Revista De Biasi 12

 

Embed or link this publication

Description

Revista De Biasi 12

Popular Pages


p. 1

em Revista Dezembro 2014 Edição 12 Ano III Adotar ou não as novas regras? Autoridades fogem do debate sobre a necessidade de fiscalizar as empresas em vez de punir os escritórios de contabilidade Eduardo Cury: “O Vale paga um alto preço pelos equívocos da política econômica do Governo”

[close]

p. 2



[close]

p. 3

Credibilidade não tem preço O próximo será um ano de comemorações para a De Biasi Auditores Independentes, que completa um quarto de século de serviços prestados aos clientes e ao desenvolvimento da nossa região e do País. Por isso, apresentamos aos leitores uma edição muito especial. A começar pela reportagem principal: Adotar ou não as novas regras? Eis a questão. Nela, enfatizamos os riscos que muitas empresas vêm assumindo, tanto ao não cumprir a lei, quanto ao deixar sua contabilidade nas mãos de escritórios que aceitam ignorar a legislação vigente. No caso, a Lei nº 12.973/2014 que, ao por fim ao Regime Transitório de Tributação (RTT), também estabeleceu ajustes no cálculo do lucro societário apurado. A intenção é ajudar a conscientizar as empresas: todas têm de aderir às novas regras. As que não o fizerem devem estar prontas a arcar com os custos, que virão na forma de multas elevadas. Com certeza, sai mais barato contar com um escritório de contabilidade de qualidade e credibilidade. Destacamos, ainda, a participação especial, nesta edição, do ex-prefeito Eduardo Cury, eleito deputado federal e que vai representar o Vale do Paraíba em Brasília. Não deixe de ler, também, a segunda parte do nosso guia especial sobre os pontos de atenção do eSocial, que trata dos impactos do novo sistema na administração de Recursos Humanos. Enfim, mais um ano se passou. Com esta 12ª edição da De Biasi em Revista aproveitamos para desejar aos nossos leitores muita saúde e sucesso em 2015. Uma boa leitura e boas festas, Cássia Cossermelli Demarchi Sócia-gerente da De Biasi Auditores Independentes Sua participação é muito importante para o aprimoramento da De Biasi em Revista. Mande suas críticas, sua opinião e suas sugestões para revista@debiasi.com.br.

[close]

p. 4

10 Adotar ou não as novas regras? Eis a questão Autoridades fogem do debate sobre a necessidade de fiscalizar as empresas em vez de punir os escritórios de contabilidade 16 Crédito de PIS/Cofins: STF vai dar a palavra final Visão restritiva da Receita Federal tem levado à lavratura de inúmeros autos de infração A De Biasi em Revista é uma publicação trimestral da De Biasi Auditores Independentes, com distribuição gratuita e dirigida. Tiragem de 5.000 exemplares. revista@debiasi.com.br Ex-Libris Comunicação Integrada Av. Paulista, 509, cj. 602 01311-000 São Paulo SP Tel: (11) 3266-6088 contato@libris.com.br libris.com.br Editor-responsável: Jayme Brener (MTB 19.289) Editora: Geralda Privatti Colaboração: Renato Vaisbih Projeto gráfico e diagramação: Wilma Temin/Area Design 18 Impactos do eSocial Segunda parte do guia especial da De Biasi analisa pontos de atenção na administração de Recursos Humanos 20 Caiu a ficha! Caiu a máscara! Nova equipe sinaliza que vai desmontar bombarelógio resultante dos erros na condução da política econômica 22 A vantagem de ser auditado Bom ambiente contábil garante tranquilidade de administradores e investidores

[close]

p. 5

Reforma tributária já Recém-eleito para a Câmara Federal, o ex-prefeito Eduardo Cury avalia que o sistema tributário brasileiro é perverso. E adianta que, em Brasília, vai defender a retomada da competitividade do Vale do Paraíba DE BIASI EM REVISTA 5

