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Revista Hobby News Bruno Santin Cascapera (Chiquito) interessante como o hobby entra na vida das pessoas e como tais miniaturas mexem conosco de forma diferente. Há algum tempo veio me procurar uma pessoa que possuía um modelo que precisava ser restaurado. Tratava-se de um Harbor Tug da Revell, na escala de 1/108, bem judiado, montado na década de setenta e que havia sofrido com o tempo e principalmente com as empregadas domésticas. O modelo preservava um certo charme escondido atrás de crostas de poeira e pintura descascada. Alguém pode pensar que por se tratar de um kit em que a Revell continua injetando seria mais fácil e até mesmo mais barato adquirir um kit novo e montar igual ao que foi montado lá atrás. Mas não é bem assim. Quem tem guardado suas coisas de infância sabe que não é o bem material que importa, e sim a lembrança que aquilo tudo traz. Aquele barquinho empoeirado havia sido feito pelo pai para dar de presente ao filho, que guardou aquilo por anos e, após o falecimento do pai, tinha naquele barco uma doce lembrança da infância. O barco significava muito mais pelas recordações do que para ser decoração da sala. É por isso que cada parte e cada detalhe do barco deveria ser preservado e restaurado, e não substituído por um modelo perfeito digno de medalha em convenção. Não foi uma tarefa das mais fáceis. É Foi assim que o barco chegou Além de uma pintura nova, havia marcas de cola a serem tiradas, massa de calefação (o putty da época) a ser removida, peças a serem repostas, além de uma reforma na parte elétrica (sim, o modelo cola que ainda restara e toda a massa de calefação, que continuava pegajosa e grudenta depois de tantos anos. Na parte elétrica, o motor foi revisado, mas continuava bom depois de anos. As soldas foram todas refeitas e os antigos contatos de cobre das pilhas foram substituído por uma moderna caixa de pilhas, menor e mais segura. Uma mudança no modelo que tomei a liberdade de fazer foi no deck. Transformei a peça lisa em um belo assoalho de madeira utilizando “scriber” e texturizando com uma lixa grossa depois. Outra liberdade que tive foi de usar plástico transparente e envidraçar todas as escotilhas e vigias. Ainda refiz algumas escadas que haviam Reforma no casco possui um pequeno motor). Comecei a restauração fazendo um catálogo fotográfico completo do modelo para servir de referência para montagem e pintura. Depois, um desmonte completo de todas as peças e retirando da tinta. Existem algumas técnicas para remoção de tinta circulando por aí, e confesso que achei algumas até interessante, mas achei todas abrasivas e agressivas demais. Com medo de afetar o plástico antigo do barco, retirei a tinta na forma antiga, lixando. Também foi retirado todo o resto de Pintura de casco 62

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Fev/Mar - 2011 quesito não tive dúvida. Não mudarias as cores daquele barco mesmo sabendo que ele estava pintado com cores aleatórias. Como peça de recordação, o barco pre- compartimentos e ponte removiveis para ascesso ao motor se perdido com o tempo e pinei todas as pequenas peças no barco para que elas aguentem melhor os próximos quarenta anos que estão por vir. A pintura que chegou até mim era com poucas cores e havia algumas omissões às cores originais dos barcos de verdade, algo comum, principalmente se tratando da época em que foi montado e para a finalidade que foi montado. Em algumas áreas percebia-se que não havia tinta, era apenas a cor do plástico. Mas neste Porão de maquinas cisava preservar as cores que possuía. Quem conhece essas coisas vai perceber que a pintura esta errada para esse barco, mas vamos passar por cima disso. As tintas usadas foram quase todas automotivas, com exceção do vermelho, que fiz questão de usar o vermelho brilhante da Tamiya com retardador para dar um efeito mais brilhante. O envelhecimento foi feito a pedido do cliente, mas não quis exagerar muito. Fiz um pouco de desbotamento, algumas marcas de ferrugem, washed, Marcas de cola e poeira 63

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Revista Hobby News alguns descascados e por aí vai, o básico em pequenas doses apenas para dar a impressão de uso. Batismo nha me deparado nessa minha curta profissão. Pensei que seria mais uma bucha, mais um abacaxi pra descascar, mas se tornou um trabalho agradável, que fluiu bem e me trouxe bastante satisfação. Mais um desafio encarado, mais um desafio cumprido. Pronto pra próxima. Dúvidas e sugestões, entrem no blog www.blogdochiquito.blogspot.com e até a próxima. Batismo Remos esculpidos Clear nas luminárias, estais esticados com sprue e cordas feitas com linhas de costura e hora de batizar o barco. Após consulta, o nome foi escolhido. Homenagem ao modelista dono da obra original: S. C. Garcia. Estava batizado o rebocador. Mas confesso, depois de doze anos de modelismo, três profissionalmente, essa foi a encomenda em que me senti mais satisfeito em ter feito. Não pelo trabalho final, que ficou bom e agradou o cliente, que é ótimo, mas pelo peso que este trabalho teve e que consegui corresponder à altura. Não se tratava apenas de mais um kit. Estava mexendo com a memória de alguém, um peso e medida da qual não ti- Pintura finalizada 64

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