falta em nosso país uma cultura cívica que altere o modus operandi do sistema vigente. Falta também vontade política, seja por parte do Poder Executivo (por medo de partilhar parte do poder constituído), seja por parte do Poder Legislativo (de ver diminuído seu papel na elaboração e aprovação de leis), reta, é aquela que partindo de uma democra- criando “um distanciamento entre governo e cia representativa, utiliza-se de mecanismo sociedade – que é próprio do regime repreque proporcionam ao povo um engajamento sentativo” (FONSECA, 2009, p. 15). nas questões políticas, legitimando questões Mas a crise da democracia contempode relevância para a comunidade como um rânea envolve fatores que vão além da repretodo através de uma participação direta, seja sentação e da apatia política. pelo plebiscito, referendo, iniciativa popular, Carole Pateman afirma (1992) que audiência pública, orçamento participativo, consultas ou por qualquer outra forma que desde o início do século XX muitos teóricos manifeste a ação popular. Nesse modelo de políticos levantaram sérias dúvidas sobre a maior participação democrática, as organiza- possibilidade de se colocar em prática um reções da sociedade civil tornaram-se interlocu- gime democrático no sentido literal do termo tores políticos legítimos e influentes e, de cer- (governo do povo por meio da máxima particita forma, podemos dizer que a democracia pação do povo). E Bobbio (2000) indica pelo participativa só poderá ser realizada quando menos três fatores a partir dos quais um proos cidadãos abandonarem um certo individua- jeto democrático tem-se tornado difícil de se lismo e tiverem um maior senso de coletivida- concretizar nas sociedades contemporâneas: a especialidade, a burocracia e a lentidão do de. processo Segundo Dias (2001) a qualidade da democracia pode ser medida pelo nível de O primeiro obstáculo diz respeito ao aumento participação política encontrada em cada soci- da necessidade de competências técnicas edade que permite ao cidadão comum inserir- que exigem especialistas para a solução de se nos processos de formulação, decisão e problemas públicos, com o desenvolvimento implementação de Políticas Públicas, e desta de uma economia regulada e planificada. A forma, “quanto mais direto for o exercício do necessidade do especialista impossibilita que poder político, mais acentuada será a capaci- a solução possa vir a ser encontrada pelo cidade democrática das instituições políticas, dadão comum. Não se aplica mais a hipótese cujas decisões estarão mais próximas de tra- democrática de que todos podem decidir a duzir a genuína vontade popular” (apud VI- respeito de tudo. O segundo obstáculo refereGLIO, 2004, p. 18). E Jumária Fonseca desta- se ao crescimento da burocracia, um aparato ca o papel das administrações municipais pa- de poder ordenado hierarquicamente de cima ra o êxito de um modelo de democracia mais para baixo, em direção, portanto, completamente oposta ao sistema de poder burocrátiparticipativa co. Apesar de terem características contradiPara que as experiências de democracia par- tórias, o desenvolvimento da burocracia é, em ticipativa obtenham êxito, as administrações parte, decorrente do desenvolvimento da demunicipais têm papel fundamental, através da mocracia [...] O terceiro obstáculo traduz uma criação de canais de interconexão que viabili- tensão intrínseca à própria democracia. À mezem a integração entre governo e dos diver- dida que o processo de democratização evosos segmentos da sociedade, especialmente luiu promovendo a emancipação da sociedaa população de menor renda. De tal maneira, de civil, aumentou a quantidade de demandas que possam ser partícipes das diversas fases dirigidas ao Estado gerando a necessidade de do processo de planejamento e de delibera- fazer opções que resultam em descontentação das Políticas Públicas a serem implemen- mento pelo não-atendimento ou pelo atenditadas nas cidades (2009, p. 34). mento não-satisfatório. Existe, como agravanFazendo com que o “direito de ser ci- te, o fato de que os procedimentos de resposdadão” esteja além do momento das eleições, ta do sistema político são lentos relativamente dando-lhes condições de colaborar na cons- à rapidez com que novas demandas são diritrução do espaço público e efetivando a ideia gidas ao governo (BOBBIO, 2000 apud NASde soberania popular, segundo a qual, “todo o SUNO, 2006, p. 173-174). poder emana do povo, que o exerce por meio Mas a crise da democracia contempode representantes eleitos (Democracia Repre- rânea, longe de diminuir sua validade, aumensentativa), ou diretamente (tendência para a ta ainda mais a importância da participação democracia participativa)” (FONSECA, 2009, da sociedade civil em um projeto de consolip. 