vol 6 Enciclopedia de biblia teologia S-Z e indice

 

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R.N. Champlin, Ph.D. ENCICLOPÉDIA de BÍBLIA, TEOLOGIA dr FILOSOFIA VOLUME 6 | ^ & ÍNDICE hagnos A

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R.N. Champlin, Ph.D. ENCICLOPÉDIA de BÍBLIA, TEOLOGIA (^FILOSOFIA VOLUME 6 IaE 2aE 3a E 4aE 5a E 6a E 7aE 8aE 9aE d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , d iç ã o , & ÍNDICE 1991 • 2000 1993 • 2000 1995 • 4500 1997 • 5000 2001 • 3000 exem plares exem plares exem plares exem plares exem plares exem plares ex em pla res exem plares exem plares exem plares exem plares 2002 • 3000 2004 • 3000 2006 • 2000 2008 • 3000 2011 10a E 11a E d iç ã o , d iç ã o , • 3000 2013 • 3000 D ir e it o s R eserv a d o s Av. J a c in t o J ú l i o , hagnos C ep 04815-160 • T el: 27 • São P a u l o , SP (11) 5668-5668 | e d i t o r ia l @h a g n o s . c o m .b r w w w . h a g n o s .c o m . b r

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1. Formas Antigas fenício (semítico), 1000 A.C. grego ocidental, 800 A.C. latino, 50 D.C. w 2. Nos Manuscritos Gregos do N oto Testamento * SSss SS 8s 5 3. Formas Modernas SSss Ss 4. História S é a décima nona letra do alfabeto português (décima oitava, se deixarmos de lado o K). Historicamente, essa letra deriva-se da letra semítica shin, «dente». Essa palavra hebraica também tem o sentido de «serra», que talvez possa explicar seu formato original. A principio representava o som ch. O grego adotou a letra, chamando-a de sigma. Nesse idioma acabou adquirindo um formato semelhante ao nosso «S», não tendo mais o formato de W (como era nas linguas semíticas). No grego tinha o som de «ss». Foi adotada pelo latim, de onde passou para outras linguas modernas, adquirindo seu formato final. 5. Usos e Simbolos S é abreviação portuguesa de «sacerdotal», tradução da palavra inglesa priestly, que seria uma alegada fonte informativa do Pentateuco, destacando os ritos da casta sacerdotal. Ver o artigo sobre/. E. D. P.(S.) quanto a uma completa descrição. Ver também sobre S quanto a vários símbolos relacionados a essa letra. S também é usada como símbolo do Codex Vaticanus 354, descrito no artigo separado S. Caligrafia de Darrell Steven Champlin

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Arte céltica, a luta do homem contra a serpente, evangelho de Mateus, Livro de Kells

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s s Um símbolo às vezes usado para o codex Sinaiticus, mais comumente designado Aleje (ver a respeito). S também é um símbolo que foi usado por R. H. Pfeiffer, para um dos alegados membros componentes do livro de Gênesis. Essa sigla deriva-se do sul de Seir, isto é, Edom, que ele acreditava ter sido seu lugar de origem. Esse estudioso também apontava o tempo da composição desta parte do livro como o século X a.C. Supostamente, a narrativa das origens e da história do homem primitivo, a saber, Gênesis 1 a 11, foi composta naquela região. Entretanto, certas porções daqueles capítulos foram atribuídas a P, por esse mesmo perito. Para ele, a sigla representaria outra composição alegadamente separada, os capítulos 14 a 38, como o relato da origem do povo que habitava no sul da Palestina e na Transjordânia, incluindo um sumário das populações que ocupavam Edom. Ver o artigo intitulado J. E. D. P. (S.) quanto à teoria das múltiplas fontes do Pentateuco. S Esta é a designação do Codex Vaticanus 354, que não deve ser confundido com o Manuscrito do Vaticano, designado B .S è membro do grupo da Família E. Trabalhei com a família E quanto ao evangelho de Mateus, e meu professor e amigo, o dr. Jacob Geerlings, trabalhou com os outros três evangelhos da mesma família. O título de minha obra foi Family E and ItsAllies in Matthew (1966), publicada pela University o f Utah Press; e, então, foram lançadas as teses sobre os outros evangelhos. Esses e vários outros estudos textuais foram patrocinados e editados pelo dr. Geerlings, sob o título Studies and Documents. S é um dos mais antigos manuscritos gregos datados, pertencentes aos evangelhos. Um cólofon afirma que ele foi escrito por um monge de nome Miguel, no ano do m undo de 6457, que corresponde a 949 d.C. Atualmente, esse m anuscrito está na Biblioteca do Vaticano, e que explica o seu nome. Data dos séculos VIII ou IX d.C., e exibe um tipo de texto antigo, mas bizantino já padronizado. Ver os artigos gerais sobre Manuscritos, Novo Testamento. S Além de seu trabalho no campo da erudição bíblica, também fez estudos significativos nos terrenos da astronomia, da liturgia, da gramática, da lexicografia e da apologética. Abraham ibn Ezra declarou que Al-Fayyumi era «a autoridade máxima em todos os campos». Escritos. Livro das Crenças e Opiniões; Refutação do Agressor Injusto. SAAFE No hebraico, união, amizade, ou, talvez, a palavra derive do aramaico, significando bálsamo. 1.0 sexto filho de Jadai (I Crô. 2.47) 2.0 terceiro de quatro filhos que Caíebe teve com sua concubina, Maaca. Era o “pai” (isto é, o fundador) da região chamada de Madmana, localizada ao sul de Judá (I Crô. 2.49). Viveu em algum período após 1380 a.C. SAALABIM No hebraico, chacais, raposas ou lugar de raposas ou chacais. Uma vila localizada próximo a Aijalom, Zora e Ir-Semes, cerca de 24 km ao oeste de Jerusalém, que pertencia à tribo de Dã (Jos. 19.41-45). Sua identificação com Saalbim (Juí. 1.35; I Reis 4.9) pode estar correta. 0 Seibit moderno (cerca de 5 km ao noroeste de Aijalom) provavelmente marca o antigo local. SAALBIM No hebraico, chacais, raposas ou lugar de raposas ou chacais, nome alternativo para Saalabim (ver). Essa era uma vila ou uma região da tribo de Dã localizada entre Aijalom e Ir-Semes (Jos. 19.42; ver também Juí. 1.35 e I Reis 4.9). Esta região era controlada pelos amorreus que resistiram com zelo à invasão dos hebreus. Posteriormente, uma vez incorporada a Israel, tomou-se um dos distritos administrativos de Salomão (I Reis 4.9). Sua forma a d jetiv a, sa a lb o n ita , refere-se a Eliaba (II Sam. 23.32; I Crô. 11.31; Jos. 19.42). O trecho de I Reis 4.9 parece posicionar Saalbim próximo a Estaol, Bete-Semes e Aijalom, cerca de 24 km ao oeste de Jerusalém, dentro do território da tribo de Dã. O local exato é desconhecido hoje. SAALBONITA Ver P (Código Sacerdotal). S é o português para P (inglês, priestly). Está em vista o Código Sacerdotal, uma fonte alegada do Pentateuco. SAADIA BEN JO SEPH AL-FAYYUMI Ver Saalbim. SAALIM Suas datas foram 882 a 942. Filósofo judeu nascido em Fayyum, no Egito, foi um dos líderes da escola de Sura, na Babilônia. Traduziu o Antigo Testamento para o árabe e compilou o primeiro dicionário hebraico de que se tem notícia. AL-Fayyumi foi um dos mais brilhantes eruditos do começo da Idade Média. E representou o partido rabinita e talmudita em uma disputa contra os caraitas (ver a respeito), que asseveram a regra das «Escrituras somente» quanto à fé e à prática, e, por isso mesmo, rejeitavam os eruditos e rabinos judeus, os quais haviam escrito coisas que assumiam grande autoridade entre os israelitas. Al-Fayyum i tam bém defendia o uso da filosofia, afirmando que não há nenhuma necessidade de essa atividade terminar no ceticismo. Advogava a aplicação da razão ao estudo e utilização das Escrituras, sem preocupações com o suposto conflito entre a razão e a revelação. Também pensava que a doutrina cristã da Trindade era uma interpretação errônea das Escrituras. No hebraico, chacais, raposas ou lugar de raposas ou chacais. Saul passou por esta região quando estava procurando por asnos perdidos de seu pai, Quis (I Sam. 9.4). A região localizava-se ao norte de M icmas e provavelmente pertencia à tribo de Dã, mas alguns acadêmicos afirmam que ficava no território da tribo de Benjamim, à qual pertencia Saul (ver I Sam. 13.17). O local exato não é conhecido hoje. O nome pode ser uma alternativa a Saalbim (ver). SAARAIM (LUG AR) No hebraico, dois portões. 1. Uma cidade localizada a sudeste de Jerusalém em Sefelá (região de planícies e morros). Cf. Jos. 15.33-36. Esta cidade dominava o vale através do qual os filisteus fizeram um rápido recuo (I Sam. 17). A cidade pertencia à tribo de Judá (Jos. 15.36; I Sam. 17.52). Cf. I Crô. 4.31. O local exato não é conhecido hoje, mas sabemos que ficava abaixo de Azeca (I Sam. 17.1). 2. Uma vila da tribo de Simeão (I Crô. 4.31), talvez um 1

