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O CARTA DO EDITOR barril de petróleo bruto para o ano em curso e pelos seguintes objectivos de política macroecnómica: redução da despesa pública; aumento das receitas tributárias; manutenção da estabilidade do nível geral de preços, de um ritmo de crescimento económico suportado pelo processo de diversificação da economia e do nível de reservas internacionais líquidas; continuidade dos programas de apoio aos sectores sociais. Na mensagem enviada ao Parlamento, o Presidente da República como Chefe do Executivo referiu que a execução orçamental em 2015 exige que sejam adoptadas medidas de potenciação da receita, do reforço do papel regulador do Estado, de contenção e racionalização da despesa no sector público-administrativo e no sector público-empresarial, bem como medidas de gestão orçamental e de contingência”. Para 2015 o crescimento do PIB real foi revisto em baixa, de 9,7 para 6,6%, mas a economia “deverá registar uma aceleração comparativamente ao ritmo de crescimento de 4,4% como aconteceu em 2014”. A realização dos objectivos do OGE revisto de 2015 implica um esforço redobrado na qualidade e racionalização dos gastos públicos, sejam do Estado, sejam das empresas públicas pelo que um dos grandes desideratos deverá ser o de se primar por uma governação transparente, responsável e solidária institucionalmente. Outros temas de âmbito nacional e internacional, quer de economia, de sociedade e desportos, o leitor encontrará nesta edição que tem em destaque o Carnaval de Angola e do Brasil, mormente do Rio de Janeiro, apresentado como de carta mundial. Boa leitura. Orçamento Geral do Estado de 2015 revisto foi aprovado na Assembleia Nacional no final de Fevereiro, tendo em conta o impacto significativo na economia nacional da queda da cotação do petróleo no mercado internacional, que afectou, de forma generalizada, os principais países produtores. A revisão proposta assenta “na reavaliação da estimativa da receita, na fixação da despesa a um nível mais realista e no controlo do défice e das necessidades de financiamento, sem comprometer o pagamento do serviço de dívida projectada”. A presente proposta de revisão está enquadrada pelo pressuposto de um preço médio de barril de petróleo na ordem dos 40 dólares americanos, correspondente ao preço médio estimado de exportação do 4 Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015

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7. EDITORIAL REPENSAR O CARNAVAL 10. PÁGINA ABERTA LUÍSA FANÇONY, DIRECTORA DA RÁDIO LAC "EM ANGOLA OS JORNALISTAS NÃO ENVELHECEM NA PROFISSÃO" 16. LEITORES TODOS ESTAMOS NO MESMO BARCO 19. PONTO DE ORDEM OUTRO ESTILO 28. FIGURAS DE CÁ 31. MUNDO REAL QUALIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO 48. SOCIEDADE JORNALISMO O ONLINE JÁ SUPLANTA O CONTEMPORÂNEO? 55. NA ESPUMA DOS DIAS O "ALFAIATE DE RUA" CONSTURANDO OS DIAS, REMENDANDO A VIDA 58. ECONOMIA & NEGÓCIOS CORREDOR DO LOBITO SELADA PARCERIA ENTRE ANGOLA, CONGO E ZÂMBIA 64. CONJUNTURA INOVAÇÃO EM ÉPOCA DE CRISE 93. FIGURAS DE JOGOS ANGOLA, BLATTER... E LUÍS FIGO 98. VIDA SOCIAL CRIADA A ASSOCIAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE BEBIDAS CAPA: BRUNO SENNA POLÍTICA HABITACIONAL SONHOS ADIADOS! PAÍS 20. 32. 82. 88. CULTURA MUNDO FOLIÕES LEVAM EXUBERÂNCIA À MARGINAL UCRÂNIA RESPIRAÇÃO EM SUSPENSO COSTA DO MARFIM DOMINA A ÁFRICA DESPORTO 6 Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015

