vol 5 Enciclopedia de biblia teologia P-R

 

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R.N. Champlin, Ph.D. ENCICLOPÉDIA de BÍBLIA, TEOLOGIA FILOSOFIA hagnos êt

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R.N. Champlin, Ph.D. ENCICLOPÉDIA de BÍBLIA, TEOLOGIA & FILOSOFIA VOLUME 5 I aE d iç ã o , 2a E d i ç ã o , 3a E d i ç ã o , 4aE d iç ã o , 5a E d i ç ã o , 1991 • 2000 e x e m p l a r e s 1993 • 2000 e x e m p l a r e s 1995 • 4500 e x e m p l a r e s 1997 • 5000 e x e m p l a r e s 2001 • 3000 e x e m p l a r e s 6 a E d i ç ã o , 2002 • 3000 e x e m p l a r e s 7a E d i ç ã o , 2004 • 3000 e x e m p l a r e s 8a E d i ç ã o , 2006 • 2000 e x e m p l a r e s 9a E d i ç ã o , 2008 • 3000 e x e m p l a r e s 10a E d i ç ã o , 2011 • 3000 e x e m p l a r e s 11a E d i ç ã o , 2013 • 3000 e x e m p l a r e s D ir e it o s R e s e r v a d o s A v. J a c in to J ú lio , 27 I • São P a u lo , hagnos C ep 04815-160 • T e l: SP (11) 5668-5668 w w w .h a g n o s . c o m . b r e d i t o r i a l @h a g n o s . c o m . b r

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1. Formas Antigas fenício (semítico), 1000 A.C. grego ocidental, 800 A.C. latino, 50 D.C. 1 2. No* Manuscritos Grego« do Novo Testamento r p Wn < Pv 3. Formas Modernas PPPP PPPP PPpp PP 5. Usos e Símbolos Nos sistemas de graduação, P significa «péssimo». Também é usado como abreviação de página; e, em combinação com S, (ou seja, P.S.), significa pós-escrito. Na teoria das múltiplas fontes informati­ vas do Pentateuco, uma teoria denominada J. E. D. i> .(5.) (vide), representa o código sacerdotal (em inglês, «priestly»). Em português isso é representado pelo S., «sacerdotal». P é usado como símbolo do Codex 024, descrito no artigo separado P. Ver também sobre P(2), também chamado P(apr) (o Codex Porphyrianus). 4. História P é a décima sexta letra do alfabeto português (ou a décima quinta, se deixarmos de lado o K). Historicamente, deriva-se da letra consonantal semíti­ ca, pe, «boca». Tinha então o valor de «p» e de «f». Embora a palavra pe significasse «boca», as mais antigas representações dessa letra assemelhavam-se ao nosso número «7». Os gregos chamavam-na de pi, e no grego ocidental parecia um número «7», em reverso, isto é: «7». Porém, no grego posterior, recebeu outra perna e acabou tendo a forma pela qual é conhecida hoje em dia no alfabeto grego e como símbolo matemático, ou seja, II. Daí passou para o latim e, então, para muitas línguas modernas. No grego, combinava-se com o h (daí ph) e com o s (daí psi, Y). Caligrafia de Darrell Steven Champlin = y

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Arte céltica — o boi, simbolo do evangelho de Lucas, Livro de Kells ^ ° Reprodução Artística de Darrell Steven Champlin

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p P (CÓDIGO SACERDOTAL) Essa é uma das alegadas múltiplas fontes informativas do Pentateuco. A letra P, que a designa corresponde à palavra inglesa priestly, «sacerdotal». Nesta enciclopédia, ao aludir nos comentários sobre essa fonte, usei a sigla P(S). «P» representa sua designação em inglês e em alemão; e «S» fala sobre sua designação em português. Os estudiosos datam essa alegada fonte informativa em algum tempo após o exílio babilónico, ou seja, após 535 A.C., fazendo da mesma uma compilação bastante tardia, por parte de algum autor desconheci­ do, interessado na casta sacerdotal e suas funções. £ de se presumir que o sacerdócio oficial da época designado elaborou as práticas rituais dos judeus, tornando-as obrigatórias para todos os judeus; e, a fim de emprestar a isso uma maior força, incluíram essas práticas no que, finalmente, veio a tornar-se o nosso Pentateuco. Quanto a maiores detalhes sobre essa teoria, ver o artigo geral J.E.D.P.