Os Confrades da Poesia68

 
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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 68 | Março / Abril 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Contos / Poemas: 14,16 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 “Tudo cresce! Tudo florescerá em Seara da Cultura! Juntos Expandimos e Edificamos a Cultura Poética!” Pinhal Dias - Amora – Portugal EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 «Primavera» 20/3/2015 Trono dos Poetas pág. 19 «Dia Mundial da Poesia» Tito Olívio 21/3/2015 Natália Vale Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | António Barroso | António Boavida Pinheiro | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | ZzCouto…

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 «A Voz do Poeta» Indubitável Destino NÃO TE VI Não te vi. Não chegaria a ver o teu caixão cheio de margaridas naquele hiato entre duas vidas que separa um ser do outro ser… Não te vi. E não pude reter a última visão das feições queridas das mãos entrelaçadas e unidas do doce olhar que cego sabe ver… Não te vi!... Mas pude imaginar véu, cortejo, féretro e altar da morada onde foste recolhida... Não te vi!... Ver-te-ei além do mar naquele venturoso limiar aonde as margaridas são de vida!... Adelina Velho da Palma - Lisboa Separadas Ó morte iníqua nada há que te resista Quanto mistério há no teu vazio profundo Perante ti se rende o rei e o cientista E os poderosos deixam seu poder no mundo. Funérea morte nunca avisas a chegada E furtas sem perdão vidas à vida Véu de negrume desfazes sonhos em nada Com insolência e perfídia desmedida. Lesta arrebatas sem idades escolher Tua amargura nada há que a conforte Nas curtas vidas que tu mal deixas viver. Todo o que nasce já traz consigo tal sorte. E nunca mesmo a alegria de nascer É compensada com a tristeza da morte !... Euclides Cavaco - Canadá A Bailarina Ela é do sonho a maga fada, a Melusina, a que requebra, se contorce, a que se esgarça, p’ra ser no palco a fulgurante serpentina que sobe aos cumes e de arco-íris se disfarça. Nela há silêncios, paz serena, olhar de garça, surdos rumores de algodão e musselina, quiçá de um vate a suavidade de uma esparsa, ou de Pierrot segredo e beijo a Columbina. Oculta mora em toda a diva bailarina uma alma eleita pelos céus encomendada de neste chão terreno alçar aura divina. Trouxe do Além as asas de anjo e de vestal, na fronte a luz da divindade reencarnada, e nos alados pés, a sina de imortal! Carmo Vasconcelos - Lisboa Mar mulher Das metades repartidas Do muito que procuro De um inteiro sem fim Busco pedaços desencontrados Nada se junta por inteiro Quebra cabeça Da metade perdida Desencontro Da metade esquecida Decepção. Anna Paes - Brasil Os Segredos de Amar Quem não experimentou, que o ouse ainda; Trocando hálitos, sorvendo e exalando Os alentos do amor, cousa mais linda E deixe-se ficar assim, amando. Que amar é arte e é exaltação; Mexe com quantas fibras há na gente Dispara em acelerado o coração Trememos c’o desejo assim fremente. No amar há partilhas, conivências Há ânsias de render e ser rendido Há torvelinhos d’alma, impaciências. E no sossego dos prazeres vividos Os olhares longos, as doces indolências São esplendores nos nossos sentidos. Eugénio de Sá - Sintra “Podem me impedir de escrever, mas de pensar, jamais “ (JC Bridon) No dia em que assumiu um gênero O mar pra mim se fez mulher Mar terra mãe Mar água confidente Mar ar amiga Mar fogo amante Mar mulher Mar eu Mar em mim Sandra Veroneze – Porto Alegre/RS/BR

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 3 «Olhos da Poesia» O Tempo Que Não Vivi Só bem tarde me foi dado constatar Que outro mundo havia assaz diferente Daquele que o destino me quis dar Onde tudo acontecia lentamente. Poderia ser menino, mas não fui Nem me foi dado saber que existia O direito à igualdade que inclui Para todos o mesmo Sol em cada dia. Apenas vegetei, sem ter sabido Que outro mundo havia mais coerente Onde a vida tinha muito mais sentido. E hoje, choro triste e comovido Este vazio que lamento amargamente Do tempo que vivi, sem ter vivido !… Euclides Cavaco - Canadá Mais uma novela "Gold" Nada merece, nem dó nem perdão, Quem, por ganância suja nos traíu E no seu interesse conseguiu Esquecer os interesses da Nação! A força do Poder, como se viu, Não pode ser entregue em qualquer mão, A gente sem pudor nem formação Que o erário que é nosso destruiu! Cuida-te, pobre, se te dói a fome, Um pão que roubes, sair-te-á caro, Pagarás muito a quem o teu pão come... Prisão p'ra quem é pobre, não é raro, Raro é castigo para quem tem "nome", Mas de denunciá-los eu não páro!! Carlos Fragata - Sesimbra OLHOS NOS OLHOS Se o olhar se estende extasiado sobre o verde e amarelo dos girassóis Ondulantes, altivos criadores de movimento; É porque pára cativado pelo teu. Se o olhar se prende ao regato sussurrante E descobre a melodia do coachar das rãs Abrindo o sol, ondeando nenúfares; É porque se queda deslumbrado no teu. Se o olhar se entende com o silêncio sereno Da noite vestida com vestes de luar Acariciando sonhos lindos de madrugar; É porque se pode enamorar do teu. Quim d’Abreu – Alverca do Ribatejo São Tomé – Amora ESPONJA - De que terei morrido? - De cirrose terá sido. - O que me terá matado? - Aguardente me terá queimado E “Águia Real” foi o meu mal. Estarei morto? - Não! Morreu só a esponja. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. João Coelho dos Santos - Lisboa Pescador de Portugal Que faina a tua, bravo pescador! À rudeza dos sois e do suor, Quando te banha o rosto a luz da lua, Mostram-te, em cada ruga, essa nobreza De quem sofre na vida mais vileza Que a braveza do mar, bárbara e crua. Que cruz a tua, triste pescador! Que regras te impuseram o estertor Num ‘mercado’ melhor, só para alguns? Esqueceram-te os esforços e os riscos Aqueles que ora te acenam com os iscos De uns miseráveis euros, dos ‘comuns’. Que dor a tua, pobre pescador! Que farás dessa alma e desse amor Ao deixares esse mar de Portugal? Não te deixes morrer de inanição Como morreu a tua embarcação Não deixes que te façam tanto mal! Eugénio de Sá - Sintra Primavera Bucólica As serras, os vales e os montes, Sacodem o manto do inverno frio, Rumorejam as águas nas fontes E na impetuosa corrente do rio… Urzes, giestas e rosmaninhos, Florescem à beira dos caminhos. Renascem os verdes prados, Que o inverno deixou sepultados… Rasgam as manhãs diáfanas neblinas, No ar, há aromas de resinas. Um céu azul que nos faz sonhar, Sucede às noites brancas de luar… Os sinos da Igreja redobram o repicar, Há balidos dos rebanhos a regressar, No céu noturno um luzeiro alongado, Indica o mítico caminho de Santiago!