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SAARAIM - SÁBADO nome alternativo de Silim (ver) ou Saruém (ver). São dadas algumas informações sobre o local em Jos. 15.27-32 e 19.2-6. Ambos a identidade c a localização do local são desconhecidas hoje, embora não pudesse ser localizada distante de Gaza e de Berseba. SAARAIM (PESSO A) No hebraico, aurora dupla, nome de um descendente de Benjamim. De acordo com I Crô. 8.8, ele teve três mulheres e nove filhos. Na Bíblia em português, seu nome é idêntico a dois locais (discutidos acima), mas o hebreu tem palavras levemente diferentes para designar os locais e a pessoa. O homem assim chamado viveu em Moabe por muitos anos, fazendo dela seu lar adotivo. regras relacionadas ao sábado era sufocante na época de Jesus. O descanso oferecia a oportunidade de engajamento em louvor, estudo e, especialm ente, na leitura das Escrituras. A sinagoga (ver) transformou o sábado em seu dia sagrado mais importante. Ele se inicia na sexta-feira às 18h00 e perdura até o sábado, às 18h00. Em tempos modernos, a comemoração de modo geral inicia-se mais tarde, para permitir às pessoas que trabalham uma chance para chegar à casa de reuniões. As Escrituras são lidas, são pregados sermões e oferecidas orações. Embora haja teorias diversas quanto às origens (vera seção III, a seguir), parece que essa era uma instituição exclusiva aos hebreus antes de a idéia propagar-se a outros povos. III. Teorias da Origem Afirm ações Não-bíblicas SAASGAZ Este é um nome persa cujo significado não nos é conhecido hoje. Saasgaz era um eunuco que guardava as concubinas de Assuero, rei da Pérsia. Ester era uma das tais companhias, de acordo com Est. 2.14. Este homem viveu em cerca de 515 a.C. Ver o artigo Eunuco. SAAZIM A Uma vila ou região da tribo de Issacar, localizada entre Tabor e o rio Jordão (Jos. 19.22). Eqüivale ao nome hebraico para alturas. O local foi identificado como o local que hoje é chamado de Tell el Mekarkash. SABACTANI Ver Eli, Eli, Lama Sabactini. SÁBADO I. Os Termos II. Caracterização Geral III. Teorias da Origem IV. Observações Bíblicas V. Opiniões sobre a Obrigatoriedade I. Os Termos A palavra hebraica sabbat significa descanso ou cessação; provavelmente está relacionada à forma verbal sbt, que significa “trazer a um fim”. Alguns estudiosos supõem que a idéia do sábado surgiu na Babilônia, e que o termo hebraico sabbat se relaciona à palavra acadiana (babilônica) sab/pattu, que fala do dia de lua cheia. Esta teoria perdeu aceitação em anos recentes. A palavra grega na Septuaginta é a forma transliterada do hebraico sabbaton, que pode significar especificamente o sábado ou pode referir-se a uma semana inteira. II. C aracterização Geral O sétimo dia da semana era chamado de sábado e apenas esse dia tinha um nome. Os outros eram designados por números. Não há registro de que o sábado era observado na época patriarcal, embora o início “teológico” esteja relacionado à criação divina de todas as coisas e ao descanso de Deus de seu trabalho (Gên. 2.2). O início histórico na Bíblia é associado ao Pacto Mosaico. Ver o artigo Pactos, onde apresento um resumo dos pactos bíblicos. Observar o sábado tomou-se o próprio sinal do Pacto Mosaico. Ver as anotações introdutórias ao capítulo 19 de Êxodo no Antigo Testamento Interpretado para uma descrição completa. Na teologia hebraica, esse dia sagrado comemorava a criação original e a redenção de Israel do Egito (Gên. 2.2; Êxo. 20.8,11; Deu. 5.15). No início era um dia de descanso, mas gradativamente assumiu outro significado relativo à devoção e piedade. O acúmulo de 1. Teoria p la n etá ria . Não há dúvida de que o desenvolvimento do sábado teve relação com a semana, mas foi apenas no início da era cristã que os nomes dos planetas passaram a ser associados com dias específicos. Chamar os sete dias com os nomes dos sete planetas chegou tarde demais para ter alguma relação com o sábado hebreu. Não há evidência dc que tal dia tivesse alguma coisa que ver com a veneração de um planeta, algo que seria contrário à teologia hebraica. Nem há evidências de um “empréstimo hebraico” que tivesse sofrido adaptações para ajustar-se à sua cultura. 2. Teoria pambabilônica. Os tabletes cuneiformes babilônicos usam a palavra shabatum para designar o 15* dia do mês, à hora da lua cheia, e tal dia era considerado um dia de pacificação ou apaziguam ento do deus (presumivelmente o deus-chefe). Outros dias do mês, especificamente o T, o 14*, o 21" e o 28' (as fases da lua) eram considerados dias do mal ou do azar. Nesses dias até mesmo o rei tinha sua vida limitada: ele não podia andar de carruagem, comer carne assada em fogo, mudar de roupa ou discutir os negócios do Estado. Sacrifícios eram oferecidos aos deuses para afastar acidentes e reversões de fortuna. O épico babilônico Enuna elish descreve esses e outros particulares, e lembramos, aqui e ali, o relato bíblico da criação, mas as diferenças são tão grandes que eliminam o possível apoio à teoria do “empréstimo direto”. 3. Teoria da fe s ta lunar. O sábado hebraico era originalmente um antigo festival lunar? Alguns estudiosos acham que sim. A própria Bíblia ocasionalmente associa o sábado à lua nova (II Reis 4.23; Isa. 1.13; Amós 8.5). Um exame cuidadoso de Lev. 23.11,15 parece indicar que a palavra “sábado” pode referir-se ao dia de lua cheia. No paganismo, as fases da lua (lua nova, lua cheia, meia-lua, lua minguante) eram comemoradas com sacrifícios e orações, principalmente para afastar o mal. Os judeus tinham certos sábados fixos, que caiam no dia de lua cheia, a saber, a Páscoa, o banquete dos Tabernáculos e o banquete de Purim. O sábado comum de todas as semanas, contudo, não era vinculado à lua e às fases da lua. Alguns insistem que observações das fases lunares, em um momento posterior, provocaram uma observação semanal que perdeu as conexões lunares originais, mas não há nenhuma evidência que sustente tal opinião. Afirm ações Bíblicas 1. O próprio Deus deu origem ao sábado, o dia de descanso, para comemorar seu descanso da atividade de criação (Gên. 2.2). Os conservadores consideram a afirmação de Gênesis como o fim de todos os argumentos sobre a origem do sábado. Os liberais e os críticos, contudo, acreditam que essa é uma afirmação anacrônica que de fato repousava em eventos posteriores ocorridos 2

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SÁBADO na época de Moisés. Nesse caso, a doutrina de que o próprio Deus deu origem ao sábado, imediatamente após a criação, é “idealista” e “teológica”, não uma doutrina histórica. Os críticos destacam que o sábado não era observado na época patriarcal. 2. O sábado iniciou como um sinal do Pacto Mosaico (que descrevo na introdução a Êxo. 19, no Antigo Testamento Interpretado). 3. O sinal foi então transformado no quarto dos Dez M andam entos (o D ecálogo). Ver o artigo Dez Mandamentos. “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êxo. 20.8). IV. Observações Bíblicas Importantes observações bíblicas sobre o sábado são as que seguem. O originador deste dia como o dia de descanso foi Elohim, o Poder, o Deus universal e criador de todas as coisas (Gên. 2.2). A observação do sábado pelos homens, imitando a Deus, transformou-se no sinal do Pacto Mosaico e no quarto dos dez mandamentos (Êxo. cap. 19; 20.11). Embora originalmente fosse apenas um dia de descanso, o sábado tomou-se dia sagrado (Êxo. 16.23). Ele passou a ser associado a festas solenes, especialmente aquelas em dia de lua cheia (Amós 8.5; Osé. 2.13; Isa. 1.13). O dia era com em orado, provavelmente, como um dia de louvor, adoração e oração (Lev. 23.1-3). Aqueles que se recusavam a observar o dia arriscavam possível apedrejamento até a morte (Núm. 15.32-36). Muitas vezes a celebração do sábado tomou-se uma formalidade sem que estivesse associada a isso qualquer fé religiosa sentida no coração. Tal degeneração foi denunciada pelos profetas (Isa. 1.12,13). Houve abusos do dia e de suas exigências, abusos que foram combatidos pelos profetas (Jer. 17.21, 22; Eze. 22.8). A assembléia sagrada do sábado exigia que as ofertas diárias fossem dobradas (Núm. 28.9 ss.). A manutenção do dia tomou-se um sinal da lealdade de Israel a Yahweh (o Deus Etemo), como vemos em Isa. 56.2; 58.13; Eze. 20.12,21. O dia deveria ser de deleito e felicidade, não um dia de obrigações infelizes (Núm. 10.10; Isa. 58.13; Osé. 2.11). No período entre o Antigo e o Novo Testamento, ocorreu uma radicalização na celebração do sábado. Na época dos macabeus, muitos preferiam morrer a deixar de celebrar o sábado. Soldados recusavam-se a defender a si mesmos e ao próprio povo naquele dia (I Macabeus 2.32-38; II Macabeus 6.11). A tradição judaica posterior permitia que o dia deixasse de ser observado sob circunstâncias de vida ou morte. Perigos que ameaçassem à vida poderiam ser encarados de maneiras que violassem a manutenção da tradição sabática (Yoma 8.6). Mas nem todas as facções do judaísmo seguiram as diretrizes de liberalização. Materiais encontrados no Qumran mostram que os fazendeiros não podiam realizar no sábado atos que preservassem a vida de animais durante parturições complicadas. Se a mãe ou sua cria morresse, o acontecimento era considerado um ato de Deus. Jesus, que vinha de uma região liberal da Galiléia, entrou em conflito direto com as autoridades judaicas por causa de sua aparente falha em cumprir as regras do sábado. De fato, isto aconteceu seis vezes, de acordo com os registros das Escrituras. Veras referências a seguir: Mat. 12.1-4; 12.5; 12.8; João 5.1-18; 9.1-41; 9.40,41. A regra básica de Jesus era a de que o homem não havia sido feito para o sábado, mas, sim, o sábado havia sido feito para o homem (Mar. 2.27). O ensinamento de Paulo era que, para o cristão, não há dias especiais. Por outro lado, um cristão tem a liberdade de tomar um dia sagrado se fizer isso “para o Senhor” (a fim de promover a espiritualidade), Rom. 14.1-6. Depois do livro de Atos, a palavra sábado aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (Col. 2.16; Heb. 4.4). Nesses versículos, o sábado não é apresentado nem promovido como um dia que devesse ser celebrado, mas como um dia típico, como todos os outros que Cristo dá àqueles que nEle acreditam. V. Opiniões sobre a O brigatoriedade Batistas do sétimo dia e adventistas do sétimo dia continuam a celebrar o sábado no sétimo dia da semana. Outros cristãos o transformaram no domingo, o primeiro dia da semana, ou seja, um “sábado cristão”. Como em todas as polêmicas, devemos lembrar-nos de praticar o amor cristão, que é o maior princípio moral e espiritual de todos. À parte de qualquer obrigação de manter a celebração do sábado que alguém possa emprestar do Antigo Testamento, Paulo informa-nos que é legítimo uma pessoa celebrar dias especiais, se isso for de sua escolha. Por outro lado, a liberdade funciona de outra forma: uma pessoa pode optar por considerar todos os dias iguais (Rom. 14.5,6). Na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, apresento vários artigos que abordam esse tema, portanto minha cobertura aqui é muito breve. Ver o artigo Sabatismo e Obser\’ação de Dias Especiais', Sábado Cristão e Sábado Puritano. Ver a exposição sobre certos versículos-chaves do Novo Testamento Interpretado: Rom. 14.5,6; Col. 2.16; Gál. 4.10. Em Defesa da Observação do Sábado 1. Deus santificou o dia (Gên. 2.2). 2 .0 dia tomou-se um sinal do Pacto Mosaico e o quarto mandamento (Êxo. 19; 20.11). 3. Jesus e a igreja inicial praticavam a celebração, como demonstram várias referências das Escrituras em Atos. Ver Atos 2.46; 5.42; 9.20; 13.14; 14.1; 17.1,2,10; 18.4. 4. A mudança do dia sagrado para o domingo fez parte da apostasia inicial da igreja, particularmente da Igreja Católica Romana. 5. A celebração do dia não é legalista, pois foi estabelecida antes da lei, por ato do próprio Deus, que foi o primeiro a observar o sábado. A Crítica à Celebração do Sábado 1. Gên. 2.2 não estabelece uma regra para os cristãos, ou tal regra certamente teria sido reiterada no Novo Testamento de alguma forma óbvia e definitiva. Os liberais e os críticos apontam essa referência como uma inserção na história da criação, um fragmento anacrônico que foi emprestado da história de Moisés e inserido no relato da origem das coisas. 2. O simples fato de que o sábado era o sinal do Pacto Mosaico mostra que ele não pertence ao Novo Pacto. A celebração do sábado é uma forma de legalização que Paulo refutou, pois os crentes não estão sob a lei (Rom. 6.14; Gál. 3.10-23). 3. Naturalmente, a igreja inicial, especialmente na Palestina, celebrava o sábado, pois essa prática descendia das raízes judaicas. Houve um período de transição da antiga à nova ordem das coisas. A medida que a igreja se espalhava aos países gentios, a celebração do sábado perdeu força e praticamente desapareceu. Apo. 1.10 mostra que, mesmo na época dos apóstolos, o domingo, dia do Senhor, substituía o sábado antigo. Ver sob Dia do Senhor, Domingo, na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 4. Se uma mudança do sábado para o domingo como um dia especial (seja ou não este considerado o “sábado cristão”) foi um ato de apostasia, isso ocorreu muito antes da formação da Igreja Católica Romana. O Didache (150 d.C.), uma espécie de manual de ética e doutrina do 3

