Os Confrades da Poesia67

 

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Os Confrades da Poesia

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Eventos: 14 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 « Bom Ano 2015» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 in de m os Br Humberto Neto Po e si a! ... à Isidoro Cavaco Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | António Barroso | António Boavida Pinheiro | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | …  

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 «A Voz do Poeta» Sintonia (dedicado ao meu Henrique) Moedas (dedicado à minha Carmo) Hoje, de mão na mão, nos completamos assim como se casam noite e dia; se enlaçam terra e céu em sintonia; namora a luz com o ar que respiramos. Tal como o mar e a espuma nos ligamos, vogando na maré calma ou bravia, amando quer no estio ou na invernia do tempo que ora juntos navegamos. Somos na Natureza caminhantes, seguindo a par seus doutos elementos que, sábios, sempre alternam inconstantes. E também nós, amor, nossos instantes temperamos com doce na acidez e mudamos o gelo em calidez! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Muitas moedas juntas fazem uma nota! Que esta nota seja o melhor que tenho para dar-te, porque nunca me deste pequenas moedas, mas sim as máximas notas: amizade, ternura, compreensão... Bem hajas, amor, por existires e por teu corpo e alma comigo repartires. Henrique Lacerda Ramalho - Lisboa/Portugal Noite Vazia Meu poeta predilecto Relembro o meu poeta preferido E sinto nascer, na alma, a chama ardente Dum português de gema, antiga gente, Que se entregava à pátria, decidido. Luís Vaz de Camões, bem conhecido, Que, inda hoje, em Portugal, está presente Nos feitos dum povo de antigamente, Ousado, corajoso e destemido. Tantos heróicos feitos que descreve, Mas a versos de amor também se atreve, Com sonetos que encantam p'la beleza. E as rimas construídas com preceito, Circulam, com ternura, em cada peito, Pois representam a alma portuguesa. António Barroso (Tiago) – Parede / Portugal Se abrir a janela na noite vazia, Para ver na rua quem passa a cantar, Talvez um morcego por mim vá roçar Ou entre um inseto que o vento trazia. Se abrir a janela na noite vazia, Duendes e fadas entram de roldão, Uns trazem roupetas e outros roupão, Gelados os corpos, que a noite está fria. Se abrir a janela na noite vazia, Não entram estrelas, que estão bem coladas Ao céu de negrume, cobrindo as fachadas Da cor que eu adoro e são fantasia. Se abrir a janela na noite vazia, Quem sabe o que entra pra meu desespero! Não entra decerto por quem tanto espero, Mas era uma bênção prà minha agonia. Tito Olívio - Faro Para Ti Espelho da morte Dum canto da noite vazia de estrelas despida de lua... Rosnando sinistra a besta surgiu trazendo nas garras o espelho da morte... E nele a imagem do homem sem norte mendigo sem sorte que a vida pariu num beco qualquer... E a grande cidade sem dó nem piedade com velhos cartões cobriu e enterrou sem missa ou sermões... Sem esquife sequer! Abgalvão - Fernão Ferro Pedaços… Aquilo que escrevo Não é poesia!... São letras, Palavras, Vírgulas, Espaços... No fundo, Pedaços De melancolia! - Meros “desabafos” Do meu dia-a-dia!... Fernando Reis Costa Coimbra Eu fui para ti A brisa levemente perfumada Que te preencheu a vida por momentos e passou. Uma papoila à beira do caminho Que o seu belo sorriso te ofereceu e murchou. A música do encanto arrebatado e terno Que deu asas aos sonhos que sonhaste E se calou. Mas tu para mim Foste um rochedo duro esmagador Que caiu Não sei donde nem porquê Mas que ficou. Quim D’Abreu - Pampilhosa da Serra “Podem me impedir de escrever, mas de pensar, jamais “ (JC Bridon)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 3 «Olhos da Poesia» Mundo Novo Na paz do silêncio me reencontro, Quando deste mundo eu me evado. Deste mundo assustador e louco. De perfídia e mesquinhez pejado… Sou o voo da águia que venera Rumar ao céu azul, ao infinito. Que segue o rumo da quimera, E solta do alto pungente grito… Grito que sufoca, que atordoa, Pois não entendo o mundo d’ agora. Mundo que só a maldade apregoa… Para um Mundo Novo se alcançar, Há que mudar sistemas sem demora E, Cristo ressurgir para nos guiar. São Tomé - Amora JE SUIS ICI, CHARLIE! Qual o Deus que manda matar em nome da Liberdade? Que tipo de “ homens “ são estes que em nome Dele, ceifam vidas, aniquilam o que lhes aparecem à frente, e sem apelo nem agravo matam indiscriminadamente, inocentes, crianças, Homens e Mulheres, jovens e anciães, roubando-lhes o que eles não deram: A Vida! Paris, acordou numa manhã sangrenta, onde a liberdade de expressão fora maltratada, espezinhada violentamente aniquilada por mãos de tiranos loucos, metralham a liberdade! Não há deus nenhum, e em nome de um qualquer Deus, que ordene a proliferação do ódio entre os Povos! Todo o ser humano tem o direito de ser livre, de usar a sua inteligência expressiva! Em solidariedade do que o mundo acabou de assistir ontem em Paris, eu estou aqui, Charlie! Estou aqui, não de joelhos, mas sim de pé, de braço erguido com a minha caneta na mão, mostrando ao mundo que estou aqui, Charlie! Aqui usando a minha liberdade de expressão! Charlie, eu estou aqui! Todos nós, Charlie estamos aqui! En nous sommes tous ici, Charlie! Horizontes poéticos. São os desafios culturais d’um povo Que adoçam a veia de um poeta Ele que arquitecta um mundo novo Por um poemar de forma correcta Por um classicismo vai informando Esfera que rola por tinta e desenha Onde brilham estrelas cintilando Matéria que afina nessa resenha Amor! Seja a luz a vencer o mundo Paz! Vai fluindo em sonho profundo Clarividência de todos os cépticos Musa deixa o poeta consciente Com a fluidez dos olhos da mente, Que estão nos horizontes poéticos Pinhal Dias – Amora Lua de Sangue Rubros alvores na doce madrugada De acobreados tons a lua é vista Num eclipse total nos é mostrada E essa visão não há quem lhe resista. Está próxima da terra e até parece Agigantar-se mais no horizonte E em todos nós aquela luz aquece Vendo-a brilhar ali, mesmo defronte. Ah lua dos boémios, dos amantes Que guiaste no mar tantos sextantes E encantas e inspiras os poetas. És heroína e musa, astro da vida E tens, piedosa, em ti sempre guarida Às que buscam na noite ser discretas. Eugénio de Sá - Sintra Intranquilo soneto Intranquila é a vida pois tropeço A par e passo nessa indiferença E é com vãs esperanças o que meço Com a medida torpe da descrença. Olho para mim virada do avesso Sem esperar da vida bem querença Em tempos desejava o sucesso Desejos vãos morreram à nascença. Queixo-me de quê? Talvez da sorte Porque foi obscura, minha estrela Até hoje, brilhar não pude vê-la Mas ela brilhará depois da morte. Maria só de nome, não vitória Terá depois da morte, sua história. Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau Época de Reis Nasci num palácio sem servos nem trono, não tinha princesas, tão pouco reis magos. Faltavam as mesas causando os estragos que faz a fartura, a quem vive abandono. Mas tinha alicerces cavados p’lo dono. Paredes de taipa emitindo os afagos das gotas de chuva, formando mil lagos, regando o verão e resquícios de outono. Os claustros surgiam dos troncos erguidos. Guardavam jardins, nas encostas, perdidos, na espera a meu pai que, sem ouro, era rei. A mãe, a rainha, que sempre vou vê-la em fachos de luz, a brilhar como estrela, nos vales de incenso, onde sempre brinquei. Glória Marreiros – Portimão Joellira - Carcavelos

