Caleidoscópio nº 65

 

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Caleidoscópio nº 65

Popular Pages


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Revista Nº 65 COLÉGIO SANTA MARIA As várias linguagens utilizadas para cumprir a missão do Santa Maria Ex-aluna cineasta transforma alunos em atores A experiência surpreendente na Jornada Mundial da Juventude Professores em constante formação tornam-se alunos

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Mosaico Semana Pe. Moreau – Com entusiasmo e comprometimento, alunos realizaram exposições e apresentações, momento compartilhado por amigos e familiares Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriana Tiziani Armando José Capeletto Flávia Manzione Maria Rita Moraes Stellin Silvio Soares Moreira Freire Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Alenice Aparecida Moutinho Ribeiro, Alessandro Lima, Ana Claudia Florindo Fernandes, Ana Claudia Lasinskas, Ana Cristina Proietti Imura, Cassia Aparecida José, Claudia R. Simões Lacerda, Cristiane Paulon, Eliane Lima, Fabíola Iszlaji de Albuquerque, Gabriela Bocuto Siqueira, Gilberto Soares, José Antonio Pinedo, Lara Pécora Polazzo, Lílian Reimberg Roschel, Luciana Ravache, Lucilene Silverio, Luis Carlos Carvalho, Maíra dos Santos Nascimento, Marco Roberto B. Urrea, Márcia Rufino, Maria Carolina Biscaia, Maria Cristina Forti, Maria Luisa Parise, Paula Bacchi, Robson Veríssimo da Silva, Rosana Martins de Oliveira Daher, Rosane Callegari, Simei Ribeiro, Sueli A. Gonçalves Gomes, Ir. Thaís Nascimento Bitencourt, Ulisses do Carmo Impressão: Gráfica Altamisa Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

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Sumário Festa do conhecimento Carta ao leitor P 04 Radar 09 Formação 11 Destaque 18 Depois do Santa 06 Cotidiano 10 A Arte de Educar 20 Deixa Comigo 22 Bastidores adre Moreau, que é tema desta edição da Caleidoscópio, queria que as pessoas relacionassem o conhecimento adquirido, tanto pela mente quanto pelo coração. Sinto que isso aconteceu em várias situações, pois os alunos neste 3º bimestre estão vivendo um tipo de educação completa para a vida, na terra e no céu, um modelo utópico que todos objetivam. E ao aprenderem tudo, acabam se envolvendo em causas familiares e outras não. Pessoalmente, neste ano, estou fazendo coisas nada familiares, relacionadas à construção do prédio do Ensino Médio. Já descobri que ali não dá para pular etapas, é impossível apressar, não adianta trazer mais pessoas, por exemplo, porque um vai atrapalhar o trabalho do outro. Trata-se de um processo cuidadosamente planejado e executado. Os artigos a seguir mostram que os alunos também estão aprendendo a processar. Ao ouvir o IPEM, os jovens entenderam sobre pesos e medidas, mas também como isso pode ajudar a criar algo melhor. A reciclagem é um momento de produção que permite o questionamento de onde vem aquele material e como pode continuar a ser aproveitado. Os alunos que elaboraram uma enciclopédia entenderam como é o processo de agrupar e publicar informações, num tempo em que tudo se modifica rapidamente. O mesmo aconteceu com o grupo de educação financeira. Cada idade deve ter uma orientação de processo correspondente à sua necessidade: as crianças aprendem sobre troco na feira do livro e os pais podem ser ajudados a lidar com a responsabilidade de comprar um imóvel. Até os alunos que foram entrevistar Fernando Henrique Cardoso se depararam com um processo, pois tiveram que pesquisar informações prévias ao seu governo, durante e depois, cumprindo ainda o desafio de manter um diálogo atual, já que o ex-presidente não é apenas passado, faz parte da atualidade. Igual empenho encontraram os estudantes que atuaram no Parlamento Jovem, na medida em que precisaram entender como se organiza a cidade, como os projetos são implementados, quais são os processos envolvidos. No dia de Pe. Moreau, nós vivemos esta edição ao vivo, vendo as apresentações, a tecnologia, ouvindo músicas. Agradeço a todas as pessoas que participaram desse grande evento e os convido a continuar apreciando, nas páginas a seguir, a experiência vivida no dia 14 de setembro. Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