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SÁBADO CRISTÃO - SABATÁ cristianismo inicial, fala sobre o domingo como o dia no qual os cristãos se reuniam para o louvor e a oração. O mesmo é real sobre os escritos de Hipólito (160 d.C.) e Clemente de Alexandria (200 d.C.). 5. Embora pareça correto falar sobre a celebração do sábado como anterior à Lei, não sendo ela, portanto, uma prática legal, os versículos de Rom. 14.5,6; Col. 2.16 e Gál. 4.10 parecem colocá-la em tal classe. A celebração do sábado era de extrema importância para os hebreus, um verdadeiro sine qua non da condição de ser hebreu/ judeu; de fato, era o sinal do Pacto Mosaico, e isso diz tudo. Algo tão importante assim dificilmente deixaria de ser reforçado vigorosamente caso se esperasse que os cristãos devessem celebrá-lo. Deixo ao leitor a consulta dos artigos mencionados na seção V para discussões mais detalhadas. Quaisquer discussões desse tipo devem ser deixadas no Altar do Amor, e não representar um teste de espiritualidade ou retidão. Muitos cristãos judeus hoje continuam a observar uma variedade de festas e feriados judeus. Se fizerem isso “para o Senhor”, com vistas a ampliar sua espiritualidade, não devem ser criticados por aqueles que consideram todos os dias iguais. Por outro lado, aqueles que não seguem tais celebrações (incluindo aqui o sábado) não devem ser criticados. Certamente não merecem a designação de “hereges” ou apóstatas. A verdadeira espiritualidade não reside em manter nem em ignorar o sábado. SÁBADO CRISTÃO Ver sobre Puritanos e Sábado Puritano. Sob esse título, podemos designar duas observâncias: 1. Na Igreja primitiva, nos lugares onde predominava o elemento judaico, naturalmente o sábado judaico continuou a ser observado. E, paralelamente a isso, podemos supor que tenha havido uma consideração especial pelo primeiro dia da semana, visto que esse foi o dia da ressurreição de Jesus. Ver Atos 2 0 :7 ,1 Cor. 16:2, e especialmente, o dia do Senhor, em Apo. 1:10. 2. Gradualmente, o dia do Senhor, como muitos começaram a denominar o domingo, começou a substituir o dia de sábado; e podemos pensar que isso sucedeu, desde tem pos bem antigos, nos territórios gentil icos. Legalmente observado, o dia do Senhor ou domingo tomou-se um sábado cristão, conforme ilustro no caso dos puritanos, no respectivo artigo. Constantino, imperador romano (321 d.C.), fez do domingo ou dia do Senhor um feriado oficial, com descanso de todo trabalho manual e com recom endação de que houvesse observâncias religiosas. Os grupos protestantes de tendências legalistas enfatizavam a obrigação de observar o «sábado cristão», utilizando textos de prova, passagens do A ntigo Testamento e, especificamente, o decálogo e sua ordem accrca do sábado. O quarto mandamento aparece em Êxo. 20:8-11. O espírito do puritanismo passou para vários ramos da Igreja evangélica. Embora meus pais tenham sido batistas, para eles o dia de domingo era um sábado doméstico, e não podíamos participar de esportes e outras atividades afins. A Igreja era tudo naquele dia, como também praticamente em todos os demais. SÁBADO PURITANO Ver o artigo geral sobre os Puritanos. Essa seita cristã evangélica tinha certos aspectos legalistas com sua demasiada ênfase sobre a Lei de Moisés como orientação para a vida. Tal legalismo incluía a adoção do dia de domingo como se fosse o sábado cristão. Isso envolvia uma observância muito estrita do domingo, quando nenhum trabalho manual era efetuado, enquanto o dia inteiro era dedicado a atividades religiosas e à adoração. Vários fatores estavam envolvidos: 1. Historicamente, os puritanos seguiam as diretrizes impressas pelos reformadores protestantes, que faziam da lei mosaica uma norma para a conduta cristã, embora negassem que sua observância pudesse justificar ao pecador. 2. Ideologicamente, eles pensavam que a lei continuava em sua função, não podendo perceber que o ministério do Espírito Santo substituiu tal função, e que o chamado «sábado cristão», apesar de nada haver de errado em sua observância, não é um ensino neotestamentário. 3. Praticamente, eles faziam isso a fim de combater a lassidão na conduta cristã que se instalara nos dias anteriores à reforma. 4. Legalmente, o sabatismo dos puritanos adquiriu ímpeto na Inglaterra, entre 1640 e 1660, quando seus políticos conseguiram eliminar tanto o trabalho manual quanto os jogos em dias de domingo. SABAÍSMO Esse é o nome dado às crenças de um grupo semicristão da Babilônia. Eles são chamados sabeitas no Alcorão (2:29; 5:73; 22:17). Outros nomes aplicados a eles são sabianos ou mandeanos. Ver o artigo detalhado intitulado Mandeanos. Eles sobreviveram como uma pequena seita até hoje, afirmando que João Batista é o seu profeta supremo. A doutrina deles é sincretista, uma mescla de idéias. SABÃO Do hebraico borith, que pode ser qualquer agente de limpeza. A palavra é encontrada na Bíblia hebraica apenas em Jer. 2.22 e em Mal. 3.2. O termo está relacionado a bor (Jó 9.30; Isa. 1.25), que se refere a aleli (potassa). Esta substância era obtida a partir das cinzas de plantas queimadas. No Oriente, as expressões “cinzas de borite” e “cinzas de quali” referiam-se a agentes de limpeza e podem ser traduzidas como sabão. M uitas plantas produzem substâncias alcalinas quando reduzidas a cinzas, e a Palestina tinha várias dessas espécies, como, por exemplo, a planta que os botânicos chamam de Salsola kali, a qual cresce em abundância próximo ao mar Morto. Outras plantas desse tipo são a Ajram, encontrada próximo ao Sinai, e a Saponaria ojjicinalis e a Mesembryanthemum nodiflorum , achadas em várias partes da Palestina. Metaforicamente, agentes de limpeza são usados para falar da purificação dos pecadores. Mar. 9.3 usa o termo lavandeiro para referir-se à gloriosa transfiguração de Jesus, que brilhou com tanta intensidade em seu estado transformado que até mesmo suas roupas assumiram extrema brancura. SABAOTE Ver sob Senhor dos Exércitos e sob Deus, Nomes Biblicos de. SABATÁ O significado da palavra hebraica é desconhecido. Ela é transliterada como Sabtah. Este era o nome do terceiro filho de Cuxe, cujos descendentes se estabeleceram ao sul da Arábia, norte de Cane, em cerca de 2300 a.C. Ver Gên. 10.7; I Crô. 1.9. Ver sobre Sabtecá, que pode ser uma variação do mesmo nome e faz referência a outro filho de Cuxe. 4