(S-). Desnecessário é dizer que essa questão tem suscitado intensas disputas, porquanto põe em dúvida tanto a integridade do Pentateuco quanto a autoridade mosaica. P (MANUSCRITO) Essa é a designação do manuscrito também conhecido como 024, atualmente localizado em WolfenbQttel, na Alemanha Ocidental. Data do século VI D.C., e pertence ao tipo de texto bizantino. Contém os quatro evangelhos. P(2) (MANUSCRITO) Esse manuscrito também é chamado P(apr), uma sigla que indica que o mesmo contém o livro de Atos, as epístolas paulinas e o Apocalipse. Mas também é designado P 025. Acha-se em Leningrado, na União Soviética. Seu título completo é Codex Porphyrianus. Os eruditos datam-no como pertencente ao século IX D.C. Esse é um dos poucos manuscritos unciais (escritos com letras maiúsculas do alfabeto grego) que contêm o livro de Apocalipse. O Apocalipse é um dos menos confirmados livros do Novo Testamento, em manus­ critos antigos. Além do texto mencionado, esse manuscrito contém um comentário de Eutálio sobre o livro de Atos e sobre as epístolas paulinas. O grego em que foi escrito é o koiné (vide), com alguma mistura de variantes. Trata-se de um palimpsesto, ou seja, havia algo escrito nele, originalmente, que então foi apagado para que recebesse o texto que agora nele se encontra. PÀ Nas páginas do Antigo Testamento, duas palavras hebraicas diferentes são traduzidas por «pá», a saber: 1. Yaim, «pás». Essa palavra, sempre no plural, ocorre por nove vezes. Por exemplo: Êxo. 27:3; 38:2; Núm. 4:14; I Reis 7:40,45; Jer. 52:8. 2. Rachath, «pá». Esse termo ocorre somente em Isaías 30:24. O primeiro desses vocábulos refere-se a um implemento cerimonial, empregado na remoção das cinzas e dos restos dos holocaustos oferecidos nos altares do tabernáculo e do templo de Jerusalém. Na qualidade de objetos de uso cerimonial, o termo parece ter sido de origem semita ocidental; há cognatos que se encontram no judeu-aramaico e no hebraico de períodos posteriores. O outro termo pode ser encontrado somente no livro de Isaías, em conexão com a palavra forquilha (vide), pois ambos os implementos eram usados na agricultura. Essas pás para grãos eram feitas de madeira, o que as diferenciavam daquelas outras, usadas para fins cerimoniais. Com base no texto de Isaías 28:17, alguns estudiosos chegaram à conclusão de que, no hebraico, havia um verbo que teria o significado de «varrer junto com», embora isso seja muito difícil de comprovar. Ambos os vocábulos para «pá», provavelmente eram substantivos hebraicos primários, cujos únicos cognatos remotos acham-se no árabe, no aramaico cristão e no cóptico. Essa palavra, «pá», aparece em nossa versão portuguesa em Mat. 3:12e Luc. 3:17, como tradução do termo grego ptúon que indica muito mais um «forçado», provavelmente correspondente ao termo hebraico mizreh, que aparece em Isaías 30:24 e Jeremias 15:7, mas que a nossa versão portuguesa traduz, respectiva­ mente, por «forquilha» e por «pá». A palavra grega ptúon também acha-se nos livros apócrifos gregos da Septuaginta. Usos Figurados: 1. O ato de usar a pá, que em português, chama-se «padejar», é usado simbolica­ mente na Bíblia para indicar o ato de derrotar e dispersar o inimigo (Isa. 41:16). 