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Revista Hobby News D esde a introdução da propulsão elétrica ao aeromodelismo, meu foco sempre esteve mais voltado para a conversão de aeromodelos glow em elétricos, no entanto, muitos amigos de pista relatavam dificuldades nestas adaptações. Além das mudanças estruturais, também havia a necessidade de “aprender” noções de eletrônica, soldagem e configurações dos sistemas eletrônicos. Foi neste ponto do bate papo de pista que senti a necessidade de fazer um “step back”, ou seja, voltar um pouco ao básico para mostrar a simplicidade de montar e operar os aeromodelos elétricos. Sendo assim, este artigo que escrevo tem, como objetivo principal, compartilhar os conceitos básicos para o aeromodelismo elétrico através da montagem passo a passo de um aeromodelo elétrico na categoria ARF. O avião que escolhi para esta matéria foi o Extra 300 EP do fabricante The World Models. Como já havia feito uma conversão glow/elétrico de seu irmão maior, o Extra 330L 60, fiquei curioso sobre quais seriam as diferenças de vôo e desempenho entre estes modelos. Breve histórico 14

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Ago/Set. - 2008 Texto e Fotos: Reinaldo Maneghini Martins Acrobático de renome mundial e conhecido por toda a legião de pilotos e modelistas, O Extra leva o nome de seu projetista e construtor, Walter Extra. A criação de sua empresa começou há 25 anos, onde, como experiente piloto acrobático de competições voando um Pitts Special, sentiu a necessidade de construir um avião que realmente adequasse às suas necessidades. Em 1981 nasceu o primeiro, o Extra 230, que possuía asas de madeira, com um motor quatro cilindros de 230HP e hélice bipá. Já em 1987, este avião foi aprimorado, recebendo um novo motor de 260HP e hélice tripa, sendo batizado como Extra 260. Em 1988 nasce o primeiro Extra 300, um novo protótipo de dois lugares com motor de 300HP e asas fabricadas em composite. Dado a seu grande sucesso, em 1992 foi lançada a versão 300S de assento único (single seat) indicada para os pilotos de acrobacia profissionais. Em 1993 a versão 300S ganha novamente a configuração de dois assentos, chamada 300L e desde então este modelo vêm passando por avanços tecnológicos, tanto na potência dos motores instalados quanto na concepção de materiais utilizados, mais leves e resistentes. Atualmente, existem duas versões para o Extra, sendo a 300SC (single seat) e a 300LP (biplace), ambos com motor lycoming de 315HP. Os principais diferenciais destas versões estão na adoção de materiais especiais, tais como a fibra de carbono que é utilizada integralmente nas asas, no painel de instrumentos e carenagem do motor, o titâ- nio, metal utilizado na parede de fogo, sistema de refrigeração e instrumentos de baixíssimo peso. O resultado da evolução em mais de 25 anos de existência é o sucesso garantido em todos os campeonatos e mundiais que participa. Aspectos do kit Ao abrir a caixa, nota-se o cuidado tomado pelo fabricante com relação à embalagem do produto. Todas as peças vêm embaladas individualmente e acondicionadas nos seus devidos lugares através de divisórias internas de papelão, evitando eventuais danos que poderiam ser causados por impactos provenientes do transporte. Outra melhoria simples, mas de grande valia, foi a identificação numérica dos saquinhos de acessórios. No manual de montagem, cada etapa está identificada com um número e este está correlacionado com os saquinhos identificados. Desta maneira a identificação dos acessórios instalados em cada etapa é direta, sem risco de confundir as peças, ou seja, acabou aquela bagunça de “qual parafuso vai aonde”. O Extra 300 EP é bem completo, pois além de todos os materiais necessários para a montagem, tais como linkagens, dobradiças, rodas, carenagem, entre outros, também está incluso um motor brushless e sua referida hélice/spinner, o que facilita mui- 15