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SABATARIANISMO - SABATISMO SABATARIANISM O Este é um título alternativo usado para indicar o sábado cristão. Ver sobre Sábado Cristão. S A B A T IS M O ESPECIAIS E O BSERVAÇÃO DE D IA S Rom. 14:5: Umfa z diferença entre dia e dia; outrojulga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Provavelmente esta era uma questão intensamente debatida e talvez mais ainda do que aquela concernente ao regime «vegetariano». A história mostra que não há razão alguma para supormos que a Igreja cm Jerusalém tivesse abandonado essas observâncias típicas do judaísmo, senão após a destruição da cidade, que ocorreu no ano 70 d.C. E, mesmo depois desse desastre, é bem provável que m uitos convertidos cristãos dentre o judaísmo tivessem dado prosseguimento a tais práticas religiosas, ainda que individualmente, já que não havia mais templo onde levar a efeito tais observâncias. Por todo o livro de Atos encontramos evidências sobre o que aqui dizemos; e até o próprio grande apóstolo Paulo ainda observava pelo menos as grandes festividades religiosas como o Pentecoste, a Páscoa etc. (Ver Atos 2:46 e 3:1 quanto ao caráter judaico da igreja cristã primitiva. Ver Atos 10:9 quanto à questão do legalismo na igreja cristã primitiva. Ver o artigo sobre o tema Domingo, Dia do Senhor, como o dia de adoração.) Não dispomos de meios para julgar, com base neste texto c com toda a certeza, se Paulo queria incluir ou não o sábado na lista dos vários dias especiais que os irmãos «fracos na fé» insistiam em observar. Não restam dúvidas de que pelo menos alguns elementos da igreja primitiva, embora cristãos, tenham continuado a observar e guardar o sétimo dia da semana. Os costumes antigos só morrem lentamente; e muitos dos cristãos primitivos continuaram honrando o sétimo dia da semana, considerando uma obrigação religiosa observá-lo. Isso se verificou na igreja de Jerusalém, e é provável que tenha ocorrido outro tanto até mesmo entre crentes puramente gentílicos e em centros gentílicos. É interessante a observação de que alguns crentes primitivos observavam tanto o sétimo como o primeiro dia da semana, embora por razões diversas: guardavam o sétimo dia por causa da tradição do Antigo Testamento; e guardavam o domingo por causa da ressurreição de Cristo, que se dera no primeiro dia da semana. Contudo, o domingo era amplamente observado desde os prim eiros dias do cristianismo. Clemente de Alexandria (200 d.C.) e Hipólito (160 d.C.) referiam-sc a cristãos que observavam o primeiro dia da semana, tendo havido uma prática continuada dessa norma, desde os dias dos apóstolos até os primeiros dos chamados pais da igreja. O famoso Didache (escritos de cristãos primitivos, cujo titulo significa «Ensinamento») também menciona este fato. Esse documento data de cerca de 150 d.C. O Didache foi uma espécie de manual da vida e dos princípios morais da igreja cristã primitiva, o que prova, além de qualquer sombra de dúvida, que a adoração no primeiro dia da semana ou «domingo» não foi criação de nenhum papa medieval ou de algum concilio da Igreja Católica Romana, conform e alguns religiosos têm proclamado, embora não possam prová-lo. O que algum papa ou concilio fez, foi tão-somente confirmar uma prática que vinha sendo observada entre os cristãos desde longa data. Nem tudo o que a Igreja Católica Romana tem decretado e de criação medieval ou recente, pois às vezes ela apenas tem confirmado práticas religiosas consagradas pelo uso cristão de muitos séculos. Quanto ao sabatismo, isto é, a idéia de que o sábado é o dia de guarda obrigatório, até mesmo para os crentes do Novo Testamento, existem duas formas diversas, a saber: 1. Alguns pensam na observância ininterrupta do sétimo dia como dia de guarda obrigatório, segundo o estilo do judaísmo, conforme fazem algumas seitas evangélicas modernas, tais quais a dos Adventistas do Sétimo Dia e a dos Batistas do Sétimo Dia. 2. Outros pensam que as exigências do antigo sábado judaico devem ser cumpridas pelos cristãos no primeiro dia da sem ana, ou dom ingo. Essa idéia se tornou extremamente popular durante a Idade Média, tendo revivido ainda mais fortemente entre os puritanos da Inglaterra, a partir de onde isso se tomou padrão para muitas denominações protestantes. Muitos católicos rom anos tam bém m antêm esse ponto de vista, provavelmente como uma herança proveniente da Idade Média. Essa posição se tomou oficial por ocasião da A ssem bléia de W estm inster. R ealm ente, desde os primeiros séculos da era cristã, a tendência foi nessa direção, pois o imperador Constantino, no ano de 321 d.C., separou o domingo como um dia legal de descanso do trabalho geral. Porém, a idéia de que o domingo deve ser um verdadeiro sábado, isto é, um verdadeiro «descanso», só surgiu muito mais tarde na história do cristianismo. Os pontos fracos da teoria que o sábado é o dia de guarda obrigatório para os cristãos são os seguintes: 1. Essa observância jam ais é ordenada no Novo Testam ento, ao m esmo tempo que os demais nove m andam entos da lei m osaica são constantem ente reiterados e salientados. Devemos admitir que não havia necessidade de enfatizar essa prática na igreja de Jerusalém, mas não podemos entender a ausência de tal preceito nos escritos do apóstolo Paulo, que escreveu para igrejas gentílicas, sem tradições sabáticas, pois, se essa observância fosse obrigatória, não podemos duvidar que o apóstolo dos gentios teria ensinado às igrejas a respeito, conform e fez com todas as ou tras doutrinas verdadeiramente cristãs. Ora, Paulo mesmo declarou: «... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa» (Atos 20:20). Que o apóstolo dos gentios não ensinou ser necessária a observância do sábado é significativo. Também não há que duvidar que Paulo classificava o sábado dentro da mesma categoria das outras festividades religiosas dos judeus. 2. Deve-se observar, por igual modo, que apesar de haver, em certas mentes modernas, tremenda diferença entre as «leis morais» e as leis cerimoniais, isto é, respectivamente, entre os dez mandamentos e os preceitos rituais dos judeus, contudo, tal distinção jamais fez parte da mentalidade judaica, não sendo encontrada nenhuma declaração bíblica nesse sentido. M uitos ju d eu s consideravam mandamentos importantíssimos, não menos importantes do que os dez mandamentos das tábuas da lei, certas observâncias que consideraríamos triviais, como a lavagem de roupas, mãos, pratos etc. Portanto, a distinção feita por alguns modernos, os quais afirmam que a lei «cerimonial» foi ab-rogada, mas que a «lei moral» não o foi, é uma pretensão inteiramente destituída de provas bíblicas. Pois, nesse caso, é tão fácil eliminar o sábado como é fácil eliminar a lavagem de mãos, pratos etc., com base no ponto de vista da suposta eternidade das leis outorgadas ao antigo povo de Israel. 3. G rande parte da e p ísto la aos R om anos foi especificamente escrita com a finalidade de çnsinar-nos que agora não estamos mais debaixo da lei mosaica, e 5