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Radar Além dos palcos escolares O Santa Maria foi convidado a participar da 23ª Festa das Nações, que ocorre todo ano e é organizada pela Paróquia da Igreja de Sant’ Ana. O professor Alessandro Lima preparou seus alunos de violão para estarem no palco. Pensando em atingir as diferentes nacionalidades da festa, o grupo fez várias pesquisas e montou um pot-pourri. O conhecimento de outras culturas foi o ponto chave do evento. Jovens, que antes tinham um repertório restrito, travaram contato com o tango argentino, o vira português, o flamenco espanhol, a guarânia paraguaia, as baladas francesa e italiana, a escala pentatônica aplicada na cultura japonesa e asiática e o bom e velho samba brasileiro, ritmos que eles achavam difíceis e que não apreciavam até então. Para se ter uma ideia da aceitação, uma representante lusa dançou ao som do vira português, o que animou a plateia e gerou um pedido de “bis”. A experiência de tocar com 12 músicos, todos os violões elétricos plugados, numa festa popular, com palco suspenso e equipamento pouco favorável, mostrou que estes artistas fizeram  um trabalho maravilhoso. A vivência aguçou a vontade de criar outros pot-pourris temáticos para a XIV Mostra de Arte, Dança, Música e Tecnologia, que será de 23 a 30 de novembro. Venham prestigiar nossos artistas! Envolvimento com a matemática Em agosto, alunos do Santa Maria participaram da primeira fase da OPM - Olimpíada Paulista de Matemática. O número de participantes este ano foi significativo, e a equipe de professores ficou muito satisfeita com o envolvimento dos alunos. A prova teve início às 8h30, com permanência mínima de 1h30. O comprometimento era tanto que às 12h, horário estabelecido para o término, vários alunos ainda faziam a prova. O nível de dificuldade deste teste é muito alto, porém é possível determinar até onde o raciocínio lógico matemático desses alunos pode atingir. É realmente um desafio que os alunos do Santa Maria levaram muito a serio. A expectativa agora é para conhecer os classificados para a segunda fase. 04 Caleidoscópio

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Pai: presença de amor, esperança e sabedoria Àqueles que são pais ou exercem a função de pai na família foi dedicada a missa do 4º ano, no dia 10 de agosto, na Capela do Colégio. Desde a procissão de entrada, nas palavras do Pe. Pedro, no entusiasmo ao entoarem os cantos e na dramatização do Evangelho, a figura do pai foi celebrada nas mais diferentes situações do dia a dia, marcando a vida e o desenvolvimento dos alunos. Também foi abençoada a imagem de Nossa Senhora das Graças que, em procissão, foi saudada por todos e levada para a entrada do prédio do Ensino Médio. Homenagem aos pais da Educação Infantil A homenagem aos pais do Jardim I, II e Pré foi preparada com histórias, brincadeiras, jogos, oficinas de brinquedos e caminhada ecológica, possibilitando uma manhã de convivência entre pais e filhos no Colégio, permeada por muito carinho e troca de conhecimentos. Os presentes foram confeccionados pelas crianças e entregues aos pais, acompanhados por muitos abraços e beijos. Os homenageados reconheceram a importância de momentos como esse, em meio à correria do dia a dia. Bazar do Centro Santa Marta Será no dia 17 de outubro, das 13h30 às 17h, o tradicional Chá Bazar Beneficente promovido pelo Centro Santa Marta. A dica é chegar cedo ao Colégio para aproveitar as muitas ofertas de produtos confeccionados pelas mães carentes e voluntárias, como toalhas de banho, rosto, lavabo e mesa, linha especial para bebês, perfumaria, peças em patchwork, madeira e scrap, embalagens para presentes, chinelos customizados, bijuterias artesanais, além de comidinhas deliciosas. Os convites custam R$ 25,00 e dão direito a um delicioso chá completo e vários sorteios de prêmios. No decorrer do evento, haverá rifas e bingo. O Centro Santa Marta atende cerca de mil pessoas por ano entre mães, pais, filhos e parentes, tendo como principal objetivo a capacitação por meio de cursos profissionalizantes para, mais tarde, tornarem-se fonte de renda para a família. 05