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4 | Os Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | | Janeiro / Fevereiro 2015 «Confrades» Faltam-me o corpo e o calor Da minha amada Enquanto na copa a redonda bola Leva gente para teu Brasil enorme Eu medito neste calor que esfola Sobre esta terra e o seu perfume Terras e povos pelo mundo existem Mas este é o meu com os seus defeitos Mas com as suas virtudes também Que alimentam o orgulho nos peitos O mar nos cerca nos divide e nos une Traz-nos do mundo do que nos falta Mas também com saudades nos pune Num vai e vem da maré baixa e alta E eu com um gesto quase macabro Molho na molhada água salgada a mão E sinto um grande vácuo no cérebro E um enorme aperto no coração Vem por instante a grande tentação Que todos os das ilhas é dela pródigos Porque não sair expandir e abraçar a emigração Mas... E a saudade dos que ficariam e são amigos Escrevo cartas de amor e ao mar lanço Na esperança de um dia ser por ela lida Choro a mágoa da dor e o vazio abraço Faltam-me o corpo e o calor da minha amada! João P. C. Furtado – Praia / Cabo Verde http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm SETENTA * Há quanto tempo lancei sementes de sonhos À espera de colher flores matizadas, Na certeza de que profunda era A raiz da minha paixão! Sei que no silêncio dormem visões longínquas, Ocultas, distantes, perdidas, envoltas em tranças De oiro, em tua coroa de princesa primavera. Fui seduzido por tua magia, num bissexto dia, E então, contigo sonhei a vez primeira. O sonho só é irrealizável Quando a inércia vence o sonhador; Por isso, se concretiza dia-a-dia No polir de arestas do cristal. Muitas vezes procurei envolver-me Num silêncio azul, Meditando que lisas são as águas do lago. No despertar do dia, na sua matinal glória. Sei que nunca te deixarei. E tu o sabes também… Na hora presente vivo uma hora de outrora E outra de agora. Como quem esquece, aprendi Que este amor não esmorece. Estou tão certo de mim! Nem fadas, nem gnomos Vivem em tal mundo de encanto! No extremo das nossas mágoas há sempre Uma janela aberta de ar e de luz A receber o amanhã, a esperança. Minha princesa, minha rainha, Rainha-mãe, rainha-avó! As pessoas são o que são, raramente se mudam, Quase sempre se revelam. Por vezes parecem morrer alguns sonhos, Ilusões, devaneios… Quando assim parecer ser, sossega, não desesperes, E faz como quando em bebé punhas o dedo na boca E dele fazias Improvisada e inseparável, a tua magnífica chupeta. Como então, agora brincas nos teus setenta! Gu-gu, da-da, gu-gu, da-da… * A Angélica, minha mulher João Coelho dos Santos - Lisboa O vazio das palavras Peguei, eu, nas palavras Para um poema formar. Coloquei nelas: melodias, Mel, cambiantes de luz… Coloquei pétalas macias… Mil estrelas cintilantes… Tintas, cores inebriantes… Todo o esforço foi em vão! Frustrada foi a intenção!… As palavras são vazias… Patéticas, sem euforia Para um poema formar E poder manifestar O meu afecto, em turbilhão, Que jorra, sem expressão! Filomena Gomes Camacho (Londres) A nossa Daisy Orelhas d’ abanico A cara é peludinha Pequeno mafarrico A nossa cadelinha É viva e espevitada Sempre pronta a morder C’o a dentuça afiada E é linda de morrer Depois, tonta de sono Cai de vez, de cansada Faz de um colo o seu trono E dorme repimpada Entre os lençóis dos donos Cadelinha danada! Eugénio de Sá - Sintra Ciclo das estações. Natureza - ciclo das estações Gerindo do quente ao frio, vem chuva Que molha, rega, encharca aldeões Descarrega p’lo engrossar da uva Pelas áreas cobertas de estrelícias Da primavera ao verão s’espera E com gozo de férias merecidas P’la praia ensolarada que tempera Cai a folha com doença de presságio Outono enfraquecido no seu adágio Entram as vacinas de prevenção. Corpo sente o frio!? O inverno chegou Campos orvalhados e o rio gelou Agricultura e pesca por lição. Pinhal Dias (Lahnip) – Amora / Portugal

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» “Pela Verdade” Entregue Sempre à causa da verdade Arranjei inimigos sem cessar! Rejeitei a mentira, a falsidade E hoje já não sei com quem contar! Parece que mentir, é necessidade Para alguém na vida se elevar… Aniquila valores e a lealdade E entre os aldrabões, terá de estar! Diz-se que a verdade faz doer Àqueles, que só vivem da maldosa Mentira, p’ra seus fins fazer valer! Entre uma verdadeira, outra manhosa, Serei pela verdade, mesmo a sofrer! Renegando à mentira carinhosa! João da Palma - Portimão Olha quem o diz? Sou lento olha quem o diz? Não sei qual a intenção! Se a frase te faz feliz Não te entendo a razão! Bloqueias meu sentimento Não desistirei de tudo! Não vou deixar de ser Bento Nem fazer papel de mudo! Quero a minha liberdade Se não a tenho eu afino! Viver fora da verdade Faz-me perder o meu tino! Posso entender-te, querida, Não mereço ingratidão! Não me toques na ferida Que tenho em meu coração! Quem me dera, sabes bem, Viver uma paz serena! E, amar como ninguém, Cantando “Vila Morena”! Vou esquecer sem pavor Certas coisas que me dizes! Tu és o meu terno amor, Seremos os dois, felizes! Eu e tu, só nós os dois, Num abraço de inocentes A sentir carinho, pois, De almas vivas e contentes! Bento Tiago Laneiro V. N. de São Bento Insónia A noite longa levou meu sono Que não encontrou guarida, E trouxe de volta um sonho, Que há muito andava à deriva. Sonho que me voou do pensamento Pela porta desgastada da memória, Como se entre o meu sono e sonho, Não houvesse melhor trajectória. E, até ao romper da madrugada, Fui relembrando minha história: História de vida, enleada noutra vida, Durante dias, meses e anos, História de muitas lutas e vitórias, Vencendo desalentos e desenganos, Na conquista de riquezas e glórias. O tempo, inexorável, tudo levou: Só com alguma deferência me deixou As marcas indeléveis da saudade. Por fim, o dia chegou na difusa claridade, E, o sono, cansado de tanto esperar voltou. Mas o sonho, esse… depressa se evolou! São Tomé - Amora Um lenço branco Eu queria um lenço branco Para dizer adeus A um sorriso sepultado. Depois voltar à vida de hoje E beber o quotidiano Sem tédio nem solidão…. Sabendo que fenecias Por que me sorriste assim Fingindo a eternidade?! Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau Sons e Memórias Nas paredes ficou toda uma história De sonhos, alegrias e tristezas, Nascimentos e mortes, incertezas, Que as paredes de um lar têm memória! Nas suas cores, rugas, asperezas, Guardam sons, guardam choros, guardam glória, Guardam imagens, ecos de vitória E registos do fim de uma certeza!... A que belos momentos assistiram E quantos, menos bons e tão sofridos, Que ao tempo e ao cansaço sucumbiram… Mais que sons, são barulhos, são ruídos, Os últimos momentos que sentiram, Que as paredes são alma e são ouvidos!... Carlos Fragata - Sesimbra Liberdade . . .(i) À proa do meu navio, Ancorado ao cais de leste, Vejo nuvens a porfio, Alvas sob o azul celeste... Se a liberdade fugiu, De algum lugar, que neste Planeta azul, mas sombrio, Algo da vida perdeste... Nuvens brancas, soltas, livres, Percorrem a estratosfera, Ao sabor de leve brisa, Assim também eu quisera, A liberdade... afinal, Sem grades, sem dor, sem mal... António Boavida Pinheiro Lisboa - Portugal