36). dação do Estado Democrático de Direito. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 11 22 Abril - Dia Mundial da Terra VIVER COM UM SENTIDO DE RESPONSABILIDADE UNIVERSAL do mundo na sua especificidade, sobre o seu valor em si e em relação ao homem, para inserir a realidade mundana na totalidade sistemática e hierárquica do ser em geral. Portanto, toda filosofia deve incluir também uma filosofia do mundo,e não só da sua cognoscibilidade, mas também da sua natureza. Neste sentido (...)todos os grandes sistemas filosóficos sempre incluíram também uma filosofia da natureza. Apoiando a mesma direção, defende semelhante diálogo a afirmação de Jacques Maritain: “As ciências experimentais precisam se completar pela filosofia da natureza; por outro lado, o inverso é igualmente verdadeiro: a filosofia da natureza precisa se completar pelas ciências experimentais” (La philosophie de Lanature, p.90). Márcia Cristina F. Gonçalves(in: Filosofia da Natureza, p. 8) concorda com Maritain sobre a necessidade do diálogo, dado a semelhança conceitual utilizada por ambas as esferas de saber, e pondera que um saber não se reduz ao outro, ao contrário, independência essa que amplia a necessidade de um amplo debate para auxiliar a construir um mundo melhor para tudo e para todos. De igual modo, muitos outros pensadores, políticos, religiosos e leigos estão empenhados em encontrar novos meios de obter cooperação intercomunitária na qual a diversidade humana e natural seja reconhecida e o direito de todos sejam respeitados. Um dos aspectos mais promissores da era moderna é o surgimento de um movimento internacional pela paz e pelo diálogo. E nesse sentido, tanto as ciências quanto a filosofia podem e devem dar seu contributo. Se o século XX foi palco de tragédias mundiais, como as duas grandes guerras mundiais, foi também o berço de organizações transnacionais e da busca de diálogo e de cooperação internacional. Vale considerar o grande trabalho que vem sendo desenvolvido pela ONU, pela UNESCO, pela Organização Mundial de Saúde, pela Corte Internacional de Haia, pelo Banco Mundial; as ações surgidas em decorrência do Tratado de Bruntland, da Declaração dos Direitos Humanos, da Carta da Terra; o conforto levado pelos Médicos Sem Fronteiras, pelos Doutores de Alegria. São tanto exemplos, e tão enriquecedores. Cabe ao século XXI aprofundar o rumo já iniciado, e o principal esforço recai sobre cada ser humano verdadeiramente ocupado com uma maior humanização da humanidade, pois, “o espírito fica muito mais aberto e assume dimensões verdadeiramente internacionais”(DALAI-LAMA.Uma ética para o novo milênio, p.161) quando se “pensa globalmente e age localmente”, dístico chave do pensamento ecológico e sustentável. “Se contemplarmos a Vida ou a Natureza, em todas as suas manifestações, observamos que ela se corporiza ou exterioriza sob formas diferentes, em graus de diferente qualidade, distanciados talvez pela acção do Tempo sobre o Acaso, talvez sobre uma força vagamente dirigida para um vago Fim inatingível...A verdade é que nós vemos uma pedra, mais adiante, uma árvore e depois um homem... Percebe-se, em todas estas formas da Natureza, uma ordem ascendente ( querida ou casual) que vai da pedra ao homem. A pedra parece tender para a árvore, e a árvore para o homem./ O mineral preparou o advento do vegetal e o vegetal preparou o do homem, por um processo indirecto, isto é, por meio de seres animais inferiores./ A pedra, a árvore, o homem, são três modos de ser da Natureza ( reino mineral, vegetal, animal) “anunciando um esforço”, obedecendo a circunstâncias casuais ou subordinando-as à sua vontade, do simples e imperfeito para o mais complexo e perfeito./ Mas esse “esforço” findará no homem? Não. Para além dele, a Natureza já adquiriu uma forma de ser superior a ele – “a forma espiritual” (PASCOAIS, Arte de ser português, 1991, p.23). E dentro dessa imediata urgência se legitima a busca pela supressão ao máximo do estranhamento dos saberes trilhando a convicção de que, para querermo-nos como atenienses desnecessitamos de movimentarmo-nos como espartanos. “(...) devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza. Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente” (CARTA DA TERRA). Nunca é demais relembrar as prudentes palavras de F. Scott Fitzgerald no O Grande Gatsby “o teste de uma inteligência de primeira linha é a habilidade de ter duas idéias opostas em mente ao mesmo tempo”. Essa espécie de inteligência que precisamos cultivar no século XXI certamente será aquela apontada pelo sábio provérbio chinês: O físico Brian Swimme (in: O universo é um dragão verde,p.9-11), de modo pertinente, indica algumas preocupações e rumos possíveis da ciência contemporânea, bem como, aponta a necessidade de defendermos um diálogo entre as ciências da natureza e a filosofia da natureza uma vez que ambas, dentro de suas áreas, procuram compreender o mundo em sua especificidade ontológica: Nossa civilização ocidental moderna começou com uma espécie de esquizofrenia cultural. Nossa pesquisa científica efetivamente desvinculou-se, no início do período moderno, de nossas tradições humanistas-espirituais. Por boas razões, sem dúvida, mas hoje a neurose se espalhou por diversos continentes. Emaranhados na mais terrificante patologia da história da humanidade, talvez possamos nos atrever a perguntar se foi realmente boa essa idéia, essa fragmentação do universo (...). No entanto, algo extraordinário está ocorrendo na nossa época; algo que tem o poder de por fim a esse impasse. Refiro-me à transformação radical da nossa visão básica do mundo. (...) O universo, considerado como um todo, assemelha-se muito mais a um ser em desenvolvimento. O universo tem um princípio e encontra-se no meio do seu desenvolvimento: uma imensa epigênese cósmica. (...) De que modo a compreensão mais profunda nos dá poderes? Possibilitando-nos a reinventar o homem no contexto da nova história cósmica. Não será preciso mais nada. Um novo ponto de vista sociológico, uma nova teoria psicológica é insuficiente para lidar com a magnitude de nossas preocupações. Temos de compreender o que existe de humano no interior das dinâmicas intrínsecas da Terra. Alienados do cosmos, encarcerados dentro de nossas estreitas estruturas de referência, não sabemos, enquanto espécie, o que precisamos fazer. Somente descobriremos nosso papel mais amplo reinventando o homem como uma dimensão do universo emergente. Na mesma linha e, ampliando o diálogo, está o pensamento do eminente FelippoSelvaggi(in: Filosofia do mundo, p.152) que defende a necessidade de uma filosofia da natureza dialogando com os dados das ciências da natureza e da metafísica: ...quem admite a existência e a necessidade de uma filosofia do ser em geral ( e todos devem admiti-la, porque a sua negação implica já uma filosofia do ser em geral, como sucede no positivismo e no materialismo, que reduzem o ser em geral ao ser material experimentalmente cognoscível) deve admitir também a sua legitimidade e a necessidade de uma análise e reflexão filosófica sobre o ser O dedo aponta para a Lua; o tolo olha para o dedo; O diálogo e o ato de compartilhar emergem como o sábio, para a Lua. tronco único, convidando à construção de uma nova práxis mundial, pois, família, pátria, humanidade representam seres espirituais, cada vez mais Autor: Loryel Rocha complexos, que estão indissoluvelmente ligados ao planeta: www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 12 15 Abril - Dia da Conservação do Solo Por que tanto veneno? marcação de terras indígenas, quilombolas e Repudiamos a tese de que pobres têm que contra a reforma agrária. comer veneno. Não há mais dúvidas de que Após as eleições de 2014, os ruralistas depodemos alimentar a população com a produKátia Abreu (PMDB/TO), Ronaldo Caiado clararam ter 51% do Congresso Federal. É ção agroecológica. Até mesmo a ONU reco(DEM/GO) e Luis Carlos Heinze (PP/RS) são necessária uma reforma política que decrenhece que a agroecologia é única solução alguns dos expoentes desta bancada. Estes te o fim das doações eleitorais de emprepolíticos se elegem graças a altíssimas cifras verdadeira para a fome no mundo2, e pode sas para acabar com estas verdadeiras inclusive ajudar a frear as alterações climátidoadas nas campanhas pelas empresas do pragas da política brasileira. cas. agronegócio, como a JBS, BRF e Marfrig, e na prática agem como empregados destas empresas dentro do congresso e do senado. Os ruralistas também dominam o Ministério da Agricultura, que recebeu a cifra de R$140 bilhões neste ano. O que queremos? A