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Revista Hobby News E Reinaldo M. Martins as peças embaladas com duas camadas, uma de espuma e outra plástica, que sela o produto. Sem exceção, todas as peças do kit estavam individualmente embaladas desta maneira. ções de fuselagem e leme tão uniformes. Pois bem, depois de entelado e limpo, o modelo recebe uma camada muito fina de pintura na cor base (creme) e depois uma camada amarela em posições definidas para mostrar a graduação de cores. Não sou plastimodelista e entendo pouco de pistolas de pintura, mas a névoa gerada era tão fina que mesmo nos pontos onde as cores se misturavam, não era possível enxergar as partículas. Mas não acabou não, sobre esta base são aplicados adesivos muito finos, como aqueles à base d’agua onde servem para 2 funções, encobrir as emendas das cores e fazer o detalhamento gráfico complexo. Estes adesivos são impressos em alta resolução, volução... Essa é a palavra rege o aeromodelismo globalizado nos dias de hoje e provoca a nossa sede de querer conhecer e sentir com as mãos o que este mundo nos oferece quase que diariamente. Desta vez, o produto que descrevo neste ensaio é o EDGE 540 da CMP, um simples aeromodelo glow que me chamou a atenção pelo belo acabamento e qualidade construtiva. Apresentação do Produto Quando vi este modelo em um catálogo que veio da última feira de Nuremberg, confesso que fiquei intrigado sobre como o fabricante conseguia fazer aquela pintura marcante, com muitos detalhes gráficos. Meio que duvidando do catálogo, achando que fosse uma montagem em photoshop, resolvi pagar para ver. Depois de uma longa espera até que estivesse disponível no Brasil, adquiri o intrigante kit Apesar de a linha CMP ser bastante ampla, com aeromodelos que variam do F3A, acrobáticos e warbirds, escolhi este por apresentar o maior nível de detalhamento gráfico. Ao abrir a caixa, encontro todas Depois de tudo desembalado, começo a reparar no brilho da pintura, perfeita, sem rugas nem emendas. Realmente, o produto dos sonhos de catálogo era o que se apresentava a mim. Como bom observador, consegui decifrar o segredo de tamanha perfeição na entelagem. A fuselagem, depois de receber a última camada de lixa, é entelada com um filme termo-adesivo transparente! Isso mesmo, uma camada sem cor, com uma capacidade de conformação muito maior comparado aos filmes coloridos, que me deixou estupefato ao ver jun- 20

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Fev/Mar - 2011 e somente com a utilização de um computador se consegue tamanha riqueza de cores e detalhes. Após a aplicação dos adesivos, o acabamento final é uma camada de verniz que literalmente “sela” o modelo. Todas as emendas, cantos, e filmes sobrepostos ficam vedados pelo verniz, evitando assim a soltura por contaminação de óleo. um novato em construções, mas se você já montou 3 ou 4 ARF´s este será apenas um kit mais elaborado, portanto, merece maior cuidado e capricho. Para que o artigo não se estenda demais com etapas já conhecidas, farei uma exposição dos pontos diferenciados da construção e eventuais dificuldades encontradas. Dobradiças – é a primeira vez que faço uma montagem com dobradiças de ponto. Precisa de um pouco mais de paciência, e a cola epóxi deverá ser utilizada para que tenhamos tempo para alinhá-las. Uma dica importantíssima, pingue uma gota de óleo nas articulações para que algum eventual resíduo de cola não trave a dobradiça. Primeiro, fixe, alinhe e cole as dobradiças nas superfícies móveis e, depois de secas, instale-as nos seus lugares, também com cola epóxi. O que gostei foi que os ailerons têm canais rebaixados para que a parte móvel da dobradiça fique alojada, permitindo assim redução expressiva no espaço entre partes móveis e fixas a praticamente zero. A dobradiça com horn incorporado na injeção plástica também foi uma boa solução. Resultado: simetria e leveza dos comandos. Alojamento dos servos nas asas – Esta interessante peça plástica possui um acabamento na saída da alavanca de servo, que protege a mesma de eventuais impactos, evitando a quebra acidental de engrenagens. As fotos abaixo ilustram a montagem e completa: A aparência final é realmente de um avião pintado, mas que mantém toda sua estrutura em balsa e lite-ply intertravados, sabidamente leve e resistente. Eu, que já vi máquinas desta estirpe em escala cheia de perto, fui obrigado a admitir que o fabricante trabalhou bem. Tem algum ponto negativo? Tem sim, assim como seu carro: se você batê-lo dificilmente conseguirá refazer a pintura da mesma maneira, mas isso vou deixar pra lá, senão nunca terei a chance de voar um avião bonito. E mais, avião é para voar, não é pra cair! Montagem É similar a todos os outros ARF´s de qualidade no mercado, com um manual de pouco texto e muitas imagens ilustrativas, solução encontrada pela maioria dos fabricantes chineses. Naturalmente, não é para 21