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | | Janeiro / Fevereiro 2015 «Confrades» Ficar na cama à toa é tão bom http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Jamais Jamais finjo quando falo ou escrevo! Da minha própria condição é ser assim. Jamais iludirei quem confie em mim Falo a sério a mentir não me atrevo. Jamais faltar à verdade, jamais mentir! Falar com o coração, dizer o que sinto. Não ser preciso afirmar que não minto Ser sincero, aos outros não iludir. Não preciso jurar, pois falo a verdade. Que ninguém me julgue erradamente! Depressa se apanha quem nos mente, Quero ser exemplo em sociedade. Tem perna curta a mentira. Diz-se isto a cada passo! Isso- amigoseu não faço Porque a mim ninguém me vira. JGRBranquinho Quinta da Piedade Mãe - Mulher Preguiça esticada com lembranças queridas Eu, poeta, não distingo vivos e mortos Existem pessoas que não passam Ficam para sempre e deixam um perfume existencial no ar São como eterna alvorada, eterno meio-dia, eterna noite de luar E, assim, douram a nossa existência Quando chove, parece que são elas que caem sobre a terra E fazem crescer toda a beleza primaveril Quem me dera ser assim uma pessoa jardim Pessoas jardim sempre encantam Há tanta possibilidade de ser rosas, margaridas, orquídeas... Acho que Deus é sábio demais Quando mais simples uma pessoa, mais chance ela tem de florir E como é encantadora a vida ao lado de gente assim Falando nisso, você flore minha vida. Edson G Ferreira - Divinópolis / Brasil Cavalheiros da Justiça Quem sois nobres cavalheiros? De onde vens e com quais propósitos? Onde te encontro e como vos identifico? Pareceis um ser distante, difícil de encontrar Em um mundo tão desigual, violento e desumano. Difícil de encontrar se procurar errado, fora do cotidiano. Para mim, crédula no ser humano, Podes ser homem ou mulher, jovem, adulto ou idoso. Aquele que não aceita discriminação, Que aceita o outro como irmão Seja ele de qualquer raça, cor, etnia ou religião. Aquele que não aceita injustiça, Que auxilia sem nada pedir em troca, E que assume a dor e os problemas alheios como seu. Segues um código de honra, não se aproveita do outro Desejas estender a mão e não deixar o outro no chão. Respeitas tua família, dás bons exemplos, honras teus pais E ensinas teus filhos. Investe na educação como forma de crescimento, O trabalho como fonte de dignidade, A espiritualidade como ponte para chegar à sabedoria dos deuses. Venhas da Ásia, da África, da Europa, da América Terás sempre a mesma postura: altiva e digna; A mesma arma de luta, as palavras, as leis; O mesmo objetivo de luta: igualdade, liberdade, fraternidade Para juntos, como um só povo obtermos a tão almejada justiça Fonte de paz e amor para todos os seres humanos. Isabel C S Vargas - Pelotas-RS-Brasil Ser sagrado por natureza nascido! Traz dentro de si, a verdade da lida, Dai-nos vida em nome do amor vivido, Guarda-nos em seu ventre agradecida. Sofre duvidas que o mundo propicia, São rendidas a domínios e flagelos, Lutam com paixão contra a selvageria, que o ser humano lhes impõe sem zelos. Elas nos dão luz, só entrevêem as trevas, Elas multiplicam a vida só pelo amor, Mesmo assim são as mais felizes servas. MÂE, sublime refúgio da existência. Espero tenham tempo, e com doce fervor, Amá-las por sua devoção e valentia. O ser homem Oh que bela a vida vivida com verdadeiro amor! Sabendo que há diversos gestos de quem ama E tem sentido, sabor vivenciado ou gozado no amor! Resta saber viver o amor com amor que ama! Homem sabe e sente o quanto a mulher o ama, O reconhecimento que a mulher dele espera Mais são palavras lindas, gestos suaves… E ele, atuante, ostentando o sabor do seu amor, Mesmo que falhe, tem perdão reparador. Amália Faustino – Praia / Cabo Verde Ângela Maria Crespo – Santos / Br