[close]

p. 6

“Os maiores desafios para a Região Metropolitana do Vale do Paraíba são enfrentar a questão da competitividade da indústria brasileira, por meio de uma reforma tributária adequada e, consequentemente, com o investimento contínuo em qualificação das pessoas, em todos os níveis: educação básica e média, formação técnica e cursos universitários.” O diagnóstico é do deputado federal Eduardo Pedrosa Cury, eleito com quase 186 mil votos. Cury foi o mais votado no Estado de São Paulo entre os parlamentares de primeiro mandato. E o 12º com maior votação no ranking geral. Um dos orgulhos de Cury é conhecer a região como poucos: natural de São José dos Campos, trabalhou desde cedo no comércio dos pais, no centro da cidade. Em 1997, com o início do primeiro mandato do prefeito Emanuel Fernandes, foi convidado a integrar a equipe de secretários municipais. Foi chefe de Gabinete e ocupou as secretarias de Governo e dos Transportes. Em 2005, assumiu o primeiro mandato como prefeito de São José dos Campos. Em outubro de 2008, conquistou a reeleição. Quando deixou o cargo, em 2012, contava com mais de 70% de aprovação popular. Um de seus objetivos em Brasília será “propor leis e apoiar iniciativas no sentido de tornar o Vale do Paraíba mais competitivo para a instalação e o desenvolvimento de novos polos industriais”. Para isso, ele insiste: o primeiro desafio é fazer uma reforma tributária que desonere os salários e a atividade produtiva. “O Brasil tem uma carga tributária bastante injusta, que incide, principalmente, sobre aqueles que mais se esforçam e que mais trabalham. Se não mudarmos esse modelo, o Brasil perde competitividade e, logicamente, o Vale do Paraíba deixa de atrair investimentos. Eu pretendo atuar nessa direção no Congresso Nacional”, garante. Nesta entrevista exclusiva à De Biasi em Revista, Eduardo Cury fala de seus planos para a região e para o País. Em sua avaliação, quais os pontos fortes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba? A RM Vale é uma das regiões mais competitivas e com potencial de desenvolvimento. Na minha avaliação, três importantes fatores, conjugados, contribuem para isso. Primeiro, nossa posição geográfica privilegiada. Estamos localizados entre São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos maiores polos econômicos do País. O segundo fator é nossa forte base industrial, com características de produção de tecnologia, pesquisa e inovação. E o terceiro ponto que contribui para isso é que temos uma mão de obra altamente qualificada em todos os níveis. Quais são os desafios e os problemas da região? A atividade econômica da RM Vale está muito inserida no modelo brasileiro. Portanto, neste momento tão delicado da nossa economia, e 6 DE BIASI EM REVISTA com perspectivas nada boas para os próximos anos, acaba impactando, sem dúvida, o nosso desenvolvimento. Nossa economia está fortemente baseada na indústria hoje inserida numa política equivocada do Governo Federal. Por essa característica, o Vale acaba pagando um preço mais alto do que outras regiões do Brasil. Em minha opinião, os maiores desafios para a RM Vale são enfrentar a questão de competitividade da indústria brasileira, por meio de uma reforma tributária adequada e, consequentemente, com o investimento contínuo em qualificação das pessoas, em todos os níveis: educação básica e média, formação técnica e cursos universitários. Só assim vamos continuar oferecendo condições competitivas para atrair novos investimentos. Quais são os seus principais projetos para o desenvolvimento dos polos industriais da RM Vale?

[close]

p. 7

Adenir Britto/PMSJC Embora, como deputado não possa executar projetos, posso propor leis e apoiar iniciativas no sentido de tornamos o Vale do Paraíba mais competitivo para a instalação e o desenvolvimento de novos polos industriais. Um dos primeiros desafios que teremos de enfrentar é uma reforma tributária que tenha como objetivo principal desonerar salários e a atividade produtiva. O Brasil tem uma carga tributária bastante injusta, que incide, principalmente, sobre aqueles que mais se esforçam e que mais trabalham. Se não mudarmos esse modelo, o Brasil perde competitividade e, logicamente, o Vale do Paraíba deixa de atrair investimentos. Eu pretendo atuar nessa direção no Congresso Nacional. Que tipo de parceria e quais projetos o senhor pretende realizar na região juntamente com o governo de Geraldo Alckmin, durante o seu mandato? Com certeza vou atuar em parceria com o governador Geraldo Alckmin, com quem mantenho uma ótima relação. Tenho certeza que ele vai dar continuidade a obras importantes em andamento, como a duplicação da Rodovia dos Tamoios, investimentos no Porto de São Sebastião, construção dos Hospitais Regionais de São José e do Litoral Norte, entre outras. TREM INTERCIDADES É PRIORIDADE DO DEPUTADO PARA O VALE Entre os novos projetos, temos uma prioridade para o Vale: a implantação do trem intercidades, que vai ligar a região a São Paulo. O trem de passageiros trará mais rapidez e conforto no ir e vir à capital, além de ser importantíssimo para integrar economicamente a Grande São Paulo, melhorando a mobilidade entre as regiões. O senhor foi prefeito de São José dos Campos entre 1997 e 2004. Como deputado federal, quais são suas propostas para a cidade e para a região? Com certeza, vou, sim, atuar na defesa intransigente de toda a RM Vale. Pretendo atuar em parceria com os prefeitos para estabelecer um conjunto de obras e melhorias que possam ser atendidas por meio das emendas parlamentares que apresentarei em prol dos municípios e entidades da região. DE BIASI EM REVISTA 7

