A VOZ DA UMEN_ano 5_numero 14_2015

 
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Boletim Informativo Eletrônico da União da Mocidade Espirita de Niterói

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Boletim Informativo da União da Mocidade Espírita de Niteroi - UMEN - ano 5 - nº 14 - Fevereiro/2015

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Boletim Informativo da União da Mocidade Espírita de Niteroi - UMEN - ano 5 - nº 14 - Fevereiro/2015 NESTA EDIÇÃO: EDITORIAL A Voz da UMEN chega a mais uma edição cumprindo o objetivo inicial que é o de informar e ao mesmo tempo resgatar a história da UMEN, evidenciando Raul Muniz Editorial UMEN: a nosa vida Sermão do Monte UMEN: 67 anos unidos pelo Ideal Espírita Espiritismo ou Kardecismo? Cantinho do Chico Equipe do DIV Carla Antunes Raul Muniz Rodrigo J. Amorim Hugo Villafán Raul Muniz Foi Notícia na UMEN Julia e Gabriel Versiani sempre a importância do estudo como instrumento imprescindível para o entendimento e a prática da Doutrina Espírita. Com esse enfoque pretendemos destacar e mesclar temas variados que permitam ao leitor aprofundar seus conhecimentos, mediante a apresentação de assuntos diversificados e significativos, instigando-o a buscar novas leituras. Como é do conhecimento de todos, em fevereiro deste ano, a UMEN completou 67 anos de sua inauguração. Imaginamos que o planejamento da sua existência no plano físico deva ter se iniciado algum tempo antes, ainda na vida espiritual, quando os companheiros, chamados de fundadores, voltaram ao planeta com esta missão. Pretendemos neste número apresentar fatos sobre a vida dos seus fundadores, relacionados à história da UMEN. No ano passado, visitamos o umenista Carlos de Britto Imbassahy e colhemos alguns dados sobre a nossa história. Vitor Hugo foi convidado a escrever sobre a sua vinda à UMEN no ano de 1964, logo após a inauguração da sede. Graças ao empenho e dedicação dos fundadores e de muitos outros companheiros que a eles se uniram, temos hoje esta casa tão querida, a nossa UMEN. Apresentamos neste número também o texto “Espiritismo ou Kardecismo”, por Carla Antunes, “O Sermão do Monte” escrito por Rodrigo Jorge, além das notícias sobre os nossos eventos mais recentes, como a Semana Espírita da UMEN e outros. Estamos inaugurando o “Cantinho do Chico”. Gabriel e Julia buscaram textos extraídos das respostas e orientações do nosso querido médium mineiro, publicadas em alguns livros. A Voz continuará sendo enviada por e-mail, estando disponível no site www.umen.org.br e no Facebook. Críticas e sugestões de assuntos continuam podendo ser enviadas para o email: umen.divulgacao@gmail.com Boa leitura. Órgão de divulgação da Coordenação: Raul Muniz UNIÃO DA MOCIDADE ESPÍRITA DE NITERÓI Carla Antunes Elaine Passos Colaborador: Elaine Passos Manutenção WEB: Revisão Textual: Lúcia Martins Barbosa Editoração eletrônica: Carla Antunes Maurício Pessanha Site: http://umen.org.br/ Facebook: UMEN - União da Mocidade Espírita de Niterói