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 7 Confrade desta Edição « Samuel Costa » Selvagem vergel És a musa perfeita Que vagueia livremente Nos devaneios meus... És à flor de estirpe rara Que um eflúvio sutil Exala! Tu és a flor transplantada Para o meu selvagem vergel Materializasse em ti O sonho outonal do nefelibata Alma transpassada... Do aedo em dor Que sofre... que sangra Que chora... Que ama em desespero Samuel da Costa - Itajaí /BR Sonho ignoto (último desejo) (Para Luana D'Oliveira) Alguma poesia Nenhuma poesia *** São páginas em branco Memórias em branco Que eu preencho Em noites insones Noites remotas *** Eu a navegar em terras ignotas A sonhar com meu sagrado E divinal amor *** Agora durma tranquilo!!! Pois vou navegar em terras Ignotas!!! Nevoentas... Sonolentas... *** Ela deve estar lá... No outro lado a me esperar... Delicada... Desolada... Mais que perfeita! *** Ela esta lá sozinha Tão bela A esperar seu divinal E impossível amor Samuel Costa - Itajaí /BR Última poesia( meu eterno adeus) (Para Luana D'Oliveira) Um dia perpasso O teu ser infindo Para perder-me por inteiro Reencontrar em ti de novo No teu majestoso e belo sorriso O sentido da vida Vou navegar... Para além das estrelas! Percorrer o universo multicor Na imensidão do teu ser perfeito Perder-me por completo No teu corpo incorpóreo No altar dos Deuses Vou escrever a última poesia Para negra Valquíria... Sagra o céu do deus Marte Reverenciar a musa sagrada A deusa encantada Que perturba o meu sono Em horas extremas Parto! Mais uma obra... Para depois ir à guerra Parto! Para um mar de desespero e dor De solidão sem fim... Penso na possibilidade... De não voltar mais Flutuar no vazio sidéreo Perder-me em ti por completo Por fim... Samuel da Costa - Itajaí /BR Surto modernista Não há uma só... ...gota de sangue em cada poema... [somente o ruído das maquinas] Que gritam o teu nome... Não há uma só... ...gota de sangue em cada poema... É sua voz a gritar o meu nome Em horas impróprias... São as suas mãos... ...a vagar pelo meu corpo Não há uma só... ...gota de sangue em cada poema... Às vezes... ...fico a noite a te fitar E em meus pensamentos... Estou só! Na solidão a dois... E a dor que não passa... É ferida que não sara... Samuel Costa - Itajaí /BR Algumas mudanças, nenhuma mudança Eu não deveria estar aqui! Mas estou! De pé diante de ti Com o olhar indignado! Mudo & Calado! Sem nada para te dizer... *** Eu não devia estar aqui! Deveria estar por lá fora! A gritar por liberdade. Da minha gente Do meu povo. *** Deveria estar na rua Em qualquer lugar E em todos os lugares. Mas não estou Estou diante de ti Mudo calado Sem nada para te dizer. Samuel da Costa - Itajaí /BR Livres escrituras (Para Luana D'Oliveira) Em um campo estéril Em horas vagas Horas extremas... De uma existência vazia... Brotou o mais puro e sagrado amor Que se esvaiu em dor Em um tempo que passou E não volta mais Uma sidérea paixão Que brotou em um campo estéril Ascendeu ao céu Conheceu os astros As estrelas Perdesse no infinito Quedou-se ao chão E quebraram-se em mil pedaços Por fim Palavras frágeis Livres escrituras Testemunhas vividas De um ocaso de amor Versos que se perderam no vazio Linhas vazias que se quebraram Ao se quedarem no chão Samuel da Costa - Itajaí /BR

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Rugas Em cada ruga houve um caminho percorrido, Em cada estria outra jornada sem avesso, Marcas de um tempo irreversível e pregresso, Fundos sinais de antigo carma já vencido. Todas afago sem revolta e sem lamentos, E bendizendo-as me desdobro em oração, De alma ora leve e apaziguado coração, Grata e liberta de penhores e tormentos. Esculturais sulcos divinos a lembrar Que o purgatório tem morada permanente Aqui na Terra onde se saldam fatalmente Dívidas cármicas deixadas por pagar. Outrora filhas de actos vãos, irreflectidos, As minhas rugas, mais que contas liquidadas, São no presente as mães de luz, purificadas, Destes meus versos, de pecado redimidos. Carmo Vasconcelos – Lisboa Quase ao acaso Quase ao acaso, em silêncio, desliza o silêncio E percorre um caminho como destino De que resultará o encontro do desconhecido, Do mistério - partida e chegada sem tempo. Quase ao acaso, conhece a hora De armadilhar a palavra E de se abrir a terra em tumulto, num abraço. Arde em si um fogo plangente, um choro quente, Enquanto baila a água em arco de chuva Que nunca e sempre cai. Quase ao acaso, longínquos trovões Anunciam Tempestade De inconciliáveis tiranias e vilanias. Na doce malícia de um olhar envolto por magnéticas Ondulações de serpente, Descobre ilusórias alegrias da vaidade. No olhar da mulher espera devorar suas penas E só pensa na dissemelhança dos destinos, Mantendo difusa recordação de infância. Severo e virtuoso, como quem luta pelo pão, Deixou, por fim, soltar o cântico da felicidade Pronto a afrontar o mundo. Quase ao acaso… João Coelho dos Santos - Lisboa O Meu Palácio de cal Minha casa pequenina onde nasci Hoje transformada num museu Recordo todo o tempo que vivi... Com este dom que Deus me deu! Era o meu Palácio de Cal... A casa humilde de meus avós Hoje é a minha musa irreal... A arte que dedico a todos vós! Nunca quis erguer um pedestal, Nem queria um busto erguido céu Deixarei à minha terra natal O Amor – o meu maior troféu! Tinha outrora cortinas de luar O sol entrava p'las janelas Era o nosso mais feliz lar Onde hoje pinto as minhas telas O meu espólio cultural… Tem uma vasta obra completa Com todo o seu valor real Este meu dom de ser poeta! Porque não virás visitar Esta Casa Museu original? Que te abre as portas par em par… O meu Palácio de Cal! Maria Frqueza - Fuzeta Faz Amanhã um Ano Mundo Perdido Simplesmente maravilhoso a terra em seu real esplendor o cantar das aves mavioso num cântico cheio de amor Ah! mundo perdido tão belo com teu verde de esperança com ondas puras de amarelo deixadas como nossa herança oh verde pinhal quanto segredo acolhes sob tua densa ramaria dos amantes que amam a medo após o ocaso de um novo dia Minha alvorada cheia de cor raiando na manhã da vida respiro teu ar que sara a dor desta maravilha ver perdida P’ra quem não se lembra, faz amanhã um ano que fiz um tropeço à morte, batendo à porta ao entrar no Hospital Garcia da Orta no ambulatório do INEM, sem engano! Mais uns segundos e lá se ia o coração tão apertado de ansiedades, de desejos, por causa da vida duma forte emoção, onde o amor, a paixão deixou mil beijos! Foram dias de pesadelos que passei na cama, ligado a fios que não desejei, mas que por isso estou aqui a agradecer! Quantas lágrimas distantes d’alguém senti, e quantas das mil vidas, minhas vivi, por amar a vida que não quero perder! Joellira / Carcavelos 05.01.2015 - 12.45 HRS Rosélia M G Martins (P.St.Adrião) “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” Sêneca

