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Revista Hobby News uando estava folhando meus velhos álbuns de fotogra- fias, deparei-me com as fotos da minha primeira esquadrilha em que servi na Força Aérea Brasileira. Era a Terceira Esquadrilha de Ligação e Observação – 3ª ELO. Lá estava eu com meus vinte e um aninhos, no meio daqueles clássicos aviões, o famoso L-19 Bird Dog. Foram anos maravilhosos que passamos juntos, até o dia em que foram desativados e substituídos pelos Neiva Regente Elo, os L-42. O tempo passou, o L-19 ficou lá na década de setenta e, com saudades, resolvi reativa-lo no meu hobby. Para não começar do “zero”, fui procurar na internet plantas ou desenhos, para depois na construção aplicar a técnica do recicloplano. Depois de muito procurar, encontrei a reprodução do modelo, é simples e pequena, que logo fui aumentar na copiadora. A fuselagem ficou com 82 cm, a envergadura com 126 cm e um peso total de 1550 gramas. O modelo construído com papelão de uma caixa de embalagem de lâmpadas fluorescentes e deplon. A parede de fogo de compensado, as cavernas da cabine, com papelão reforçado com palitos chatos de picolé e o restante Q Mario A. Soldatelli das cavernas com reforço de varetas de cortina de bambu. O trem de pouso e a asa, fixados nos pinos de bambu mais resistentes (espetinhos). O L-19 está equipado com rádio de quatro canais, a entelagem e decoração, com vinil. Nos ensaios em vôo, o modelo se comportou com excelente desempenho, aprovando mais uma vez que a técnica do recicloplano dá certo.

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Revista Hobby News UM PEQUENO RELATO ACONTECIDO COM O L-19 Na década de setenta eu servia numa pequena Esquadrilha de Ligação e Observação, que operava os famosos aviões Cessna Bird Dog L-19. Foi uma bela escolha, permanecendo nela durante um ano, até ser extinta. O serviço era ótimo, os aviões não davam trabalho e os colegas eram fenomenais. Por falar em fenômeno, tínhamos um “freguês” que era Obeservador Aéreo, oriundo de outra Arma. Quando aparecia na Esquadrilha, ficávamos sempre alertas, não aceitava conselhos, entendia de tudo, canhões, caminhões, metralhadoras, tanques, submarinos, foguetes, porta aviões, bicicletas, turbinas etc., etc., e o pior de tudo era imbatível na aviação. Seguidamente fazíamos treinamento de leitura de painéis no solo e finalizávamos com avião apanhando mensagens. Sentado atrás do piloto, ia o Observador que fazia a leitura e apanhava as mensagens. Estas manobras eram realizadas na própria Base Aérea, na lateral da pista que era de grama. O perigo estava no apanhar a mensagem, principalmente quando este Observador estava de missão. A manobra consistia de duas estacas com uma corda em cada extremidade, ficava semelhante a uma goleira. A mensagem era presa na corda e por meio de uma garatéia, era resgatada. Bem antes da passagem pela goleira, o Observador tinha que calcular a altura da corda com a garatéia, para que ela engatasse na corda e apanhasse a mensagem. Na passagem, o avião vinha baixando gradativamente, e o Observador, em vez de usar o mesmo método soltando a corda, simplesmente jogava a garatéia que batia no chão e repicava para cima. Pelo rádio avisávamos que estava sendo perigosa a maneira com que estava fazendo os lançamentos. Não adiantava, o homem era teimoso e insistia no erro. O piloto avisou-nos que faria a última passagem, pois a operação estava tornando-se inútil. Foi nesta última missão que aconteceu o que estávamos prevendo. A garatéia, desta vez repicou e voltou com violência, enrolandose no leme de direção e no profundor. Em seguida, acionaram a sirene de emergência. O tumulto estava formado e quase a totalidade da Base Aérea estava presencionando o avião que voava com a cauda “amarrada”. Notava-se que os comandos não tinha sido afetados. O L-19 arremeteu tranqüilamente, tomou altura, fez uma curva perfeita e veio para aproximação de pouso. Tudo estava correndo bem, até o momento em que um jipe dos bombeiros, puxando um reboque com um grande cilindro de extintor de pó químico, entrou na pista. A cabine do jipe era de lona e no seu interior haviam vários soldados que saíram no intuito de socorrer a aeronave e seus tripulantes. Quando o avião tocou o trem de pouso no solo, os bombeiros entraram em disparada na pista, fazendo uma curva muito acentuada, a qual fez primeiro tombar o cilindro de pó químico e em seguida o jipe com toda a sua equipagem. O avião posou tranqüilamente, deu meia volta e foi acudir os bombeiros. O que ia ser socorrido, virou socorro e graças ao nosso Observador, não seria necessário chamar o um médico, apenas uma ambulância, pois de medicina ele também entendia. Mario A. Soldatelli

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