Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 20

 

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revistamineracao.com.br Setembro Janeiro . .Fevereiro Outubro de 2015 2013 . Especial Edição 12 Edição 20 .. Ano 4 2 Tecnologia do Cetem geram inovações para a mineração Meio Ambiente Laboratórios Cidades Minerárias nascida da fé Vazante, Projeto Quelônios da Amazônia salva milhões de tartarugas Comunidade Investimento socioambiental em Nordestina já rende frutos Capacitação, o desafio do Pará Milhares de vagas serão abertas no estado e a mão de obra local precisa se preparar para agarrar as oportunidades

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clique Magnus Manske Ameaça ao Santuário O arquipélago equatoriano de Galápagos, conhecido pela influência desempenhada nos estudos de Charles Darwin e um dos ecossistemas mais frágeis do mundo, enfrenta um sério risco ambiental. Um navio com 1,4 mil toneladas de carga poluente, como 10 mil galões de combustível e 11 toneladas de óleo de pinha, encalhou nas proximidades deste Patrimônio Natural da Humanidade, que tem várias espécies endêmicas, como a iguana terrestre. O governo do Equador declarou, no início de fevereiro, estado de emergência preventivo em função do incidente, mas afirmou que não há risco iminente, mesmo com os vazamentos já identificados na embarcação. EXPEDIENTE Diretor Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Ívina Tomaz Thailor Gonçalves redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico, Editoração e Design Leopoldo Vieira Anúncios / Comercial Luciano Teixeira + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Gráfica Del Rey Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Ilustração istockphoto On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guaicuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 /RevistaMineracao @RevMineracao

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Estante Mineração em Área de Preservação Permanente Mariel Silvestre Signus Royalties do Petróleo, Minério e Energia Fernando Facury Scaff RT - Revista dos Tribunais Minerais Comuns e de Importância Econômica Sebastião de Oliveira Menezes Oficina de Textos Segundo o Ministério de Minas e Energia, 80 das minas brasileiras estão em áreas de preservação permanente. Se a legislação impede a atividade de mineração nessas áreas, como esses recursos poderão ser aproveitados? Veja nesta obra, essencial a mineradores e ambientalistas. A obra analisa a incidência e o rateio dos royalties sobre a atividade de extração de petróleo, minério e energia elétrica no país. No Brasil, a receita de royalty cumpre função meramente arrecadatória dentro do sistema de receitas públicas dos entes federados, a despeito da arrecadação proporcionalmente baixa em face do total das receitas públicas. • R$ 100,00 • 23,8 x 16,7 cm • Brochura • 379 páginas • 1ª edição • ISBN: 978.85. 203.5305-9 • R$ 50,00 • 16 x 23 cm • Brochura • 180 páginas • 1ª edição • ISBN: 978.85. 8780.336-8 Ao se iniciar o estudo da geologia, torna-se necessário conhecer mais de perto as rochas, unidades básicas da crosta terrestre, constituídas de associações de minerais. Destinada a estudantes de geologia e mineração, Minerais Comuns é um manual conciso que aborda, numa linguagem clara e acessível, os fundamentos básicos da mineralogia e da cristalografia. • R$ 39,00 • 14 x 21 cm • Brochura • 127 páginas • 2ª edição • ISBN: 978.85. 797.5050-2 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 5

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sumário revistamineracao.com.br Janeiro . Fevereiro de 2015 Edição 20 . Ano 4 20 Mercado Pará trabalha para capacitar a mão de obra local 14 Tecnologia Laboratórios do Cetem trazem inovação para a mineração 32 Cidades Minerárias Vazante, a fé e a produção de zinco 10 Entrevista Presidente do Instituto Aço Brasil fala sobre o cenário da siderurgia 26 36 Meio Ambiente Produto Final Zinco, essencial para a indústria e para a saúde Projeto salva milhões de tartarugas amazônicas Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Tecnologia 18 Política Mineral 20 24 26 30 32 Mercado Siderurgia Meio Ambiente Ceamin Cidades Minerárias 36 40 42 46 50 Produto Final Cetem Surpreenda-se Comunidade Agenda 18 Política Mineral Deputados mineiros atacam minerodutos 24 Siderurgia Micromill, a nova tecnologia da Alcoa 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015

