Caleidoscópio nº 62

 

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Caleidoscópio nº 62

Popular Pages


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Revista Nº 62 COLÉGIO SANTA MARIA Cultura prepara e amplia os horizontes dos alunos DESTAQUE Professores do Santa Maria não param de estudar CONEXÃO COMO FAZER Alunos descobrem a arte de ensinar

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Mosaico Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Ana Cristina Proietti Imura Maria Rita Moraes Stellin Roberta Edo Silvio Soares Moreira Freire Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Projeto gráfico e arte: Belatrix Editora Ltda Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas, Ana Claudia Florindo, Armando José Capeletto , Cássia A. José Oliveira, Claudia Regina Simões Lacerda, Cristiane Paulon, Denise Maria Guain Teixeira, Ednilson Oliveira, Gabriela Bocuto Siqueira, Ivelise Strada Vlcek, José Antonio Pinedo, Elizabeth Fantauzzi, Lara Pecora Polazzo, Luis Carlos de Carvalho, Lílian Reimberg Roschel, Maíra Bedran Gouveia, Maria Carolina Vazzoler Biscaia, Maria Elizabeth da Costa, Maria Soledad Más Gandini, Maurício Rodrigues, Paula Maria Barbosa Tanigawa, Rosane Callegari, Rosilene Moutinho Arriola, Sílvia Sonagere, Veronice Aparecida Leal Rocha Foto da capa: João Pires Neto/Fotojump Impressão: Company Graf Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização 02 Caleidoscópio

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Sumário Carta ao leitor Limites Radar 04 Como Fazer 10 Pertencimento 12 Destaque 07 Cotidiano 09 Conexão 18 A Arte de Educar 20 Deixa Comigo 22 Reflexão 14 Duas coisas me marcaram muito nos últimos dias. Fui solicitada para tirar fotos da agenda 2013 com alunos de todas as séries, nos seus lugares favoritos – área verde, parquinho, capela etc. Na medida em que participava das fotos, fui pensando qual era o meu espaço predileto no Colégio. Minha opção recaiu sobre o auditório, não indicado por nenhuma série, mas que, para mim, é especial porque ali os alunos fazem suas performances, mostram aonde conseguem chegar. Em seguida, li os textos desta edição da Caleidoscópio. Um deles fala, com muita propriedade, sobre a importância de se impor limites às crianças pela necessidade de se criar regras de convivência social. O tema me fez pensar nas demais óticas de limites, barreiras físicas ou obstáculos não concretos. Conforme crescem, os alunos mudam, e essa localização de limites também vai se transformando ao longo da vida. Quando pequenos, os limites estão onde os adultos conseguem protegê-los. Com o crescimento, os espaços se ampliam. Na missa da 3ª série do Ensino Médio, os alunos não falam mais em limites, mas em desafios. Muitos artigos da revista tratam dos limites superados. Quando os alunos dão aula para o Supletivo, os limites se invertem. Os estudantes superam suas próprias limitações e ajudam o outro a transpor suas barreiras. Já o adulto, no caso, o professor se abre para receber novos conhecimentos. É mais um exemplo de transposição de limites. Em vários momentos da vida estudantil, o aluno faz coisas diferentes. Normalmente, a criança se diverte com seu brinquedo, mas ela acabou doando brinquedos em Cidade Ademar. Quando o aluno participa de uma olimpíada de conhecimento, estuda na escola, se empenha para superar seus limites, e expõe seu conhecimento no contexto estadual ou nacional, como é o caso do ENEM. Teoricamente, o professor deveria chegar à escola já tendo superado seus limites, mas, assim como o aluno, ele é um eterno aprendiz e se vê obrigado a estudar, recebendo e dando novos conhecimentos. Os dois, professor e aluno, têm o desafio de superar sempre os limites, atravessar a barreira para evoluir na sua maturidade. E se o espaço em que nos sentimos melhor é a zona de conforto, o ideal é sair dela, entrar no espaço do outro e aprender. E como fazem os alunos que estampam a capa desta edição, subir aos palcos da vida e demonstrar o amplo e diversificado conhecimento adquirido, como sabiamente defendia Pe. Moreau. É por isso que gosto tanto do nosso auditório! Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