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UMEN - A Nossa Vida Hugo Federico Bustillos Villafán (V. Hugo) E La Paz ­ Bolívia ra 1964, ano turbulento no cenário político da América Latina. Eu, jovem, cheio de sonhos a realizar, receoso do futuro, decidi sair da minha terra natal em busca de novos horizontes. Vim da Cordilheira dos Andes ao Brasil para concretizar um sonho: estudar engenharia na UFF. Nunca imaginei, contudo, que nessa jornada seria conduzido pelo então diretor do IBGE, responsável na época pelo auxílio a estrangeiros universitários, a um dos maiores ícones da Doutrina Espírita, meu protetor e orientador, Dr. Carlos Imbassahy, que sem me conhecer me convidara para jantar em sua casa, na Rua Moreira César, em Icaraí, Niterói. Lembro-me daquele dia como se fosse hoje. O companheiro Olympio me aguardando na Estação das Barcas para juntos irmos à residência do Dr. Carlos Imbassahy. Este encontro, jamais poderei esquecer. O Dr. Carlos Imbassahy era uma dessas pessoas cuja presença já revela a nobreza de espírito, a leveza da alma. Era extremamente carismático, tinha um porte altivo, guerreiro, que combinado com os óculos de grau que levava na face e aos seus cabelos brancos finos lhe davam uma fisionomia alegre e serena, um ar paternal. Sua generosidade e acolhimento foram, para mim, a expressão da mais pura caridade, do sentido próprio daquilo que se denomina “amor ao próximo”. Abraçou-me com infinita ternura e, junto a sua esposa, Dona Maria, me disse: Sejas bem-vindo, meu filho. O jantar se desenvolvera num clima alegre Dr Carlos Imbassahy e descontraído, falamos sobre trabalho, visões de mundo e religião, eu disse que era católico e que para o “Encontro de Mocidade”, nome este tinha curiosidade sobre outras religiões mas ainda sugerido pelo amigo Olympio e aceito não havia me debruçado sobre tais questões. Foi imediatamente por todos. Esta nova instituição seria a grande Árvore do movimento espírita em então que o Dr Carlos Imbassahy desenvolveu com muita naturalidade e fluidez os postulados da Doutrina Espírita, um pouco da história e do papel do Espiritismo no Brasil e no Mundo. Era a primeira vez que escutava sobre Espiritismo na minha vida, pois em minha cultura de origem nunca ouvira falar. Ouvia tudo aquilo admirado. Possuidor de um lastro doutrinário invejável, e de um diálogo simples, conceituava os conhecimentos com cunho literário e poético como nunca escutara antes. Falava sobre o evangelho de uma forma contagiante, plenamente acessível, de Jesus como um propagador da lei de amor, mestre-irmão sempre presente, e que Deus nos criara para sermos FELIZES, independentemente de raças, credos, gênero, cor ou posição social. Eu escutava embevecido. Aquelas palavras ressoavam no meu íntimo e despertavam um desejo ardente de conhecer esta nova Doutrina. Na continuidade do jantar, Dona Maria, sua dedicada esposa, falou-me carinhosamente que asserenasse meu coração, pois eu seria um trabalhador da causa e da casa e encontraria aí a realização de meus sonhos e anseios. Emocioneime com suas palavras. Mais tarde soube que ela era possuidora de excelentes predicados como Médium. O Dr Carlos Imbassahy assinalara que havia surgido uma nova casa chamada União da Mocidade Espírita de Niterói-UMEN, fruto de uma ideia de um grupo de jovens que iam a Friburgo

