Mundocoop 58

 

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A REVISTA DE GESTÃO, FINANÇAS, PESSOAS E MARKETING DO COOPERATIVISMO 58 Ano 13 FINANÇAS UNIMED CATANDUVA TRANSFERE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PARA SICREDI FUNDAÇões reforçam ações do cooperativismo o futuro do campo Como a tecnologia favorece o aumento da produtividade das lavouras brasileiras MUNDOCOOP 1

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Por que financiar a agricultura familiar é bom pra todos? Porque, se por um lado, aumenta a produtividade no campo, por meio do Pronaf, do Governo Federal, por outro, incentiva o comércio e melhora a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. E isso é bom pra todos. @bancodobrasil /bancodobrasil bb.com.br/bompratodos Central de Atendimento BB 4004 0001 ou 0800 729 0001 • SAC 0800 729 0722 Ouvidoria BB 0800 729 5678 • Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088 2 MUNDOCOOP

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Danielle Pedroso Cliente da Agência Sto. Antônio da Platina (PR) MUNDOCOOP 3

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Expediente A REVISTA DE GESTÃO, FINANÇAS, PESSOAS E MARKETING DO COOPERATIVISMO Buscar o bem-estar do produtor rural e do cidadão brasileiro via ações política e educativas é uma das finalidades das cooperativas agropecuárias. O caminho passa pelo incremento da produtividade, do abastecimento do mercado interno e da geração de excedentes exportáveis. Contribuindo com esse ramo, a revista MundoCoop, a partir desta edição, passa a contar com o caderno AgroCoop. Diretoria Douglas Alves Ferreira Luis Cláudio G.F. Silva Redação EDITORA / Katia Penteado - MTb 11.682/SP redacao@mundocoop.com.br Colaboração / Clarice Bombana, Lucia Rebouças e Nilton Tuna Arte DIRETOR DE CRIAÇÃO / Douglas Alves Ferreira ASSISTENTE DE ARTE / Guilherme Signorini revista@mundocoop.com.br Publicidade DIRETOR COMERCIAL / Luis Cláudio G.F. Silva ASSISTENTE COMERCIAL / Henrique P. Gouveia comercial@mundocoop.com.br Controle e Operações Wilma Zacharias Impressão Referência Gráfica TIRAGEM / 15 mil exemplares Fotos Arquivo MundoCoop e Istock Photo A revista MundoCOOP é uma publicação da HL/Mais Editorial Ltda. Rua Atílio Piffer, 271 - Conj. 62 - Casa Verde 02516-000 - São Paulo/SP - Telefone (11) 4323-2881 www.mundocoop.com.br Os anúncios e artigos assinados são de responsabilidade dos autores. As opiniões emitidas pelos entrevistados não refletem, o pensamento da coordenação dessa publicação. Para onde caminha o campo? Campo e tecnologia respondem pelo aumento da produtividade das lavouras brasileiras, que cultivam mais de 70 espécies. Sinalizam também o futuro do campo e a possibilidade de o Brasil cumprir sua vocação de celeiro do mundo. 21 4 MUNDOCOOP

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SOLUÇÕES PERFEITAS PARA O MERCADO FINANCEIRO Com mais de 10 anos de atuação, a TECNOCRED oferece soluções tecnológicas para as cooperativas de crédito obterem os melhores resultados. Nossa infraestrutura completa e comunicação integrada colocam a automação a serviço da eficiência. Para conhecer melhor as nossas soluções, ligue e agende a visita de um de nossos especialistas: (51) 3375.1300 www.tecnocred.com.br MUNDOCOOP 5