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SABATISMO que, de fato, os gentios nunca estiveram. Essa é a lei que os judeus imaginavam lhes servir de instrumento de salvação, e várias referências bíblicas mostram que o apóstolo Paulo incluiu nessa categoria tanto os aspectos morais como os aspectos cerimoniais da lei mosaica. Sendo um bom judeu, Paulo não teria estabelecido diferença entre «leis m orais» e «leis cerimoniais», conforme sc tornou usual hoje em dia fazer. Pode-se observar, no décimo terceiro capítulo da epístola aos Romanos, que a lei que é cumprida pelo amor é aquela que proíbe o adultério, o furto etc.; e essa não é a chamada «lei cerimonial», mas, sim, aquela que é cumprida dentro do sistema da graça, mediante o amor. A lei discutida por Paulo, no segundo capítulo da epístola aos Romanos, é bem definida em seus aspectos «m orais», em bora não exclusivamente. Podemos notar que Rom. 2:20-22 é convincente quanto a esse ponto. O exame inteiro da lei e do pecado até o fim do terceiro capítulo desta epístola, onde Paulo começa a mostrar a verdade da justificação pela fé, aborda questões «morais», e não meramente cerimoniais. No entanto, em Rom. 3:28, Paulo diz claramente que um homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei; e isso não elimina a lei, mas antes, confirma-a, ou seja, através de seu uso apropriado, revela o pecado. Com isso se pode comparar o trecho de Rom. 3:10-12. E os vss. 24 e 25 desse mesmo terceiro capítulo de Romanos mostram-nos que não mais estamos debaixo da lei. Sendo esse o caso, dificilmente pode-sc pensar que o dia de sábado continua sendo um preceito obrigatório para os crentes do Novo Testamento. Sumariando: A despeito dc todos os preceitos m orais da lei serem reiterados no Novo Testamento, como reflexos da moralidade que se espera da parte dos crcntcs, ainda que essa moralidade só possa scr obtida mediante a graça divina, devido à influência íntima do Espírito de Deus, e não através de observâncias legalistas, contudo o sábado jamais é reiterado no Novo Testamento como algo obrigatório para os crentes. 4. Também não estamos obrigados a observar algum suposto sábado cristão. A exposição feita por Paulo, neste ponto de sua epístola aos Romanos, indica que nenhum dia é mais santo do que qualquer outro dia. Podemos ver, no trccho dc Col. 2:16, que o «sábado» foi incluído naqueles itens referentes aos quais não devemos permitir que os homens nos julguem. Fazer com que essas palavras do apóstolo se refiram aos «sábados» ou grandes festividades religiosas dos judeus não reflete uma boa exegese, embora a idéia também deva incluir necessariam ente esse pensamento. É verdade que a palavra em foco, «sábados», é usada no plural, em Col. 2:16; mas o plural era com freqüência utilizado nas Escrituras, como se fosse o singular. (No Antigo Testamento, ver os trechos dc Êxo. 20:8 c Deu. 5:12e, no Novo Testamento, ver Mat. 12:1,5,10-12; 28:1; Mar. 1:21). O plural era geralmente usado a fim de destacar a importância do dia, não necessariamente para indicar pluralidade, o que, de resto, era um truque lingüístico muito próprio e comum da língua hebraica. Outrossim, mesmo que o plural, referido em Col. 2:16, fizesse alusão a diversos sábados, nem por isso deixaria de incluir o sábado. O apóstolo Paulo nos ensina, aqui cm Rom. 14:5, que nenhum dia é especial por si mesmo. O domingo não c o «sábado cristão», conforme muitos o têm chamado, e não é mais obrigatório nem mais digno de maior atenção do que o sábado (ou mesmo do que qualquer outro dia da semana). Os crentes primitivos se reuniam no primeiro dia da semana, ou domingo, conforme sc verifica em várias passagens, desde que o Senhor Jesus sc ausentou deles. Mas o próprio Novo Testamento não ensina que devemos guardar o domingo, como sc este houvesse substituído o sábado, dentro da nova economia da graça divina. Por isso mesmo disse Alford (in loc.): «A inferência óbvia, dessa linha de argumentação, é que ele (Paulo) não reconhecia nenhuma obrigação como essa ‘da guarda de algum dia cspccial’, mas, antes, cria que, para os crentes, sobretudo os ‘fortes na fé’, todos os dias são iguais». Essas palavras refletem a verdadeira doutrina paulina, e o «sabatismo» labora em erro como princípio doutrinário, ainda que venha sendo preservado por algumas seitas cristãs. Não obstante, cumpre-nos respeitar a história eclesiástica e suas tradições, mas não tão rígida e rigorosamente como alguns querem fazê-lo. Por isso, seguindo o exemplo da igreja primitiva, reunimo-nos geralmente no domingo, quando então efetuamos nossos principais ritos - e nossos cultos mais importantes. Fazemos isso não por necessidade, nem por «imposição legal», mas, sim, meramente por ser uma tradição neotestamentária. Porém, a despeito disso, não tentamos fazer do domingo alguma espécie de «sábado». «Visto os homens terem sido erroneamente ensinados ou influenciados, ou pelos cristãos judaizantes, dos primeiros séculos do cristianismo, ou infelizmente, pelos reformadores e puritanos, desde a reforma protestante, a maioria dos evangélicos reputa o primeiro dia da semana como um ‘sábado semanal’, como um ‘dia santo’, embora isso derrote totalmente o seu uso apropriado. Substitui a doce palavra ‘privilégio’, própria do sistema da graça, por um duro vocábulo legal dever» (Newell, in loc.). «O chamado ensinamento puritano, quanto a este particular, tem sido denominado, e com muita razão, de ‘teologia adúltera’, porquanto tem procurado casar os crcntcs a dois maridos, à lei e a Cristo» (Scofield). Já desde o ano de 115 d.C., Inácio (martirizado nesse ano) mencionou que os crcntcs não mais observavam o «sábado», e, sim, o «Dia do Senhor»,«... dc quem a nossa vida, na qualidade dc ressuscitados por meio dele, depende». Justino Mártir, que deu sua vida em cerca de 168 d.C., quando foi repreendido por Trifo, por ter ‘desistido do sábado’, retrucou: «Como podemos guardar o sábado, se descansamos do pecado todos os dias da semana?». Apesar de o primeiro dia da semana ter sido assim honrado, e apesar de o dia de sábado ter passado para os registros históricos como um dia religioso especial, o primeiro dia da semana dc maneira alguma assumiu o caráter do antigo sábado. Pelo contrário, cabe-nos o privilégio de honrar a Cristo e à sua ressurreição, reunindo-nos no primeiro dia da semana. E poderíamos fazer isso em q ualquer outro dia, sem com isso desobedecermos a qualquer lei moral, embora com isso criássemos uma tradição de muito menor valor histórico. Cada um Tenha Opinião. É interessante que Paulo não proibe a ninguém reunir-se cm dia de sábado e observar sua guarda, como também não proíbe nenhum outro dia. Aquele que porventura queira guardar o dia de sábado, que o faça, para glória do Senhor; c aqueles que se reunirem em outro dia qualquer, ou todos os dias, sem destacar um dia como especial, que também o façam para a glória do Senhor. Nenhuma dessas coisas será jamais condenada por Deus, embora surjam muitos críticos humanos. Moisés jamais poderia ter dito: «Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente». Mas o apóstolo Paulo, o grande defensor do sistema da graça, pôde fazer tal declaração, sendo esse um dos grandes lemas da igreja cristã, o que concorda mui harmoniosamente com a liberdade cristã, porquanto não estamos debaixo da escravidão. 6

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SABATISMO - SABEDORIA «No que concerne à observância de dias e anos, podemos comparar esta passagem com os trechos de Gál. 4:10 e Col. 2:16. E ssas passagens, consideradas conjuntamente, dão-nos a entender claramente que a observância de dias especiais não conta com nenhuma sanção absoluta, mas é puram ente uma questão de expediente religioso. Entretanto, isso é base suficiente sobre o que nos escudamos, e a experiência parece favorecer algum sistema como aquele adotado pela nossa própria igreja cristã» (Sanday, in loc.). Paulo não toma decisão a respeito dessa questão, pois, para ele, tratava-se de uma daquelas questões indiferentes. No entanto, objetava contra as pessoas que tentavam forçar suas opiniões a outras, exagerando a importância da observância dc certo dia ou dias. Também condenou os crentes da Galácia por agirem desse modo, onde assumiu uma atitude negativa sobre a questão, em vez de uma atitude neutra, devido aos exageros com que aqueles crentes se tinham aferrado às antigas práticas judaicas. Isso era prejudicial para os conceitos da graça gratuita naquela localidade. (Ver Gál. 4:9 e ss.). Tais observâncias ameaçavam destruir o trabalho do apóstolo dos gentios entre os gálatas. No que diz respeito aos crentes de Roma, Paulo fazia objeção mais cerrada acerca da controvérsia provocada pelas ob serv ân cias de dias relig io so s esp eciais, controvérsia essa que destruíra o espírito de amor c unidade nas igrejas da Galácia. Podemos notar aqui a ênfase sobre as questões de consciência. Paulo confiava que esse elemento da natureza humana, dado por Deus, mediante consideração cautelosa, e com a orientação do Espírito Santo, era capaz de mostrar o curso de ação que o crente deve tomar. SABEDORIA I. Termos Relativos aos Tipos de Sabedoria II. Caracterização Geral III. A Maior Fonte dc Toda a Sabedoria IV. A Unidade da Verdade V. Fontes Secundárias de Sabedoria VI. Literatura sobre a Sabedoria VII. Sabedoria de Acordo com a Filosofia I. Termos Relativos aos Tipos de Sabedoria 1. Chokmah (também transliterado como hokmah ): habilidade ou destreza na arte (Êxo. 28.3; 31.6, et al.)\ habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Deu. 4.6; 34.9; Pro. 10.1, et al.). 2. Sakal, ser prudente, circunspecto (I Sam. 18.30; Jó 22.2, et al). 3. Tushiyah, retidão, bom conselho e compreensão (Jó 11.6; 12.16; Pro. 3.21, et al.). 4. Binah, compreensão, introspeção, inteligência (Pro. 4.7; 5.5; 39.26; Deu. 4.6; I Crô. 12.32; Dan. 1.20; 9.22; 10.1 ,e t al.). 5. Sophia (no Novo Testamento), palavra geral para todos os tipos dc sabedoria, divina e humana (Luc. 1.17; 11.31,49; Atos 6.3,10; Rom. 11.31; I Cor. 1.17,19; Efé. 1.8,17; Tia. 1.5; 3.13, 15, 17; II Ped. 3.15; Apo. 5.12; 13.18; 17.9,etal.). II. Caracterização G eral Ter sabedoria é pensar bem e agir bem cm qualquer empreendimento realizado, seja secular ou espiritual. Deus é a principal fonte dc todo o bom pensamento c dc toda a boa realização, pois seu espírito vive no homem, é expresso nele e conduz o caminho. Ver o artigo Teismo: O Criador permanece com Sua criação, orientando, dando recompensas c punindo. Contraste isto com Deisnto (também no Dicionário ): a força criativa, pessoal ou impessoal, abandonou sua criação às mãos da leis naturais. A sabedoria pode ser destreza mecânica e habilidade nos trabalhos manuais (Êxo. 28.3); a arte dos mágicos (Gên. 41.8; Êxo. 7.11); sagacidade, aprendizado, experiência, aplicação do conhecimento (Jó 12.2; 38.37; Sal. 105.22); as filosofias engenhosas dos pagãos (1 Cor. 1.20; 2.5; 3.19). A sabedoria é um atributo de Deus (I Tim. 1.17; Jud. 25) e um presente especial de Deus ao homem (Atos 6.10; 1 Cor. 2.6; 12.8; Efé. 1.17; Tia. 1.5; 3.15-17). Jesus, o Cristo, era a sabedoria personificada (I Cor. 1.30). A sabedoria era tratada como uma Senhora Nobre que é tanto profetisa quanto professora (Pro. 1.20-33; 9.1-6). Esta mulher é mãe e esposa, e pode tomar-se irmã de alguém (Cantares dc Salomão; Pro. 7.4; 31.10). Como esposa e mulher, é uma boa conselheira e mestra (Pro. 8.6-10, 14). É contrastada com a mulher ignorante e profana (Pro. 9.13-18). A Boa Senhora “seduz” aos bons pensamentos e atos; a senhora ignorante está interessada apenas no corpo, em seus apetites e adornos (Pro. 2.16; 5.3-20; 7.5-27). Este motivo de Sabedoria Feminina repete-se em outros livros judaicos, como Sabedoria de Salomão, Siraque, Baruque e em algumas passagens dos materiais do Qumran. III. A M aior Fonte de Toda Sabedoria “... ao Rei etemo, imortal, invisível, único Deus” (I Tim. 1.17); “ ... o único Deus, nosso Salvador” (Jud. 25). O teismo bíblico representa Deus como o dono de qualidades humanas mais nobres em grau infinito. Platão transformou a sabedoria cm um de seus “universais”, a partir da qual fluem todas as manifestações inferiores da mesma qualidade, e isto está em consonância com o pensamento bíblico. A sabedoria é atribuída à Deidade (I Reis 3.28; Isa. 10.13; 31.2; Jer. 10.12; 51.15; Dan. 5.11). Deus tornou conhecida Sua sabedoria na natureza e na revelação. Ele a abre à intuição humana se um homem for piedoso e estiver em busca de um caminho mais alto (Rom. 11.33; I Cor. 1.24,26; Tia. 1.5; Apo. 7.12; Atos 6.10; Efé. 1.17; Col. 1.9; 3.16). Logicamente, a despeito das revelações, a sabedoria divina não pode ser alcançada pelo homem em nenhum sentido completo, mas é meramente um aspecto da salvação do homem (o ser finito, em constante movimento cm direção a Deus, o Infinito). Esse é um processo etemo. Ver as anotações sobre II Cor. 3.18 no Novo Testamento Interpretado. Como há uma infinidade a ser preenchida, deve também haver um preenchimento infinito. IV. A Unidade da Verdade Os patriarcas da igreja primitiva, particularmente aqueles da igreja oriental que foram influenciados pela filosofia grega, descreveram toda a verdade como uma unidade regida divinamente. Deus, a fonte da verdade, é encontrado em todos os ramos do conhecimento e é o objeto real dc todo o conhecimento. Isto significa que mesmo o chamado “conhecimento secular” é, de fato, apenas um ramo da teologia. Todas as disciplinas meramente tentam seguir o raciocínio divino e, quanto mais descobrem, mais revelam o intricado trabalho da mente divina. Se estudo biologia, descubro, cm um grau pequeno, como Deus operou nas coisas vivas. Se estudo matemática, descubro um pouco sobre o Grande Matemático. Deus é o Grande Intelecto, e eu sou um intelecto pequeno recortado, cu poderia dizer, do mesmo molde, uma pequena fagulha da Faísca Infinita. Um livro de sabedoria como Provérbios não descansa em revelações divinas dogmáticas, mas é um livro da busca humana pela compreensão e pela sabedoria do modo que isso se aplica à vida diária. O livro presume que pode ser 7