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 9 “Cantinho Poético” O Meu Alentejo Alentejo o campo a paisagem Da cultura ou do pousio Contrastando com a linguagem Do alentejano com atavio. Muda tudo com as estações São os tons que predominam Nas mais diversas situações Que nos campos nos animam. Até as folhas caídas no chão Fazem o chão acastanhado Fazem tantas vezes confusão Com o terreno já lavrado. Tudo muda a certa altura O campo reveste-se de amarelo Passa a fazer outra figura Mas com aspecto sempre belo. Aquele verde mais escuro Que aparece na Primavera Na minha mente o perduro Como a estação mais bela. Surgem as espigas douradas Quando a seara está madura Nas planícies onduladas Aonde até o mar se afigura. Uma miscelânea de cores Com o tom roxo azulado Parecem mantos multicores No meu Alentejo adorado. Deodato António Paias - Lagoa Poema é... Desabafo d´alma que sai do coração é tristeza ou ternura, é emoção. Sentimentos expressos no amor, na saudade, na vida ou na dor... É o canto d´uma triste canção Nas mãos que tangem um violão. É um fado triste, é a dor... É voz melancólica. É clamor! Ser destaque nesta constelação com brilho e determinação. É atirar flechas com fervor e atingir o coração com ardor . É a certeza divinal na oração E a esperança da libertação. Mãos que imploram ao Senhor, e contritamente, numa graça se expor. Rita Rocha (Stº Antônio de Pádua- RJ – Brasil) Quadras Teus olhos são dois diamantes, Reflectem a tua beleza. São hímen para teus amantes, Que anseiam essa tua riqueza! Eu, para sempre dormiria, Se estivesses nos meus sonhos. Meu coração te falaria, Nos momentos mais risonhos! Se a vida nem sempre te deu, Aquilo que mais merecias, Pensa que vais ganhar o céu, Mesmo sem essas carícias! Não tenhas vergonha mulher, De te mostrar quando choras. As tuas lágrimas irão encher, O teu coração de memórias! E o que é que eu posso fazer… Já me chamaram fascista Por vestir casaco novo, Outra vez de comunista Por ter defendido o povo. E o que é que eu posso fazer… O povo tem opinião, E no julgar e dizer, Todos querem ter razão. Chamaram-me fascista Julgaram-me pelo fato, E p´lo visto comunista P´la opinião e trato. E o que é que eu posso fazer… Perante dita sentença? No julgar e no dizer Cada qual diz o que pensa. Veracidade, veracidade, Nem sempre a verdade vence, Há quem da realidade Outra coisa dela pense. Aires Plácido - Amadora Tudo Boa Gente Sorrisos falsos, apertos de mão E palmadinhas nas costas do fato, Abraços, p’ra ficar bem no retrato, Perfume, p’ra esconder a podridão! E as madames, de tão fino trato, Longos vestidos a roçar o chão, Trocando vénias, de copo na mão, Fingem achar aquilo muito chato… Aceitam o convite p’ra dançar, Dançam valsas, “swings”, minuetes, Como se o mundo fosse terminar! No fim de tão faustosos beberetes, Vão para o Facebook lamentar A pobreza, a crise, os joanetes… Carlos Fragata - Sesimbra Quem é você ? Que plantou uma rosa em meu jardim, Adentrou em minha vida, Chegou assim... de repente... Sem pedir permissão Penetrou em meu coração, E nele passou a habitar Numa troca de afeição sem fim. Quem é você ? Que me traz rosas perfumadas A cada vez que nos encontramos. Que em nossas noites insones Tantos segredos trocamos. Sem ao menos o teu rosto conhecer Nem tu conheces o meu... Quem é você ? Que me faz revelações, Escuta as minhas lamentações Deixa-me sentir segura Agarra-me forte pelas mãos Amparando-me da maneira mais pura. Quem é você ? Que se tornou minha alma-gêmea Dela, eu não consigo mais abrir mão E passou a fazer parte Do meu coração! Quem é você ? Será o tão almejado amigo Que passei tanto tempo a procurar ? E hoje, tão presente em minha vida ! Que segura a minha mão Ouve a minha história Que comigo ri e chora, E me chama de irmão ! Socorro Lima Dantas - Recife/PE/Brasil Jorge Vicente - Suíça “Onde há música não pode haver maldade.” – Miguel de Cervantes

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» Na Virada do Ano Na virada do ano, no instante Em que os fogos cruzarem o infinito, Quando o povo estiver firme e contrito Querendo a paz no maior esplendor, Quando o sonho vazar dos espumantes, Transbordando das taças de cristal, E o desejo de um ano ideal Celebrar, pela fé, o nosso amor... Na virada do ano, quando a dor Esvair-se e a força da emoção, Habitar por completo o coração, Extinguindo a tristeza dolorida, E a vida tiver bem mais valor E o riso fluir...naturalmente, Demonstrando a alegria que se sente E a força do amor dentro da vida... Na virada do ano, quando o pranto Definir a feição da alegria E brotar, misturando a fantasia De um sorriso com a lágrima feliz... Quando o amor irromper dentro do encanto Do contato dos corpos num abraço, E o canto tiver um só compasso, E o amor não for mais um aprendiz... Meu irmão, minha irmã, guardem no peito O desejo de um tempo, onde o perdão Seja mais poderoso que a razão E nos faça amar nosso semelhante Como Deus ensinou, sem preconceito E que todo poder de nossa voz Faça a fé dissolver todos os nós Que nos prendam a uma dor constante... Que possamos fazer da oração A essência da fé mais eficaz Para que nossos sonhos ideais Nós possamos, enfim, realizar Com amor, com respeito e união, Com carinho, com fé, perseverança Que tenhamos, enfim, uma criança Habitando essa luz do nosso olhar... No fim deste ano, no instante breve Em que a solidão cede lugar à vida, Em que o coração esquece a dor sentida, Em que a emoção faz a festa do povo... Eu desejo, sim... que o teu amor te leve A fazer da vida um tempo promissor Onde toda a vida desse teu amor Dê mais a vida à vida... FELIZ ANO NOVO ! Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros Feliz Aniversário Novo ANGOLA continua de cor na minha cabeça, colorida com a força com que me baptizou na saída ao encontro Dela. ANGOLA continua retida dentro da minha expansão pelo mundo fora… eu que nunca consegui sair de dentro Dela. ANGOLA continua despida, pois as cobertas que encontrei pelo mundo, até agora, não cobriram a beleza da Minha Terra querida. ANGOLA menina, desde cedo cortejada, mas nunca comprometida. ANGOLA, Senhora, desejada. ANGOLA bendita, sublimada. ANGOLA abençoada por Nossa Senhora da Muxima. ANGOLA, Sina Terra Minha. O olhar reflecte o desejo, do encontro longe da vista. Mas, hoje, só, apenas o Coração resiste contra a ausência. Não é desistência, é conquista da serenidade, oferta de saudade à Terra Amada. José Jacinto "Django" O avestruz É tarde pampa, silente, modorrenta, pero, ergue-se um barulhão alucinado de bater de cascos, alvoroto adoidado que, sobre o campo, num vu arrebenta. É Luiz Trançudo que aparece boleando um cresçudo avestruz, lhe dando caça; nos olhos do pernalta se pinta a desgraça; e ele chispa pelo campo, se mandando. E a ave que não voa, na enrascada, vara a plainura em louca disparada, gambeteando na fuga alucinante. Pero, arremessadas com rara maestria, vão enlaçar o nhandu as três-marias; e o avestruz vai pra panela, finalmente. José Alberto Barbosa - Jaraguá do Sul – SC