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Niterói; seus muitos frutos se espalhariam e suas de existência e participação em nossas vidas, devo raízes solidificariam o Projeto da Espiritualidade dizer que esta se tornou, para mim a sequência do Superior entre a Mocidade; seria a MATER do meu lar, sua extensão, sua continuidade. Nela conhecimento e da prática da caridade, levando encontrei AMIGOS, companheiros, verdadeiros mensagens de amor e consolo para todos os irmãos que são exemplo de dedicação na área carentes de conhecimento e afeto. familiar como na Doutrinária. Nela aprendi a Fiquei extremamente entusiasmado com a trabalhar em conjunto, ampliando nossa atmosfera possibilidade de pertencer a um lugar como esse. fluídica engajados nos trabalhos de AMOR ao Finalizado o jantar abraçou-me e disse: agora PRÓXIMO. Nela desenvolvi a vivência e a verdade conhecerá tua casa, e juntos fomos a UMEN. Era da expressão “jugo leve”, da importância de servir uma construção nova, de 3 andares, bastante de braços dados, com alegria em nossos corações. acolhedora, situada numa rua simples, tranquila. Nela senti a presença do mestre e de Nossa Mãe Quando lá chegamos, apresentou-me aos Santíssima, senti o perfume dos lírios da esperança companheiros que aí se encontravam: Norberto, nos amparando e cobrindo com seu Manto de que de imediato cativou-me, suas irmãs Irene, Amor. A UMEN, é o Maria, Ione, Dr Alberto aconchego, é a porta de Sousa, Balbina aberta para o consolo Ferreira, Afonso Sanches das nossas aflições, é a junto a esposa Judith, canção que o tempo Miguel Tavares, as irmãs embala aos ouvidos do Neide e Nilce, Antônio futuro. É a morada que Carlos (presidente da nos ensina que a casa) … e outros tantos FELICIDADE existe em que se tornariam decorrência do bem que companheiros de trabalho, fazemos, das lágrimas irmãos de casa, amigos que enxugamos, das queridos. palavras que semeamos Passou o tempo e no caminho para posso dizer que a visão atapetar a senda que um iluminada de Dona Maria dia percorreremos. não apenas se confirmou Sede da UMEN Década de 1960 Por isso, elevo as como trouxe a mim a possibilidade de encontrar o amor da minha vida, a minhas preces a DEUS nosso Pai e peço que esta Marcinha, que desde a infância havia recebido os casa, este reduto, continue sendo sempre o Bálsamo ensinamentos espíritas de seu pai João Vianna, a que é, morada da esperança: lugar de reflexão, de quem também admiro por sua convicção e caráter. oração, meditação, trabalho e amor. Esta casa tem Com ela, eterna fonte de luz e inspiração, encontrei um papel fundamental nos corações de todos os que compreensão. a minha casa e o meu lar. buscam Esta casa foi e continua sendo o parâmetro Muito honrado me sinto por escrever estas linhas sobre o Dr Carlos Imbassahy, que além de que conciliou a minha família, minha esposa, meus pessoa indispensável em minha introdução ao filhos e agora meus netos. Grato sou por tudo o que espiritismo, era sem dúvida um Baluarte da a UMEN participou na minha vida. Que ela Doutrina Espírita. Literato, jornalista e grande continue Unindo as Mocidades que virão. expositor doutrinário, ele soube aliar a difusão “VAMOS COMPANHEIROS O BEM Doutrinária com arte e sabedoria, incrementando o REALIZAR, movimento dos jovens com participação ativa. Sua ALEGRES, ALVISSAREIROS, COM JESUS personalidade ímpar, impressionante, era permeada TRABALHAR, por ideias e reflexões que iam muito além do SEJA A CARIDADE O BEM QUE RESUME padrão comum, estendendo-se muitas vezes a EM FRATERNIDADE O LEMA DA UMEN, regiões de profundidade intemporais, AVANTE, AVANTE MOCIDADE O incompreensíveis para aqueles que admitem ou PROGRESSO NÃO DÁ SALTOS, percebem apenas a realidade tangível do aqui e do AVANTE, AVANTE COM A VERDADE, agora imediatos. PARA FRENTE E PARA O ALTO!” Quanto a UMEN, essa casa querida, ♥ fundada em 19/02/1948 e que comemora 67 anos

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O soberba, a inveja o egoísmo... Infelizmente, são sentimentos e Evangelista Mateus no valores ainda presentes no capítulo V, versículo 1 ao 12 do mundo contemporâneo, que seu evangelho, vem nos trazer as envolvem o homem Bem-aventuranças que foram prejudicando-o na sua ascensão proferidas por Jesus e que espiritual. constituem o mandamento para O Sermão da Montanha ser seguido pela humanidade. traduz a verdade sobre a natureza Podemos compará-las com os 10 dos homens e aponta os mandamentos, que foram caminhos para perfeição através trazidos por Moisés, revelador da humildade, o amor e a justiça, do Deus único, com o objetivo quando se consegue penetrar no de educar o povo. sentido profundo do pensamento Jesus é o Espírito mais de Jesus. Nas bemevoluído que habitou aventuranças, Jesus, a Terra, os seus nos oferece os ensinamentos ensinamentos a serem alcançaram homens percorridos e nos diz do mundo inteiro. o porquê devemos Um exemplo foi segui-lo, nos Mahatma Gandhi, mostrando que que não era cristão, seremos mas, que chegou a recompensados por dizer: “Se toda a aceitar a vontade de literatura ocidental Deus. Podemos se perdesse e entender o Sermão do restasse apenas o Monte como o âmago Sermão da da mensagem cristã, Montanha, nada se ou seja, a união com o teria perdido”. Cristo que nos O texto de convida a crescer e se Mateus nos oferece libertar, deixando a uma narrativa cada um de nós a completa do opção de se renovar verdadeiro ensino ou pelo próprio moral legado à O Sermão da Montanha (1890), pintura de Carl Heinrich Bloch. esforço ou pelas Humanidade: As bem-aventuranças são experiências dolorosas. O “Bem­aventurados os pobres em bem atuais e continuam nos caminho é livre, nós podemos espírito, porque deles é o Reino norteando para o nosso escolher.. dos Céus, aprimoramento moral. Ao “Tomai sobre vós o meu jugo e Bem­aventurados os aflitos, observarmos as dificuldades e os aprendei de mim, porque sou porque eles serão consolados, conflitos que nos envolvem, brando e humilde de coração, e Bem­aventurados os mansos, veremos que a humanidade ainda encontrareis descanso para porque eles herdarão a terra, comete os mesmos erros do vossas almas.” Bem­aventurados os que têm passado: traição, cobiça, Mateus 11:29 fome e sede de justiça, porque violência, calúnia, luxúria, a ♥ eles serão saciados, Bem­ aventurados os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia, Bem­aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus, Bem­aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus, Bem­aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo mal contra vós, por causa de mim”. Sermão do Monte Rodrigo J. Amorim

