Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 19

 

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mineracão sustentabilidade revistamineracao.com.br . Dezembro . Outubro de 2014 Novembro Setembro 2013 . Especial Edição 12 Edição 19 .. Ano 4 2 Cidades Minerárias Evento Mataraca é a capital brasileira do titânio Exposibram Amazônia debate os 10 desafios da mineração Comunidade Programa Integrar, Mercado da Kinross, apoia o empreendedorismo em Paracatu estão entre as empresas que mais perderam valor desde 2010 Mineradoras e siderúrgicas Fernando Pimentel Governador eleito de Minas Gerais defende a reabertura do debate sobre o Novo Marco da Mineração

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clique Wikipedia O preço da degradação US$ 500 bilhões anualmente. Esta é a cifra que os países em desenvolvimento poderão demandar em 2050 para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, segundo as Nações Unidas. Os custos são maiores do que o calculado anteriormente, conforme anunciado durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP20). O custo de adaptação aos efeitos do aquecimento global aumentará mesmo se a temperatura da Terra não subir mais dois graus neste século, meta da ONU. EXPEDIENTE Diretor Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Ívina Tomaz Thailor Gonçalves Janaina Massote redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico, Editoração e Design Leopoldo Vieira Anúncios / Comercial Natália Sousa + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Gráfica Del Rey Tiragem 8 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Fernando Pimentel - Divulgação/Flickr On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guaicuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 /RevistaMineracao @RevMineracao

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Estante II Iventário de Gases do Efeito Estufa do Setor Mineral A publicação do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apresenta os inventários de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) de parte das empresas associadas à entidade. O estudo traz informações sobre as emissões de GEE, referentes ao ano de 2011, para 16 bens minerais e a contribuição da mineração para o aquecimento global. Fundo Nacional Sobre Mudança do Clima O estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) contém informações referentes à Política Nacional Sobre Mudança do Clima, Economia de Baixo Carbono e Recursos Reembolsáveis. A publicação informa sobre os beneficiários financeiros do Fundo Clima, como se dá o processo para apoio financeiro, condições e exemplos de distribuição de projetos nas áreas operacionais do BNDES. Desempenho do Setor Mineral 2014 A obra elaborada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral- Goiás e Distrito Federal (DNPM/GO-DF) apresenta dados e informações referentes à atividade mineradora nas duas unidades federativas. A publicação apresenta o potencial mineral, arrecadação, investimentos e pesquisas realizadas, além de tratar da contribuição da mineração para a economia local, tendo 2013 como ano base. • Disponível para download: dnpm.gov.br • Disponível para download: ibram.org.br • Disponível para download: ibram.org.br Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 5

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sumário revistamineracao.com.br Novembro . Dezembro de 2014 Edição 19 . Ano 4 10 Entrevista Fernando Pimentel fala à Mineração & Sustentabilidade sobre os planos para o governo 18 Evento Exposibram Amazônia discute os desafios da mineração 14 Internacional A mineração nos EUA 46 Comunidade Programa da Kinross apoia o empreendedorismo em Paracatu 42 32 Mercado Cidades Minerárias Mataraca, na Paraíba, é a capital do titânio Mineradoras e siderúrgicas perdem valor no primeiro mandato de Dilma Rousseff Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Internacional 18 Evento 22 26 30 32 36 Surpreenda-se Sustentabilidade Artigo Cidades Minerárias Produto Final 38 40 42 46 50 Cetem Informe Publicitário Mercado Comunidade Agenda 36 Produto Final Titânio, o mineral dos deuses 22 Surpreenda-se Conheça a maior caverna de gelo do mundo, localizada na Áustria 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014