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Radar Estudar nos EUA A oportunidade de viver e estudar nos Estados Unidos existe concretamente para alunos do Colégio Santa Maria, a exemplo do que está vivendo Nicole Londero Monteiro, que ganhou uma bolsa integral para a Saint Edward’s University, em Austin, no Texas. A ex-aluna está fazendo aula de relações internacionais, para testar a possibilidade de fazer um curso superior relacionado ao tema, e o First Year Seminar, que consiste em realizar testes, entrevistas com profissionais das áreas de interesse, falar com professores e explorar profissões que se adequam a esse curso. Nicole mora na própria universidade, que recentemente foi apontada como uma das melhores universidade católicas dos Estados Unidos pelo The New York Times. Os alunos da 3ª série do Ensino Médio que tiverem interesse em concorrer a uma bolsa, devem buscar informações com Sister Diane. Copa ADERE 2012 Há oito anos, os alunos do 9º ano desenvolvem um trabalho voluntário na ADERE (Associação para o Desenvolvimento, Educação e Recuperação do Excepcional), com o objetivo de vivenciarem experiências integrativas que possibilitem a aprendizagem, trocas de conhecimentos, desenvolvimento de atividades em conjunto com os aprendizes e, principalmente, vivenciarem momentos de superação e de aproximação para o “considerado como diferente”. Além das atividades desenvolvidas durante todas as semanas na própria instituição, no dia l9 de outubro foi realizada no Santa Maria a COPA ADERE, evento de futebol de salão inclusivo, envolvendo deficientes intelectuais e alunos de escolas da rede pública e privada. Neste ano, as entidades participantes foram: Colégio Santa Maria, que sediou o evento, Colégio São Sabas, CEB, ADERE, APAE Guarulhos e APAE Mairiporã.  Em busca da excelência Foi com muito orgulho, dedicação e esforço que o professor de Inglês do Santa Maria, Maurício de Albuquerque Leite, representou o Colégio em um curso intensivo na Universidade de Notre Dame, no estado de Indiana, nos Estados Unidos, em julho deste ano. Trata-se de um programa voltado para a especialização de professores no ensino de Língua Inglesa como segunda língua para estrangeiros. Após duas semanas e meia de aulas intensivas no campus, o programa ainda prevê mais três semestres de aulas à distância, incluindo um estágio supervisionado. “Esta oportunidade trará inovações e novas perspectivas para toda a área de Inglês, pois durante as reuniões com todas as professoras de língua estrangeira, poderei transmitir o que aprendi, buscando sempre a excelência no ensino em nosso Colégio”, disse ele. 04 Caleidoscópio

