revista O Farmacêutico em Revista - edição 107

 

Embed or link this publication

Description

edição 107 - 3º/2014

Popular Pages


p. 1

O F A R Mem A C Êrevista UTICO CRF-PR INAUGURA NOVA SEDE Novo endereço dispõe de mais espaço para a realização de cursos e eventos,além de permitir melhor atendimento aos farmacêuticos paranaenses. Revista do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná Edição nº 107 - 3º /2014 A PALAVRA DE ORDEM É UNIÃO Mobilização contra a MP 653 leva farmacêuticos e estudantes às ruas para lutar pela saúde brasileira e pelo exercício pleno da profissão. MULHERES FARMACÊUTICAS Conheça a pesquisadora que tem sede pelo conhecimento e é um exemplo de determinação. 68 ANOS DE AMOR À PROFISSÃO Entrevista com o farmacêutico mais antigo em atividade no Paraná. ASSISTÊNCIA INTEGRAL Confira artigo exclusivo do Presidente do CRF-PR sobre tema determinante aos farmacêuticos. www.crf-pr.org.br

[close]

p. 2



[close]

p. 3

SUMÁRIO ::: EXPEDIENTE::: O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição nº 107 - 2014 Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná Rua Presidente Rodrigo Otávio, 1.296 Hugo Lange Curitiba-PR | 80.040-230 DIRETORIA CRF-PR PRESIDENTE Dr. Arnaldo Zubioli VICE-PREDIDENTE Dra. Mirian Ramos Fiorentin DIRETORA SECRETÁRIA Dra. Marisol Dominguez Muro DIRETORA TESOUREIRA Dra. Marina Gimenes CONSELHEIROS REGIONAIS Dr. Cynthia França Wolanski Bordin Dr. Dennis Armando Bertolini Dr. Emyr Roberto Carobene Franceschi Dr. Márcio Augusto Antoniassi Dra. Maria do Carmo Baraldo Wagner Dra. Marilene Provasi Dra. Sandra Iara Sterza CONSELHEIROS REGIONAIS SUPLENTES Dr. José Antônio Zarate Elias Dra. Marina Sayuri Mizutani Hashimoto Dr. Maurício Portella CONSELHEIRO FEDERAL Dr. Valmir de Santi Dra. Célia Fagundes da Cruz (Suplente) JORNALISTA RESPONSÁVEL Dayane Carvalho | MTB 6990 DRT/PR Ana C. Bruno | 2973 DRT/PR ESTAGIÁRIO JORNALISMO Gustavo Lavorato DIAGRAMAÇÃO Michelly M T Lemes Trevisan CTP E IMPRESSÃO: Fiore & Fiore Tiragem: 15.500 mil exemplares Artigos não manifestam necessariamente a opinião da revista “O Farmacêutico em revista”, e são de inteira responsabilidade dos seus autores. Foto capa: Gustavo Lavorato Fotos MP - Brasília: Maeda Fotográfo CFF Fotos Inauguração SEDE- Camila Ferraz DIGA NÃO À MP 653/14 5 CRF-PR INAUGURA NOVA SEDE 32 4 7 11 14 20 22 23 27 29 30 31 EDITORIAL ARTIGO Da Assistência Integral e Responsabilidades técnicas. HOSPITAL DO IDOSO Cuidados especiais na farmácia hospitalar garantem mais segurança ao paciente da terceira idade. II SEMANA DO FARMACÊUTICO O dia Internacional do farmacêutico (25/09) foi comemorado com campanha voltada à terceira idade. ENTREVISTA 68 anos de amor à profissão. ARTIGO Sob o véu da maturidade. SÉRIE DE REPORTAGENS - MULHERES FARMACÊUTICAS Uma entusiasta do conhecimento. HOMENAGEM 25 anos de trabalho e dedicação. PRIMEIROS PASSOS FARMACÊUTICOS Artigo sobre a importância do farmacêutico para pacientes com fibrose cística foi o vencedor. PRÊMIO AUGUSTO STELLFELD Conheça os vencedores do Prêmio Farmacêutico Augusto Stellfeld. EVENTOS CRF-PR em ação.