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4 | Os Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | | Março / Abril 2015 «Confrades» Falando de Mulher http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm O Amor O amor é o mais belo sentimento, Que deve abalroar o ser humano, Ser fiel, verdadeiro e não insano, E tudo suportar sem fingimento. Ser o mais suave e puro unguento, Que desaloja tudo que é profano, O fluído que não causa mágoa ou dano, Mas ser da noss'alma o alimento. O amor que tudo crê, que não tem maldade, Não inveja, nem tem leviandade, E ilumina a mais densa escuridão; O amor que nos transforma e dá magia, Aquele que é divina melodia, Que até ás feras dá a mansidão. Anabela Dias – Paivas / Amora Como é difícil falar deste ser maravilhoso sublime, misterioso, denominado mulher... como é difícil calar um verso impetuoso, de um poeta habilidoso que no fundo sempre a quer... Meu Deus, como é complicado riscar um verso discreto que fale esse dialeto dos homens, pobres mortais, um verso bem inspirado que diga o que a gente sente, por elas... que incompetentes que somos, que animais ! A mulher é tão completa, sonhadora... realista... Que nós, os especialistas, delas não sabemos nada, E não basta ser poeta, ser homem ou ser amante deste ser apaixonante, desta musa tão amada... Para entender cada gesto ou ímpeto ou devaneio... Quem não precisa de um seio para se tornar menino ? Somos seres tão modestos diante desses monumentos, Nunca estamos desatentos ao talento feminino. A mulher é tão divina e o homem é tão carente... Meu Deus, como é atraente falar de uma mulher: Inteligente, sensível, talentosa, companheira, Eu daria a vida inteira para tê-la... quem não quer ? Mas tê-la inteiramente: no espírito, em pensamento... Em todo e qualquer momento e... na cama, por que não ? Afinal, o coração de um homem só é completo Quando este ser predileto habita seu coração. Vinho Português. Depois da vindima vai pró lagar Alegres cantam, pisam no local Que provam no mosto e tem paladar Até dizem: - “que é estomacal” Alguns degustam como sumo d’uva Na mesa é bebida como tal Por etiqueta se despensa a luva É levado à ceia dominical Homem que bebe p’la infeliz sorte Consciência moribunda, sem norte Fica dopado dessa embriaguez Todos os vinhos que entram na arca Com qualidade exigida de marca Preferem um bom vinho português Pinhal Dias (Lahnip) – Amora / Portugal Luiz Poeta – RJ/BR “PORTUGAL QUE FUTURO” País que já perdeu e abandonou A pesca, a pecuária e a agricultura País que entrou na dança da loucura De quem desmarca passos, e se passou… País que pisa quem já cultivou… E de tantas maleitas, não se cura! Sustenta o mesmo vírus que perdura E que corroe o justo, que se esforçou! País pantomineiro, só a cortar… Que disto, boa gente não sabia! E agora vale a pena acreditar? País desmotivado, sem alegria Com gente velha e sábia a acabar! Não tendo a quem passar sabedoria! João da Palma - Portimão Prece de uma criança Papai do céu, me ajude, por favor! Não aguento mais tanta dor. Hoje apanhei muito, o corpo marcado mostra a força da vara na mão do meu pai... Tenho fome, não tenho um pedaço de pão bolourado para poder mastigar, e com toda esta dor, não posso sair para mendigar. Eu te peço, Papai do céu, me ajude, por favor, me leve daqui, me leve para o Senhor! Não quero mais sofrer, me deixe morrer! Ilze Soares - Catanduva/Pirassinunga – SP/BR soltei-me, bebi o mar nesta sede de futuro com a ansia de regar as paredes do meu muro Jorge Cortez (edgar paimôgo) Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» Paz e Amor Os anos sessenta e setenta Chegaram descansaram e se foram Agora se lembra e não se agüenta A saudade a tristeza e a dor... Naqueles alegres anos dourados Os hippies alegraram o mundo Pregaram uma utopia por todos os lados De felicidade paz e amor profundo. Com suas coloridas e esvoaçantes túnicas Seus longos cabelos enfeitados Suas bijuterias de beleza única Caminhavam e cantavam enfeitiçados... O amor estava no ar Era tempo de paz e não de guerra O som dolente de suas canções Enchiam os ares as almas e a terra. Amando e não guerreando Todos se sentiam irmanados Naquela paz se sentiam amados e amando Era o êxtase sem futuro sem passado... Mas o tempo não para por ninguém Voando ao sabor do vento Os felizes anos passaram também Sessenta setenta se perderam no tempo. O século também mudou De vinte para vinte e um A mudança nos assustou Dos hippies não sobrou nenhum... Agora são tempos novos Muita guerra e pouco amor Onde está a paz dos povos? O vento guerreiro rodopiou e levou. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais - Brasil “INTENCIONAIS-2” Foste dizer ao amigo… Mal de mim, nem reparaste Nesse mal, que está contigo, E ainda não mudaste! Coitado, nem é capaz De ver o mal que propaga! Mal que na terra se faz, É na terra que se paga! Dizes ter por opção Silenciar, te convém! Enganas o coração E mostras o teu desdém! Atrás de tanta frieza… Onde te tentas esconder, Mostras mais essa tristeza Que há no teu modo de ser! Pensei que te conhecia Enganei-me, sem saber E a partir de certo dia, Nem te queria conhecer! João da Palma (Amlapad) DIA DA MULHER Este dia da mulher Não é um dia qualquer Pela grandeza e valor, Porque a mulher é no mundo O ser mais belo e fecundo... É o símbolo do amor. A mulher é elegante É atraente e brilhante, Dá afectos sem medida, Suave rosa de amor Como primavera em flor Que dá vida a nova vida. A mulher por natureza É rainha da beleza E uma fonte de amor... E no conforto do lar A mulher é o pilar Que nos une em seu redor. Por amar com devoção O seu nobre coração Tem para todos lugar, Marido, filhos e netos Vão