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Revista Hobby News Dica: Infelizmente os parafusos não vêm identificados em saquinhos plásticos e todos estão juntos. Separá-los então se torna uma excelente ideia. Para isso, não jogue fora aquela caixa de bombons que ganhou de seu chefe no Natal, ela será fundamental Trem de pouso principal - sem segredos, basta perfurar a tela nos pontos de fixação que as porcas auto cravantes já estão lá. Para as carenagens de rodas, foi necessário um desbaste nas cavidades e utilizei 2 parafusos para fixá-la, ao invés de um como mandava o manual. As rodas são de borracha, comprovadamente mais duráveis. Motor – Apesar de não haver furação feita para instalação do montante, existem marcações e distâncias definidas pelo manual que auxiliam nesta operação. A modificação necessária nesta fase foi um recorte na parte inferior da fuselagem, pois o escapamento do motor OS MAX 55AX era muito longo e batia na parede de fogo. A utilização de pequenos ganchos atarrachantes ajuda no posicionamento das mangueiras. Cowl do motor – Esta peça necessitou de bastante cuidado para ser recortada, pois nos kits da CMP não acompanha o cowl transparente que auxilia nos recortes. A solução foi o clássico “corta 22

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Revista Hobby News um pouquinho e experimenta” que tomou uma noite completa. Por ter bastante espaço interno, aproveitei e instalei o GPS e um medidor de temperatura no cabeçote do motor. Após toda a fiação passada e organizada, a aparência final ficou bastante limpa e profissional. Colagem do profundor – Este é baionetado, mas deve ser colado permanentemente na fuselagem. Bastou encaixá-lo, checar o paralelismo em relação à asa e mantê-los pressionados com argolas de elástico para uma junção efetiva à fuselagem Tanque e Telemetria – Sempre tive a curiosidade de montar o sensor nível de combustível a fim de sentir na prática a segurança de voar glow sem medo da pane seca. O sensor acompanha 3 transdutores capacitivos de diferentes medidas para encaixarem na maioria dos tanques, e conseguem identificar a presença de combustível mesmo estando do lado de fora do tanque. Apesar desta membrana já vir com um bom adesivo, optei por fazer um laço de segurança com fita adesiva, dando duas voltas completas nas extremidades do sensor. Este sensor conta com quatro graduações e optei por colocá-lo um pouco acima, pois quando a última barra apagar, significa que tenho mais “um dedo” de combustível e, por tabela, converto uma graduação de 4 para 5 pontos! Voo teste Depois de uma semana e um total de 35 horas noturnas trabalhadas, o Edge 540 estava pronto. Por não ser elétrico, o peso foi uma das coisas que nem me preocupei. Pois é...Quando nasci, a primeira coisa que vovô me ensinou foi esta fórmula: Asa simétrica fina + cauda curta + profundor pequeno + 3kg = cadeira elétrica Linkagem e servos - tudo feito conforme manda o manual, simples assim. O layout é limpo e organizado, sendo o profundor comandado por uma vareta de fibra de carbono com saída dupla e leme acionado via pull-pull (cabos de aço). Esta é a tela “cockpit” do Aurora 9 onde podemos checar, de uma só vez, todos os parâmetros. Caiu a ficha...to voando um pequeno bólido de apenas 1,40 mts com um belo .55AX no nariz. E agora? Não tem jeito, dual rate e exponencial reduzindo os comandos para todo lado e vamos domar a fera... 24

