Gazeta Valeparaibana

 

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Edição Março 2015

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Ano VIII - Edição 88 - Março 2015 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site "A natureza nos mostra mais uma vez a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante." a atividade turística se caracteriza como um fator que contribuirá para a melhoria do nível e da qualidade de vida da população e para a prosperidade das empresas e das economias locais. Leia mais: Pág. 4 Leia mais: pag. 3 Até os homens perceberem que somos todos iguais, absolutamente iguais, seres humanos querendo aprender, querendo ser feliz. Promover um novo jeito de pensar e agir que inclua o respeito a todo ser humano, é um caminho para se viver melhor. Leia mais: Pag. 5 O que ensino realmente é importante ou eles só devem aprender o que vai cair na prova? Pagina 9 Sem noção do que havia acontecido, fui empurrada? Por quem? Por quê? O que houve? Um sentimento de medo, preocupação de como vou acabar e de onde fui parar. Leia mais: Pag. 7 A VISÃO DA NATUREZA EM DIVERSAS CULTURAS Os limites da circularidade cósmica sustentam as relações entre o alto e o baixo, entre os deuses e os homens. 30 de Março Dia Mundial da Juventude Quais são as condições financeiras, materiais e pedagógicas, oferecidas à escola para que seus projetos se realizem? E qual é a mobilização do corpo técnico e docente para efetivá-los? Música clássica e elitismo Página 8 Página 11 Abelhas: mel e polinização Reforma agrária Página 13 Página 15 Funções do Governo Federal Página 10 Função social da Escola Página 12 O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. Governar para números ou governar para pessoas? Página 14 Página 16 www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Geração - Canguru Assumir uma vida independente e de compromissos está distantenos dias atuais e assim, os jovens, vão ficando confortavelmente “embaixo das asas” dos pais e a adolescência vai se estendendo cada vez mais. Antigamente, sair de casa e ser independente era uma questão de honra e não só tomávamos essa responsabilidade como protegíamos a velhice dos nossos pais e, essa mesma geração de outros tempos, continua embalada por essa garra e vontade de seguir adiante, enquanto os filhos continuam na imaturidade, os mais velhos, cada vez com mais longevidade, continuam querendo um espaço seu e independente, mas, a “geração canguru”, parece não se incomodar. Nesse ínterim, poucos juntam dinheiro ou criam seus filhos que vem antes do tempo, não investem em profissão alguma, usam deliberadamente bebidas alcoólicas e drogas mesmo sob olhares vigilantes e incrédulos permanecem nessa indefinição. Saem do ninho cada vez mais tarde e por muitas vezes os pais morrem e lhes poupam até ter que mudar de casa que fica como herança e assim nenhum esforço maior se faz necessário para sobreviver e, sem contar, os “nem-nem” que nem estudam e nem trabalham. A família das gerações mais antigas, tinham o desejo de que os filhos trabalhassem o quanto antes para serem autossuficientes. Começavam a trabalhar muito cedo, aos 14 anos, em média. A “geração canguru” faz o caminho contrário e hoje nem precisam sair da casa dos pais para adquirir liberdade. É morando com a família que eles têm mais tempo para estudar e consumir, sem preocupação com as despesas que uma casa tem. A sociedade atual é muito mais liberal e a casa da família não oferece mais tantos empecilhos, nem mesmo sexuais, como antigamente. Além disso, enquanto não saem de casa, as despesas geralmente são pagas pela família e a renda do jovem fica integralmente livre para atender às necessidades de consumo dele – sejam de estudos ou diversão. Aliás, o consumo do jovem aumentou muito nas últimas décadas, tornando necessário para muitos, por exemplo, o carro do ano, o último smartphone, entre outros itens que se tornaram tendências. A “geração canguru” está diretamente ligada aos pais que possuem melhores salários e os filhos não sentem obrigação de terem um novo lar nem para morar com um cônjuge ou não. Além do que, hoje cada vez se tem menos filhos o que faz sobrar espaço nas casas dos pais até para criar netos. Poucos filhos se aventuram em morar com alguém e mesmo assim, voltam rapidinho na primeira dificuldades em nenhum constrangimento, encaram essa falta de competência como “normal”. Acabaram-se os sonhos e ideais, o desejo de ser príncipe ou cinderela, resta serem filhinhos de papais mesmo que a todo custo, isso implique no sacrifício de quem já lutou a vida toda pela conquista de sua liberdade e livrar-se da “ditadura” dos velhos pais. Também há a vontade de muitos pais que querem manter os filhos sob seus cuidados pela preocupação com a violência e a segurança dos jovens. Fica então a ambivalência do desejo de vê-los “voar com as próprias asas” e de outro a certeza de que ninguém será capaz de protegê-los com tanto amor como o deles. Mas, a independência é um processo importante e faz parte. Por mais que seja difícil se desvincular da família, é necessário e indubitavelmente vantajoso para o crescimento e amadurecimento e, devemos ficar atentos para as consequências que está modernidade trará para todos nós. Então, queridos filhos,já que tudo isso parece inevitável, dá pra ligarem avisando onde estão ou a que horas chegarão para que seus pais possam pelo menos dormir um pouco melhor ou pelo menos não deixar o celular no silencioso. Penso que é o mínimo de obrigação que vocês têm. Este mês: WILLIAM SHAKESPEARE “Se você ama alguma coisa ou alguém, deixe que parta. Se voltar é porque é seu, se não é porque jamais seria .” *** “Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.” *** “A raiva é um veneno que bebemos esperando que os outros morram.” *** “Planto meu jardim e decoro minha alma ao invés de esperar que alguém me traga flores!” *** “Nem palavras duras e olhares severos devem afugentar quem ama; as rosas têm espinhos e, no entanto, colhemse.” *** “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada.” *** “Só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama.” *** “Tão impossível é avivar o lume com neve, como apagar o fogo do amor com palavras.” *** “Não sujes a fonte onde aplacaste tua sede.” Genha Auga – jornalista MTB:15.320 Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebr.org IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião dos editores deste projeto ou deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Gazeta Valeparaibana Um MULTIPLICADOR do Projeto Social “ALeste” Uma OSCIP - Sem fins lucrativos CULTURAonline BRASIL Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Designe e artes gráficas: Rede Vale Comunicações - Fone: 0 xx 12 99703.0031

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 3 Nosso tempo OUTONO 20 de Março po de vida, e chega renovada às próximas estações. Reflita a partir disso: o que você precisa deixar ir, do que você precisa abrir mão para seguir firme para os próximos ciclos, para continuar a crescer? O outono é também estação de amadurecimento dos frutos. É o tempo de deixar ir inclusive os resultados de nossos esforços, para que novas forças possam gestar outros futuros projetos. Calendário Março Feriados, Datas Comemorativas 01 - Dia Internacional da Proteção Civil 02 - Dia Nacional do Turismo 03 - Dia do Meteorologista 05 - Dia do Filatelista Brasileiro 05 - Dia da Música Clássica 06 - Revolução Pernambucana 07 - Dia dos Fuzileiros Navais 08 - Dia Internacional da Mulher 10 - Dia do Telefone 12 - Dia do Bibliotecário 14 - Dia dos Carecas 15 - Dia da Escola 15 - Dia Mundial do Consumidor 15 - Dia Internacional Contra a Violência Policial 17 - Dia Internacional da Marinha 18 - Instalação da Comuna de Paris 19 - Dia Mundial do Artesão 20 - Início do Outono 20 - Dia Internacional da Felicidade 20 - Dia da Agricultura 21 - Dia Mundial da Poesia 21 - Dia Mundial do Sono 21 - Dia Internacional da Floresta 21 - Dia Universal do Teatro 21 - Dia Mundial da Infância 22 - Dia Mundial da Água 23 - Dia Mundial da Meteorologia 27 - Dia do Circo 30 - Dia Mundial da Juventude 31 - Dia da Integração Nacional 31 - Dia da Saúde e Nutrição Parabéns a todos os leitores que aniversariam neste mês de Março. Tem uma frase característica deste mês que diz muito em relação ao tempo e em relação á nossa interação no mundo; “Março Marçagão, de manhã inverno e á tarde Verão” Assim como o tempo a vida também tem fases e horas... A ciência do bem estar é o saber passar por elas e ter a consciência que nada na vida é definitivo Filipe de Sousa Durante essa época é válido observar quais elementos em você precisam ser sacrificados para que o mais sagrado para sua vida seja preservado ou resgatado. Pense na palavra sacrifício a partir de sua etimologia: é um sagrado ofício, um trabalho, uma ação que possui um caráter sagrado, para além do superficial, que transcende o banal, que Se prestarmos mais atenção aos detalhes tem um significado maior. da natureza, perceberemos que cada esta- "A natureza nos mostra mais uma vez a ção do ano traz mensagens e convites esbeleza de sua sabedoria: é preciso pecíficos. No entanto, muitas vezes não entrega, é preciso deixar ir o que não conseguimos enxergar esses sinais porque serve mais, para proteger o que é mais insistimos em achar que não somos parte importante." integrante do meio ambiente. Cada estação No outono, é importante questionar se o medo ano nos convida a novas posturas e nos do e a dúvida estão impedindo seus ideais oferece uma série de aprendizados para a maiores de serem realizados. Reflita se alvida. O outono, é uma época especialmente guns comportamentos repetitivos lhe afasrecheada de significados que podem enritam do seu real potencial criativo. Talvez quecer nossas percepções. Esse período seja chegado o momento de tomar conscichega logo após o verão, aquela estação de ência e assumir uma atitude de compromistempo quente, aberto, de plena luz e em so consigo, desapegando-se daquilo que que nossos movimentos tendem para o não lhe serve mais, daquilo que esteja impemundo externo. Não é à toa que para chedindo seus passos rumo às próximas estagar a uma estação intermediária precisamos ções de seu crescimento. das "águas de março", uma chuvinha persistente que vai resfriando o tempo aos pou- Não é simples, nem fácil, mas também não é impossível. Como tudo na natureza, noscos. sos processos de mudança carecem de O outono é uma época de transição entre os tempo para se instalarem. Tempo para ir aextremos de temperatura verão-inverno. madurecendo, até que seja o momento da Qual é a principal imagem que lhe vem à colheita. Passo a passo, reflita sobre os pemente quando pensa em outono? É bastansos desnecessários que podem estar atrate provável que a maioria das pessoas ressando seu caminhar, vá se desapegando e ponda a essa pergunta lembrando-se da deixando ir. clássica imagem das árvores perdendo suas folhas. Mas você sabe por que acontece es- Lembro agora as palavras de Tom Jobim: sa perda? Se as árvores não as deixassem "São as águas de março fechando o verão, ir, não sobreviveriam à próxima estação. As é promessa de vida no meu coração". Mesfolhas se queimariam com o frio do inverno mo que as águas pareçam dar fim ao mee, assim, os ciclos de respiração da árvore lhor da festa do verão, na verdade, elas esse findariam bruscamente, o que resultaria tão nos mostrando que a vida segue e nono fim da vida. A natureza nos mostra mais vas estações virão! Acredite: observando a uma vez a beleza de sua sabedoria: é preci- natureza