recebendo os afectos Que só ela sabe dar. Há no seu peito a ternura E nos beijos a doçura Que só uma mulher tem, Por tanta virtude ter, Eu vejo em cada mulher Uma santa e doce mãe. Isidoro Cavaco - Loulé Felicidade… (Poema de um sonhador…) Ainda pequenino, olhei o céu, O mar, o sol, a água do ribeiro, E logo nessa altura em mim nasceu, Um sonho mentiroso e traiçoeiro. Subir... poder voar na imensidade, Dar livre curso à minha fantasia... Pensando assim, julguei que a felicidade, De nós, e não dos outros dependia. Embalado nas asas da ilusão, Livremente deixei o coração Dizer a toda a gente o que sentia. Mas vi depois com mágoa e sofrimento, Que aquilo que eu dissera num momento, Ninguém... ninguém sequer o entendia . . . SONHO MEU Desde que te encontrei, por acaso passaste a ser uma grata surpresa para meu coração sofrido e árido, necessitado de cuidado e afago. Nenhuma palavra foi pronunciada. Nada que pudesse ser interpretado Como sinal de sentimento avivado, mas teu olhar foi certeiro e cativante. Teu modo de tratar as mulheres, tuas palavras sempre delicadas atingiram meu coração carente. És pessoa de sentimento puro, amor indiscutível pelo ser humano gravado para sempre no meu coração. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/BRASIL António Boavida Pinheiro - Lisboa

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | | Março / Abril 2015 «Confrades» SER MULHER Ser mulher é manter alerta todos os sentidos Para sempre estar pronta a atender Aos que se sentem órfãos ou preteridos... Na incessante missão de doar-se, em ser Ser mulher é somar dor e alegria Em todos os momentos Transformando realidade em fantasia Anulando o que seria sofrimento Ser mulher é saber ouvir Com a sapiência de um sábio Sobre o que ouve, silente, refletir Para quando disser, em suas palavras, seja hábil Ser mulher é atenuar horas difíceis Com sabedoria, ternura e compreensão Em atitudes e palavras dóceis Seja ou não, reconhecida em sua abnegação Ser mulher é manter-se em sintonia Com o universo, como incansável guardiã Preservando a vida em sinergia Acolhendo em seu ventre como a mais perfeita anfitriã Se és mulher, sinta-te louvada Em todas as horas de todos os teus dias Que seja por todos amada Pois tu és a própria vida, em poesia Maria Luisa Bonini De poetas e velas Um papel em branco, mar, uma vela branca, oceano. Um poeta, Um velejador. Papel e vela prontos A serem rabiscados. A serem içados. Navegam as rimas, Escrevem as ondas, Veleja a liberdade! Mais uma ousadia Em me querer poeta, Muito menos que navegador. Luiz Eduardo Caminha Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm DIA DA MULHER. MULHER Mãe A quem, Tudo, devemos. Desde o tempo que a incomodamos com enjoos, Antes de nascermos e sendo já Vida E nos aconchega logo que chegamos E nos envolve em Amor, até à partida. Irmã Senhora quase da mesma idade, mas mais pequenos até depois é sempre …. a minha maninha, Com quem nos zangamos mas gostamos tanto, E nos protege sempre e… nos põe na linha. Namorada A menina que ainda nos faz andar à chuva e atravessar desertos de adolescência por quem lutamos e nos esgadanhamos até à velhice porque o novo Amor Dela é tão bom sempre. A mulher amiga, esposa, camarada, amante, mãe dos nossos filhos e filhas, fonte da nossa descendência, Mater santa, Luz da Família. Mulher Desconhecida ou não, que ilumina os passeios à sua passagem ...seja alta, baixa, loira ou morena, é sempre bela e faz valer a pena passarmos por Ela, Que boa aragem. É Dádiva Divina que às vezes magoamos E justificando com a humanidade, nos desculpamos... que foi sem querer, sem saber, sem perceber… mas fizemos danos, Ela entende e até sorri.... mas não vai esquecer. Por isso, ás vezes só vemos panos , cumprindo a pior sentença de não A ver. Nada é melhor que uma Mulher José Jacinto “Django” Poema Amigo Amigos vêem até nós como águas a sossegar velas velozes de um barco tremendo quando os mares se agitam de par em par ou quando tememos o que somos ou vamos sendo. São como faróis de fortes luzes a debruar as noites mais ricas e até as mais esconsas crendo quando mesmo num raro sopro a assoprar nos levam a bom porto seus braços estendendo. Mas amigos são também como o silêncio que é de ouro quando nos escutam as pressas de chegar ou quando nos apontam o caminho mais duradouro. Razão de ser deste meu poema que quis sincero! Porque amigo que é amigo nasceu par’amar não esconde nem finge e fá-lo com esmero. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 7 Confrade desta Edição « Ana Maria Alves » Triste… Memórias felizes envolvem o pensamento lágrimas descuidadas correm no rosto dor intensa atinge o momento com recordações intensas na lembrança... As tuas mãos, marcadas pelo tempo desaparecem no ínfimo da noite. Tristes sensações embaraçam como sanguessugas a realidade, ao sabor do vento, ao sabor da noite, dançam… desafiam a própria dor num embaraço profundo desorientando o teu calor. És sombra no caminhar. As tuas mãos calorosas aconchegam. Verdadeiras e sábias palavras Transmitem-nos coragem e valentia, Guia-nos no nosso dia a dia! Dissabores… Dissabores Assobios de tristeza Delírios de fraqueza Desilusão Repressão Vulgares vestidos negros Coberto de escura noite Que despe as vestes Sombrias Ao adormecer. Viagem Viajo divagando ao som do nada Paisagens fulminantes Deslumbram o meu brilhar Um encantamento perdido no teu olhar De gente pacífica E corajosos transeuntes Na estrada de ninguém… Caminhos verdejantes Cobertos de finas gotas Amortecem o trepidar Da viva água E bajuladora fúria Entranhada nas cores enaltecidas Do agora. Exaltam-se a cores aturdidas Vagabundas do vento De outrora. Urgentemente É urgente… É urgente a mudança É urgente uma nova atitude. Urgentemente Caminha de cara levantada De olhos postos no futuro Mostra a tua indignação Dá cor à voz do coração É urgente mudar… A mudança na tonalidade da tua vida A crença numa nova investida… Caminha com crença no futuro É urgente mudar. É urgente amar. É urgente acreditar. A mudança Urgentemente. Cidade Deambulam as pessoas Sem destino… É um vaivém de destinos Cruzados Filhos de alguém Porém, que não lembra a ninguém… Os cheiros, os aromas, As paciências, o ruído, O ritmo… Diferentes no timbre cada ser… Sombras Sombras Deambulam ao som Da luz da noite Da pacificidade do dia Caminham de forma precisa No mundo dos vivos Entendidos, Na azafama de ninguém, No poder corrupto Da hora da madrugada Terna e sombria…