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ENEM 2011 - Consolidação e equilíbrio O Ministério da Educação (MEC), por meio do INEP, divulgou a média das escolas que tiveram mais de 50% dos seus estudantes concluintes participando do exame. Os alunos do Santa Maria (73%) conquistaram notas que consolidaram o Colégio como uma das melhores escolas de São Paulo. As médias obtidas pelos alunos foram: Matemática (710,70), Redação (702,47), Linguagens e Códigos (631,38), Ciências da Natureza (606,12) e Ciências Humanas (602,53). Esses resultados, em confronto com a evolução das médias nos últimos anos, mostram uma maior aproximação e, portanto, equilíbrio entre as notas das cinco áreas. Isso significa que os alunos do Santa Maria estão mais aptos para ingressar em qualquer curso superior e preparados a desenvolver diferentes carreiras no mercado de trabalho. Ao publicar esses dados, o MEC divulgou a média das provas objetivas por escola, ignorando a nota de redação. Esse cálculo, mesmo que aplicado a todas as escolas, impede a comparação com os resultados dos anos anteriores, pois até 2011 o INEP produzia uma média ponderada entre as notas das quatro partes da prova junto à redação, em que se considerava o índice de participação de alunos, de modo que o peso dos textos no índice geral era de 50%. “A intenção aqui não é questionar os resultados divulgados, e sim sinalizar para a importância de uniformizar os critérios de avaliação para que não ocorram análises errôneas ou distorcidas”, analisa Silvio Freire, diretor do Ensino Médio. “Consideramos a inclusão da nota de redação no desempenho médio dos alunos como fundamental, pois exigiu dele aplicação de conceitos das várias áreas do conhecimento, o desenvolvimento de um tema e a produção de um bom texto. Além disso, o aluno teve que evidenciar diferentes habilidades, como interpretar e compreender bem a proposta e organizar criteriosamente as ideias, de modo que o texto mantivesse uma coerência argumentativa. Logo, se desejamos medir e qualificar o trabalho desenvolvido pela escola, é necessário considerarmos a produção do aluno em todas as áreas, incluindo redação”, pondera. Dessa forma, ao se analisar os resultados do ENEM 2011 e adotar o mesmo critério de comparação dos anos anteriores (composto por redação e provas objetivas em quatro áreas do conhecimento), a colocação do Colégio Santa Maria melhorou, ocupando a 11ª posição entre as escolas particulares e a 12ª posição entre as escolas públicas e particulares do município de São Paulo. (Veja tabela ao lado) 05 Reprodução de matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 24/11/2012 ENEM 2011

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Radar Parlamento Jovem 2012 O projeto de Lucas Bavaresco Viana, aluno do 8º ano A, foi escolhido pela Câmara de Vereadores de São Paulo como um dos mais bem elaborados no Parlamento Jovem 2012. Como parte do componente curricular de Geografia, cada turma da série preparou projetos de lei destinados a melhorar a vida na cidade. Os trabalhos foram apresentados em debate e votados pelos próprios alunos para definirem aqueles que representariam a classe. Depois, uma equipe docente escolheu o representante da escola. O projeto de Lucas regulamenta o número mínimo de equipamentos públicos a serem construídos em um ano, vinculando a construção de hospitais, escolas e postos da guarda civil metropolitana à arrecadação de impostos do município. Lucas vivenciou todas as etapas do poder legislativo: foi eleito vice-presidente da sessão e fez a apresentação do seu projeto na Câmara, que acabou sendo aprovado. “A experiência do Parlamento Jovem foi verdadeiramente um fato a ser lembrado pelo resto da minha vida”, resume. Astronomia em pauta A reunião anual da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) é uma oportunidade única para os membros da entidade divulgarem e discutirem seus trabalhos diante de uma audiência multidisciplinar que cobre todas as áreas de pesquisa em Astronomia no Brasil. O evento deste ano, ocorrido em outubro em Águas de Lindóia, teve a participação de Ednilson Oliveira, professor do Ensino Médio do Santa Maria. O primeiro trabalho apresentado, “Solarigrafia: desenhado com o Sol. Um registro do movimento aparente do sol realizado por alunos de ensino fundamental e médio”, descreve como alunos do Santa Maria e de outros colégios do país estão aprendendo a fotografar o Sol com uma pequena câmara pin-hole usando somente papel fotográfico e interpretando a trajetória solar durante um longo período de tempo, podendo chegar a duas estações do ano consecutivas. O segundo trabalho, intitulado “Um sistema Domo imersivo para aula de Astronomia audiovisual imersivo idome de baixo custo para aulas de Astronomia”, trata-se de um projeto para produzir um domo para projeção audiovisual usando projetor e espelho convexo a fim de criar imersividade para aulas de Astronomia. 06 Caleidoscópio