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JANIRA ALMADA, PRESIDENTE DO PAICV «TEMOS QUE TORNAR A POLÍTICA MAIS SUBSTANTIVA» ÁFRICA 68. MODA & BELEZA 94. 100. 104. HOLANDA ESTAMPA DA IDENTIDADE AFRICANA FIGURAS DE LÁ RECADO SOCIAL A CRISE ESTÁ AÍ... SEGUREM OS BOLSOS! Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 158, Fevereiro – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa, Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Londres: Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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E EDITORIAL m Fevereiro, um acontecimento se destacou, o Carnaval, esta importante manifestação cultural de massas que em alguns países todos, dirigentes e dirigidos misturam-se e dançam cada um a sua maneira. Em Angola também, como de costume, houve festa rija, na sua maioria de indole privada, ficando para o governo a responsabilidade de organização dos desfiles carnavalescos cujas atenções centrais aconteceram em Luanda. Este ano, ao contrário dos anteriores, o Presidente da República não assistiu ao desfile central dos grupos carnavalescos e, curiosamente, quanto a classificação dos grupos que desfilaram, se despoletou um assunto de suma importância que merece reflexão de toda Sociedade: que tipo de carnaval temos e queremos ter no futuro? Uma polémica que se levantou devido a desclassificação, pelo júri, de um dos mais emblemáticos grupos carnavalescos de Luanda, o que obrigou sectores fortes da sociedade a questionarem a sensibilidade dos integrantes do juri quanto a idiossincrasia do carnaval, em particular, e da essência cultural, hábitos e costumes do povo angolano. O carnaval, já o dissemos, é uma das maiores festas populares de muitos países, uma oportunidade para dirigentes e dirigidos sairem a rua satirizando as realidades sociais de diversas formas e feitios. Em Angola, a festa no tempo colonial conseguiu atingir o apogeu a ponto de ser referenciada como uma das maiores expressões de massas com timbre internacional e vale recordar que em algumas das sátiras e musicas interpretadas pelos grupos carnavalescos se confundia o governo opressor com mensagens onde já se reclamava a liberdade, e independência. Assim continuou e foram se mantendo grupos que hoje, com mais de meio seculo de existência, mantêm-se firmes na dança de carnaval, evidentemente vestidos da nova realidade politica. Aliás, o carnaval em si sofreu profundas transformações políticas após o alcance da independência, que, em determinado período, obrigou a leituras excessivamente partidarizadas em função das opções de então, o que se mutilou a capacidade criativa da Sociedade. A dinâmica de evolução do mundo, onde Angola não está alheia, obrigou a alterações substanciais nas sociedades, o que, no nosso REPENSAR O CARNAVAL caso, entre outros aspectos positivos, exigiu ao ressurgimento do carnaval como uma verdadeira festa popular. Evidentemente que isto se regista numa altura em que está muito saliente o fenómeno da globalização, o que, se não bem entendido,-e parece ser este o caso de Angola,-se ignora facilmente as realidades intrínsecas dos ambientes onde se vive e fácilmente se apoia em cópias. Do ponto de vista cultural, isto não é só mau como muito perigoso porque descaracteriza o cerne cultural dos angolanos e leva-os a ser um povo sem identidade. No tocante ao carnaval, é importante que se reflicta sobre a sua evolução mas que não se perca o carácter de festa popular enraizada nas tradições culturais e na multiplicidade do seu Povo, pelo que tem de existir espaço para se fazer a necessária simbiose entre o antigo e o tradicional com o novo e moderno. Dai que seja com razão que se questiona a atitude do júri que, perdido apenas na subjectividade da leitura aritmética, se esqueceu da análise da dimensão histórica e patrimonial dos grupos de carnaval, sobretudo os com mais de meio seculo de existência, e que, do ponto de vista estrutural e estético, vêm se constituindo na espinha dorsal da tradição do carnaval de Luanda, e, por isso mesmo, balizas protectoras para que o Entrudo