2. Padejar às portas de uma cidade indica derrotar e dispersar um inimigo que esteja às fronteiras do país (Jer. 15:7). 3. Também está em foco a obra julgadora de Cristo, que separará os bons dos maus (Mat. 3:12), ou a mesma operação, feita por Deus (Jer. 15:7; Isa. 30:24). 4. Os medos e os persas foram executores de certos juízos terrenos de Deus (Jer. 41:2). 5. O simbolismo também é usado para indicar a dispersão da nação de Israel, em face de seus pecados (Eze. 36:19). 6. Em um sentido geral, Deus é quem submete a seu crivo os atos de todos os homens, a fim de testar a qualidade dos mesmos (Isa. 30:28). PAARAI No hebraico, «bocejo». Nome de um dos poderosos guerreiros de Davi, e que foi juntamente com ele para o exílio, quando esse ungido de Deus fugia de Saul. Ver II Sam. 23:25, onde ele é chamado de «arbita». Em I Crô. 11:37, seu nome é grafado de maneira mais correta, isto é, Naarai. Ele viveu na época de Davi, cerca de 1000 A.C. Há quem pense que seu nome, no hebraico, significa «revelação de Yah» (forma abreviada de Yahweh). PAATE-MOABE No hebraico, «governador de Moabe». Esse foi o nome de uma proeminente família da tribo de Judá. Nada menos de dois mil oitocentos e doze de seus descendentes voltaram do cativeiro babilónico e passaram a residir em Jerusalém (ver Esd. 2:6; Nee. 7:11). Esse grupo retomou à Terra Prometida em companhia de Zorobabel. O trecho de Nee. 7:11 fala em dois mil oitocentos e doze descendentes de Paate-Moabe. Outros duzentos e um descendentes de Paate-Moabe voltaram à Palestina em companhia de Esdras (ver Esd. 8:4). Vários homens haviam-se casado com mulheres estrangeiras durante o cativeiro, e então foram forçados a divorciarem-se delas, quando Israel renovou o seu pacto com Yahweh (ver Nee. 10:14). Hassube, que pertencia a esse clã, é mencionado como um dos reconstrutores das mura­ lhas de Jerusalém (Nee. 3:11). 1

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PACATIANA - PACIFICADOR PACATIANA No hebraico, «pacifica». Esse era o nome de uma provinda da Ásia Menor cuja capital era Laodicéia. A província nunca é citada no Novo Testamento; mas sua capital o é (ver Col. 2:1; 4:13,15,16; Apo. 1:11). Nos fins do século III D.C., esse território foi dividido em vários segmentos, sete ao todo. Dois desses segmentos tomaram-se a Frigia Prima (a oeste) e a Frigia Secunda (a leste). A primeira dessas continuou também a ser chamada de Pacatiana. PACIÊNCIA Esboço: I. Definições II. Considerações Bíblicas Gerais III. Um dos Aspectos do Fruto do Espírito IV. Deus é o Pai da Paciência V. A Paciência de Cristo VI. O Que nos Ensina a Paciência? I. Definições A paciência é aquela qualidade habitual de suportar os testes e as circunstâncias testadoras, sem queixume. Também é a tolerância diante das falhas alheias; uma tranqüila espera por algum aconteci­ mento, que venha alterar as circunstâncias incômo­ das. Trata-se da capacidade de esperar por mudan­ ças, sem demonstrar ansiedade exagerada. Na Bíblia vê-se certa variedade nessa virtude da paciência. Assim, o trecho de Sal. 40:1 expõe a paciência no sentido de esperar por alguma mudança. O próprio Senhor é paciente com os homens e os seus caprichos (ver Núm. 14:18; Êxo. 34:6; Sal. 86:5; Jer. 15:15). No Novo Testamento, a paciência usualmente envolve as noções de longanimidade sob as provações, resistência, constância em face da oposição. O termo grego upomoné, cujo sentido literal significa «resistên­ cia sob (algum peso)», usualmente envolve esses significados. Ver Rom. 5:3,4; 15:4; II Cor. 6:4; Col. 1 : 11 . como um