[close]

p. 8

AMPLIAR A UNIFESP É META PARA OUTRAS CIDADES DA REGIÃO Qual é a sua proposta para a reforma tributária? O senhor pretende apresentar algum projeto na área tributária? Como já disse anteriormente, temos um sistema tributário perverso, que taxa principalmente o empreendedor e o trabalhador. Hoje, 65% dos impostos recolhidos vão para o Governo Federal, 22% ficam nos Estados e somente 13% são repassados aos municípios. E são justamente os municípios que são obrigados a arcar com as maiores despesas em áreas como saúde, educação e drenagem. As maiores responsabilidades são dos municípios, mas o dinheiro fica praticamente concentrado em Brasília. Defendo um modelo parecido com o adotado na Alemanha, onde os impostos são divididos de maneira igual. Outro ponto que precisa ser revisto é a forma da cobrança. Vou apresentar uma proposta para que o trabalhador possa, por opção, receber todos os seus direitos contabilizados no próprio salário. No caso do empreendedor, temos outra grande distorção. No Brasil, paga-se imposto nas 8 DE BIASI EM REVISTA várias etapas da cadeia produtiva. Isso acaba encarecendo nossos produtos. Proponho um sistema como o modelo americano com uma única taxação no processo produtivo, geralmente no seu final. Com isso, teremos produtos com preços mais competitivos e vamos conseguir gerar mais empregos. O senhor foi responsável pela implantação da Unifesp em São José. Qual é sua proposta para a universidade na RM Vale? Sim, quando fui prefeito de São José dos Campos inauguramos o primeiro campus e doei o terreno para implantação de segundo campus na área do nosso Parque Tecnológico. Na Câmara dos Deputados, vamos atuar no sentido de ampliar a Unifesp para outras cidades do Vale para que tenhamos uma Universidade do Vale completa com campus em cidades como Jacareí, Taubaté, Pindamonhangaba e Litoral Norte. A RMVale é uma das regiões mais desenvolvidas do Brasil e, infelizmente, ainda não temos uma universidade federal completa. Buscar esse objetivo foi uma das principais metas apresentadas na minha campanha e vou batalhar por isso.

[close]

p. 9

DE BIASI EM REVISTA 9

[close]

p. 10

Adotar ou não as novas regras? Eis a questão Renato Vaisbih Receita Federal e CFC fornecem respostas burocráticas e evasivas para definir como deve ser o relacionamento entre escritórios de contabilidade e seus clientes com a entrada em vigor das normas internacionais para todas as empresas brasileiras 10 DE BIASI EM REVISTA

[close]