podemos concluir que depois da so entrega, é preciso deixar ir o que não noite sempre vem o dia. Acredite que vale a serve mais, para proteger o que é mais im- pena se libertar para deixar nascer um novo tempo. portante O que a princípio pode parecer uma perda é JULIANA GARCIA na verdade um ganho: ela ganha mais tem- Master Coach, psicodramatista, palestrante, escritora e facilitadora visual. www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 4 Turismo e desenvolvimento A atividade turística nos últimos anos tem sido de extrema importância no que diz respeito ao desenvolvimento e crescimento da economia mundial. O Turismo detem hoje grande parte do PIB de muitos países que têm melhorado suas condições econômicas em decorrência do avanço que o setor tem proporcionado. Em países como a França, que de acordo com a EMBRATUR se encontra na primeira posição dos países mais visitados do mundo. Num país como o México, considerado em desenvolvimento, o Turismo também proporcionou um aumento nas receitas, pois recebia em média 4.207 milhões de visitantes passando a receber 19.300 milhões no mesmo período. rização, colaborará para que estes benefícios sejam ainda maiores. Com o sucesso da realização do planejamento, as vantagens se refletem das mais variadas formas. O emprego de mão-de-obra em geral ocupada na produção de bens e serviços aumentará consideravelmente, fazendo crescer a rentabilidade de famílias de menor poder aquisitivo. extrema importância. Se todos colaboram, estes riscos se tornam menores, pois cada um ajuda a cuidar daquilo que trará seu próprio benefício, como exemplo, ajudando a preservar os atrativos, não quebrando, pichando, e não deixando que outros venham a cometer tal destruição. E mesmo que os riscos e desvantagens existam, os benefícios trazidos ao município se sobressairão diante dos pontos negativos se administrados de forma correta e eficaz, diminuindo o desemprego já que muitos empreendimentos serão inaugurados, com isso reduzirá também a criminalidade e violência, pois muitos se ocuparão de forma digna nas novas atividades turísticas, além de aumentar a entrada de dinheiro na cidade, maior arrecadação de tributos por parte do governo, já que o aumento da renda familiar fará com que as pessoas consumam mais movimentando todos os setores da economia local. Muitas das cidades brasileiras têm como fatores de produção econômica a agricultura, pecuária, indústria, comércio entre outros. Porém hoje, têm aberto suas portas para um novo setor, o Turismo, que tem no município o cenário de produção e de consumo. A atividade turística pode constituir um investimento inicial gerador do processo ramificador da economia local, e por extensão, regional. É com esta idéia que, investir no Turismo pode ser uma alternativa positiva para os municípios que buscam saída para complementar sua economia e fazer com que haja um maior desenvolvimento da cidade. Num município, não explorado turisticamente, pode ser feito um planejamento com especialistas sobre o que poderia ser implantado na cidade, usando dos potencias já existentes como rios, lagos, serras, morros, cachoeiras, prédios históricos, igrejas, artefatos locais, cultura, gastronomia; ou verificando as possi- competitividade entre os elementos da oferta, bilidades de se criar atrativos artificiais como melhorando a qualidade dos serviços. parques, trilhas, festas culturais e gastronômiComo todas as áreas da economia, o Turismo cas. também possui desvantagens e riscos. O sePara a concretização do planejamento dos tor exige grandes investimentos de capital, possíveis atrativos, a participação do governo principalmente em sua fase inicial de implanmunicipal é fundamental, uma vez que este tação e o processo se mostra lento até atingir será o responsável pela infraestrutura básica o mercado consumidor. O mau uso do Turisnecessária para o desenvolvimento do plano, mo na cidade, originado da falta de informaalém dos subsídios para que a população se ção e conhecimento das peculiaridades de envolva no projeto com a instalação de hotéis, sua produção representam desvantagens que restaurantes, revitalização do comércio, entre- impedirão a atividade de se desenvolver de tenimentos e que possam participar de treina- forma bem sucedida. mentos para uma boa recepção dos futuros Com a valorização dos espaços físicos que visitantes. poderão se tornar futuros atrativos, o setor O impacto resultante deste tipo de produção é imobiliário pode agir de forma desenfreada, menos imediato do que a indústria tradicional, supervalorizando o espaço, tornando-o inviápor exemplo. Tem, entretanto, a vantagem de vel pelos altos custos. consolidar uma estrutura econômica sólida, se for mantida viável, através da preservação do O desequilíbrio ambiental como poluição atmosférica além do desgaste dos atrativos, poque for implantado. A longo prazo, os benefícios trazidos pelo Tu- de causar grandes malefícios à própria popurismo na cidade serão muitos, tanto sociais lação, criando situações complicadas até mesmo à saúde e causando a perda do que já como econômicos. A participação da comunidade durante o pro- foi implantado. cesso direta ou indiretamente, cuidando da Portanto, a participação da comunidade na limpeza de sua rua, da fachada da casa, arbo- realização da obra turística na localidade é de A necessidade de mão-de-obra especializada, com a prestação de serviços diretos ao consumidor como guias, recepcionistas, recreacionistas, etc, incentivará a população local a se profissionalizar. Com a movimentação dos turistas, o setor gastronômico, como restaurantes e lanchonetes terão a oportunidade de expandir seus empreendimentos e trará a possibilidade da criação de novos estabelecimentos. Além disso, o transporte coletivo deverá se modernizar o que favorecerá não só os visitantes, mas também os próprios moradores. Fazendo uma análise entre duas regiões braCom a implantação e aperfeiçoamento do se- sileiras, o litoral nordestino e a região central tor hoteleiro, haverá a geração de empregos e do Paraná, observa-se que o litoral nordestino a movimentação do comércio devido aos pro- que há pouco tempo atrás era uma área não dutos que os hotéis precisarão para atender explorada turisticamente, passou a ser um póaos hóspedes além do movimento decorrente lo receptivo de turistas nacionais e internaciodos turistas que circularão pela cidade em nais, transformando a região num centro turísbusca de presentes, lembranças, artesanatos tico, onde há infra-estrutura hoteleira de todas entre outras curiosidades. A inauguração de as categorias, além da gastronomia típica que novos entretenimentos, que são essenciais é explorada, a criação de entretenimentos dipara preencher a estada do turista na cidade, versos antes não existentes, destacando a região no cenário turístico nacional que tem beneficiará também a população local. A concorrência que se estabelecerá entre as crescido e se desenvolvido cada vez mais eempresas será benéfica, pois o aumento da conomicamente e socialmente frente a outras produção de bens e serviços estimulará a regiões do Brasil. Algumas regiões do país consideradas ainda áreas não exploradas, poderiam se utilizar do setor turístico da mesma forma feita pelo nordeste para promover, crescer e desenvolver a região que hoje apresentam uma economia fraca em quase todos os setores. Pode-se aproveitar os potencias naturais que a região já possui, como fazendas, cachoeiras, rios, lagos, morros, implantando o Turismo Rural, Ecoturismo, Turismo de Aventura, e também aproveitar a gastronomia e cultura da região, criando festas típicas como as feitas, que geram lucros e divulgam as cidades, ou ainda instalar atrativos artificiais que motivem a ida de visitantes. Frente a todas as potencialidades apresentadas acima, as inúmeras vantagens sócioeconômicas e culturais além de outras que o Turismo pode proporcionar a todos os agentes econômicos envolvidos, acredita-se que nos municípios, a atividade turística se caracteriza como um fator que contribuirá para a melhoria do nível e da qualidade de vida da população e para a prosperidade das empresas e das economias locais. Da redação

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania CF). A discriminação racial é condenável e em nada acrescenta ao ser humano. Somos A discriminação continua nos dias de hoje, o que somos e não é a cor da pele que vai tanto a nível mundial como a nível nacional.O nos definir como melhores ou piores. Brasil é um país multirracial, que tem em suas raízes os negros escravos, a sua forma- Em 20 de julho de 2010 foi instituída a Lei ção foi baseada na escravidão, de onde sur- 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial) giram as práticas racistas que ainda hoje con- O art. 1º desta lei diz o seguinte: Esta Lei instinuam a existir. A discriminação racial é uma titui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado realidade que preocupa e continua afetando a garantir à população negra a efetivação da milhões de pessoas. Não vamos ser ingê- igualdade de oportunidades, a defesa dos nuos a ponto de achar que a discriminação direitos étnicos individuais, coletivos e difusos se dá apenas pela cor, sabemos que o fator e o combate à discriminação e às demais foreconômico pesa muito também. mas de intolerância étnica. O homem consegue passar por cima de coisas importantes como o caráter, os valores éticos e morais, os ideais, o que faz uma pessoa ser o que é, para se achar no direito de julgá-la pela cor. Falo aqui dos negros, mas não somente eles são discriminados pela raça, temos aí por exemplo os indígenas, que se não são discriminados pela cor, são pelos costumes e maneira de viver. Vivemos em uma sociedade com muitas desigualdades sociais, são históricos os problemas que envolvem inferioridade e superioridade entre grupos. A raça é um fator de desigualdade, embora a fracassada tentativa de negar a sua importância como geradora de discriminação persista. Parte desse comportamento Decorre da escravidão, onde os negros eram tratados como objetos, sem direitos, propriedade dos homens brancos, existindo apenas para a servidão. A nossa constituição reconhece que a discriminação existe e a repudia quando estabelece, por exemplo, que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível. O preconceito racial se solidifica, interioriza-se por gerações. As transformações sociais, a era tecnológica e todo o progresso da humanidade não são capazes de eliminá-lo. Talvez o preconceito seja algo inerente ao ser humano e prevalece até hoje porque encontra eco, nos teóricos e nos escritos sobre o assunto. Ele continua latente, resistente, e nos deparamos com ele a todo o momento. Percebe-se então, que a discriminação racial é punida por leis nacionais e internacionais, por documentos vários, e organismos internacionais que lutam pelos Direitos humanos e defendem o princípio da dignidade humana. Esse direito fundamental precisa estar positivado e ser passível de punição para que essa realidade mude. O racismo direto diminuiu consideravelmente, mas eu pergunto: Isso está ocorrendo porque a sociedade está mais consciente e compromissada com essas questões? ou isso está ocorrendo porque a prática do racismo é punida por lei? O racismo existe. É concreto, se manifesta das mais diversas formas, é onipresente. Preconceito, segregação e discriminação são formas de expressar o racismo. A discriminação é a manifestação do preconceito e do racismo, que são formados por atitudes que tomamos. movimento negro. Combate ao racismo Até quando? Segundo a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU: “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida”. 