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ricardo

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Revista Hobby News Alguns kits são tão mal falados pelos modelistas que acabam adquirindo má fama. É o caso deste kit da Dragon: nos últimos anos ouvi falar da dificuldade da montagem, do encaixe das peças e de vários erros que o kit apresenta, que sempre ia deixando o modelo abandonado na prateleira, mas animado pelo tema da convenção do CBAP 2010, Guerra do Golfo 20 anos, resolvi encarar a montagem. O SS-1C ‘SCUD B’ w/ MAZ-534 TEL foi projetado como substituto do SCUDA, que usava a plataforma do JS-3 e entrara em serviço no meio dos anos 50. É um míssil tático balístico móvel de curto alcance, feito na Rússia, superfície-superfície, de onde vem seu nome (surface-to-surface) SS-1c. A série de mísseis guiados Scud, são propelidos por um motor de um estágio usando propelentes líquidos. Seu projeto é derivado do foguete V-2 usado na WW2 pelos alemães. Sua ogiva pode conter explosivos, armas químicas ou nucleares. O míssil era lançado verticalmente de uma pequena plataforma e tinha um alcance de 300 km. Giroscópios pouco sofisticados guiavam o míssil somente durante o estágio em que os motores funcionavam, o que durava em torno de 80 seg. Após o motor desligar o míssil com sua ogiva militar seguia sem controle para seu alvo pré-designado. Consequentemente, o míssil tinha fama de ser pouco preciso, e quanto maior a distância de seu voo, maior sua margem de erro de navegação. Quando entrou em serviço, forneceu ao Exército Russo uma capacidade tática nuclear que ele não tinha. Variantes não nucleares do míssil Scud foram exportadas para países do 62

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Dez/Jan - 2010/11 Ricardo Gasparini Mattua Pacto de Varsóvia e varias outras nações alinhadas com Moscou. O chassi do MAZ-543 com oito rodas começou a ser usado em 1965. O veículo era usado como transporte, posicionador e lançador do míssil, e a introdução deste potente veículo cross-country deu a este sistema de míssil uma maior capacidade de deslocamento, reduzindo o número de veículos de apoio e permitindo uma escolha maior de lugares de lançamento. O kit é bem antigo, deve ter pelo menos uns 25 anos e naquela época as informações sobre veículos russos eram bem restritas e por isso o modelo é muito pobre em detalhes como cabine e fidelidade na parte do lançador. Para melhorar o modelo usei dois sets de photo-etched para Scud da Eduard e várias peças da minha caixa de sobras para enriquecer as quatro cabines do caminhão. Felizmente hoje em dia existem vários caminhões Scud em museus pelo mundo e na internet facilmente você acha várias informações e fotos para ajudar no detalhamento do kit. A montagem deve ser feita em etapas: primeiro o chassi do caminhão, que por incrível que pareça não tem o fundo, deixando à mostra as pontas dos semieixos, que não são ligados a lugar nenhum. Para resolver este problema, após a montagem, fechei o fundo usando chapas de poliestireno e com alguns detalhes e peças dei a aparência de uma chapa protetora do chassi. Em seguida o caminhão é composto de quatro subconjuntos, o primeiro, a cabine dos motoristas e comandante do caminhão, o segundo com o cofre do motor, o terceiro com as duas cabines do controle de lançamento, e o 63