população brasileira está unida na luta pela fim dos agrotóxicos e em defesa da vida. Queremos Agroecologia. Movimentos sociais do campo, da cidade, sindicatos, instituições públicas de pesquisa, estudantes, e inclusive o Ministério Público vem se articulando junto à Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Nossa luta é por comida sem veneno e um congresso sem ruralistas, que represente de fato os interesses do povo. De imediato, pedimos: A proibição da prática criminosa da pulverização aérea, a exemplo do que ocorre na União Europeia; O banimento de agrotóxicos já banidos em outros países do mundo; O fim das vergonhosas isenções de impostos dadas aos agrotóxicos; A criação de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos, para o livre desenvolvimento da agroecologia; Maior controle para evitar a contaminação da água por agrotóxicos. Convocamos toda a população a se engajar nesta luta, através dos comitês da campanha espalhados pelo Brasil. Ajude-nos na sua ESCOLA. Discuta! No ano passado, esta bancada aprovou uma lei (12.873/2013) que permite uso de agrotóxicos proibidos no Brasil por serem altamente nocivos, e já conseguiram até demitir funcionários das agências reguladoras que lidam com o tema. Após as eleições de 2014, os ruralistas declararam ter 51% do Congresso Federal. É necessária uma reforma política que A opção clara da política agrícola brasileira decrete o fim das doações eleitorais de empelo agronegócio é a grande responsável pela presas para acabar com estas verdadeiras situação. O agronegócio utiliza largas exten- pragas da política brasileira. sões de terras, os latifúndios, para plantar u- Nós construímos uma alternativa: a agroecoma mesma espécie – normalmente soja, mi- logia lho, algodão, eucalipto ou cana-de-açúcar. Camponesas e camponeses do Brasil são aDessa maneira, destrói a biodiversidade e dequeles que botam comida na nossa mesa. E sequilibra o ambiente natural, facilitando o somente elas e eles podem praticar a agroesurgimento de plantas, insetos ou fungos que cologia. Agroecologia é um jeito de organizar podem destruir a plantação. Por isso, é uma a produção agrícola e a vida no campo em agricultura dependente química: só funciona harmonia com a Natureza. Na agroecologia, com muito veneno. O agronegócio também se produzem diversos tipos de alimentos nuutiliza maquinário pesado, que compacta o ma mesma área, fortalecendo assim a biodisolo, e não gera empregos, favorecendo asversidade e deixando a natureza equilibrada. sim o êxodo rural. Desta forma, não é necessário usar agrotóxiNo legislativo brasileiro, um grupo de deputa- cos, nem fertilizantes sintéticos, e muito medos e senadores de vários partidos formam a nos sementes transgênicas. A agroecologia chamada Bancada Ruralista, que tem como também busca uma vida digna no campo, objetivo incentivar o agronegócio, o trabalho com saúde e educação adequadas à realidaescravo, o desmatamento, lutar contra a de- de do campo. ATENÇÂO A Gazeta Valeparaibana, um veículo de divulgação da OSCIP “Formiguinhas do Vale”, organização sem fins lucrativos, somente publica matérias, relevantes, com a finalidade de abrir discussões e reflexões dentro das salas de aulas, tais como: educação, cultura, tradições, história, meio ambiente e sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental, além da transmissão de conhecimento. Assim, publica algumas matérias selecionadas de sites e blogs da web, por acreditar que todo o cidadão deve ser um multiplicador do conhecimento adquirido e, que nessa multiplicação, no que tange a Cultura e Sustentabilidade, todos devemos nos unir, na busca de uma sociedade mais justa, solidária e conhecedora de suas responsabilidades sociais. No entanto, todas as matérias e imagens serão creditadas a seus editores, desde que adjudiquem seus nomes. Caso não queira fazer parte da corrente, favor entrar em contato. Rádio web CULTURAonline Brasil Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós. A Rádio web CULTURAonline BRASIL, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Saúde, Cidadania, Professor e Família. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, a Educação e o Brasil se discute num debate aberto, crítico e livre, com conhecimento e responsabilidade! Acessível no link: redacao@gazetavaleparaibana.com www.culturaonlinebr.org www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 13 09 Abril - Dia da Biblioteca Biblioteca escolar: ranços e avanços dificulta o acesso ao objeto de pesquisa não vezes os usuários reduzem-se a alunos que Pegar um livro e abri-lo guarda a possibilidade do fato estético. O que são as palavras dormindo num livro? O que são esses símbolos mortos? Nada, absolutamente. O que é um livro se não o abrimos? Simplesmente um cubo de papel e couro, com folhas; mas se o lemos acontece algo especial, creio que muda a cada vez. Jorge Luís Borges Pensar sobre a importância da biblioteca escolar hoje para o processo de ensinoaprendizagem constitui repensar a própria prática de leitura na escola. Isso porque sabese que a biblioteca guarda os mais diversos tipos de livros e que, teoricamente, estão todos à disposição do aluno sempre quando precisar. No entanto, não é isso que de fato acontece. só para o usuário como para o próprio profissional da biblioteca. Um catálogo malorganizado e com classificação obscura colabora para a falta de interesse dos usuários pela biblioteca. A verdade é que muitas bibliotecas nem têm seu acervo arquivado de forma que permita a pesquisa dos usuários. Algumas escolas anotam seu acervo num velho caderno que só pode ser consultado pelo próprio funcionário da biblioteca para procurar o material solicitado. Dessa forma, o material não pode ser manuseado pelos usuários. Ou seja: não é permitido fazer descobertas no acervo. vão ao local tão-somente para copiar verbetes de grandes enciclopédias e dicionários antigos e empoeirados. Quando a pesquisa na biblioteca não tem como base a cópia, o lugar é mal-utilizado, servindo como local de descanso ou conversa de alunos ou, o que é pior, como espaço de punição. Alguns professores exigem que os alunos que não estão em sala de aula sejam castigados na biblioteca. Essa postura contribui para fazer da biblioteca a grande vilã da escola. Promovendo a leitura na biblioteca escolar Libere sua criatividade. Deixe-se levar pela criança curiosa que há dentro de você e provoque os leitores, provoque a leitura, promova o prazer de ler o mundo. Ao contrário do que se vê, é necessário pôr em prática todas as estratégias de incentivo à leitura, a fim de aumentar a frequência na biblioteca escolar. Primeiro, é preciso pensar em sugestões para melhorar todo o quadro descrito. Para promover a leitura, a pesquisa, a frequência, a troca de ideias, o interesse dos usuários (antigos e novos), são necessárias algumas medidas, tais como: Proporcionar um agradável ambiente de leitura – com a criação de espaços agradáveis para o convívio com os livros e demais suportes de leitura e diversidade de linguagens, é possível oferecer ambiências de leitura. Para tanto, podemos utilizar: - tapetes - almofadas - cadeiras confortáveis - cestos com revistas e jornais - baús com gibis e livros - quadros - cartazes com citações e frases de incentivo à leitura - espaço colorido - estante ou prateleira com novidades É preciso criar um ambiente adequado para ler ou ouvir com prazer uma boa história, discutir ideias e trocar experiências. Na verdade, é imprescindível mexer com o preestabelecido. Faz-se mister revitalizar o espaço da biblioteca escolar, a fim de permitir e, inclusive, incentivar a permanência dos usuários no local. Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/ 4º) Empréstimo de material – algumas bibliotecas não adotam o sistema de empréstimo, permitindo apenas a consulta do material no local. Alegam que os alunos danificam os livros, arrancam folhas, rabiscam, demoram a devolver ou não devolvem o material. Por No cotidiano escolar, percebemos a pouca conta disso, não ocorre o sistema de cadastro (ou nenhuma) utilização da biblioteca como e empréstimo de material do acervo. espaço educativo e informacional que promo- 5º) Horário de funcionamento – deparar-se ve leituras, análises, debates e encontros en- com a biblioteca trancada não é pouco cotre livros e indivíduos. A biblioteca, não raras mum. O horário de funcionamento nem semvezes, é palco de punições. Basta um aluno pre condiz com os horários que professores e atrapalhar a aula de um professor que logo é alunos podem e desejam utilizá-la. O fato é enviado, sem aviso prévio, à biblioteca ou à que o horário da biblioteca fica a cargo do hosala de leitura. Por isso, é de suma importân- rário da pessoa que lá trabalha. cia que repensemos o papel da biblioteca 6º) Profissional encarregado da biblioteca – dentro da escola e sua significação. infelizmente o que se vê são muitos professoAntes de