21 de março é considerado o dia internacional de Combate ao racismo. A data foi escolhida para lembrar o triste episódio ocorrido na África do Sul em Shaperville, (em 1960) que ficou conhecido como O Massacre de Shaperville. Nesse conflito morreram 69 pessoas e 186 ficaram feridas durante um confronto com a polícia. Com certeza um dia que ficou marcado pela violência, ignorância, pelo ultraje e vergonha. Shaperville é um bairro de Joanesburgo, capital da África do sul, o berço do apartheid. Vinte mil negros protestavam pacificamente contra a lei do passe, que obrigava os negros a portar cartões de identificação que especificavam por onde eles poderiam circular. A manifestação era de cunho pacífico, mas mesmo assim o exército atirou contra a multidão. O episódio fez o mundo voltar os olhos para o que acontecia na África, para a existência do apartheid, uma política de segregação racial oficializada em 1948. Os negros não podiam votar, eram obrigados a viver em zonas específicas para negros, não podiam casar com pessoas de outras raças, enfim eram segregados e discriminados de todas as maneiras, tinham deveres e quase nenhum direito. Eram comandados pela minoria branca que eram os detentores do poder. O fato é que esse episódio teve repercussão no mundo todo, e levou a novas lutas raciais, que garantiram direitos e impulsionaram várias ações no sentido de inserir o negro na sociedade e de garantir o fortalecimento do É inegável que a discriminação gera conflitos, é perigosa para a paz e a boa convivência, é ofensiva, aumenta à intolerância, a violência, e ofende a dignidade humana. A única intolerância que devemos ter é contra a discriminação racial. Devemos combater e eliminar esse mal da sociedade. Respeitar as disposições legais e nos apropriarmos dos instrumentos jurídicos existentes para fazer valer os direitos e garantias que são à base de uma sociedade igualitária e mais justa. Então a pergunta do título Combate ao racismoAté quando? Pode ser respondida assim: Até os homens perceberem que somos todos É preciso levar a sério e respeitar os Direitos iguais, absolutamente iguais, seres humanos Humanos e fundamentais. A nossa Constitui- querendo aprender, querendo ser feliz. ção Federal consagra no artº 1 inc.III a digni- Promover um novo jeito de pensar e agir que dade da pessoa humana, tem como objetivos inclua o respeito a todo ser humano, é um fundamentais a construção de uma socieda- caminho para se viver melhor. de livre, justa, solidária, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, ou de qualquer outra espé- Mariene Hildebrando cie (art. 3º, I e IV CF), e consagra a igualdade Especialista em Direitos Humanos como direito fundamental (art. 5º, caput, da Email: marihfreitas@hotmail.com É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade Seus impostos merecem boa administração. da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipuBons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o pa- lam o eleitor e são pouco cobrados ! Filipe de Sousa ís, toda a sociedade precisa colaborar para Porque precisamos fazer a Reforma que eles possam nascer e terem sucesso. Política no Brasil? www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 6 Literatura Jurídica manam da ideologia machista, que sempre de Lei (PL) nº 292/2013 no Senado Federal “reinou” na sociedade brasileira e continua com o escopo de tipificar essa conduta, incluindo a mesma no artigo 121, do Código Penal vigente. Brasileiro. Esse tipo de violência, evidentemente, não diminuiu, mesmo após a sanção da Lei nº Inclusive, no dia 02 de abril de 2014, a Comis11.340 em 2006, mais conhecida como “Lei são de Constituição, Justiça e Cidadania Maria da Penha”. Isso é explanado por Nádia (CCJ), aprovou a inclusão dessa nova forma de tipificação. [8] Segundo o parecer da CCJ, Lapa, ipsis litteris: eis a redação legal, após a alteração, in verO Ipea apontou que não houve diminuição bis: dos números de feminicídio depois da vigência da Lei Maria da Penha. Foi o suficiente Art. 1º - O art. 121 do Decreto-Lei nº 2.848, de para que a lei fosse criticada, como se a apli- 7 de dezembro de 1940, passa a vigorar com cação da mesma ocorresse nos termos pre- a seguinte redação: vistos. Infelizmente não é. Feminicídio São recorrentes os casos em que as mulheVI - contra a mulher por razões de gênero. res registraram diversas ocorrências policiais contra ex-parceiros, mas nada é feito. As me- § 7º Considera-se que há razões de gênero didas protetivas, que incluem a estipulação de em quaisquer das seguintes circunstâncias: distância mínima entre agressor e vítima, tal I - violência doméstica e familiar, nos termos qual os filmes americanos, não funcionam. As da legislação específica; casas de acolhimento não existem em número suficiente, e a mulher agredida não tem pa- II - violência sexual; ra onde ir, sendo obrigada a permanecer junto III - mutilação ou desfiguração da vítima; ao agressor ou procurar a família, cujo endereço o parceiro conhece bem. A Secretaria de IV - emprego de tortura ou qualquer meio cruPolíticas para as Mulheres da Presidência da el ou degradante”. República está construindo uma casa de pas- Se aprovado, o CP passará a prever uma forsagem em cada capital brasileira. Iniciativa ma qualificada de homicídio, que será o femiótima, mas como resolver o problema oferecendo apenas 20 camas para cidades com nicídio, crime praticado contra a mulher por razões de gênero. A pena, segundo esse PL, milhões de habitantes? [4] será de reclusão de 12 a 30 anos. [10] E ainda, segundo a Promotora de Justiça Nathalie Kiste Malveiro, a Lei Maria da Penha E, também, tornaria esse crime, em um tipo devia ter agravado mais o crime doloso contra hediondo, incluindo-o na Lei nº 8.072/1990 a vida praticado contra a mulher (em função (Lei dos Crimes Hediondos): do gênero): Art. 2º O art. 1º da Lei n° 8.072, de 25 de julho A Lei Maria da Penha, apesar de ter sido um grande avanço para jogar luz nesse fenômeno de 1990, passa a vigorar a seguinte redação: “Art. 1º I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV, V e VI); Dessa forma, fica clara a necessidade de se endurecer as leis (mesmo após a vigência da Lei Maria da Penha), perante a quantidade de crimes passionais ou, usando o termo mais amplo, feminicídio. A violência contra a mulher é um “câncer” encravado na sociedade brasileira. Não se pode mais tolerar que o homem “mate por amor”. O Estado precisa coibir e punir de modo mais rígido a violência contra a mulher, quando ocorrer a morte desta, para que haja, verdadeiramente, justiça. Da maneira que ainda está, a sensação é que a época do “lavar a honra” não passou completamente. Esse entendimento social atrasado precisa ser extirpado completamente do subconsciente da população masculina, o que equilibrará a isonomia entre os gêneros. O que é feminicídio? POR: José Carlos Maia Saliba O feminicídio é o crime praticado contra a mulher, por esta pertencer ao gênero feminino. Cada vez mais, esse termo ganha destaque no cenário nacional e, inclusive, poderá ser tipificado em breve. O feminicídio é o termo empregado para designar o assassinato de uma mulher pelo simples fato de esta ser mulher. Dessa forma, é uma violência em razão do gênero. De início, etimologicamente o vocábulo femi emana de femin-, de origem grega (phemi), significando "manifestar seu pensamento pela palavra, dizer, falar, opinar" e -cídio resulta do latim -cid/um, que remete à expressão "ação de quem mata ou o seu resultado". Há, também, o termo femicídio que, muitas vezes, é utilizado como sinônimo de feminicídio. Contudo, há autores que distinguem os dois termos afirmando que o primeiro é a morte de indivíduos do sexo feminino e o segundo diz respeito à morte de mulheres por motivação política. Ressalta-se que, na prática, as duas terminologias são usadas para a mesma finalidade. Assim, muitas vezes, essa conduta também é que é a violência penal, não alterou, no Código Penal, o tipo mais grave contra o bem jurítratada pela mídia como "crime passional". dico mais precioso, que é a vida. Roberto Lyra em sua obra, disserta brilhantemente sobre o crime passional, o autor men- Em relação a homicídios, ela trouxe apenas ciona-o como totalmente incompatível com o um agravante quando o caso envolvesse violência doméstica. Mas o que temos observado verdadeiro sentimento de amor: é que ainda hoje as teses de legítima defesa O verdadeiro passional não mata. O amor é, da honra e de violenta reação do agressor à por natureza e por finalidade, criador, fecunjusta provocação da vítima são apresentadas do, solidário, generoso. Ele é cliente das preno momento do julgamento e ainda hoje são torias, das maternidades, dos lares e não dos acolhidas. [5] necrotérios, dos cemitérios, dos manicômios. Como evidenciado, a Lei 11.340, de 2006, aO amor, o amor mesmo, jamais desceu ao inda precisa ser aprimorada para atender mebanco dos réus. Para os fins de responsabililhor aos fatos mais graves, como nos casos dade, a lei considera apenas o momento do de feminicídio. Pois, diante da gravidade socicrime. E nele o que atua é o ódio. O amor não al que impera no Brasil, é necessária uma figura nas cifras da mortalidade e sim nas da normatização mais severa, para punir exemnatalidade; não tira, põe gente no mundo. Esplarmente o agressor. tá nos berços e não nos túmulos. [3] Já que, na América Latina, doze países Esses casos decorrem, geralmente, por par(Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa ceiros ou ex-parceiros que por diversos motiRica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, vos, matam suas companheiras. ExemplifiHonduras, México, Panamá e Peru) adotaram cando, quando possuem sentimento de posleis específicas para o feminicídio ou alterase, inconformismo com o fim da relação ou ram as leis vigentes para incorporar essa figupelo fato da mulher trabalhar fora do lar conjura jurídica. gal, dentre outros pretextos. Agora no Brasil, atualmente, tramita o Projeto Todos os procederes supramencionados, e- www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas QUE VIAGEM Genha Auga Foi tão rápido. De repente me vi atirada para o alto num leve voar e seguidamente, lentamente para o impacto arrebatador e rasante... o chão! Sem noção do que havia acontecido, fui empurrada? Por quem? Por quê? O que houve? Um sentimento de medo, preocupação de como vou acabar e de onde fui parar. Tudo aconteceu sem previsão, sem que houvesse um fator que levasse à possibilidade daquilo acontecer, mas era fato e aconteceu. Não sei se senti dor ou era sensação de dor causada pelo temor da queda e da pancada, chorei e gritei ao mesmo tempo, olhei para cima e vi rostos meio longe me olhando sem se aproximarem como se eu fosse estranha àquele lugar, olhavam atônitos para meu olhar de desespero, mas não me socorreram, nem me tocaram. Estava de vestido preto que certamente com a queda me deixou em trajes menores, mas também preto. Para eles talvez eu representasse a tenebrosa figura do urubu que traz maus agouros ou talvez naquele lugar que ao observar melhor assim que recuperei o fôlego, era de bastante luz e todo branco e eu poderia representar a morte chegando repentinamente e meio atrapalhada para arrebatar um deles. Por isso me olhavam atônitos e não ousavam me tocar. Meu Deus! Implorava que alguém me ajudasse a desgrudar daquele frio e duro chão até que uma mão forte e gorda me levantou, apontou para meus joelhos inchados, segurando minhas