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Boletim Bimestral nº 01

Popular Pages


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Boletim Bimestral Big Time Editora | BT Acadêmica Janeiro/Fevereiro 2015 São Paulo/SP Nº 1 Informações sobre publicação: editorial@bigtimeeditora.com.br Informações sobre antologias e concursos literários: bigtimeeditora@bigtimeeditora.com.br Compra de livros: vendas@bigtimeeditora.com.br com grande prazer que publicamos a primeira edição do nosso Boletim Bimestral, um informativo da Big Time destinado a divulgar projetos e autores que de algum modo têm ou tiveram alguma ligação com esta editora. Além de tentar fazer uma ponte entre autores e leitores, tentará mostrar um pouco do que é a vida de um escritor brasileiro. Em todos os números, pretendemos trazer um especialista das áreas da Educação, da Literatura, da Linguística, enfim, alguém ligado à arte da escrita e do ensino, de modo a expandir nossos conhecimentos sobre o universo das palavras e também do mercado editorial. Se você gostou dessa primeira edição e tem alguma sugestão a dar, estamos abertos a ela. Se quer fazer uma crítica, também estamos preparados para aceitar opiniões contrárias, que, com certeza, farão crescer e melhorar nosso informativo. É Projeto Interpoética: unindo escritores pelo Brasil • Entrevista com os poetas Beto Acioli, de Pernambuco, Marcos Samuel Costa, do Pará, e Carlos Marcos Faustino, de São Paulo, que contam sobre suas experiências como escritores e sobre a ideia e a realização do projeto Interpoética, livro escrito a seis mãos. Shakespeare e a Polêmica da Autoria • Entrevista com o escritor Remo Mannarino, autor do livro Introdução a uma polêmica fascinante. Quem escreveu a obra que se atribui a Willian Shakespeare?, que irá nos mostrar algo mais por trás da chamada Polêmica da Autoria. Seria Shakespeare um mero laranja? Pesquisas na Área de Educação e o Tempo-Memória • Entrevista com a professora e pesquisadora Ana Maria Haddad Baptista, que fala sobre suas pesquisas na área da educação e sobre o mercado editorial do livro acadêmico. Das Antologias e Concursos para uma grande editora • Entrevista com o escritor André Kondo e a experiência de ser publicado por uma grande editora. Nesta entrevista ele fala sobre a importância dos concursos literários e das antologias para a formação do currículo de um escritor. Escola Estadual Eduardo Prado e seus Alunos escritores • Entrevista com o Coordenador Pedagógico da Escola Estadual Eduardo Prado, de São Paulo, Jailson Miranda Monte, sobre o livro Expressões Adolescentes, uma produção dos alunos dessa escola. Audiolivro Colcha de Retalhos e a acessibilidade na literatura • Entrevista com Rodrigo Domit, criador do audiolivro Colcha de Retalhos, uma obra coletiva, destinada a romper as barreiras entre a literatura e a deficiência visual. 1

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Entrevista | Beto Acioli – Marcos Samuel Costa – Carlos Marcos Faustino Interpoética: publicação a seis mãos O livro de poemas Interpoética, escrito pelos poetas Beto Acioli, Marcos Samuel Costa e Carlos Marcos Faustino, nasceu da ideia de integrar autores distantes um do outro fisicamente, mas unidos por um mesmo ideal: o amor pela poesia. De distantes pontos do país eles se integraram e produziram o livro Interpoética, editado pela Big Time Editora neste início de 2015, mostrando em conjunto um pouco da individualidade de cada um. Abaixo, nas palavras de cada poeta, eles falam desta experiência diferenciada, que fica longe de uma Antologia criada nos moldes normais, em que uma editora convida diversos autores para participação em um livro. Neste caso, eles juntaram ideias, debateram as diferenças, idealizaram a capa, e propuseram todas as etapas do projeto, que agora é uma belíssima realidade. O que é o Interpoética? Interpóetica é um neologismo que sugere a interação da poética, tanto no ponto de vista semântico, cultural e principalmente geográfico; é um intercâmbio de ideias e inspirações, um encontro poético fundado no propósito único de irmandade. Quando surgiu a ideia? A ideia de publicar dessa forma surgiu da grande dificuldade em publicar em livros impressos. Publicar em antologias nem sempre é favorável ao autor, visto que algumas editoras, indiretamente, acabam excluindo aquele que quer publicar seus escritos pelos preços que praticam. Em muitas delas o autor participa com apenas um ou dois textos e é obrigado à adesão do sistema de cotas, que muitas vezes extrapola as condições daquele que quer publicar. O que ele representa para os autores? Publicar em coautoria para mim é, além de selar uma amizade, um registro desse intercâmbio poético que nasce dos blogs e das redes sociais onde os poetas publicam. Como se dá a interação entre os participantes? Como acima dito, a interação poética dá-se através dos blogs, O que é o Interpoética? Teoricamente séria a união de nossos trabalhos literários, mas é bem mais que isso. Conheci Beto e Carlos há alguns anos, quando eu ainda estava começando a escrever, produzindo meus primeiros textos. Agora imagine um jovem poeta interagindo com poetas de uma vida toda de produção, tanto Beto quanto Carlos começaram há escrever cedo, com eles aprendi a amadurecer, crescer, e entender muitas coisas, para mim esse objeto-livro impresso, é apenas a consumação do que foi nossa amizade todos esses anos. Aprendi muito com eles, um poeta do nordeste e outro grupos e redes sociais, além dos concursos e antologias em que participamos. Vocês se conhecem pessoalmente? Não, nenhum de nós ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas através das relações praticadas pelas redes é possível se estabelecer uma amizade real ao ponto de realizarmos o projeto. Haverá continuidade? Desde que os interesses sejam mútuos, é possível que haja continuidade, mas é preciso que se tenha a consciência de que um trabalho coletivo requer a colaboração de todos os que estão envolvidos no projeto, o que nem sempre acontece. Mas como o próprio nome do projeto sugere, as participações podem ser mutáveis e acredito que a ideia seja seguida por outros poetas e escritores. O que é a Poesia para você? A poesia, pra mim, funciona como uma autoterapia. Sou um simples entusiasta e sem maiores interesses ao de, apenas, publicar como um registro. Como é seu processo de criação? Tem um horário específico? Um local próprio? Não existe nenhuma regra para que eu componha algo. A poesia nasce de qualquer palavra, basta que nela exista vida e/ ou sentimento, seja este de encantamento ou de consternação. Mesmo que estejamos vazios, tem sempre uma palavra querendo eclodir e é dela em que pode nascer uma poesia. do sudeste, isso me ajudou, meu primeiro contato com a poesia, foi com a produção local de minha cidade, uma poesia chamada marajoara, mas que não chamou-me muita atenção, então comecei a conhecer uma poesia que ia muito além dos meus limites terrestres, sempre morrei na ilha de Marajó, cercado por água e matar, essa leitura e amizade fez-me viajar na poesia. Quando surgiu a ideia? A ideia do livro impresso surgiu numa conversa em conferência, entre nós três no Facebook, um livro que iria unir a poesia de 3 cantos distintos do Brasil. O que ele representa para os autores? Um sonho realizado, podemos não ser conhecidos como tal, mas somos a poesia do Brasil atual, não deixamos ela acabar, poesia para mim, é de certa forma uma coisa santa, não faço por dinheiro ou por status, mas pelo fato de ser poesia, vivo porque escrevo, amo a poesia. 2