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UMEN: 67 anos unidos pelo Ideal Espírita Raul Muniz N o ano passado estive visitando o Sr. Carlos de Britto Imbassahy em sua casa no Vital Brazil e tivemos uma conversa muito amena e proveitosa. Engenheiro, pedagogo e escritor além de um dos fundadores da UMEN, hoje vive entre Niterói e Nova York, onde moram os filhos e netos. Nesta conversa pude tirar algumas dúvidas e aproveitar bem aqueles momentos. Filho de Carlos e de Maria Imbassahy, o jovem Carlos tinha apenas 17 anos quando da fundação da UMEN em 1948. Com uma memória prodigiosa, ainda lembra de quase todos os detalhes da época. Participou da primeira diretoria e trabalhou muito naqueles dias iniciais. Desde que frequento a UMEN, ouço a história da sua fundação como tendo acontecido numa viagem de ônibus para Nova Friburgo, onde um grupo de jovens ia visitar uma Mocidade e no caminho decidiram criar um grupo que os representassem no encontro espírita. O professor Imbassahy confirmou a história e acrescentou alguns dados que ele deixou escrito no livro “Memórias pitoresca de meu pai”, publicado pela Casa Editora O Clarim e que me foi contado pessoalmente. Carlos de Brito Imbassahy Em 1948, Jônathas Botelho era Presidente da Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (FEERJ) e não era muito favorável à criação de mocidades na Federação. Em parte, ele tinha razão, já que alguns jovens haviam organizado um evento alguns anos antes, que se tornou uma reunião festiva, inadequada à seriedade do movimento espírita. O Professor disse que era muito amigo de Olympio da Silva Campos e que ele, junto a outros jovens vinham tentando a criação de uma Mocidade, sem bons resultados. O Dr. Carlos Imbassahy, pai do jovem Carlos, se envolveu na tentativa de ajudar e convidou o Presidente da Federação para uma conversa em sua casa, conseguindo convencê-lo a criar uma ala jovem na Federação a título de experiência. Ele conta que sua mãe, Maria Imbassahy, insistiu muito com o Presidente da FEERJ, sempre realçando a confiança que ela tinha naquele grupo e que ela assumiria total responsabilidade por aqueles jovens, o que deixou o Sr Jônathas Botelho mais confiante e em uma posição difícil: Como negar um pedido desses a Maria Imbassahy? Assim, a autorização foi conseguida. Uma outra grande ajuda foi dada pelo jovem Carlos Alberto Botelho, 19 anos na época, neto do Sr. Jônathas e um dos fundadores da UMEN. Transcrevo agora o relato descrito pelo jovem Carlos em seu livro: “Durante a viagem, nós, que estávamos inteirados da autorização do presidente da Federação Espírita Fluminense, transmitimos a boa nova aos demais. Na mesma hora e dentro do ônibus, que era especial para aquela excursão, organizamos a diretoria. Indiquei, com aceitação unânime, o Olympio para presidente: o Orlando poderia ser o vice; o Carlos Alberto e minha prima Maryse, secretários; o Jorginho, que já estava encarregado das despesas da viagem, guardaria o cobre, e eu ficaria na propaganda... até ulterior deliberação. Estava assim fundada a União da Mocidade Espírita de Niterói”. Quando estes jovens voltaram a Niterói, procuraram o Carlos Imbassahy e outros amigos para legalizar a criação da UMEN. Na ata inicial foi colocado que a fundação ocorreu na sede da FEERJ, o que foi feito segundo o pensamento da época, mas que não representa a realidade dos fatos.