qualquer proposta que leve os edu- res em fim de carreira ou com problemas de candos a frequentar a biblioteca escolar, é saúde encostados nela. Assim, na biblioteca preciso pensar nos principais problemas que e n co n t ra m - se muitos p ro f i s si o n a i s dificultam essa prática. São eles: que precisam de um lugar tranquilo, silencioso 1º) O espaço físico – não raras vezes a biblio- e vazio para passar os últimos dias, meses ou teca fica num canto escondido da escola. Um anos de suas vidas profissionais. Por isso, eslocal pouco arejado, úmido, mal-iluminado, ses educadores preferem manter a ordem, o desconfortável e apertado. Para agravar a si- silêncio sepulcral e a disciplina no local. O tuação, muitas escolas dissociam a sala de pouco ou nenhum contato com o usuário é, leitura da biblioteca, apresentando-as como assim, almejado; quando acontece, é frio, téclugares distintos, quando deveriam estar num nico e monossilábico. Às vezes, é adotado um único espaço. Nesse sentido, a biblioteca em sistema de empréstimo no qual o usuário solicita o livro por meio de um envelope. No dia si não passa de um "depósito de livros". seguinte ao pedido, o bibliotecário, em vez de 2º) O acervo – geralmente desatualizado; os orientar o consulente, deposita o pedido no livros que se encontram na biblioteca diversas mesmo pacote para que o usuário receba suvezes estão em péssimas condições de uso. a encomenda. A relação usuário-bibliotecário, Muitos são doados pelos próprios professores nesse sentido, acontece também de forma que, querendo se livrar do "entulho", deposi- impessoal. Outro ponto importante a se restam-nos como doação. A falta de recursos pa- saltar é a condição desse profissional: nãora a compra de livros de qualidade contribui leitor e não-incentivador da prática da leitura para a estagnação e o empobrecimento do no local. acervo. 7º) Utilização da biblioteca escolar – é válido 3º) Organização do acervo – a catalogação do atentar para a falta de planejamento pedagóacervo acontece de forma confusa, desorgani- gico, de projeto que integre a biblioteca ao zada e difícil. O sistema de números e letras projeto político-pedagógico da escola. Muitas www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 14 07 Abril - Dia do Jornalismo poderá ser acusado por calúnia e difamação. Se os meios de comunicação fazem isso, são prontamente processados. Isso é censura? Não! É compromisso com a verdade, a ética e a moral. A liberdade de expressão é garantida pela constituição, assim como o direito de ir e vir, e a libertinagem na expressão é proibida por essa mesma legislação, assim como matar Liberdade - . Direito de proceder conforme alguém. nos pareça, contanto que esse direito não vá A ética e a moral estão intrinsecamente ligacontra o direito de outrem; das nisto, uma vez que a questão passa a ser Libertinagem - No sentido de: devassidão; de conceituação entre certo e errado, porém a crápula; abstração dos princípios morais e éti- linha entre a liberdade de expressão e a libercos; não comprometimento com a realidade tinagem na expressão não é tão tênue assim. dos fatos. É certo ter um ponto de vista, expressar-se sobre ele, desde que esse ponto de vista não A sociedade anda confundindo liberdade de discrimine ninguém. expressão com libertinagem na expressão, esquecendo que todo direito de um indivíduo acaba quando ataca o direito de outros indivíduos, esquecendo que discriminação é crime e deve ser tratada como tal. Declarações de cunho preconceituoso não devem ser justificadas hasteando a bandeira da liberdade de expressão. Discriminação é crime, declarações discriminatórias atacam o direito alheio, é perseguição, é julgamento, é rotular as pessoas apontando-lhe, não o dedo, mas palavras, que podem ter o peso muito maior. com A porque A é verde, ou porque você foi privilegiado com melhor educação que A, é discriminação. Utilizar a Bíblia para justificar o preconceito contra homossexuais é mais sem fundamento ainda. A Bíblia defende o sexo pra procriação, é verdade, mas todos nós fazemos sexo mais pelo prazer do que pela procriação. Então atire a primeira pedra aquele que só quer perpetuar a espécie, e que nem indiretamente busca o prazer no ato. Temas polêmicos sempre terão repercussão ao serem levantados, principalmente por pessoas públicas, e é por isso que estas devem ter responsabilidade ao expressar-se, pois são formadores de opinião, e qualquer leviandade pode gerar