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Editorial Regras perenes Ninguém é contra a defesa do meio ambiente, mas soa estranho o projeto do deputado estadual Paulo Lamac, do PT de Minas Gerais, dispondo que todo mineroduto fique obrigado a retornar ao ponto de captação 50% da água extraída para suas atividades. E a iniciativa vem reforçada pelo colega de partido Rogério Correia, que quer simplesmente revogar o decreto de desapropriação de imóveis no traçado de minerodutos, sob a justificativa de que vários setores são prejudicados, especialmente pequenos agricultores. É dever de todo legislador defender os interesses da sociedade, mas é preciso respeitar as instâncias de responsabilidade. Quando um mineroduto ultrapassa as divisas de um estado, cessa a competência estadual e cabe ao Ibama a licença ambiental. Ora, os minerodutos da Anglo American e da Samarco, em operação, e o da Sul Americana de Metais, a espera de licenciamento, ultrapassam as divisas mineiras. Passar disso é jogar para a plateia e ficar bem com o eleitor menos avisado. Além disso, é utilizar da velha prática brasileira, de mudar as regras com o jogo em andamento. Por falta de regras perenes é que os investidores estão com um pé atrás em relação ao país. Na editoria de Meio Ambiente, o repórter Márcio Antunes acompanha a questão, as alegações da Sul Americana Metais e do Ibram. Em outro campo, acompanhamos o andar letárgico do novo Marco Regulatório da Mineração, que dormita nos escaninhos do Congresso Nacional há dois anos em forma de projeto de iniciativa do governo federal. Enquanto isso, um número grande de novos projetos e expansões aguarda a definição de novas regras. Acuada politicamente nesse início de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff, pelo menos por enquanto, terá pouco tempo para dedicar-se ao tema. Os dólares dos investidores vão esperar ou irão em busca de melhores paragens? Notícia bem mais amena está na editoria de Siderurgia, dando conta de que a Alcoa está apostando nos testes do Alco Micromill, tecnologia a ser empregada na produção de chapas e placas de alumínio mais leves, rentáveis, duráveis e sustentáveis. Na indústria automobilística, poderá produzir peças 30% mais leves e 40% mais moldáveis. Veículos mais leves gastarão menos combustível e, por isso mesmo, poluirão menos. A novidade está em testes na cidade de San Antonio, no Texas, e foi apresentada no final do ano passado. A editoria Siderurgia passa a integrar a revista, uma demonstração de atenção a um setor que não anda bem. O aço que sobra na China, com desenvolvimento contido, toma de nós o mercado da América Latina. É muito problema para o país, atolado em crises políticas e econômicas, sem falar na velha corrupção. Mas como diziam os antigos: quando as coisas estão muito ruins é sinal de que vão melhorar. Cruzar os dedos é o que nos resta. Tão grande que pode ser vista do espaço. Não é montanha nem mar. É a maior mina de ouro a céu aberto da Austrália, que esgotará os veios em 2018 e se chama Super Pit. Tem 3,5 quilômetros de comprimento e 1,5 quilômetro de largura. Produz hoje 21 toneladas anuais de ouro. Para comparar, o Brasil produziu 80 toneladas em 2013. A repórter Ívina Tomaz mostra na Editoria Produto Final, como o Zinco, encontrado na água e no solo, é também fundamental para o corpo humano. Resistente à corrosão, pode ser com- Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. binado com outros materiais e, se reciclado, não perde características físicas. Os especialistas garantem que produtos revestidos com zinco ficam até 100 anos sem manutenção. A cidade de Vazante, em Minas Gerais, tem uma das duas jazidas em exploração no país. O município é também o destaque como Cidades Minerárias. Para encerrar, além das seções normais, a editoria de Sustentabilidade foi remodelada, ganhou novo foco e passa a se chamar Meio Ambiente. Nesta edição, trazemos a história do Projeto Quelônios da Amazônia, iniciativa que está salvando milhares de espécimes na região. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 7