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 11 «Tempo de Poesia» Poema sobre o Cante Alentejano O cante alentejano é candidato Ao Património da Humanidade Que deve ser logo aprovado Dada a sua grande capacidade. Com capacidade organizativa No seu todo bem organizados Já com a parte administrativa Para orientar os resultados. Já são muitos grupos corais Grupos de homens e mulheres Todos eles no cante são reais Pensa amigo o que quiseres. Grupos com forte implantação Dentro dos cantes alentejanos Todos numa grande dimensão Dos mais novos aos veteranos. Grupos muito importantes De uma grande dignificação São testemunhas doravantes Que vão passando de geração. Temos que cumprir a tradição E o purismo do nosso cante Para dar ao Mundo admiração Como património importante. Na UNESCO já foi apresentado Património Mundial da Humanidade Queremos que seja aprovado Do Alentejo a mais velha realidade. Deodato António Paias - Lagoa Transcendências Quando tanjo o infinito Sobre a Existência e o Ser Paro no tempo e medito Quão ínfimo é meu saber. Vejo a minha inteligência Pequenina e limitada E apreendo que a ciência Do Além não sabe nada !... Mas existem convencidos Do Além algo saber Passando a vida iludidos No seu mero pretender. Descrente sou quando alguém De tal saber se enaltece Quando ao certo do Além Nada mais que nós conhece. Os que tentam descobrir Qual a origem da vida Rendem-se e vêm cair Sempre ao lugar da partida. Nossa humana condição Não nos permite entender A sublime Criação Transcende o nosso saber !... Euclides Cavaco - Canadá Mais um ano que passou Mais um ano que passou, Riscado do calendário! É forçoso olhar para trás, Dele fazer um sumário. Não vou pensar no que fiz; Podia ser mais, melhor: O importante é pensar No que me fez o Senhor. Em orações aflitas, Problemas resolver, Ele tinha a solução, E eu via o Seu poder. Nunca, em qualquer momento, Ele me desamparou, E até quando eu chorava, Minhas lágrimas secou. Misericórdia e amor, Encontrei em Seu regaço; E quando eu fraquejei, Ele m'estendeu Seu braço. Fez-me ver a dor alheia, Sofrer com o seu sofrer; Ensinou-me a perdoar, E em tudo O engrandecer. Sabendo que eu sou barro, Como o oleiro me moldou, Ao Seu querer e vontade, Mais humana me tornou. Na minha insignificância, E em toda a minha fraqueza, Por Sua infinita graça, Foi a minha fortaleza. Em tudo na minha vida, Eu vejo a Sua mão, Fez milagres, maravilhas, Me deu paz e salvação. Seu amor é grandioso, Misericórdia e bondade, Tudo em mim Ele mudou, E me ensinou humildade. Com imensa gratidão, Eu Lhe presto o meu louvor, Ele é o meu bordão, Na alegria ou na dor. Anabela Dias - Paivas/Amora Deuses, Minha Poesia Canto da cotovia Na imagem do bucolismo! Deuses, minha poesia! Do mundo simbolismo Aves a construir uma sinfonia, Seus cantos, seu lirismo! Que era poeta não sabia, Apenas vivia o sincronismo, Porém a mente era sadia! No seio do naturalismo, Sem saber, imaginava poesia A meditação era de realismo O há em tudo, sem ironia, Fazer da tristeza, idealismo, Poesia, diria filosofia, No meu caso, proselitismo! Clarividência, apostasia Aves planavam, suprimindo o lirismo Deuses, a minha poesia! Daniel Costa - Lisboa Bom Ano e melhor vida A vida é uma laranja Toda dividida em gomos Se a sorte não esbanja Só resta o que de bem somos. A vida é como uma nuvem Cuja água descarrega Só se molha quem não tem Abrigo por onde navega. Por isso amigos meus Vamos dar graças a Deus À sorte que ainda temos... De ter um gomo da vida Sumarenta apetecida No abrigo em que vivemos. Rosa Silva ("Azoriana") Poema Voz das palavras Luz entre fadas Aurora da vida Asas do vento Templo Dos sentimentos Terra santa Da alma que canta Segredo das letras Baluarte do imaginário Fredy Ngola - Angola Obra Prima Angola dançando com verso. Minha Terra é Obra-prima. José Jacinto "Django"