manifestações maciças de violência, insuflando grupos sociais uns contra os outros, e daí para o holocausto, já sabemos que é um pulo. A sociedade não precisa de outro Hitler, muito menos no Brasil, ou você acha que não é fruto de uma miscigenação? Autor: Renato Gomez Funcionário Público, Graduado em Letras Português e Pós-Graduando em Pedagogia Empresarial, Mestrando em Estudos Literários, Pai, Poeta e Escritor Maquiar discriminação com a bandeira da liberdade de expressão é pra quem nunca sofreu com impedimento de expressar-se por É simples, se você ameaça alguém verbal- pura discriminação. Dizer que não concorda mente, suas palavras serão usadas contra vo- com benefícios dados a A expondo seus moticê em um futuro processo, se você fala da vi- vos é válido, dizer que não se relacionaria da de uma pessoa, faltando com a verdade, “(o ministro Joaquim Barbosa) morreria de câncer ou com um tiro na cabeça (...). Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro (...). Joaquim Barbosa deve ser morto”. pior: ficam as “digitais”. Tempos atrás, vimos um militante partidário ameaçar de morte por meio do Facebook o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. Identificado pela Polícia Federal como Sérvolo de Oliveira ternet não garante qualquer isenção a quem e Silva, o autor da ameaça escreveu: pratica. Na verdade, a circunstância é ainda País democrático que é, o Brasil deve seguir fortalecendo e ampliando as garantias individuais de opinião e imprensa. Mas as autoridades competentes devem fechar o cerco contra quem usa a internet para aterrorizar outras Há aqui uma grave confusão do entendimento pessoas com ameaças ou linchamentos mode liberdade de expressão. Ser livre para ex- rais. por um ponto de vista não dá o direito a um Embora o alvo tenha sido o presidente do cidadão de tolher o direito do outro. Ameaçar STF, um dos três poderes que formam nosso de morte, então, nem se fala. Isso não tem Estado, ameaça de morte é crime indepennada a ver com liberdade, mas com opressão. dente de quem seja o autor e a vítima. Esse O Código Penal brasileiro prevê pena de até tipo de pessoa deve ser punido para entender seis meses de prisão pelo crime de ameaça. a diferença que há entre liberdade e libertinaO fato de a intimidação ter sido feita pela in- gem de expressão. Da redação O XIS DA QUESTÃO – O discurso da objetividade criou a “verdade”, já secular, de que o jornalismo se divide em opinião e informação. Ora, como negar a subjetividade e a intervenção opinativa na informação se, ao relatar o que se passa, qualquer boa redação ou bom jornalista exercita uma capacidade própria, sofisticada, de pensar e fazer escolhas? No plano oposto, como comentar, em artigos, sem o suporte dos fatos e da informação precisa? O jornalismo se organiza, isso sim, em esquemas de narração e argumentação – ambos construídos com ajuizamentos, pontos de vista e informações. Manual Carlos Chaparro www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Abril 2015 Gazeta Valeparaibana Página 15 14 Abril - Dia Pan-Americano O Pan-Americanismo americana. Juan Martínez de Rosas, integrante da Primeira Junta Governativa e autor da Declaração dos Direitos do Povo Chileno, defendeu o princípio de solidariedade entre o Chile e as demais sociedades hispanoamericanas e a necessidade de unir todos os povos americanos em uma confederação a fim de garantir a independência contra os planos da Europa e de evitar conflitos interamericanos. Esses princípios igualmente foram sustentados por Bernardo O`Higgins que assumiu a liderança da luta pela independência do Chile. Jose de San Martín e o Coronel Bernaldo Monteagudo, argentinos que participaram das guerras de libertação do seu país, do Chile e do Peru, expuseram a idéia de realizar um congresso pan-americano para melhor resistir a eventuais ameaças da Espanha contra suas colônias que se emancipavam. "Antes (...) já Francisco Miranda (...) antevira a solidariedade continental, quando apresentou ao gabinete inglês, em 1790, o plano para libertar a América da tutela espanhola (...) Miranda estabelecia uma América única, geográfica e administrativa, um vasto Estado comum, do Mississipi ao Cabo Horn Vemos então que os pronunciamentos no sentido de estabelecer a união entre as sociedades americanas ganharam maior expressão durante a luta pela independência das colônias européias no Novo Mundo. Foi tanto a necessidade de defesa contra a ameaça representada pela Europa assim