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Descubra um lugar onde a a o c s á P não é feita só de chocolate. O Casa Grande Hotel & Spa preparou atrações deliciosas para divertir toda a família nesta Páscoa. Tem brincadeiras incríveis na Casa da Criança, como a Caçada aos Ovos Dourados, além de Exposição de Esculturas, Jantar “Uma Noite na França” e um saboroso Brunch no Domingo de Páscoa. a partir de R$ 4.200 Preço para o apto Premium Duplo com café da manhã completo e jantar s/ bebidas Feriado completo (de 17 a 21/abr) * www.casagrandehotel.com.br *Incluir 10% de taxa de serviço e R$ 4/dia de taxa de turismo. Estacionamento: R$ 32/dia por veículo. Consulte outras opções de acomodação. 0800 11 65 62 FAÇA JÁ A SUA RESERVA Av. Miguel Stéfano, 1.001 . Praia da Enseada . Guarujá-SP | Consulte seu agente de viagens 6 MUNDOCOOP LAW

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48 | Pessoas Negociação ganha espaço no ambiente corporativo, pois cooperação é fundamental no equacionamento de conflitos 12 | Entrevista Américo Utumi, figura representativa do cooperativismo nacional em âmbito internacional, fala de sua trajetória, da participação na ACI e do sistema cooperativista brasileiro. fundações reforçam ações do cooperativismo 40 | Gestão O crescimento sustentável depende, algumas vezes, de mexer em time que está ganhando. A Ocepar vive isso. 32 18 | Marketing Sistema de Inteligência de Mercado democratiza informações e favorece o alinhamento de necessidades 16 20 30 38 44 | Vida Cooperativista Artigo de Roberto Rodrigues 46 | Finanças Unimed Catanduva transfere movimentação financeira para Sicredi 52 54 ”ENTRE ASPAS As matérias da revista impressa têm complementos exclusivos na edição digital. No final de cada matéria, há a indicação com os seguintes ícones: MAIS CONTEÚDO Mais informação no site MAIS CONTEÚDO vídeos exclusivos MAIS CONTEÚDO galeria de fotos MAIS CONTEÚDO texto completo da matéria MUNDOCOOP Sumário 7

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Cuidar hoje do amanhã. 8 MUNDOCOOP

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CUIDAR DE VOCÊ. ESSE É O PLANO. A UNIMED SABE QUE SEUS PLANOS SÃO IMPORTANTES PARA SUA VIDA E SE CUIDAR É A MANEIRA DE VOCÊ REALIZAR CADA UM DELES. MUNDOCOOP 9

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? A Curitiba nos aguarda! Até lá! MUNDOCOOP Devagar e sempre Ao Leitor ? Ao que mostram os números, essa frase não combina com o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, que cresce a passos céleres e promove o desenvolvimento de agricultores de todos os portes, fortalecendo inclusive a agricultura familiar. A pujança do agronegócio gera ganhos e oportunidades a diversos segmentos da economia, desde fabricantes de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas (óbvio), até softwares e sistemas de gestão, mostrando que tecnologia e ponta e atividade agrícola tem tudo a ver. Para onde caminha o campo é pergunta respondida por pesquisadores, líderes empresariais e representantes de empresas industriais e de serviços na matéria de Capa desta primeira edição de 2014. A intercooperação, sexto princípio cooperativista, está presente em duas matérias: o momento da Ocepar, que revisa o modelo de organização das cooperativas paranaenses, em Gestão, e a parceria entre Unimed Catanduva e Sicredi, em Finanças. Esta edição também traz entrevista exclusiva com Américo Utumi, uma das mais representativas lideranças do cooperativismo nacional que se destaca também em âmbito internacional. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, embaixador especial da FAO para as Cooperativas e presidente da Academia Nacional de Agricultura (SNA), passa a participar com coluna exclusiva e periódica: Vida Cooperativista. Em Pessoas, é enfocada a importância da negociação no equacionamento de conflitos em ambientes corporativos; Marketing trata do crescimento e da democratização proporcionada pelo Sistema de Inteligência de Mercado (SIM), que favorece o alinhamento de necessidades; no Momento Cooperar, são apresentadas algumas fundações criadas por cooperativas, que reforçam ações de cooperativismo visando à enraizar os princípios do cooperativismo em comunidades de todo o País; e Ponto de Vista traz artigo inédito sobre a implantação do e-Social. O crescimento do Sistema Cecred e os resultados da Viacredi estão em CrediCoop. Esta edição marca, também, uma novidade importante para a revista MundoCoop, que dá mais um passo para se aproximar de seus leitores. Em dia com os avanços do mercado, desenvolveu aplicativos para tablets e smartphones com sistemas IOS e Android. Desse modo, facilita o acesso e a leitura em qualquer tipo de equipamento que utilizem essas plataformas. Está é mais uma inovação da MundoCoop focada em você. Além disso, a revista será o Catálogo Oficial da ExpoCoop 2014. Katia Penteado, editora redacao@mundocoop.com.br 10 Izilda França