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Ao fundarem a UMEN, foi criada uma diretoria provisória e logo após uma definitiva. 26 fundadores. Alguns não estavam no grupo do ônibus, mas foram considerados fundadores por terem se juntado ao grupo ainda no início, segundo informação pessoal da Sra. Balbina Ferreira. Do grupo inicial, ainda temos 03 companheiros encarnados entre nós: Balbina Ferreira, Carlos de Britto Imbassahy e Maryse Rosa de Lima, prima do Imbassahy e residente em Bangu, na cidade do Rio de Janeiro. O 1º estatuto, que foi usado até 2004, foi preparado por três fundadores, Carlos de Britto Imbassahy, Carlos Alberto Botelho e Alberto de Souza Rocha, irmão do Sr Aloir de Souza Rocha, tarefeiro que há mais tempo milita em nossa casa espírita. Isabel, cujo proprietário aceitou vender por um preço especial, sem especulação imobiliária, segundo relato nas atas da época. Novas campanhas, listas e pedidos de doações para se A UMEN começou a funcionar na sede da FEERJ, inicialmente apenas numa reunião no domingo à tarde. O jovem Imbassahy conta que a reunião tinha uma parte inicial administrativa seguida de um ponto espírita, falado por um dos jovens. A frequência média naquele ano de 1948 era de 20 jovens por reunião. Alberto de Souza Rocha, um dos fundadores da UMEN, no livro “Quando os Espíritas se encontram...”, que o ideal da sede própria começou com o nascimento da instituição e que este era o sonho de todos que participavam dos trabalhos iniciais. Diz ainda que os primeiros balancetes da UMEN já separavam uma reserva para a sede. Para se ter uma sede, seriam necessários recursos financeiros e assim, começa a luta. E que luta... Uma comissão pró construção da sede própria foi formada em julho de 1956, oito anos após a fundação. O grupo possuía uma reserva, insuficiente até para a compra de um terreno, mas o sonho começava a tomar forma. Rifas, jantares e lanches foram realizados. Muito trabalho. Em 1959, surgiu o terreno da rua Princesa FEERJ começar a obra. Com o projeto no papel e uma firma de engenharia que administraria gratuitamente a obra, deu-se início ao sonho. Em 16 de julho de 1960, com a presença de cerca de 200 pessoas, foi realizada uma solenidade no terreno para o lançamento da pedra fundamental. Durante a obra, mais trabalho. Campanha do tijolo (venda de um selo para a compra de material), Campanha das 10 prestações (compromisso de ajudar com qualquer valor por cerca de 10 meses), festas juninas, mais jantares e lanches. Algumas pessoas doavam joias e outros apetrechos que eram vendidos em prol do sonho. Muitos tarefeiros se reuniam para ajudar na terraplanagem e no carregamento de material. Os homens pegavam no batente e as mulheres traziam água, café e alimento. Em informação pessoal, a Sra. Luzia Moinho Peres, disse que morava perto

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seus amigos espirituais. Devemos muito a todos estes que direta ou indiretamente fundaram esta casa tão querida. Sem o trabalho e a dedicação destes pioneiros, não teríamos a nossa UMEN. Não teríamos o crescimento espiritual que nos chega através do contato com as oportunidades de trabalho e aprendizado aqui presentes. ♥ da UMEN e frequentemente tomava conta do material que chegava para a obra e era depositado em frente ao terreno. Alguns desses trabalhadores iniciais ainda continuam conosco, agora trabalhando do outro lado da vida e sempre dispostos a nos ajudar. E finalmente no dia 18 de abril de 1964, em dia de festa do livro, os umenistas penetravam imensamente felizes na sede própria da UMEN. Desde então nossa querida UMEN vem crescendo, amparando, instruindo e evangelizando a todos aqueles que para cá se encaminham, guiados por UMEN - 2015