mãos doloridas e me arrastando com meus pés doloridos, colocou-me em cima de uma caixa branca e se afastou. Continuei gemendo pela dor e fitando cada um que mais pareciam zumbis me olhando de esgueira, medrosos de mim, recuperei minhas forças e me ergui quando o cavaleiro gordo, um Deus naquele lugar frio e insólito, me deu água para beber. Foi aí que percebi que levantei com os joelhos sangrentos e andando rumo à saída, os zumbis andavam para trás ou estancavam talvez pensando que suas vidas seriam ceifadas por mim, a sorrateira morte atrapalhada. Tomei a porta da saída mancando, a mesma por onde entrei voando e me fui, triste pela constatação final, mas, feliz por estar viva e deixar os mortos. Refletindo após esse acontecimento, penso que quando um ser humano sofre repentinamente um acidente, uma queda, um tiro, um ataque fulminante e se vai para o outro lado, é assim que se sente... – entra “voando” num lugar desconhecido, se apavora, espera ainda compreender. Se sua alma for boa haverá almas boas lhe esperando, lhe acalmando e lhe preparando para esse outro mundo e outra vida. Se sua alma não for boa, será como eu vi: nenhuma ajuda nenhuma explicação, até a “mão gorda te levantar e te deixar no limbo e padecer até achar a saída, ou não”... Bem, mas o “bom” disso é que apenas tropecei na ponta de um estrado mal colocado no degrau de entrada de um supermercado e me estatelei bruscamente como pássaro que se abate subitamente na turbina do avião, um voo rasante, sem preparo e que sem esperar, morre. Pena que naquele lugar tão claro, branquinho e limpinho, havia tantos “zumbis” que não ousaram me acudir e ainda bem que não foi bala perdida, senão, eu teria morrido e estaria no limbo. Ou não? Não foi nada, já me recuperei, mas constatei que o pior não é a queda e nem a morte. O pior são os “zumbis” que estão entre nós. MULHERES Genha Auga Do seu corpo viemos, dele, sugamos a vida, nele iremos nos proteger, nos esconder, ninar... Assim marca sua força e torna-se mãe da terra. Verdadeiro ato de amar. Mostra-nos tudo num único olhar tem a luz que cega e que muda a dor, despe-se de corpo para o desejo do homem que nela, seu sêmen planta, para o mundo continuar. De pedaços de Deusas é formada. Despida de alma vem ao mundo encantar. Obra de Deus inacabada... Quando menina, pequenina e meiga, carrega a boneca ensaiando como viver, cresce e torna-se moça e o homem a espreita como leão em volta da fêmea. Meiga o enfrenta, sabe que não deve temer. Não rejeitar. Na mocidade é mal falada, pela beleza é cobiçada, Podem ser dos prazeres e luxúrias, viver com homens na calada da noite, que acalentam, deleitam em seu corpo, problemas sem fim. E ela o recebe com luz e sorriso nessa dor inesperada. É essa mesma mulher que o homem apedrejou quando a Jesus se juntou. Mulher que a vida inteira roupa lavou, a pele o sol avermelhou. Segue os passos do soldado que a deixa pela pátria amada e assim perde aquele, por quem a própria vida anulou. Podem ser rainhas ou humildes, todas seguem forte a trajetória! Assim fazem sua história. As de fama Universal cuja porta se abriu num encanto e magia. São as mulheres famosas dos nossos dias. A que sofreu por seu único filho, Jesus, entregou-o a Deus para morrer na cruz - Santa Mulher - Virgem Maria! – Seja qual for a mulher, haverá nela o olhar do cansaço, mas não se deixa vencer, com o ventre rasgado ela gera pela continuação da vida na Terra. Há nelas o amor entre Deus e o Diabo! Servirão como mães – amigas – prostitutas – virgens e amantes. Todas se juntam em uma só! As mulheres mudam a humanidade, fazem isso quantas vezes quiserem. Doam todas elas ao homem sua castidade e tornam-se mães, é seu destino. É sua sina! – Prova do seu amor – da sua verdade. Transformam-nos em pássaros e nos fazem voar, caladas, nunca dizem: não se vá... Cuidam de todos e ficam sós como num Monastério. Por quê? Que haveria por trás desse mistério? Ninguém sabe – segredo de Deus e das Mulheres... Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre.

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 8 Música Clássica Música clássica e elitismo A falta de cultura e discernimento tanto da classe rica quanto da classe política (nem todo rico é político mas todo político é rico) faz com que mesmo as autoridades se estapeiem para conseguir aqueles ingressos de R$1.000 Não dá para comparar o custo e o lucro. reais para uma dupla sertaneja, e passem lonO que há de elitismo em quem faz música ge de concertos de música clássica. Pela disclássica é algo que não tem nada a ver com criminação nos tornamos mesmo uma elite. capacidade financeira ou classe social. Se está provado que não há uma elite finanEste tipo de “elitismo” vem de um tipo de de- ceira usufruindo da música clássica que tipo terminação e paixão que é conscientemente de “elite” é esta que insiste em gostar deste fadada ao não reconhecimento. tipo de arte? Sim, creio que há mesmo um tiVale a pena lembrar que para que um instru- po de pessoa meio à parte que busca numa mentista possa participar de uma boa orques- atividade artística não apenas se distrair, mas tra profissional, por exemplo, são necessários sim se cultivar. meio do ano, tinha, além de um dos mais importantes maestros da atualidade (Maris Jansosns), mais de 100 músicos vindos da Holanda. anos de estudo e prática diária de seu instru- Neste caso não apenas a música clássica semento. ria elitista, mas também a literatura, o teatro Alguém ter este tipo de dedicação, um pouco (quando falo de teatro não falo de besteirol), o sem retribuição à vista, faz com que surja um cinema (idem) e as artes plásticas. O probletipo de elitismo sim, até mesmo um tipo de ma não está em se ter uma elite mas sim em insanidade. Ainda mais quando sabemos que se comportar como uma pessoa elitista. músicos medíocres, que não conseguem encadear mais do que três acordes, ficam milionários em um tempo muito rápido e se tornam estrelas da noite para o dia. Não ter preconceitos e sobretudo tentar passar algo que seja possível transmitir do seu conhecimento, esta deveria ser a máxima de quem procura se cultivar. Nosso suposto coEstá certo, todos os brasileiros de boa índole nhecimento não deve ser algo que nos torne sentem-se diminuídos e desprezados quando superiores. comparam seus salários com os dos políticos Dividi-lo é algo saudável. ou daquele prometido para um condenado no No caso específico do músico “clássico”, esprocesso do Mensalão (falo do emprego de pecialmente o músico de orquestra e o cantor gerente de Hotel de José Dirceu – R$20.000), de um coro profissional, a falta de reconhecimas a coisa torna-se especialmente difícil de mento, a dificuldade com lidar com estruturas engolir quando um músico limitado tecnicaadministrativas onde abunda a ignorância e a mente, desafinado, mal instrumentista e mal desfaçatez, fazem muitas vezes com que este cantor torna-se incensado na mídia, uma celeartista se isole. Um isolamento que tem todo bridade, enquanto um profissional altamente aspecto de uma elite. capacitado permanece um desconhecido. Mais do que uma elite este isolamento mostra E isto não é só no Brasil. sua fragilidade. O mesmo se passa em qualquer lugar do mundo, mas uma coisa que se agrava aqui em nosso país é a falta de respeito com o ar- Autor: Maestro Osvaldo Colarruso tista dedicado à música clássica. Um mito que continua a circular em todos os lugares e meios é de que a música clássica é elitista. No sentido de elite financeira provo com alguns fatos que há mais do que um equívoco. Comparando a diferença dos preços dos ingressos de apresentações de outros tipos de música sentimos, nós músicos ligados à música clássica, até uma certa vergonha. Exemplo gritante foi a apresentação de uma dupla sertaneja (Jorge e Mateus) em Curitiba, no mês de outubro, cujos ingressos na plateia foram vendidos a R$1000. Enquanto os concertos de música clássica em Brasília (os da Orquestra do Teatro Nacional) são gratuitos e os de Curitiba são oferecidos por um preço bem baixo (R$20 para a Sinfônica do Paraná e por volta do mesmo preço para os concertos da Camerata Antiqua), certas estrelas da MPB cobram em seus shows ingressos que giram em torno dos R$250. Decididamente o mito de uma “elite financeira” curtindo música clássica é algo completamente descabido. Mesmo os concertos de grandes orquestras internacionais no Rio e em São Paulo tem ingressos cobrados compatíveis com estas apresentações de grandes estrelas da MPB, mas não podemos nos esquecer, por exemplo, que Chico Buarque (que cobrou R$295 em Curitiba) faz um show acompanhado por apenas 5 músicos, enquanto que uma orquestra como a Concertgebow de Amsterdã, que se apresentou no Brasil no www.formiguinhasdovale.org /// Rádio web CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 9 Espaço Educação aprendem’. isso, comodamente, significava que o profes- acima. Nosso propósito não é inventar a roda, e sim ofesor cumpria sua parte. Era responsabilidade do aluno recer alguma luz ao debate. aprender ou não aprender”. A gestão de sala de aula é complexa e envolve muito O professor, ainda hoje, tem se mostrado um mero estudo. O primeiro deles é a necessidade dos seus alutransmissor de conhecimentos que muitas vezes segue nos. Será que realmente todos dominam a leitura e a exatamente a cartilha exigida pelo sistema (seja ele qual escrita? Esse pode ser o primeiro passo. O conteúdo a for). Como resposta aos anseios do professor, os alunos ser ensinado passa a ser uma ferramenta para se trabarespondem com uma dose de indisciplina misturada, em lhar tais competências. A leitura compartilhada é um eigual parte, com decoreba da melhor qualidade. É esse o xercício de altíssima recomendação (e mal explorado na processo ensino-aprendizagem? O paradigma professor prática). Destrinchar um texto junto com seus alunos, – transmissor deverá ser quebrado e em seu lugar um apontando em lousa e registrando no caderno apenas os novo paradigma deverá ser criado, que é o professor – pontos mais importantes, pode ser uma boa pedida para se trabalhar nessa perspectiva. Adiante, a produção texorientador. tual deixando o aluno escrever livremente sobre o que No mundo atual em que a Internet nos aproxima de tudo escreveu também é altamente aconselhável, uma vez e de todos é quase impossível ficar alheio às novidades, que ele deve se expressar, organizando os conteúdos Até bem pouco tempo essa frase era comum, ou melhor, ou às recentes notícias na China, ou em qualquer lugar trabalhados, dentro de uma situação concreta. ainda é comum entre os alunos perguntar ao professor do mundo. Estamos a um clique do conhecimento e de se determinado assunto irá cair na prova. Tal questiona- informações quaisquer. Obviamente que é preciso um A utilização da tecnologia também é bem vinda. Filmes, mento ocorre independentemente de ciclo de ensino, filtro sobre a qualidade do que se tem à mão, mas, o que desenhos, documentários, imagens projetadas, músicas desde o ensino fundamental I ao Ensino Superior queremos dizer é que não dá mais para o professor ficar e infográficos animados, seguidos sempre de uma boa (incluindo a pós-graduação). Mas, pensando especifica- isolado numa sala de aula com apenas giz e lousa numa discussão e de uma produção textual, também rendem mente na pergunta, o que significa “cair na prova”? Pode verborragia louca e desenfreada julgando se o detentor bons frutos. parecer loucura, ou que estamos “viajando na maionese” do conhecimento. Obviamente que não vamos fugir dos problemas do dia a como se diz, porém isso reflete bem o que o