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Revista Hobby News Juliano Redígolo O sa. ´Ferdinand` era um tanque pesado de assalto desenvolvido pela Porsche e construído pela Nibelungenwerke, levando em consideração as necessidades da Frente Rus- colocando o motorista e o operador de rádio isolados na frente enquanto que o comandante, artilheiro e carregador ocupavam a casamata na parte traseira. Mesmo com tantas inovações e qualidades, o Ferdinand não foi bem sucedido. Durante a sua estreia, na ofensiva do Kursk, muitas unidades foram paralisadas por falhas mecânicas e simplesmente abandonadas por suas tripulações. Diversos veículos foram abandonados no campo de batalha pela simples falta de reparo e resgate adequados. Mesmo sendo extremamente blindado, o Ferdinand não tinha como se defender com eficiência contra a infantaria inimiga e era facilmente cercado. Em Outubro de 1943, os 50 veículos sobreviventes foram enviados de volta para a fábrica a fim de conduzir reparos e implementar algumas modernizações, que incluíam a aplicação de zimmerit, montagem de uma metralhadora frontal para defesa, nova cúpula para o comandante e novas esteiras. Esses veículos passaram então a ser conhecidos como Elefant e foram utilizados principalmente na Itália, na tentativa de conter o avanço dos Aliados. Sua origem está associada a do famoso Panzer VI ´Tiger`. Protótipos para o Tiger estavam sendo desenvolvidos tanto pela Henschel quanto pela Porsche. No entanto, devido a diversas falhas mecânicas durante os testes conduzidos para avaliação, o protótipo desenvolvido pela Henschel acabou sendo o escolhido. Foi então decidido que caberia a Porsche utilizar os 90 chassis de pré-produção já desenvolvidos para um outro projeto. Em Setembro de 1942, foi ordenado para que o chassis fosse convertido para um tanque pesado de assalto equipado com o poderoso canhão PaK 43/2 de 88mm. No período de Março a Maio de 1943, em preparação para a ofensiva que aconteceria no verão, um total de 90 veículos foi concluído. Dentre as características inovadoras, o Ferdinand possuía uma suspensão formada por 3 pares de conjuntos de rodagem independentes com barras de torção longitudinais, cada um equipado com 4 rodas de aço, além de uma no esteira. A blindagem era composta por placas de 80mm nas laterais e impressionantes 200mm na blindagem frontal, considerada impenetrável para os padrões de 1943. Porém, o maior destaque ficava para o sistema de propulsão nada convencional: dois motores diesel Maybach eram necessários para movimentar geradores elétricos, que por sua vez alimentavam dois motores elétricos Siemens conectados as rodas dentadas traseiras. Os motores diesel ocupavam o meio do casco deixando espaço livre para o armamento montado na parte de trás do veiculo em uma estrutura simples em forma de caixa. Este arranjo acabava por dividir a tripulação,

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Out/Nov - 2009 O KIT O modelo do Ferdinand aqui apresentado (kit no. 6133) corresponde a sua primeira aparição na forma de kit plástico oferecida pela Dragon e trata-se de um modelo relativamente simples se comparado a outros da mesma empresa, principalmente pela ausência de peças em metal torneado e photo-etched. Mesmo assim, o kit é muito bom e completo, composto por 224 peças em plástico cinza distribuídas em 8 árvores além de mais 4 grades com um total de 240 links individuais para as esteiras. No entanto, o kit não oferece nenhuma forma de representar os cabos de aço apesar de serem itens presentes na maior parte das fotos da época. Outro ponto fraco fica por conta da pequena folha de decais limitada a marcações quase idênticas para apenas 3 veículos. MONTAGEM Quero elogiar esse modelo pela sua montagem simples e fácil de realizar, que pode ser feita sem problema algum seguindo as etapas sugeridas pelo manual, sendo necessários apenas alguns cuidados por parte do modelista. Vale lembrar que os braços da suspensão (etapas 2 e 3) podem ser movimentados. Tome cuidado nesse momento se seus planos incluem apresentar o modelo em movimento sobre um terreno acidentado. Na etapa 9, acabei optando por utilizar um pedaço de tela metálica ao invés da peça B10 para deixar a ventilação do motor elétrico mais detalhada e interessante. No decorrer da montagem algumas peças foram substituídas por outras (sobras de outros kits) porque possuíam um aspecto melhor. Dentre elas podemos citar as peças B22, B18, B17 e C23. O macaco também acabou sendo substituído por um mais detalhado. Durante a montagem, o modelista mais exigente pode também fazer alterações apenas remanejando a posição de alguns itens ou mesmo eliminando sua presença. Isso vai depender de referências e fotos que estiver utilizando. Podemos citar: -escudo do mantelete (peça C29): alguns veículos não contavam com essa blindagem extra no início das operações; -canaletas para chuva (peças E10, E28 e A29): também não estavam presentes nos veículos e são na verdade uma alteração feita pelas tripulações em campo durante a campanha; -Itens como a caixa de ferramentas (peça A25), macaco e esteiras sobressalentes são fixados em locais diferentes do original. As novas posições são definidas pela necessidade e experiência de cada tripulação; - alguns Ferdinands tinham a escada de acesso traseira (peças E18) eliminada para não ser utilizada pelo inimigo. Com o casco pronto, foram então fixadas as rodas e na sequência as esteiras. Estas acabaram sendo montadas no lugar para garantir o aspecto uniforme e sua melhor junção com os pares de rodas dentadas frontal e traseira. Um par de cabos de aço foi confeccionado utilizando fio de cobre trançado e ponteiras provenientes do Tiger I da Academy que haviam sobrado. Com isso, a montagem estava concluída e o modelo poderia então ser preparado para a pintura. PINTURA e ACABAMENTO Esta etapa começou com a limpeza do modelo que é lavado para eliminar qualquer resíduo de desmoldante, poeira e gordura que possam interferir na pintura. Após a secagem, o próximo passo foi a aplicação de primer cinza automotivo com o aerógrafo. O primer não só deixa o modelo com aspecto uniforme, mas também ajuda a evidenciar qualquer falha ou imperfeição que não foi notada pelo modelista durante a montagem. Outro ponto positivo é que o primer providencia uma superfície melhor e mais aderente para a tinta evitando que esta acabe descascando do plástico. Para a pintura, as tintas escolhidas foram da Tamiya devido à praticidade e facilidade de manuseio, especialmente com o aerógrafo. A primeira etapa consistiu em uma aplicação geral de Dark Yellow (XF60) diluído com thinner na proporção 40/60. Foram aplicadas 2 demãos o que foi suficiente para cobrir por igual o modelo todo. 61