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Editorial A renovação da esperança Neste dezembro de 2014 estamos fazendo circular 19ª edição de “Mineração e Sustentabilidade”, cuja jornada editorial teve início em 2011 e chega hoje com o país vivendo um clima de muita angústia, incertezas, mas também de esperança em dias melhores. No plano federal, embora reeleita num pleito difícil, a presidente Dilma Rousseff é obrigada a esquecer o discurso do palanque e aceitar os remédios amargos que a equipe econômica recém indicada certamente irá prescrever. Muitos cortes nos orçamentos e poucos recursos para investir. Isso sem falar na questão da Petrobras, a cada dia nas manchetes da imprensa com infindáveis casos de corrupção. Se em Brasília a presidente não teve nem como celebrar a vitória, tamanha é a lista de problemas a resolver e contornar, em Minas Gerais o governador eleito, Fernando Pimentel, esbanja otimismo e está convicto de que o amplo diálogo é o caminho certo para conduzir o Estado a um futuro venturoso. Ex-preso político, e em função de sua participação na luta contra o regime militar instalado no país em 1964, Pimentel sobreviveu aos horrores da tortura e forjou seu aprendizado político nos primórdios do PT, mas teve no aprendizado com Célio de Castro na Prefeitura de BH, de quem foi secretário e vice no segundo mandato e a quem sucedeu na doença, o entendimento de que na política o diálogo é sempre o melhor caminho. Com seu jeito firme, mas bem mineiro, bancou, pelo PT, o apoio a Márcio Lacerda na primeira eleição deste para a prefeitura de BH, ombreando ao lado de Aécio Neves, num amplo acordo com o PSDB. E foi esse perfil que Fernando Pimentel mostrou na entrevista que sai publicada nas páginas verdes, concedida ao editor-geral Thobias Almeida. Ele reconhece a importância da mineração na economia mineira e sabe que o setor representa 15,9% do PIB mineiro e 55% das exportações do Estado. Agora, como disse, assumindo o governo do Estado, quer incentivar uma nova discussão sobre o Marco Regulatório da Mineração, que dormita na comissão especial do Congresso Nacional há quase dois anos. E de cara faz uma pergunta importante sobre a matéria: “No momento em que o preço do minério de ferro cai pela metade, devemos dobrar a CFEM?”. E promete em seguida para a mineração do Estado “um tratamento adequado do ponto de vista tributário, de crédito e de regulação”. Com isso ele acredita que a mineração será melhor aproveitada, trazendo mais prosperidade ao Estado. O futuro governador ressalva, contudo, que não será leniente com as autoriDiretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. zações dos novos empreendimentos, nem tão rigorosos a ponto de afastar os investimentos. Na economia de modo geral, ele destacou a vocação do Estado para a mineração e a agropecuária, prometendo redesenhar o Conselho de Desenvolvimento Econômico, dando a ele mais poder para tomar decisões e implementá-las. Agora é esperar e fazer os votos para que Minas tenha boa administração pública e empreendedores de sucesso. À todos, os nossos agradecimentos, e que a solidariedade do Natal se estenda por todo o Ano Novo. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 7

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panorama Yara completa aquisição de 60% Galvani A Yara concluiu a aquisição de 60% da brasileira Galvani, empresa que atua no setor de mineração de rocha fosfática e produção de fertilizantes. Foram investidos US$ 318 milhões na transação. Do total, US$ 132 milhões compreendem projetos existentes e US$ 186 milhões se destinam a novos projetos de mineração e produção. Segundo a empresa, o pagamento será realizado mediante condicionantes. Ainda de acordo com a companhia norueguesa, haverá reajuste pós-fechamento do capital de giro. Com a aquisição, a Yara passa a deter participação majoritária da Galvani. Fusão no horizonte? Ian Hannam, homem à frente da Hannam Partnes, consultoria especializada em negócios da mineração, garantiu a um grupo de investidores que as gigantes Glencore e Rio Tinto concretizarão uma fusão no curto prazo. A suíça Glencore fez uma investida para tomar o controle do conglomerado anglo-australiano em julho deste ano, negócio que criaria uma companhia com valor de mercado de US$ 160 bilhões. Seria a maior mineradora do mundo. A Rio Tinto recusou a proposta. Segundo Hannam, a fusão poderia representar uma economia de custos da ordem de US$ 1,8 bilhão. As companhias não comentaram as informações. Mineração e setor petrolífero crescem 2,2% Em meio à divulgação de números pouco animadores sobre o PIB brasileiro, uma boa notícia: as atividades extrativas minerais no Brasil cresceram 2,2% no terceiro trimestre de 2014, o que ajudou a produção de riqueza da indústria a não descer a patamares negativos no período. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro entre julho e setembro subiu 0,1%, depois de crescer 0,6% no segundo e cair 0,2% no primeiro trimestre. As estimativas são de que o crescimento econômico deve fechar o ano ao redor de zero ou pouco acima dele e que 2015 não será muito diferente. Salviano Machado/Vale 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014