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SABEDORIA feito progresso significativo em direção à sabedoria pelos homens piedosos e diligentes, mesmo sem o auxílio da revelação. Um livro de sabedoria negativa como Eclesiastes presume que a busca é fútil, mas podemos divertir-nos com ela, participando nos pequenos prazeres da vida que são o summum bonum do homem, ainda que fúteis. A religião natural é uma busca legítima e útil, pois Deus está em tudo, deixando pegadas a serem seguidas por aqueles que estão em uma busca honesta. Tudo é a mão de Deus estendendo-se ao homem, mas o homem deve buscar o Divino através do estudo, da oração e da piedade. A verdade mais alta e unificadora. Um grande princípio que rege toda a busca humana é a lei do amor, que inicia no amor a Deus e continua sua manifestação do homem pelo homem. Esta é a base de toda a vida e do viver, de todo o conhecimento e sabedoria. Um homem pode exercitar todos os dons espirituais, mas, se não tiver amor, ele nada é (1 Cor. 13). Amor divino, todos os amores em excelência. Alegria dos céus à terra desceu; Coloque em nós sua habitação humilde; Todas suas misericórdias fiéis coroe. (Charles Wesley) A canção popular expressa o principio: “A maior coisa que você jamais aprenderá é apenas amar e ser amado em retomo”. O homem sábio é aquele que aprendeu esse “segredo” e o pratica. V. Fontes Secundárias de Sabedoria Bíblica 1. Os profetas do Antigo Testamento trouxeram uma revelação preliminar que foi a fonte de alguma sabedoria. Eles não eram sábios a seus próprios olhos, como eram os falsos profetas (Jer. 9.23; Isa. 5.21). Ver a sabedoria de Deus personificada em Pro. 8.22-31. 2. Outras personagens do Antigo Testamento, como os autores dos diversos livros, incluindo a literatura de sabedoria do Antigo Testamento: alguns salmos, Jó, Eclesiastes; Provérbios. 3. O Logos inspirou esses instrumentos de sabedoria, mas apresentou o Messias, Filho Divino, como instrumento especial. Ele era o revelador de Deus (João 1.1 -5,18). Nele (o Logos-Messias) estão escondidos em todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Col. 2.3). 4. Os ministros do Evangelho, especificamente os apóstolos, trouxeram novos livros que elucidaram um conhecimento mais alto sobre Deus e propagaram uma sabedoria mais elevada. 5. Tais instrumentos (Antigo e Novo Testamento) falavam através de sabedoria acumulada, aprendida, mas também tinham a vantagem da revelação. Ver o artigo com esse título e ver também Atos 6.10; 1 Cor. 2.6; Efé. 1.17; Col. 1.9; II Tim. 3.16. Não-bíblicas 1. Filósofos e homens sagrados de tradições religiosas externas à herança hebraico-cristã, mas ainda operando como instrumentos do Logos, de acordo com a unidade do conceito de verdade. Ver a seção IV deste artigo. 2. Cientistas e homens de todos os ramos que trabalham bem e trazem novo conhecimento e diversas aplicações desse conhecimento para o bem do homem. As vezes os poetas têm sabedoria intuitiva. O Logos emprega muitos instrumentos para o benefício do homem, e nenhum campo do conhecimento está totalmente destituído de sabedoria. VI. L iteratura sobre a Sabedoria A E nciclopédia de Bíblia, Teologia e F ilosofia apresenta artigos separados sobre os livros mencionados a seguir, e este D icionário do Antigo Testamento Interpretado repete os artigos relacionados ao Antigo Testamento. Portanto, apresento aqui um breve resumo. Canônica 1. Alguns dos salmos são composições de literatura dc sabedoria. Há 18 classificações dos Salmos, uma das quais é “literatura de sabedoria”. Ver a introdução àquele livro. Os Salmos 19,104 e 147 são notáveis salmos de sabedoria. 2. Provérbios é o principal livro de sabedoria do Antigo Testamento e fornece os melhores ditados sábios de rabinos que tocam em cada aspecto da vida humana. Ver a introdução àquele livro para maiores detalhes. 3. O livro de Jó examina o problema do significado do “ louvor desinteressado”: O louvor de Deus que não promete nenhuma recompensa pessoal ao fiel. O conceito (errôneo) por trás disso é o voluntarismo (ver a respeito na Enciclopédia c no Dicionário). Jó e o único livro bíblico que examina com maior profundidade o Problema do Mal (ver a Enciclopédia e no Dicionário). “Por que os homens sofrem e por que sofrem como sofrem?” Apenas um claro entendimento da sabedoria de Deus poderia informar-nos do “porquê” do sofrimento. Jó tem algumas respostas, mas deixa muitas perguntas em aberto. Ver a Introdução ao livro para maiores detalhes. Jó nega que todo o sofrimento deriva da operação da lei da colheita dc acordo com a semeadura. 4. Eclesiastes é um tipo de livro anti-sabedoria, que acaba por informar-nos que a busca da sabedoria é fútil. O summum bonum (bem mais alto) do homem são os pequenos prazeres da vida, mas esses também têm valor falso. O livro é pessimista, niilista e céptico, e, de fato, um tratado negativo, parecido com a visão grega da sabedoria, em vez de mostrar a visão ortodoxa hebraica. Ver a Introdução ao livro para um tratam ento mais completo do assunto. 5. No Novo Testamento temos a sabedoria divina propagada em muitos dos dizeres de Jesus e Paulo. Tiago é do mesmo estilo do Antigo Testamento, que se enquadra virtualmente por inteiro nesta categoria. Ver a Introdução do livro para maiores detalhes. Não-canônica 1. Eclesiástico, atribuído a Jesus, filho de Siraque (chamado de Sabedoria de Siraque), é semelhante ao livro canônico dc Provérbios. A vida ideal é apresentada cm muitos dizeres sábios. Ver o artigo sobre esse livro para maiores detalhes. Tal livro é chamado de apócrifo pelos protestantes e evangélicos e não foi mantido no cânon palestino. A Septuaginta, contudo, contém o livro e os católicos romanos o aceitam como canônico. Portanto, podemos dizer que era (é) um livro autoritário do cânon alexandrino. 2. A Sabedoria de Salomão tem o mesmo status canônico e não-canônico de Eclesiástico, c é considerado o melhor desses livros por muitos estudiosos. Ver os artigos a respeito desse livro na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e F ilosofia e no D icionário do A ntigo Testamento Interpretado. O livro combina conceitos da sabedoria do Antigo Testamento com aqueles dos melhores filósofos gregos. E nquanto a lite ratu ra de sab ed o ria do A ntigo Testamento não menciona as grandes histórias dos livros históricos do Antigo Testamento, nem os pactos, nem faz apelos diretos à lei etc., é ir longe demais chamá-la de “corpo estranho de literatura” dentro do cânon do Antigo Testamento. E verdade que esses livros representam a busca humana pela sabedoria sem a intrusão contínua da 8