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Como se dá a interação entre os participantes? Sempre boa, mantemos um contato pelo facebook, pelo e-mail, e também pelo WhatsApp (eu e Carlos), discutimos a escolha do nome do livro, e falei, só não quero que tenha o colocação de “Antologia” pelo meio, mesmo sabendo que no grego a mesma significa coleção de flores, porque vejo esse trabalho como um livro de fato, em co-autoria, meus textos que estão nesse livro, só estão nele, não publiquei e não vou publicar em outro livro. Vocês se conhecem pessoalmente? Não, mas é como se nos conhecesse, trocamos ideia, angustias, segredos, anseios, sonhos, como amigos que se veem sempre ou às vezes, mas o fato é que somos amigos, sempre quando vou dormir oro por Beto e Carlos, até hoje. Haverá continuidade? Penso que sim, creio que sim, vou orar para que sim. O que é Interpoética? Interpoética é o encontro numa mesma obra de três poetas, três estilos, três vivências, integrando o Brasil desde Ponta das Pedras no Pará, passando por Recife em Pernambuco e chegando a Tupã no Estado de São Paulo. É como se fosse um sarau de três amigos que através da poesia se conheceram trocando experiências, sonhos, desejos, planos, poeticamente falando. Quando surgiu a ideia? A ideia surgiu duma conversa in box no facebook há muito tempo. Queríamos mostrar ao país, ao mundo enfim, que a poesia também une as pessoas. Queríamos também deixar registrado pra eternidade esse nosso encontro, O que ele representa para os autores? Representa a realização de um sonho. Um sonho de transpor os limites de tempo e espaço, tanto no sentido de deixar um registro desta obra pra tempos vindouros como também compartilhar as nossas emoções e inspirações em forma de verso. Uma forma de conhecer outras formas de expressão de sentimentos e vivencias. Como se dá a interação entre os participantes? Conhecemo-nos através do facebook, trocamos e-mails. Compartilhamos nossos blogs e mesmo sem nunca nos termos visto podemos dizer que agora somos mais que poetas, somos amigos. O que é a Poesia para vocês? Tente perguntar para as aves o que é as asas para elas, ou pergunte para o mar o que é o vento, talvez assim entenda o que é a poesia para mim. Minha mãe sempre brigava, dizia: tu trabalha só para comprar livros, compra menos uma roupa para ti. Como é seu processo de criação? Tem um horário específico? Um local próprio? Passo até meses sem escrever uma poesia, e às vezes, escrevo varias numa mesma semana, não é quando eu quero, mas quando ela quer vir. Poesia para mim, é trabalho, dedicação, silêncio, entrega; leio bastante poetas, seja paraenses, brasileiros, ou internacionais, assim como artigo sobre poesia, documentários, leio biografias de escritores, para quem saber poder fazer um bom texto. Nunca tive horário para escrever. Gosto de escrever perto de uma janela, sempre escrevo perto de uma janela. Vocês se conhecem pessoalmente? Ainda não, mas um dia, se Deus quiser, poderemos nos encontrar quer seja no Pará, quer seja em Pernambuco, quer seja em São Paulo. Seria muito interessante um lançamento com os três juntos, reunidos num só lugar. Haverá continuidade? O desejo de todos é pra que haja sim. O processo foi apenas iniciado. O que é Poesia pra vocês? Pra mim é isso: “A chama angelical que desce ao mundo” “Deixemos nossos versos por conta do vento,/ Estampas de vida pra historia que fica,/ Tantas impressões sussurradas, pressentidas,/ Através das mãos pro branco do papel escritas.” “E que em algum tempo todas essas emoções,/Despertem das páginas pra inundar os corações,/Pra colorir as almas, pra levar também a calmaria,/Pra adocicar com rimas se houver amargor nos dias” “ Poesia sempre é prenuncio de energia,/ Que nos toma todo o corpo e alma em sincronia,/ Que nos leva na mais longa viagem em segundos,/Poesia, a chama angelical que desce ao mundo.” Como é o seu processo de criação? Tem um horário específico? Um local próprio? A poesia pra v ir não escolhe dia, não escolhe hora nem momento. Pode surgir num sonho, numa meditação, nas notas de uma canção. Às vezes na madrugada, as vezes ao meio dia. Às vezes duma saudade que já não cabe e que por momentos nem se sabe donde surgiu. Às vezes vem num sussurro silencioso nos nossos ouvidos. É isso. Publique sua Tese/Pesquisa pela BT Acadêmica editorial@bigtimeeditora.com.br 3

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Entrevista | Profª. Ana Maria Haddad Baptista Breve Currículo: Mestra e doutora em Comunicação e Semiótica PUC/SP. Pós-doutoramento em História da Ciência PUC/SP. Pesquisadora e professora da Universidade Nove de Julho de São Paulo. Autora de diversos livros, entre eles, Educação & Leituras: esferas de conceito-poeticidade pela BT Acadêmica. pesquisado muito a respeito de temporalidades e subjetividades relacionados com o processo educacional. Nessa medida, pesquiso, na prática e na teoria, as formas de tempo e de memória que marcaram as grandes épocas e a contemporaneidade, assim como suas influências na Educação e na dimensão subjetiva do professor. 3. Quais são as principais relações entre a teoria e a prática, especificamente, na área educacional? De um modo geral as pessoas tendem a confundir os conceitos de teoria e prática. Como se fossem conceitos indissociá- 1. O que é pesquisa na área da Educação? Pesquisa na área da Educação significa um compromisso extremo de responsabilidade na investigação e análise do que ocorre em todas as esferas da área educacional. Toda pesquisa séria exige profundidade. Nessa medida, se dá por especialidades. Há pesquisadores que atuam, por exemplo, na linha de currículos. Outros atuam na linha de metodologias. Ou seja, há dezenas de linhas de investigação na pesquisa em Educação. 2. Quais são suas principais linhas de pesquisa? Tenho uma carreira (quarenta anos) de pesquisa aliada ao magistério. De dez anos para cá tenho pesquisado, com maior ênfase, problemas relacionados à educação, linguagens e literatura. Também tenho veis. Na verdade a teoria não existe sem a prática . A prática não existe sem a teoria. Em outras palavras: há muitos professores e pesquisadores que fazem projetos de intervenção. O que seria um projeto de intervenção? Um projeto que possa ser aplicado, de imediato, numa escola, por exemplo. Geralmente são projetos que buscam melhorar determinados setores da escola. Potencializar, por exemplo, a biblioteca com projetos de intervenção a respeito de leitura e literatura. E, desta forma, houve, antes, uma teoria para ser aplicada na prática. 4. Como está o mercado editorial acadêmico no Brasil? O texto acadêmico, via de regra, é visto como chato, cheio de regras, monótono e com teorias muito especializadas. Por um outro lado, a crescente obrigatoriedade de aperfeiçoamento de professores tem favorecido as publicações no mercado acadêmico. Contudo, ressalto que nem todos os textos acadêmicos são chatos e sistemáticos. Muitos textos acadêmicos possuem um alto grau de sedução. Muitos exploram temas de interesse social. Nessa medida, o mercado editorial se expande devido à demanda de textos. A busca pelo conhecimento nunca esteve tão em alta, se compararmos com épocas anteriores. Creio que o mercado editorial acadêmico nunca esteve tão potencializado. Participe das Antologias Big Time Editora 1) ANTOLOGIA DE OUTONO 2015 2) ANTOLOGIA MULHERES ESCRITORAS - VOLUME 2 3) ANTOLOGIA PROFESSORES ESCRITORES Nessas antologias, 15 páginas por autor, mais página de apresentação/biografia | mínimo 6 autores / máximo 12 autores Condições de participação para Antologias 1 (outono) | 2 (mulheres) | 3 (professores): • Condição 1: R$ 300,00 à vista. Ou: 2 parcelas de R$ 165,00 ==>>> 20 exemplares • Condição 2: R$ 250,00 à vista. Ou: 2 parcelas de R$ 140,00 ==>>> 15 exemplares • Condição 3: R$ 200,00 à vista. Ou: 2 parcelas de R$ 120,00 ==>>> 10 exemplares As antologias da Big Time Editora tem como objetivo publicar novos autores, inéditos ou não, de forma a aumentar seus currículos literários. 1º SEMESTRE/2015 4