dos aspectos do fruto do Espírito, ou seja, uma qualidade espiritual que o Espírito cultiva no crente. Com base nesse ensino, aprendemos que a paciência autêntica é uma virtude espiritual, de que o homem espiritual é dotado. Sendo esse o caso, será um produto de um crescente desenvolvimento espiritual, conforme é sugerido e ilustrado na segunda seção, acima. IV. Deus é o Pai da Paciência Deus nos tolera, tal como devemos tolerar ao próximo. A paciência divina abrange todos os homens. Não fora isso, e todos pereceríamos (ver II Ped. 3:9; Sal. 86:15). A paciência de Deus é reiteradamente ilustrada na história da nação de Israel (ver Exo. 34:6; Núm. 14:18; Sal. 86:15; Jer. 15:15). Isso aplica-se ao seu trato com os homens, em todas as coisas (ver Rom. 9:22). V. A Paciência de Cristo Jesus Cristo deixou-nos o grande exemplo de paciência, visto que ele percorreu a sua carreira terrena com alegria e paciência (resistência) (ver Heb. 12:1,2). Ele deixou um notável exemplo de paciência em sua vida terrena (ver Mat. 27:38-44; Mar. 15:28-32; Luc. 23:35-39; Sal. 22:1 ss). Os crentes deveriam seguir esse exemplo, mesmo nos casos em que sofrem contradição e oposição da parte de homens ímpios (ver Sal. 37:1,73; Pro. 3:31; 23:17; 24:1; Jer. 12). VI. O Que Nos Ensina a Paciência? Mudanças vitais podem ocorrer em nossas vidas quando suportamos a disciplina do Senhor (ver Heb. 12:5-13). Todas as coisas contribuem juntamente, visando ao nosso bem (ver Rom. 8:28). Até mesmo as provações devem ser toleradas com alegria (Tia. 1:2 ss). A paciência é companheira de outras virtudes cristãs, como a bondade e a benignidade (Rom. 2:4). Está vinculada à fé e à esperança (Heb. 6:11,12), e também ao amor (I Cor. 13:4). Cumpre-nos continuar labutando com toda a paciência, tal como um agricultor planta e espera com paciência, antes de poder fazer, jubilosamente, a sua colheita (Tia. 5:7,8). PACIFICADOR Mat. 5:9: Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Os pacificadores. Não somente os dotados de natureza pacífica (Tia. 3:15), nem os que aceitam a paz sem protesto ou que preferem a paz ao desacordo, nem os que têm paz na alma, com Deus, como explicou Agostinho, e nem os que amam a paz (Grotius, Wetstein), mas aqueles que promovem ativamente a paz e procuram estabelecer a harmonia entre inimigos. O sentimento aqui referido é mais nobre que o de Rom. 12:18, que diz: «Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens». Serão chamados filhos de Deus. Significa mais do que reconhecimento. Está em foco a realidade de ser alguém filho de Deus. (Ver Rom. 8:17,28-32; I João 3:2). O conceito implica em participação na herança dos santos (Efé. 1:13,14), e, assim sendo, trata-se de filhos adultos, como Cristo, revestidos da plenitude e divindade de Cristo (Efé. 1:23; II Cor. 3:18; II Ped. 1:4). Os rabinos também davam grande valor aos pacificadores. Hilel, famoso rabino contemporâneo de Jesus, escreveu: *Sê dos discípulos de Aarão, amando a paz e seguindo a p a z » (Aboth 1:2). Tais seriam os filhos de Deus. O V,T. emprega esse termo, H, Considerações Bíblicas Gerai» I. A paciência consiste da persistência neotestamentária, em face dos obstáculos. Procura alcançar uma obra perfeita (ver Tia. 1:4), e assim conseguirá fazer, se persistir. No presente ela já produz frutos (ver Luc. 8:15), ajudando-nos a percorrer o curso de nossas vidas, tendo em mira o prêmio da vida eterna (ver Heb. 12:1). 2. A paciência espera pela salvação de Deus (ver Lam. 3:26), sendo necessária no tocante à obtenção de nossa herança (ver Heb. 6:12 e 10:36). 