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 «Trovador» Na bagagem uma saudade Um dia do meu cantinho Parti pelo mundo fora O que eu sofri sozinho Poderei contar agora As fronteiras que passei Ia olhando a paisagem Confesso que até levei A saudade na bagagem No lugar onde ancorei Muitas saudades senti Não sou, nem nunca serei Feliz tão longe de ti Foi um sonho uma ilusão Para isso ganhei coragem Enganei o meu coração Com a saudade na bagagem Refrão Não trazia apenas roupas Nesta mala era verdade Entre outras coisas, poucas Trazia também saudade Saudade do que deixei Naquelas terras além Confesso que até chorei Com saudades, porém. Chico Bento – Suíça “Velhos” Vão ao baile, vão dançar Quem em novo dança bem… Aperaltados lá vão Dos cinquenta e tal aos cem. E depois na leitaria Dá gosto vê-los!, Riem muito e namoram Falam pelos cotovelos. Ainda bem é viver A vida quer-se risonha, Que a vida sem um sorriso Tropeça, tomba tristonha. Vão ao baile, vão dançar Dançar é como se fosse… Caísse do céu madura Na boquinha pera doce. Fazem bem, a vida Que triste é ver alguém, Esperar que morte venha Em casa e sem ninguém. Vão ao baile, sejam felizes E namorem…, pois então! Esta vida são dois dias E às vezes nem dois são. Velhos? – Palerma! Quem dia a dia dança, (Que bela atitude!) Ri e muito namora… TEM ETERNA JUVENTUDE Airesplácido – Amadora Não vás, Amiga! Como dizer-te adeus, minha querida amiga, Sem que a dor de não mais estarmos juntos (Às minhas queixas ou na mui felicidade até agora tida Amiga fiel que me trouxe novos mundos aos mundos) Faça de mim cosa triste que não entendo? Entre o sol e a escuridão outras coisas inda virão. Mas sem a tua presença que de mim se vai escondendo O que restará senão o medo e um mui triste coração? Menina bonita irradiando mil constelações Sempre apelando àqueles que mais sofriam Fazes de tua mui nobre profissão tuas reais razões Pra que cada dia se manifeste como eu bem vi Quando aos demais davas atenção e a ti ocorriam. Não vás! Eu sou aquele quem sempre mais necessitou de ti. Jorge Humberto – P.Stº Adrião “Cãozinho à Trela” (Poesia brejeira) Lá vai ela, lá vai ela Numa rua em Portimão, Com o seu cãozinho à trela, A largar o cagalhão! Dê-lhe um toque de mansinho Ela, sem tempo de perda Lá seguiu, com o cãozinho Mas não apanhou a merda! Parecia pessoa fina No vestir e no calçar! Aquela porca ladina, Não quis a merda apanhar! Depois do toque que lhe dê Reparei, ela não presta… Eu também não me importei, Pois há tanta gente desta! À trela, com o cãozinho, Numa rua em Portimão Lá seguiu o seu caminho Deixando a merda no chão! João da Palma - Portimão «Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos, que pode o povo querer um mundo novo a sério.» (António Aleixo) Glosa Vós que lá do vosso império fazeis sofrer nosso povo olhai para ele de novo e desvendai o mistério. Com vossas promessas chochas prometeis um mundo novo, meteis o povo num ovo deixando de fora as “coxas”. Sois um bando de lesivos os milhares vão p’ro Covo, calai-vos, que pode o povo enterrar-vos todos vivos… Fazei rodar o “hemisfério” para termos claridade. Pode alguém de mais ruindade, querer um mundo novo a sério. Dai-nos outra vida mais nobre que a do sofrimento! Jorge Vicente - Suíça Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 13 «Poemar» Outro rumo Cansei de tanta poesia Agora o que me consola, É tocar a toda a hora As cordinhas da viola. Dizem: - não tens esse dom Não fazes boa figura. Gota a gota a água bate Tanto bate até que fura. Para começar é preciso Muito querer e vontade, Com o tempo hei-de ser Um artista de verdade. Saiba eu tocar viola Vou afinar a garganta, Tenho o mundo a meus pés Quem sabe cantar encanta. Eu canto, viva a alegria! Um cantor fenomenal, Mui querido e admirado Norte a sul de Portugal. Contrato duas moçoilas Com um rabiosque bem feito, Eu canto e elas dançam Um conjunto perfeito. Duas ou talvez quatro As melhores pernas do mundo, Que de tão boas alevantem Os olhos de um moribundo. Já me estou a ver em palco As meninas, fantasia! Quero cantar tocar viola Cansei de tanta poesia. Airesplácido – Amadora Pensamento fugitivo Ah, se a manhã soubesse O que a noite de mim calou; Que meu pensamento foi longe Tão longe que não voltou. Perdeu-se pelas lonjuras Onde a saudade aportou, Pelas praias de além-mar Desse mar que já foi meu, Ficou preso nas areias Do tempo que há passado, Como navio naufragado Na brisa entre os coqueiros, Pirilampos como luzeiros E um céu muito estrelado. Talvez por entre as anharas Vendo as manadas pastar Ou na beira do rio, sentado, A ver as águas passar. Volta pensamento, volta, Não queiras por lá ficar! São Tomé - Amora Noite de Artistas Que noite maravilhosa Passámos lá no Abalo Uma equipa famosa... De o dizer, não me calo Aqui vai esta poesia Para recordar esse dia! Aqueles irmãos artistas Que são todos benfiquistas Amigos do coração O Gualter e o José O Eduardo e o Rui... Porque eu, também lá fui Mostrando como é que é! Pois se não é... eles são Artistas de primeiro plano Saem ao pai Floriano Tocam com muita paixão! Ao ouvi-los, emocionada Tanta canção recordada Dos velhos tempos de outrora Reportório sem igual Na minha terra natal Cantam pela vida fora! Ao ver o Zé eu senti Todo o tempo que vivi Na aula de Dactilografia Da música, que tem segredos Ele com todos os dedos Toca com grande Mestria! Se pudesse dar uma flor Ao Eduardo que é cantor Não sei qual escolheria... Um cravo, rosa ou camélia Como não estava a Adélia Fica para outro dia! Maria Fraqueza - Fuzeta Mundo Os tempos são de mudança Tudo está diferente O ano não tem mais quatro Estações Está tudo descontrolado Chove quando devia ser verão Faz calor no Outono O Inverno é incerto… Ainda haverá Primavera?... Cada dia mais perto… Mais perto do fim! Nunca esperado…mas certo! É tempo de acordar! De agir! Tentar… Viver! Com paz…Com liberdade É tempo de reflectir! Agradecer o milagre Da tua, e a minha vida! No meio das atrocidades… Fome!... Guerras…Maldades…Famílias destruídas Inocentes sacrificados… Em nome de ideais Religiões fanatismo…Crueldade! Resta-nos gritar Basta! Basta! Precisamos acordar Olhar o nosso interior Por a mão na ferida!… Fazer o hoje melhor Amar! Respeitar a vida! Conceição Carraça - Seixal Tempo No tempo em que o tempo me faltava, Tinha tempo p’ra tudo, até sonhava Que com o pouco tempo que sobrava Construiria tudo quanto amava. Mas o tempo do tempo se vingou E esse tempo do tempo que passou Procurou-me mas nunca me encontrou E sem tempo p’ra nada eis que aqui estou. Que serve o tempo a quem vive sozinho? A quem caminha parado no caminho? A quem já nem tem de seu aquele cantinho Onde sorvia palavras de ternura e de carinho? Cheguei aqui ao porto de partida Onde se sente começar o fim da vida, Onde a esperança parece adormecida E a dor que nos rasga é mais sentida. E o tempo do tempo que sobrar? Ah! Sei muito bem onde o vou gastar, Só não será apenas tempo para amar Porque preciso de tempo p’ra cantar. Amor Virtual Cuidado com os amores virtuais! São como todos os outros amores Provocam as mesmas dores Daqueles que consideramos normais. Talvez até mesmo mais! Não podemos trocar olhares, Analisar fisionomias... Quando acaba um amor virtual, Doe tanto quanto um amor real. O dia perde a claridade, Vai-se a nossa alegria, Silencia-se a poesia E o mundo parece desabar... Onde foi parar a tal felicidade? É tudo tão igual! Ilze Soares Catanduva/Pirassinunga – SP/BR Nogueira Pardal – Verdizela