aluno e o A esse “modelo” de professor-orientador, cabe ao traba- dia: pouco tempo de hora/aula, excesso de alunos por professor percebem como sendo uma aula, ou a trans- lho de preparar o aluno não para vestibulares ou para turma, falta de materiais didáticos (por vezes até mesmo missão de conhecimento. Cair na prova significa: “só vou cumprimento de metas que supostamente atestam a o giz falta), falta de estrutura, enfim, tudo aquilo que difiestudar se for estritamente necessário, caso não fizer qualidade do ensino, e sim para o desenvolvimento das culta o trabalho docente, entretanto, neste momento departe da avaliação eu não estudo”. O bem da verdade, suas capacidades mentais, o conjunto de competências vemos parar e pensar também um pouco sobre a nossa culturalmente quase nunca o aluno estuda, quanto muito e habilidades que estão muito bem descritos nos Parâ- prática pedagógica. assiste a aula. Mas e o professor, ensina sempre? Como metros Curriculares Nacionais (PCN’s) que permitirá ao se dá esse binômio ensinamento – aprendizagem? O aluno realmente conviver em sociedade, ser um cidadão Daí fica a pergunta: que significa estudar? E o que significa ensinar? A avali- crítico, reflexivo e produtivo no mundo atual. O que ensino realmente é importante ou eles só devem ação serve para quê? Como se deve ensinar? Como se aprender o que vai cair na prova? deve aprender ou estudar? Como se deve fazer uma Via de regra, o que ainda se observa em muitas escolas avaliação dos conhecimentos transmitidos? Será que o é a prática de colocar o texto na lousa, dar visto no ca- Omar de Camargo professor (considerando como professor o Pedagogo, o derno e aplicar questões diretas em que os alunos a- Técnico Químico especialista licenciado e o do ensino superior que muitas cham as respostas no caderno. Na hora da prova cobra- Professor em Química. vezes não tem formação enquanto professor) tem a exa- se exatamente as questões que foram para o caderno decamargo.omar@gmail.com (pasme, isso acontece também no ensino superior, incluta noção do processo ensino – aprendizagem? sive como método de ensino em alguns Fast foods da Ivan Claudio Guedes Claramente que para responder todas as perguntas aci- educação). Geógrafo e Pedagogo. ma, precisaríamos escrever um livro (diga-se de passagem, para cada uma das perguntas acima existem vários A gestão de sala de aula, em tempos atuais, é foco de Articulista e Palestrante. livros, mas que nem sempre são lidos – salvo em época diversos debates e publicações, entretanto, muito se Especialista em Gestão Ambiental. Mestre em Geociênteoriza e pouco se apresenta de concreto, ficando ape- cias e doutorando em de concursos públicos). Geologia. nas no plano do ideal. Içami Tiba em seu trabalho “Ensinar aprendendo” nas icguedes@ig.com.br O professor deve ter a clareza sobre as reais necessidapáginas 17 e 18 nos alerta: des da sua turma e ter liberdade o suficiente para traçar OUÇA-NOS “O que se prega hoje é a responsabilidade, atribuída ao seu plano de ensino sobre as necessidades do seu gruE agora José? próprio aluno, por sua falta de aprendizado. O que mui- po, e não sobre um currículo moldado por “alguém em Todos os Sábados 16 horas tos professores ainda aplicam, num sistema antigo, é: um lugar tão distante”. Em diversos outros artigos nosNa CULTURAonline BRASIL ‘eu, professor, ensino; vocês, alunos, escutam e sos nessa coluna, exploramos as questões elencadas PROGRAMA: E agora José? VAI CAIR NA PROVA? www.formiguinhasdovale.org /// Rádio web CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 10 Funções do Governo Federal Para o Senado Federal, cada estado e o Distrito Federal elegem três Senadores, com mandato de oito anos, renovados de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. A composição do Senado Federal é de 81 Senadores. Ao tratar das competências do Congresso Nacional, podemos reuni-las em três conjuntos: 1º) o das atribuições relacionadas às funções do Poder Legislativo federal; 2º) o das atribuições das Casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), quando atuam separadamente; e 3º) o das atribuições relacionadas ao funcionamento de comissões mistas e de sessões conjuntas, nas quais atuam juntos os Deputados Federais e os Senadores (embora votem separadamente). Atribuições do Congresso Nacional relacionadas às funções do Poder Legislativo federal Além da função de representação, antes mencionada, compete ao Congresso Nacional exercer atribuições legislativas e de fiscalização e controle. Quanto à função legislativa, cabe ao Congresso Nacional legislar sobre as matérias de competência da União, mediante elaboração de emendas constitucionais, de leis complementares e ordinárias, e de outros atos normativos com força de lei. O art. 48 da Constituição lista diversos assuntos que podem ser objeto de leis, que dependem da aprovação do Congresso Nacional e da sanção do Presidente da República. Por sua vez, o art. 49 da Constituição Federal traz a relação das competências exclusivas do Congresso Nacional, que são veiculadas por decreto legislativo, para o qual não é exigida a sanção presidencial. Sobre a função fiscalizadora, o art. 70 da Constituição estabelece a competência do Congresso Nacional para a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta. Para que possa exercer essa função, o Congresso Nacional é auxiliado pelo Tribunal de Contas da União. O Congresso Nacional e suas Casas dispõem, ainda, de outros mecanismos de fiscalização e controle, entre os quais podemos mencionar: a possibilidade de convocação de Ministro de Estado ou de titulares de órgãos diretamente vinculados à Presidência da República para prestar informações sobre assunto previamente determinado; o encaminhamento de pedidos de informações a essas autoridades pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal; a instalação de comissões parlamentares de inquérito pelas Casas, em conjunto ou separadamente, para apuração de fato determinado e por prazo certo. Atribuições das Casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), quando atuam separadamente Na maioria dos casos, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal funcionam de forma articulada para o exercício das funções do Congresso Nacional. Um exemplo é o processo de elaboração das leis complementares e ordinárias, em que uma Casa funciona como iniciadora e a outra como revisora. Há situações, porém, em que as Casas funcionam separadamente. A Constituição estabelece, para tanto, as competências privativas da Câmara dos Deputados (art. 51) e do Senado Federal (art. 52). Se do exercício dessas atribuições resultar um ato normativo, será uma Resolução da respectiva Casa. Atribuições do Congresso Nacional relacionadas ao funcionamento das sessões conjuntas e das comissões mistas A organização bicameral do Congresso Nacional possibilita, ainda, o funcionamento de sessões conjuntas e de comissões mistas, nas quais atuam juntos os Deputados Federais e os Senadores, embora seus votos sejam colhidos separadamente. O § 3º do art. 57 da Constituição prevê a realização de sessões conjuntas para: inaugurar a sessão legislativa; elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas; receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República; conhecer do veto e sobre ele deliberar. Por sua vez, o art. 166 da Constituição dispõe que os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais devem ser apreciados pelas Casas do Congresso Nacional em sessão conjunta, conforme disposto no Regimento Comum. O § 1º desse artigo prevê, ainda, a existência de uma comissão mista permanente para, entre outras atribuições, examinar e emitir parecer sobre esses projetos. As medidas provisórias iniciam sua tramitação em uma comissão mista, encarregada de emitir parecer sobre a matéria. Posteriormente, elas são apreciadas, em sessão separada, pelo Plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional (art. 62, § 9º, da Constituição Federal). É importante observar que o Congresso Nacional, quando funcionam conjuntamente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, é regido por um Regimento Comum. Nesse caso, é dirigido pela Mesa do Congresso Nacional, que será presidida pelo Presidente do Senado Federal, sendo os demais cargos exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos equivalentes nas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Quais as funções do Presidente da República no Brasil? Quando eleito, o presidente da República tem, entre outras, as seguintes funções: - Nomear e exonerar os Ministros de Estado; - Conduzir a política econômica; - Exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção da administração federal; - Editar medidas provisórias com força de lei em caráter de urgência; - Aplicar as leis aprovadas; - Vetar projetos de lei, total ou parcialmente; - Manter relações com Estados estrangeiros e indicar seus representantes diplomáticos; - Decretar o estado de defesa e o estado de sítio; - Decretar e executar a intervenção federal; - Exercer comando supremo das Forças Armadas, nomear Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhe são privativos; - Declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, quando autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele; - Enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas previstas nesta Constituição; - Exercer outras atribuições previstas na Constituição da República Federativa do Brasil. Qual a Função do Congresso Brasileiro? O Poder Legislativo, segundo o art. 44 da Constituição Federal de 1988, é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A Câmara dos Deputados é composta por representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional em cada estado, em cada território e no Distrito Federal. São 513 Deputados Federais, com mandato de quatro anos. O número de Deputados é proporcional à população do estado ou do Distrito Federal, com o limite mínimo de oito e máximo de setenta Deputados para cada um deles. SOBRE DEMOCRACIA REPRESENTATIVA Democracia representativa é o exercício do poder político pela população eleitora não diretamente, mas através de seus representantes, por si designados, com mandato para atuar em seu nome e por sua autoridade, isto é, legitimados pela soberania popular. VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL! www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 11 O outro lado da história A VISÃO DA NATUREZA EM DIVERSAS CULTURAS rem impermeáveis e intransigentes à tudo aquilo que possa ameaçar o espaço religioso de sua fé nos deuses e na natureza, pois, a relação com ambos é que os Por: Loryel Rocha mantém como Eu coletivo, o que os reúne em uma coO mundo mítico é diverso, dual, circular. O universo munidade. E essa comunidade não sobreviveria um só divino tem tensões e unidade, a ordem repousa sobre o instante à perda dessa relação, que constitui uma crenequilíbrio das potências opostas – o alto e o baixo, o frio ça bem como um modo de existir. Há inúmeras carace o quente. Os deuses, os homens e os animais fazem terísticas e formas de relações do índio com a natureza, parte de um mesmo universo, mas, de um universo hie- o que provocou o florescimento de inúmeras etnias, muirarquizado, pleno de uma graduação onde não se passa tas variedades de línguas, muitos costumes. A raiz desde um degrau a outro. Os limites da circularidade cós- sa diferença que distingue os índios do homem civilizamica sustentam as relações entre o alto e o baixo, entre do encontra-se na medida em que um povo é inerente os