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Revista Hobby News to a instalação, pois o suporte do motor já vem com todos os furos e recortes prontos. As asas, divididas em 2 painéis, são feitas de balsa e enteladas por um termo adesivo com padrões de cores já impressos chamado Lightex. O sistema de fixação destas à fuselagem é feito por meio de um tubo de alumínio, o que favorece a aparência escala e facilita o transporte. Seguindo o mesmo padrão da asa, a fuselagem também é fabricada em madeira balsa com as cavernas internas em lite-ply, tudo cortado a laser, favorecendo uma boa precisão da montagem e alinhamento das peças. Uma qualidade muito interessante que foi herdada de seu irmão maior foi o grande hatch superior retrátil, que compreende desde a parte traseira do canopy até a parede de fogo. Ao retirá-la, Materiais complementares Para a montagem completa deste modelo, utilizei os materiais indicados pelo fabricante conforme abaixo: - 4 pico servos Vigor VS-5 (pesa 8,0 gr. e tem torque de 1,2Kg) - 1 Speed Control 25Amperes The World Models com cartão de programação - 1 Bateria LIPO Hobby Delivery HD3S1800 - 1 Par de conectores tipo Deans - 2 Extensões de servo de 6 Pol. O rádio utilizado foi um HITEC OPTIC 6 que permite várias programações importantes para um avião acrobático e um Receptor Hitec QPCM de tamanho normal. É quase que um desperdício utilizar um receptor PCM em um modelo elétrico, mas era o único que dispunha na oficina, então... Mão à Obra!!! Por ser um modelo já concebido na fábrica como elétrico, não serão necessárias adaptações, recortes ou ajustes na estrutura de madeira, bastando apenas seguir as informações contidas no manual de montagem. Segue abaixo as etapas seguidas na montagem: Asas É bem interessante iniciar a montagem pelas asas. Por ser de fácil manuseio, ela acaba por incentivar o modelista a terminar o avião e ensina vários macetes a serem utilizados nas etapas seguintes. Primeiramente é necessário abrir a entelagem nos lugares onde os servos serão instalados. Estes cortes podem ser feitos com um estilete afiado, mas a utilização de um ferro de solda de ponta fina promove excelente acabamento. a fuselagem se torna literalmente uma sala de estar, podendo acomodar facilmente todos os sistemas, inclusive um receptor full (tamanho normal) o qual utilizei. As partes superiores e inferiores da fuselagem são varetadas e enteladas, promovendo a maior leveza possível. As linkagens são muito interessantes, pois apesar de leves, conta com os mesmos ajustes dos aeromodelos a combustão, incluindo arames rosqueados, links ajustáveis e strapers, permitindo que os ajustes de comando sejam feitos com perfeição. 16

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Ago/Set. - 2008 As dobradiças plásticas são de instalação muito fácil e dependem apenas de algumas dicas importantes. O primeiro passo é separar os ailerons das asas e retirar as dobradiças. Estas vêm com um pedacinho de barbante cuja função é única e exclusivamente evitar que entrem acidentalmente para dentro da asa. Retire estes pedaços de barbante, e insira alfinetes no meio das dobradiças. Agora, reinstale as dobradiças em seus devidos lugares ainda com os alfinetes inseridos. Este procedimento fará com que as dobradiças fiquem igualmente distribuídas e automaticamente define a distância entre a parte móvel e fixa. a posição do aileron, retire os alfinetes, dobre a superfície até o ponto em que se possa enxergar a dobradiça. Pingue aproximadamente 6 gotas de cianoacrilato fina e verifique se a absorção está ocorrendo normalmente. Caso a cola não absorvida “unir” acidentalmente a parte fixa e a móvel, rapidamente deslize a tira de papel entre estas a fim de absorver qualquer excesso. Espere alguns minutos e faça movimentos repetidos nos ailerons a fim de amolecer as dobradiças. Antes de retirar os alfinetes, corte algumas tiras de papel de 1 cm de largura por 20 cm de comprimento, pois estas funcionarão como “absorvente” no processo de colagem. Após conferir cuidadosamente