p. 11

As mudanças anunciadas recentemente pelo Governo – já na forma de lei – vão exigir novas parcerias entre os escritórios de contabilidade e seus clientes. A Lei nº 12.973/2014 obriga que todo o mercado adote as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), convergidas ao padrão das International Financial Reporting Standards (IFRS, na sigla em inglês), que abrange inclusive as pequenas e médias empresas. Publicada em maio, a legislação amplia o acesso da Receita Federal às informações contábeis das empresas, que devem ser repassadas ao Fisco de acordo com as normas contábeis emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), aprovadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). A Lei 12.973/2014 colocou fim ao Regime Tributário de Transição (RTT), que estava em vigor desde 2008, justamente para que houvesse um período de adaptação às IFRS. Com isso, as companhias devem fazer ajustes a partir do lucro societário apurado de acordo com as normas do CPC para calcular o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). É aí que começam os problemas e um jogo de empurra-empurra entre a Receita e o CFC. A legislação prevê punições para os escritórios de contabilidade que não apresentarem os dados de seus clientes no padrão das IFRS, mas, ao mesmo tempo, não faz as mesmas exigências aos próprios clientes. “O contador depende de informações que a empresa precisa disponibilizar. É uma via de mão dupla. Se ela não adota, internamente, os padrões IFRS, eu não posso realizar meu trabalho na forma da lei. Não somos apenas nós, contadores, que pegamos as informações e organizamos. Há clientes que não têm condições financeiras para fazer os investimentos necessários para se adaptar a todas as normas. Como vai ficar a nossa LEGISLAÇÃO PUNE ESCRITÓRIOS DE CONTABILIDADE, MAS NÃO AS EMPRESAS QUE SE RECUSAM A ADOTAR AS IFRS relação com esses clientes?”, questiona Celso Alves dos Santos, sócio-diretor da De Biasi Gestão Contábil (DBGC). Procurada pela reportagem para explicar por que não cria normas de fiscalização que obriguem as empresas a adotarem as IFRS, a Receita não designou um porta-voz. Apenas enviou respostas por e-mail confirmando que não há previsão de multa para as empresas que não adotarem as IFRS. Aliás, o órgão tira o corpo fora e afirma que não prevê autuações nem mesmo para os escritórios de contabilidade e joga tudo nas costas do CFC, deixando evidente que, apesar de as regras forçarem que não se faça mais distinção entre a contabilidade fiscal e a societária, para fins de fiscalização e autuações, isso é um mero detalhe. A Receita insiste que a 12.973/2014 não criou novas regras contábeis. “Ela apenas deu tratamento tributário às regras contábeis criadas pela legislação societária. Em termos tributários não haverá grandes problemas, pois a lei, como regra geral, procura neutralizar os efeitos da utilização nos novos métodos e critérios contábeis. Se a empresa não utilizá-los, simplesmente não terá de fazer os ajustes previstos na lei. Quanto à questão societária, a pergunta tem de ser feita ao CFC ou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”, diz o órgão, complementando que questionamentos sobre a punição aos escritórios de contabilidade também devem ser encaminhados ao CFC. DE BIASI EM REVISTA 11

[close]

p. 12

CFC foge do debate O vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do CFC, Luís Fernando Nóbrega, afirma que “a obrigatoriedade da escrituração contábil e da elaboração das demonstrações contábeis de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, convergidas às IFRS, é do profissional e não é possível autuar a empresa. O que cabe aos Conselhos de Contabilidade é evidenciar se a empresa tem contabilidade e quem é o responsável técnico pela sua elaboração, mas a competência do registro contábil é exclusivo do profissional da contabilidade”. Nóbrega acrescenta que a contabilidade é obrigatória para todas as empresas – com exceção do Microempreendedor Individual (MEI) – e compete aos profissionais da área contábil realizar o trabalho regularmente para essas empresas, de acordo com as NBC. “Assim, os profissionais que elaborarem a contabilidade sem observar as NBC estão sujeitos às sanções ético-disciplinares estabelecidas na legislação da profissão. As penas disciplinares variam de multa, suspensão até a cassação do exercício profissional e as penas éticas podem ser advertência reservada, censura reservada e censura pública”, esclarece o vice-presidente do CFC. A respeito de como fica o relacionamento dos escritórios de contabilidade com os clientes que não fornecerem informações no formato da lei, Nóbrega dá uma resposta evasiva. “A contabilidade brasileira segue as NBCs, já convergidas aos padrões internacionais. A adoção das NBCs é aplicada a todas as empresas. A única distinção é que há algumas empresas que precisam adotar as NBCs convergidas à totalidade das IFRS e outras adotam a ITG 1000, que é o modelo contábil para microempresas e empresas de pequeno porte, que estabelece a aplicação simplificada das IFRS, mas também obrigatória. Nesse sentido, a adoção das NBCs é obrigatória a todas as empresas e a elaboração da contabilidade fora das normas é passível de sanções administrativas no âmbito dos Conselhos de Contabilidade”, tergiversa. AUTORIDADE TERGIVERSA E DÁ RESPOSTAS EVASIVAS O vice-presidente do CFC acredita que as empresas terão benefícios com a adoção das IFRS, mesmo sem que haja uma punição direta. Para ele, as regras “têm como principal objetivo evidenciar a correta constituição patrimonial das empresas, levando-se em consideração as operações realizadas de acordo com a sua natureza. Com a convergência das normas internacionais, as NBCs passam a levar em consideração a essência das operações, em detrimento do formalismo dos registros contábeis. Neste modelo contábil, há maior clareza e transparência das demonstrações contábeis para os usuários dessas informações”, conclui. 12 DE BIASI EM REVISTA