3. Existe certo fortalecimento espiritual que nos infunde paciência (ver Col. 1:11). 4. A paciência é um dos aspectos do fruto do Espírito (ver Gál. 5:22); portanto, é cultivada por ele. 5. Ela é obtida através do desenvolvimento espiritual. 6. Uso dos meios de desenvolvimento espiritual: a. A oração (ver Efé. 6:18). b. A meditação visando à iluminação (ver Efé. 1:18). c. O estudo (ver I Tim. 4:13). d. A santificação (ver I Tes. 4:3). e. O viver segundo a lei do amor ou das boas obras (ver I João 5:7). f. O uso dos dons espirituais (ver Efé. 4:8 e ss). m . Um dos Aspectos do Fruto do Espirito O trecho de Gál. 5:22 encerra essa virtude cristã 2

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PACIFICADOR - PACIFISMO «filhos de Deus», referindo-se aos anjos ou aos seres divinos (J6. 38:7), e algumas vezes também a pessoas piedosas, seres humanos que são objetos do amor especial de Deus (Deut. 32:6). Aqueles que buscam a paz amando os seus inimigos agem segundo o próprio Deus, e por isso são filhos de Deus em sentido verdadeiro. (Ver Mat. 5:44,45). A paz é uma das virtudes .cardeais da ética cristã. O exclusivismo dos judeus era e é bem conhecido, e já se tornara proverbial antes dos dias de Jesus. O discípulo—au­ têntico—do reino não é aquele que odeia, mas aquele que ama os seus inimigos. Isso faz do exclusivismo uma impossibilidade na ética cristã. Jesus deu a sua vida a fim de trazer a paz universal no sentido mais lato possível, tanto na terra como nos lugares celestiais. (Ver Efé. 2:14-16 e Col. 1:20). Agostinho Jouvou altamente à sua própria genitora, Mônica, quando escreveu: «Ela mostrou ser uma pacificadora tal que, de ambos os lados ouvindo as coisas mais amargas...nunca deixou transparecer algo, para um ou para outra, senão aquilo que contribuísse para sua reconciliação» (Confissões ix.21). Haveria aplicação para algumas Mônicas hoje em dia na igreja. Suas adversárias formam multidões. Lê-se acerca de Richard Dobden que, ao ser-lhe mencionado que talvez adquirisse tanta fama a ponto de ser sepultado na abadia de Westminster, replicou que esperava que isso nunca lhe acontecesse, porque «Meu espírito não descansaria em paz entre aqueles homens de guerra». £ uma tragédia que até mesmo muitos líderes cristãos sejam respeitados por serem homens contenciosos, e que os grandes guerreiros do mundo são feitos seus heróis. PACIFISMO Esboço: 1. O Termo e suas Definições 2. Alguns Informes Históricos 3. A Bíblia e o Pacifismo 4. O Ideal e sua Praticabilidade 1. O Termo e Suas Definições A raiz da palavra portuguesa «pacifismo» é o latim, pacificus, «pertinente à paz». Essa palavra latina combina o latim pax, «paz», e facere, «fazer». Em um sentido geral, um pacifista é alguém que se opõe à violência, em qualquer de suas manifestações, com o intuito de resolver divergências, sejam elas pessoais, coletivas, nacionais ou internacionais. Todavia, mais recentemente, esse vocábulo passou a indicar não somente àqueles que não concordam com as guerras, mas até mesmo com o serviço militar. Um arbítrio pacifico é o ideal dos pacifistas. No idioma inglês, o termo apareceu pela primeira vez no Oxford English Dictionary, em 1905. A maioria dos pacifistas não combate o uso de forças policiais na preservação da boa ordem, dentro de um país qualquer; mas eles se opõem ao uso de meios militares violentos na solução de disputas internacio­ nais. 2. Alguns Informes Históricos a. Aristóteles acreditava que a guerra é