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Entrevista | Remo Mannarino Seria William Shakespeare apenas um laranja? Remo Mannarino trata do assunto magistralmente no livro de sua autoria, Introdução a uma polêmica fascinante. Quem escreveu a obra atribuida a William Shakespeare? Após a leitura do livro, você conhecerá uma das maiores polêmicas da literatura mundial, assunto debatido por grandes escritores e pensadores que sempre duvidaram da extensa produção literária do autor inglês. Breve currículo Remo Mannarino, nascido em Muriaé, Minas Gerais, em 21 de novembro de 1938. Engenheiro de petróleo aposentado, autor dos livros “Introdução à Engenharia Econômica” (livro técnico), “Hamlet e Macbeth Nasceram em Muriaé” (contos), “O Homem Horizontal” (romance) e “Quem Escreveu A Obra Que Se Atribui A William Shakespeare?” (ensaio). De onde surgiu a ideia de escrever sobre a polêmica sobre Shakespeare? Foi no ano 2000 que tomei conhecimento da polêmica, quando adquiri “Who Wrote Shakespeare?”, um livro britânico de 1996, de autoria de John Michell. Decidi aprofundar-me no tema e nos anos que se seguiram fui obtendo outros livros que tratavam do assunto e, mesmo sem perceber, tornei-me um quase-especialista na “Authorship Question”. Por outro lado, quando comentava sobre o assunto com amigos, o que havia era desconhecimento total da questão. As pessoas reagiam com perplexidade e, algumas vezes, com indignação. Eu tinha de explicar que era uma polêmica claramente estabelecida, discutida em milhares de livros, sobretudo ingleses e norte-americanos, e não uma brincadeira ou capricho de minha parte. Tive por isso a ideia de escrever o livro, com a intenção de apresentar a controvérsia ao conhecimento dos leitores brasileiros. Quanto tempo durou a pesquisa e quantos livros foram lidos? Cerca de dez anos, a partir do ano 2000. Não foi uma pesquisa em tempo integral, muitas vezes descontinuada durante meses por causa de outros projetos, como o romance que publiquei em 2006, “O Homem Horizontal”. Consultei mais de 30 livros dedicados à polêmica, importados da Inglaterra, dos Estados Unidos e até da Austrália. Tive também de me aprofundar em algumas peças, como “Hamlet”, “Henrique V”, “Ricardo II”, “Ricardo III”, “A Megera Domada”, “O Mercador de Veneza” e “A Tempestade”. Só para argumentar, é fascinante saber que há duas versões do “Hamlet”, o “Q1” (1603) e o “Q2” (1604), este último com as emendas feitas pelo autor, seja este quem for, após uma viagem à Dinamarca. Ou que, no “Mercador de Veneza”, a heroína “Portia” foi buscar assessoramento de natureza jurídica com o paduano “Bellario”, nome de uma família tradicional de advogados ainda hoje atuante em Pádua. Ou, ainda, conhecer a fala na “Tempestade” que corresponde a um texto dos “Ensaios”, de Michel de Montaigne. Acha que algum dia teremos uma certeza sobre quem escreveu o quê? Essa questão é muito complicada, pois a polêmica só se resolverá com o surgimento de provas, por exemplo, os originais das peças, cartas alusivas às mesmas escritas pelo autor ou documentos semelhantes. O pior é que as esperanças de que isso ocorra são cada vez menores. Enquanto isso, resta-nos uma escolha de Protágoras: não a da verdade, mas a da sua melhor versão. Não se deve, porém, descartar a possibilidade de desvendar a questão. Isso nunca deu certo na ciência, por exemplo, como no caso de Augusto Comte, um expoente francês do século XIX, que manifestou por escrito a opinião de que nunca seríamos capazes de estudar a estrutura química e mineralógica das estrelas. Dois anos após a morte de Comte, Robert Bunsen e Gustav Kirchoff, cientistas alemães, inventaram o espectroscópio, um dispositivo que, com examinar a luz das estrelas, fornece de pronto as informações que Comte considerou fora do nosso alcance para sempre. Tenho para mim, muito para mim, que é menos arriscado achar difícil a ocorrência de um evento científico ou literário do que afirmar categoricamente que ele jamais ocorrerá. Conhece outras polêmicas como essa? Conheço, sim. O britânico Francis Carr, escritor, biógrafo e crítico de arte, um dos líderes dos Baconianos, acredita que Francis Bacon também escreveu o “Dom Quixote” e que Cervantes (1547-1616) foi apenas o seu “front man” (“laranja”), conforme postula em seu livro “Who Wrote Don Quixote?”. Parece ser uma voz isolada, sem configurar ainda uma polêmica consolidada. Para Carr, os espanhóis só deram importância ao livro 150 anos após sua primeira publicação, em 1605, mas o livro foi traduzido para o inglês logo em 1612, com grande recepção por parte dos ingleses. Acha ele que os temas de Cervantes são ingleses, não espanhóis, e até afirma que pode provar em cada página que não se trata de obra de espanhóis, mas de um inglês: Francis Bacon. Pergunta ele: – Que prova existe de que Cervantes escreveu o “Dom Quixote”? Não existe nenhum manuscrito, carta, diário, testamento ou documento de nenhuma natureza indicando que Cervantes foi o autor da obra-prima. Nenhum retrato, nenhuma referência no túmulo, nem registro de algum pagamento recebido pela obra. – E o que sabemos sobre Thomas Shelton, cuja tradução da obra para o inglês vem merecendo os louvores de historiadores literários desde que apareceu na Inglaterra em 1612? Não sabemos absolutamente nada, porque Thomas Shelton não existiu, sendo este um nome fictício encobrindo mais uma ação oculta de Francis Bacon. 5