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Cotidiano Oficina de reciclagem Como há grande produção de resíduos na sociedade, inclusive no espaço escolar, os professores de Ciências do Fundamental II, Luciana Ravache e Simei Ribeiro, desenvolveram um projeto ecoestudantil de reaproveitamento de materiais recicláveis com o 6º ano. Uma das etapas foi a oficina de reciclagem, oferecida pela bióloga, ambientalista e artista plástica Cláudia Gianini, especialista em trabalhos com garrafas pet, que conduziu a atividade baseada no conceito dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) e também do 4º R (repensar), como uma forma de desenvolver peças artísticas e/ ou utilitárias. Os alunos trouxeram uma série de materiais recicláveis de casa, que serviram como inspiração para a produção de objetos de decoração e brinquedos. As peças serão futuramente exploradas no projeto ecoestudantil. Debater, mobilizar, propor soluções Motivados pelos debates gerados pelas recentes manifestações no País, os alunos do 8º ano participaram da 13ª edição do Projeto Parlamento Jovem Paulistano, onde se discutem problemas da cidade, debatem a competência dos poderes, apresentam propostas, analisando sua relevância. O processo culmina com uma votação, onde cada classe escolhe um projeto. Com um projeto representando cada turma, a equipe de professores e orientação da série seleciona uma proposta, que é encaminhada à Câmara Municipal de São Paulo. Nas discussões deste ano, a questão da mobilidade urbana e do transporte coletivo acabou dando a tônica, tendo sido destacada em todas as classes, bem como aspectos ambientais e sociais. O projeto da aluna Beatriz Botelho Ramos, do 8º E, que propõe a criação de um sistema de bônus aos usuários do transporte coletivo da cidade, foi o escolhido. A continuidade do trabalho ocorreu com a discussão sobre o financiamento público de campanha, a organização de um plebiscito sobre o tema e a participação na palestra “A responsabilidade do poder”, com o professor de Direito Constitucional, Julio Hidalgo. Resgatando o passado para o século XXI O 8º ano elaborou a Enciclopédia Ilustrada de Conceitos Históricos, um exercício de pesquisa, construção e divulgação do conhecimento, uma espécie de volta ao passado, mas com um grande desafio: ilustrar o conceito histórico à mão, como feito na obra iluminista do século XVIII, e pesquisar os conteúdos nas enciclopédias e livros do acervo da biblioteca do Colégio. A internet só foi usada como fonte secundária de pesquisa. “A finalidade não era a de compilar o conhecimento humano nas diversas ciências, mas a de oferecer um material de pesquisa aos alunos, pois não existe nenhuma enciclopédia editada de conceitos históricos”, conclui Fabíola Iszlaji de Albuquerque, professora de História do 8º ano e idealizadora do projeto. Versão da enciclopédia em capa dura ficará no acervo da Biblioteca; alunos receberão exemplar em espiral, com capa elaborada pela professora Adriana Pistori a partir das ilustrações produzidas pelos estudantes