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ENT REVISTA AMÉRICO UTUMI 12 MUNDOCOOP ao integral Dedicação Cooperativismo

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ENTREVISTA Bacharel em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Paulo Américo Utumi é um dos mais expressivos nomes do cooperativismo brasileiro, conhecido mundialmente. Sua trajetória teve início na extinta Cooperativa Agrícola de Cotia – CAC – e se estendeu à presidência da Ocesp por quatro vezes, onde ainda é assessor especial e membro do Conselho Consultivo, assim como assessor da Presidência na Sescoop/SP - Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo. Além disso, é membro do Conselho Estadual de Segurança Alimentar – CONSEA, do Governo do Estado de São Paulo e membro do Conselho Superior do Agronegócio da FIESP. Sua trajetória internacional teve início em 1994, como secretário executivo do Comitê Agrícola da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e é marcada pela eleição para conselheiro da (ACI) por três gestões (2001, 2005 e 2009). Em 2005, por exemplo, quando foi reeleito, durante assembleia geral realizada na Colômbia, concorrendo com 21 outros candidatos de várias partes do mundo para 15 vagas. Entre outras atividades relevantes, destacam-se a vice-presidência da Cooperativa Agrícola de Cotia e a superintendência e vice-presidência da OCB; foi membro do Conselho de Administração da OCA - Organização das Cooperativas da América e secretário de Abastecimento do município de São Paulo. Por sua rica e vasta contribuição ao desenvolvimento do cooperativismo brasileiro, Américo Utumi foi homenageado em 2011 com o Prêmio “Destaques - A Lavoura”, promovido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Nesta entrevista exclusiva para a Revista MundoCoop, Utumi fala de sua trajetória, da participação no cooperativismo internacional por mais de uma década e do sistema cooperativista brasileiro, sinalizando o futuro. Confira! O senhor nasceu aqui e não é de família de cooperativistas. Pode nos contar como entrou no cooperativismo? Sim, sou da primeira geração da minha família (japonesa) nascida aqui. Mas não sou agricultor, como muita gente pensa, nem agrônomo. Eu era estudante e entrei para a Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) como funcionário, com 18 anos. Porém, naquela época, eu já tinha intenção de cursar Direito. Logo depois, ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP. Quando me formei, a CAC me convidou para assumir o cargo de advogado da empresa. A cooperativa era formada por agricultores japoneses, que, em sua maioria, não falavam português e, por isso, tinham dificuldade em procurar um advogado para resolver suas questões jurídicas. Passaram, então, a me procurar porque eu os entendia. E a mim confiavam suas defesas, frente a problemas jurídicos diversos, desde acidentes de carro a casos de direito de família, etc. e tal. Passei a fazer inventários e não cobrava nada, porque era como uma prestação de serviço adicional que a cooperativa prestava aos associados. E com isso fui ficando conhecido até os próprios associados me convidarem para ser o diretor da cooperativa. Foi uma decisão difícil, porque eu estudei e me formei em Direito. Isso foi em que ano e qual foi sua decisão? Isso foi nos anos 60. Conhecia bem a cooperativa e aceitei o desafio: deixei de ser advogado e fui eleito diretor da Cooperativa Agrícola de Cotia, e foi quando eu realmente passei a conhecer o cooperativismo a fundo, assumindo as Relações Institucionais da cooperativa com o Governo. Como os outros diretores eram em sua maioria japoneses, eles tinham dificuldade em dialogar com o governo. Então, eu era o grande porta-voz da cooperativa e, nessa ocasião, tive oportunidade de me relacionar com o Ministério da Agricultura, Ministério da Fazenda e do Planejamento. Foi nessa época que eu descobri a importância do cooperativismo para o pequeno agricultor. Eu participei de muitos projetos de assentamento da cooperativa e também comecei a perceber o valor do cooperativismo para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Como eram esses projetos de assentamento? Nós pegávamos uma área nada desenvolvida e levávamos os agricultores. Fizemos o primeiro assentamento no cerrado brasileiro e foi fantástico. Quando começamos o projeto, verificamos o valor das terras, e o cerrado não era considerado bom para a agricultura. Havia até um ditado em Minas Gerais: “Terra de cerrado nem dado nem herdado.” Nós tínhamos os agrônomos da cooperativa, mais os agrônomos do Ministério da Agricultura, e então o pessoal vinha para aprender, porque a Cooperativa de Cotia era um exemplo. Nós começamos o projeto em Minas Gerais, numa área grande e contínua, em São Gotardo. É uma ci- MUNDOCOOP 13

