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Revista Hobby News inspeção do kit limas A s forças armadas de Aníbal eram multi-étnicas. Nobres de Cartago, guerreiros celtas e ibéricos, mercenários provenientes dos desertos da Líbia e das ilhas gregas, cavaleiros berberes e até mesmo povos que habitavam a própria península itálica formavam o exército que aterrorizou Roma e a venceu em diversas batalhas. Refletindo suas diversas origens, o uniforme e equipamento destas tropas era também uma miscelânea de estilos trazidos de suas diferentes pátrias, mas também obtidos de seus inimigos vencidos. Esta figura, esculpida por Maurizio Bruno, é um exemplo desta mistura de estilos. Seu tamanho é 75 mm, o que cor- responde à escala 1/24. As figuras desta série de 75 mm estão dentre as melhores da Pegaso que, por sua vez, é considerada por muitos como a melhor fabricante de figuras do mundo. Inspeção do Kit A qualidade da escultura e a riqueza de detalhes são evidentes ao se abrir a caixa. As peças são praticamente livres de defeitos como rebarbas ou bolhas. Uma coisa que deve ser feita sempre é a conferência e a contagem das peças. As menores devem ser colocadas em um saco plástico fechado para evitar sua perda. A primeira coisa que examino numa figura é a cabeça e, principalmente, os olhos. Se os olhos não tiverem sido bem esculpidos não existe truque de pintura que os faça ficar naturais. Materiais e Ferramentas Como poderá ser visto as ferramentas que uso são simples e baratas, disponíveis em lojas de ferramentas, materiais de construção ou mesmo supermercados. Limas A foto acima mostra a principal ferramenta do modelista de figuras de metal: a lima-agulha, também chamada de lima de relojoeiro. Existem em diversos tipos e formas, cada qual com uma finalidade diversa, 44

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Jun/Jul - 2008 lixas estiletes colas mas não é necessário comprar todas para começar. As limas curvas, por exemplo, são de pouca ou rara utilidade. As mais úteis são as seguintes: circular crescente: uso geral quadrada: acertos retos meia cana: para os cantos plana: para grandes desgastes ra. 3) Remover irregularidades da pintuou que ficarão sujeitas a algum tipo de esforço. Demora alguns minutos para colar. 3) Adesivo epóxi metálico - também bi-componente, este adesivo tem a vantagem de conter em sua mistura um alto teor de metal, o que permite que seja lixado, limado ou furado após seco como se fosse realmente de metal. Outras Ferramentas Para facilitar o uso costumo cortar a lixa na forma de pequenos retângulos e dobrar no meio para dar firmeza. Uso as lixas de número 240, 320, 400 para montagem e 600 ou 1000 para a pintura. Estiletes Servem para cortar pequenas peças, remover rebarbas, desbastar, etc. Devem ser usados com extremo cuidado. Prefira os modelos com cabos totalmente metálicos, já que os de ponta plástica são praticamente descartáveis. Uso três tipos: Colas As melhores limas são aquelas com as estrias mais finas e, garalmente são feitas na Suiça ou na Alemanha. As limas mais baratas tem estrias mais grossas e não dão um bom acabamento. Lixas Baratas e disponíveis em qualquer loja de materiais para construção, as lixas d’água complementam o trabalho realizado pelas limas e tem três finalidades básicas: 1) Chegar em pontos onde a lima não alcança. 2) Dar acabamento, deixando a superfície limada mais lisa. 1) Super Bonder - para unir pequenas peças ou que tenham um ponto de contato escasso. Cola quase instantaneamente se for usada uma pequena quantidade e sempre aplico com a ponta de um palito, nunca diretamente do tubo. 2) Adesivo epóxi bi-componente - para grandes peças, especialmente metálicas - Pinças: a mais fina, de marca Roney, uso para remover sujeira que cai sobre a tinta durante o processo de pintura. As 45