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– Você também fala no seu livro da questão do Cide Hamete Benengeli. – Sim. “Cide Hamete Benengeli” é um personagem do Dom Quixote, que não participa das aventuras quixotescas, pois apenas mencionado por Cervantes. A partir do Capítulo IX do “Dom Quixote”, Cervantes repete 33 vezes que “Cide Hamete Benengeli”, um historiador árabe, era o verdadeiro autor da obra, sendo ele, Cervantes, o “padrasto”, não o pai do livro. Normalmente se diz que Cervantes o menciona para facilitar sua extensa narrativa. Mas a verdadeira razão é a seguinte: “Cide” é um título espanhol, equivalente a “Lorde”; “Hamete”, claro, vale por “Hamlet”; “Ben” é “filho”, em hebreu; “Engeli” vale por “England” (“Inglaterra”). Qual a conclusão? – Qual? – Cide Hamete Benengeli significa: Lord Hamlet, son of England, ou seja, Francis Bacon. Qual sua opinião sobre a polêmica shakespeariana? (a) A obra, grandiosa, foi abandonada, criando a necessidade do First Folio, em 1623. Isso complica tudo. Ainda bem que houve o First Folio, pois de outro modo grande parte das peças shakespearianas teria se perdido. Metade da mesma não tinha sido encenada nem publicada! E se perderia para sempre... (b) Para mim, usando palavras de Dickens, trata-se de um fino mistério: Não acredito que Shakspere seja o autor procurado, mas não tenho nenhuma solução para a controvérsia. (c) Respeito a preferência da maioria dos Heréticos por Oxford, mas não descarto outras soluções. (d) Tenho alguma inclinação pela teoria grupista, que ajuda a explicar o alcance e grandiosidade da obra, mas sou o primeiro a admitir que a existência de um grupo autor é improvável, pela uniformidade estilística do conjunto e pela total ausência de informações que essa existência haveria de gerar. Além disso, se a autoria fosse de um grupo, o grupo inteiro teria renunciado à glória de assumir a obra mais importante de todos os tempos. Muito improvável... (e) Nutro muita simpatia pela Condessa de Pembroke. Algumas comédias de Shakespeare têm um viés marcadamente feminino, como “Mercador de Veneza”, “Trabalhos de Amor Perdidos” e “Alegres Comadres de Windsor”; além disso, as peças mostram injustiças contra mulheres, como em “Hamlet”, “Muito Barulho por Nada”, “Conto de Inverno” “Cymbeline” e “Othelo”. Há ainda, a favor dessa tese, a dedicatória do First Folio aos filhos da Condessa de Pembroke e o enredo feminino dos sonetos. Como é seu processo de criação? Tem um horário específico? Um local próprio? Nada especial. Transformei um quarto do meu apartamento em escritório e escrevo meus textos utilizando o computador. Escrevo durante o dia, sem observar horários, e às vezes fico vários dias sem escrever, lendo ou ocupado com outras atividades. Qual seu próximo projeto? Estou concluindo um livro sobre cientistas, mostrando seu papel e sua importância para a ciência, eventualmente acrescentando seus dramas, curiosidades e excentricidades. Não se trata de biografias, mas de relatos específicos sobre feitos e vicissitudes de alguns dos principais cientistas, desde Tales de Mileto até Stephen Hawking. Para adquirir o livro: ISBN: 978-85-65847-34-6 Formato: 16x23 | 236 páginas Preço: R$ 30,00 (+ despesas de correio) vendas@bigtimeeditora.com.br Promoção 2015 – Publique seu Livro Solo contos / crônicas / poemas / pensamentos / romance Lance seu livro em condições imperdíveis. Abaixo as condições para fechamento até 28/02/2015. Medida: 14x21 Páginas: até 100 Miolo: Impressão PB, papel offset 75 gr. branco Capa: Colorida, duas orelhas, papel cartão 250 gramas Acabamento: livro costurado e hotmelt, laminação fosca ou brilho • 100 Exemplares R$ 1.400,00 (R$ 14,00 unitário) • 200 Exemplares R$ 2.400,00 (R$ 12,00 unitário) • 300 Exemplares R$ 3.000,00 (R$ 10,00 unitário) • 500 Exemplares R$ 4.500,00 (R$ 9,00 unitário) Incluso: Diagramação, revisão básica, desenvolvimento de capa, ISBN, divulgação em nosso blog e página do facebook, marca páginas na mesma quantidade dos livros, laminação brilho ou fosca, livros costurados. 1) FORMA DE PAGAMENTO: até 3 vezes, sendo a primeira na aprovação do orçamento/envio do texto (até 28/02/2015), e as demais a cada 30 dias. 2) PRODUÇÃO GRÁFICA: diagramação, desenvolvimento de capa, revisão, envio de provas e acertos das emendas pedidas duram aproximadamente 30 dias, desde que o autor responda rapidamente aos emails enviados e confira as provas em PDF. 3) ENTREGA DO LIVRO PRONTO: aproximadamente 30 dias após a aprovação da diagramação da capa e miolo. 4) TAXA DO CORREIO: por conta do autor. 6

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Entrevista: Jailson Miranda Monte Em novembro de 2014, em conjunto com a Escola Estadual Eduardo Prado, da cidade de São Paulo, concluímos a primeira fase de um projeto que tínhamos em mente desde a fundação da Big Time Editora: a produção de um livro com textos de alunos do Ensino Fundamental. Com o apoio do coordenador pedagógico e do diretor da escola, selecionamos uma série de textos escritos por alunos da 4ª a 7ª séries, entre poemas, contos e crônicas, que depois de revisados se transformaram no livro Expressões Adolescentes, título escolhido pelos próprios alunos/escritores, em reunião e votação democrática. Abaixo e ao lado temos a opinião do Coordenador Pedagógico Jailson Miranda Monte, que fala sobre a importância de os alunos perceberem que podem dar voz aos seus pensamentos, sentimentos, fantasias e desejos através do texto literário, um trabalho que muito além do cunho individual, pode ser direcionado ao estudo dos gêneros textuais. Para 2015, a ideia é ampliar esse projeto e para tanto convidamos escolas interessadas, estaduais, municipais e particulares, professores de Letras e Literatura em especial, a produzir juntamente com seus alunos uma obra que certamente ficará para sempre na mente de quem dela fizer parte. Veja a opinião do corrdenador da E. E. Eduardo Prado sobre o livro Expressões Adolescentes. O que representa para você, para a escola e para os alunos o livro Expressões Adolescentes? Representa muito porque aponta para refletir sobre como temos trabalhado e para estabelecer novas ações pedagógicas. Além disso, e de maior importância, desenvolve no aluno a criatividade e autonomia em seu processo de aprendizagem. é a quantidade de aula e a preocupação exagerada em trabalhar todo o conteúdo. Participar de um projeto desse também exige do professor um novo olhar sobre suas práticas. É possível transformar essa iniciativa em um Projeto Pedagógico regular, de modo a fazer com que o aluno passe a gostar de Literatura, em especial de Poesia? É possível. Mas é preciso abordar temas que interessem ao aluno, ler com ele textos e obras diversificadas que, de certa forma, tenham significado para ele. Nesse momento, é de fundamental importância a participação do professor-leitor em detrimento do professor limitado ao conteúdo. Faz-se necessário desautomatizar o professor. Para 2015 teremos um novo livro da Escola Estadual Eduardo Prado? Para este ano, estamos trabalhando com a possibilidade de produzirmos um livro de poemas e outro de contos. O que mais você tem a dizer sobre esse livro? Despertou nos alunos interesse em participar mais da escola como espaço onde é possível ir além do que é prescrito pelo programa. Para os professores, embora ainda de maneira tímida, a certeza de que o aluno não tem todo seu potencial desenvolvido pela maneira como se vem trabalhando. Esse tipo de projeto pode influenciar positivamente no gosto do estudante pela leitura? É preciso trabalhar o currículo de maneira significativa, ou seja, é necessário que o aluno possa estabelecer pontes de significado entre o que aprende na escola com o que vive em seu cotidiano. Daí a importância de a escolar considerar as experiências vividas pelo aluno fora do ambiente escolar. É possível incrementar iniciativas como essa, ampliando a participação de professores de outras disciplinas, e não só os de Língua Portuguesa? É possível, mas o processo é lento porque nem todos os professores têm interesse nisso por várias razões. Uma delas Convidamos alunos, professores, coordenadores e diretores de escolas públicas e particulares a participar desse projeto. Incentive a leitura e a escrita, publicando um livro da sua escola. Entre em contato pelo email: editorial@bigtimeeditora. com.br Convite Participe das Antologias Big Time Editora As Antologias da Big Time Editora são destinadas a quem nunca teve textos publicados ou para quem quer aumentar seu currículo literário Contos | Poemas Pensamentos | Crônicas ======================== editorial@bigtimeeditora.com.br 7