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ENTREVISTA AMÉRICO UTUMI dade pequena, que não tinha agricultura, nem comércio nem indústria. A terra foi desapropriada pelo Governo Federal para fazermos o primeiro projeto de assentamento do cerrado. Era uma área imensa. Nós começamos com 100 lotes e cada lote tinha 300 hectares. São Gotardo não tinha nada, tínhamos de dormir em Poços de Caldas, a 130 km. A única atividade econômica era a extração e a exploração do carvão das árvores retorcidas do cerrado. No início, tivemos de enfrentar a oposição e as campanhas lideradas pela imprensa, mas os resultados falaram por si só. Gente importante do Brasil vinha conhecer o projeto. De repente, jovens, filhos de cooperados aderiram à iniciativa e começaram a preparar a área. Aí, atrás desses agricultores, vieram os vendedores de fertilizante, de sementes, e a cidade passou a mudar completamente seu perfil econômico. Foi um feito extraordinário... foi quando percebi o quê a agricultura e o cooperativismo podem fazer juntos. Porque se fossem enviados agricultores isolados para aquela área, não seria viável mudar o panorama dessa maneira. Nós alocamos 100 jovens de uma vez em São Gotardo. O que se plantava lá? O projeto começou em 1970 com a soja; depois, milho. Daí veio um agrônomo e falou para começarmos a plantar café. A ideia foi repudiada por muitos, pois se dizia que o café não dava no cerrado, e que íamos perder dinheiro. O Instituto Brasileiro do Café (IBC) não quis financiar o plantio, mas depois de muitos embates, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais abraçou a causa e financiou o café. E vocês sabem, hoje, o melhor café do Brasil é o café do cerrado... Então, o cooperativismo levantou a cidade? E esse pessoal todo que participou do projeto, ficou por lá mesmo? Sim. Hoje São Gotardo, perto de Monte Carmelo, é uma cidade bonita. Não tinha nada e hoje tem todos os bancos, restaurantes, hotel, comércio em geral... O projeto ajudou a desenvolver a região toda. Sim, o pessoal ficou por lá. Até hoje tem uma cooperativa, a Coope- rativa Agropecuária do Alto Paranaíba (Coopadap), porque a Cooperativa de Cotia foi liquidada, já que a agricultura brasileira estava completamente quebrada em 1995, com os sucessivos planos econômicos do governo. O que houve nesse momento de crise? Nessa época, todos os agricultores estavam quebrados. Então, o Governo concedeu o adiamento dos pagamentos e lançou um programa para salvar a agricultura: pegou toda a dívida do agricultor e postergou por 30 anos. Foi um alívio, mas surgiu um outro problema. O agricultor independente resolveu o problema dele no banco, mas o associado da cooperativa não, pois não era ele quem devia, e sim a cooperativa. Quem precisava do empréstimo agora eram as cooperativas. Então, o Governo lançou o Pronacoop – Programa Nacional de Apoio ao Cooperativismo Social, e