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panorama Pé no freio A venda de veículos caiu 12,4% na comparação entre fevereiro e janeiro de 2014, segundo dados do setor. Até dia 19 de fevereiro, quando os primeiros números foram divulgados, foram vendidas apenas 108 mil unidades, incluindo caminhões e ônibus, ante as 253 mil do primeiro mês do ano. No acumulado entre janeiro e 19 de fevereiro as vendas caíram 20,6% em relação a igual período de 2014, para 361,8 mil unidades. Especialistas apontam como principal causador da queda a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Desde maio de 2012, o setor operava com uma generosa desoneração fiscal do governo. A Anfavea informa que houve avanço de 0,4% na produção de veículos em relação a dezembro de 2014, de 204 mil carros para 204,8 mil. contagiros.wordpress.com Novos Parceiros A Manabi está em busca de novos parceiros para o projeto Morro do Pilar, localizado na cidade mineira de mesmo nome, que prevê produzir 25,5 milhões de toneladas de minério de ferro anualmente. A licença prévia para implantação do empreendimento já foi concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Segundo a mineradora, a busca por novos investidores tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento do projeto. A Manabi também pode enfrentar obstáculos para viabilizar a construção do mineroduto de 511 quilômetros que ligará a unidade produtiva a um porto no Espírito Santo, fruto principalmente da crise hídrica vivenciada no estado. Balança comercial prejudicada As vendas externas de Minas Gerais estão sofrendo um revés devido aos baixos preços do minério de ferro. No primeiro mês de 2015, as remessas da commodity feitas pelo estado ao exterior somaram US$ 476,5 milhões, ao passo que em janeiro de 2014 alcançaram US$ 1,112 bilhão, queda de 57,2%. Os cálculos apontam que o valor da tonelada do minério caiu praticamente 55% na comparação entre os dois períodos, o que representa perda de US$ 600 milhões. O principal comprador do estado é a China, destino de 60% do volume embarcado. A diminuição do apetite chinês por minério contribui para os números negativos: foi despachada para a China 1 milhão de toneladas a menos na comparação entre janeiro de 2014 e de 2015. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015