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Entrevista | André Kondo O escritor André Kondo fala da experiência de ser publicado por uma grande editora, a FTD Breve Currículo: André Kondo é autor dos livros Além do Horizonte, Amor sem Fronteiras (Prêmio Paulo Mendes Campos – UBE-RJ), Contos do Sol Nascente (Prêmio Bunkyo de Literatura, M. H. Prêmio Esfera das Letras, Prêmio ProAC – Governo de São Paulo), Cem pequenas poesias do dia a dia (Prêmio de Literatura UNIFOR), Palavras de Areia (Prêmio Alejandro Cabassa – UBE-RJ, Prêmio Estímulo de Cultura), Jabuti sabe voar? (Prêmio Maria Osternach Pedroso), Alguém viu minha mãe? (Prêmio CEPE de Literatura) e O pequeno samurai (M.H. Prêmio Nacional de Literatura João-de-Barro). Recebeu mais de cem prêmios literários, no Brasil, Japão e Portugal. Pós-graduado pela University of Sydney, morou na Austrália e no Japão, tendo viajado por 60 países. Vive de literatura, escrevendo e também ministrando oficinas de criação literária. www.andrekondo.blogspot.com.br Fale sobre o livro publicado pela FTD Em 2009, escrevi o meu primeiro livro para crianças, O pequeno samurai, especificamente para me inscrever no Prêmio João-de-Barro. O interessante desse concurso literário é que ele era composto por dois júris, o técnico adulto e o infantil. Na ocasião, acabei ficando em segundo lugar em ambos. Foi emocionante, não apenas por ver nomes importantes da literatura escolhendo minha obra, mas sobretudo por ver que as crianças também haviam gostado da história. O pequeno samurai narra a viagem do menino Yuji, em um navio desde o Japão ao Brasil, passando por Cingapura, Ceilão e África. Com a ajuda do avô, ele descobre que é um samurai e que, por isso, ele deveria seguir as virtudes dessa classe de guerreiros, que o capacitariam a enfrentar as novas situações que ele viria a enfrentar pelo caminho. Assim, ele descobre que “o mundo é cheio de gente, que parece bem diferente, mas que tem o sorriso bem igual”. E mais, acaba descobrindo que no Brasil também existem samurais. Eu quis escrever uma história que, além de divertida, passasse uma mensagem positiva para as crianças, e encontrei no bushido uma forma de fazer isso, expondo as suas sete virtudes: justiça, coragem, compaixão, educação, sinceridade, lealdade e honra. Qual a sensação de ser publicado por uma grande editora? Você já teve um sonho realizado? A sensação é a mesma. Algum tempo depois de saber o resultado da premiação de “O pequeno samurai, enviei um e-mail para a FTD, apresentando a obra e citando a sua classificação no João-de-barro. Foi tudo muito rápido, contrariando o que geralmente acontece. Enviei uma cópia impressa e em seguida recebi a aprovação da editora, que me enviou o contrato para ser assinado. Isso foi no começo de 2010. Foi uma longa espera a partir de então, com a obra sendo lançada apenas em 2014. Quando recebi o primeiro exemplar e vi a dedicatória do livro, chorei. Adornado pelas flores de cerejeira, belamente ilustradas por Alexandre Rampazo, eu li: “Aos meus avós, em especial à minha querida batchan de alma samurai: Chiyoko Matsushita”. O livro tem muito dela, que sempre me ensinou valores muito importantes para a minha vida. Cometi muitos erros e me perdi várias vezes pelo caminho, mas minha avó era como uma luz a me guiar no caminho de volta, assim como os meus pais. Queria passar um pouco dessa luz no meu livro. Enquanto planejava como seria o lançamento da obra, uma coisa muito triste aconteceu. Minha avó faleceu... Ela nunca chegou a ler a dedicatória do livro, que coloquei entre suas mãos no funeral. Às vezes, perdemos tempo demais planejando em como comemorar a realização de nossos sonhos, nos esquecendo do principal, que é simplesmente estar ao lado das pessoas que nos ajudaram a realizá-lo. Eu poderia ter apenas entregue o livro para a minha avó, em uma tarde qualquer. E ver os seus olhos correndo sobre a dedicatória... E o seu sorriso seria a maior prova da realização do meu sonho, a maior festa. Enfim, realizar sonhos é bom, mas estar ao lado das pessoas que amamos na realidade do dia a dia é ainda melhor. Minha avó, mais uma vez, me ensinando uma bela lição... Qual sua visão sobre antologias e Concursos literários? Sem os concursos literários, eu já teria desistido de ser escritor. Em 2009, eu havia me dado um ultimato. Em 2003, saí da Universidade de Sydney com uma convicção: eu seria um escritor. Muita coisa aconteceu até eu lançar o meu primeiro livro em 2008, viajei o mundo, dormi nas ruas, perdi pessoas. Meu padrasto pagou para que eu pudesse publicar “Além do horizonte”, dedicado ao meu melhor amigo, que perdi durante a minha obsessão de me tornar um escritor. No ano seguinte lancei o livro “Amor sem fronteiras”, com um pedido de casamento à minha musa, também patrocinado pelo meu padrasto. As obras trouxeram grande satisfação e alegria, mas também uma tremenda frustração, pois me deram um prejuízo considerável. Na época, estava morando em uma casinha de fundos, e minha musa pagava as contas. Apesar de todo o amor dela e da minha família, que me apoiava em meu sonho, eu me sentia muito mal. Fiz então uma promessa de abandonar o meu sonho literário e voltar a trabalhar em “algo normal” se até o final daquela ano de 2009 eu não ganhasse nada com a minha escrita. Não poderia sustentar o peso do meu sonho nas costas de quem eu amava, lição que aprendi duramente com o meu pai. A diretora da biblioteca de Jundiaí, Neizy Cardoso, me incentivou a participar da Olimpíada de Redação, cujo prêmio era de 2 mil reais para o vencedor. Em novembro, via o resultado desse concurso como a minha última chance. Na cerimonia de premiação, chamaram o terceiro lugar, o segundo... e eu já havia me levantado, dirigindo-me à saída, quando ouvi o meu nome. Foi assim que ganhei, de fato, o primeiro dinheiro com a minha escrita. Em seguida, veio a publicação de meu conto na antologia da UFF em dezembro, além da minha classificação no 8