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Cópia para quê? A função social da escrita permeia o trabalho do 2º ano. De acordo com os estudos da neurociência, para que o conhecimento fique na memória de longa duração e ocorra a apropriação da escrita, é necessário oferecer ao aluno muitas atividades de apoio, como cópia, ditado, palavras cruzadas e listas de palavras. Cópia? Não se trata de um trabalho desfocado e sem propósito, mas utilizado nas seguintes situações: para estudar palavras que não são do cotidiano dos alunos, em uma lista que orienta a produção de um texto, no estudo de uma regularidade ortográfica ou em um ditado interativo, e também quando os alunos escolhem num texto as palavras mais difíceis para formar frases. Encontro com o presidente Questionar sobre a atmosfera atual do Mercosul com o ingresso da Venezuela, a suspensão temporária do Paraguai, a crise na Argentina e o futuro do bloco. A importância do continente africano para a economia brasileira e para o mundo. O envolvimento dos partidos políticos no provável desvio de dinheiro público nas obras do consórcio do Metrô em São Paulo ou ainda a visão do Presidente sobre as recentes manifestações populares ocorridas pelo país. Estes foram alguns dos questionamentos feitos pessoalmente ao ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso por um grupo de alunos de 2ª e 3ª série do Ensino Médio no encontro que aconteceu no dia 20 de agosto, oferecido pela Fundação iFHC no programa “Diálogos com um Presidente”. Foi, sem dúvida, uma experiência ímpar no processo de formação dos alunos, estimulando o exercício da capacidade reflexiva sobre importantes questões de natureza política e econômica, assim como a discussão de relevantes temas atuais que envolvem o cotidiano do País. IPEM e as medidas Estudos do 7º ano evidenciaram a necessidade do homem utilizar unidades de medidas para efetuar aferições. Para enriquecer o trabalho, os alunos receberam funcionários do IPEM - Instituto de Pesos e Medidas – para conhecer as facetas dos procedimentos utilizados e desenvolvidos no Instituto. Essas informações foram extrapoladas para o tema da série, cuja proposta é refletir sobre “trabalho”. No estudo de campo, realizado na Fazenda Tozan e no Assentamento Sumaré, foi possível esclarecer questionamentos como: Qual o papel do IPEM na fiscalização das sacas de café que saem das fazendas com destino à indústria? Qual deve ser a atitude do consumidor ao perceber que está sendo lesado? A aplicação prática de um conceito matemático tão significativo foi fundamental para a consolidação da aprendizagem dos alunos. 07

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Cotidiano Dia do Amigo “Você quer visitar minha escola e passar uma manhã comigo fazendo atividades bem divertidas com meus professores?” A maioria dos amigos dos alunos do 1º ano aceitou o convite e, mesmo naquela manhã fria de agosto, vieram alegres conhecer o espaço onde estes estudam e brincam. As atividades começaram na quadra, com a animação dos professores de Educação Física, Wallace e Cláudio. Ao som de músicas, as crianças responderam aos desafios de jogos corporais e danças. Em seguida, grupos dividiram-se para as atividades de Artes, Música e Jogos. Sorridentes e corados, terminaram a manhã comendo pipoca e tomando suco, todos juntos nas varandas. Que delícia estudar nesta escola! Orçamento familiar: de olho no dinheiro Para colaborar com as famílias na formação de um consumidor dotado de espírito crítico e responsável em relação ao uso do dinheiro, o componente de Matemática desenvolveu com os alunos do 6º ano o projeto “Orçamento familiar: de olho no dinheiro”. Eles elaboraram o perfil de uma família fictícia com renda salarial pré-estabelecida, traçaram gastos após pesquisas e entrevistas, para então aplicar os conteúdos matemáticos, como gráficos e tabelas. Já o 9º ano desenvolveu um projeto denominado Educação Financeira. Aos temas trabalhados neste ano, como multa, desconto e juros, foram acrescidos outros, como impostos, aplicações financeiras, mercado de ações e previdência privada. Em caráter optativo, os alunos participaram de três atividades: uma palestra com Paulo Sergio de Souza Vaz, profissional do segmento de investimentos no Mercado Financeiro e de Capitais, o curso “Educar Teen”, com um funcionário da Bovespa, sobre reserva para o futuro, opções de investimentos e mercado de ações, e uma visita à Bovespa. 08 Caleidoscópio