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Os dois lados... O jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, noticiou em 1 de fevereiro que a Vale demitiu 40 copeiras. A informação foi dada laconicamente e não ultrapassou uma linha, mas conduz a um novelo de apreensão. Na segunda semana de fevereiro, 15 funcionários da Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), também foram demitidos, incluindo supervisores e funcionários com bom tempo de casa. Pequenas empresas que prestam serviços para a mineradora estão cortando custos onde podem e reduzindo o quadro de funcionários, como ocorre em Rio Piracicaba (MG). O clima ruim tomou conta até mesmo das rodas de conversa nas esquinas dos municípios produtores de minério de ferro. Todos têm na ponta da língua a sentença: com o preço da commodity no atual patamar, a realidade será muito mais dura que aquela vivenciada na primeira década do século 21. ... da moeda Em 2015, a Anglo American deverá contratar 1,2 mil funcionários para o Sistema Minas-Rio, que abrange os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. De acordo com a empresa, o foco é na mão de obra local. A mineradora informou que serão contratados profissionais das áreas de automação, manutenção mecânica, operação de usina de beneficiamento e operadores de equipamentos de grande porte. Além das novas contratações para o Minas Rio, a Unidade de Negócios Minério de Ferro Brasil também deverá empregar 156 profissionais neste ano. Desde que começou a produzir, no último trimestre de 2014, o complexo atingiu a marca de 687,7 mil toneladas de minério de ferro. O primeiro embarque ocorreu em outubro de 2014, com destino à China. Cetec inaugura unidade de galvanização O Centro de Inovação e Tecnologia Senai/Fiemg (Cetec) inaugurou a planta piloto de galvanização. O equipamento demandou investimento de R$ 1,2 milhão. De acordo com o diretor de Tecnologia e Engenharia da Votorantim Metais, Alexandre Gomes, a planta piloto servirá de base para pesquisas de desenvolvimento de uma nova liga de zinco. A unidade de galvanização foi construída por meio de uma parceria entre a Votorantim Metais, a Federação Mineira das Indústrias (FIEMG) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Agência Brasil Ciro Gomes nos trilhos O ex-ministro da Integração Nacional e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (Pros), é a nova aposta da CSN para deslanchar o projeto da ferrovia Tansnordestina, em curso desde 2006. A empresa quer que o novo diretor entregue a ferrovia até 2016, prazo definido no contrato de concessão. Atualmente, a obra está orçada em R$ 7,5 bilhões. A escolha de Ciro Gomes está diretamente relacionada ao cargo de ministro que ocupou durante o governo Lula. A pasta era a responsável por acompanhar o andamento dos trabalhos. Nos últimos dois anos, segundo levantamento do jornal Valor Econômico, a obra avançou apenas 5%. O projeto enfrentou graves problemas, como o rompimento do contrato com a Odebrecht, em setembro de 2013. A empreiteira era a responsável pela construção da estrutura e alegou inadimplência por parte da Transnordestina Logística SA (TLSA), braço da CSN que gere o projeto. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 9

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entrevista Fotos: Divulgação Instituto Aço Brasil Marco Polo de Mello Lopes 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015

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Como religar o alto-forno da siderurgia nacional? Presidente do Instituto Aço Brasil explica que a superoferta de aço no mundo é um dos principais problemas, porém, medidas do governo podem melhorar a competitividade do setor Thobias Almeida Formado em economia pela Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas da Universidade Católica de Petrópolis - UCP. Foi Secretário Adjunto de Economia e Mercado do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), de onde saiu para estruturar a Associação das Siderúrgicas Privadas (ASP), criada em 1978, onde exerceu a função de Diretor Executivo até 1993. Vice-Presidente Executivo do IBS, para onde retornou em 1993, após a quase conclusão do processo de privatização do setor, para fazer a fusão entre a ASP e o Instituto. É o atual vice-presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil. Integra o Conselho Consultivo Setorial da Indústria da CNI. Diretor do Movimento Brasil Competitivo (MBC). A siderurgia brasileira atravessa um longo período de dificuldades. Não por falta de competência, visto que o parque produtivo nacional dispõe de avançadas tecnologias de produção e beneficiamento que não devem em nada para outros países. Entre 1994 e 2011, as siderúrgicas brasileiras investiram US$ 36,4 bilhões, com prioridade para atualização tecnológica, chegando a uma capacidade instalada de produção de cerca de 50 milhões de toneladas, conforme estudo da consultoria PwC. O problema envolve competividade, questão que muitas vezes depende mais de governantes do que de gestores corporativos, e a atual conjuntura mundial de sobreoferta de aço, que afeta não só o Brasil, diga-se. A estimativa é de que 600 milhões de toneladas de aço estejam sobrando nas prateleiras do comércio mundial. Portanto, exportar não é uma solução de curto prazo para resolução dos problemas, mas sim focar o mercado interno. Porém, para o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABR), Marco Polo de Mello Lopes, a siderurgia nacional perde também com a espiral descendente enfrentada pela economia brasileira. “A indústria de transformação já participou de 25% do PIB. Hoje, essa participação é de cerca de 12% e nada garante que o número não vá cair mais”, explica Lopes. O que fazer para mudar o cenário? Aplicar a defesa comercial legítima, com exigência de aplicação de conteúdo nacional, é um dos caminhos apontados pelo presidente do Instituto Aço Brasil. O parque siderúrgico brasileiro é composto por 29 usinas, administradas por 11 grupos empresariais. Atualmente, produz-se no país 34 milhões de toneladas de aço bruto por ano, o equivalente a 18 dias da produção chinesa. “A desaceleração do crescimento interno chinês preocupa porque isso quer dizer que haverá um provável aumento das exportações daquele país”, salienta Lopes. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 11