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Cotidiano Aprender brincando Em outubro, os alunos da Educação Infantil participaram do evento “Aprender Brincando”, cujo objetivo foi o de proporcionar momentos de aprendizagem tendo por instrumento a linguagem do movimento. Por meio dos jogos e brincadeiras oferecidos, foram criados momentos de atuação e de reflexão, trabalhando com noções conceituais relacionadas ao sistema alfabético de escrita, à matemática e ao aspecto motor. Momentos de se apropriarem de novas aprendizagens, compartilhando-as com os amigos! EJA no teatro Uma caravana com dez ônibus levou 440 alunos do Supletivo, acompanhados de professores e funcionários, ao Teatro Gazeta, para assistirem à comédia “Como se tornar uma supermãe em 10 Lições”. Foi a primeira vez na história do Supletivo que um número tão expressivo de alunos esteve presente numa atividade externa organizada pelo Grêmio. Ocorrido em agosto, o evento proporcionou a inclusão cultural para uma grande parte de alunos do EJA que nunca tinha ido ao teatro. A partilha da fé no mundo das Missões No mês das Missões, em outubro, o 3º ano do Fundamental I organizou a missa inspirada no carisma dos missionários, cristãos evangelizadores que propagam a fé e anunciam a palavra de Deus. Com o tema “Missão: amar e agir para um mundo melhor”, as atenções voltaram-se para a atuação dos jovens missionários e a sensibilização da comunidade escolar a respeito de um grande evento que ocorrerá no Brasil, em 2013, no Rio de Janeiro: a Jornada Mundial da Juventude. A série abraçou, especialmente, o apoio à missão de realização da Jornada Mundial da Juventude Oblata, em Aparecida do Norte, liderada pelos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, que ocorrerá uma semana antes da Jornada. Toda a arrecadação da missa foi revertida em doações para a campanha que será responsável por viabilizar o sonho de jovens missionários unidos por um propósito comum: “amar, promover e evangelizar os pobres”. Vivência com o Supletivo Alunos dos 7º anos tiveram a oportunidade de passar um período de aula voluntária com os alunos do Supletivo. O tema escolhido para as reflexões deste ano foi a cidade de São Paulo, com suas grandezas e fragilidades. Separados em grupos que mesclavam alunos da manhã e da noite, os jovens foram convidados a pensar sobre possíveis soluções no que tange à habitação, ao trânsito, à segurança, ao saneamento básico, ao lazer, à educação e à saúde. As discussões nos grupos foram partilhadas com o restante da classe. A experiência dos alunos mais velhos associada ao frescor dos meninos rendeu debates interessantes sobre os rumos necessários para uma melhor condição de vida aos moradores da capital. 07

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Cotidiano O céu ao alcance de todos Mais uma vez, o Santa Maria participou da XV Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). É crescente o número de participantes e, consequentemente, de medalhistas. Neste ano, 46 alunos receberam medalhas, batendo o recorde do Colégio. No nível I (1º ao 3º anos do Fundamental I), foram 1 medalhista de ouro e 1 de bronze. O nível II (4º e 5º anos do Fundamental I) garantiu 1 medalha de ouro, 2 de prata e 10 de bronze. No nível III (6º ao 9º anos do Fundamental II), foram 9 medalhistas de prata e 22 de bronze. O nível IV (alunos do Ensino Médio) conferiu 1 medalha de bronze. No total, 705 alunos participaram da prova, realizada em 11 de maio e composta por cinco questões sobre astronomia, três sobre astronáutica e duas sobre energia e meio ambiente, além das questões observacionais. Vale registrar o convite feito ao aluno Victor Morais de Oliveira, da 3º série do Ensino Médio, para participar do processo de treinamento à distância e prova de seleção que culminará com a seleção das duas equipes (e respectivas equipes reservas) que representarão o Brasil na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, em inglês) e na Olimpíada Latino Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) em 2013. Desafios pedagógicos Nenhum papel. Tudo aconteceu através da ação de pensar, criar, planejar, buscar soluções diferentes e pertinentes. Assim foi uma manhã de sábado de outubro dos 3º, 4º e 5º anos. Os alunos estavam, o tempo todo, envolvidos em atividades lúdicas nas diversas áreas da aprendizagem, o que possibilitou treinar novos conhecimentos ou habilidades em situações concretas e positivas. Se o aprendizado é um processo ativo, no qual cada pessoa seleciona e transforma a informação, constrói hipóteses e toma decisões, é possível afirmar que os alunos exercitaram a capacidade de aprender e, ao superar dificuldades, descobriram o seu potencial. As Oficinas dos Desafios Pedagógicos permitem ampliar as experiências produtivas e alcançar os objetivos tão desejados no ensino-aprendizagem. Matemática vitoriosa A participação dos alunos na Olimpíada Paulista de Matemática (OPM) é um projeto do componente de Matemática do Ensino Fundamental II. Neste ano, foi bastante significativa a participação dos alunos na primeira fase. Os finalistas estudaram problemas de diversas olimpíadas, analisando os objetos matemáticos envolvidos e as possíveis soluções. Gabriel Golfetti  e Kenzo Ishibashi, alunos do 7º ano, foram premiados com medalhas de bronze no nível A. 08 Caleidoscópio