ocasional­ mente necessária, a fim de corrigir injustiças que, doutra sorte, nunca seriam corrigidas. Talvez seja engenhoso pensar que homens iníquos, que nada fazem senão piorar cada vez mais, não podem ser freados de outra maneira. Ver o artigo chamado Critérios de uma Guerra Justa. b. Os povos antigos eram guerreiros tribais. E desde então não mudou muita coisa na guerra, exceto que as armas se tornaram muito mais letais do que antigamente. As religiões e mitologias antigas inevitavelmente faziam de seus deuses cabeças de forças armadas, e a capacidade militar sempre foi glorificada. No entanto, desde remota antiguidade os homens aguardam, com anelo, por uma era áurea de paz, pelo que o espírito do pacifismo tem conseguido rebrilhar, mesmo em meio aos mitos. c. Os hebreus estavam longe de ser pacifistas. A história da conquista da Terra Prometida é um relato de intensa beligerância. Os reis de Israel estavam constantemente em guerra. Não obstante, os profetas hebreus sonhavam com um período futuro em que as espadas seriam transformadas em relhas de arados (ver Isa. 2:4; Joel 3:10; Miq. 4:3). Naturalmente, para que isso suceda, é mister pensar em uma grande intervenção divina na história da humanidade. d. No seio da Igreja cristã. O serviço militar foi repelido por muitos cristãos antigos, até o começo do chamado Corpus Christianum, sob o imperador Constantino. Dali por diante, os teólogos cristãos passaram a utilizar os critérios de Aristóteles quanto a uma guerra justa, cristianizando a questão. Agosti­ nho e Tomás de Aquino foram os principais intérpretes desses critérios. e. No tempo da Reforma Protestante. Os anabatistas eram protestantes. Indagavam eles: «Visto que seremos moldados à imagem de Cristo, como poderíamos combater ao inimigo com a espada?» f. Os quacres concordavam com os anabatistas, em seu pacifismo. g. Tratados em favor do pacifismo foram produzidos por vários filósofos, desde Desidério Erasmo (1469-1537) até Emanuel Kant (1724-1804). h. O chamado Iluminismo (vide) produziu vários pensadores que defenderam a posição do pacifismo. A obra de William Penn: «An Essay Towards the Present and Future Peace of Europe», foi um notável escrito sobre o assunto. i. No século X IX , quando foram organizados diversos movimentos em prol da paz, esse ideal atingiu muitos países. Os anabatistas, os menonitas, os quacres, os batistas alemães ou dunkers, além de outros grupos religiosos evangélicos, esposaram a causa do pacifismo. Muitos jovens fugiam da Europa, a fim de escapar do serviço militar obrigatório, emigrando principalmente para os Estados Unidos da América e para o Canadá. j. Os movimento» pacifistas continuaram no século X X , chegando mesmo a aumentar muito em seu número, especialmente na América do Norte e na Europa. Porém, ao mesmo tempo em que essas organizações floresciam e faziam uma propaganda vocifera, as forças militares do mundo iam-se preparando para as devastadoras conflagrações da Primeira Grande Guerra e da Segunda Guerra Mundial, respectivamente em 1914-1918 e 1939-1945. Os lideres militares chegaram a denunciar os tratados unilaterais dos pacifistas como acordos ingênuos e sem sentido real. Quando a Alemanha começou sua marcha de conquista, viu-se que a guerra era mais poderosa que o pacifismo, e muitos pacifistas tiveram de confessar a sua ingenuidade. 1. A consciência religiosa. Os movimentos pacifis­ tas serviram ao menos para que muitas pessoas religiosas organizassem melhor seus pensamentos sobre a questão. Na América do Norte, os objetores conscientes não são tratados como criminosos, podendo escapar ao serviço militar, embora possam ser empregados em situações mais pacíficas, em apoio às atividades militares. De fato, uma das alternativas tem sido servir nas forças militares, mas não transportar armas. Durante a Segunda Guerra 3