destinou bilhões às cooperativas, para que elas sanassem suas dívidas. E quando começa sua trajetória internacional? Tudo teve início em 1994, quando fui secretário Executivo do Comitê Agrícola da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), e o Roberto Rodrigues era presidente do Comitê. Em 1997, Rodrigues foi eleito o presidente da ACI (primeiro nome não-europeu a ocupar o cargo) e me convidou para ser o diretor da ACI no Brasil. Montamos um escritório em São Paulo (na Ocesp), e eu mantinha um contato diário com Genebra (Suíça). Fiz parte do Conselho Diretor da ACI por três gestões consecutivas: em 2001 fui eleito na Assembleia de Seul; em 2005, na de Cartagena; e em 2009, em Genebra. Terminei meu terceiro mandato agora na África do Sul, sugerindo mudanças nos nomes, com a indicação de gente mais nova. Nosso candidato – Eudes Aquino, da Unimed – ganhou, e o Brasil permanece no Conselho Diretor da ACI Como foi construída a sua relação com o meio cooperativista? Eu como diretor da ACI fiz muitos contatos, principalmente nas reuniões do conselho, realizadas em várias partes do mundo. Conheci cooperativas do mundo inteiro. Na época em que não existiam os e-mails, eu fazia a tradução para o português dos Boletins da ACI. O boletim vinha em inglês, eu traduzia para o português e o enviava a todas as cooperativas brasileiras. Quais foram as realizações depois de 2001? Eu participei da Conferência Internacional do Trabalho promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002. A ACI me nomeou como representante na conferência, formamos um grupo para discutir o ponto de vista cooperativista do Brasil e aprovamos a Resolução 193 da OIT sobre a promoção das cooperativas, entre outras ações. O sr. acha que a maioria das pessoas ainda vê a cooperativa como meia dúzia de agricultores que planta alguma coisinha e que tem a cooperativa para ir à feira. Em parte, sim. Isso decorre da falta de educação do povo. O cidadão não é educado ou formado para ser cooperativista, ser solidário... O brasileiro é muito individualista. Com isso, o cooperativismo no Brasil tem muito a se desenvolver. Por exemplo, o sistema de cooperativas de crédito está começando a avançar. O Bancoop e o Sicredi estão se unindo da mesma forma que os grandes bancos fizeram. Os grandes bancos no Japão, na Alemanha, Holanda e França são cooperativos, e o Brasil precisa de um grande banco para concorrer com o Banco do Brasil. Isso deve acontecer um dia. Que outros países estariam no mesmo patamar cooperativista que o Brasil? Teoricamente, os países emergentes. O Brasil tem 6 mil cooperativas; a Índia tem 500 mil. Quando os ingleses deixaram a Índia desamparada, em seu processo de independência, o primeiro ministro na época percebeu que o único jeito de alimentar aquela superpopulação era por meio de cooperativas. E, deste então, o cooperativismo agrí- 14 MUNDOCOOP