[close]

p. 4

Editorial Nesta edição da O Farmacêutico em Revista apresentamos um artigo exclusivo do Presidente do CRF-PR, Dr. Arnaldo Zubioli, que à luz da legislação, visa elucidar os farmacêuticos sobre a Assistência Farmacêutica. Não poderíamos deixar de falar sobre a luta da classe contra a MP 653/14, pois nesse momento histórico, devemos seguir unidos pela valorização da profissão. Também mostramos a cobertura completa da II Semana do Farmacêutico, campanha que mobilizou a sede e seccionais do CRF-PR em vários eventos e ações em prol do “envelhecimento saudável”. Tomando como gancho o tema da campanha, entrevistamos o farmacêutico mais antigo em atividade no Paraná e também falamos sobre o trabalho realizado no Hospital do Idoso Zilda Arns. Na série Mulheres Farmacêuticas apresentamos um pouco da história de uma pesquisadora da área de Análises Clínicas que tem sede pelo conhecimento e é um exemplo de disciplina e determinação. Na seção CRF-PR em Ação mostramos alguns eventos realizados pelo Conselho em benefício da categoria. Nesta edição também temos a honra de apresentar a cobertura do evento de inauguração da nova sede do CRF-PR, um marco na história do Conselho e uma grande conquista para os farmacêuticos paranaenses. Esses e outros assuntos compõe a última revista de 2014, que já traz um frescor de ano novo inaugurando algumas novidades no layout, que está mais leve e promete tornar a sua leitura mais prazerosa. Aproveitamos para agradecer por este ano marcado por muitas batalhas e conquistas para a profissão farmacêutica. Sabemos que ainda temos muito pela frente, que a luta não acabou e agradecemos pela confiança depositada no trabalho realizado pelo CRF-PR. O seu apoio é fundamental para vencermos as próximas batalhas. Desejamos a todos um excelente ano novo, com muita paz, saúde e prosperidade! Diretoria do CRF-PR: Dra. Marisol Domingues Muro, Diretora Secretária-Geral; Dr. Arnaldo Zubioli, Presidente; Dra. Marina Gimenes, Diretora Tesoureira e Dra. Mirian Ramos Fiorentin, Vice-Presidente. “ Entre Aspas BOA LEITURA! Olá, gostaria de expressar a minha alegria e satisfação por estar trabalhando no Estado do Paraná e ser inscrito no CRF-PR, ou seja de pertencer ao Estado que possui uma equipe séria, competente e que se preocupa com a valorização da profissão farmacêutica. Meus cumprimentos a toda a equipe que faz parte do CRF-PR, destacando principalmente a equipe de Fiscalização. Sou inscrito no Conselho desde 1997, e no começo eu não entendia muito a respeito desse serviço, eu achava que não precisava ser tão fiscalizado. Como se dizia naquela época, “o CRF-PR pega muito no pé dos Farmacêuticos”, mas o meu pensamento estava totalmente errado e precipitado. Hoje, após 17 anos de inscrição de RT, vejo o quanto foi importante o trabalho da Fiscalização no nosso Estado, pois valorizou o profissional Farmacêutico. Hoje o Paraná é reconhecido no Brasil pelo trabalho do CRF-PR e pela equipe de Fiscalização, pois é um trabalho sério, de amor à profissão. Gostaria de deixar aqui meus sinceros agradecimentos pelo trabalho do Conselho e parabenizar a todos os fiscais que atuam no nosso Estado: especialmente na região que eu atuo como Farmacêutico, região Norte seccional de Londrina e sempre fui inspecionado pelos fiscais Dr. Edson Garcia e Dr. Silvio Franchetti, excelentes profissionais, competentes, educados e que fazem seu trabalho com amor à profissão. Muito obrigado pelo excelente trabalho realizado! Vocês são grandes lutadores pelo exercício da profissão farmacêutica e pela valorização profissional em nosso Estado, que Deus abençõe a todos do CRF-PR! Dr. Flávio Miquelato - CRF-PR: 11.020 4 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 5