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Carvão I O governo brasileiro contratou, depois de nove anos, um projeto de geração de energia baseado no carvão mineral. No final de novembro, a construção da usina Pampa Sul foi definida a partir da vitória da Tracbel Energia em leilão. A planta será erguida em Candiota, no Rio Grande do Sul, e venderá energia ao custo de R$ 201,98 por megawatt/hora. O cronograma prevê a entrada em operação da usina em janeiro de 2019. Se por um lado o retorno ao carvão mineral é uma notícia que desagrada organizações ligadas à causa ambiental, por outro deve-se levar em conta que o governo habilitou 10 projetos de térmicas a carvão, porém somente um vingou. Joice Cagliari carvão II A mineradora gaúcha Copelmi e o grupo coreano Posco planejam construir uma unidade de produção de gás natural sintético (GNS) com destino à rede de distribuição da Sulgás, distribuidora controlada pelo governo do Rio Grande do Sul e pela Petrobras. A unidade terá capacidade para fornecer 2 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural a partir do beneficiamento de 3,5 milhões de toneladas de carvão mineral por ano. O projeto demandará investimentos de US$ 1,8 bilhão, com previsão de início da operação para o fim de 2019 ou início de 2020. Vale reduz orçamento pelo 4º ano seguido A Vale anunciou no início de dezembro nova redução de investimentos, fato que se repetiu nos últimos três anos. A mineradora pretende investir cerca de US$ 6,3 bilhões na execução e US$ 3,8 bilhões em manutenção de operações em 2015. De acordo com a empresa, entre os projetos que receberão aportes estão a expansão da produção de Carajás, orçada em US$ 3,6 bilhões, e a conclusão do projeto Itabiritos, que abrange os complexos de Conceição Itabiritos II, Vargem Grande Itabiritos e Cauê Itabiritos, que custarão US$ 659 milhões. Já os investimentos em operação serão empregados em substituição de equipamentos, construção e expansão de pilhas e barragens de rejeitos, saúde e segurança, entre outros. Chile precisará de mais energia A mineração chilena prevê a necessidade de dobrar o consumo de energia até 2025. Um rol de grandes projetos em execução, de mineração e dessalinização da água do mar, serão os grandes demandantes. A comissão de cobre chilena calcula que será necessário um acréscimo de 18 mil gigawatts na oferta interna para suprir o mercado. No Chile, o preço da energia é um problema para a mineração, responsável por 14% do custo total da produção de cobre. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 9

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entrevista Divulgação Fernando Pimentel 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014

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“Nós precisamos da mineração” Thobias Almeida Governador eleito, Fernando Pimentel promete incentivar a mineração por meio do conhecimento e defende um novo diálogo sobre o marco regulatório do setor Em 5 de outubro, Fernando Pimentel (PT) ganhou o direito de governar a terceira economia e o maior produtor de minérios do país, Minas Gerais. A vitória sobre o tucano Pimenta da Veiga no 1º turno, com 52,98% dos votos válidos, conferiu a Pimentel as rédeas da carruagem mineira, que em 2012 respondeu por 9,2% do PIB brasileiro - R$ 403,5 bilhões. A economia de Minas Gerais é fortemente vinculada ao setor minero-metalúrgico. A metalurgia representa 16% do PIB estadual, ao passo que a mineração é responsável por 15,9%. Ambas perdem apenas para a produção de alimentos, com 16,9% de participação. O setor extrativo metálico representa 55,5% das exportações do estado, de acordo com o IBGE. Assim, políticas públicas para incentivar e apoiar o desenvolvimento da indústria mineral são fundamentais. Em entrevista à Mineração & Sustentabilidade, Fernando Pimentel se posiciona com cautela com relação ao Nova Marco da Mineração. “No momento em que o preço do minério de ferro cai pela metade, devemos dobrar a CFEM?”, questiona. A declaração indica que o governador mais próximo da presidenta Dilma Rousseff, com interesse direto no tema, pode incentivar uma nova discussão, o que esfriaria os ânimos daqueles que imaginavam que o projeto poderia ser votado em 2015. Pimentel também conversou sobre o projeto de desburocratizar o licenciamento ambiental em Minas Gerais, com o cuidado de manter o equilíbrio entre a porteira aberta e o cadeado arrochado; o incentivo à inovação como forma de agregar valor à produção do estado; o financiamento privado de campanhas eleitorais; e o novo projeto de desenvolvimento que pretende desenhar, o que incluiria alternativas para os municípios mineradores criarem pilares que vão além da atividade. Mineração & Sustentabilidade Hoje, qual a leitura que o senhor faz da mineração em Minas Gerais? O estado está sabendo aproveitar suas riquezas minerais? Fernando Pimentel Minas pode avançar muito mais. Somos um estado com um enorme potencial, mas nos faltou nesses últimos anos um projeto coordenado de desenvolvimento econômico. Há quem diga que por ser baseada na atividade mineradora a economia mineira é atrasada. Não é verdade. A mineração é uma atividade importantíssima, que dá nome ao estado. Nós precisamos muito da mineração que, apesar de ter tido um desempenho extremamente razoável nesses últimos quinze anos, se queixa de não ter sido adequadamente tratada do ponto de vista tributário, do crédito, da regulação. Estou certo de que nossa riqueza mineral pode ser mais bem aproveitada. M&S O senhor declarou durante a campanha que pretende desburocratizar e descentralizar o processo de licenciamento ambiental em Minas Gerais. Como isso será feito e o que representará para o setor minerário? Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 11