não anuncie a sua descaracterização ou, na mais pessimista das hipóteses, o seu fim trágico. Não se moderniza nada ignorando-se a história e parece que é neste sentido que os "sábios da globalização" querem caminhar, e a prova mais evidente é como silenciosamente se desvirtua os valores mais nobres do carnaval com o argumento de que é preciso modernizar ignorando a ciência da tradição. É verdade que os angolanos não podem estar de fora da dinâmica evolutiva que o mundo conhece mas mais importante de tudo é que se incuta na Sociedade a necessidade do debate amplo e aberto para a definição consensual sobre os rumos que se pretende seguir. No caso do carnaval, parece que é chegada a hora de todos debaterem, sem complexos, sobre os caminhos que se pretende traçar para que a manifestação popular de grande amplitude mobilize o interesse e adesão de todos e não fique na história como um simples feriado para descansar ou momento para festas de quintal ou de salão conquanto as acções de rua se transformem em plágios de outras latitudes que culturalmente ficam distantes da realidade sócio-cultural dos angolanos.  Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015 9

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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES REPÚBLICA DE ANGOLA LISTA DE AGENTES DO CNC Contact: Mrs. Ilse Fliege Martinistrasse.29 D-28195 Bremen Telf: (49) 421 339 365 Fax: (494) 213 393 699 Email: management@asa-services.net/ bremen@asa-services.net Germany, Poland, Lithuania, Latvia, estonia, Russia, Ukraine, England, Ireland and Scotland ASA GMBH HEISEI SHIPPING AGENCY Contact: Mr. Sawamoto Shiba Nishi Bldg, 6F 9-1 Shiba 4-Chome, Minato KU Tokyo Telf: (81)354765771/(81)354765710 Fax: (81) 354 765 711 Email: ops@hship.co.jp Japan FRABEMAR BEACON & SOUTH ATLANTIC AGENCIAMENTOS LTDA Contact: Mr. Franco Bernardini Ms Sara Pizzo Viale Brigate Partigiane 16/2 16129 Genoa Italy Telf: (390) 105 533 011 Fax: (39) 010 541 458 Email: dbernardini@frabemar.it/mbernardini@frabemar.it Italy and spain Contact: Sr. Thiago Lima, Srª Ana Quast, Sr.José Vela D. Silva Rua do Comércio 55 - SI. 61/63 / CEP: 11010-141 - Santos - SP / Brasil Telf: (55) 13 30234255 Fax: (55) 13 30234270 Email: thiago@beaconsouth.com.br/ana@beaconsouth.com.br/ marilinda@beaconsouth.com Brazil SCC Contact: Mr. Duarte Miranda Mr Miguel Camelier Silva R. de Moscavide, Lt 4.28.02, Loja A - Parque das Nações - 1990-198 Lisboa Telf: (351) 218 947 140 Fax: (351) 218 945 145 Email: lisboa@scc.com.pt/m.camelier@scc.com.pt Portugal MITCHELL COTTS Contact: Ms.Marisa Sidorak Calle Lima 29, Piso 3, Oficina I. Buenos Aires Argentina Telf: (54) 11 48780668 / (54) 11 48780669 Fax: (541) 143 811 713 Email: marisa@angomar.com.ar/luis@angomar.com.ar Argentina, Bolivia, Colombia, Ecuador, Peru, Ungria Paraguay and Venezuela ANGOMAR AGENCIA MARÍTIMA SRL Contact: Ms.Nadia Titton 11th Floor, Grindrod House 108 Victoria Embankment Durban P.OBOX 1021 Durban 4000, South Africa Telf: (27) 313 027 189 Fax: (27) 313041752 Email: nadia@mitchellcotts.co.za;/nigels@mitchellcotts.co.za Republic of South Africa, Namibia, Swaziland, Zimbabwe, Mozambique, ilhas Mauricias, Tanzania and Kenya SEAWAY EXPRESS CO, LTD OIC SERVICES INC. Contact: Ms.Phornsri Simavanichkul 718/6 Soi Suanplu, South Sathorn Road, Sathorn, Bangkok 10120 Telf: (66)267933456 (66) 67947979 (66) 26794019 Fax: (66)26794018/ (66)22131125 Email:phornsri@ksc.th.com Thailand, Myanmar and Laos Contact: Mrs. Veronique Durnerin B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (18) 329 126 820 Fax: (18) 329 126 864 Email: vdurnerin@oicservices.com/info@oicservices.com USA and Mexico TECHNIMAR Contact: Mr.Sylvain Lepage Mr. Hugo Bourassa 1695 Boul. Laval, Suite 330 - Laval, QC - H7S 2M2 Telf: 1 (450) 975 2058 Fax: (14) 509 752 125 Email: s.lepage@transgloballogistics.ca/h.bourassa@transgloballogistics.ca Canada TRANSGLOBAL Contact: Mr. Schreurs Philippe Square de Meeus 38/40 - 1000 Bruxelles, Belgique Telf: (32)24016139 Fax: (3) 224 016 140 Email: office@technimar.net Belgium, Netherlands and Luxemburg 10 Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015