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Conexão P conjunto de sua obra e. Moreau foi educador por mais de 20 anos antes de fundar a Congregação de Santa Cruz e era, sem dúvida nenhuma, muito à frente de seu tempo para quem nasceu em 1799. Seu biógrafo Cano Catta escreveu: “Possuído de dons intelectuais extraordinários, sua erudição estava em harmonia com o espírito das academias universais....Ele não tinha nenhuma dificuldade em fazer seminaristas se interessarem por flores e gramas como uma atração a mais em suas caminhadas.” Lendo isso, fico pensando que uma das ideias mais fortes sobre Moreau era a sua visão de educação. Ele tinha como base que um curso normal de estudos acadêmicos não bastava para a formação dos educandos e que eles deveriam abrir os corações e as mentes para, assim, aumentar seus valores humanos e cristãos. Sua maior preocupação era de que os jovens, ao entrarem na sociedade, não fossem inferiores a ninguém. Seus corações e suas mentes estariam abertos a cada dimensão da vida (musical, social, intelectual, cultural) de modo que pudessem crescer como seres humanos completamente desenvolvidos, capazes de sustentar valores cristãos. Neste momento de fechamento das atividades extracurriculares, podemos ver o talento e o brilho de nossos alunos e alunas nas diferentes apresentações de Teatro, Violão, Circo, Ballet, Street Dance, Robótica, Coral Coreografado e saber que aqui continuamos com o legado de Pe. Moreau, com responsabilidade, comprometimento, doação e muito esforço que, às vezes, estressa, cansa, dói, mas que traz um resultado lindo que salta aos olhos e que gera grande satisfação. Se na tradição da Santa Cruz cultura significa uma visão de vida, acredito que estamos ampliando a de nossos queridos alunos e alunas oferecendo oportunidades diferenciadas para que cresçam e se desenvolvam plenamente, em todos os sentidos. Pe. Moreau ficaria orgulhoso ao ver que o que brilha é o resultado do conjunto de sua obra. Adriana Tiziani é coordenadora dos cursos extracurriculares Pe. Moreau e o 09

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Como Fazer Troca de saberes Vinícius de Melo Andrade leciona para alunos do Supletivo Curso Supletivo do Santa Maria está inovando com propostas complementares de ensino-aprendizagem D 10 esde agosto, alunos do Supletivo, divididos em grupos por dificuldade/série, estão tendo aulas semanais de reforço antes do turno noturno. A inovação está na participação dos alunos do Ensino Médio regular, do diurno, que ministram as aulas de Química, Física e Matemática. Muitas vezes tidas como vilãs, essas disciplinas acabam sendo desmistificadas, pois a linguagem coloquial entre monitor e aluno e o fato de ambos estarem cursando a escola básica tornam-se elementos de aproximação entre educador e educando, que são todos, na verdade, aprendizes. Sim, pois no Caleidoscópio papel de ensinar, o monitor está aprendendo um pouco do ofício de professor e exercendo um papel cidadão que contribui para a formação de outros cidadãos. Ensina a teoria e aprende o que os alunos do Supletivo têm a ensinar sobre a vida prática. Além dos monitores do Ensino Médio, o Projeto Reforço tem como colaboradores profissionais de outras áreas nas aulas de Física e Inglês, também em horários especiais, inclusive aos sábados, num exemplo de solidariedade e troca de saberes. A integração é visível: alunos e monitores, professores ou não, dividem espaços de aprendizagem pela paixão de ensi-