DIGA NÃO À MP 653/14 #JUNTOSSOMOSMAISFORTES A PALAVRA DE ORDEM É UNIÃO Mobilização contra a MP 653 leva farmacêuticos e estudantes às ruas para lutar pela saúde brasileira e pelo exercício pleno da pro ssão. A profissão farmacêutica vive o momento mais efervescente e inquietante de sua história. É um processo vigoroso e inédito de autotransformação e que é, ao mesmo tempo, a busca do fortalecimento da própria saúde da população brasileira. Mas a Farmácia também é objeto de matérias em votação no Congresso Nacional, que podem definir a sua história. A Medida Provisória nº 653 alterou a Lei 13.021/14 com o objetivo de conceder tratamento diferenciado às farmácias constituídas como microempresa ou empresa de pequeno porte, em relação à obrigatoriedade da presença do farmacêutico durante todo horário de funcionamento. Assim, a MP ressuscitou a possibilidade, em situações excepcionais, de outras pessoas que não sejam farmacêuticos, figurarem como responsáveis técnicos de farmácias. Diante desta ameaça aos direitos individuais como o acesso à saúde qualificada e aos serviços farmacêuticos, a Diretoria do CRF-PR criou uma delegação para representar os farmacêuticos paranaenses e foi à Brasília pedir apoio aos parlamentares na votação contra a MP no Congresso Nacional. Além disso, conclamou a todos que se mobilizassem contra a votação. Numa O Farmacêutico em revista 5

[close]

p. 6

DIGA NÃO À MP 653/14 também aos canais de comunicação do CRF-PR, que se dedicam a informar sobre todos os assuntos de interesse para a categoria. Estamos caminhando para verdadeiras e profundas conquistas da profissão farmacêutica. Então vamos seguir juntos e vencer mais essa batalha! www.crf-pr.org.br www.facebook.com/crfpr Farmacêuticos do CRF-PR em protesto contra a MP 653/14, em Curitiba. twitter.com/crf_parana resposta positiva a esse chamado e representando os interesses da sociedade e da profissão, acadêmicos de Farmácia e profissionais se mobilizaram nas faculdades, nas ruas e nas redes sociais protestando contra a aprovação da MP. O lema “Juntos Somos Mais Fortes” surtiu efeito. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), presidente da comissão mista que analisa a MP 653/14, decidiu, no dia 19/12, adiar a votação do relatório, após pressão do grupo de farmacêuticos de CRFs de todo o país, contrário às propostas do documento. A votação foi adiada, mas a batalha continua. Por isso, o Conselho Federal de Farmácia orienta para que todos tenham as suas atenções voltadas às informações emanadas do Fórum Nacional de Luta pela Valorização da Profissão Farmacêutica, formado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Federação Interestadual dos Farmacêuticos (Feifar), Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia (Enefar) e Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (Abef). O Fórum é a instância representativa da categoria e, portanto, é nele onde as decisões em torno das ações e lutas são decididas. Fiquem atentos Delegação CRF-PR representa farmacêuticos paranaenses em Brasília. Da esquerda para a direita: Dr. Arnaldo Zubioli, Presidente CRF-PR, Dr. Valmir de Santi, Vice-Presidente CFF, Dr. Luciano Pacheco, Assessor da Diretoria CRF-PR, Dr. Márcio A. Antoniassi, Conselheiro CRF-PR, Jorge Salem, Fiscal CRF-PR, Dra. Sônia Dorneles, Assessora Política CRF-PR, Dra. Edneia Magri, Fiscal CRF-PR, Dra.Fernanda Penteado, Fiscal CRF-PR e Dra. Marisol Dominguez Muro, Diretora Secretária CRF-PR. Diretoria do CRF-PR com demais representantes da classe farmacêutica de todo país em Brasília. Com informações do CFF e CRF-SP. 6 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 7