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 «Eventos» PÓSTUMA HOMENAGEM AO NOSSO SAUDOSO CONFRADE E AMIGO ALFREDO LOURO 29/10/1936 – 22/12/2014 Alfredo Louro nasceu em Lisboa, na freguesia do Beato em 29 de Outubro de 1936. Frequentou o antigo 2º. Ciclo dos Liceus após o que cursou na “Universidade da Vida”. Profissional de seguros, aos 33 anos foi convidado a instalar em Leiria uma Delegação da Seguradora que serviu e onde exerceu as suas funções de Gerente até 1984. A seu pedido transferiu-se para Oliveira de Azeméis onde reside, deslocando-se com frequência à sua residência de férias na Ilha de Armona, em Olhão, (Algarve). Como Profissional de Seguros aposentado, dá assistência à carteira de seguros de que é titular, desenvolvendo a sua actividade em vastas zonas do País Os seus tempos livres ocupa-os da forma que mais prazer lhe dá como: Fado, Poesia, Internet, Escrever, RadioAmadorismo e tudo que tenha a ver com comunicação! Dá especial apreço à solidariedade e humildade, detestando a mentira e a petulância. Participou em Antologias poéticas do Mensageiro da Poesia - Prefaciou a I Antologia Poética digital de "Os Confrades da Poesia. Está ligado a vídeos na Youtube, com Produção de Pinhal Dias. Ainda ligado a vários portais conceituados na Internet. Actualmente é membro eterno de “Os Confrades da Poesia” Póstuma Homenagem Ao Saudoso Alfredo Louro (29/10/1936 – 22/12/2014) Derradeiro adeus Ao nosso extremoso amigo ALFREDO LOURO No nosso adeus comovente Ao querido amigo ALFREDO Choramos sentidamente Ter-nos deixado tão cedo. Talentoso e dedicado A muitas actividades Por todos muito estimado Fez um reino de amizades. Venerável altruísta Amigo de toda a gente Grande poeta e fadista P'ra todos sempre presente. Leste a pérfida surpresa O roubou bem cedo à vida Fica a profunda tristeza Por tão precoce partida. Tristeza que embarga a voz Enche a alma de amargura Que faz curvar todos nós Perante um véu de negrura. Este é nosso adeus final P’ra toda a eternidade... Deste AMIGO ESPECIAL Ficará sempre a saudade !... Euclides Cavaco - Canadá Dom Da Amizade Preito ao meu singular amigo ALFREDO LOURO Dias antes do seu falecimento Via telefone o Alfredo atendi… Foi despedida e fortalecimento… Com Alfredo Louro muito aprendi - “Amigo Pinhal Dias desde já Te informo que comprei um terreno Também o meu caixão e vou p’ra lá E deixo o cangalheiro mais sereno O Alfredo deixou-nos a sua “Chave da vida” romper o egoísmo, sem entrave P’lo amor e de sermos todos irmãos Alfredo Louro um Confrade amigo Foi poeta, fadista p’lo fado antigo E confiou sempre nas duas mãos Pinhal Dias – Amora / Portugal Chave da Vida Se a vida que nós vivemos Por nós fosse bem vivida Teríamos o que não temos E bela seria a Vida! As lutas e as batalhas Que assolam a Humanidade Fechavam-se entre muralhas De Paz e Felicidade! Tudo está nas nossas mãos, Sem quaisquer malabarismos Sem rebuço ou relutância: Basta sermos como irmãos, Esquecermos egoísmos, Concedermos tolerância!... Alfredo Louro - Oliveira de Azeméis Esta homenagem merecida Há muito tempo é devida A um amigo do peito Mas não irei conseguir Nos meus versos traduzir Com precisão o meu preito. Amigo mui singular Que um dia fui encontrar Como se encontra um tesouro Entre o joio é puro trigo É o modelo de amigo Chama-se: Alfredo Louro. Sabe manter a amizade Com rara afectividade Duma alma filantropista Dá muito mais que recebe E a arte muito lhe deve Como poeta e fadista !... Neste poema antecedo Meu tributo ao Alfredo Que ao mundo canto e disperso O seu nobre coração Tem tão grande dimensão Que é maior que o Universo!... Euclides Cavaco - Canadá ALFREDO LOURO - Cantou fados de Euclides Cavaco Amora Ribeirinha; Canto das Mágoas; Canto do Rouxinol; Fado a Porto de Mós; Fado da vida; Feira da Ladra; Fernando Maurício; Majestoso Cacilheiro; Meu Burgo; Traineira da vida... E um fado de Pinhal Dias “Trova Cantante”

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 67 | Janeiro / Fevereiro 2015 | 15 «Faísca de Versos» GOLD+GOLD=a m... Dois ou três meses atrás comentei com uma pessoa, (e nem fui sequer mordaz), ser os GOLD bem capaz não cheirar a coisa boa... Não sou bruxo nem profeta mas confesso nem estranhei ver gente ao governo afecta nesta embrulhada da treta agora a contas com a lei Sempre achei inusitada dos vistos a concessão... e “matei” logo a charada não vendo investir em nada a não ser casa ou mansão Nenhuma empresa montada nenhum emprego criado... int’ressa é “massa” lavada meio milhão e mais nada que o visto é logo passado Puxou-se o fio à meada mas falta agora saber se esta tão grande embrulhada chega a ser desembrulhada como eu penso deva ser Não me quero convencer!... Mas será desta que vemos a justiça não ceder aos int’resses e ao poder de quem todos nós sabemos?! Esperemos para ver se isto é só mera fumaça que acaba por esvaecer sem se chegar a saber quem engendrou a trapaça Se o que consta for verdade, (eu cá por mim não duvido)... se actue em conformidade e que a lei, por piedade não seja dura de ouvido E puna, severamente, mesmo que ostentem “galões” todo o interveniente nesta patranha indecente enquadrando os figurões Gold, gold, dá milhões!... Vão à merda seus… “O Burro Sou Eu?” Vai um burro albardado para o céu, Disse a brincar, um doido certa vez! Se foi algum estrangeiro ou português, O certo é que esse burro não convenceu! Se nisto acredito, o burro sou eu! Porque esse eterno dito, alguém o fez Numa exclamação, simples talvez, Mostrando que o milagre não se deu! E o burro irá sempre, conduzido Num sítio, terra ou estado conhecido Onde o burro albardado só chegou! No céu voam as aves e o avião E nem sequer, com arte de levitação, Algum burro albardado se elevou! João da Palma (Amlapad) Banha da cobra. Lideranças que ficaram atónicas D’alguns oradores dessa política Promoveram as obras faraónicas Desmascarados por via jornalística Cercado ficou, na hora do aperto Ganhou na prisão nova habitação Processo em tribunal a concerto Com amigos!? Sua justificação Visitas de apoio, outras de resgate Figura investida p’lo desgaste Com balanço macabro nessa dobra. Vai escorregando, por fingimento Até chegar o dia de julgamento Linha oratória, de banha da cobra. O estado da nação Ouço dizer ao governo que isto está a melhorar vemos nós no dia a dia só empresas a fechar Julgo ser culpa do euro a causa deste inferno estamos no bom caminho ouço dizer ao governo Ó bom povo português olhai que vos estão a tramar quem mama é que vai dizendo que isto está a melhorar Para distrair o povo lança o governo a fantasia os politicos mais ricoos vemos nós no dia a dia Portugal teve mais crises que conseguiu ultrapassar mas vê-se com este governo só empresas a fechar. Chico Bento - Suíça Pensamento, democrático: Por terras de livre voto Já não se encontra memória De tanto povo devoto; Ao conto da tal história Em que só idosos ligam, E por falta de memória Aos mesmos eles se fiam, Escolhendo os para a glória!... Pinhal Dias (Lahnip) – Amora / Portugal Arménio Domingues - Amora Fatalismo De nada adianta desancar o pau no ladrão, no venal, neste ou naquele, que nem pro inferno irá, pois sendo mau, a própria vida se encarrega dele! Humberto Neto - SP/BR O professor. O professor nos consola Com o ensino de lições Vem p’la raiz a escola Multiplica profissões Lahnip - Amora Abgalvão - Fernão Ferro “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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