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João-de-Barro. Nos anos seguintes, ganhei vários prêmios e fui me mantendo. Vi meus trabalhos em dezenas de antologias, incluindo em livros da Big Time. A partir de então, publiquei livros sem tirar dinheiro das pessoas que me amavam e até tive a alegria de arrecadar um total de 16 mil reais, doados integralmente a entidades beneficentes, como forma de agradecimento por todas as bençãos que recebi para que eu conseguisse realizar o sonho de me tornar um escritor. Tive a oportunidade de fazer isso graças a editais de incentivo à cultura das secretarias de cultura do estado de São Paulo e da cidade de Jundiaí. Sendo assim, acredito que os concursos e editais literários são um ótimo caminho para quem quer se tornar um escritor. Tanto penso assim que tenho a honra e o orgulho de fazer parte da equipe de um blog que divulga editais literários, capitaneado pelo Rodrigo Domit e com um time de pessoas incríveis que acreditam na literatura. Quem quiser acessar o blog: www.concursos-literarios.blogspot.com.br Boa sorte! E, sobretudo, bom trabalho! Qual o próximo projeto? Estou tentando escrever um livro muito especial, de um garoto chamado Hikaru. Pensei em várias formas de contar a história dele, mas realmente é muito difícil. Como escrever uma história alegre de uma criança que morreu de câncer? Um garoto alegre e bondoso que emocionou toda uma comunidade? Entrevistei dezenas de pessoas que o conheceram, e vi nos olhos de cada um que o brilho do Hikaru ainda estava lá. Uma pessoa até declarou que nunca havia chorado em um velório, nem no da própria mãe, mas que no do garoto...não conseguiu segurar as lágrimas. Uma creche está sendo construída na cidade e já tramita na câmara municipal a ideia de homenagear o menino com o nome do local. Nada mais justo, já que Hikaru sempre acolheu dentro de si a energia e a peraltice de mil crianças, e que ainda mantinha em seu coração toda a alegria, inocência e bondade da infância. Como é seu processo de criação? Tem um horário específico? Um local próprio? Muita gente tem curiosidade em conhecer o processo de criação de um autor, focando a parte da “criação” e se esquecendo do “processo”. O que quero dizer é que a criação para mim não é apenas a hora em que liberto as palavras no papel. É também, sobretudo, como elas foram parar dentro de mim primeiro. O processo começa desde o dia em que nascemos, tudo o que nos cerca é matéria criativa sendo armazenada. Depois, passamos a misturar, a rearranjar cada lembrança, experiência e sentimento para finalmente “recriar”. Em relação ao horário e local para criação, isso depende muito mais do meu tempo e espaço de dentro. Quando começo a escrever uma história, eu passo a vivê-la. Posso estar em casa, mas se começo a escrever sobre um personagem no Japão ou mesmo em um lugar que só existe na minha cabeça, é para lá que eu vou. Controlo o horário também, posso viver o ontem e o amanhã ao mesmo tempo. Pode parecer um pouco confuso, mas não há hora e local melhor para escrever do que aquele que você mesmo cria para isso. O que é ser escritor para você? É ser. Simplesmente isso. Para mim, ser escritor é ser... Concursos Literários Big Time: Descobrindo novos talentos Por que realizar um concurso literário? Todo editor sonha em encontrar um novo Paulo Coelho, uma nova J. K. Rowling. Nós, da Big Time Editora, pensamos ser essa uma boa maneira de garimpar nosso ouro. Sendo assim, vemos nossos concursos como uma mina carregada de pedras preciosas e/ou metais preciosos. E em relação à qualidade dos textos? Podemos dizer que os autores sempre nos surpreendem, tanto com os poemas quanto com os contos. No geral, vemos no gênero Conto uma grande quantidade de escritores que merecem ser publicados por uma grande editora. Em nosso primeiro Concurso, publicamos 4 livros de contos (Sangue, Suor e Palavras Mal Dormidas volumes I, II, III, IV) e 2 livros de poemas (Versos Soprados Pelos Ventos do Outono volumes I e II). Além de um livro temático, As Muitas Faces da Morte, com contos que falam sobre a morte de diversas maneiras. No segundo publicamos 3 livros, sendo um de contos (Contos de Ocasião), um de crônicas (Crônicas selecionadas) e um de poemas. O que podemos dizer é que é uma tarefa inglória para os selecionadores escolher 15 ou 20 contos e 50 a 60 poemas, que farão parte dos livros das suas respectivas categorias. E por que a categoria Romance apenas em 2015? Sempre houve uma cobrança por essa categoria e sempre tivemos a intenção de colocá-la em nossos concursos. Mas precisávamos melhorar nossa ainda pequena estrutura. Não temos ideia ainda da quantidade de textos que receberemos, mas temos quase certeza que passarão de uma centena. E sabemos que não é fácil pinçar 3 livros e taxá-los como os melhores. É muita responsabilidade. Como descrever os participantes dos concursos? A quantidade de material recebido é muito grande, assim como a quantidade de inscritos. Recebemos textos dos quatro cantos do Brasil e também do mundo inteiro. Neste ano decidimos restringir a participação a autores residentes apenas no Brasil. Como qualificação profissional, temos Médicos, Engenheiros, Professores, Militares, Empresários, Religiosos, Operários, Bancários... a veia literária não escolhe profissão. Qual a expectativa para o concurso de 2015? Teremos grandes livros, com toda certeza. Talvez publiquemos 2 de contos, 2 de poesias, que somados aos 3 da categoria romance, somarão 7 livros com muitos autores novos que nunca imginaram verem seus textos em livro. Para uma editora minúscula como a nossa, podemos dizer que estamos fazendo a nossa parte neste processo de renovar a literatura nacional. O grande problema ainda é vender os livros do concurso. Mas como não pensamos muito na questão do lucro em relação a esse projeto, podemos dizer que nunca nos decepcionamos. Na verdade, é um prazer muito grande publicar esses novos autores. 9

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Entrevista | Rodrigo Domit Conheça o audiolivro Colcha de Retalhos, obra literária coletiva produzida por Rodrigo Domit, voltada à pessoas cegas ou com dificuldades de leitura Domit, fale sobre o audiolivro Colcha de Retalhos O audiolivro Colcha de Retalhos é uma obra coletiva voltada à acessibilidade de uma obra literária para pessoas cegas, com baixa visão ou outras dificuldades de leitura. O objetivo do projeto é garantir a acessibilidade desta obra e estimular outros autores e editoras a pensarem na acessibilidade de suas obras e catálogos. Como surgiu a ideia de sua realização? Você convive ou trabalha com pessoas com alguma dificuldade de leitura? Eu já desenvolvi alguns projetos junto ao Instituto Muito Especial, fiz um curso básico de Libras e busco sempre participar de discussões voltadas à acessibilidade das cidades, das instituições públicas e também das artes. Eu já pensava em converter para audiolivro, mas não sabia como ia fazer. Um dia tive a ideia de transformar o audiolivro em uma verdadeira colcha de retalhos, com diversas vozes e sotaques. Com base nesta ideia, elaborei um edital de convocação aos interessados em colaborar. Funcionou assim: o livro está disponível gratuitamente para leitura e download, a pessoa podia escolher qualquer texto, gravar sua interpretação com o equipamento que tivesse em mãos (celular, filmadora, gravador, etc.) e depois me enviar por e-mail. Quantas pessoas estão envolvidas nesse trabalho? Diretamente envolvidas, 30 pessoas, as que gravaram os textos. Tem gente de todo o Brasil e uma Angolana-Portuguesa. Eu acabei gravando alguns textos porque estava bem difícil conseguir os 73 textos da obra com vozes diferentes. Quanto tempo foi gasto da ideia à conclusão? 10 meses. Entre o lançamento do edital, recepção das colaborações em arquivos de áudio dos mais diversos formatos, pesquisa dos efeitos sonoros e edição final. Você teve algum apoio financeiro para a realização de todas as etapas? Não, em nenhuma etapa. Qual o próximo passo? O próximo passo é fazer o audiolivro chegar às instituições e pessoas para as quais ele foi feito. Eu já havia realizado uma busca por contatos de escolas, ONGs, associações. Mas nem sempre os contatos estão atualizados, nem sempre há resposta. Por isso, agora estou contando mais uma vez com a coletiTem novos projetos para a mesma área? Atualmente, estou organizando um livro de poemas. O poema é um pouco diferente na questão da interpretação, acho que ela pesa mais do que na prosa. Com certeza, de agora em diante, todo livro que eu for produzir vai virar audiolivro também, mas acho que os de poemas eu vou precisar conversar com alguém do teatro ou que tenha mais experiência com interpretação, para dar o tom certo. Há algum tempo, estava planejando um dicionário de termos técnicos em LIBRAS, juntamente com uma professora do IFSC. No entanto, ela era substituta, o contrato foi cancelado e agora não sei se vamos conseguir colocar em prática. De toda forma, no âmbito da instituição em que trabalho e da cidade e do país em que vivo, continuarei sempre participando das discussões e tentando alavancar projetos e ideias para garantir a acessibilidade universal aos espaços e às artes. Breve currículo Nascido em Curitiba (PR), criado em Londrina (PR) e atualmente morando em Jaraguá do Sul (SC), Rodrigo Domit é coautor do livro Vem cá que eu te conto (Rio de Janeiro, 2010) e autor do livro Colcha de Retalhos (2011). Entre outras conquistas, já foi finalista do Prêmio SESC de Literatura e vencedor do concurso de contos Machado de Assis, do Prêmio Cidadão de Poesia e do Prêmio Utopia, que lhe rendeu a publicação do livro Colcha de Retalhos. Mais informações: http://rodrigodomit.blogspot.com/ vidade, desta vez para fazer a obra e a ideia circularem: estou encaminhando a todos os meus contatos e pedindo uma força. Sempre tem alguém que conhece alguém que já trabalhou em uma instituição ou que poderia fazer bom uso da obra, bastou começar a distribuir que foram aparecendo estes elos. Já fiquei sabendo de instituições que receberam e agradeceram e também fiquei sabendo que um grupo de escritores de Brasília recebeu a obra e imediatamente se colocou a planejar uma antologia em áudio, fiquei muito feliz com as notícias! 10