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O cidadão não é educado ou formado para ser cooperativista, ser solidário... O brasileiro é muito individualista. cola tem sido o esteio daquele país. Na América Latina, temos a Colômbia, país pequeno, mas com o cooperativismo avançado. A Argentina tinha um cooperativismo muito forte, mas com essa crise todas as cooperativas entraram num processo de dificuldade econômica. O que segura o sistema na Argentina são as cooperativas de serviço. O que falta para o cooperativismo se desenvolver no Brasil, a exemplo do que aconteceu em outros países? Além da educação que o senhor já apontou, o que mais seria necessário? Apoio do Governo e a cooperativa ser tratada como uma empresa ou organização. Como o Governo desconhece o que é realmente uma cooperativa, esta tem sofrido uma série de restrições e limitações. Exemplos: médicos filiados a cooperativas pagam duas vezes o ISS, enquanto médicos que não são associados pagam uma vez só. Aqui é proibido fazer uma cooperativa de seguro, por receio da concorrência. A cooperativa de trabalho é impedida de atuar em licitações públicas, e por aí vai... Na sua opinião, como os outros países enxergam o cooperativismo no Brasil? Incipiente. Em alguns setores, o Brasil está se destacando; por exemplo, na agropecuária (onde mais crescemos), no sistema de crédito e na saúde. E os outros ramos, é como se não existissem? Sim. Ninguém conhece os outros. É o caso da cooperativa habitacional e do cooperativismo na área de geração de energia. Esses são setores com alguma chance de ganhar projeção em futuro próximo. Como é o cooperativismo na Ásia? Há algum país em que todas as áreas funcionam bem? ' ' Nossa... No Japão se o agricultor não for associado a uma cooperativa, não sobrevive. Lá, o cooperativismo agrícola é muito forte, e o ramo educacional também é muito bom. Em cada país, tem um setor que predomina. Na Alemanha é o crédito; Itália, consumo; EUA, agrícola e crédito; Inglaterra, consumo; Suécia, habitacional; Dinamarca, agrícola (leite); Canadá, crédito. Recentemente, há algum fato marcante que mereça ser destacado em âmbito internacional sobre o cooperativismo brasileiro? Na Rio + 20, a presidente da ACI fez um apelo aos países para que fizessem pressão junto aos seus governos e fosse inserida no documento final uma referência às cooperativas. E o Brasil foi o único país que conseguiu isso. Em razão do nosso relacionamento com o Governo, principalmente com o Ministério da Agricultura, a OCB instruiu os representantes na Rio + 20 a ressaltarem a importância do cooperativismo no documento final. A lei cooperativista não sai do papel? Por quê? O PT não aceita a unicidade da representação cooperativista, que está prevista na Lei e que queremos que continue. As entidades ficam mais fortes assim. Subdividir e deixar livre vira bagunça. A ideia hoje é redesenhar o sistema e fazer um grupo de cooperativas econômicas e um de coopera- ENTREVISTA tivas sociais, que seriam do governo. Na verdade, as cooperativas precisam ser empresas e tratadas como tal. As cooperativas sociais precisam de ajuda porque fazem o trabalho do Estado e devem ser remuneradas por isso. Então há uma tendência de o cooperativismo brasileiro se dividir em setores? Existe a tendência de termos um cooperativismo de dois níveis com gestões diferenciadas. Um mais atrelado ao governo, como empresas. Na Itália, existe esse tipo de cooperativismo que substitui o Estado. Contudo, mais uma vez, repito, que a cooperativa tem de ser tal como uma empresa, caso contrário não tem razão de ser. Quantas cooperativas o senhor ajudou a fundar? E que recado daria aos novos líderes cooperativistas? Participei da criação de umas quatro ou cinco cooperativas, e que estão funcionando até hoje. O cooperativismo abrange todos os setores da atividade econômica. No mundo inteiro o cooperativismo é uma grande ferramenta de desenvolvimento econômico e social, e seguramente o será no Brasil. Aqui, no entanto, o cooperativismo não é ensinando nas escolas, as pessoas interessadas devem procurar cursos específicos, oferecidos em nível de pós-graduação, mestrado e especializações. MAIS CONTEÚDO Revista Digital acesse www.mundocoop.com.br MUNDOCOOP 15

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