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Dez/Jan - 2010/11 último com a parte que contêm o eretor do míssil, suporte de transporte e plataforma de lançamento. Usando as fotos como referência fui procurando em minha caixa de sobras peças parecidas, com detalhes internos das cabines, pois o kit vem com poucos detalhes e o interior fica bem vazio. Nas minhas referências, o interior pode ser pintado tanto na cor cinza claro azulado ou verde claro, mas optei por esta segunda escolha. As transparências são fornecidas em uma folha de plástico maleável transparente e os modelos para cortá-los são impressos na folha de instrução: estas transparências devem ser coladas por dentro das cabines antes de fechá-las, pois sua posição é muito complicada para um fácil acesso após a montagem. As rodas do kit são injetadas em plástico, mas não tem muitos detalhes e o desenho da banda de rodagem está errado. Se o modeliza desejar um melhor detalhe destas peças pode trocá-las pelas rodas de resina feitas para o, MAS-537 da Trompete, pois são as mesmas. Após finalizar a montagem, colei cada estágio em sua posição. Para iniciar a pintura, escolhi fazer a versão Iraquiana usada na primeira Guerra do Golfo, que disparou vários mísseis sem carga contra Israel na tentativa de atrair este país para a Guerra, alterando a coalizão dos países árabes contra o Iraque. Como uso tinta Aerotech duco, primeiro apliquei uma mão de primer acrílico para uma melhor adesão da tinta, em seguida baseado em minhas pesquisas usei a tinta Iraq Armour Sand FS 00000 em todo o caminhão; clareando e escurecendo a tinta base comecei a fazer o envelhecimento da pintura, geralmente muito gasto em veículos exposto ao forte sol do oriente médio. Como é comum em caminhões de origem russa, a parte inferior do chassi recebe uma tinta antiferrugem na cor preta. O míssil Scud usado pelos Iraquianos é uma versão atualizada do míssil soviético, desenvolvido no Iraque. Estes incluem AlHussein, desenvolvido durante a Guerra Irã-Iraque, o Al-Hijarah, uma versão encurtada do Al-Hussein, e o Al-Abbas, um míssil Scud com maior alcance disparado de uma posição fixa, mas que nunca foi usado. O veículo de lançamento MAZ-543 era chamado pelos Iraquianos de Al Nida e Al Waleed. Com receio de sua capacidade de levar armas químicas, os americanos emprestaram para Israel o seu novo sistema antimíssil Patriot, que durante a guerra detectou 88 lançamentos, atirou seus mísseis de defesa contra 53 e derrubou positivamente 27 unidades. A força aérea americana designou diversas unidades de A-10 e F-15E para realizarem patrulha aérea especifica para destruir o veículo de transporte e o míssil antes do lançamento. A pintura deste míssil geralmente era na cor branca, todo areia ou areia camuflado com manchas verdes. A cor da ponta do míssil varia conforme a carga de sua ogiva. Também descobri que todas as portas de acesso ao caminhão que deveriam permanecer fechadas durante o lançamento eram pintadas na cor vermelha em seu interior para chamar a atenção. Para compor uma pequena vinheta usei três caixas de figuras em resina da Kirin, duas de tripulantes para o próprio Scud e outra de tripulantes para tanques iraquianos e as modifiquei para combinar com as outras. O uniforme usado pela guarda republicana iraquiana era preto e assim pintei as figuras. Como a posição da suspensão na instrução é muito vaga, após o kit finalizado nem todas as rodas encostavam-se ao chão por igual, então a solução foi cortar as pontas dos eixos que encaixavam no meio de cada roda, reposicioná-las e colar novamente no lugar certo tomando o cuidado de usar um pino de metal para reforçar a união. Também lixei a parte do pneu que tem contato com o solo para simular a ideia de peso do veículo. Após os decalques aplicados e uma mão de verniz fosco, comecei a descascar a pintura usando uma mistura de Humbrol cinza escuro e marrom e um pincel fino 000, para simular a ferrugem nas partes da carroceria exposta ao tempo. A fiação da parte elétrica na base do lançador, parte marcante neste veículo, foi feita usando fios para eletrônica finos e rígidos na cor preta, permitindo assim um melhor posicionamento de cada um. Uma interessante opção deste veículo é deixar as portas abertas e as janelas basculantes abaixadas, o que fiz para mostrar a ideia do calor no deserto. Como não queria deixar o míssil na posição de lançamento para o kit não ficar muito grande, tive a ideia de fazê-lo removível, usando para isto três agulhas de seringa finas. Furei três pontos da base que encostavam no míssil e coloquei cada agulha em uma posição colando-as em seu lugar. Em seguida posicionei o míssil sobre elas, marquei o lugar de cada uma no míssil e cuidadosamente furei cada um. Assim é a melhor solução para guardar o kit com o míssil em transporte e tento a opção de mostrá-lo em lançamento. Troquei as transparências dos faróis e holofote do caminhão por lentes da MV Lenses, pois fica mais real. Fiz uma pequena base de papel machê para expor o modelo e coloquei cada figura em seu lugar. Não nego que o kit deu bastante trabalho, mas nada impossível, nada que um pouco de calma e paciência não resolvessem. Sem dúvida se algum fabricante resolver lançar uma versão mais moderna deste kit seria bem-vindo, mas o modelo pronto não deixa de ser um veículo muito diferente em nossa prateleira de militaria. Para mais informações sobre plastimodelismo visite meu blog: http://ricardomattua.wordpress.com 65

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