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“Tal experiência me enriquece muito. E, além disso, ter o contato com alunos esforçados, apesar das dificuldades do cotidiano que a vida impõe a eles, me serve de exemplo e me dá ânimo para a minha própria luta.” Vinícius Andrade, monitor de Química nar e, assim, ensinar a paixão de aprender. Ao final do curso, os monitores serão certificados por sua participação em atividades do Terceiro Setor e os alunos de Inglês serão certificados com horas de curso do idioma. Espírito participativo O Supletivo tem como proposta buscar parcerias que favoreçam o protagonismo do educando na ação educativa. Nesse sentido, realizou uma aula-integração cujos protagonistas foram os alunos do 7º ano do Fundamental II regular e os alunos do Ciclo II do Supletivo. Os alunos cumpriram atividades que exigiram discussão em grupo, troca de experiências e pontos de vista, produção escrita e exposição oral. O mesmo propósito permeou o Conselho de Classe Participativo, momento em que os alunos, juntamente com os professores, puderam contribuir apontando dificuldades, dando opiniões e sugestões para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, vai-se consolidando na prática os princípios de Padre Moreau quanto à humanização do ensino, a partir de um projeto educativo que tem no aluno o principal objetivo das suas ações, num movimento de participação, integração, produção de conhecimentos e cidadania, pois é assumindo uma posição de protagonismo que o aluno exerce um papel de cidadão na vida escolar, experiência que será levada à sua vida em sociedade. Dentre as várias opções de cursos supletivos encontrados na região, os alunos escolhem o Santa Maria por sua reconhecida qualidade, seriedade no compromisso pedagógico, na valorização da pessoa e inclusão social, referendadas pela gratuidade total de seu curso. Marcas que fazem a chancela da Instituição das Irmãs de Santa Cruz. “... participar da equipe de monitores do supletivo para mim é mais que um prazer, é uma honra. [...] me fez aprender muitas coisas...” Vitor Campos, monitor de Matemática O aluno Nicolas Ligasacchi em ação “Ter aula com o monitor Vitor é uma grande satisfação para todos nós; além de carismático, ele é muito calmo, atencioso e consegue transmitir muito bem a matéria [...] me sinto um pouco mais segura quando ele está explicando...” Lourdes Amorim, aluna da 6ª série B 11