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Formação Constante aprendizado Curso com Elvira Souza Lima Professoras da Educação Infantil e do Fundamental I deram início ao Curso sobre Linguística e Neurociência, em 9 de setembro. Os temas visam ao aprofundamento do que foi abordado no primeiro semestre, agora incluindo análises de trabalhos dos alunos com escrita e desenho para que as professoras desenvolvam o “olhar pesquisador”, como diz a neurocientista Elvira Souza Lima. O olhar do professor não basta para identificar as possibilidades de aprendizagem das crianças. É preciso desenvolver o olhar crítico, ultrapassando o envolvimento emocional. O professor deve ainda ter dentro de si a experiência estética para saber promovê-la nos alunos. Essa experiência será exercitada por meio de análise de filmes, obras de arte, músicas e livros. O segundo semestre trouxe novas atividades para alunos e também para os professores do Santa Maria. Grande parte do corpo docente assume o papel de estudante em cursos de formação que garantem uma evolução constante a esses profissionais. Conheça alguns dos temas de aprofundamento do período Educação Matemática pela UNICAMP. Aliando teoria e prática, por meio de estudos de caso, oficinas e exposições, os professores apropriam-se de conhecimentos sobre como as crianças da Educação Infantil formam as primeiras noções conceituais matemáticas, desenvolvendo habilidades fundamentais para a continuidade do processo escolar. Aquisição da linguagem escrita: relação com a memória operacional e consciência fonológica O que é alfabetizar e ser alfabetizado? Basta ensinar e saber ler, escrever, reconhecer letras, sílabas e palavras e compreender o que se está lendo? Estas são questões abordadas em um curso oferecido pelo Prisma, ministrado por Stella Maris P. Mekhitarian, fonoaudióloga formada pela PUC com especialização em linguagem e aperfeiçoamento em Dislexia. Ela traz contribuições da fonoaudiologia à aprendizagem da escrita e da leitura, principalmente na aquisição das habilidades preditoras para o aprendizado e desenvolvimento da linguagem. Além disso, a fonologia aborda aspectos que a neurociência tem apontado como imprescindíveis ao ensino da língua que envolvem as suas dimensões. Matemática na Educação Infantil Noções de geometria topológica, plana e euclidiana para crianças da Educação Infantil? Isso é possível? Como? Neste semestre, o Prisma, Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, conta com o curso “Educação conceitual em matemática para professores da infância de 0 a 6 anos”, ministrado por Leila Oliveira Costa, pedagoga, pesquisadora, mestre em 09

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A Arte de Educar Outras possibilidades Há diferentes maneiras de aprender e superar dificuldades, e interagir na sala de aula durante o período letivo é uma delas. Mas, para os alunos do Santa Maria, há outras possibilidades. Aqueles que não obtiveram resultados satisfatórios em uma etapa do ano, têm novas oportunidades de aprendizagem que vão além do processo costumeiro de recuperação, comum em outras escolas Os encontros são semanais ou quinzenais, após o período de aulas, do professor com pequenos grupos, o que favorece um atendimento personalizado e permite que os alunos possam expressar com clareza suas dificuldades. Muitas vezes, são utilizados recursos audiovisuais e de informática, ou seja, uma alternativa metodológica ao que foi desenvolvido em aula. Além dos alunos convocados, qualquer um pode solicitar sua inclusão e se inscrever para participar. des escritas e orais, as aulas oferecem um atendimento individualizado em que o aluno pode desenvolver as habilidades necessárias à continuidade do trabalho. Monitoria Partindo do princípio de que a excelência acadêmica é uma qualidade a ser socialmente compartilhada, os professores do Fundamental II estimulam os alunos a exercerem monitoria, tanto auxiliando a sanar dúvidas dos colegas em atividades desenvolvidas em aula, como em encontros especiais com alunos da mesma série ou até de séries diferentes. Alunos do 9º ano, por exemplo, atuam como monitores de Língua Inglesa com grupos de alunos do 6º ano. Oficinas Para alunos que apresentam defasagens de etapas anteriores, seja de conteúdos trabalhados em bimestres ou séries anteriores, seja das habilidades de pensamento necessárias para um desempenho satisfatório, os professores elaboram um plano de trabalho a ser desenvolvido em um bloco de aulas e realizam uma oficina de revisão semanal com uma horaaula de duração. Plantões de dúvidas Os plantões são momentos em que os alunos têm atendimento individual e expressam dúvidas específicas sobre um conteúdo visto recentemente nas aulas. Para tal, o professor elabora uma lista de exercícios, com instruções específicas para que o aluno os realize e anote suas dúvidas. No dia marcado, o professor se reúne com o aluno e, de maneira pontual, atende às perguntas e esclarece as dúvidas. Reforço No Fundamental I, quando a professora detecta uma dificuldade específica, o aluno é convidado a participar do reforço pedagógico. Com novas abordagens, ativida- 10 Caleidoscópio