Artigo Dr. Arnaldo Zubioli é Farmacêutico pela UFPR – 1974; Doutor em Ciências Farmacêuticas, Mestre em Farmacologia (FMRP, USP); possui Aperfeiçoamento em Administração (UEM – 1984) e Especialização em Farmácia Clínica (Chile - 1990). É Membro Titular da Academia Nacional de Farmácia desde 2000. Possui diversos livros publicados sobre a área farmacêutica e centenas de trabalhos apresentados em Congressos e Revistas Científicas. É atual Presidente do CRF-PR. DA ASSISTÊNCIA INTEGRAL E RESPONSABILIDADES TÉCNICAS O Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná (CRF-PR) é a Autarquia Federal responsável pela fiscalização da profissão farmacêutica. Tem como função principal atuar na prevenção de irregularidades relacionadas ao exercício de atividades do farmacêutico, instaurar processos éticos – disciplinares e profissionais aos farmacêuticos infratores das cominações legais e regulamentares atinentes à profissão e fiscalizar os estabelecimentos em relação a presença do profissional habilitado, e dessa forma atuando em defesa dos interesses da sociedade. A determinação da legislação sanitária da assistência de farmacêuticos em farmácias de qualquer natureza e drogarias, extensiva a todo o horário de funcionamento, impõe aos estabelecimentos que se inserem em tal obrigação o dever de possuir tantos profissionais quantos forem necessários para prestar a assistência técnica enquanto estiver com suas portas abertas ofertando seus serviços, inseridos no contexto de saúde pública, à população. Vejamos o que a Lei determina nesse aspecto: A Lei nº 5.991/73, “Art. 15 – A farmácia e a drogaria terão, obrigatoriamente, a assistência de técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia, na forma da lei. §1 – A presença do técnico responsável será obrigatória durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento”. [...] Embora o texto esteja inserido em norma sanitária, está mais afeto à atividade farmacêutica e, portanto, a sua fiscalização deve se reportar aos Conselhos Regionais de Farmácia. De qualquer forma, a obrigação do estalecimento de comprovar a presença de profissional habilitado já vem consagrada na Lei 3.820 de 1960, nos seguintes termos: Lei nº 3.8208/60, no art. 24: “Art. 24 – As empresas e estabelecimentos que exploram serviços para os quais são necessárias atividades de profissional farma- O Farmacêutico em revista 7

[close]

p. 8

Artigo cêutico deverão provar, perante os Conselhos Federal e Regionais que essas atividades são exercidas por profissionais habilitados e registrados.” É texto expresso da norma legal que a presença do farmacêutico responsável por farmácia é obrigatória durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento (§ 1º, art. 15 da Lei nº 5.991/73), ressalvada a hipótese de o farmacêutico empregado atender ao limite máximo da jornada de trabalho imposta pelo CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em cuja situação o proprietário (empregador) e obriga a contratar tantos farmacêuticos quantos bastem para atender todo o horário de funciomanento do estabelecimento farmacêutico. A lei nº 5.991/73, no art. 15, § 2º, assim concede: “Art. 15- ... § 1 - ... § 2 – Os estabelecimentos de que trata este artigo poderão manter técnico responsável substituto, para os casos de impedimento ou ausência do titular”. De modo que enquanto estiver desenvolvendo atividades farmacêuticas, que no caso de Farmácias e Drogarias pode ser caracterizado, entre outras atividades, a simples oferta de medicamentos à população, deverá comprovar a atividade por profissional competente. A assistência técnica é condição para o funcionamento do estabelecimento farmacêutico e por esse motivo a pessoa jurídica também é responsável pela má prestação do serviço farmacêutico pelo profissional competente e por isso, em certas circunstâncias, as empresas cujos farmacêuticos responsáveis técnicos não prestam a devida assistência farmacêutica, também devem ser autuados por descumprimento da disposição legal citada. O farmacêutico deve atender rigorosamente ao que preceitua o art. 15 da Lei nº 5.991/73, e o art. 27 do Decreto nº 74.170/74, bem como ao que determina o Código de Ética e as Resoluções do Conselho Federal de Farmácia. Todas essas disposições ressaltem-se, tratam da presença obrigatória do farmacêutico na farmácia de qualquer natureza e na drogaria. Além disso, a Lei nº 13.021 de 8 de agosto de 2014 reafirma esta obrigação ao impor em seu artigo 5º que: Portanto, a responsabilidade do profissional de Farmácia está limitada ao horário em que esteja efetivamente disponível para tal. E o Conselho Regional de Farmácia irá exigir a sua presença nesse período em que se comprometeu. A responsabilidade pela comprovação da assistência integral é da empresa mas não pode, sob essa alegação, suplantar direitos decorrentes da relação de trabalho que mantém com o farmacêutico responsável técnico. Todas as impossibilidades da presença do profissional no estabelecimento devem ser previamente comunicadas ao CRF, como férias, licenças, doença, acidente pessoal, entre outras, nos prazos definido pela entidade para cada ocorrência. Essa atitude, além de resguardar o direito do profissional e evitar as consequências da omissão da informação, inclusive disciplinares, permite a entidade avaliar a necessidade ou não de notificação do estabelecimento para a contratação de substituto no período de indisponibilidade. Como é pertinente a qualquer entidade da Administração, ao Conselho Regional de Farmácia do Paraná não cabe discutir a lei, mas cumpri-la, e nesse sentido, tanto a entidade regional como a federal vêm “No âmbito da assistência farmacêutica, as farmácias de qualquer natureza requerem, obrigatoriamente, para seu funcionamento, a responsabilidade e a assistência técnica de farmacêutico habilitado na forma da lei”. Ainda na sequência: “Artigo 6º. Para o funcionamento das farmácias de qualquer natureza, exigem-se a autorização e o licenciamento da autoridade competente, além das seguintes condições: I – ter a presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento... 8 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 9