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Fev/Mar - 2011 Checagens habituais pré-voo, tanque cheio, motor devidamente amaciado e regulado, cursos de comando a 50% do recomendado e vamos para a cabeceira. No táxi, percebi a boa resposta da bequilha e a firmeza do trem de pouso, evitando que as asas raspassem no solo em uma curva mais fechada. Sem perder muito mais tempo, ataco o motor para a máxima potência e faço uma correção de leme à direita a fim de anular o efeito de torque do motor, sendo bem fácil de achar o ponto de equilibro da reta. Deixei embalar bem e puxei-o suavemente para uma subida firme e segura. Curva a esquerda e já retornando a mim, após apenas 1 clique de trim de aileron à di- reita, precisei trimar o profundor cabrando aproximadamente 8 cliques em relação ao ponto neutro, talvez motivado pelo pequeno peso de nariz que deixei propositalmente (algo em torno de 8mm à frente do recomendado pelo manual) Minha primeira curiosidade a respeito do Edge era descobrir o comportamento em atitudes críticas. Subi para uma altura bem segura, reduzi o motor e fui cabrando com o dual rate de profundor a 50% e, para minha total surpresa, não estolou de asa! E agora??? Nova tomada, agora com 70% de profundor e...não caiu de asa! Não pode ser!!! Com 100% vai ter que cair! Que nada, com todo o comando disponível apenas oscilações descendentes verticais. 25

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Revista Hobby News É, vovô errou, mas na época dele não existia o Edge, um acrobático com uma asa de excelente perfil e bem posicionada que faz jus aos adoradores deste modelo. Já habituado aos limites que poderia atingir, abro também os comandos dos ailerons. Estes sim são rápidos! Os rolls saem praticamente no eixo, com uma pequena correção de 10% de ailerons diferenciais, aí sai completamente centrado. Os loopings não apresentam qualquer problema na execução e, caso você puxe demais, ele começa a oscilar o nariz, avisando-lhe do abuso. O voo em faca foi bastante interessante, pois precisou de algo em torno 50% da deflexão total do leme, e um pouco de aileron do lado oposto. O profundor não precisou ser utilizado nesta manobra. Ao tentar fazer um hover com o Edge, descobri uma limitação na manobra. A hélice que utilizava, uma 12,5 x 6 para voos esporte não gerava um empuxo forte o suficiente para segurar na vertical com segurança. Era necessário aplicar quase que toda a potência para segurar na vertical e, com o CG levemente avançado, o trabalho de leme e profundor era demasiadamente grande. Neste sentido, percebi que além do voo esporte acrobático, se quisesse algo mais para 3D, estas modificações no setup seriam necessárias. Legal, depois de “não sei quanto tempo de voo” olho para o marcador de combustível e leio apenas 1 ponto de marcação, o que significava aproximadamente 2/3 de tanque ou menos. Não podemos esquecer que, com o combustível vibrando dentro do tanque, o nível sobe um pouco, então nada mais justo que pousar. Redução a 3 dentes acima da marcha lenta, aciono os flaperons, programados para baixar 1 cm já com a devida correção de profundor. O Edge entra em um planeio firme e relativamente lento, considerando as pequenas dimensões de asa. Cruza cabeceira, potência reduzida e pequeno flare para um pouso de pista totalmente tranquilo e dominável. Com o avião no solo, confirmo a sobra de combustível no tanque e faço mais um turno de pista. No segundo pouso, tento puxar um pouco mais pra ver se sai um 3 pontos, mas o ângulo de ataque necessário é maior e, apesar de ter sido possível, a atitude é próxima do stol, por isso deve-se tomar cuidado sob pena de dar umas “pingadinhas” no chão. Bem, amigos, concluo este ensaio muito feliz por constatar que um avião pode ser bonito e bom voador ao mesmo tempo e a CMP especializou-se nisso. Adicionalmente, não posso deixar de testemunhar a tranquilidade que é voar um aeromodelo tendo à sua disposição, na tela do rádio, informações sobre a capacidade de combustível e bateria do receptor. Isso não tem preço, ou melhor, tem preço sim, que é seu lindo avião voltando pra casa Um grande abraço e até o próximo ensaio! Ficha Técnica: Modelo: Edge 540 – 50 Categoria: Escala acrobático para pilotos de nível intermediário Envergadura: 1400 mm Área de asa: 31 dm2 Comprimento: 1270 mm Carga alar: 90 a 93 g/dm2 Aerofólio: Naca-0012 Motor utilizado: OS MAX 55AX Rádio instalado neste ensaio: Aurora 9 com receptor Optima 7 e telemetria completa Servos: 5 x HITEC HS-325HB carbonite e rolamento 26

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