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Literatura | Igor Fabian de Goes Lopes | Conto Vencedor do 1º Concurso Big Time / 2012 Melancias e melodramas Ouviu-se naquele instante um barulho, que mais parecia uma jaca rolando por um telhado de zinco. Todos correram ver, inclusive o gato do tocador de tuba. Não, não fazia sentido. Tratava-se de uma melancia, não deveria fazer barulho de jaca. O gato achou estranho e não acreditou. Como ninguém dava importância ao que o gato pensava, ele virou as costas e foi-se embora. Ficou ali o tocador de tuba e a equipe oficial de fazedores de aviõezinhos de papel da cidade, tentando entender tudo aquilo que estava acontecendo. O telhado levemente amassado. A melancia partida ao meio pela queda. Ainda não havia dado tempo de todos os que estavam ali esboçarem alguma reação e a situação estava sob relativo controle. Até que chegou o sapateiro. Este sim entrou em estado de profundo desespero ao ver sua melancia de estimação ali no chão, caída, arrebentada! Bagaço e sementes para fora! Estraçalhada sem chance nenhuma de defesa, a pobrezinha! O que se passou em seguida foi uma cena de cortar o coração. O sapateiro, homem temido, tenaz, tenista nas horas vagas, ajoelhado ao lado da melancia, chorando suas cascas em cacos. Acabando-se em lágrimas, tentava juntar as sementes numa lastimável tentativa de um dia rever uma melancia como aquela! Oh!, sementes vãs de esperança! Preenchiam o coração dilacerado do homem que perdeu sua fruta de maneira tão trágica e inesperada! E o que é feito de um homem, quando perde sua melancia? O tocador de tuba, tentando reerguê-lo, disse: – Vamos! Não foi culpa sua! Não cabe a nós decidir quanto tempo as melancias devem permanecer nessa terra! O sapateiro permanecia inconsolável: – Eu não deveria ter deixado a horta para perder tempo com aquela bota que já não tinha jeito de ser consertada! Foi só virar as costas por um instante, e ela desapareceu! A culpa é minha! A essa altura metade da vizinhança já estava lá para saber o que acontecia. O vendedor de chapéus de palha, homem simples e sábio, vivido, calejado da lida diária, anos nas costas andando por este mundo sofrido, tentando também passar um pouco de conforto ao sapateiro através de seu conhecimento das coisas da vida, compilou: – Ah, as melancia cai mesmo! Não tendo mais o que acrescentar ao comentário do chapeleiro, dona Gertrudes, que passou toda sua vida pesquisando fenômenos ópticos relacionados à cristalização de sais de cobalto, disse: – É... O tocador de tubas ainda falou: – Olha, eu sei o quanto essa melancia significava pra você. Mas a vida continua, nem tudo está perdido! A melancia se foi, mas você ainda está aqui, firme e forte! E pode plantar essas sementes e cultivar outra, até melhor! Nunca é tarde para recomeçar! O sapateiro não disse nada, mas parecia mais conformado. Olhou para o céu estrelado, e no fundo sabia que não adiantava ficar ali chorando, nada ia trazer sua melancia de volta. Sabia que tudo o que falaram ali era verdade. Fechou os olhos, respirou fundo e se esforçou para fazer um leve gesto de assentimento com a cabeça. Deram os primeiros passos em direção ao portão. Então um dos membros da equipe oficial de fazedores de aviõezinhos de papel gritou: – Ei! A gente pode comer esse pedaço que ainda está inteiro? Ao ouvir isso, o sapateiro desmaiou. Acordou no outro dia, num quarto aos fundos do casarão onde os fazedores de aviõezinhos de papel treinavam para o campeonato nacional. Ouvia o som de tuba. O gato estava deitado sobre sua barriga, olhando para seu rosto, com a cabeça levemente inclinada, como se estivesse esperando ele acordar e quisesse dizer algo. – Olá, bichinho! Quer me dizer alguma coisa? O sapateiro sentiu que aquele gato sabia de algo. Seu olhar desafiador parecia guardar segredos destinados a ele, como numa charada complexa e bem elaborada. Então o gato disse: – Miau! Pulou para o chão e correu para a caixinha de areia. O tocador de tuba entrou no quarto. – Bom dia! Está melhor? – Ah!, estou sim, obrigado! Desculpe pela cena de ontem, mas você sabe o quanto essa melancia foi importante para minha vida. – Bom... não sei até que ponto passar meses observando uma melancia crescer podem mudar a vida de uma pessoa, mas se você diz... O líder da equipe oficial de fazedores de aviõezinhos de papel entrou no quarto dirigindo-se ao tocador de tuba: – Seu Antenor, a equipe está esmorecendo! Precisamos de música para elevar o ânimo dos competidores! Só então o rapaz viu que o sapateiro já havia acordado, e disse: – Ah, o senhor está bem? Sinto muito pelo episódio de ontem! Mas se servir de consolo, parabéns! A equipe inteira concordou que o pedaço que sobrou da sua melancia estava ótimo! Esperamos ansiosos que a próxima também atinja esse nível! Após um silêncio constrangedor, o rapaz disse, desconcertado: – ... preciso voltar ao treinamento. O sapateiro consertava sapatos de todos os habitantes da cidade. Era o único na região. E também o melhor naquilo que fazia. Era tão importante para a autoestima da cidade quanto a equipe oficial de fazedores de aviõezinhos de papel, que já ganhara até competições internacionais, levando o nome da cidade às alturas. O sapateiro não tinha inimigos. Todos precisavam dele. Sem os seus serviços, a cidade inteira pisaria em falso. Não havia motivo algum para desejarem-lhe qualquer mal. Caminhando até sua casa, tentava pensar em quem poderia ter roubado sua melancia. E por quê? A melancia era a mais viçosa e querida da plantação. O sapateiro, que morava nos fundos da sapataria, há alguns anos atrás decidiu plantar rabanetes no restante do terreno. Após meses de trabalho árduo, percebeu que cultivar rabanetes não tinha a menor graça! Não sabia o porquê, mas aquilo não preenchia sua vida. Tentou várias hortaliças. Quiabos, beterrabas, berinjelas, e nada parecia valer tantas horas de dedicação. Até o maldito chuchu, que teimava em crescer à toa pelas cercas, mesmo sem ser plantado, não trazia satisfação! Um dia, quando voltava do banco, viu um cartaz numa vitrine anunciando: “Concurso Nacional de Melancias! Participe!”. Como num estalo, veio à sua cabeça uma ideia: – Hum... vou plantar jacas! Logo descobriu que jacas davam em árvores, e não estava disposto a esperar tanto tempo para esperar elas crescerem. Então resolveu plantar melancias mesmo. Foi aí que encontrou o seu caminho! Melancias! Redondas! Enormes! Cheias de água! Verdes por fora, vermelhas por dentro! E o detalhe das sementinhas pretas! Além de boa, era uma fruta cheia de estilo! 11