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Pertencimento multiplicador Alunos identificaram carência em instituição pública e se mobilizaram para colaborar Projeto O Projeto Eleições do 2º ano do Fundamental I envolveu várias etapas. Quando cada uma era concluída, foram confeccionados murais com as conclusões coletivas, imagens e pesquisas realizadas. “Independentemente de ideologias ou concepções políticas, ensinamos a buscar informações sobre os candidatos, a refletir sobre os problemas da cidade, a pensar em soluções possíveis e a praticar a escolha”, relata a professora Lara Pecora Polazzo. Cada turma elegeu um prefeito mirim e elaborou os planos de governo, com propostas possíveis de serem realizadas. Para concretizar as pesquisas, a série foi conhecer a Subprefeitura de Cidade Ademar. Os alunos aprenderam que em São Paulo há 31 subprefeituras que ajudam na administração da cidade. Quando elas realizam um bom trabalho, a prefeitura é bem avaliada pela população. Eles conheceram os diversos setores que prestam serviços à região, como fiscalização de obras, poda de árvores, tapa buracos, limpeza de córregos, conservação de praças e de diferentes espaços públicos, entre outros. A visita incluiu o Conselho Tutelar. Ali, havia uma brinquedoteca bastante desfalcada de brinquedos e jogos. Os alunos souberam que esse espaço é visitado por crianças tiradas da guarda dos pais e que, ao retornarem para casa, levam os brinquedos com elas. São crianças que, muitas vezes, passam por maus tratos, abandono, fome e miséria. Já mobilizados para resolver os problemas da cidade, os alunos sugeriram fazer uma campanha, na semana da criança, para arrecadar roupas, livros e brinquedos seminovos para doar ao Conselho Tutelar, reabastecendo o espaço para que continue promovendo atividades lúdicas. Essa área foi pensada para que a criança possa ser criança, brincar, criar, imaginar, fantasiar! É um lugar para esquecer, mesmo que por alguns minutos, a triste realidade a que são submeti- “Aprendi que há crianças que nunca viram um brinquedo e também algumas podem ser retiradas das casas porque os pais maltratam os filhos.Eu gostei muito de levar as doações que arrecadamos para o Conselho Tutelar da Subprefeitura da Cidade Ademar.” Theo Vasconcellos de Godoy Camargo Garcia - 2º ano H 12 Caleidoscópio

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“Eu gostei muito de ir à Subprefeitura porque doamos brinquedos para a brinquedoteca, roupas e livros. Assim, ajudamos as crianças e colaboramos para resolver um dos problemas da nossa cidade.” Pedro Siqueira de Andrade e Silva - 2° ano A Mobilização dos alunos arrecadou centenas de brinquedos, que lotaram um ônibus das. A ideia surgiu do conselheiro tutelar Rogério de Paula Santos e a subprefeitura abraçou a proposta. “Essa brinquedoteca é um sonho realizado para as crianças saírem da escuridão”, diz Rogério. Inaugurada em 12 de outubro de 2011, em seu primeiro aniversário presenteou os alunos do Santa Maria com a possibilidade de descobrir e praticar a caridade e o desprendimento. Engajados nessa ação em prol da sociedade, os alunos fizeram com que o Projeto Eleições fosse muito além do desenvolvimento de uma consciência política. Eles mostraram que não é preciso deixar tudo sob a responsabilidade dos setores públicos. Em uma tarde permeada de civilidade, os alunos encaminharam o resultado de suas doações, sendo recebidos pelo subprefeito Cel. Carlos Albertin e os conselheiros tutelares Rogério de Paula Santos e Ana Dalva da Costa, encantados com a consciência política que conquistaram por meio dessa ação de amor ao próximo. “Com os outros prefeitos dos 2ºs anos, fui levar as doações ao Conselho Tutelar da Subprefeitura de Cidade Ademar. O subprefeito estava nos esperando e nos deu um livro como agradecimento. Foi muito legal poder ajudar!” Marcelo Casseano Coppio - 2º ano G 13

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Destaque Formação continuada boas perguntas? Os estudos com a doutora Maria Alice de Rezende Proença vêm saciar a curiosidade dos professores do Jardim. “Ao longo de nossas discussões, aprimoramos a escuta, o olhar, a observação. Nos instrumentalizamos e nos tornamos mais sensíveis para “ler” o que as crianças têm a nos dizer, a mostrar, a perguntar”, relata Claudia Regina Simões Lacerda, professora do Jardim I A. Esse material permite fazer conexões para que as múltiplas linguagens das crianças se articulem e possibilitem que suas vivências se transformem em experiências significativas. “Ao fazer articulações, viabilizamos que novas ações sejam feitas a partir da mesma experiência, do mesmo objeto. Este é o caminho para que a criança aproprie-se do conhecimento e seja realmente protagonista”, defende Claudia. Além da missão de educar crianças e jovens, o Colégio Santa Maria investe na formação permanente e contínua de seus educadores. Formação que envolve planejamento e intencionalidade para que a prática docente seja eficaz e de acordo com os princípios de educação que a instituição acredita. Aqui estão relatadas algumas das atividades que deram corpo a esse propósito em 2012 GEP – Grupo de estudos sobre projetos O educador Paulo Freire falava que “sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino”. A curiosidade leva à busca de conhecimento e de novos desafios. Para ensinar, o professor precisa aprender sempre, ser um eterno curioso. Do outro lado, está a criança, curiosa, encantada com o mundo que se revela, inquieta, deslumbrada e repleta de ideias sobre os objetos, os fenômenos naturais, sobre todas as coisas às quais tem acesso. Mas o que escolher para instigar ou mostrar? O que apresentar à criança para que ela aprenda e amplie seu repertório? Quais são as 14 Caleidoscópio