Artigo tentando aprimorar o sistema de fiscalização e aplicando penalidades àqueles profissionais que insistem em descumprir as suas obrigações. Não são interesses pessoais isolados que estão em jogo, mas a saúde pública e o própiro direito à assistência farmâceutica da população. As responsabilidades dos farmacêuticas (as) que prestam assistência ou administram as farmácias públicas ou particulares são de caráter educativo, técnico e assistencial. Estas funções estão definidas na legislação brasileira (Leis 5.991/73 e 13.021/14) que estabelece as atribuições particulares dos farmacêuticos, nas Resoluções da Anvisa e do CFF, em especial, as que regulam as Boas Práticas em Farmácia de qualquer natureza e o Código de Ética, além das recomendações de organismos internacionais, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde e Federação Internacional Farmacêutica. O farmacêutico tem obrigações éticas e legais perante a sociedade. A sua farmácia deve ser um “Posto Avançado de Saúde Pública”. As atividades farmacêuticas que contribuem para uma assistência total à saúde do paciente que recorre a farmácia de qualquer natureza são exclusivas do farmacêutico, de acordo com as determinações editadas pelo art. 1º, I, do Decreto nº 85.878/81 e art. 13º, incisos I a VI e art. 14º da Lei 13.021/14. Conhecedor dessas responsabilidades e de sua importância, o Conselho Federal de Farmácia regulou algumas delas atráves do Código de Ética Farmacêutica, aprovada pela Resolução nº 596 de 21 de fevereiro de 2014. Portanto, são agora responsabilidades éticas e, ao infrigi-las, o profissional incorre em falta ética, estando sujeito às sanções disciplinares descritas no anexo III deste regulamento. E por fim, a respeito da exigência de assistência técnica integral por farmacêutico, o Poder Judiciário tem firme posicionamento, como podemos indicar nos consagrados julgados pelo STJ, mais alta corte legal do País: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. PRESENÇA DE ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. (...) 2. O acórdão embargado entende pela obrigação administrativa das drogarias e das farmácias de ter assistência de técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia, e que a presença do técnico responsável é obrigatória durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento. Ademais, decidiu-se que cabe ao Conselho Regional de Farmácia promover a fiscalização e punição devidas. 3. Ante o exposto, voto em ACOLHER os presentes embargos de declaração para alterar a parte dispositiva do recurso especial para PROVIDO. (Edcl no Resp 1085436/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/04/2011, Dje 13/04/2011) ADMINISTRATIVO. REGISTRO PROFISSIONAL. ARTIGO 535, II, CPC. ALEGADA VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DROGARIAS E FARMÁCIAS. TÉCNICO EM HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO. OBRIGATORIEDADE. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO E PUNIÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA. (...) 2. A Lei n. 5991/73 impõe obrigação administrativa às drogarias e farmácias no sentido de que o técnico responsável pelo estabelecimento deve estar, obrigatoriamente, presente durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento. Portanto, é disposição legal expressa a obrigatoriedade da presença do técnico responsável durante todo o horário de funcionamento da farmácia ou drogaria. Precedente. 3. A Lei n. 5.991/73 impõe obrigação administrativa às drogarias e farmácias no sentido de que “terão, obrigatoriamente, a assistência de técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia, na O Farmacêutico em revista 9