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Contact: Mr. Willy Deku P.O. BOX CT 2878 CANTONMENTS ACCRA Fax: Telf: (23)322210509 (23)3243715976 (23)3208116762 Fax: (23) 322 210 509 Email: wilmardel@ighmail.com/ wildeku@yahoo.com Benim, cameron, Ivory Coast, Gabo, Ghana, Equatorial, Equatorial, Guinea, Nigeria, Senegal and Togo WILMARDEL LTD TIME OCEAN SHIPPING LIMITED Contact: Ms.Wang Yue I 19/F, International Ocean Shipping & Finance Center, No. 720 Pudong Avenue, Pudong New District, Shanghai - China Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China WILHELMSEN HYPWOON SHIPS SERVICE LTD Contact: Mr.K.S. Lee 12th floor, Doryeom Bldg., 60 Doryeom-Dong, Jongno-Gu, Seoul Korea Telf: (82)237030801 Fax: (8) 227 388 130 Email: k-s.lee@wilhelmsen.com South Korea ALADIN SERVICES CONGO Contact: Mrs.Diane Carole Makiza B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (2) 426 481 016 Email: aladin.services.congo@yattoo.com Congo SAGA SHIPPING Contact: Mr.Leo Mikkelsen Auktionsvej 10 9990 Skage Dinamarca Telf: (4) 598 443 311 Fax: (4) 598 450 029 Email: saga@saga-shipping.dk/ Denmark, Finland, Norway and Sweden Contact: Mrs.Yasemin Uyar ISTOC 18 ADA NO:120 BAGCILAR ISTANBUL-TURKEY Telf: (902) 124 823 743 Fax: (902) 124 827 757 Email: info@dsf-cnca.com/ yasemin.uyar@dsf-cnca.com Turkey DSF DOLPHIN CHARTERING SERVICES PVT. LTD Contact: Mr.Subodh Joglekar 405, Gokul Arcade. A-Wing. Vile Parle (East). Mumbai 400 057, INDIA Telf: (91)2228368825/ (91)2228368827 Fax: (912) 228 361 849 Email: dolphin@dolphinchart.com India WAB CORP MARINE TRANSPORT SERVICES (L.L.C.) Contact: Ms. Vivian Fernandez Mr. Hussein El Zein Platinum Business Center Offices No 606/607, 6th Flr. Bagdad Road, Al Nahda 2nd P.O Box 172203 DUBAI - United Arab Emirates Telf: (97) 142 583 529 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria FOREMOST LINE LIMITED Contact: Mr. ST Chen Chuang Thio Beijing Office 2708-07, Tower C, Office Park 5, Jianghai South Street, Chaoyang District, Beijing China 100020 Tel: (85) 225 418 671 Email: foremosthk@foremostline.com China WAB CORPORATION Contact: Mr. Hassan Yahfoufi, Ms. Abeer Ashour 2931, Airport Business Center, 4th Floor #402 Beirut, 2814-4105 Lebanon Telf: (9) 611 458 825 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria SIN CHIAO SHIPPING AGENCY PTE LTD MARITRADE SHIPPING CONSULTANT SAS Contact: Ms.Nadia Berkane 10,Rue du Colisée, 75008 Paris Telf: (330) 156 591 640 Fax: (330) 156 591 642 Email: maritradesas@yahoo.fr France Contact: Mr.Thio.S.T 12 Prince Edward Road #03-13 Podium B Bestway Building Singapore 079212 Telf: (6) 562 241 011 Fax: (6) 562 242 775 Email: sinchiao@pacific.net.sg;/sthio@pacific.net.sg Australia, Indonesia, Malaysia, New Zealand, Philippines, Singapore, Bangladesh, Pakistan and Srilanka HT TRADE-COOPERATION AND TRANSPORT JOINT STOCK COMPANY Contact: Mr.Le Thiet Thao 31ª, Rua Nguyen Khuyen, Destrito Dong Da, Hanói, Vietnam Telf: (04) 374 783 47 Fax: (04) 374 716 42 Email: sociedade_ht@cnca.vn Vietnam and Cambodja SAN LIAN SHIPPING Contact: Mr.Lu Suen Yu 11/F, Ngan House, - 206/210 Des Voeux Road Central - HONG KONG Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015 11