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Rosilene Moutinho Arriola compartilha trabalho sobre neurociência Fundamentos da Neurociência O olhar para a Educação, para as famílias e, principalmente, para os alunos, necessita, cada vez mais, de refinamento e de diversas óticas. A neurociência é uma dessas lentes fundamentais usadas na prática pedagógica para torná-la mais clara. Conhecer e levar em consideração o desenvolvimento do cérebro é fundamental, pois a aprendizagem dos conhecimentos escolares acontece em função desse desenvolvimento e funcionamento do órgão. “Pesquisar e estudar sobre a neurociência, nos grupos de estudos orientados por Elvira de Souza Lima, tem nos ajudado a compreender como o cérebro humano funciona e, portanto, aprende, dando-nos uma possibilidade maior de alinhar a nossa docência aos processos mentais em cada fase do desenvolvimento, tornando a nossa ação mais eficiente”, revela a professora do 1º ano, Cássia A. José Oliveira. O que é ensinado é cultural e tudo o que é cultural sofre perdas e ganhos, dependendo da atuação de cada um. Nesse sentido, as intervenções devem ser sistemáticas, com muitas reincidências para que a aprendizagem passe da memória de curto prazo para a memória de longa duração. Somente assim, ela se solidifica e pode ser usada em diversas situações, num processo de relações e de transferências. É assim que os neurônios fazem sinapses, criam novas redes, tornando os conhecimentos significativos e aumentando a nossa capacidade de aprender. Segundo Rosane Callegari, professora do Jardim I, na Educação Infantil o foco de estudo tem sido o desenvolvimento das estruturas de pensamento e o quanto o trabalho com a socialização, com a função simbólica, Professores do Santa Maria em momento de estudo com o movimento, com o espaço, com os sentidos, com a observação, a atenção, a memória, a imaginação, a criatividade, a geometria, a música e as artes são fundamentais. Para as professoras de 1° e 2° anos, os estudos dão continuidade aos aspectos anteriores, mas privilegiam reflexões sobre a escrita, a leitura e a Matemática, que são desdobramentos da função simbólica, pois envolvem a elaboração de sistemas simbólicos, ou seja, dar significado ao que antes não tinha. “Para a alfabetização e a sua consolidação é importante resgatar e ensinar padrões como as sílabas, aprofundando os estudos das dimensões da linguagem que envolvem não somente a ortografia, mas escrever frases e textos com estrutura, dominando o significado das palavras, ampliando o acervo de vocabulário, com conhecimento da origem das palavras e com prosódia, que é a dimensão mais complexa que dá vida, dá cor, dá imagem à escrita”, explica a professora do 2º ano, Rosilene Moutinho Arriola. Imersão matemática Os encontros de formação continuada com foco na Matemática, realizados às segundas-feiras com o professor Luiz Márcio Imenes (engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, licenciado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Moema, mestre em Educação Matemática pela UNESP, professor em cursos de formação de professores e autor de textos escolares de Matemática) e os professores do 2º ano, iluminam a prática pedagógica no intuito de mostrar os caminhos que resultam no conhecimento. Ajudam a compreender 15

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