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 «Confrades» O que na lembrança ficou Ficava tempo a olhar Vendo as velas rodar No velho moinho de vento Tudo isso já passou, Mas na lembrança ficou As coisas daquele tempo Aguçava-nos o apetite Ver sair do alambique A aguardente a pingar Ia a noite bem adiante E dizia-nos o fabricante Os moços não podem provar O velho lagar moendo E das azeitonas escorrendo Aquele belo azeitinho Dizia o mestre, que gorda Para fazeres uma açorda Toma lá um bocadinho Quando a água corria No ribeiro se movia O velho moinho então Dizia o moleiro com alento Lá no moinho de vento Só se mói durante o verão Seu rebanho ordenando O pastor estava cantando Naquela manhã tão fria Agora para terminar Com saudades a chorar Do que eu vivi um dia. Alentejo http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm O Dia da Mulher Dia internacional da mulher Em oito de Março comemorado Pense o homem o que quiser Mas é um dia bem recordado. Resultado da luta entusiasmada E de muitas manifestações Uma data que deve ser celebrada Pelas maravilhosas intenções. Um dia importante de verdade Foi um dia de greve marcado Na tentativa de obter liberdade Para alterar o trabalho forçado. Dia comemorado anualmente Para as conquistas recordar Devia ser assim mundialmente Mas não foi possível mudar. Merecem a nossa homenagem Esposas e mães dos nossos filhos Vamos-lhe prestar vassalagem Esqueçam se houver sarilhos. Com a sua beleza e formosura Deixam os homens desnorteados Que corrompem sua estrutura Para se tornarem seus amados. A mulher realmente dominante Além de bonita muito vaidosa Muito divertida e inteligente Na vida do homem maravilhosa. A beleza de uma mulher Em nada na vida tem um senão Pensem lá o que quiser É do homem o amor do coração. Deodato António Paias – Lagoa Traga-me Flores Traga-me flores! Não as de jardins, sofisticadas nem flores coloridas de belos predicados. Não as lindas rosas que exibem seus reinados, tão pouco, margaridas mimosas e delicadas. Quero flores simples, por ninguém notadas, geralmente solitárias à beira da estrada, sentindo a vida na raiz empoeirada. Com elas, gostaria de ser contemplada. Comigo são parecidas, eis o significado simplicidade de vida, profetizo tal reinado. Podem estar murchas, sem viço, esturricadas. Vivem na terra dura sem nenhum cuidado. Nelas há beleza e por mim serão admiradas. Traga-me flores! As mais singelas encontradas! Salpicada de lírios e poejo, Salgada p’lo suor das mondadeiras, Fecundada p’lo canto das ceifeiras, É Mãe prenhe de pão, é Alentejo! Queimada pelas tardes soalheiras, Gente de tez morena, na qual vejo O trabalho esforçado, o traquejo De quem à terra deu vidas inteiras!… Carriças, andorinhas e pardais Dividem entre si essa riqueza, Em agitadas danças matinais… Terra plana, prazer da Natureza Que se espraia nas ondas dos trigais, Deslumbrada por ver tanta beleza! Carlos Fragata - Sesimbra SONHO No sonho vou ter com Eles, MEUS PAIS, Onde ponho óleo nos elos E sonho até não poder mais esquecer. Para deixarem passar Sem parar Os meus apelos. A seguir levanto e descanso E ponho os selos Nas peles Por onde vigio a passagem da Vida. José Jacinto – Casal do Marco Chico Bento - Suíça Sonho Vinhas Todos Os dias E eu Olhava, Olhava, Olhava... Pr’a ti. Depois, Surgiu Chuva Miúda, Molhou Os sonhos. Fugi, Com medo De te Amar. Cremilde Cruz - Lisboa Estrela Radiante na escuridão Brilha, brilha, brilha Nesta noite lúgubre Reina em mim Indomável sentimento. Aproxima-se Sorriso da vida Gentileza do amanhã Tecendo meus olhos Rompe meu oceano. Num instante A completude de meu ser Arrebata-me Desejos, sonhos A estrela em mim. Danielli Rodrigues - Paraná Rita Rocha - Santo Antônio de Pádua RJ – Brasil “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” Sêneca

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 9 “Cantinho Poético” Ouro Verde Já foi ouro de lei, óleo sagrado, Alma de lamparinas e candeias, Razão de festa sacra nas aldeias, Já foi bendito e amaldiçoado… Acompanhou heróis nas epopeias, Foi unto, foi remédio desejado, Sangue do negro fruto que, esmagado, Deu todo o que tinha em suas veias! Jóia do pobre, que faz dele pão E dote em muitos nobres casamentos, Arreigado na nossa tradição… Companheiro nos bons e maus momentos, É dádiva da terra, puro e são, Inquestionável rei dos alimentos! Carlos Fragata - Sesimbra FANTASIAS Os azulados fumos dos cigarros Na sala debruada a renda e folhos, Em formas espirais voam, bizarros, Roubando a luz ao brilho dos teus olhos. Chama que não se apaga nunca mais, Visão que me arrebata num impulso, Nessas horas de sonhos sempre iguais Ao compasso ritmado do teu pulso. No véu impenetrável do futuro Das nossas fantasias por viver, Há ilusões que juras e eu juro, Que acabamos depois por esquecer. Apenas o silêncio, lá na rua, Nos embala ao som da sua voz Entre a luz das estrelas e da lua, Que esconde o