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Revista Hobby News demais são de uso geral no processo de montagem. - Alicate/cortador de unha: para cortar pequenas peças. - Tesoura: para cortar as lixas e uso geral. - Broca manual: para fazer pequenos furos, pinar as peças, abrir o cano de armas, etc. Massas do e resultam num acabamento muito fosco, o que é ótimo para dar cobertura mas ruim para efeitos. As cores metálicas não são tão boas quanto suas equivalentes em esmalte. São menos tóxicas que as esmaltes. Devem ser diluídas em água para uso com pincel, o que é ótimo pois passar tinta acrílica sobre outra tinta não causa qualquer tipo de reação adversa. São péssimas para a durabilidade e manutenção dos pincéis. Esmaltes – demoram algumas horas para secar, dão cobertura razoável, são adequadas para efeitos como pincel seco e lavagem, as cores metálicas são ótimas e não destroem os pincéis. Devem ser diluídas em aguarrás ou similar para uso com pincel. Terebintina também pode ser usada, mas não a recomendo principalmente por causa do cheiro e por ser um solvente muito forte que ataca a camada de baixo mesmo se for acrílica, o que não acontece com a aguarrás. Tintas a Óleo – demoram vários dias para secar e não dão boa cobertura, já que muitas são translúcidas, motivo pelo qual são usadas de forma totalmente diversa das acrílicas e esmaltes. Podem resultar em acabamento acetinado ou brilhante, o que geralmente é ruim para nós. Não devem ser diluídas, mas espalhadas. São ótimas para os pincéis. São perfeitas para pintar pele, couro, madeira e para efeitos de luz e sombra. Pincéis céis até que recentemente me apresentaram este aqui. Pode ser substituído (com prejuízo da qualidade) por pincéis chatos da linha Tigre. - Tigre 80-2 e 0 Pônei Brasil: pincéis de baixo custo para pintura plana ou de áreas maiores. - W&N Series 7 000 e 00: pincéis importados, muito caros, servem para a pintura de detalhes ínfimos como olhos, pestanas, sobrancelhas, insígnias, etc. Somente uso com tinta a óleo ou esmalte para não estragá-los. Podem ser substituídos por seus equivalentes da linha Tigre 308. - Tigre 308-0 e 308-1 Marta: para pintura de detalhes, especialmente se for usada tinta acrílica ou esmalte metálica, que costumam destruir os pincéis. Solventes Servem para fazer acertos grandes ou pequenos, remendos, cobrir furos e frestas, remodelar áreas com defeitos, alisar superfícies e muito mais. Para pequenos defeitos uso massa putty. A da Tamiya é melhor quando pura, a da PPG é melhor dissolvida em thinner. NÃO USE PUTTY DISSOLVIDA EM THINNER EM FIGURAS DE PLÁSTICO, APENAS RESINA OU METAL. Humbrol não é tão boa quando a Tamiya mas seca mais rápido. A PPG é extremamente mais barata que as outras duas. Uso massa epóxi para grandes remendos ou para reproduzir uma determinada textura, ou ainda quando é necessário remodelar um detalhe que foi perdido. Tamiya e Humbrol são encontradas em lojas de modelismo/hobbies. PPG somente em lojas de tintas automotivas que revendem esta marca. Durepóxi em papelarias, supermercados ou lojas de materiais para construção. Tipos de Tintas Finalmente, somente para concluir esta apresentação de materiais e ferramentas, o godê de porcelana que uso para preparar as tintas e os solventes da marca Corfix. A aguarrás é o solvente das tintas esmalte e o thinner serve apenas para a limpeza dos pincéis. A montagen do Kit Para facilidade de exposição vou dividir as tintas nos três tipos que uso, ou seja, acrílicas, esmaltes e óleos, mas existem muitas outras, como as automotivas, por exemplo. As observações são de caráter geral. Acrílicas – secam extremamente rápi- De todas as ferramentas que usamos as mais importantes são os pincéis. Dá para comprar lima de camelô, substituir putty por durepóxi, usar tinta de artesanato, improvisar ferramentas, mas pintar com pincel ruim é fatal para o resultado que vai ser obtido. A lista dos principais pincéis que uso é a seguinte: - Tigre 266-16 Pônei Brasil: pincel feito no Brasil, de custo acessível, sua principal utilidade é nivelar pinturas com tinta a óleo e eliminar marcas de pincel. - Tigre 321-2 Marta Brasil: também nacional, mas de custo elevado, serve para se trabalhar o efeito de “blending”. Pode ser substituido pelo Tigre 80-0. - Micro-mark 81081-2: produzido nos EUA, de custo muito elevado, serve especificamente para aplicar a técnica do pincel seco. Eu já tinha praticamente abandonado esta técnica devido a falta de bons pin- 46