[close]

p. 13

Cliente deve assumir os riscos Está saindo do forno uma pesquisa justamente sobre como são utilizadas as informações contábeis – e seus diferentes formatos, em especial com a adoção das IFRS. Os resultados só devem ser divulgados em meados de 2015 em um trabalho acadêmico liderado pela professora Marta Pelucio, do mestrado profissional de Controladoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, junto com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “Estamos aplicando questionários aos profissionais que elaboram os balanços dentro da empresa e aos que prestam assessoria contábil, os auditores, gestores e analistas”, explica Marta. Ela concorda que é preciso mudar o relacionamento entre os escritórios de contabilidade e os clientes. “Antes, o contador não tinha de conversar com ninguém na empresa para saber, por exemplo, qual taxa de depreciação deveria usar nas demonstrações contábeis. Ele simplesmente aplicava a taxa da regra fiscal. Agora não é mais assim. O contador tem de verificar durante quanto tempo a empresa vai utilizar um determinado equipamento. Mas será que as pequenas e médias empresas sabem essa informação? Não sabem”, sentencia. Ela teme que o mercado volte a fazer a contabilidade apenas para cumprir as exigências do Fisco. “Não podemos deixar a qualidade de lado, com a contabilidade sem condições de ler o que pode ser estratégico para as empresas clientes”, afirma. Marta reconhece que muitas empresas não têm condições – ou vontade – de se adequar às novas regras. Em sua opinião, “para o contador se garantir de que não terá problemas com o CFC, é preciso documentar de alguma maneira que o gestor é responsável pelas informações. Não é a saída mais correta, mas é uma forma que talvez o contador tenha para se resguardar”. Ana Abreu, consultora e professora de IFRS e impostos diretos da Eduk Brasil, também defende a ideia de que os clientes dos escritórios de contabilidade assinem uma carta de responsabilidade caso não queiram arcar com o ônus da implantação de novos sistemas para se adequar às regras internacionais de contabilidade. A consultora reitera ainda que, na prática, a partir de 2015, a contabilidade fiscal deixa de existir e a Receita passa a adotar as normas contábeis para fins tributários. Assim, a consequência para as empresas que insistirem em usar as normas antigas é o risco de incorrer em erros, omissões ou inexatidões, que geram multa de 3% do valor de cada transação que apresentar problemas. Ana Abreu lembra, ainda, dos riscos trazidos aos contadores pela lei de lavagem de dinheiro do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Ele poderá ser corresponsável e indiciado criminalmente, além de arcar com multas previstas na lei. Às vezes, é melhor perder o cliente ou não aceitá-lo, evitando transtornos futuros”, avalia. DE BIASI EM REVISTA 13

[close]