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Espiritismo ou Kardecismo? acerca da Doutrina Espírita. Naquela época encontrávamos no cenário os kardecistas, os místicos, os espíritas puros, os rustainistas (ou rustanguistas), os científicos, os swedenborguistas, e ouros. Dentre os grupos nos quais o Espiritismo se dispersava no Brasil, os que discordavam das ideias com mais frequência eram os espíritas puros e os kardecistas. Os espíritas puros acreditavam que os adeptos da doutrina Espírita deveriam estudar somente O Livro dos Espíritos. Os kardecistas, por sua vez se dedicavam ao estudo das outras obras de Kardec que abordavam temas cristãos. Carla Antunes E stamos no ano de 2015 e ainda hoje quando nos anunciamos espíritas, surge sempre a seguinte pergunta: "Mas você é espírita ou é kardecista?", ou às vezes ouvimos alguém dizer: “Ah, eu sou espírita kardecista!”, ou ainda: “Estou procurando um Centro Espírita kardecista”. Enfim... muitos de nós, espíritas ou não, na verdade não sabemos a origem e o porquê do termo "kardecista" habitualmente usado no Brasil, e, mediante a esta dúvida, nasceu em nós a necessidade de pesquisar sobre o tema para maiores esclarecimentos. A referência bibliográfica que mais nos trouxe elucidações acerca desse tema foi o livro “Bezerra de Menezes: subsídios para a História do Espiritismo no Brasil até o ano de 1895”, uma compilação de artigos escritos por Canuto Abreu, publicados originalmente da revista “Metapsíquica”, na década de 1930. Segundo consta no prefácio desta obra, editada pela FEESP, nós últimos anos do século XIX, no Brasil, muitos termos eram usados no Movimento Espírita por aqueles que tinham ideias diferentes as discussões continuavam... Paulo Alves Godoy ressalta no prefácio da obra de Canuto Abreu que: “o quadro era realmente desalentador (...). Esse panorama perdurou até quando ‘surgiu no cenário espírita a figura apostólica do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, Espírito moderado e pacificador, que, assumindo a presidência da Federação Espírita, conseguiu reduzir as proporções da dispersão generalizada, até então prevalecente”. Bezerra de Menezes não conseguiu, enquanto encarnado, unificar o Movimento Na introdução dos livros dos espíritos, como bem sabemos, Kardec nos coloca que todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita. Em seguida, nos esclarece de maneira clara e objetiva a diferenciação entre os dois termos, explicando que o termo espírita só pode ser substituído, sem perder sua essência, pelos termos "espiritista" e "espírita cristão". Este último por muitos é avaliado como termo Segundo nos relata redundante a julgar que todo Canuto Abreu, quando o Grupo espírita é necessariamente Confucius – primeira entidade Cristão, considerando que jurídica do Espiritismo no Brasil – adotou somente O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, “os kardecistas principiaram a reclamar. Achavam que o espiritismo puro, sem o kardecismo, não vingaria no meio popular, numa nação visceralmente cristã.” E por mais que mensagens da espiritualidade fossem transmitidas acentuando a necessidade da união, da fé, da caridade, do amor ao próximo, no trabalho na vinha do Senhor, Dr. Bezerra de Menezes

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estudamos e seguimos sempre os preceitos do Cristo. Francisco Acquarone comenta, ao referir-se a eterna luta que existia entre espíritas e kardecistas que: “o Espiritismo existe, aliás, em todas as partes do mundo. Serve a todas as religiões. Como se adaptam os seus princípios à moral de Jesus, bem poderiam os mesmos ser adaptados à moral de Buda, de Lao-Tsé, de Maomé, e tantos outros reveladores e instituidores de doutrinas religiosas.” Atualmente, compreendemos com mais clareza a atemporalidade e universalidade dos princípios da doutrina Espírita, o fato de Allan Kardec ter codificado a Doutrina trazida pelos espíritos e não ter criado a mesma (o que nos faz desconsiderar o uso do termo kardecista) e a necessidade de entender a doutrina em seu tríplice aspecto: ciência, filosofia e religião. Por esse motivo, não há melhor denominação a ser usada senão as que foram criadas para esse propósito e que já bem conhecemos: Espiritismo e espíritas. ♥ Referências: ABREU, Canuto. Bezerra de Meneses: subsídios para a História do Espiritismo no Brasil até o ano de 1895. 2 ed. São Paulo: Edições FEESP, 1985. ACQUARONE, Francisco. Bezerra de Menezes: o médico dos pobres. 5 ed. São Paulo: Editora Aliança, 2007. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 15 ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2012. Cantinho do Chico