[close]

p. 10

Artigo na forma da lei” (art. 15), e que “a presença do técnico responsável será obrigatória durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento”. (§ 1º). Cabe ao Conselho Regional de Farmácia promover a fiscalização e punição devidas. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1085436/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, Dje 03/02/2011). Que não seja argumentado que o artigo 15 da Lei 5.991/73, já mencionado, permite que outro profissional, além do Farmacêutico, possa assumir a responsabilidade técnica por farmácias e drogarias. A lei possibilita ao não-farmacêutico, desde que devidamente registrado no Conselho de Farmácia (como o Oficial de Farmácia), a assunção de responsabilidade técnica desde que comprovado o interesse público caracterizado pela ausência de farmacêutico na localidade. Essa é a única interpretação que pode ser extraída da leitura do art. 15 quando confrontado com seu parágrafo 3º. Vejamos: Art. 15 – A farmácia e a drogaria terão, obrigatoriamente, a assistência de técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia, na forma da lei. (...) § 3º - Em razão do interesse público, caracterizada a necessidade da existência de farmácia ou drogaria, e na falta do farmacêutico, o órgão sanitário de fiscalização local licenciará os estabelecimentos sob a responsabilidade técnica de prático de farmácia, oficial de farmácia ou outro, igualmente inscrito no Conselho Regional de Farmácia, na forma da lei. Art. 6º - Para o funcionamento das farmácias de qualquer natureza, exigem-se a autorização e o licenciamento da autoridade competente, além das seguintes condições: I – ter a presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento; Nessa seara, a decisão proferida nos autos 50478195420144047000: A respeito, entendo que a conjugação do artigo 24 da Lei nº 3.820/60, com o artigo 15 da Lei nº Lei nº 5.991/73, torna evidente que para a atividade de farmácia e drogaria é exigida a presença de farmacêutico, e não de outro profissional técnico. Em especial, em razão do §3º artigo 15 da Lei nº Lei nº. 5.991/73, pelo qual a contratação de prático de farmácia, oficial de farmácia ou outro profissional assimilado é apenas excepcionada nos casos em que, de um lado, há interesse público que caracterize a necessidade da existência de farmácia ou drogaria em determinada localidade e, de outro, falta profissional farmacêutico. (...) Ainda, a alternativa excepcional dada pelo § 3º do artigo 15 da Lei nº. 5.991/73 não pode ser antecipada como argumento para o descumprimento da exigência legal enquanto não houver prova do atendimento aos seus requisitos, quais sejam, o interesse do público na existência de estabelecimento e a ausência de profissional habilitado na localidade. Insistimos, porém, num ponto: nos dias atuais está praticamente extinta tal figura desnecessária por não ter o prático de farmácia e assemelhado, a qualificação indispensável, assim como pela quantidade suficiente de farmacêutico na sociedade. De qualquer forma, qualquer insistência em interpretação contrária definitivamente foi afastada com o advento do art. 6ª Lei 13.021: 10 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 11

Hospital do Idoso O Hospital do Idoso Zilda Arns está localizado na Rua Lothário Boutin, nº 90, no bairro Pinheirinho, em Curitiba. HOSPITAL DO IDOSO ZILDA ARNS Cuidados especiais na farmácia hospitalar garantem mais segurança ao paciente da terceira idade envelhecimento populacional é um fenômeno que ocorre em escala global. A medicina, influenciada pelos avanços tecnológicos, além de acompanhamentos e cuidados com a alimentação são os principais fatores responsáveis pelo aumento da expectativa de vida da população. Conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1950 existiam 250 milhões de indivíduos com mais de 60 anos no planeta. Esse número quase se triplicou até o ano 2000, somando 606 milhões de pessoas. No Brasil, há aproximadamente 30 mil pessoas com mais de 100 anos, segundo o IBGE. Com o envelhecimento da população, torna-se necessário estruturar as redes de atenção à saúde da pessoa idosa para atender tanto O às novas demandas, quanto às modificações do acesso aos serviços de saúde. De acordo com o Censo Demográfico de 2013, dos 10,9 milhões de DE FORMA INTEGRADA, A UNIDADE DE SUPORTE FARMACÊUTICO DO HOSPITAL NÃO FICA PARA TRÁS, PRINCIPALMENTE PELA GRANDE PREOCUPAÇÃO COM A SEGURANÇA DO PACIENTE IDOSO COM RELAÇÃO AO USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS. 11 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 12