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Jun/Jul - 2008 Principais marcas de tinta disponíveis no Brasil Tamiya – tinta acrílica importada muito popular no Brasil e facilmente encontrável até alguns anos atrás, hoje se tornou mais rara. Tem como característica principal o fato de secar muito rápido, o que é ótimo para quem pinta com aerógrafo, mas nem sempre desejável para quem usa pincel. A linha de cores não é tão grande como nas outras marcas. Um ponto positivo da Tamiya é que a vedação do potinho é perfeita. Tenho potes desta marca com mais de 15 anos e a tinta permanece boa. Vallejo (Model Color) – tinta acrílica importada, tida e havida como a melhor do mundo para figuras, ponto de vista com o qual fui obrigado a concordar depois que a usei. Tem uma variedade impressionante de cores direcionadas para a pintura de uniformes. É altamente trabalhável no pincel e vem com um conta-gotas que evita qualquer perda. Hobby Cores - tinta acrílica feita no Brasil. É mais trabalhável que Tamiya no pincel e tem algumas cores bem interessantes. As foscas são ótimas, as metálicas não funcionam no pincel e as brilhantes não conheço. O sistema de vedação é razoável. No geral considero inferior somente à Vallejo. Acrilex – tinta acrílica feita no Brasil para uso em artesanato. Pode ser usada para pintar figuras desde que seja sobre primer, o que não chega a ser exatamente uma grande vantagem porque se você der um bom e sólido primer branco na figura pode usar praticamente qualquer tinta por cima. Eu uso as cores básicas tais como branco, preto, vermelho, amarelo e funciona direitinho. As cores específicas devem ser obtidas por mistura, já que não estão disponíveis. A vantagem desta tinta é o baixo preço e fácil disponibilidade, já que é encontrável em qualquer boa papelaria. Decorfix – tinta acrílica feita no Brasil pela CORFIX para uso em artesanato. O que escrevi sobre a Acrilex vale para ela também. Acredito que é ligeiramente melhor que Acrilex mas tenho pouca variedade de cores desta marca para comparação e um julgamento mais preciso. Humbrol – tinta esmalte importada com uma gama de cores muito completa e com diversas específicas para uniformes. Resulta em um acabamento fosco próprio para figuras e é facilmente trabalhável. As cores metálicas são muito boas. O único ponto realmente negativo desta marca é que o sistema de vedação da latinha é simplesmente péssimo, resultando invariavelmente na perda de grande quantidade da tinta. Revell - tinta esmalte importada que também usa a latinha estilo Humbrol. Testors - tinta esmalte importada cujo ponto negativo também é o sistema de vedação que não chega a ser tão ruim quanto o da Humbrol, mas ainda deixa muito a desejar. As cores metálicas são muito boas, especialmente a cor “Steel” (aço). Model Masters – linha de tinta esmalte fabricada também pela Testors que vêm num vidrinho redondo. Nunca dei muita sorte com esta tinta mas ela não é ruim. A cor “leather” (couro) desta marca é a mais real que conheço. Winston & Newton – tinta a óleo importada, considerada a melhor do mundo por quase todos os que usam este tipo de tinta para pintar figuras. Infelizmente o que chega no Brasil é a série Winton que é uma linha econômica e tem poucas cores. Ainda assim é melhor do que qualquer coisa fabricada por aqui e, consequentemente, custa quatro vezes o preço do similar nacional. Vale cada centavo investido nela. Se não for possível comprar todas as tintas desta linha, compre pelo menos as que são usadas para pintura de pele. Corfix e Gato Preto – tintas a óleo fabricadas no Brasil muito baratas e de boa qualidade, embora inferiores à W&N. 47

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Revista Hobby News Verifico peça por peça em busca de defeitos como linhas de molde, bolhas, excessos. Esta figura foi bem fundida, mas existem vários defeitos. O mais difícil de consertar será esta linha de molde que passa em cima de vários detalhes. Vou ter de usar estilete, lima, lixa e massa putty. A peça acertada. Notem que dentro do enfeite oval eu não forcei muito para não perder os detalhes. Superfícies lisas são fáceis de acertar com lima, lixa e massa... ...mesmo quando são planas. Neste caso usei a lima redonda crescente para afinar a borda da capa e tornar seu aspecto mais real. Também é necessário testar o perfeito encaixe entre as peças. O encontro entre o torso e a parte central da capa está bem ajustado, mas ficou uma enorme fenda entre eles. Contudo, isto não será problema, pois este defeito ficará totalmente encoberto pela pele de lobo. Se ficasse aparente teria de ser acertado com massa epóxi, lixa e putty. Todas as peças