deuses e os homens. Sobre séries combinadas de ou pertence à terra, também está ligado a ela ontológica oposições – alto-baixo, cru-cozido, mortal-imortal – or- e moralmente. A natureza é o seu lar, portanto, o seu ganiza-se a sociedade humana. A condição de existên- papel como guardiões da terra é não só natural, bem cia dos homens situa-se em relação à natureza e ao como, essencial para a completude e continuação do mundo natural . Não é por acaso que, hoje, boa parte sobrenatural. da biodiversidade do planeta existe em territórios dos O conceito moderno de natureza como um espaço sepovos indígenas, para quem a natureza é vida e não parado dos seres é estranho ao mundo mítico. O sentiproduto. A idéia de natureza como fonte de recursos do da palavra physis evoluiu bastante dos antigos até a naturais é filha da modernidade, e nesse sentido, bem modernidade, tendo interpretações que oscilam do abdistinta das formas consagradas pelas tradições indígesoluto ao relativo. O esférico mundo dos conceitual que nas. explique a íntima interconectividade que existe entre a natureza e os seres, abrindo o mundo ao diálogo e a Sob um outro prisma, também outras culturas milenares notabilizaram-se pela concepção dominante de interdefraternidade universal. pendência entre a natureza e os seres humanos. Neste A concepção de natureza, ao longo do tempo, foi influsentido, podemos citar a tradição chinesa, que desde enciada por muitos pensadores e culturas, mantendo-se sua origem até os dias atuais, mantém a noção de que a revestida de grande complexidade e exigindo um olhar vida humana está, inextricavelmente, unida aos ritmos, ampliado para que se pudessem extrair, com maior fideprocessos e fenômenos do mundo natural. O pensadignidade, os significados presentes. A busca pelo enmento chinês não opõe sujeito ao objeto, ao contrário, tendimento do que somos, do que significa e constitui a estabelece ligações íntimas entre ambos; cultiva um nossa existência não é privilégio de algumas culturas e sentimento de unidade do mundo; constrói modelos civilizações. Ao contrário, mesmo entre povos qualitativos; estabelece relações entre números, espaço “primitivos”, havia a necessidade de se estabelecer um e tempo; o próprio Tao evoca a idéia de ritmo, ordem e conhecimento que pudesse servir como guia. Para a totalidade. Na mesma direção encontra-se o testemumaioria das culturas, a busca do entendimento sobre a nho do monge beneditino padre BedeGriffiths para natureza, sua importância e relação com os seres huquem os valores e as tradições hindus estão ligados a manos se confundem com sua própria história e forma palpitação sagrada do universo, de que os homens fade organização social. Em alguns casos, percebemos zem parte. Assim como os egípcios, os gregos arcaique o estabelecimento de um conhecimento sobre a cos, os chineses, para os hindus tudo é sagrado, a natunatureza recebe destaque, na medida em que se situa reza é sagrada, está plena do divino, explorá-la constitui uma relação fundamental entre esta e o ser humano: a sacrilégio. de interdependência. Entretanto, outras se alimentam de outra visão sobre a natureza, considerando o divino ou o Haq afirma que o Alcorão incita o homem a procurar paz e harmonia com a natureza, não admite separação entre próprio ser humano superior aos demais seres. o ambiente natural e o divino, atribuindo responsabilidaAssim, entre os povos indígenas, desde o seu surgimende aos seres humanos em relação aos demais seres: to até os dias atuais, prevalece a cosmovisão: uma con“(...) os seres humanos foram criados por Deus como cepção de responsabilidade para com e pelo mundo seus vice-gerentes (khalîfa) no mundo físico (...). Essa natural, baseada numa relação de parentesco ou afiliavice-gerência fazia dos homens guardiões de todo o ção entre os mundos humano e não-humano. Como mundo natural. A humanidade era assim transcendenexemplos, podemos citar a percepção da tribo Maorida talmente responsável por não violar a “justa mediNova Zelândia, para quem todos os seres humanos e da” (qadr) e o equilíbrio (mîzân) que Deus tinha criado não humanos partilham a mesma linhagem, têm a mesno mais vasto todo cósmico, aparecendo também por ma origem. Entre os povos indígenas dos Andes, há o esta perspectiva a função tutelar do homem na relação sentimento semelhante de universalidade e laço geneacom o ambiente” (HAQ, Manual de Filosofia do Ambienlógico entre elementos da natureza (estrelas, sol, lua, te, p.122). plantas, animais) e os seres humanos, sendo todos parentes e, simultaneamente, filhos, pais e irmãos. Os ín- “Sobre o judaísmo – afirma Correa - é evidente o seu dios teceram e desenvolveram sua cultura e civilização caráter teocêntrico, o qual afasta qualquer perspectiva intimamente associados à natureza. Com isso, para do homem como centro do universo e da natureza como esses povos naturais, o conceito de meio ambiente car- algo criado em seu exclusivo benefício. Na crença em rega, em si, despertencimentos e rupturas, uma vez que tela, o respeito à natureza advém do respeito a uma meio é metade de algo. Para o índio não existe meio criação que pertence a Deus”. De acordo com isso, as ambiente, existe a natureza, dado que o índio vive na críticas que debitam ao judaísmo um antropocentrismo terra e não sobre a terra. A natureza não é uma frontei- radical onde a natureza é vista meramente como um ra, não é algo que apenas circunda um povo, é a vida recurso para a satisfação dos interesses, carências e desse povo, com a qual eles tem uma relação ontológi- necessidades humanas carecem de fundamento. Tais críticas ao pensamento judaico, foram estendidas ao ca de pertença. modo de pensar ocidental contemporâneo, notadamente Quanto à isso, Clastrés (A fala sagrada, 1990, p.10) tesao cristianismo, tributário em parte do platonismo e do temunha o orgulho heróico dos índios pelo fato de sejudaísmo, por ter cunhado em seu dogma a separação entre o criador (Deus) e a criatura (os demais seres), legitimando [sic] o papel de superioridade dos seres humanos em relação aos demais seres vivos. Corroborando a visão de Correa, e contrariando as críticas ao teocentrismo, Ferry afirma existir no judaísmo um certo respeito aos animais e à natureza: “Não é um acaso o fato de Kant afinar-se com uma das intuições mais profundas do judaísmo: o homem é por certo um ser antinatureza, um ser-para-a-lei ( é o que proíbe, de resto, à tradição criticista bem como à do judaísmo reconhecer-se no “ecologismo”). Ele pode portanto, em uma certa medida, dispor das plantas e dos animais – mas não à vontade ( nachBelieben), não matando-os como distração, seja dentro das regras da arte ou para testemunhar sua humanidade. Segundo o Pentateuco, o abate será praticado não apenas sem crueldade como também com moderação. Há nisso muita sabedoria e profundidade, pois essa posição não é acompanhada de nenhum dos princípios “naturalistas” e vitalistas que justificam normalmente os argumentos zoófilos. Nenhuma confusão possível, aqui, entre o animal e o homem no bojo de um grande todo cósmico. Tampouco nenhuma redução da dignidade de uns ou de outros pela simples lógica calculista dos prazeres e das penas. Somente a atenção dirigida à especificidade equívoca do animal que a maquinaria cartesiana, inteiramente devotada à dominação da Terra, rejeita sem restrição por ser “coisa”. A citação de Kant por Ferry elucida com clareza esse poderoso desacordo entre o mecanicismo e o vitalismo cujos ecos se encontram ainda presentes na modernidade. De uma forma geral, repensar a origem moderna do pensamento sobre a natureza, obriga a uma revisitação de conceitos e valores matrizes da cultura ocidental que, indiscutivelmente, influenciou, educou e formou o ocidente cristão. O desenvolvimento da atual sociedade e a crise ambiental que esta vivencia precisa encontrar novas e diferentes formas de relação do ser humano com a natureza e para tanto, uma profunda reflexão sobre o modo de ser ocidental deverá ser seriamente considerado. O diálogo entre ecologia e espiritualidade é urgente e necessário: “É urgente fazer do cuidado espiritual com a natureza uma cultura, um estilo de vida alternativo. Esse estilo de vida [,...,] não consiste apenas em uma simples mudança de costumes ou um modo de viver mais ligado `a natureza. Isso é importante, mas se trata de algo que vai além. Diz respeito ao nosso modo de habitar o planeta, de trabalhar, de comprar, consumir, viaja”(BETTO; BARROS. O amor fecunda o universo, p.203). A viabilidade desse diálogo, entrelaçada com uma nova atitude,também exige, por sua vez, a supressão de certos estigmas presentes tanto na cultura europeizante quanto na globalização: a revisão do significado de povos “primitivos”, “indígenas” ou civilizações orientais, identificados com o culto ao alternativo, primitivo, natural, anti-democrático; o redimensionamento do conceito de vida, e nesse caso, de vida inteligente, é ordem do dia, pois, no cerne desse conceito orbitam questões maiores como cosmos, homem, natureza. A inclusão, a interdisciplinaridade, a não violência, o respeito as diferenças, a fraternidade planetária, são os pilares de uma nova era multicultural. Romper as fronteiras e valorizar o diverso sem abrir mão do desenvolvimento e da espiritualidade será o grande desafio do século XXI. Deixar de ruturar os espaços e os tempos, eis a grande obra que se apresenta a todos, sem distinção. www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 12 Funções Sociais da Escola como requisito para sobrevivência mesma da Porque elas não são de fato cumpridas? sociedade"; 3. E as instituições públicas de Ensino Superi2. Função educativa (que eu chamaria or, estão todas elas cumprindo as suas funde compreensiva): ções sociais? "utilizar o conhecimento para compreender as 4. Qual a relação que vocês , como equipe, origens das influências, seus mecanismos, estabelecem entre as funções da escola e a intenções e conseqüências, e oferecer para formação do professor? debate público e aberto as características e efeitos para o indivíduo e a sociedade desse 5. Qual é a relação existente entre as funções tipo de processo de reprodução"; da escola e a elaboração e execução do projeto curricular? 3. Função compensatória: "atenuar, em parte, os efeitos da desigualdade e preparar cada 6. Qual a articulação que se pode estabelecer indivíduo para lutar e se defender nas melho- entre os cursos de Pedagogia e os de LicenciÉ importante que os professores tenham mui- res condições possíveis, no cenário social"; atura e as funções da escola? to claro quais são as funções da escola. 4. Função educativa (que eu chamaria E para terminar uma outra reflexão: Coloco aqui para reflexão e discussão algu- de transformadora): "A formação, pelo contrário, entendida como mas citações de Sacristán & Goméz (2000) "provocar e facilitar a reconstrução de conhedesenvolvimento profissional, é fruto de reflesobre o objetivo básico da escola e as suas cimentos, atitudes e formas de conduta que xão sobre a ação, ajudada por quanta tradifunções sociais, seguidas de algumas ques- os(as) alunos(as) assimilam direta e acriticação de pensamento tenha sido capaz de dar tões. mente nas práticas sociais de sua vida anterisentido à realidade educativa. Os professores or e paralela à escola". A escola deve prover os indivíduos "não só, serão profissionais respeitados quando pudenem principalmente, de conhecimentos, idéi- Gostaria ainda de propor algumas ques- rem explicar as razões de seus atos, os motias, habilidades e capacidades formais, mas tões para discussão em grupos de estudo, vos pelos quais tomam umas decisões e não também, de disposições, atitudes, interesses que proporia: outras, quando ampararem suas ações na e pautas de comportamento". Assim, tem coexperiência depurada de seus colegas, 1. Será que ao perguntarmos aos professomo objetivo básico a socialização dos alunos e quando souberem argumentar tudo isso nures, diretores, coordenadores pedagógicos, para: ma linguagem além do senso comum, incorsupervisores de ensino, pais dos alunos e porando as tradições de pensamento que "prepará-los para sua incorporação no mundo aos próprios alunos quais são as funções somais contribuíram para extrair o significado da do trabalho" ciais da escola, eles responderão de imediato realidade do ensino institucionalizado. Para e objetivamente? Por quê? - indivíduos produtivos; transformar é preciso ter consciência e com"que se incorporem à vida adulta e pública..." 