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Revista Hobby News A instalação dos servos é bastante facilitada graças a um barbante pré-instalado no interior da asa. Este servirá de guia para passar o fio do servo por dentro da asa. Para finalizar, rosqueie os ganchos de fixação da asa à fuselagem Fuselagem Com o ferro de solda em mãos, abra todas as cavidades necessárias na entelagem, incluindo as fendas de fixação de profundor e leme. As linkagens são iguais ao dos modelos a combustão devendose prestar bastante atenção ao posicionamento dos horns para que as quantidades de comando fiquem iguais para os dois ailerons. Para um perfeito equilíbrio dos comandos, é importante caprichar no zeramento geométrico, ou seja, braços de servos, arames de comando e superfícies deverão estar todas alinhadas entre si. Para a colagem do profundor, é de extrema importância caprichar no alinhamento do mesmo. Primeiramente, instale provisoriamente a parte fixa do profundor à fuselagem. Depois apenas encaixe os dois profundores em seus lugares e ajuste o profundor de maneira que fiquem em uma distância igual para ambos os lados da fuselagem. Para não perder mais esta posição central, trave a parte traseira com 2 alfinetes faceando a fuselagem. Coloque um alfinete na parte dianteira da fuselagem exatamente ao centro. Estique uma linha rígida ou um arame de solda até as extremidades de cada lado do profundor e ajuste-o até as distâncias se igualarem. Após alinhamento, trave com alfinete a seção dianteira do profundor. 18

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Ago/Set. - 2008 Antes da colagem final, verifique o paralelismo do profundor em relação às asas. Caso não esteja paralelo, deve-se lixar cuidadosamente a fenda aonde o profundor vai instalado até conseguir um alinhamento perfeito. Este é feito visualmente mesmo, devendo-se afastar alguns metros do avião e checar o alinhamento por trás. Após estas marcações, o profundor deverá ser retirado para cortar o filme termo-adesivo na área onde será colado com epóxi de cura bem lenta. Esta secagem lenta é que permitirá o tempo necessário para o alinhamento final e limpeza dos excessos através de um papel higiênico embebido com álcool. 19

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Revista Hobby News Após a secagem completa do profundor, é possível fazer a fixação do leme de direção como indicado nas fotos Linkagens A instalação das linkagens e servos do Extra 300 EP é muito facilitada graças a tubos guias de plástico instalados dentro da fuselagem. Basta inserir os arames de comando para que já saiam no lugar certo. Vale uma dica interessante a respeito deste sistema. Os arames de comando vêm com um óleo protetivo contra corrosão que deixa Para aproveitar os trabalhos no leme, aproveite para fixar a bequilha em seu lugar. Muito fácil de instalar requer apenas dois furos na fuselagem para fixação do suporte e um furo no leme para fixar o arame de aço que fixa a roda. com cera automotiva até esta película de proteção sair por completo. Desta maneira o arame ficará liso, escorregando com maior facilidade pelos tubos plásticos. No restante da instalação, o procedimento é igual a qualquer outro aeromodelo ARF. Como dica final, é importante rosquear os links completamente dentro dos arames de comando, pois além de mais seguros, permitirá uma faixa maior de ajustes após o corte do arame de comando que vai fixado ao servo. o deslocamento dentro do tubo plástico pesado, forçando um pouco os servos. Para amenizar este problema, antes de instalá-los, faça um bom polimento 20

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Ago/Set. - 2008 Assim como na asa, cuide do perfeito alinhamento dos braços dos servos para que se tenha uma simetria de comandos. Servos na fuselagem De fácil instalação, deve-se apenas posicioná-los de maneira que fiquem alinhados com os arames de comando que vêm da fuselagem. No caso destes arames ficarem curvados, os comandos ficarão mais pesados, forçando os servos e aumentando o consumo de energia provida pelo Speed Control. Trem de pouso Não oferece maiores dificuldades, mas as polainas das rodas mereceram uma atenção especial. Estas são fixadas diretamente à lâmina do trem de pouso e, por serem pequenas, ficava difícil