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Destaque muitas linguagens Norteado pela missão “educar para conhecer, viver e ser”, o Santa Maria desenvolve atividades que constroem conhecimentos sólidos e que colaboram para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. Essa conduta é evidenciada nas atividades pedagógicas, em eventos emblemáticos como a Semana Pe. Moreau, nos trabalhos de voluntariado, no dia a dia de alunos. Basta olhar ao redor e identificar as diferentes linguagens aplicadas para alcançar o ideal Um ideal, A linguagem oral e o movimento Não existe criança que não goste de recitar: “Uni Duni Tê”, “Lá em Cima do Piano”, “A Galinha do Vizinho”. “Por serem fáceis de memorizar já que, em geral, são curtos e ritmados, versos e parlendas possibilitam às crianças participar de atividades de ‘leitura e escrita’, mesmo não sendo ainda leitores convencionais”, explica a professora do Jardim I, Claudia R. Simões Lacerda. Pela repetição na recitação dos versos, essas formulações vão sendo internalizadas, constituindo novos acervos de memórias nas crianças, desenvolvendo a imaginação, o ritmo e a oralidade, o que favorece a formação de estruturas de aprendizagem que serão fundamentais para o saber ler e escrever. Mas recitar não é suficiente, é preciso pensar em vivências que se transformem em experiências significativas”, defende a professora Rosane Callegari. Essas vivências devem abordar as múltiplas linguagens, afinal, é por meio da interação no mundo físico que a criança aprende e apreende. Recitar “Um, dois, feijão com arroz” e marchar no ritmo; recitar “Uma bruxa” e dramatizar a personagem são algumas linguagens de que as crianças vão se apropriando. 11

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lixo restos de lanche, embalagens plásticas e papéis, cuidando, dessa forma, do meio ambiente. Segundo a professora Eliane Lima, agora as falas mencionadas no início do texto mudaram para: “Cuidado, uma formiga! Coitada! Alguém vai pisar nela! Vou colocá-la de volta na natureza.” “Que florzinha linda! Vou fazer um carinho nela!” Brasileirinhos: a linguagem do respeito à vida O projeto Brasileirinhos, desenvolvido no Pré, fez uso dos animais para aguçar ainda mais a curiosidade e o olhar investigativo dos alunos, fazendo uso de diversas linguagens. O trabalho com a coleção “Brasileiros”, de Lalau e Laurabeatriz, ampliou os conhecimentos sobre a diversidade da fauna brasileira. Em integração com o Projeto da Educação Ambiental da série, cada classe escolheu uma árvore nativa existente no Colégio para observá-la, coletar dados e registrar suas transformações ao longo do ano. Dessa forma, as turmas refletiram sobre a importância da preservação e buscaram ações concretas para vivenciar a linguagem do respeito à vida, O trabalho com as parlendas no Jardim I culminou na Semana Pe. Moreau. Colocar os pais em roda, com as crianças, favorece a construção dos laços dessa história Pequenos ensinam a cuidar da natureza “Eu matei aquela formiga porque era muito grande!”. “Que flor linda! Vou levar para a minha mãe!”. “Estas eram falas comuns entre as turmas do Jardim II, e deixam claro que antes de ensinar foi preciso aprender”, diz a professora da série, Paula Bacchi. Aprender como preservar a água do planeta, como cuidar das plantas, flores e pequenos animais dos jardins do Colégio e também como outros animais vivem e se adaptam às mudanças ambientais em busca de sobrevivência. Ao longo do ano, as crianças foram estimuladas a observar, sentir e agir em defesa da natureza. Agiram quando fixaram orquídeas nas árvores, reutilizaram materiais/lixo, economizaram água da torneira, recolheram e jogaram no Projeto Brasileirinhos: elementos da fauna e flora ajudam desenvolvimento pedagógico dos alunos do Pré Muitos dos conhecimentos adquiridos pelo Jardim II foram compartilhados com a família e amigos na Semana Pe. Moreau 12 Caleidoscópio