Hospital do Idoso habitantes do Paraná, 7,92% são idosos e esses números devem dobrar em 15 anos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Atentos a essa realidade, a equipe que está à frente do Hospital do Idoso Zilda Arns, em Curitiba, almeja ir muito além de prestar um simples atendimento quando o assunto é a Saúde da Pessoa Idosa. Conhecido em todo o Paraná como referência na atenção à saúde do idoso, o Hospital inaugurado no ano de 2012 vem prestando Cuidado Integral e Multiprofissional através de um atendimento diferenciado, com foco em condições crônicas mais prevalentes, de forma qualificada, ampliando o acesso principalmente Dra. Daiana Lugarini, Farmacêutica Responsável pela Farmácia Hospitalar do Hospital do Idoso Zilda Arns. INVESTIMENTOS EM PROCESSOS DE SEGURANÇA PARA A MANIPULAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS MEDICAMENTOS É A PRIORIDADE a leitos clínicos, leitos de terapia intensiva bem como exames, procedimentos especializados e atendimento domiciliar para o público idoso. Dra. Daiana Lugarini é farmacêutica pela Universidade Federal do Paraná com residência multiprofissional no Hospital de Clínicas - UFPR e especialização em Gestão Executiva em Negócios de Saúde. Dra. Daiana é a farmacêutica responsável pela unidade e, segundo ela, é importante ressaltar que envelhecimento não é sinônimo de incapacidade e dependência, mas de maior vulnerabilidade. Por isso, é preciso desenvolver uma cultura de cuidado, de forma sustentável e que atenda às necessidades desta população. Dessa forma, a farmácia hospitalar é estruturada para atender toda a demanda de outros setores do hospital, desde o ambulatório, emergência, unidade de internação e UTI, funcionando 24 horas por dia. Dra. Daiana enfatiza que a qualidade no atendimento ao paciente é prioridade para os farmacêuticos atuantes na unidade, e para isso, investimentos em processos de segurança para a manipulação e distribuição dos medicamentos, aliados ao monitoramento dos pacientes são constantes, evitando assim, possíveis erros que podem ser fatais ao paciente. Para que o atendimento seja realizado com eficiência e segurança, a equipe multiprofissional de farmacêuticos utiliza como estratégia a análise de um quadro clínico com o histórico completo do paciente. A segurança ganha reforço com a participação dos farmacêuticos na internação do paciente, fazendo o levantamento dos medicamentos que ele vinha utilizando, processo chamado de reconciliação medicamentosa. Dra. Daiana destaca que para evitar que o paciente tome o medicamento errado, em dose indevida ou em horários impróprios, os farmacêuticos atuam na orientação, explicando a correta utilização de cada medicamento e esclarecendo dúvidas de eventuais mudanças no tratamento durante a internação. “No momento da admissão, o paciente 12 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 13