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE O actual contexto da comunicação social angolana, o pacote legislativo da comunicação social bem como a dinâmica de trabalho da rádio LAC foram temas colocados à mesa numa conversa franca com Luísa Fançony, directora da referida emissora, uma voz autorizada a falar de jornalismo Por: Suzana Mendes (Texto) George Nsimba (Fotos) &N: Como olha para o momento que a comunicação social angolana vive? L.F: Por um lado temos alguma imprensa idónea, com artigos bem escritos, com jornalistas que se vão dedicando a informar-nos com profissionalismo mas a comunicação social angolana, para mim, sofre de um problema: os profissionais não envelhecem na profissão, não fazem carreira, portanto, na televisão estamos sempre a ver caras novas, na Rádio Nacional estamos sempre a ouvir vozes novas. Noutros países, nos canais de televisão acompanhamos os profissionais a envelhecer, ficarem com os cabelos brancos, ficarem mais velhos, dominarem determinados temas, com tudo aquilo que já foi o seu percurso profissional. No nosso caso, talvez pelo facto da profissão não ser muito apelativa, os salários, os melhores profissionais acabam por ir para outras tarefas, para assessores, então, acho que isso prejudica muito a qualidade que todos os órgãos deveriam ter. Nós, mesmo aqui na LAC, também temos essa experiência, estamos sempre a formar quadros, então, há períodos em que há menos qualidade. Quanto à liberdade de expressão, tema que toda a gente gosta de abordar, acho que tem muitas nuances, mesmo com o problema que surgiu com o jornal francês, nem todas as pessoas concordam que haja liberdade total e acreditam que isso aconteça realmente, mesmo nos países mais democráticos, então, estamos a fazer esse aprendizado, estamos a fazê-lo conjuntamente com o poder, o poder também está a aprender a lidar com vozes discordantes, totalmente ou em parte, com as suas acções e muitas vezes até confunde a acção que é criticada com a pessoa que a pratica. F&N: Esse aprendizado já vai longo… L.F: Mas não é fácil, apesar de termos o legado de outras nações, que já têm duzentos ou cem anos, esse aprendizado realmente não é fácil, sobretudo pelo nosso percurso, de uma sociedade colonialista, fascista, depois centralizadora, em que a comunicação social tinha outro tipo de papel, depois passar para uma situação de democracia e de liberdade, mas que liberdade? Muitas vezes vemos coisas escritas que eu, pessoalmente, não considero que seja liberdade. F&N: Libertinagem? L.F: É, pode até ser libertinagem, ou, até, uma ofensa susceptível de ser levada a tribunal, porque fica manchado o nome da pessoa, isto é um aprendizado e não é fácil. Depois do centralismo tivemos guerra, um contexto difícil, em que muitas vezes não se podia falar de determinados assuntos. Agora, com estes 12 anos estamos efectivamente a aprender, é um aprendizado muito difícil, muitos de nós pensamos que já somos os azes da liberdade de expressão, que já sabemos tudo e que outros não; critica-se muito as pessoas que fazem censura prévia, digamos entre aspas censura prévia, autocensura, os jornalistas discutem muito esta questão da autocensura, mas eu acho que o bom senso é que deve prevalecer. Na minha ideia, devemos analisar a sociedade onde vivemos e ter um mínimo de bom senso e, então, com esse bom senso podemos fazer uma boa escola e arranjar o nosso caminho de uma comunicação realmente forte e bem dirigida. F&N: Falamos dos chamados “crimes de imprensa”, uma questão também controversa. A nossa lei de imprensa pune o crime com prisão. Concorda? L.F: Realmente muitas vezes não me inteiro bem, não é que não me sinta jornalista (risos), não é que eu não me sinta… mas às vezes acho que não analiso as questões sobre o ponto de vista estrito do jornalista e eu ouvi estas discussões sobre a criminalização. É óbvio que eu não apoio essa ideia da criminalização, cadeia etc… mas, também, por outro lado, penso que se uma pessoa é aviltada através da imprensa, fica com o seu nome manchado e é uma pessoa honesta e pode provar que não foi autora daquilo de que está a ser acusada, porquê que o jornalista não pode ser criminalizado? Por que não? É uma questão complicada. F&N: Referiu que os profissio- F LUISA FANÇONY, DIRECTORA DA RÁDIO LAC "EM ANGOLA OS JORNALI NÃO ENVELHECEM NA PRO 12 Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015