acertadas, encaixes testados, vou começar a colar. A princípio colo tudo antes de pintar, desde que isso não atrapalhe a pintura. É necessário deixar acesso a todos os pontos. A cabeça não é problema, dá para colar tudo sem prejuízo para a pintura. As peças são pequenas, então aplico Super Bonder com um palito, nunca direto do frasco. Depois de tudo colado faço um furo embaixo com a broca manual e encaixo um palito de dentes no furo, de forma a facilitar o manuseio da peça durante a pintura. Com um pincel velho passo Putty PPG diluído em thinner nos encaixes de forma a cobrir qualquer fenda que tenha ficado. A PPG diluída é melhor que qualquer putty para plastimodelismo que eu já tenha usado, sem falar que custa uma fração do preço. Observação: aplicar PPG diluído no thinner apenas em modelos de metal e resina, nunca em plástico. Depois de seco basta acertar com lixa e está pronto. Montar a cabeça foi simples, mas a capa vai dar trabalho. Ela vem partida em três, sendo que um dos pedaços contém um braço. Mas o pior vem agora: não dá para colar tudo no corpo, pois o acesso da pintura nas laterais e atrás seria muito prejudicado. Também não dá para colar os três pedaços da capa, pintar e encaixar no corpo já pintado. O jeito vai ser pintar os pedaços da capa separados do corpo e encaixa-los depois do corpo pintado. O ruim disso é ter que emassar, lixar, limar, colar, etc. depois da pintura da pronta, mas dá para resolver. 48

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Jun/Jul - 2008 Decidi juntar os dois pedaços onde a emenda ficaria mais evidente para diminuir a dificuldade na hora de pintar. Inicialmente colei os dois pedaços com Super Bonder para firmar no lugar. Outro tipo de cola simplesmente iria demorar muito para secar. SB é quase instantânea. Só que ficou uma enorme fenda entre as duas peças que tem que ser disfarçada com algum tipo de massa. Além disso, a Super Bonder não é muito adequada para este tipo de união, já que na hora de colocar a capa sobre o corpo terei de fazer um ajuste que vai impor um esforço sobre aquela peça. Há risco de descolar nesta hora. Portanto, vou passar adesivo epóxi metálico sobre a fenda. Além de resistente este adesivo pode ser lixado e limado. É quase como se fosse uma solda a frio. Misturei os dois componentes e apliquei com um palito. Finalmente, usando um pincel velho passei putty PPG diluído por cima de tudo e lixei com lixa d’água após a secagem da massa. Uma coisa é preocupante nesta figura: o braço direito ficará em balanço, colado apenas em uma extremidade e sujeito à ação de seu peso. Uma pequena batida pode ser suficiente solta-lo no futuro. Vou ter de pinar o braço na capa. Começo colando uma peça na outra com Super Bonder. A SB não vai resistir sozinha, só serve para fixar as duas peças. Testo novamente o encaixe, porque depois de pinado fica complicado mexer e faço o furo com a broca manual, perpendicular à emenda. Notem que esta não é a forma correta de segurar a peça e a ferramenta, mas tenho que tirar a mão para não dar sombra na foto. Neste ponto é necessário cautela para evitar que a broca atravesse as peças e saia do outro lado. Com um palito coloco SB no furo e encaixo um clipe, que servirá também para segurar a peça durante a pintura. A seguir passo adesivo epóxi sobre a emenda e atrás do braço em pontos que não serão visíveis após a montagem. Este adesivo não pode ser lixado ou limado (a não ser com Dremmel), por isso é importante que seja aplicado somente em lugares onde não fique aparente. Em compensação, após seco isso vira uma pedra. Finalmente, tudo está montado. Alguns pontos a considerar: 1) O corpo foi fixado a base com epóxi pois é uma peça pesada. Não foi necessário pinar, porque os pés já vêm com um encaixe para a base. O pé esquerdo foi colado com o adesivo metálico que tem a mesma textura do terreno. 2) Fiz furos nas peças para poder colocar um palito de forma a ter onde segurar durante a pintura. Durante a pintura não se toca nas peças. 3) Estes produtos que uso para colar tem um certo grau de toxicidade e risco a saúde, portanto leia as instruções antes de usar. 49