como as raízes históricas e geográficas ccmuns que forjaram o ideal pan-americano, o qual deve ser entendido como um movimento de solidariedade continental a fim de manter a paz nas Américas, preservar a independência dos Estados americanos e estimular seu interrelacionamento. O projeto de solidariedade continental, no entanto, foi desenvolvido sob duas modalidades distintas: o Bolivarismo e o Monroísno. O BOLIVARISMO O Bolivarismo representa a visão panamericana concebida por Simon Bolívar (1783 -1830), venezuelano que dirigiu a luta pela independência da Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador. Essa idéia de união das sociedades americanas, Bolívar apresentara antes mesmo da Carta da Jamaica. ``A sua exposição prática já é perceptível em um artigo que Bolívar escreveu para o Morning Chronicle, de Londres (5 de setembro de 1810), dizendo que se os venezuelanos fossem obrigados a declarar guerra à Espanha convidariam todos os povos da América a eles se unirem em uma confederação. O plano surge novamente no Manifesto de Cartagena, escrito por Bolívar em 1812, e mais claramente em 1814, quando, como libertador da Venezuela, enviou a circular que condicionou a liberdade dos novos Estados ao que ele chamou de ` união de toda a América do Sul em um único corpo político` (...) E, em 1818, respondendo à mensagem de saudação, enviada a Angostura pelo diretor argentino, Pueyrredón, declarava que, tão logo a guerra de independência estivesse terminada, procuraria formar um pacto americano, e esperava que as Províncias do Rio da Prata se unissem a ele." O MONROÍSMO O Monroísmo representa a visão norteamericana do Pan-Americanismo, bem distinta do Bolivarismo e fundada no predomínio dos EUA sobre os demais Estados americanos.Sua primeira manifestação foi a Mensagem Presidencial de James Monroe enviada ao Congresso dos EÚA (1823). Nela, Monroe negava aos europeus o direito de intervenção no continente americano, seja para criar áreas de colonização, seja para suprimir a independência recém-ccnquistada pela maioria dos Estados americanos. A análise do documento evidencia que os Estados Unidos opunham-se à Europa da Santa Aliança. A Mensagem de Monroe representou antes de mais nada "a expansão de uma política nacional cuja aplicação cabia unicamente ao govemo dos Estados Unidos. Além disso, a atitude e as palavras de Monroe não continham qualquer garantia que livrasse os demais povos americanos das agressões ou intervenções dos Estados Unidos. Isto viu-se efetivamente quando nos anos de 1824 a 1826 a diplomacia dos Estados Unidos expressou suas ambições sobre Cuba (...) Diversos autores procuram demonstrar que desde o século XVIII surgiram precursores dos ideais pan-americanos, citando-se como um dos pioneiros o Padre Alexandre de Gusmão, brasileiro que servia na corte de D. João I de Portugal, e um dos responsáveis pela elaboração do Tratado de Madri (1750). É certo que o Tratado de Madri fala em ` paz perpétua ` entre as duas Coroas, mas este compromisso de paz entre potências traduz apenas a promessa de não disputar, nem uma nem outra, pedaço do bolo que já haviam dividido entre si. Nada tem a ver um tratado dessa espécie com a doutrina muito mais tarde nascida, e que procurava firmar um princípio de não intervenção estrangeira, de cooperação, de paz e harmonia entre Estados já constituídos. " (SOUZA GOMES, L., América Latina, Seus Aspectos, Sua História, Seus Problemas, Fundação Getúlio Vargas, p. 253.) Aponta-se também o peruano Plabo Olavide que, influenciado pelas idéias do Iluminismo, organizou em Madri a Junta das Cidades e Províncias da América Meridional, sociedade secreta destinada a estimular a independéncia da América (1795). Ainda que considerasse a emancipação do Novo Mundo como um empreendimento a ser realizado em conjunto pelas sociedades americanas, Olavide tinha uma visão muito estreita de união panamericana: ficava restrita apenas às sociedades da América do Sul. No século XIX, em meio ao processo de emancipação da América Espanhola, outras manifestações de ideais pan-americanos evidenciaram-se através de projetos formulados por representantes da elite hispano- Em vários escritos (cartas e proclamações) defendeu a necessidade de união face à possível contra-ofensiva da Espanha, apoiada Fonte: http://www.historianet.com.br/ pela Santa Aliança. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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