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Revista Hobby News André Luís Becker Giraldi H á tempos que venho preparandome para este momento. Sempre fui um romântico quando o assunto é aviação, seja no nível que for, desde as salas de aula na época do aeroclube, nos saguões dos aeroportos, resumindo o meu hobby e esporte do coração – o Aeromodelismo. Particularmente sou especializado em Warbirds de todas as nacionalidades e modelos civis e militares que retratem a nossa aviação, não poderia ter iniciado no Aeromodelismo R/C sem ter a certeza do caminho que queria trilhar – o Aeromodelismo Escala R/C. Vibro e me emociono ao ver aeromodelos que nos fazem viajar, que aguçam nossa curiosidade, nosso interesse técnico, e que nos levam a situá-los no tempo, no espaço, na história. Aprendi a voar em um J3 da Great Planes apesar de todos serem contra na ocasião. Voava todos os finais de semana. O Piper ficou comigo por três anos até ser vendido para um amigo do Rio Grande do Sul. Temos visto e acompanhado o que acontece além de nossas fronteiras nesse segmento e incríveis produtos têm aparecido. Os kits em variadas escalas melhoraram muito, os ARFs chegaram a um nível absurdo com materiais compostos e acessórios que vão até onde o bolso permitir. Com todas essas variáveis ver brasileiros ousando e se jogando de cabeça nas oportunidades de demanda na nossa área nos faz vibrar. Sabe o que é ver um EMB 190 decolando dos aeroportos brasileiros? Os românticos sabem! No aeromodelismo não é diferente. Não sou preconceituoso e acho que pelo desenvolvimento do produto nacional - sem levantar bandeiras políticas - vale sim darmos chances e contribuirmos como pudermos com nossos “heróis”. Há quantos anos fabricamos no Brasil nossos Tucanos? Quantos fabricantes nacionais o fazem e o fizeram? Para depois do notório reconhecimento das qualidades visuais e de voo até os chineses, alemães e americanos se renderem e os fabricarem. Uns acessíveis e outros nem tanto, os nacionais continuam aqui bem perto. Comparações e qualidade são questões tão elásticas que poderíamos utilizar uma edição inteira da revista para falarmos a respeito. Em 2006, folheando a Hobby News me deparo com um anúncio no qual se encontrava meu objeto de desejo e estudo de tantos anos, o Xingu. Nas fotos do anúncio vejo um Islander BN2 e um Grand Caravan e mais surpreso ainda fiquei quando vi que o fabricante era brasileiro e de Belém do Pará. É de se admirar e respeitar, pois sabemos das dificuldades como logística, acesso a informações, materiais e ainda brigar com a oferta de ARFs made in China. Mas, como a linha se trata de aeromodelos com apelos muito interessantes e que chamam a atenção sabemos que muito em breve se encaixará na faixa a que se destina. Tive oportunidade recente de adquirir dois exemplares da Thomaz Aircraft Models, um Cessna Grand Caravan e um EMB-121 Xingu, e que gratas surpresas. Uma grande preocupação que o construtor tem com sua longa experiência na construção é reproduzir de maneira mais fiel o protótipo sem deixar de lado as qualidades de voo. O que posso dizer depois de voálos é que se tratam realmente de aviões para pilotos. A sensação exata vem após o voo quando perguntamos: eu deveria ter feito a fonia? Após meses de indecisão, defini a versão que gostaria de ver no meu novo aeromodelo. Optei por fazer uma dupla homenagem à EMBRAER com um exemplar que foi um marco tecnológico para a empresa e ao maior cliente deste avião que foi a Marinha da França que adquiriu mais de 40 unidades e recentemente fechou um up-grade para voá-los por mais 20 anos. Acertado o transporte para entrega, recebi os dois aeromodelos, o Grand Caravan e o Xingu, que vieram em uma única caixa de maneira impecável, mesmo depois de enfrentar uma longa viagem de Belém do Pará até Joinville. O Xingu foi concebido para dois motores 46, 2 tempos, mas não me agradava a ideia de reproduzir um turbo-hélice com som de pistões gerando a tração para ele. Optei por fazê-lo elétrico, primeiro pelo som, afinal qual motor para este tamanho de aero que poderia reproduzir o som mais próximo de turbinas? 10

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Abr-Mai/2010 Graças ao know how já muito evoluído de aeromodelistas do clube que frequento em Joinville, onde já voavam aeromodelos gigantes quando falavam em EPs para aeros com no máximo 1 metro de envergadura, tive uma boa base de dados. Logicamente com esta opção não ganhei somente no quesito som, mas também na confiabilidade e simetria para os motores. Vamos ilustrar passo a passo algumas fases da montagem para ficar mais claro. a montagem das asas. Nota-se aqui o tubo em fibra de vidro para inserção das baionetas já instaladas nas asas e os detalhes dos painéis e rebites da fuselagem. A preocupação e o cuidado com o envio quanto às peças móveis para que não fossem avariadas no transporte são notadas aqui com as fitas. O aeromodelo possui portas dos trens de pouso móveis. Todos os acessos são muito bem dimensionados e um aeromodelista com conhecimento mediano de montagem é capaz de montá-lo. Detalhes da fuselagem em baixo e alto relevo, linhas das chapas, rebites, tampas de inspeção etc. pedem um carinho especial para aqueles que conhecem algumas “técnicas de maquiagem” vindas do plastimodelismo para valorizar ainda mais o material. Observem a sujeira nos rebites e linhas da fuselagem. As insígnias já vêm fixadas e com a aplicação de verniz. Outro detalhe importante é que todas as linkagens já vêm prefixadas, bastando fazer as dobras. Optei pela utilização dos braços reforçados para os servos. Acesso excelente para instalação do receptor e demais acessórios como sequenciador de trem de pouso, assim como para Aqui preparando e ajustando a posição do suporte do motor. 11