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FP A atividade mineradora é vital para o estado. Temos de ter planejamento porque o governo não pode errar a mão. Não podemos ser lenientes com a autorização de novos empreendimentos nem tão rigorosos a ponto de afastar o investimento daqui. Por que uma grande companhia como a Vale não abre uma nova jazida em Minas há dez anos? Isso não faz bem ao desenvolvimento do estado. Nós vamos buscar solução para esses impasses de forma conjunta, reunindo empresas mineradoras, ambientalistas e o Conselho de Desenvolvimento Econômico. M&S Como o senhor se posiciona com relação ao Novo Marco da Mineração? FP O projeto que tramita no Congresso tem avanços pelos quais devemos lutar, Divulgação mas temos de ter algumas cautelas. No momento em que o preço do minério de ferro cai pela metade devemos dobrar a CFEM? As próprias mineradoras concordam que a alíquota atual é baixa. Mas devemos dobrá-la? No dia 24 de novembro, em palestra para empresários, lembrei que a Austrália, um dos maiores produtores de minério do mundo, retirou todo o imposto que incidia sobre a atividade mineral. Isso não quer dizer que esteja defendendo o imposto zero. É obvio que a nossa realidade é outra, não podemos fazer isso nunca aqui. Mas dou esse exemplo só para mostrar como fazem muitos países quando decidem estimular suas principais atividades econômicas. As novas regras podem ser discutidas e, em alguns casos, melhoradas, adequadas aos interesses do estado. M&S O senhor é muito próximo à presidenta Dilma Rousseff. Haverá um esforço de sua parte junto ao Planalto para tentar fazer com que a proposta caminhe no Congresso? FP Podemos rediscutir o que for necessário e a partir daí trabalhar pela aprovação. M&S O senhor já definiu os nomes que estarão à frente das políticas públicas voltadas para a mineração em Minas Gerais? Qual perfil o senhor busca? FP Estamos em plena fase de transição, buscando informações que nos ajudem a definir perfis e competências necessárias aos vários cargos da administração. Os nomes serão definidos nas próximas semanas. M&S Qual a posição do senhor sobre o Projeto Apolo, da Vale, que pretende se instalar na Serra do Gandarela, área de grande riqueza hídrica e diversidade natural? FP Esse será um daqueles projetos que devem ser discutidos pelo governo, por representantes do setor e pela sociedade civil. Mas é necessário que seja dada uma resposta, qualquer que seja ela, à empresa, à população daquela região, aos mineiros. Pimentel propõe agregar valor às commodities minerais Fernando Damata Pimentel, 63 anos, foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma Rousseff até fevereiro de 2014. Natural de Belo Horizonte, é formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e tem mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais. O primeiro cargo político foi o de secretário da Fazenda na capital mineira, em 1993. Eleito vice-prefeito de BH na chapa de Célio de Castro, em 2000, assumiu a prefeitura depois que o titular adoeceu. Em 2004, foi o primeiro prefeito eleito no primeiro turno na história da cidade. Simião Castro M&S Mineradoras e siderúrgicas fizeram generosas doações à campanha do senhor, assim como para o seu principal concorrente. Como vencer a desconfiança de parte da população de que essa prática submete o Estado a interesses privados? FP A gente vence a desconfiança com trabalho e transparência. As doações às campanhas foram feitas legalmente, publicamente. A sociedade sabe quem doou e quanto foi doado. É legítimo que qualquer setor da sociedade apresente suas demandas aos governos tendo feito doações ou não. Da mesma forma, os governos podem atender essas demandas ou não. Assim é a democracia. Nós vamos governar de forma transparente, ouvindo a população através dos fóruns regionais de governo. Vamos redesenhar o Conselho de Desenvolvimento Econômico, arejá-lo e dar-lhe mais poder para tomar decisões e implementá-las, observando os limites fiscais, os orçamentos previstos. Não se trata de criar mais cargos, de dar emprego para ninguém. Mas de reunir representantes da sociedade civil, profissionais liberais, trabalhadores, empresas e governo para definir prioridades de desenvolvimento em cada região. 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014