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SABEDORIA - SABEDORIA DE DEUS revelação para explicar todas as coisas. Ao mesmo tempo, muitos dos dizeres são elaborações dos conceitos básicos da lei de Moisés. Os livros representam quatro categorias: natural, experimental, judicial e teológica, que obviamente vão além da dependência contínua da revelação, que é encontrada em grande parte do Antigo Testamento. Em concordância com o restante do Antigo Testamento, esses livros têm forte fundamentação antropocêntrica e uma interpretação enfaticamente teísta da vida. Problemas humanos, como vida longa, saúde, riqueza, crianças, ambições terrenas, são os principais assuntos, e a busca depende do intelecto e da intuição, em vez de depender da revelação divina. Portanto, esses livros de certo modo representam a filosofia da religião natural. Contudo, dizer que são apenas dessa natureza seria certamente um grande exagero. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o artigo Religião , III. Tipos de Religião, 5. Natural. VII. Sabedoria dc A cordo com a Filosofia E fechar os olhos para a visão interior. Mas ê sabedoria acreditar no coração. Colombo achou um mundo, e não tinha mapa; Confiar na empresa invencível da alma Era toda a sua ciência, toda a sua arte. Nosso conhecimento é uma tocha fumegante Que ilumina o caminho um passo de cada vez, Através de um vazio de mistério e espanto. Ordena, pois, que brilhe a luz terna da fé, A única capaz de dirigir nosso coração mortal Aos pensamentos sobre as coisas divinas. (George Santayana) SABEDO RIA, LIVRO DE Ver sobre Sabedoria de Salomão. SABEDO RIA DE DEUS 1. Platão fazia da “sabedoria” uma das quatro principais virtudes, juntamente com a coragem, a temperança e a justiça. A sabedoria é o conhecimento do todo, bem como a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma correta e justa, em qualquer situação dada. Segundo ele, o rei-filósofo deveria ser treinado para não somente ser o homem mais sábio, mas também o mais justo, o que o qualificaria a governar. A sabedoria deve proceder do mundo das idéias, porquanto todas as qualidades, das maiores às menores, são apenas imitações ou reflexos deste mundo material e da percepção dos sentidos. Assim sendo, em última análise, a sabedoria é uma qualidade divina inerente que os homens possuem em certo grau e que têm a obrigação moral de cultivar. 2. Aristóteles falava sobre a sabedoria especulativa e sobre a sabedoria prática, refletindo, assim, a diferença entre sophia e phrónesis. A sabedoria especulativa (que poderíamos designar aqui como “sabedoria”) requer a aplicação de rigorosa filosofia e de um raciocínio bem controlado, a busca das causas primeiras e dos princípios. Essa pesquisa pode ser vista de modo mais proeminente na teologia e então na metafísica, também conhecida como a primeira filosofia. A sabedoria prática corresponde à phrónesis, “prudência”, de Aristóteles, e relaciona-se à conduta prudente na vida diária. 3. Os filósofos cirenaicos, epicureus e estóicos enfatizavam a phrónesis, ou seja, a sabedoria prática. 4. Tomás de Aquino cristianizou a idéia de Aristóteles, preservando a distinção entre a sabedoria especulativa e a sabedoria prática. Ele via a principal expressão da sabedoria especulativa na teologia revelada e nas operações iluminadoras do Espirito Santo. 5. Nicolau de Cusa não se impressionava muito diante da sabedoria humana, preferindo chamá-la de “ignorância informada”. 6. Spinosa tinha sua própria divisão dupla. Ele falava sobre a ratio, “razão”, relacionada ao conhecimento e às leis científicas, e sobre a scientia intuitiva, “conhecimento intuitivo”, através da qual o indivíduo pode chegar a “ver” o universal em todos os particulares da existência. Esta seria a verdadeira sabedoria, mediante a qual o indivíduo compreenderia as essências e significados da existência e do ser, ou seja, “a vida sob o aspecto da eternidade”. Fé Oh, Mundo, não escolhestes a melhor parte! Não é sábio ser apenas sábio. Esboço: I. Idéias Gerais II. Deus Fez de Jesus Cristo Essa Sabedoria III. Referências e Idéias. A Sabedoria de Deus IV. A Multiforme Sabedoria de Deus se Toma Conhecida (Efé. 3:10) I. Idéias G erais 1. Essa sabedoria é um dos a tributos divinos (ver I Sam. 2:3); é insondável (ver Rom. 11:33); e é a base de toda a bondade humana, sobretudo do bem-estar espiritual, particularizando-se a salvação (ver Efé. 1:8). 2 .0 evangelho contém os tesouros da sabedoria divina (ver I Cor. 2:7). 3. Paulo fez contraste entre a sabedoria humana (ensinada na filosofia) e a sabedoria de Deus (que se manifesta na mensagem do evangelho). A sabedoria humana gera o orgulho; a sabedoria divina conduz à salvação da alma. 4. A sabedoria divina se manifesta em Cristo (ver o artigo sobre Sabedoria). 5. O próprio Cristo é a personificação da sabedoria divina, conforme ensinado em I Cor. 1:30. É Cristo quem proporciona aos homens os benefícios prometidos pela sabedoria divina. Tudo quanto os homens podem conhecer acerca da verdadeira sabedoria, precisam conhecer em Cristo; pois, para os homens, Cristo é a sabedoria de Deus. A sabedoria de Deus é demonstrada no seu plano, relativo à redenção da humanidade, plano esse que concretiza algo que a sabedoria hum ana sob hipótese nenhum a poderia concretizar. E a palavra ou a mensagem da cruz é o tema central dessa sabedoria (ver I Cor. 1:18). Por igual modo, essa sabedoria é a única que permanecera de pé sob o teste do juízo divino (ver I Cor. 1:19). Através da sabedoria de Deus é que o mundo inteiro pode ser potencialmente salvo (ver I Cor. 1:31). Tudo isso pode parecer um escândalo, uma insensatez e uma pedra de tropeço para os homens (ver I Cor. 1:22-23), mas Jesus Cristo é a própria personificação da sabedoria de Deus (ver I Cor. 1:24,30). A grande verdade é que a sabedoria de Deus, que tantos homens reputam como insensatez, é mais sábia que a sabedoria humana, porquanto cumpre aquilo que o engenho humano está impossibilitado de fazer (ver I Cor. 1:25). Mas esse cumprimento só se verifica no caso de homens hum ildes, que reconhecem sua ignorância espiritual; pois Deus dá iluminação espiritual a esses, mas resiste aos soberbos (ver I Cor. 1:26-28). Sim, Cristo é a verdadeira sabedoria de Deus, fazendo violento contraste com a falsa sabedoria humana. 9

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SABEDORIA DE DEUS - SABEDORIA DE SALOMÃO II. D eus Fez de Jesus C risto Essa Sabedoria 1. M ediante os seus decretos, baixados desde a eternidade. 2. Mediante a encarnação do Filho de Deus. 3. Mediante o ministério terreno de Jesus Cristo. 4. Mediante a sua exaltação à mão direita de Deus Pai, onde foi feito Senhor e Cristo, e de onde brande toda a autoridade, nos céus e na terra, segundo também lemos em Mat. 28:18. Ora, todos esses aspectos estavam designados de antemão com o propósito de produzir a redenção humana. III. R eferências e Idéias. A Sabedoria de Deus V. Conteúdo VI.Influências I. Títulos 1. A sabedoria de Deus é um de seus atributos (ver I Sam. 2:3 e Jó 9:4). 2. A sabedoria de Deus é descrita como perfeita (ver Jó 36:4 e 37:16). 3. É poderosa (ver Jó 36:5). 4. É universal (ver Jó 28:24; Dan. 2:22 e Atos 15:18). 5. É infinita (ver Sal 147:5 e Rom. 11:3). 6. É insondável (ver Isa. 40:28 e Rom. 11:33). 7. É maravilhosa (ver Sal. 139:6). 8. Ultrapassa a compreensão humana (ver Sal 139:6). 9. É incomparável (ver Isa. 44:7 e Jer. 10:7). 10. Não é derivada (ver Jó 21:22 e Isa. 40:44). 11.0 evangelho contém os tesouros da sabedoria divina (ver I Cor. 2:7). 12. A sabedoria dos santos é derivada da sabedoria de Deus (ver Esd. 7:25). 13. Toda a sabedoria humana deriva da sabedoria divina (ver Dan. 2:2). IV. A M u ltifo rm e S a b ed o ria de D eu s se T orna C onhecida (Efé. 3:10) Este livro, falsamente atribuído a Salomão, recebeu diversos títulos diferentes: a Septuaginta diz Sophia Salomonos (Sabedoria de Salomão); as traduções Latina e Vulgata apresentam Livro de Sabedoria-, a igreja antiga, em sua maioria, favorecia o título latino; Clemente de Alexandria deu o nome Sabedoria Divina, que Orígenes também favorecia; Agostinho o chamava de Livro de Sabedoria Cristã. Não há um título hebraico, pois o livro foi escrito em grego. Ao contrário da Torá e dos Profetas, os livros de sabedoria (ver Sabedoria, cujo artigo inclui anotações sobre a Literatura de Sabedoria ) não eram produtos de guardiães autoritários do cânon do Antigo Testamento, nem seus autores eram considerados profetas (os porta-vozes de Deus), mas perspicazes observadores e comentaristas que empregavam* principalm ente, o mashal, ou provérbio. Seus ensinamentos cobriam ampla gama de assuntos de interesse à vida humana, e os estilos literários eram variados. II. Status C anônico A p a la v ra m u ltifo rm e d e riv a do term o grego polupoikilos, em forma adjetivada encontrada somente aqui em todo o Novo Testamento, cujo significado é «variegado», «multilateral», usado para indicar quadros, flores e vestim entas de várias cores. Na versão da Septuaginta (tradução do original hebraico do Antigo Testamento para o grego, completada cerca de duzentos anos antes da era cristã), a capa de «m uitas cores» presenteada por Jacó a José é descrita por palavra (ver Gên. 37:3). Esse vocábulo pinta a sabedoria divina como algo que tem muitíssimas facetas com os mais variados modos de manifestação e expressão, por ser algo que é digno de ser contem plado, devido a suas m uitas e excelentes variações e realizações. Gregório de Nissa (ver Hom. viii, sobre Cantares de Salomão) nos fornece uma notável interpretação, a que — vários expositores — aludem. Diz ele: «Antes da encarnação de nosso Salvador, os poderes celestiais conheciam a sabedoria de Deus como algo simples e uniforme, que efetuava maravilhas de modo consoante com a natureza de cada coisa. Nada havia de poikilon (multiforme, multicolorido). Mas agora, por meio da oikonomia (dispensação, plano) que diz respeito à igreja e à raça humana, a sabedoria de Deus não é mais conhecida como algo uniforme, e, sim, como algo polupoikilos (multiforme, variegado), produzindo contrários por meio de contrastes, mediante a morte, a vida, a desonra, a glória, o pecado e a retidão; mediante a maldição e a bênção; mediante a fraqueza e o poder. O invisível se manifestou em carne. Veio para remir cativos, sendo ele mesmo o adquiridor, e sendo ele mesmo o preço» (IDIB LAN NTI). SA B E D O R IA D E JE SU S O cânon hebraico (palestino) rejeitou este livro, atitude que foi seguida por evangélicos e protestantes. Seria impensável para os judeus da Palestina aceitar um relato dos judeus da dispersão escrito em grego. Mas era natural para os judeus da Dispersão que utilizaram tais relatos a ce ita r certos livros. E ste livro é enco n trad o na Septuaginta, o mesmo ocorrendo no chamado cânon alexandrino. Esta sugestão foi seguida pela Igreja Católica Romana, que chama o livro de canônico, enquanto os protestantes o denominam apócrifo. O Concilio de Trento (ver) não hesitou em incluir o livro na Bíblia Católica R om ana. V árias v ersõ es a n tig as, além da grega (Septuaginta), também incluíam o livro, a saber, as versões latina, siríaca e armênia. Vários patriarcas da igreja inicial tanto do Oriente como do Ocidente atribuíam ao livro status canônico, como Clemente de Alexandria, Orígenes, Eusébio e Agostinho. O livro também aparece na lista canônica do fragmento Muratoriano, que era, contudo, uma lista de livros canônicos do Novo Testamento! III. C aracterização Geral Ver sobre Eclesiástico. SA B E D O R IA DE SA L O M Ã O I. Títulos II. Status Canônico III. Caracterização Geral IV. Autor e Data Como vimos, um grande segmento da igreja cristã aceitou este livro como canônico, seguindo o chamado cânon alexandrino, que é exemplificado na Septuaginta. Mesmo aqueles que o consideraram apócrifo de modo geral reconheceram o grande valor deste livro e muitas vezes o apontaram como o melhor dos trabalhos apócrifos. Há, indubitavelmente, alusões e empréstimos do livro no Novo Testamento. Ver maiores detalhes a respeito sob a seção VI, Influências. O livro é uma exortação hábil para o homem espiritual sério buscar sabedoria e, assim, ampliar sua espiritualidade. A sabedoria é uma essência divina e está disponível a homens finitos. Embora muito da sabedoria do Antigo Testamento influencie esse livro, os capítulos 6-9 claramente repousam na filosofia grega. A sabedoria trazia prosperidade e bem-estar a Israel, enquanto os pagãos, que não a tinham, pereciam (caps. 10-19). Os capítulos 11-19 são quase certamente de um autor separado, que nenhuma vez emprega o termo sabedoria. Mas as instruções dessa seção dão margem a muita reflexão sobre a natureza da punição de vários tipos de apostasia e idolatria, contrastando Israel às nações pagãs. O autor(es) exibe(m) considerável habilidade literária, empregando a retórica e figuras literárias como equilíbrio, 10