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Revista Hobby News Para a camuflagem, a cor escolhida foi o Flat Green (XF5). Nessa etapa, utilizei como referência ilustrações com todas as vistas do veículo escolhido para garantir uma aplicação coerente do padrão de camuflagem. A primeira aplicação foi feita com o aerógrafo mais ´fechado`, com um spray suficiente para apenas desenhar a camuflagem. Depois de traçado o padrão, foi feita uma segunda aplicação para preencher os riscos, deixando a camuflagem mais nítida e consistente. Terminada a camuflagem, utilizei novamente a cor Dark Yellow para retocar eventuais manchas e falhas ocorridas durante a aplicação do verde. Por último, a parte inferior do casco e a suspensão foram aerografadas com Flat Earth (XF52) para já sugerir o contato maior com o solo, além de proporcionar manchas escuras para áreas de sujeira e lama. O próximo passo incluía a pintura dos detalhes: esteiras, bloco de madeira, macaco, ferramentas, cabos de aço, periscópios, etc.… Todos foram realizados utilizando cores Vallejo Model Color e Panzer Aces. Um destaque ficou para a cor Track Primer utilizada nas esteiras (Vallejo Panzer Aces 304). Na sequência aproveitei para aplicar os poucos decais necessários sem maiores problemas. No dia seguinte foi aplicado um aguado (wash) de tinta oleo Sombra Natural diluída com agarras sobre todas as ranhuras e detalhes do modelo. A tinta foi aplicada em todas as áreas necessárias e removida após uns 20 minutos com a ajuda de um pano seco, evitando a formação de acúmulos indesejados e manchas. A próxima etapa consistia no inverso da aplicação do wash. O pincel-seco (ou dry brush), onde uma cor mais clara é aplicada sobre as arestas e relevos da superfície do modelo para destacar essas áreas. Parafusos, rebites e outros detalhes da estrutura imediatamente se tornaram mais visíveis, deixando a aparência do veículo ainda mais interessante. Depois de algumas horas, a pintura já estava bem seca e o modelo pronto para receber uma aplicação de Deck Tan (XF55) bem diluído para simular a poeira acumulada sobre o veiculo, principalmente sobre as laterais e superfícies horizontais. A quantidade de tinta aplicada fica ao critério do modelista, só devendo tomar o cuidado para não ´empoeirar` demais o modelo e comprometer o resultado final. Os toques finais ficaram mais restritos as esteiras e rodas. Utilizando pigmentos Vallejo de cores diferentes, diversos efeitos de pó e terra foram criados sobre as esteiras e conjunto de suspensão. Já que o Ferdinand não possuía rodas revestidas com borracha, foi preciso representar a faixa de rodagem em metal aparente. Para isso utilizei a cor Steel (Model Color 864) que foi aplicada com um pincel fino e bastante cuidado para não manchar as esteiras. Usando a mesma tinta foi feito um rápido dry-brush sobre a parte externa de cada link para evidenciar o desgaste provocado pelo atrito entre o chão e a esteira. Por último, esfreguei a ponta de um lápis sobre o relevo da esteira para também simular efeitos de metal polido. CONCLUSÃO O Ferdinand é um kit simples, de fácil montagem e acabamento, que surpreende pelo tamanho e volume quando comparado a outros modelos na mesma escala. Seu visual massivo aliado a inovação tecnológica que representou e contexto histórico em que estava envolvido faz dele um dos blindados mais queridos pelos modelistas e peça importante em qualquer coleção de militaria. 62

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