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Entrevista com Fernando Pimentel M&S O senhor tem algum projeto para auxiliar municípios mineradores a criarem alternativas econômicas para o período posterior à mineração? FP O projeto de desenvolvimento econômico que pretendo discutir com as mineiras e os mineiros prevê a entrada da nossa economia na era do conhecimento. De maneira alguma isso significa abrir mão de nossa enorme riqueza mineral, do nosso imenso potencial agrícola. Mas precisamos aumentar o valor de nossos produtos, beneficiando-os, agregando tecnologia aqui em Minas. Temos um parque universitário invejável, com duas universidades estaduais, 11 federais e seis institutos federais de educação produzindo conhecimento, gerando tecnologia que pode perfeitamente ser incorporada às nossas riquezas. Já avançamos muito. Nossa produção mineral e agrícola contém muita tecnologia. Precisamos dar um novo passo agregando valor ao que é extraído das minas e das plantações, avançando, obviamente, em outros setores da indústria e dos serviços. Acredito que assim encontramos alternativas para os municípios que hoje dependem exclusivamente da mineração. M&S O senhor concorda que a mineração foi um tema pouco discutido durante a campanha, principalmente em Minas Gerais, estado intimamente atrelado à atividade? FP A mineração, em particular, e o desenvolvimento socioeconômico de Minas foram temas permanentes das discussões de que participei ao longo da campanha, sempre com foco na economia do conhecimento. Em 26 de novembro, por exemplo, me reuni em Belo Horizonte com os reitores das universidades estaduais e das federais instaladas em Minas e diretores dos IFETs para discutir formas de modernização da nossa economia. Estamos avançando. M&S Recentemente, empresas como a Gerdau e a MMX anunciarem recuos nos projetos de investimento em Minas, por motivos diferentes, vale ressaltar. Este cenário o preocupa? FP Perder investimentos nunca é bom. Mas ao assumir o governo podemos sentar com essas empresas, com a sociedade e buscar formas sustentáveis de viabilizar não apenas esses investimentos como tantos outros que, volto a dizer, aguardam um plano de desenvolvimento econômico efetivo para o nosso estado. M&S Minas Gerais seguidamente é citada em relatórios como estado campeão em perda de área verde nativa, principalmente de Mata Atlântica. Como o senhor pretende enfrentar essa situação? FP Nosso Estado também tem a maior área de reflorestamento do mundo. Isso quer dizer que nós temos a solução para nossos problemas aqui mesmo dentro de Minas. Com otimismo, muito trabalho e determinação podemos enfrentar todos os desafios que estão a nossa frente. M&S Qual a mensagem que o futuro governador de Minas Gerais deixa para o setor da mineração? FP Como já disse, essa é a atividade que batiza o estado. Isso diz muita da importância dela para o nosso futuro. Vamos buscar soluções conjuntas para avançarmos em direção a uma atividade social, econômica e ambientalmente sustentável. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 13

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Internacional Estados Unidos 12,18% 4,46% Utah Nevada Califórnia 4,19% 10,16% Arizona Tio Sam, o minerador Mineração representa 14,5% do PIB americano e emprega mais de um milhão de trabalhadores Janaina Massote 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 4,6% Alaska Muitos brasileiros têm uma visão equivocada que a extração de produtos minerais somente é realizada em países em desenvolvimento. O potencial das commodities minerais americanas desmistificam essa ideia. Os Estados Unidos, cada vez mais, se reafirmam como um expressivo player da indústria mineral mundial.

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Minesota Michigan 6,27% 2,95% Wyoming 3,31% Colorado 2,84% 3,29% Missouri 5,03% 5,17% Flórida Texas Maiores Produtores Minerais dos EUA No ranking internacional, o país está entre os cinco maiores. Em 2013, o processamento dos minerais extraídos no país, em conjunto com a matéria-prima importada, representaram para a economia americana 14,5% do PIB, que foi de US$16,8 trilhões. A produção de 14 commodities rendeu, cada uma, mais de US$1 bilhão para o país. Entre elas, destacam-se ouro, cobre, calcário e agregados para construção, além do minério de ferro. Em 2013, 12 estados foram responsáveis por produzir mais de US$ 24 bilhões em commodities minerais não combustíveis. A explotação nesses locais representou 64% do valor total da produção dos Estados Unidos. PESO ECONÔMICO De acordo com o Mineral Commodity Summaries 2014, publicação do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o valor da produção de matérias-primas minerais nas minas americanas, em 2013, foi de US$ 74,2 bilhões. Deste total, US$ 31,9 bilhões foram de bens minerais metálicos, onde se sobressaíram o ouro (32%), o cobre (29%), o minério de ferro (17%), o molibdênio (10%) e o zinco (5%). Já o valor da produção de bens minerais primários não metálicos foi de US$42,3 bilhões, cerca de 3% a mais Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2014 15

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