segredo que há em nós. Nas nossas fantasias dos desejos Cometemos loucuras com agrado, Ao sentir as ternuras que há nos beijos, Nas noites que passamos lado a lado. Isidoro Cavaco - Loulé Suspiro Se me fosse concedido Um único desejo, um único pedido E sendo este momento o derradeiro Eu pediria você comigo Para lembrar, na eternidade Que o amor existe Sandra Veroneze – Porto Alegre/RS/BR “Onde há música não pode haver maldade.” – Miguel de Cervantes Velho Ser velho E ser sábio… Será bom ser sábio? Será bom ser velho? Eu preferia … Não ser sábio E não ser velho… Queria ficar… Não queria ir… Mas vou… E vou ficar velho… E vou-me embora… Só não saberei… Se realmente… Chegarei a ser sábio… Desencanto Porquê este meu desalento, Que me deixa assim prostrada, Como se a alma fosse trespassada E tudo perdesse o encanto? Não será pela demora da chuva, Que teima em não cair E os campos precisam florir… Pelo vento gélido da madrugada, Assobiar por cima do telhado E a deixar o meu sono agitado… Nem pela chegada do novo dia Enevoado, carregado de nostalgia… Tão-pouco pelo sol de inverno, Que se esgueira para a outra rua, E deixa a minha rua sombria. É apenas desencanto: Com a passividade da humanidade, Perante tanta iniquidade… Com o silêncio dos inocentes, Que não ousam clamar por justiça… Com as exacerbadas paixões, Alienadas, nefastas e incongruentes… Com os valores invertidos das novas gerações… E o fanatismo de várias religiões, Que matam e exploram humanos crentes! São Tomé - Amora Lili Laranjo – Aveiro Rosto de África… No rosto Envelhecido Da lágrima De África Pernoitam Palavras Choradas, Há séculos Ecoam Terras De gritos Infinitos De dor, Vidas No calor De verdades incolores Fredy Ngola Luanda - Angola Touradas? Na verdade, a tourada é uma arte! Uma arte, que distrai muita gente! Por torturar, não há em toda a parte, Porque algum povo a acha repelente! É horrível ver os touros a sofrer E até, os elegantes, cavalos! Os forcados se sofrem é por crer Com os cavaleiros a contemplá-los! Que tristeza ver animais sangrar, E, tanta gente, feliz, a olhar! Abusar da Natureza, Senhor? Mais bonito o cortejo nas arenas Com belos conjuntos e muitas cenas Onde sobressai a paz e o amor! Bento Tiago Laneiro De Vila Nova de S. Bento, Primavera lindinha Traz de volta a andorinha… Arménio Domingues - Amora

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» MÃE os homens inventaram um dia a que chamaram "dia da mãe" não para sentir essa alegria amor beleza e ternura que essa palavra contém Ah! querida MÃE se os ouvisses ainda vendendo comprando arreliando numa guerra infinda de preços de mercadoria para te dar para ser uma boa filha para te amar mãe sabes quanto te amei quanto carinho tive por ti e desse amor maternal eu ainda não esqueci hoje que partiste eu tão só te recordo em cada canto da minha casa em cada espaço da tua casa em cada passo que dou em cada dia que passa procurando ser o que sou e que achavas ter tanta graça faço escrevo com amor e ternura pensando em ti em nossos momentos de ventura e como gostavas do que escrevia e tua boca sorria MÃE... estou só sem ti te recordo neste e em qualquer dia para te sentir feliz lá no céu onde moras vou passar um poema teu para limpares as lágrimas que ainda choras… Rosélia Martins P.Stª Adrião - Loures Sonhei Tocaste-me com o olhar Tremi de emoção! Fizeste-me sonhar… Sorrir…Acreditar… Que o sonho era real Enganei-me!… Mas não vou chorar! Nem julgar… Não! Vou perdoar…Voltar a página… E continuar!... O tempo vai passar As lembranças esvanecendo Um dia!… Tudo volta ao lugar E quem mais perdeu?… Foste tu! E não eu Não sabes… O que é amar! Conceição Carraça Torre da Marinha Recordação Nas eiras, da saudade, vejo o trigo Debulhado, ao calor, por animais. Oiço, ainda, as espigas, os seus ais... A tocar no meu peito, tão antigo. O vento, a suspirar, era um amigo Que transportava a palha a outro cais... O grão era medido, por meus pais, E na paz do celeiro tinha abrigo. As mós ainda rodam com amor, E a peneira sacode a minha dor, Envolvendo em farinha o coração. A massa a levedar em clima morno, Saudade a crepitar à luz do forno, E eu, na minha infância, a comer pão. Não tão perto Amor e ódio Tapas e amassos Os humanos são assim Porcos-espinhos Sandra Veroneze – Porto Alegre/RS/BR MULHER E teus olhos de cor indefinida A brilhar nos teus lábios cor de lua, Mostram um doce peito de alma nua Num corpo que está p’rálem da própria vida. E tua voz é rosa renascida Nas pedras negras desta minha rua, A pele é dessa cor apenas tua, O sorriso a canção desconhecida. És o perfume doce do jasmim, A borboleta que voa no jardim, O amanhã d’esperança por viver. Talvez o amor amado do poeta, O soneto maior que se arquitecta, Ou apenas e só uma mulher. Nogueira Pardal - Verdizela Olhos Infantis Quando o olhar de uma criança denuncia O abandono, a solidão e o sofrimento, Torna-se inútil transformar esse momento Num sentimento que alguém chame de poesia. Quando o amor passa a ser só filosofia, À revelia do que sinta um coração, Por ironia, há quem nem dê muita atenção A esse olhar que tem a dor por moradia. Mas no instante em que eu me torno esse menino Há nos meus olhos, esse olhar tão pequenino, Que apesar da dor, conserva a esperança De que o mundo tenha olhos infantis E que se alguém pensa em tornar alguém feliz, Veja o que diz o coração de uma criança. Luiz Poeta – RJ/BR Glória Marreiros – Portimão