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A plantação de melancias tomou espaço na sua horta, e a arte de cultivar melancias tomou espaço na sua vida. Os sapatos ficaram em segundo plano. O foco agora era o concurso nacional de melancias! Meses de pesquisa e aprendizado. Foi atrás de tudo o que era relacionado com melancias, e botou em prática na sua horta todo o conhecimento que adquirira. Testes e mais testes, em busca da melancia perfeita! Aquela cresceu, o mais esfericamente possível. Listras proporcionalmente distribuídas. Enorme! Era a que tinha mais chances de vencer. O sapateiro cuidava, vigiava todos os dias, todas as horas possíveis. E os sapatos se acumulavam, esperando por conserto. Os clientes ligavam o tempo todo cobrando o serviço, e só sob muita reclamação o sapateiro deixava as melancias de lado para consertar os sapatos. Isso começou a despertar a raiva entre seus fregueses, que queriam seus sapatos prontos para uso, a qualquer custo! O sapateiro era o único que podia fazer esse serviço. O único que sabia. O único que podia atender aos anseios da população de pisar confortavelmente. Ele deixou de ser um indivíduo qualquer, passou a ser o sapateiro, propriedade da cidade, prestador de serviços à população! Ninguém queria saber de suas melancias, queriam apenas que ele continuasse a ser a máquina de consertar sapatos. Para o povo, as melancias precisavam ser mais do que destruídas, o sonho por trás das melancias precisava ser aniquilado! Nada poderia desviar a atenção do sapateiro. Armaram tudo de caso pensado. Uma bota furada cuidadosamente preparada para não ter solução. O suposto cliente, dono da bota, pressionando cada vez mais pelo serviço. A poucos dias de ser colhida a melancia, o sapateiro redobrou a vigilância. Mas não poderia mais deixar a bota do cliente de lado para ficar olhando a melancia crescer. No momento em que saiu de cena para atender o cliente da bota inconsertável, outra pessoa pulou para dentro do quintal, e sorrateiramente levou a melancia. O sapateiro só percebeu no final do dia. Correu a cidade procurando vestígios, mas não encontrou nada. Após buscas infindáveis, já era noite, de longe ouviu aquele estranho barulho que parecia uma jaca rolando pelo telhado de zinco. Desejou que realmente fosse uma jaca qualquer, mas não era... era a sua melhor melancia. Desiludido com a cidade e suas pessoas, o sapateiro decidiu que não queria mais consertar sapatos naquele lugar. Consertar sapatos... não, nem nisso via mais sentido. Seu novo desejo era gastar sapatos! Sim, gastar os próprios sapatos, andando pelo mundo! Juntou as sementes da falecida melancia nas mãos e botou o pé na estrada. Já não importava mais cuidar dos pés dos outros. O sapateiro buscava agora um lugar distante, onde pudesse cuidar apenas dos pés de melancias. Igor Fabian de Goes Lopes Concurso Literário 2015 | Inscrições abertas 3º Concurso Literário Big Time Editora Romance | Contos | Poemas Informamos a todos os interessados que realizaremos neste ano de 2015 nosso 3º Concurso Literário, com algumas novidades. Além das categorias Contos e Poemas, teremos também a categoria Romance, para textos com até 350.000 caracteres com espaço e corpo 11. PREMIAÇÃO: Contos e Poemas: Publicação em Coletânea dos textos selecionados, até se atingir um livro de 96 páginas. 1º Colocado - 20 exemplares 2º Colocado - 15 exemplares 3º Colocado - 10 exemplares 4º ao 15º Colocados - 4 exemplares Demais participantes da coletânea classificados após a 15ª colocação que forem convidados para participarem do livro receberão 2 livros cada. Romance: Publicação dos livros classificados em 1º, 2º e 3º colocados, com a tiragem abaixo: 1º Colocado - 100 exemplares 2º Colocado - 60 exemplares 3º Colocado - 40 exemplares DATAS REGULAMENTARES: Recebimento dos textos: entre 05/01/2015 e 28/02/2015, EM EMAIL A SER DIVULGADO JUNTO COM O REGULAMENTO Divulgação dos resultados das categorias Conto e Poema: 30/06/2015 (data limite) Divulgação do resultado da categoria romance: 05/08/2015 (data limite) Lançamento do livro de Poemas: 30/08/2015 (data limite) Lançamento do livro de Contos: 30/09/2015 (data limite) Lançamento dos livros da categoria Romance: 15/11/2015 (data limite) OBSERVAÇÕES: - Um mesmo autor poderá participar das 3 categorias. - Os textos deverão ser inéditos no que se refere a publicação por outras editoras. Textos publicados apenas virtualmente (em sites e blogues) poderão ser inscritos normalmente. Regulamentos em nosso blog: bigtimeeditora.blogspot.com ===> páginas 12

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Literatura | Poesias premiadas / 1º Concurso de Poemas Big Time Editora / 2012 Fernanda Resende Ela não pede licença, É inconveniente, Desagradável ao extremo. Penetra na vida da gente, Transforma atos em delírios, Reino encantado em muro desabado. Jorra ignorância, Acredita que tem poder, Escraviza-se na vida alheia. Transforma o espírito em mendigagem, A felicidade em tempo passado, Guarda a lógica a sete chaves. Teme ficar na história dos fracassados, Culpa todos pela sua incompetência, Unifica-se com a produção do próprio veneno. Corre de um lado para o outro, Louca para triunfar solidão, E proporcionar discórdia aos corações. Pobre coitada! É a inveja; Sozinha quer vencer espíritos bons, Jogar o amor no precipício, Queimar as chamas da amizade. Quer destruir lares, Tirar o firmamento eterno da confiança, Ser pioneira dos desentendimentos. Pobre coitada! A inveja acredita que pode muito, Mas o muito, É muito pra ela. A inveja Matéria e realidade Elias Antunes Chega! Não quero mais a vaporosidade do espírito, os lençóis da aurora, o velho chinês sonhando com a borboleta que sonha com o velho chinês; Quero a pedra apenas sob o sol da realidade; Quero apertar a mão do homem que cavou uma cisterna o dia inteiro e justificou seu salário com os metros da sede; Quero os cães, a vida pura das ruas, os pássaros roendo o crepúsculo; Quero a verdade do poeta que cantou os pendões da liberdade; Quero a alegria daquele que plantou e colheu e alimentou muitos irmãos com as espigas de sol. Aula de filosofia – as origens do ceticismo Ricardo Ryo Goto Todo homem é mortal. Sócrates é mortal. Portanto, Sócrates é homem. Deus é perfeito. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. O homem é perfeito, portanto Sócrates é Deus. Sócrates disse: Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo. Conhecendo a ti mesmo, conhecerás Sócrates e o universo. Sócrates afirma: Tudo o que sei é que nada sei. O homem ao conhecer a si, nada saberá de Sócrates e o universo. Portanto, quando tua mãe te aconselhar A não dar ouvidos a estranhos, pergunta a ela: – Quem sois para me dirigir a palavra ? 13

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Lucas Bronzatto Quando morar é um privilégio ocupar é um direito Retumba o brado do povo heroico do Vale Rio de povo comprimido por margens nada plácidas nada complacentes nada comprime o rio totalmente Quando matar se ensina no colégio policial impõe respeito assassinando com pose de herói Soturno coturno que espanca Vivo, o Pinheirinho queima Os olhos ardem tanto que fica impossível fechar A não ser que você queira Quando sobreviver é um sortilégio é preciso cobrir de latão o peito e se entregar à luta desigual pintura moderna da desigualdade aquarela dissolvida em sangue Balas perdidas não assustam Espantam as balas encontradas na cabeça no pé no peito na alma até de mulheres e crianças em fuga Quando resistir é um sacrilégio ser pobre é um defeito Seis mil invasores seis mil bandidos seis mil criminosos que denunciam a criminosa mídia que deturpou a criminosa justiça que ordenou o criminoso grupo político que acatou a criminosa polícia que executou o criminoso capitalismo que os criou o crime nosso de deixa-lo vivo e procriando Chorar faz bem. Para quem ? Pinheirinho Paulo Eduardo Mauá O vendedor de choro O moço acordou de manhãzinha deu bom dia para a menina, montou a barraquinha na esquina da Duque de Caxias com a Osório. Trouxe um petiz auxiliar, o moleque, com recomendação de não aceitar cheque, nem pré, nem do seu Zé. Colocou o cartaz, claro e notório: Vende-se Choro. A quem interessar possa. Para quem não consegue chorar, nem se emocionar se entregar, descobrir-se sem pressa pelo momento da ínfima gota salina desenhando a face, regato de cristalino sentimento. A oferta é variada. Tem choro de criança, de gente sofrida, de gente grande, de desalento, de esperança, de quem é mandado e de quem mande. Liquidação de choro de fralda molhada de fome, de birra, de mulher desesperada: pague dois de saudade e leve três de dor kit de choro simulado e puro de amor. Tem choro de bandolim, violão sete cordas e cavaquinho; para prestação nessa condição exige-se talento de chorão. O moleque ganhou gorjeta ganhou a rua sumiu. Ao meio-dia o vendedor de choro recolheu o tablado já vazio; um sucesso... e sorriu. Mande um email para a Big Time Editora para receber o Boletim Bimestral e concorra a livros bimestralmente: 14

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