2. A proliferação de faculdades particulares preensão das dimensões que se entrecruzam - cidadãos. tanto nas capitais com em pequenas cidades na prática dentro da qual nos movemos" 1. Função reprodutora (socialização do indiví- do interior, em todo o Brasil, aparentemen- ( Sacristán & Goméz, 2000, p. 10) duo): "garantir a reprodução social e cultural te atendem as funções sociais reprodutora, transformadora e compensatória. Da redação ATENÇÂO A Gazeta Valeparaibana, um veículo de divulgação da OSCIP “Formiguinhas do Vale”, organização sem fins lucrativos, somente publica matérias, relevantes, com a finalidade de abrir discussões e reflexões dentro das salas de aulas, tais como: educação, cultura, tradições, história, meio ambiente e sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental, além da transmissão de conhecimento. Assim, publica algumas matérias selecionadas de sites e blogs da web, por acreditar que todo o cidadão deve ser um multiplicador do conhecimento adquirido e, que nessa multiplicação, no que tange a Cultura e Sustentabilidade, todos devemos nos unir, na busca de uma sociedade mais justa, solidária e conhecedora de suas responsabilidades sociais. No entanto, todas as matérias e imagens serão creditadas a seus editores, desde que adjudiquem seus nomes. Caso não queira fazer parte da corrente, favor entrar em contato. Rádio web CULTURAonline Brasil Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós. A Rádio web CULTURAonline BRASIL, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Saúde, Cidadania, Professor e Família. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, a Educação e o Brasil se discute num debate aberto, crítico e livre, com conhecimento e responsabilidade! Acessível no link: redacao@gazetavaleparaibana.com www.culturaonlinebr.org www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 13 Agricultura e sustentabilidade Abelhas: mel e polinização Por: Roberto Rodrigues No entanto, há um tema ainda pouco explorado na apicultura e que pode gerar até dez vezes mais renda do que a produção de mel: trata-se da polinização. Na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na União Européia, os serviços de polinização executados pelas abelhas em sua busca do mel têm sido um dos responsáveis pelo aumento da produtividade agrícola, a um custo muito menor do que o de outros insumos. Em entrevista recente à revista "Veja", o apicultor Paulo Roberto de Oliveira, brasileiro estabelecido na Flórida, disse que, nos Estados Unidos, "o principal negócio do apicultor atualmente é o trabalho de polinização. O mel já virou um subproduto". Uma praga ainda pouco conhecida, o CCD (desordem de colapso das colônias) vem produzindo grande mortandade de abelhas, particularmente nos países desenvolvidos, o que inflacionou o aluguel de colméias com o objetivo da polinização. Isso faz todo o sentido. Dados do Brasil indicam que a colocação de 4 a 6 colméias por hectare de laranja-pêra-rio pode aumentar em até 39% a produção da fruta. Em café, o aumento pode chegar a 25% a 30%. Ensaios com soja no Paraná, também com 4 a 6 colméias por hectare, na variedade BRS 133, mostraram aumento de 56% na produção (dá para imaginar o impacto disso na produção de biodiesel). Esses números explicam o aumento do aluguel de colméias nos Estados Unidos. Em 2004, uma colméia com 50 mil abelhas era alugada por US$ 40. Hoje, o valor está na casa de US$ 150. No entanto, no Brasil, a questão da polinização ainda não está tratada como merece, mesmo com os grandes potenciais de aumento da produção e renda de culturas. Segundo a Abemel, a maioria dos apicultores apenas extrai mel, o máximo possível, sem distribuir as colméias pelas áreas de cultura, deixando-as concentradas em um local só, para facilitar o trabalho; e não manejam as colônias para visitar as flores na melhor hora para polinizar nem as dirigem para a cultura desejada. Mas isso pode ser melhorado, e muito. Eis um assunto que merece uma atenção especial, mormente em razão da doença referida. Afinal, Einstein, exagerando ou não, disse: "Se as abelhas desaparecessem da face da terra, ao homem restariam apenas mais quatro anos de vida. Sem abelhas, não haverá polinização, não haverá plantas, nem animais, nem homens". ROBERTO RODRIGUES, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula) UMA ATIVIDADE agrícola pouco conhecida é a apicultura. E quem sabe um pouco do setor logo o identifica com a produção de mel. Com efeito, o Brasil já é o 11º produtor mundial de mel, gerando quase 500 mil empregos em toda a cadeia produtiva. A classificação dos Estados mais importantes na produção de mel -RS, PR, PI, SC, CE, SP, MG, BA, PE, RN e MS- mostra sua grande disseminação em todo o território nacional, graças às centenas de plantas comerciais e aos milhares de outras da nossa maravilhosa biodiversidade, não exploradas comercialmente. Além de um guloso mercado interno, o Brasil vem exportando para União Européia, Estados Unidos, Japão, Arábia Saudita, Suíça, Canadá, China e mais uma dezena de outros países. Reforma agrária sem terra, objetivando o alcance de uma igualdade social ampla, de maior distribuição 1 - É necessário mantermos os processos de do poder político e de melhorias de ordem emobilização e as ações de pressão, de modo conômica e dentro de um Novo Projeto de Dea pautarmos a reforma agrária e a agricultura senvolvimento para o Brasil. familiar no centro da agenda política dos goSegundo Ignacy Sachs, diretor honorário da vernos e da sociedade. Escola de Altos Estudos em Ciência Sociais 2 - Quanto mais concentrada a propriedade de Paris, 40% de toda a força de trabalho da terra num país mais injusta e antidemocrá- mundial vivem nas áreas rurais, um contintica é a sociedade. gente entre 2 bilhões e 3 bilhões de pessoas. 3 - A questão da terra no Brasil é um problema social rural e um problema de toda sociedade brasileira, pois como diz um velho ditado camponês “se o campo não planta a cidade não janta”. 4 - Destaca-se que no Brasil 46% das terras estão em posse de 1% dos proprietários rurais – um dos maiores índices de concentração fundiária do mundo. É muito importante a transferência da propriedade da terra dos latifundiários para pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas Algumas reflexões tribuição da terra, mediante modificações no regime de sua posse e uso, a fim de atender os princípios de justiça social e ao aumento de produtividade” (BRASIL, 1964). A reforma agrária é um processo amplo de mudanças no campo político, social, técnico e econômico. É fundamental a transferência da propriedade da terra dos latifundiários para pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas sem terra, objetivando o alcance de uma igualdade social ampla, de maior distribuição Reforma agrária "Não se trata apenas de disdo poder político e de melhorias de ordem etribuir terras para os pobres, mas de desenconômica e dentro de um Novo Projeto de Devolver um leque de políticas públicas simultâsenvolvimento para o Brasil. neas que garanta para a agricultura familiar infraestrutura de transporte e comunicação, Nesse sentido, seria necessário mantermos assistência técnica, acesso a crédito, mercaos processos de mobilização e as ações de dos e serviços públicos, como saúde e educapressão de modo a pautarmos a reforma ção". agrária e a agricultura familiar no centro da De acordo com a Lei nº 4.504 (Estatuto da agenda política dos governos e da sociedade, Terra), de 30 de novembro de 1964, Art. 1º, § inclusive levando em consideração as realida1º, “Considera-se Reforma Agrária o conjunto des, desigualdades e potencialidades regiode medidas que visem a promover melhor dis- nais. www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 14 Mudanças Climáticas “Como a floresta lá é muito bruta, os troncos são muito ca máquina biológica que faz chover? Segundo os ciengrossos, então o custo é muito grande. São árvores anti- tistas, o toque final cabe às árvores. gas, árvores velhas”, ele diz. Fincadas a até 20 ou 30 metros de profundidade, as Consequências da devastação estão próximas de todos raízes sugam a água da terra. Os troncos funcionam Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca como tubos. E, pela transpiração, as folhas se encarrena mata que pode parecer um problema exclusivo de gam de espalhar a umidade na atmosfera. árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. Mas Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média a ciência e as novas tecnologias comprovam que as 500 litros de água. consequências da devastação estão muito mais próxiA Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões mas de todos nós. de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 Nascentes que já não vertem mais água. Represas com bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do menos de 10% de sua capacidade original de armaze- Amazonas, o maior rio do mundo. nagem. Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das “Se você tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um você precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que é ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. a maior do mundo em potência, funcionando por 145 Está agonizando. Mas o que a falta de água nesta regianos para evaporar um dia de água na Amazônia. ão do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho de 2 mil quilômetros de distância? Tudo, absolutamente que as árvores estão fazendo silenciosamente lá? 50 mil tudo, segundo cientistas que estudam as funções da usinas Itaipu”, explica Antônio Nobre. floresta e as variações climáticas na América do Sul. “Rio voadores” cruzam o Brasil Esse imenso fluxo de “Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o água pelos ares é chamado de “rios voadores”. O Fanverão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva tástico chamou a atenção para a importância desses que fica vários dias é que recarrega os principais reserrios já em 2007. Imagens feitas de um avião do projeto vatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, “rios voadores” revelam nuvens densas, carregadas de climatologista do INPE. água, cruzando todo o Brasil. O Fantástico teve acesso exclusivo ao relatório sobre o Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da mefuturo climático da Amazônia que só vai ser divulgado tade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, oficialmente na Conferência Sobre o Clima em Lima, no Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no ParaPeru, no fim deste ano. O trabalho desenvolvido em parguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do ceria por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Chile vem da Amazônia. Espaciais e do Inpa, que investiga a Amazônia, reúne Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos mais de 200 estudos e traça um minucioso roteiro das Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cochuvas no continente sul-americano. ne-sul é a inexistência de um deserto nessa região. Bas“Está mudando o clima. A gente vê isso acontecendo na ta olhar o globo para constatar que na mesma latitude Amazônia. Tem muitos trabalhos mostrando que a exem volta do planeta tudo é deserto. Menos na América tensão da estação seca está se prolongando”, diz Antôdo Sul. nio Nobre, pesquisador do Inpa. Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os De acordo com esse relatório, nos últimos 400 milhões estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurParaná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos rada naturalmente pelos ventos para dentro dos contitambém. nentes. Uma parte desse vapor vira chuva e cai, princi“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus palmente, sobre as grandes florestas na altura do Equaou São Paulo tem que saber que a água que consome dor. O excesso de umidade segue empurrado pelos em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sammar. Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma excepaio. ção: a Amazônia. Devastação bloqueia “rios voadores” em São Paulo As Diferencial da Amazônia O que torna a Amazônia difeimagens dos satélites que acompanham a movimentarente de todas as grandes florestas equatoriais do plação das nuvens de chuva comprovam que a grande seneta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de ca que assola as regiões Sudeste e Centro-Oeste do 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Brasil, em parte, está relacionada aos desmatamentos. Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o No estado de São Paulo, por exemplo, a devastação da Sul. Mata Atlântica permite a formação de uma massa de ar “Esses ventos viram aqui e se contrapõem à tendência quente na atmosfera. Tão densa que chega a bloquear natural dessa região aqui de ser deserto. É uma região os “rios voadores”, já enfraquecidos por conta do desque produz 70% do PIB da América do Sul – região inmatamento na Amazônia. Represados no céu, eles acadustrial, agrícola, onde está a maior parte da população bam desaguando no Acre e em Rondônia, onde, este da América do Sul”, explica Antônio Nobre, pesquisador ano, foram registradas as maiores enchentes da histódo Inpa. ria. Mas de onde vem tanta água? Como funciona a fantástiFonte: Fantástico Chuvas que recarregam reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. Árvores são ‘toque final’ da máquina biológica que produz chuvas. O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. Que isso vem acontecendo há anos, todos sabem. O que você provavelmente não sabe é que esse crime ambiental tem a ver com a falta d’água na maior cidade da América Latina. É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas. É guerra contra a cobiça. No coração da Amazônia, o exército formado pelo IBAMA, pela FUNAI e pela Polícia Federal atinge mais um alvo. Garimpeiros presos, madeireiros multados, equipamentos destruídos. E a prova do crime apreendida. Esse é o front de um conflito que já dura pelo menos quatro décadas no Brasil. Desde que as primeiras estradas rasgaram a floresta para permitir a colonização. Caminhos que acabaram facilitando também o acesso de exploradores gananciosos e sem escrúpulos. Um crime ambiental que ainda está longe do fim. Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer. E que em menos de um minuto, já pode estar derrubada. E o pior é que a madeira nem é aproveitada. Nesse tipo de desmatamento, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, tocar fogo e transformar a área em pastagem para a criação de gado. Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já virou carvão. Clareiras somam área maior que França e Alemanha juntas “Isso aqui é roubo de terras da União. Grileiros furtam a terra da União, praticam o desmate multiponto, vários pontos embaixo da floresta, dificultando o satélite de enxergá-lo.”, explica Luciano de Menezes Evaristo, diretor de proteção ambiental do IBAMA. O que os olhos poderosos dos satélites não veem, a floresta, lamentavelmente, sente: 20% das árvores da Amazônia original já foram para o chão. Restaram imensas clareiras que somam uma área maior que a França e a Alemanha juntas. O Fantástico acompanhou, com exclusividade, a maior operação contra grileiros na Amazônia neste ano. Em uma conversa gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, um dos presos admite que o interesse dos criminosos é apenas nas terras. www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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Março 2015 Gazeta Valeparaibana Página 15 A Escola e sua função social 30 de Março Dia Mundial da Juventude Falar de crianças e adolescentes em situação de risco no Brasil é abordar um problema que traz em sua complexidade, as marcas da formação e do desenvolvimento sócio-políticoeconômico e cultural de um país que confina aos guetos, morros e favelas os que sobrevivem com as partículas do bolo nacional. A péssima distribuição de renda do país, carro chefe das desigualdades econômicas e sociais, a ausência do oferecimento de uma educação e saúde de qualidade para a maioria da população, somando-se ao desemprego estrutural e à ineficiência das políticas públicas, contribuem para que assistamos estarrecidos, a uma desenfreada produção em série de crianças e adolescentes sem referências de afeto, amor, ética, moral, auto-estima e sem perspectivas de exercerem sua cidadania. Crianças e adolescentes que "escolarizam-se" nas ruas. foi considerado um dos dispositivos legais Precisamos também discutir, também, alguns mais avançados do mundo no tocante ao a- casos que abordavam situações comuns ao cotidiano da escola que nem sempre recebem tendimento da infância e da juventude. o devido tratamento; situações quanto aos Hoje, nove anos após sua promulgação, boa procedimentos referentes ao aluno faltoso, ao parte da população desconhece o texto de aluno que apresenta pistas de abandono, aseus artigos e a criança e o adolescente no buso sexual, envolvimento com drogas, exploBrasil, permanece tendo seus direitos violaração no trabalho etc. dos. Um dos objetivos é trazer o envolvimento da Entre eles, o direito ao pleno desenvolvimento escola com os mesmos e o reconhecimento educacional, seu preparo para a cidadania e da urgência de se ultrapassar da pedagogia sua qualificação para o trabalho, garantindo a da denúncia e da constatação para uma prá"igualdade de condições para o acesso e a xis que proclame como finalidade a garantia permanência na escola, respeitando a liberdaefetiva dos direitos presentes na Constituição. de, a tolerância, a garantia da qualidade do ensino e a valorização da experiência extra- É fato notório que a escola pública precisa reescolar (Lei e Diretrizes de Bases da Educa- dimensionar seu projeto político e pedagógico para que se torne uma escola cidadã. ção). Nesse contexto, interrogamos qual é a educação de qualidade que se garante ao número altíssimo de crianças e adolescentes que estão fora da escola. Quais os projetos desenvolvidos pela escola para garantir a permanência com sucesso, das crianças e dos adolescentes, em situação de risco que resistentemente ainda se encontram nela? Evitando, assim, que esses alunos se evadam e engrossem o exército que vivem nas ruas. Segundo Gadotti (1995), são necessárias algumas diretrizes básicas, dentre as quais estão: a autonomia da escola, incluindo uma gestão democrática, a valorização dos profissionais de educação e de suas iniciativas pessoais. Oportunizar uma escola de tempo integral para os alunos, bem equipada, capaz de lhe cultivar a curiosidade e a paixão pelos estudos, a curiosidade e a paixão pelos estudos, a valorização de sua cultura, propondo-lhes a espontaneidade e o inconformismo. Inconformismo traduzido no sentimento de perseverança nas utopias, nos projetos e nos valores, elementos fundadores da idéia de educação e eficazes na batalha contra o pessimismo, a estagnação e o individualismo. Uma escola cidadã, viabiliza a produção de projetos individuais, a partilha de projetos coletivos e tem a articulação entre ambos, uma fator importante para a realização de ações e sonhos imbuídos de um significado político e social mais amplo (Machado, 1997). Para Machado, a impossibilidade de uma abertura para sonhos, fantasias e projetos individuais, conduz a uma espécie de morte da personalidade, tanto a carência de alimentos conduz à morte física e que no plano social, a ausência de projetos coletivos costuma constituir-se em um problema crítico, responsável pelo surgimento de conflitos. E os atores da escola, palco de diversos conflitos, como vêem a problemática da criança e do adolescente em situação de risco? É esta a questão que deixamos neste mês em que no dia 30 se lembra o Dia Mundial da Juventude. Da redação O atual quadro da infância e da adolescência em situação de risco (que vão desde os que sofrem de maus tratos, abandono, abuso físico, psicológico, sexual, influência de todo tipo de delinquente até a morte por grupo de extermínio) nos estimula a fazermos uma retrosQuais são as condições financeiras, materiais pectiva do seu atendimento no Brasil: e pedagógicas, oferecidas à escola para que Da Lei do Ventre Livre aos dias atuais, cons- seus projetos se realizem? E qual é a mobilitataremos que a política de atendimento a es- zação do corpo técnico e docente para efetivá ta parcela da população, resumiu-se ao de- -los? senvolvimento de programas assistencialistas, ineficazes quanto ao objetivo de ressocializa- Questões como estas, fundamentam-se em ção, pois muitos eram desenvolvidos em am- uma concepção de escola como um espaço bientes correcionais-repressivos que quando propício para a realização de um processo muito, tentavam "profissionar", utilizando práti- digno de socialização e o desenvolvimento de cas laborais para a aquisição de habilidades aprendizagens significativas, através de uma formação continuada, capaz de oferecer às de um ofício. (Costa, 1989). crianças e aos adolescentes em situação de Com o agravamento da crise econômica na risco, a vivência plena de sua cidadania. década de 70, torna-se mais visível o exército de crianças e adolescentes oriundos das fa- Propomos às escolas uma reflexão sobre a mílias pobres que desenvolviam nas ruas es- escola que temos e a escola que queremos e os conceitos sobre uma escola alienada e utratégias de sobrevivência. ma escola cidadã. Este fato muito contribuiu para que as autoridades competentes destinassem atenção ao Sugerimos uma releitura do ECA nos seus artigos referentes à educação. Nosso objetivo novo fenômeno. é o de informar e sensibilizar o corpo técnico Posteriormente, pressionados pelos vários e docente da escola, buscando desmitificar o movimentos sociais, inclusive entidades espe- ECA como um "instrumento protetor de margicíficas na defesa dos direitos das crianças e nais". dos adolescentes, nasce a Lei Complementar 8.069, de 13 de julho de 1990, o ECA É fato notório que a escola pública precisa re(Estatuto da Criança e do Adolescente) que dimensionar seu projeto político e pedagógico para que se torne uma escola cidadã. www.formiguinhasdovale.org /// CULTURAonline BRASIL /// http://www.culturaonlinebr.org

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