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 11 «Tempo de Poesia» Querida Candinda... Recordando-te com saudade... VIDA APÓS VIDA Foi menina, jovem, Mulher... E os anos foram passando... E na vida de todos deixando… Amor, carinho, amizade... Desde sua tenra idade! Foi menina, jovem Mulher… Dos cabelos negros, Encaracolados... Na cabeça Emoldurados, Fios de prata ficaram... E, no rosto lindo e macio, Cheio de beleza, Abriu sulcos, o tempo, Com grande subtileza!... Porém, um dia, Do rosto da menina de outrora, Raiou uma nova aurora! - O sorriso se apagou... - O movimento se quedou!... A metamorfose da vida Fazia, firme, Sua trajectória!... E, com vitória, Do seu casulo, a alma liberta... Tal qual uma borboleta!... Voava feliz!... Colorida!... Para a verdadeira Vida... Onde não há pranto nem dor Para os braços do Salvador! Filomena Gomes Camacho - Londres Destroços Fez-se o amor do nada e nada ficou, a vida, o corpo, a máscara e a fala, tudo passou, porque tudo é efêmero... Jogados na surdez do eco... O amor se perdeu com o esquecimento, se foi com a brisa fresca, roçando minha face ardente, e o meu corpo dorido ansiando prazer... Nas noites inócuas e vazias, num simples aceno, o amor se perdeu, indo as lembranças e os carinhos, afogados num copo vazio... De um amor que se perdeu, lembranças e saudades somente, onde eu era o piscar da primeira estrela, até não restar mais nada de mim... Simplesmente destroços! ZzCouto – Niterói/RJ/BR Jóia Rara Os olhares trocados, a cumplicidade Os sorrisos calados...momentos de felicidade Momentos! Tão curtos momentos! Mas, que vivem para sempre São jóias raras…são sentimentos Imagens gravadas na mente Não tem explicação! É amor! Sente-se! Simplesmente… Toma conta da gente Explode como vulcão Paz felicidade alegria, emoção...! Depois... a solidão...a amargura A dor rasgando o peito É o amor! Infinito... enquanto dura Conceição Carraça – Torre da Marinha Quando outono chegar Tu juras que sabe de tudo... Mas não sabes de nada Pois me fechei em copas novamente Exclui-te da minha vida totalmente Tiras-me do chão Faz-me voar Faz-me sonhar Contigo! Perco-me em devaneios Não! Não vou mais incomodar-te! Com meus queixumes pueris... Com minha dor infinda! Meus dissabores... Não vou mais te aborrecer... Com os meus devaneios... Inúteis! Etéreos! Minha arte estéril... Meus gritos poéticos de dor Sussurros histéricos!!! Que ninguém ouvirá Quando o outono boreal chegar E eu não couber mais em mim Vou me esforça para te esquecer Para todo o sempre Nessa hora vou cuidar de mim Samuel da Costa – Itajaí - BR “Hoje é o dia do pai Nunca vou esquecer o meu Mas se não fosse a nossa mãe Não eras tu pai nem eu” Eu faço quadras em terra Também as faço no mar Umas são feitas a rir E outras feitas a chorar Guitarra toca baixinho Guitarra toca baixinho, Já não tenho voz pra ti, Já alterei meu caminho, Tudo na vida perdi! Mas, quero levantar asas, Pra conseguir alcançar… Na vida acendem-se brasas, Nem desejo mais pensar. Pergunto se vale a pena, Lutar na vida sem fim. Esta luta é tão pequena Não dá pra perder latim. Guitarra toca baixinho, Não toques no meu ciúme Vou seguir o meu caminho Viver com este queixume. Jorge Vicente - Suíça EU POESIA ? No embalar da vida Procuro versos! Deparo-me com sentimentos Tento descrevê-lo... Não consigo fazê-lo! Indago-me repetidamente: Eu poesia? Não encontro à resposta. Adoto outro ensejo: Sigo as estrelas, Seleciono a mais brilhante Aquela... A mais solitária de todas Quem sabe, Encontre a razão desta [sofreguidão?! São riscos, rabiscos Alma em irresolução Não escrevo o que é sentido Questiono-me mais uma vez: Eu poesia? Socorro Lima Dantas Recife/PE/BR Silvais - Évora Silvais - Évora

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 «Trovador» Subir e cair depressa Se subirem de repente De repente vão cair Até eu fico contente Tão devagar a subir A história duma subida Sempre alegra muita gente É verdade nesta vida Se subirem de repente Vê-se a alegria no rosto Ficam-se de cima a rir Basta-lhe um pé mal posto De repente vão cair Gosto mais de apreciar Quem sobe lentamente Indo a subir devagar Até eu fico contente Vou o rochedo escalando Devagar para não cair Por isso vou continuando Tão devagar a subir. Chico Bento - Suíça “Apalpando a Sociedade” Inda por cá vou andando, Cumprindo a minha sina. Também não sei como e quando A minha vida termina! Sei que acabará um dia Já vou meditando e vendo Parte de alguma alegria, Que em mim vai desaparecendo! Partilhei tanto na vida, Semeei tanto carinho Vou p’ro lado da partida… Vou-me encontrando sozinho! Vou devagar, mas andando Por aí, e vou vivendo! Para ir observando, Quem de mim se vai esquecendo! Apalpo esta sociedade Sinto a indiferença escondida Por de trás da humildade Que poucos têm na vida! João da Palma (Amlapad) Portimão Fiz do meu estro uma vara MOTE Fiz do meu estro uma vara Para medir a verdade E dar com ela na cara Do cinismo e da vaidade (António Aleixo) GLOSA Fiz do meu estro uma vara Pra eu saber, com certeza, Se eu terei alguma tara Ao supor-me realeza! Comprei, mesmo, uma varinha Para medir a verdade; Qu’ria saber o que tinha Sido noutra Eternidade. Arranjei uma tiara A julgar-me uma Condessa E dar com ela na cara Cingindo-me na cabeça. Resumindo: eu pretendia Ser humilde de verdade, Dar-me co’a vara… à orgia Do cinismo e da vaidade… Clarisse Barata Sanches - Góis Sem Pedir Licença Entraste na minha vida E nem licença pediste Vieste pedir guarida Querias ficar escondida De quem à muito fugiste Abri-te a porta e entraste Ficaste bem à vontade E por loucura ou contraste Com alegria ficaste Da minha infelicidade Não pensei que ias ficar Muito tempo por aqui Pois não me vais enganar O tempo vai-me ditar O que hei-de fazer de ti E tu vieste até mim Não sendo bem novidade És só um sonho ruim P" ra sossegar o meu fim Deixa-te ficar saudade. Maria de Lurdes Brás - Almada “Se fores ao Alentejo” Mote: Se fores ao Alentejo Passa