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Turmas do 1º ano: sarau com músicas de Villa-Lobos cuidando dos animais e plantas existentes em seus espaços naturais. Para a apresentação na Semana Pe. Moreau, foi criada uma cenografia da flora e fauna brasileiras, incluindo as árvores adotadas pelas classes e o habitat dos animais estudados, além, é claro, dos próprios animais, representados por meio de várias técnicas das artes visuais. As poesias, o jogral, as músicas e danças apresentadas tiveram como enfoque a fauna e a flora brasileira e temas indígenas, reconhecendo o valor deste povo, de sua cultura e do respeito à vida que tanto cultuam. pacto positivo na sintaxe linguística e em outros domínios da cognição”, ensina a neurocientista Elvira Souza Lima. Ou seja: memorizamos melhor o que é acompanhado de emoção. A criança desenvolve a memória criando acervos de experiências, imagens, sons, a partir da experimentação e ação. Com o desenvolvimento da memória, a criança cria acervos também para imaginar. Representar, cantar, tocar instrumentos, dançar trazem estímulos inestimáveis ao desenvolvimento infantil em todas as suas dimensões. Recuperar as cantigas infantis e folclóricas nos arranjos de Villa-Lobos, além de promover um resgate cultural, promove o desenvolvimento da função simbólica nos alunos, além de humanizá-los ainda mais. Concretização de um ideal: o Colégio Santa Maria Uma das linguagens utilizadas pelo 2º ano do Fundamental I para contar “A História de Todos Nós”, tema da apresentação na Semana Pe. Moreau, foi a poesia. Por meio do singelo texto (ver página 14) criado pela professora Sílvia Sonagere e declamado pelos alunos, pudemos conhecer um pouco da história do Colégio Santa Maria e como esse ideal do Padre Moreau foi concretizado. Muitas línguas, uma mensagem Testemunhar o amor de Deus por todo o mundo. Essa é a missão das Irmãs de Santa Cruz, assunto frequente nas atividades do 3º ano do Fundamental I durante este semestre. As irmãs trabalham em missões em vários países e em várias áreas de atuação. Estão em Bangladesh, Gana, Estados Unidos, Peru, México, Uganda, Índia e aqui no Brasil. Em alguns desses países, como é o caso do Brasil, levam sua missão por meio da educação em escolas da Congregação ou escolas cedidas por outras organizações. Mas, na maior parte A linguagem do corpo, da música e da poesia “Ainda que fosse apenas pelo prazer demonstrado pelos alunos na preparação para o Sarau de Músicas e Poesias, já seria um motivo mais que suficiente para investirmos em sua apresentação na Semana Pe. Moreau”, revela a orientadora do 1º ano do Fundamental I, Sueli A. Gomes Gonçalves. Mas a mudança que se opera nos alunos após a vivência dos ensaios, acertos de coreografias, memorização das poesias e, finalmente, na apresentação conjunta para o público, cantando, declamando e expressando-se corporalmente, surpreende a todos a cada ano. A própria natureza explica tamanha repercussão. “Há evidências de que a apropriação da sintaxe musical tem imA história do Santa Maria foi contada pelos alunos do 2º ano 13

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“Quatro irmãs de muita luz Integrantes da Congregação da Santa Cruz Dominavam a arte da enfermagem Salvavam vidas com amor e coragem. Cardeal Mota, conhecendo este perfil Convidou-as para vir trabalhar no Brasil. Era um tempo difícil Muitos precisavam de cuidados Faltava especialização As irmãs dariam grande contribuição. Vieram para uma escola de enfermagem fundar Mas este sonho, não puderam concretizar. Enquanto aprendiam sobre o Brasil e a língua portuguesa Uma escola complementar para moças montaram Ensinavam arte, decoração, religião... Cultivavam a mente e o coração. Mas elas queriam mais! Então... Há sessenta e quatro anos Com uma turma de seis alunos Vejam só que alegria Nascia o Colégio Santa Maria. Quem apostou nesta ideia Foram nossas quatro irmãs corajosas Olivette, Caecilius, Armella, Charlita Pessoas mais que preciosas. Sim, elas tinham um sonho Tinham um ideal de pessoa humana De sociedade, de educação Trabalharam duro por ele e não fraquejaram não! De onde vinha a força, a garra, a determinação? Atenção que eu vou te explicar Faziam parte de uma congregação Preocupada com a mente e o coração. No lugar onde nosso Colégio nasceu Hoje funciona a Biblioteca Padre Moreau Homenagem ao fundador da Congregação da Santa Cruz Bem-aventurado de muita luz!” Professora Sílvia Sonagere Alunos do 3º ano representam a missão das Irmãs de Santa Cruz nos vários países em que atuam dos países, as atividades que se destacam são: educação, serviços sociais como saúde da família, questões de ocupação da terra, vida planetária, dentre outros. Esse importante trabalho mostra a atuação das irmãs e a disseminação do legado do Padre Moreau. São línguas e culturas diferentes, mas a missão é a mesma: levar a todo o mundo a mensagem de compaixão, solidariedade, respeito pela diferença e amor ao próximo. “Todo esse exemplo foi trabalhado nas aulas do 3º ano para ser colocado em prática pelos alunos e divulgado durante a Semana Pe. Moreau”, comenta a professora da série, Maíra dos Santos Nascimento. Vai ao encontro da missão do Santa Maria: “Educar para conhecer, viver e ser”. Conhecer para reconhecer a riqueza das diferentes culturas e realidades. Linguagem do amor, linguagem da arte Seu nome de batismo era Alfred Bessette, um homem que nasceu no Canadá, em 1845, e viveu em prol da humanidade, com uma história que acalenta os corações. Bem cedo, perdeu o pai e a mãe, a família se dispersou e, aos 11 anos, teve que enfrentar as dificuldades da vida, porém nada o impediu de ser o homem que foi, sempre disposto a ajudar as pessoas. Durante mais de 40 anos, Irmão André Bessette passou de 12 a 16 horas por dia recebendo os que o procuravam e servindo como ferramenta nas mãos da Providência, sempre com fé em São José. Irmão André foi canonizado e reconhecido como primeiro santo oficial da Congregação de Santa Cruz. “Os alunos do 4º ano receberam o desafio de contar essa bela história por meio da linguagem artística com o suporte 14 Caleidoscópio