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Revista Hobby News alinhar e perfurá-las ao mesmo tempo sem perder o correto posicionamento. Foi quando me lembrei de uma companheira bem quebra-galho, a cola quente. Bastaram duas gotas nas polainas para fixá-las em sua posição correta. Em contato com o alumínio do trem, a cola quente esfriou quase que instantaneamente e se prendeu da maneira que eu queria. Depois disso, bastou apenas fazer os furos diretamente na posição de fixação e prender os parafusos. Após repetir a operação com a outra polaina, o trem de pouso ficou pronto. Agora está começando a ter cara de Extra mesmo. 2-Solda para eletrônica com baixo ponto de fusão – A liga de solda deve ser a do tipo para trabalhos em eletrônica que fundem em uma temperatura mais baixa. Deve ser fina e flexível 3-Esponja ou pano úmido – Durante os trabalhos de soldagem, sempre mantenha à mão uma esponja ou pano úmido com água para manter a ponta do ferro de solda sempre limpo. Após ter providenciado os materiais acima, anote mais estas duas regrinhas: - A ponta do ferro de solda deve estar sempre limpa e estanhada antes de cada soldagem – Depois do ferro já estar devidamente aquecido, derreta um pouco de solda na sua ponta e na seqüência limpe-a no pano úmido. Repita esta operação até o ponto onde a ponta fique limpa e brilhante. Quanto mais estanhada estiver a ponta do ferro de solda, melhor será a transferência de calor para a peça a ser soldada, o que proporciona uma soldagem mais rápida. - Estanhe todos os componentes com a mesma solda - O ato de estanhar as peças antecipadamente facilitará a soldagem, pois os pontos de união terão soldas de mesmas características. Por exemplo, para estanhar um fio de uma bateria, deve-se encostar a ponta do ferrinho à solda e esta ao fio. A solda fundirá rapidamente e será absorvida pelo fio. À medida que a mesma derrete, vá aplicando mais solda até que o fio adquira o mesmo brilho prateado. Faça isso rapidamente e em uma única etapa, pois se a solda for reaquecida de modo repetido, esta perderá suas características químicas e tornar-se-á opaca, mais comumente chamada de solda fria. A solda fria não é uma solda de boa qualidade e poderá romper-se sem prévio aviso. A solda perfeita é aquela que permanece brilhante e uniformemente distribuída após seu resfriamento. Agora podemos efetivamente efetuar todas as soldagens dos sistemas do Extra 300 EP. Primeiramente reúna em sua bancada todos os componentes que serão utilizados na montagem conforme abaixo. Montagem dos sistemas elétricos Até agora a montagem transcorreu normalmente, muito similar a um aeromodelo ARF à combustão, mas, deste ponto em diante, os conceitos mudarão e para que isso ocorra sem sustos (ou curtos-circuitos), gostaria de orientar-lhes com importantes dicas, começando com uma soldagem perfeita. Soldagem O ato de soldar pode até parecer uma arte, mas não é. Primeiramente, é necessário reunir os materiais corretos para o trabalho conforme abaixo: 1-Ferro de soldar com potência compatível com o tamanho da peça a ser soldada – Para soldagem de conectores elétricos nas fiações de motores, baterias e ESC`s, um ferrinho de solda da faixa de 40Watts dará conta do recado. 22

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Ago/Set. - 2008 Soldando conector Deans na bateria – Esta soldagem é a que necessitará mais cuidados para que curtos-circuitos acidentais não ocorram. A regra manda que conectores fêmea deverão ser soldados à bateria, pois como os contatos ficam embutidos, o risco de curtos-circuitos são eliminados. Segue seqüência: 1- Coloque os tubos termo contráteis nos fios. (foto 01) 2- Estanhe o fio positivo da bateria. (foto 02) 3- Prenda o conector Deans com o alicate e estanhe o terminal positivo 4- Tão logo a solda “pegue” no terminal positivo, imediatamente coloque o fio da bateria junto deste terminal. Assim que a solda fundir o fio e o terminal, afaste a ponta do ferrinho e segure o fio firmemente até que a mesma esfrie. (foto 03)) 5- Para proteção contra curto-circuito, deslize o termo contrátil sobre a solda já feita no fio positivo. (foto 04) 6-Faça o mesmo procedimento acima para o fio negativo da bateria. (foto 05) 7-Deslize o termo contrátil do fio negativo sobre a solda e aplique ar quente para a contração completa dos isolantes. (foto 06) Soldagem dos conectores de saída para o motor Soldagem dos conectores ao motor Soldagem de conectores no Speed Control – As fotos abaixo ilustram os procedimentos de soldagem para o conector da bateria e dos conectores que ligam o motor Soldagem do conector Deans macho Continua...na próxima edição da Revista Hobby News, onde você vera: * Programação do Speed Control * Conexões * Balanceamento da hélice * Instalando os sistemas * Instalação Motor, Esc e Cowl * Instalação Receptor * Instalação Bateria * Sistemas prontos * Ajustes finais e teste de solo * Ensaio de vôo Até la!!! 23

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