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PÁGINA DESTAQUE ABERTA nais da comunicação social não envelhecem na comunicação social. Qual é a consequência de não existir passagem de testemunho e, principalmente, de não termos os melhores profissionais a exercer a profissão? L.F: Não, porque fazemos com hiatos, há uma temporada em que aparecem os bons profissionais, ficam alguns anos na tarimba e depois saem, entram novos, assim não há evolução porque não há passagem de testemunho, como tu disseste, o que é muito prejudicial. Sou uma das excepções à regra, daquilo que acontece aqui no nosso país, estou a envelhecer na minha profissão, embora tenha um cargo de direcção vou exercendo a minha profissão de jornalista, mais propriamente de realizadora de programas. Temos jornalistas em todas as esferas da nossa vida social, em todas, eram bons jornalistas, por exemplo, da Rádio Nacional, do jornal, da televisão, etc que deixam de fazer jornalismo e aparecem novos! É óbvio que um novo, por muita capacidade, por muitas potencialidades que tenha, não ocupa aquele lugar com sabedoria, com aquele peso... realmente é um prejuízo para nós e não sei quando é que isso vai terminar. F&N: Não há também alguma responsabilidade da chamada velha geração em continuar a transmitir o saber, em tornar essa profissão um pouco mais atractiva? L.F: Não sei se poderia fazer mais. Acolhemos sempre os jovens, aqui na LAC como nos outros locais, os jovens são bem acolhidos e vão aprendendo, aliás, a questão dos estágios foi sempre um problema. Lem- ISTAS OFISSÃO" Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015 13

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE bro-me na Rádio Nacional de Angola e, mesmo, aqui, que quem está a trabalhar detesta estar a dar atenção aos estagiários, e tu sabes também, por experiência própria, não há tempo para ver aquele trabalho, não há tempo para corrigir, isso é uma das dificuldades. Agora recebemos muitos jovens que se formaram até nas universidades, em comunicação, mas não têm experiência, possivelmente não têm aqueles conhecimentos que se trazem da família, de casa, de leituras, cultura geral, e têm maior dificuldade. O que é que poderíamos fazer? penso que temos feito a nossa parte e que a profissão é atractiva, apesar destes percalços, de muitas vezes não serem bem compreendidos os seus trabalhos ou de, enfim, tocarem onde não deveriam tocar, temos ainda muito disso, já falamos desta questão. Há outra questão muito importante, que é a salarial, o Estado tem tentado resolver com os seus quadros, vamos ver se eles se mantêm, estarão na faixa dos 40 e 50, não sei se dentre estes nomes mais proeminentes que estão agora no topo, vamos ver se desta vez se consegue que eles se mantenham na comunicação social, porque, actualmente, amor à camisola é muito difícil de encontrar. F&N: A rádio que dirige consegue ser atractiva em termos salariais? L.F: Nós agora não somos atractivos em termos salariais, possivelmente seremos atractivos pela nossa programação, pelo nosso slogan, pela abertura com que recebemos as pessoas, como uma rádio mais pequena. Conseguimos ser atractivos no início. Quando abrimos, há 23 anos, pagávamos melhor que os outros órgãos mas agora estamos longe disso. No que toca à publicidade costumo dizer que é como um barco no mar, estamos sempre na linha da água, e mantemo-nos muito à custa dos programas