lá, pelos Tacões! Dá-lhe um abraço e um beijo, E as minhas saudações! Glosas: Vai conhecer essas fontes… De tradições de sobejo Visita Aldeias e Montes, Se fores ao Alentejo! Traz-me de lá novidades E ouve as suas canções. Não vagueies só nas cidades Passa lá, pelos Tacões! Essa Província da calma… Que eu adoro e desejo! Se encontrares algum Palma, Dá-lhe um abraço e um beijo Os Fernandes, outro laço, Raízes de gerações! A todos, dá um abraço, E as minhas saudações! João da Palma, (Amlapad) O mentiroso Triste sina de quem tem Um mentiroso por perto Não tem paz nem vive bem Porque o parvo diz que é esperto Felino - Alentejo … /// … A mentira carinhosa Não me mintas com vaidade Nem me traias por amor Se mentires por amizade Ainda tens algum valor O Trêtas - Alentejo À costa fui passear No meio da gente rica CEO azul sereno mar, Na praia da Caparica Arménio Domingues - Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 13 «Poemar» Amante Pela linha do horizonte vem, Teu reflexo em minha mente Domina o tempo infinitamente Sem correria, sem saída Com imagens aquém... Sendo a mais ditosa das presas Da toda emoção consentida Nesta emboscada de desejos, Na espera da teia dos teus loucos beijos, Em maliciosas surpresas!... Neste ardor do amor afim O tempo que há-de vir, É refrigério saber-me tua amante Neste tempo presente... De desejos ardentes E de bem-querer alucinante. É dentro desta noite sorrateira Que te envolvo em paixão manhosa Para inquietar teu corpo com explosão Feito á minha maneira, Com meu cheiro de rosa Dominada pela paixão, Levando o Universo ao desassossego, Porque Amor é Amor, Que traz o gosto do pêssego, E por ser Amor, vai conspirando Em delírios suspirando, E... Esquecendo os reversos, Vão se compondo os meus versos. Efigênia Coutinho - Balneário Camboriú/BR Que Vais Fazer... Que vais fazer com tantas aflições, senão sujar o bom, o belo de viver? Se o nosso maior dom é não saber, saibamos tourear as ambições. Ontem, futuro: são assombrações, só no hoje podemos nos mover. E aqueles dois na mão podemos ter se hoje gerirmos bem nossas ações. Assim modificamos os arquivos do passado e abrimos trilhos vivos no futuro: pelo hoje em nossa mão. O mais pertence a Deus, entrega a Ele. Aliás, em sendo tudo, tudo Dele, entrega-Lhe também tua aflição. Laerte Antônio –Casa Branca-SP-Brasil Talvez Talvez as árvores entoem cânticos de cetim adornado pelas estepes no mundo da fantasia adormecida pelo vento Talvez a sensibilidade cante por entre os palácios na harmonia sensível de uma águia sonhadora Não sei onde me encontro na melodia incerta de um camponês ou na sobriedade comum de qualquer ser adormecido Quem sabe da incógnita imprevista na solidão na intempérie do imprevisto E talvez não na indecisão fria e incerta no Universo perdido por campos destemidos… Pedro Valdoy - Lisboa Uma Mulher Um rosto, um olhar, uma mulher!... Não sei quem é... - e nem me interessa. Apenas imagino, Qual o sonho que ela quer, Hoje e sempre... (no seu mundo de promessas). Mil desejos neste olhar Indefinido, Uma esperança de encontrar um bom marido! Uma promessa de amor, Já se me esconde e eu imagino... Mil venturas e outras tantas loucuras Neste meu sonho desde Menino. Silvino Potêncio – Natal/BR Melodia de Paz Entre o querer amar e o deixar de querer, há uma linha que divide e impossibilita a realidade do sentir e que tanto nos faz sofrer, quando no entretanto todo o amor se agita. Toda as decisões da vida que levamos, nem todas são boas, e muitas são até más, principalmente em atos que não acatamos, por norma, mais tarde, roubam-nos a paz. Tal e qual como uma melodia que nos entra peito adentro, e que nos tanto concentra o pensamento quando está havido o valor. Mas se os sons que nos chegam são doridos, entre uns e outros, excluem-se os preteridos, e guardam-se eternamente a paixão, o amor! Joel Lira - Lisboa Mulheres da Minha Terra Louvo a mulher do Alentejo Dum passado secular... Hoje, eu já não as vejo Nesses campos a ceifar! E as mulheres da beira- mar Da minha terra natal! Hoje vivo a recordar Essa mulher sem igual! São Mães, Mulheres dum País Nas lides a trabalhar... Com sua força motriz Nos rios, campos e mar! Louvo a Mulher Portuguesa A todas o meu carinho Louvo todas com certeza Do Algarve até ao Minho! Maria Fraqueza - Fuzeta Amor sem “limites” de idade O Amor de minha mãe E o de quem me acarinha É o melhor que a vida tem Seja criança ou velhinha Silvais - Alentejo

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 «Contos / Poemas» Azinheiras. Sobreiros, porcariços e marranitas Como a nossa casa era a última da vila, o montado ficava aí a uns 500 metros de maneira que no Outono, desde muito meninos nos habituámos a ir à boleta sem isso causar preocupações aos pais. A herdade começava ali e não sei se era a do Monte Novo ou a da Estebainha. Num tempo em que eram ainda inexistentes os sacos de plástico, normalmente levávamos um talego feito de restos de tecidos: pedaços de riscado. de opalina ,de chita da tabela ,de cretone, etc. Esses retalhos cosidos e encimados por uma bainha onde deslizava um cordel feito pelos manos num carrinho de linhas com 4 preguinhos que entrelaçavam os fios constituíam o talego. Dentro desse talego trazíamos as bolotas que depois comíamos cruas ou assadas, de roda do lar à noite em ruidosa e amena cavaqueira tão salutar e própria dos serões familiares. Desde a mais tenra idade que distinguíamos as azinheiras dos sobreiros. Sabíamos que estes davam as landes a que nós por corruptela chamávamos lêndeas. Estas eram “amargosas” e rijas enquanto as boletas eram doces e tenras. A ida ao montado era sempre fascinante. As azinheiras cobertas de frutos, as