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Limpeza O passo seguinte é lavar as peças. Nada demais, usei apenas uma escova de dente velha, detergente comum de cozinha e um escorredor de arroz. Este último serve para evitar que alguma pequena peça literalmente se vá pelo ralo. A utilidade da lavagem é remover qualquer sujeira que tenha resultado dos processos de fundição e montagem e não deve ser negligenciado. Primer As peças passaram 24h secando sobre uma toalha velha, do tipo que não solta mais fiapo. Então dei o primer. Para aplicar o primer colei palitos nas peças menores, coloquei o corpo sobre um vidro (qualquer coisa serve), e usei a broca para segurar o conjunto capa/braço direito que é muito pesado para um palito. Encaixei tudo num suporte de isopor, destes que vem protegendo produto eletrônico. O primer, também chamado de “fun- do”, tem como objetivo: - Possibilitar ou melhorar a aderência da tinta que virá por cima do metal ou resina da figura; - Ressaltar eventuais defeitos que passaram despercebidos na montagem; - Cobrir pequenas imperfeições, irregularidades ou micro-bolhas; - Proteger peças de metal contra a oxidação. O primer não necessariamente precisa ser um produto especificamente produzido para esta finalidade. Durante muitos anos usei (e ainda uso) como primer tinta acrílica Tamiya ou Hobby Cores diluídas em álcool comum e aplicadas com aerógrafo. Qualquer primer para mim é bom desde que: 1) seja utilizada uma cor clara (branco, areia, cinza claro) para ressaltar os eventuais defeitos na peça; 2) seja aplicado com spray ou aerógrafo para melhor uniformidade; 3) resista ao solvente da camada base. Revista Hobby News Se a camada base (aquela que vai sobre o primer) for esmalte, então uso primer acrílico. Se for acrílico qualquer coisa serve como primer. Primer acrílico tem ainda uma outra vantagem que é a fácil remoção com Veja Multiuso no caso de problemas. Primer esmalte requer thinner para ser removido o que acaba com o emassamento, uma péssima perspectiva. Ultimamente tenho usado um primer da Colorgin (5300 - Uso Geral - Primer Rápido Cinza). Este primer atende todos os requisitos de um bom primer exceto que não pode ser removido com Veja Multiuso, somente thinner ou terebintina, sendo que esta última preserva o emassamento. Este primer tem um cheiro muito forte e somente deve ser aplicado em local bem ventilado. As peças foram então cobertas com o primer da Colorgin (2 aplicações). No dia seguinte inspecionei as peças e corrigi os defeitos que ficaram. A Pintura do Elmo Iniciei a pintura pela cabeça. Onde é pele ou cabelo a camada base é Humbrol 63 (Matt Sand). No elmo e na crista a camada base é Decorfix preto fosco. A seguir vou pintar o elmo e a crista. A crista vai ser vermelha. Começo aplicando vermelho acrílico usando a técnica do pincel seco. A seguir reforço com óleo Corfix preto a parte mais interna da crista para reforçar as sombras. Quem não quiser usar óleo pode aplicar uma lavagem com esmalte preto fosco. E, finalmente, repito a técnica do pincel seco com esmalte vermelho fosco em toda a crista. O elmo é de bronze dourado. Começo com Revell esmalte 92 pintado quase como se fosse com a técnica do pincel seco, praticamente sem diluir a tinta. Fiz as sombras do elmo também com óleo Corfix preto. Acima a foto do elmo pronto. Um retoque de vermelho claro na crina e uma aplicação de pincel seco com Humbrol 16 Gold nos ressaltos metálicos completaram o serviço. Pintura do Rosto A primeira foto é o rosto após a aplicação da mistura inicial (burnt siena + um pouco de yellow ochre + um pouco de raw umber). Em seguida o “blending” com cadmium yellow. Os vários “blendings” com titanium white. Notem na foto ao lado que as órbitas dos olhos foram pintadas durante o processo. O ideal nesta escala é que o branco dos olhos fique com a mesma cor dos pontos mais claros do rosto (nariz, queixo, etc). A terceira fotomostra os lábios pintados com cadmium red. Reforcei as rugas e olheiras com a mistura inicial. Pintei as sobrancelhas, as pestanas superiores e os olhos de preto. Dei um toquinho de branco no canto dos olhos para simular o brilho no olhar. Pintei a barba e os cabelos de preto. O rosto está brilhando muito. Isso é normal e vai passar assim que a tinta secar, em dois ou três dias. Para terminar fiz o delineamento do elmo. Na última foto está o rosto em sua versão final. Para deixar a barba e os cabelos grisalhos usei a técnica do pincel seco com esmalte Humbrol 28 Camouflage Grey (um cinza claro).