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Revista Hobby News Preparação e instalação do sistema pneumático do trem de pouso Bateria e Esc já nas posições. Aqui procurei ser simplista para restringir o peso e a facilidade de operação, visto que o aeromodelo foi originalmente concebido para operação de motores glow. Finalizado, todos os espaços são muito bem aproveitados e o ESC muito bem acomodado na lateral que vemos mais livre ao lado da bateria. A carenagem se encaixa perfeitamente escondendo, acomodando e ventilando muito bem todos os componentes. Impressões e considerações: Primeiramente, o avião dá a falsa impressão de ser instável em função do momento de cauda curta, que pode ser desmistificada em voo e depois entender ao constatar a grande área do estabilizador vertical e a “barbatana” instalada sob a sessão final da cauda, como no real, que dão um equilíbrio fora do comum ao avião. O Thomaz costuma dizer que um aeromodelo bimotor tem que ser capaz de voar monomotor e manter-se controlável e ele garante isso com testes rigorosos. Todos os perfis utilizados nas asas não estão ali por acaso, são estudados, calculados e testados antes de padronizar as matrizes. As decolagens com a motorização escolhida se dão com uma facilidade assustadora. Afinal o modelo com seus 2,14 m de envergadura, 1,89 m de comprimento e nesta configuração com 12 kg e as características excelentes de voo se mantém intactas. O pouso é impressionante. Já na aproximação na final dá para notar a autoridade de comandos, fácil de estabilizar, não fica balançando nem com ventos que para outros seria um complicador e permite arredondamentos em baixa velocidade. Operar os flaps é uma questão a parte, pois facilitam realisticamente as decolagens e pousos. A feliz escolha da motorização trouxe uma qualidade de voo impressionante aliada a um som que lembra em todos os momentos as turbinas utilizadas pelo full. Com certeza aqui os mitos e lendas sobre a pilotagem de um aeromodelo multimotor são rechaçadas. Certamente foi um dos melhores aeromodelos que pilotei na minha vida, sem tendências, sem surpresas desagradáveis. Comporta-se muito bem em curvas de baixa velocidade, imponente sempre chamará a atenção onde estiver. É um aeromodelo que nas mãos Notem a adaptação em função do modelo que utilizei, observem que a base da estrutura é invertida em relação aos modelos mais utilizados. Na generosa tampa de inspeção criei uma legenda para facilitar a identificação dos cabos principalmente na hora de fazer a montagem do aeromodelo em campo. O bagageiro nos dá a opção de aproveitarmos muito bem o espaço inclusive visando o CG. Vemos instalado o sistema de acionamento da válvula pneumática nos trens de pouso, a bateria do receptor mais a frente, o servo que movimenta as comportas e o servo de comando de direção da bequilha. Exposição estática no FESBRAER em 2008 o Xingu ainda não estava finalizado. As hélices instaladas são para exposições fornecidas pelo fabricante. O sequenciador do trem de pouso pronto para ser fixado no seu local. Já no interior todos os velcros prontos para receber o receptor e sequenciador. 12

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Abr-Mai/2010 de um piloto com experiência intermediária trará alegrias, principalmente se for elétrico, reduzindo as possibilidades de falhas e fazendo com que os motores fiquem muito simétricos em todas as faixas de aceleração. Após finalizar a montagem do aeromodelo senti que tinha em mãos um pedaço da história do aeromodelismo nacional. Nós fazemos produtos bons por aqui, nós temos pessoas destemidas com coragem para ousar e dar a cara para bater, pois sabemos o quanto é difícil agradar aqueles insistentes na máxima “o que vem do hemisfério norte é que presta e que se for nacional tem que ter preço de banana”. Preço justo nem sempre é o que idealizamos. É muito bom saber que temos a possibilidade de ter acesso a aeromodelos que são ícones da história da nossa aviação. Melhor ainda é constatar a preocupação do fabricante com o aprimoramento da qualidade, pois ele cria um link onde podemos fazer todas as considerações que contribuirão com a melhoria do produto. Quando adquiri os meus modelos, ambos eram da série inicial e de lá para cá já possuem alterações que foram fruto dos feed-backs de clientes e o canal aberto com o fabricante. Sinal de compromisso com o ideal mais profundo da questão, se sustentar em um mercado difícil com produtos que representem o que temos de Ficha Técnica: Aeromodelo com fuselagem em fibra de vidro laminada (nesta série) com asa de foam core chapeado e baionetada. Envergadura: 2,14 m Comprimento: 1,89 m Peso final para esta configuração: 12 kg - no modelo atual 9,5 kg Trem de pouso da Spring Air HD com sequenciador para sincronizar o fechamento das comportas. Transmissor Spektrum DX7 com Receptor AR 7000 10 servos digitais de 5,6 kg mais um micro servo para acionamento do trem de pouso 2 Motores elétricos TGY 50-55 2 Baterias 5000 mAh 6S 20C 2 ESCs de 80A com UBEC desabilitado conectados por cabo “Y” ao canal do Trottle 1 Par de Rodas de 3 ¾ infláveis para o trem principal 1 Par de Rodas de 2 ½ 1 Bateria NiCd de 1800mAh para o Rx 2 Spinners de alumínio de 2 ¾ 2 Hélices APC-E 14x7 bom com preços justos e qualidade. Dou meus parabéns à ousadia da Thomaz Aircraft Models e para reafirmar meu contentamento adquiri mais um exemplar, o Islander BN-2 e terei o imenso prazer de registrar minhas impressões sobre os voos para todos vocês. 13

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