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da tecnologia”, conta Cristiane Paulon, professora da série. Eles colocaram em prática os conhecimentos sobre os elementos básicos do desenho, adquiridos nas aulas de Artes Visuais, como linha, forma, proporção e perspectiva. Depois, uniram esses conhecimentos a uma ferramenta digital, o Scratch, linguagem de programação que permite a criação de histórias e animações. “Criaram um documentário sobre a vida e a obra de Irmão André, com o objetivo de divulgar a bela história de amor, compaixão e humildade que tanto havia tocado seus corações”, comenta a professora Gabriela Bocuto Siqueira. Trabalho do 4º ano sobre a vida de Irmão André é finalizado com apresentação de música Alunos do 5º ano em ação na comunidade localizada na Vila Joaniza Linguagens da comunidade: pastoral Os alunos do 5º ano aprendem a viver experiências profundas de amor ao próximo e colocar em ação as palavras do Evangelho. Por meio do projeto de inserção social “Conte Comigo”, mensalmente, uma turma é convidada a compartilhar a vida e dedicar um tempo de sua rotina para a convivência com crianças que participam da Pastoral da Criança, na comunidade Santa Clara e São Francisco, localizada na Vila Joaniza. A missão da Pastoral da Criança é promover o desenvolvimento integral das crianças pobres, do ventre materno até os seis anos, contribuindo para que suas famílias e comunidades realizem sua própria transformação, através de orientações básicas de saúde, nutrição, educação e cida- dania, fundamentadas na mística cristã que une fé e vida. Realizados aos sábados, os encontros são previamente planejados por toda a comunidade escolar a fim de buscar a plena integração das crianças e suas mães em atividades significativas. Para os adultos, costumam ser oferecidas palestras com profissionais ligados a áreas da saúde e direito, por exemplo, além de oficinas de artesanato, nas quais podem aprender a fazer perfumes e sabonetes, entre outros. Já as crianças têm outras ocupações: brincam, jogam, desenham, assistem a teatros produzidos pelos alunos do Santa Maria e se divertem. São momentos fecundos de oração, partilha de alimento, troca de conhecimentos que se revelam num dia dedicado à vivência dos valores verdadeiramente cristãos. Estudo do meio – construção do saber e registro do conhecimento Os alunos do 6º ano do Fundamental II realizaram um amplo trabalho partindo do tema “Produção e Consumo: O Tietê e o Cinturão Verde do Estado de São Paulo”. A dinâmica permitiu que os estudantes assumissem o papel de pesquisadores, isto é, de produtores do saber. Nos locais selecionados para visitação, os alunos elaboraram tarefas individuais de pesquisa. À medida que, 15

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