varas de porcos guardados pelo maioral, vulgo porcariço, que nos encantava com modas que tocava no realejo, tudo era encantador e à distância de tantos anos constituem evocações de momentos mágicos. O porcariço falava-nos do seu rebanho (nós não dizíamos o colectivo vara). Os filhotes (bacorinhos), a mamã, a porca que parira as crias, as marrãs (bacorinhas que deixaram de mamar) e os varrascos de aspecto agressivo, mas inofensivos. Que grande lição de zoologia nos dava o porcariço…. Meditando nestas recordações, verifico saudosa que foi enriquecedora a nossa infância passada numa vila rural com a aquisição de todos estes vocábulos para mim hoje interessantes e ignorados pelas pessoas que vivem nas cidades. Mesmo assim a gente pensa que sabe tudo… Tinha perto de 20 anos e estava à porta da rua quando passa um maioral q1ue andava à procura de um porco que tinha desaparecido. E diz para mim: A menina não viu passar aqui um porco inteiro? -Não vi não senhor. Nisto chega o meu pai. E digo para o meu pai com a irreverência dos meus 20 anos. _Olha, o homem parece que é parvo a perguntar se eu vi passar um porco inteiro então havia de ser só metade?! Resposta de meu pai: Parva és tu que desconheces que um porco inteiro é aquele que ainda não foi capado. Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau - Amora Gonçalves Dias O saudosista Dias. Em seus versos a descrição da nação. O diálogo do homem com a natureza. A arte de valorizar o mundo a sua volta. O escritor que ricamente trabalhou o "indianismo". Um teatrólogo que romantizava as relações humanas. Um etnógrafo com prontidão na arte da poesia. O jornalista que bravamente pesquisou as línguas indígenas. Um advogado preocupado com folclore brasileiro. Um patriota que imortalizou a sua nacionalidade. Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista. Cont. - página 16

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 68 | Março / Abril 2015 | 15 «Faísca de Versos» Palavras ao Vento Sou companheiro do vento E conto ao vento que passa Deste mundo o meu lamento No tempo que se esvoaça. Conto-lhe da injustiça Neste mundo praticada Da maldade e da cobiça O vento não me diz nada. Falo da fome e da guerra Da miséria que se esconde E dos crimes que há na terra O vento não me responde. Quero que leve um recado De quem ajuda implora E de quem sofre calado O vento tudo ignora. Peço ao vento que se agite Em prol da humanidade E que com direito grite Para os homens liberdade. Se o vento não me ouvir Nesta minha petição Então eu irei pedir Para o vento maldição !... Euclides Cavaco - Canadá Rituais Perversos Aqui, onde a razão é escarnecida E a Lusitânia tem raízes fundas Megeras há que urdem, furibundas Feitas com bruxos c'o a alma vendida No palco cai o manto, e os celerados Fazem do mal o lema que os condena À mais vil condição, quase obscena Das lesmas que carregam os seus fados Na podridão da cátedra que inventam Para ocultar as mentes truculentas Escondem os restos que ainda os sustentam Que mais hás de pagar, que essas ventas Fauces horríveis, garras que desventram Inda te habitam, pátria, inda os ostentas? Eugénio de Sá - Sintra Valeu-se dos amigos para isto? São as notícias que fervem com ele, Mas a preocupação recai sobre O zé-povinho e que vem daquele Pinóquio que destruiu o pobre Se o zé da fisga tem carros e terras!? Poucos bens são gerados por herança Em chamas a sociedade em berras Ganhou prisão! O homem sem fiança! Viu processos triturados às tiras Agora!? Um fomento de mentiras Valeu-se dos amigos para isto!? Dos muitos embrulhos que recebeu Jaz! Seriedade que desfaleceu! P’la lei o processo está revisto Pinhal Dias (Lahnip) - Amora Poemas em tempo de guerra HOJE COMO ONTEM... Hoje os rios correm vermelhados de vergonha, Plúmbeos os céus, envergam traje de ímpar dor, Na atmosfera gaseifica-se o estertor, Poeira de sangue sem limite que se oponha. É uma barbárie turbulenta que regressa, A insanidade da feroz Roma de Nero, A arena ignóbil do bestial exemplo fero, A demoníaca loucura, vã, pregressa. Sem rei nem roque Cada verso é o que é Esta verso foi aonde? Foi pró mar e veio de lá De mãozinhas a abanar. Foi pró mar? Mas que gracinha! O que é que foi lá fazer? Foi ao mar pescar sardinhas Para fazer uma açordinha. Por favor! Que salgalhada. Que pouca vergonha é esta! Estes versos mais parecem As inaptidões do Crato. Escolas sem professores Onde é que já se viu tal? A não ser, a não ser.. ah, Só se for em Portugal. Airesplácido – Amadora Qual a que à morte condenou natos varões, Pra aniquilar a voz do Cristo Redentor, Chegado ao Mundo pra pregar a paz e o amor, Mote enjeitado por Herodes e vilões. A mesma que, ímpia, conduziu à Inquisição, Injustamente, os desafectos, fés avessas, E fez rolar na guilhotina essas cabeças, Sem vacilar um só momento em compaixão. Hoje, motivos e razões bem divergentes, Vestem a Guerra igual, no sangue mergulhada, E capitula a Paz, às mãos da malfadada Carnificina que dizima os inocentes. Novo Dilúvio venha à Terra! E que extermine Os vis demónios que a ambição trazem aos pés, E nos devolva o Mundo, tal o que Deus fez, Um Mundo Novo que a violência recrimine! Carmo Vasconcelos – Lisboa Pergunto Roubaram muitos milhões Gamanços de muito peso, E dos ditos figurões Já foi algum deles preso? - Não! Não! Não! - E por que não? Porque quem rouba mais que [um milhão Deixa de ser um ladrão. - Ah, quem havia de dizer! Ladrão é quem rouba pouco Ou quem rouba pra comer? - Sim, Sim, Sim! Desde sempre foi assim… " A justiça na é perfeta" - Sendo assim posso dizer Que a dita é uma treta. ap “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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