Hospital do Idoso tem uma entrevista com o Farmacêutico Clínico que avalia os medicamentos já utilizados antes do internamento, posteriormente compara com a prescrição e verifica se está tudo adequado. Se não estiver, ele entra em contato com o médico prescritor, realizando uma análise de todo o histórico do paciente. Na entrevista, outras ques- TECNOLOGIA - PRONTUÁRIO ELETRÔNICO FACILITA O CONTROLE DA DISTRIBUIÇÃO DA MEDICAÇÃO E SEU RASTREAMENTO tões ainda são verificadas, como os casos de alergias, que são registrados no sistema em forma de alerta, tanto para o médico quanto para o farmacêutico durante a prescrição”, explica Lugarini. Durante o processo de atendimento aos pacientes, a equipe multiprofissional de farmacêuticos também utiliza o Prontuário Eletrônico, ferramenta que facilita o controle da distribuição da medicação e seu rastreamento, possibilitando monitorar se determinado lote de medicamento apresentou algum efeito não esperado no paciente, por exemplo. De acordo com a farmacêutica Daiana Lugarini, o sistema de distribuição de medicamentos é misto: individualizado e dose unitária. Os medicamentos orais e alguns injentáveis são dispensados por código de barras a cada turno de 6 horas de acordo com solicitações informatizadas para o paciente. Medicamentos injetáveis selecionados são preparados em ambiente seguro, local com controle de partículas como bactérias, fungos e tecidos. “Esse cuidado facilita o trabalho da equipe de enfermagem que só administra o medicamento, sem a necessidade de fazer a diluição, diminuindo o risco de troca dos medica- Equipe da farmácia hospitalar trabalhando na preparação de medicamentos. mentos”, diz. Outra preocupação é com a identificação correta do medicamento classificado como de “alta vigilância”, aqueles que apresentam grande risco de fatalidade se administrados de forma incorreta. “Eles são armazenados em locais separados e, ao serem enviados ao paciente, seguem em embalagens de cor avermelhada para minimizar o erro”, explica a farmacêutica. A Dra. Daiana Lugarini ainda acrescenta que é preciso garantir a atenção integral à saúde da população idosa, mas priorizando o envelhecimento saudável e ativo, pois este é o principal objetivo da Política de Atenção Integral à Saúde do Idoso, estabelecida pela Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. “O farmacêutico como profissional da saúde é o grande aliado deste processo, sendo um dos principais agentes responsáveis pelo planejamento e acompanhamento de ações voltadas para a manutenção da capacidade funcional das pessoas idosas, ou seja, centradas na produção da autonomia e da não dependência, contribuindo assim para promover um envelhecimento com mais saúde e qualidade de vida a essa população”, conclui. O Farmacêutico em revista 13

[close]

p. 14

II Semana do Farmacêutico TODOS EM AÇÃO NA II SEMANA DO FARMACÊUTICO O DIA INTERNACIONAL DO FARMACÊUTICO 25/09 FOI COMEMORADO COM CAMPANHA VOLTADA À TERCEIRA IDADE Com o tema “Envelhecimento Saudável”, farmacêuticos mobilizados ofereceram serviços gratuitos para a população de várias cidades do Estado Profissionais e Acadêmicas participantes do Ciclo de Palestras realizado na Sede do CRF-PR durante a II Semana do Farmacêutico. 14 O Farmacêutico em revista

[close]

p. 15

II Semana do Farmacêutico A população idosa está aumentando no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos - pessoas com mais de 60 anos - somam 23,5 milhões dos brasileiros e a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o País seja o sexto em número de idosos em 2025, quando deve chegar a 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Com o aumento da expectativa de vida no país, crescem também os desafios a serem enfrentados com a saúde pública e a qualidade de vida do paciente idoso, principalmente sobre a importância da prescrição, orientação e administração correta dos medicamentos. CAMPANHA Pensando na saúde da população e principalmente no paciente idoso, o CRF-PR preparou a segunda edição da Semana do Farmacêutico, em Comemoração ao Dia Internacional do Farmacêutico – 25 de setembro. O tema da II Semana do Farmacêutico foi o “Envelhecimento Saudável” assunto de extrema importância e de interesse para toda a comunidade. A preparação de um envelhecimento sadio deve começar muitos anos antes, através da adoção de um modo saudável de viver. Na velhice, o indivíduo não só colherá os frutos benéficos dessa atitude como terá formado hábitos positivos a que dará continuidade. Palestras, campanhas de orientação à população, distribuição de folders informativos, entre outras ações foram realizadas em Curitiba e nas Seccionais do CRF-PR. Em Curitiba, mais de 50 participantes entre farmacêuticos e acadêmicos de Farmácia tiveram a oportunidade de assistir gratuitamente a um ciclo de palestras sobre a Saúde do Idoso no auditório do CRF-PR. As palestras proferidas por profissionais renomados da área também foram transmitidas online para todo o país. CICLO DE PALESTRAS ONLINE DISPONÍVEL PARA TODO O PAÍS: “Cuidados Farmacêuticos a Pacientes Idosos de Alto Risco Cardiovascular” ministrada pela farmacêutica, Dra. Gladys Marques (Docente da Universidade Norte do Paraná – Unopar - Londrina). “Cuidados Farmacêuticos a Pacientes Idosos com Alzheimer” ministrada pela farmacêutica Dra. Débora Dalla Vecchia. O Farmacêutico em revista 15

[close]

Comments

no comments yet