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Jun/Jul - 2008 Pintura do Corpo Para o corpo usei: preto fosco Decorfix acrílico para a base dos metais; leather Model Master acrílico para os couros (sapatos, franjas de proteção, bailha da espada); branco Vallejo para as roupas. A Leather da Model Master é a minha preferida para começar um trabalho em couro. Prefiro a versão esmalte mas, como não tinha da última vez que comprei, tive que ficar com a acrílica. Os metais seguem o mesmo método que usei no elmo. Quanto às partes em couro, tentei pintar de diferentes tonalidades, braceletes mais avermelhados, proteções mais gastas, bainha da espada em couro novo. Nas proteções, sobre a camada base de Model Master Leather apliquei uma mistura de raw umber mais burnt sienna, o equivalente do “mundo óleo” ao betume da judéia. A seguir dei usei a técnica do pincel seco com Humbrol 62 para envelhecer e desgastar o couro. O efeito ficou mais evidente nos sapatos, onde forcei mais a mão para aumentar o desgaste. Finalmente reforcei as sombras com raw umber puro. Pintura da Pele de Lobo A camada base da pele de lobo foi feita com Vallejo 70921 Uniforme Inglês. A seguir, pincel seco com cinza claro. Seguido de outro com branco puro, mais leve, para realçar os detalhes. Algumas partes pintei de preto seguindo a foto de um lobo real. Pintura da Capa A capa recebeu uma camada base em vermelho claro (Vallejo 909 Vermillion). A seguir pintei a capa com tinta a óleo. Preparei uma mistura de vermelho escuro com um pouco de azul, o que resultou num vermelho muito escuro, quase um vinho. Espalhei esta mistura sobre toda a capa. A tinta a óleo espalha muito fácil, não é necessário qualquer tipo de solvente. Também não é necessário por uma “crosta” de tinta, apenas o suficiente para cobrir tudo. O próximo passo é remover o excesso do vermelho escuro com lenço de papel ou papel higiênico. Nos pontos altos passei Cadmium Red W&N, um vermelho muito claro que fica bem fosco ao secar, e fiz o blending com o vermelho escuro. Nos pontos baixos passei Corfix 65 Preto, outra cor que fica fosca quando seca, e também fiz o blending. Algumas observações: 1) Ao contrário do que fiz acima, a maioria das referências sugere raw umber ao invés de preto para as sombras em vermelho. 2) O brilho é devido ao fato da tinta estar úmida. Se o processo der certo, após dois ou três dias estará tudo devidamente seco e fosco. Se não estiver basta aplicar verniz fosco. 3) Somente quando a capa estiver completamente seca verifico se será necessário algum retoque. Mexer na tinta a óleo enquanto ela seca invariavelmente resulta em desastre. 4) Durante o processo de secagem a peça deve ficar protegida. 51

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Revista Hobby News Terreno Fiz o terreno da seguinte forma: 1) Misturei areia fina, cola branca e água, formando uma espécie de “papa”. Apliquei a coisa sobre toda a base. Quando seco apliquei uma lavagem com burnt sienna mais raw umber. 2) Coloquei uns pedregulhos na frente da pedra onde a figura apoia o pé. Pintei as pedras todas com Vallejo Stone, o mesmo wash do terreno e usei a técnica do pincel seco com diferentes tons de areia e cinza. 3) Usei liquens para os arbustos. A cor é natural. 4) Colei serragem fina pintada de verde em volta das pedras para simular musgo. 5) Joguei uma pitada de “static grass” sobre o terreno para simular grama. É estranho ter de pintar pedras naturais, mas isso é necessário para uniformizar a cor, caso contrário fica parecendo “fundo de aquário”. 52

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