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FOI NOTÍCIA NA UMEN Confraternização Anual da UMEN Equipe de Divulgação o dia 07 de dezembro de 2014, foi realizada a confraternização anual da UMEN, que teve nesta edição uma programação mais diversa das realizadas anteriormente. Foi realizado o seminário de confraternização, graciosamente conduzido por Jano Alves e Suzane Câmara ao trazer o tema "A Casa Espírita vivenciando: Jesus e Kardec - Amor e Verdade sempre", propiciando reflexões sobre nossa postura perante o trabalho, perante o próximo e perante nós mesmos para que nos tornemos cada dia mais conscientes e abertos a buscar a nossa melhoria, mantendo sempre a fidelidade ao trabalho com Jesus. O seminário contou ainda com a participação do companheiro Aloir Rocha, o tarefeiro mais antigo da Casa, que nos agraciou com maravilhosos versos sobre o amor de Jesus que enterneceu os nossos corações, além da participação de Margareth Boechat tocando e cantando músicas que marcaram - e continuam marcando - momentos importantes de fraternidade e amor entre todos em nossa Casa, como o Hino da Mocidade da UMEN entre outras canções. A segunda parte da programação do dia foi a realização da segunda edição do Grande Bazar Florescer que, como sempre, foi organizado com muito esmero e organização pela Equipe do Bazar, nos trazendo sempre a oportunidade de adquirir os artigos mais diversos, além de contribuir com as atividades realizadas na Casa. N Seminário As Cartas de Paulo oi com imensa alegria que a UMEN recebeu no último dia 4 de janeiro de 2015, das 15h às 18h, a Irmã Aíla Pinheiro – que coordenou o seminário “As Cartas de Paulo”, assunto no qual é especialista. A expositora deteve-se na carta aos Coríntios, trazendo referências de outros textos evangélicos para embasar sua exposição, aconselhando-nos a leitura dos textos evangélicos com atenção mediante aos fatos então esclarecidos tendo em mente que tudo que Paulo escreveu foi por amor a Deus, ao Mestre Jesus e a aqueles aos quais ele queria bem, não fugindo assim de seu propósito. Agradecemos imensamente a Irmã Aíla por sua presença e dedicação ao nos trazer momentos de aprendizado e reflexão acerca de um personagem tão importante para o Cristianismo que foi, e ainda é, Paulo de Tarso. Rogamos a Espiritualidade maior que abençoe a nossa querida Irmã e que, brevemente, possamos ter nova oportunidade de estarmos juntos refletindo sobre os ensinamentos Cristãos. F Equipe de Divulgação

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Seminários de Carnaval D seguintes assuntos: Equipe de Divulgação urante o feriado de carnaval, a UMEN ofereceu, pela primeira vez, uma série de seminários com diversas temáticas. Os seminários aconteceram durante as manhãs dos 4 dias de carnaval, como uma opção para aqueles que gostariam de manter a frequência na casa espírita aproveitando as novas oportunidades para estudo e reflexão. Foram momentos de real alegria e de grande proveito espiritual, pois foram abordados temas pertinentes com o momento em que vivemos. Entre os dias 14 e 17 e fevereiro, foram apresentados os Introdução ao Estudo do Novo Testamento – trazendo um apanhado de informações e reflexões acerca do Antigo e Novo Testamento. A Visão Espiritual do Carnaval – estudo de casos baseado no livro do Manoel Philomeno de Miranda, Nas Fronteias da Loucura. Sexualidade – estudo baseado nas informações dos Espíritos sobre temas relacionados a sexualidade. Influências Espirituais e Obsessão – trazendo reflexões acerca da mediunidade e dos tipos de obsessões. Foram dias de muita paz e harmonia e que devido a boa aceitação do publico presente, os seminários serão oferecidos nos próximos anos. Agradecemos a Espiritualidade pela oportunidade da realização desse trabalho e a equipe responsável, pelo esmero e dedicação que nos enterneceu os corações. Semama da UMEN ara celebrar o aniversário da nossa amada Casa, que completou 67 anos no último dia 19, tivemos uma semana de intensas atividades doutrinárias, de 19 a 24 de fevereiro, trazendo como tema norteador: Caminhos do Espiritismo. Esta semana especial, repleta de muita fraternidade e companheirismo, foi um momento em que os frequentadores de nossa casa tiveram uma belíssima participação. Tivemos atividades em todos os horários de estudos e palestras públicas, e em cada estudo foi traçado um caminho na doutrina a seguir, seja ele o da Alegria, do Jovem, de Kardec, da Educação, da Regeneração, entre muitos outros que nos conduzem em nossa trajetória. Os estudos foram conduzidos por tarefeiros de nossa casa e também por queridos amigos convidados de outros centros espíritas, que contribuíram muitíssimo nesta linda semana. Agradecemos com muito carinho a todos que participaram desses dias de grande importância para UMEN. P Equipe de Divulgação

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