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SABEDORIA DE SALOMAO personificação, ironia, jogo de palavras e piadas sutis. O aprendizado grego definitivam ente está por trás da co m p o siç ão , c u ja p ro d u ç ão p ro v a v elm e n te é da responsabilidade de algum(ns) judeu(s) helenístico (s). Uma característica notável do livro é a identificação de retidão com sabedoria (Parte II, 6.12-10.21). A Senhora Sabedoria, parceira de Deus, é muito elogiada e até mesmo considerada parceira do autor do livro (6.14; 9.4). Mas a declaração da autoria por parte de Salomão está apenas em uma convenção literária que nada tem que ver com fato histórico. Um tema principal do livro é a presença salvadora de Deus (teismo), e este poder é estendido a todos os povos, o que teríamos esperado de uma produção helenística. O Deus deste livro é um Deus que intervém nas atividades humanas, quer para salvar, quer para julgar, conforme as escolhas do homem. A Parte III fornece uma explicação da justiça de Deus. Ele não pune os pecadores sem causa e sem sabedoria (v e r 1 1 .15-12.27). T odos os ju lg a m e n to s são cuidadosamente pesados com amedrontadora precisão ( 11.20 ). A Parte IV, que se inicia em 16.1, contrasta o cuidado de Deus em relação a Israel (os fiéis) com seus julgamentos de pecadores, apóstatas e idólatras. O autor emprega toques literários helenísticos, como, por exemplo, quando descreve a escuridão como criadora de uma prisão de medo para os egípcios (17.2-21). IV. A u tor e Data descrições egípcias da deusa ísis, a patroa da sabedoria. A segunda seção foi apropriadamente chamada de “o Livro de Sabedoria Adequada”. 3 a. seção: 11.15 - 12.27. Dois propósitos dominantes inspiraram a redação desta seção: a. uma explicação sobre a justiça de Deus no mundo, incluindo seu modo de governar (11.15 - 12.27); b. o apelo do autor aos judeus para que rejeitem os modos pecaminosos dos pagãos que provocaram o julgamento de Deus sobre eles. A adoração à natureza recebe uma denúncia especial (13.1-9) e a idolatria é fortemente criticada (13.10-14.8). Nesta seção temos uma repetição da teoria de Euémero (300 a.C.) sobre a origem da idolatria, isto é, que os primeiros deuses eram mortais deificados (14.9 - 15.6). 4 a.seção: 16.1-19.22. Esta seção apresenta .veie contrastes entre o sábio e o tolo, o bom e o mau, o sagrado e o não sagrado, com base na experiência de êxodo de Israel. A mensagem geral (desenvolvida de forma elaborada e poética) é a de que Deus se importa com Seu povo enquanto continua sendo severo (em julgamento) com Seus adversários. Deus empregou várias armas para cumprir Seus propósitos: pragas e desastres que incluíram água, animais, morte súbita e utilização divina da luz e do escuro. O escuro é poeticamente chamado de “prisão do medo” que retém os ímpios. VI. Influências Este livro, de autoria composta (desconhecida), foi escrito em grego, provavelmente na Alexandria e ao final da primeira metade do primeiro século a.C. O livro exibe conhecimento da filosofia helenística e de estilos literários que eram comuns ao período de 100 a.C. a 100 d.C. O autor aparentemente desconhecia os escritos de Filo Judeu (20 a.C. a 50 d.C.). Qualquer livro helenístico judeu escrito durante ou depois da época de Filo muito provavelmente teria em prestado algo dele. A ausência de quaisquer empréstimos óbvios implica que o livro foi produzido antes de sua época. Os antigos deleitavam-se em atribuir livros a pessoas famosas, primeiro para ampliar a importância de seus escritos e, segundo, para honrar ao “mestre” cujo nome havia sido emprestado. Não há nenhuma chance de que Salomão tenha escrito qualquer parte deste trabalho grego helenístico. V. C onteúdo Este livro pode ser dividido conveniente em quatro seções: 1°. seção: 1.1 - 6.11. Esta seção serve como um tipo de prólogo que persuade os leitores a buscar a retidão na qual a imortalidade será atingida, o que um homem verdadeiram ente sábio faria. Esta seção ilustra os princípios com exemplos de pessoas “sábias” que fizeram aquilo que o autor as persuadiu a fazer, em contraste com seus adversários arrogantes. Os sábios, que fazem a vontade de Deus, reinarão com Deus para sempre. Assim, temos uma afirmação clara e forçosa da imortalidade (ver), em contraste com a maior parte do Antigo Testamento, que tem poucas referências claras a essa realidade importante. 2a. seção: 6.12 - 10.21. Esta seção é destinada a cantar o louvor da Senhora Sabedoria, caracterizada como parceira de Deus e do autor do livro (6.14; 9.4). Também nessa seção afirma-se a autoria do rei Salomão. Em todo o caso, a Senhora Sabedoria é retratada como uma grande figura, recebendo algumas descrições que fazem lembrar Para parte significativa da igreja, este livro forneceu uma boa fonte de lições e sermões, enquanto outra parte, temerosa da palavra apócrifo vinculada ao livro, perdeu seus benefícios. Vários patriarcas iniciais, tanto do oriente como do ocidente, não hesitaram em empregar o livro para o ensino e a edificação. O próprio Novo Testamento tem várias alusões e empréstimos verbais do livro, como segue: Rom. 1.18-23 parece ter alguns empréstimos dos capítulos 11-14; o trecho de Rom. 1.19 ss. assemelha-se com 13.19; Rom. 9.19 é um eco de 12.12 e 15.7, onde, para ilustrar a soberania de Deus, é empregada a mesma analogia do fabricante de vasos e da argila. A paciente resistência de Deus em Rom. 2 é similar a 11.23 e 12.10,19; Rom. 5.12 é parecido com 2.24; através do trabalho do demônio, a morte entrou na esfera terrena. Efé. 6.11 -17 se parece com 5.18-20, mas aqui a real dependência pode ser de Isa. 59.17. A linguagem cristológica, como em Col. 1.15 e Heb. 1.2 ss. e João 1.9, pode refletir 7.25 ss. Cf. ainda João 1. 1 com 9.1 ss. Intérpretes cristãos encontraram neste livro profecias messiânicas, tanto da encarnação de Cristo como de Sua crucificação (2.12-20; 14.7; 18.15). A lição que ganhamos disso tudo é que os bons livros que contêm altos ideais espirituais e elevadas doutrinas são úteis para todos os homens espirituais, sejam eles rotulados como canônicos ou não-canônicos. De acordo com o judaísmo helenístico (que emprestava da filosofia grega), este trabalho afirma enfaticamente a imortalidade da alma. Os autores do Novo Testamento incorporaram este desenvolvimento, que ia muito além de qualquer ensinamento do Antigo Testamento. A imortalidade, não a abundância material, é a principal preocupação do homem bom. O autor deste livro estava atrás de uma perspectiva “de outro m undo”, em contraste com o judaísm o antigo. Ele encontrou uma solução para o problema do mal (ver) ao olhar para a eternidade, onde todas as feridas serão curadas. A personificação da Sabedoria por parte do autor era sugestiva do Filho, da mesma forma que a manifestação da Sabedoria de Deus e certas passagens do livro têm sido úteis para a formação do conceito de trindade, embora não seja possível que o autor tenha antecipado tal pensamento. 11

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