independentes, nomeadamente das igrejas. F&N: Vocês trabalham num contexto em que vários órgãos de comunicação privados tiveram que fechar e outros mudaram de mão. Qual é o segredo da LAC? L.F: O segredo da LAC, digamos assim, é que os sócios são jornalistas, portanto, mesmo num caso em que não houvesse mais ninguém para fazer o trabalho poderíamos tomar conta da emissão. Por outro lado, temos uma programação interessante. Anualmente programamos a nossa emissão com um pendor determinado, este ano ainda não determinámos, mas penso que vamos caminhar dentro da mesma perspectiva de 2014, que é a questão económica, temos muitos analistas que falam nessa perspectiva. As empresas pequenas têm muitas dificuldades, temos muitos impostos a pagar, cada vez mais, o que se agrava com as leis, não sei se vamos realmente conseguir ultrapassar 2015 com àdiz “tem que vir tirar o curso” e eu digo “já não tiro mais curso nenhum”, mas realmente tem que ser, temos a responsabilidade de gerir uma casa, mesmo que seja pequena, com cerca de 40 trabalhadores, logicamente que temos de olhar para todas as questões. F&N: No geral, hoje temos muito mais órgãos de comunicação, uma televisão privada, inclusive. Nota que isso também se traduz numa maior liberdade de informar? L.F: Penso que sim. Aliás, este factor de haver vários órgãos de comunicação social, rádio televisão, etc, é que permite que o ouvinte, o telespectador, faça as suas opções, as suas escolhas, é quase impossível no perfil de cada órgão não estar impressa a ideologia, a filosofia daqueles que são os donos, é assim em toda a parte do mundo. Se as tendências de cada direcção forem diversas, o ouvinte, o telespectador, o leitor tem mais possibilidades de ver as sua ideias representadas no produto que eles põem cá fora. F&N: É em teoria, mas na prática está a acontecer? L.F: Agora, por exemplo, há debates na Zimbo, dentre os órgãos que vão nascendo, tirando alguns que não se sabe bem qual é o conteúdo, mas aqueles mais sérios, logicamente que colocam a sua pedra, pode ser até a sua pedrazinha, com todas as cautelas e caldos de galinha, mas colocam a sua pedra neste edifício que queremos construir, de liberdade de expressão. Enfim, penso que sim, essa diversidade é muito interessante. Quando estávamos na Rádio Nacional, lembro-me que fizemos os possíveis por abrir uma serie de canais da própria rádio, porque a Rádio Nacional era a única rádio e, então, para darmos opções aos ouvintes nós fomos abrindo canais, depois a Rádio Luanda, etc, acho que é muito bom que haja mais rádios, mesmo que isso signifique concorrência para LAC, mas aí é que se vê quem tem ou não capacidade de apresentar a melhor programação. F&N: Outra das questões que se coloca à nossa comunicação “ Penso que o nosso país está a copiar as leis de outros países mais evoluídos, eu acho que vamos acabar por ficar um bocado asfixiados com tantos impostos para pagar. ” -vontade, vai ser um bocado difícil, porque as leis entraram em vigor agora em Janeiro e são muitos os impostos. Penso que o nosso país está a copiar as leis de outros países mais evoluídos, eu acho que vamos acabar por ficar um bocado asfixiados com tantos impostos para pagar. Então, ao mesmo tempo que temos um certo optimismo, enfim, estamos com um pé atrás, vamos tentar conter despesas, como toda a gente fala na crise, baixou o preço do petróleo e estamos todos amedrontados, como empresa temos alguns receios de que não nos consigamos aguentar. F&N: Para além de jornalista, acabou por ter uma vertente de gestora, que aprendeu ao longo dos últimos anos. L.F: É verdade (risos), apesar de que muitas vezes olho para as contas... e a nossa empresa gestora bem 14 Figuras&Negócios - Nº 158 - FEVEREIRO 2015

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