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Mineração & Sustentabilidade O ano começou com queda nas exportações de aço, frente ao aumento nas importações. O cenário demonstra mais um ano difícil para a siderurgia? Marco Polo As estatísticas de janeiro ainda não foram divulgadas, mas apesar das condições adversas do mercado internacional, as exportações de produtos siderúrgicos em dezembro de 2014 atingiram um milhão de toneladas, no valor de US$ 648 milhões. Com esse resultado, as exportações até dezembro de 2014 totalizaram 9,8 milhões de toneladas e US$ 6,8 bilhões, representando um crescimento de 20,9% em volume e um aumento de 22,3% em valor, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. Isso se deveu, entre outros fatores, ao religamento de um alto forno cuja produção foi direcionada à exportação. M&S Quais motivos levam a indústria brasileira do aço a amargar perda de competitividade? MP É o que chamamos da perda da competitividade sistêmica do país, como a alta carga tributária, cumulatividade dos impostos, alto custo da energia elétrica e câmbio valorizado. Fatores que vêm afetando não somente a indústria brasileira do aço como também seus principais setores consumidores. A indústria de transformação já participou de 25% do PIB. Hoje, essa participação é de cerca de 12% e nada garante que o número não vá cair mais. M&S A desaceleração do crescimento interno chinês é preocupante? MP A produção anual de aço no Brasil equivale a apenas 18 dias de produção na China. O volume de produção chinês bate a casa das 780 milhões de toneladas. A desaceleração do crescimento interno chinês preocupa porque isso quer dizer que haverá um provável aumento das exportações daquele país. O excesso de capacidade de produção de aço está estimado pela Worldsteel Association em cerca de 600 milhões toneladas. Desse total, 256 milhões toneladas estão na China. E a previsão de aumento de capacidade adicional chinesa até 2017 é de 54 milhões de toneladas. Em 2000, 1,3% das importações de aço para o Brasil eram provenientes da China. Em 2014, a participação foi de 52%. Além disso, o Brasil perdeu espaço para a China nas exportações de aço para América do Sul. Por tudo isso a China preocupa. M&S Como enfrentar o chamado “superestoque” de aço? MP Como já mencionamos, o excedente de oferta de aço no mercado internacional é da ordem de 600 milhões de toneladas. Com a queda de consumo desse material nos países desenvolvidos, a China transformou-se em exportadora líquida e o Brasil vem se tornando um dos mercados-alvo para diversos produtores de aço de outros países. O esforço do setor está voltado a ações destinadas a preservar a 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015