p. 14

não abre mão da qualidade Além da lei anticorrupção, a decisão de aceitar ou manter um cliente também deve considerar a qualidade das informações que ele vai disponibilizar. “Há a exigência de que todos os nossos clientes se adaptem às novas regras, mas alguns não terão condições financeiras em um primeiro momento, mesmo com linhas de financiamento para isso. Então, temos duas opções: rescindir o contrato ou avaliar a situação para fazer com que o cliente se adapte de uma forma paulatina”, defende Celso Alves dos Santos. “Se optamos por cancelar o contrato, evidentemente o cliente vai encontrar outro contador para atendê-lo. Há clientes que não têm interesse em adotar as normas contábeis. Então, ele precisa assumir as responsabilidades. Mas também há os que não conseguem assumir, agora, os custos da mudança. Acredito que pode haver uma resistência inicial, mas depois haverá um consenso de que as mudanças trarão benefícios para todos”, diz o sócio-diretor da DBGC. Ele ressalta que o bom relacionamento entre contadores e clientes vai prevalecer, aliado à qualidade do trabalho da De Biasi. “É um divisor de águas. Vamos explicar as normas contábeis, como as informações devem ser geradas e, posteriormente, como elas podem ser utilizadas de maneira estratégica pelas empresas. Os antigos comunicados, via e-mail, não serão mais suficientes. Somente os escritórios de contabilidade com boa infraestrutura e equipes qualificadas vão conseguir atender a essa necessidade do mercado”, pondera. Cássia Cossermelli Demarchi, sóciagerente da De Biasi Auditores Independentes, diz que o contador passa a ter um papel de também mostrar aos empresários a importância de ter a contabilidade correta, não apenas para cumprir as exigências do Fisco. A taxa de depreciação Um dos pontos que mais chamam a atenção nas novas regras previstas na 12.973/2014 diz respeito à obrigatoriedade de informar a taxa de depreciação dos bens que pertencem às empresas. “Pense naquela empresa com 500 veículos rodando pelo Brasil afora, cada um para uma região diferente. O cálculo para ajustar o valor desses bens a cada ano é praticamente impossível. Alguns exemplos apresentados nos treinamentos realizados pelo CFC são aparentemente simples, pois consideram apenas uma máquina utilizada em uma fábrica. Mas, na prática, as coisas não são assim”, aponta Celso Alves dos Santos, da DBGC. Cássia Cossermelli esclarece também que, “em muitas situações, é necessário um laudo para definir a taxa de depreciação de algum bem. O problema é o custo administrativo para ter esse laudo, que nem sempre é barato. E pode acontecer de o laudo apontar uma depreciação tão pequena que nem fará muita diferença no balanço contábil”. “O contador não sabe quanto tempo uma empresa usará um equipamento. Quem sabe isso é o gestor, que tem prestar essa informação”, confirma a professora Marta Pelucio, do Mackenzie. Para a Receita, as taxas de depreciação não mudam com a nova legislação. Por e-mail, o órgão afirma que “para efeitos tributários aceita-se a depreciação calculada com base nos anexos I e II da Instrução Normativa SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998 (§ 15 do art. 57 da Lei nº 4.506/1964, com redação dada pela Lei nº 12.973/2014)”.Os documentos, disponíveis no site da Receita, apresentam os prazos de vida útil e taxas de depreciação anual para mais de 250 tipos de bens. 14 DE BIASI EM REVISTA

[close]

p. 15

Uma nova contabilidade Também começa a vigorar em 2015 a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e as empresas que não adotarem o novo modelo serão autuadas pela Receita. Trata-se de mais um módulo do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que veio para substituir a Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIPJ) e o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). “É uma ilusão achar que a DIPJ e o Lalur foram extintos. Todas as informações estarão lá na ECF. Só mudou o formato. E o Fisco não precisará mais ir a campo para buscar as informações. Elas chegarão online aos computadores da Receita”, enfatiza Adriana Creni, sócia-supervisora da De Biasi Consultoria Tributária, responsável pela área de Análise de Impostos Diretos. também para fins de fiscalização, o Brasil passa a ter uma nova realidade contábil. Não vai mais existir a contabilidade fiscal – com as definições anteriores a 2007, antes da entrada em vigor do RTT – e a societária. “Tudo vai virar uma unidade, uma contabilidade só. E todos terão de se adequar. Até agora, havia o RTT e a empresa podia optar por se adiantar e utilizar as novas regras. Essa opção deixa de existir. E a ECF faz parte desse caminho sem volta, que não permite mais fazer os ajustes como antes. Não vai mais existir o jeitinho”, pontua. Uma das melhores alternativas para as empresas é um outsourcing confiável, um suporte da auditoria contábil que gere informações de qualidade, uma vez que o Fisco terá acesso a tudo, com uma riqueza de detalhes que jamais existiu no cenário brasileiro. “Os empresários devem recorrer a escritórios de contabilidade com credibilidade, que cumpram o seu papel, invistam na qualificação de seus profissionais e contem com uma área tecnológica com plenas condições para que o trabalho seja desenvolvido de acordo com as regras vigentes”, finaliza Adriana. ESCRITÓRIOS DEVEM TER CREDIBILIDADE E EQUIPES QUALIFICADAS Sobre o Lalur, ela lembra que o livro era exigido apenas das empresas do regime do lucro real e só era entregue quando solicitado pela Receita. “Apesar da obrigatoriedade, nem sempre o Lalur era feito no formato adequado. Muitas empresas faziam planilhas simples no Excel e só detalhavam as informações se fossem intimadas. Agora, não tem mais jeito: todo mundo terá de fazer a ECF e enviar à Receita”, afirma a supervisora. Adriana reforça a ideia de que, com a Receita unificando as IFRS como normas DE BIASI EM REVISTA 15

[close]

Comments

no comments yet