Dias de passado e futuro: uma breve análise das lutas que passaram e das que virão...

 

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Dias de passado e futuro: uma breve análise das lutas que passaram e das que virão...

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DIAS DE PASSADO E FUTU O ano de 2014 foi, sem dúvidas, um período de muitas lutas e enfrentamentos para os trabalhadores da Rede Federal de Educação. Começamos com a esperança de uma grande greve unicada dos federais, mas ela não foi abraçada por todas as entidades e, dentre os que se dispuseram à luta, coube uma grande resistência, sob diculdades para ser recebidos nos ministérios e judicialização por parte do governo. Nosso Sindicato cumpriu o seu papel: estivemos em movimento paredista por 81 dias, paralisando mais de 160 unidades de ensino por todo o Brasil. Junto à Fasubra, Assibge e os servidores da Cultura, enfrentando inclusive cortes de ponto e demissões ilegais, nós resistimos. Mas, infelizmente, continuamos sem data-base, sem previsão de novos reajustes, sem a equiparação dos benefícios entre os servidores dos três poderes. A greve do SINASEFE, que começou em 21 de abril, foi encerrada em 10 de julho com uma promessa por parte do governo: receber SINASEFE, Fasubra e Andes-SN, em mesas separadas e conjuntas de negociação, para dar seguimento às nossas demandas e buscar os melhores caminhos para o atendimento das reivindicações dos trabalhadores da educação federal. Mas a promessa cou apenas na verbalização. Tivemos, de fato, apenas uma das cinco reuniões previstas pelo MEC, quando debatemos as restrições no estágio probatório para os TAE e a janela EBF para EBTT. Nas demais, quando a pauta dependia de outros atores (MPOG, MD), eles não compareciam e a pauta não andava, com a repactuação de datas que nunca foram cumpridas. O resultado dessa postura desonesta foi o descrédito do governo Dilma com a categoria, que ainda teve que assistir o famigerado Pronatec ser um dos carros-chefe de sua campanha. E um dos motivos para que a Presidenta saísse “derrotada” do processo eleitoral, mesmo conseguindo se reeleger, foi ter apostado na ruptura com os trabalhadores do serviço público: desde que ganhou a presidência, em 2002, nunca o PT teve tão poucos votos (a soma de brancos, nulos e do seu adversário foi maior que o total de votos de Dilma); nunca o PT se viu tão ameaçado de derrota. Ainda assim, o governo insiste no mesmo erro, e quando deveria retomar o diálogo com a classe trabalhadora e voltar a se relacionar com sua base social, faz o inverso: amplia seus ataques. Primeiro com a nomeação de um ministério majoritariamente conservador, com nomes como Kátia Abreu (vencedora do prêmio “motosserra de ouro”) para a agricultura, Joaquim Levy para a fazenda e Helder Barbalho para a pesca. Na Educação, Cid Gomes, conhecido dos cearenses pelo péssimo trato com os servidores públicos, inclusive por ter dito, em 2011, que “educador tem que trabalhar por amor, e não por dinheiro”, já chegou rearmando sua fama e nos dando um teaser do que nos espera, ao falar, em sua primeira entrevista DAS LUTAS QUE PASSAR

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URO: UMA BREVE ANÁLISE em rede de televisão na condição de ministro, que “quem quer ganhar dinheiro não vai para o serviço público, não vai para a vida pública, vai para a iniciativa privada, que paga melhor”. O sexto ministro da educação dos governos petistas é o primeiro a não ser liado ao PT: Cid Gomes é do PROS. Ao que parece, mesmo se valendo do lema “Brasil, Pátria Educadora!”, o governo decidiu parar de ver a educação como pasta estratégica e enviá-la ao segundo escalão das suas prioridades. Não à toa que o MEC foi o ministério que sofreu o maior corte de recursos no recente ajuste scal das contas públicas promovido por Dilma: 31% do orçamento do ministério, o que totaliza algo em torno de R$ 7 bilhões, deixarão de vir à educação pública para serem direcionados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública, que já foi paga muitas vezes e segue sendo paga para justicar a corrupção sistêmica em que a República está mergulhada. O apagar das luzes do ano que passou ainda marcou a assinatura da MP 664/2014, que limita direitos à concessão de benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-reclusão e pensão por morte para os trabalhadores regidos pela CLT. Nosso direito de greve, que já vinha sendo atacado desde 2013, voltou a sofrer os costumeiros ataques do senador Romero Jucá (da base do governo) após as eleições. Se fazer greve, com as negativas de negociação, cortes de ponto, demissões e judicialização dos movimentos por parte do governo já está sendo árduo; com as promessas de retrocesso e retirada de direitos pelo legislativo, o cenário pode car ainda pior. E a corrosão de nossos salários segue rme e forte: os 5% de aumento da parcela de 2014 foram inferiores à inação de 6,5% que fechou o ano. Para 2015, temos a última parcela de 5% e uma previsão inacionária em 6,53%, ampliando essa corrosão. Mas, para além desse problema, não teremos, após o reajuste acordado na greve de 2012, nenhuma nova previsão de aumento salarial após isso. Por parte do governo, existem duas previsões para os servidores públicos: falta de política salarial e falta de política salarial. É necessário unicar as lutas, as bandeiras, retomar as utopias: a classe trabalhadora precisa voltar a ser protagonista no cenário político. Ou fazemos isso, ou assistiremos as agudizações das contradições capitaltrabalho destruírem direitos históricos que nos foram tão caros de se conquistar. Aos servidores públicos federais, que venha uma Campanha Salarial mais forte, coesa e unitária que as últimas, nas quais sofremos sucessivas derrotas. À classe trabalhadora, mais do que isso: unidade e solidariedade para os enfrentamentos que virão. Somos os produtores da riqueza, somos aqueles que vendem a força de trabalho para fazer o Brasil funcionar, somos a maioria. E tudo que a classe dominante não quer e aquilo que ela mais teme é a nossa unidade: no dia que ela vier, seremos invencíveis. RAM E DAS QUE VIRÃO...

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Publicação do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Prossional e Tecnológica. CNPJ: 03.658.820/0001-63 | Jornalistas responsáveis: Mário Júnior (MTE-AL 1374) e Monalisa Resende (MTE-DF 8938) | Ilustrações: Carlos Latuff | Sede e redação: Setor Comercial Sul, Quadra 2, Bloco C, Edifício Serra Dourada, Salas 109 e 110, Brasília-DF, CEP: 70300-902 | Fone/Fax: (61) 2192-4050 e 2192-4095 | e-mails: imprensa@sinasefe.org.br e dn@sinasefe.org.br | Autorizada a reprodução total ou parcial do conteúdo, desde que seja citada a fonte da informação.

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