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Entrevista com Marco Polo participação da produção nacional de produtos siderúrgicos no mercado doméstico. M&S O foco seria a construção civil? O aço tem conquistado mais espaço nos projetos que são desenvolvidos atualmente? MP A construção civil é o maior setor consumidor de aço no Brasil, representando 36,7% do consumo total desse material. Porém, quando se fala desse segmento como o maior consumidor, refere-se a todo tipo de aço utilizado na construção: chapas, bobinas, barras, perfis, vergalhões, tubos, dentre outros. A construção em aço, foco do trabalho do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), gerido pelo Instituto Aço Brasil, é um sistema construtivo industrializado e, por enquanto, não tem participação expressiva nesse consumo, por falta de tradição. O CBCA trabalha para que esse sistema, que apresenta grande potencial de crescimento, evolua e ganhe mais espaço no país, a exemplo do que já ocorre em outros países. Em 2013, a capacidade produtiva instalada dos fabricantes de estruturas de aço foi de 1,523 milhão de toneladas, sendo o nível de utilização de 73% dessa capacidade. Nesse mesmo ano, a capacidade produtiva instalada dos fabricantes de telhas de aço e steel deck, que equivalem a 60% do segmento de coberturas industrial e comercial, foi de 832.207 toneladas, sendo o nível de utilização de 53,5%. Os produtores estão aptos a atender o aumento de demanda do mercado, oferecendo agilidade na execução da obra, baixo acúmulo de resíduo e mão de obra qualificada. Dados referentes a este segmento podem ser encontrados nas pesquisas Perfil dos Fabricantes de Estruturas de Aço, Perfil dos Fabricantes de Telhas de Aço e Steel Deck e Cenário dos Fabricantes de Perfis Galvanizados, todas publicadas pelo CBCA em 2014. M&S Quais são os novos projetos e novidades do setor para 2015? MP A indústria brasileira de aço assegura oferta de produtos siderúrgicos capaz de atender plenamente ao crescimento do mercado interno e ainda manter níveis de exportação. Novos investimentos para expansão da capacidade instalada da produção de aço bruto do setor estão diretamente vinculados ao crescimento efetivo do mercado interno e a correção das assimetrias competitivas. M&S Há uma receita para fazer com que a siderurgia nacional ganhe competitividade? MP Precisamos que haja crescimento do mercado interno de forma sustentável e investimentos em infraestrutura, correção das assimetrias competitivas e defesa comercial eficiente, com utilização efetiva do instrumento do conteúdo nacional. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 13

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Tecnologia Centros de Pesquisa A inovação como ferramenta do crescimento Laboratórios do Cetem irradiam conhecimento que ajudam a pavimentar o desenvolvimento do setor mineral Thailor Gonçalves De olho no desenvolvimento de novas tecnologias e na otimização dos processos mínero-metalúrgicos, o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), entidade ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, inaugurou, em 2014, três novos laboratórios de pesquisa e um núcleo regional no Espírito Santo. Dentre eles, a única unidade de pesquisa da América do Sul concebida exclusivamente para a identificação e caracterização de pedras e metais preciosos, 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 batizada Laboratório de Pesquisas Gemológicas (Lapege). O Laboratório de Bioprocessos para Ensaios de Biorremediação nas Escalas de Bancada e Piloto (Labiotec), erguido com investimento de R$ 1,1 milhão, fruto da parceria entre o CETEM e a Petrobras, e o Laboratório de Modelagem Molecular (Labmol), foram instalados na sede do Centro, na Cidade Universitária do Rio de Janei- ro. Já o Lapege fica na Ilha do Fundão, Zona Norte da capital carioca. O local escolhido para abrigar o Núcleo Regional do Espírito Santo foi a cidade de Cachoeiro do Itapemirim, a 135 quilômetros da capital, Vitória. Labiotec Com área construída de 440 metros quadrados, concentra as atividades

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Labiotec recebeu mais de R$ 1 milhão em investimentos e pesquisa a biorremediação. Byron Prujansky em pesquisa, desenvolvimento e inovação em tratamentos biológicos (processos de biorremediação) de áreas contaminadas por hidrocarbonetos e ou metais, incluindo as matrizes solo, sedimento e água. O que é desenvolvido no laboratório está diretamente ligado a atividades que guardam o risco de geração e acúmulo de passivos ambientais e que en- contram, no mercado, poucas alternativas tecnológicas para a redução economicamente viável. De acordo com Cláudia Duarte da Cunha, da Coordenação de Processos Metalúrgicos e Ambientais do CETEM, as ações desenvolvidas têm foco na sustentabilidade. “Com a im- plantação deste laboratório, estão sendo realizadas atividades focadas no desenvolvimento de processos de biorremediação mais sustentáveis e ambientalmente amigáveis, que visam não apenas a remoção de contaminantes do meio ambiente, mas que sejam capazes de recuperar Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2015 15

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