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PACIFISMO - PACOM Mundial, muitos pacifistas norte-americanos servi­ ram até mesmo em zonas de combate, dirigindo veículos, servindo no corpo médico, mas sem brandir armas. E muitos desses pacifistas foram decorados por bravura. 3. A Btblia e o Pacifismo Se usarmos somente o Antigo Testamento, dificil­ mente poderemos defender o pacifismo, a menos que destaquemos a esperança profética, em consonância com as predições proféticas acerca do milênio e do estado eterno. De fato, pessoalmente perturba-me a maneira como Deus é apresentado no Antigo Testamento, como o Senhor de Exércitos, encabeçan­ do forças selvagens que matam e mutilam povos inteiros. Os deuses daquele período quase inevitavel­ mente eram apresentados como dirigentes que ordenavam não só a guerra, mas também o extermínio de populações inteiras, excetuando as mulheres, por razões óbvias. Um dos dez mandamen­ tos ordena: «Não matarás» (Exo. 20:13). Mas esse mandamento nunca fez parar algum exército. Quando nos volvemos para o Novo Testamento, então podemos achar textos de prova tanto em favor do pacifismo quanto em favor do militarismo. Por certo que o Sermão da Montanha , proferido por Jesus, conforme se vê em Mat. 5:29 e seu contexto, serve de base do pensamento pacifista. Além disso, temos no Novo Testamento uma clara expressão da lei do amor (vide), que condena a violência. Entretanto, quando Comélio, o centurião romano, converteu-se ao cristianismo, ele não foi forçado a mudar de profissão (ver Atos 10:47). Ademais, em Rom. 13:2 e seu contexto, temos o ensino que nos manda obedecer às forças civis; e isso, naturalmente, envolve o serviço militar. Ver Rom. 13:1. Este versículo tem sido usado em apoio ao serviço militar prestado por crentes. Naturalmente, não há nenhurtia relação direta com o que aqui é dito com essa idéia surgida apenas recentemente na história da igreja cristã. Não obstante, poder-se-ia dizer que este versículo dá mais apoio à idéia da militância, já que quase todos os governos civis requerem o serviço militar dos seus cidadãos. É interessante observarmos que os crentes em geral, através da.história da igreja, não têm sido pacifistas. Não obstante, os pacifistas têm alguma razão em seu respeito pela vida humana, que pode ultrapassar seu senso de dever para com as obrigações dos cidadãos a seu governo. Certamente é errado matar. E certamen­ te é um erro moral de proporções gigantescas um país enviar homens para conquistar a outro. Não se pode negar que a violência e a guerra são males próprios da humanidade. É possível que a melhor solução para o crente, nessa conjuntura, seja que ele não se deve recusar a servir no exército de seu país, mas, no caso de alguma guerra injusta, se recuse a pegar em armas. Poderia servir no corpo médico, como motorista de caminhão, ou fazendo qualquer outra coisa não diretamente ligada à função precípua de liquidar o inimigo. Caso esse outro serviço se torne impossível para ele, resta-lhe o outro único recurso de apelar para a sua consciência, fazendo o que lhe parecer melhor; porquanto, esta passagem do décimo terceiro capítulo da epístola aos Romanos não nos fornece qualquer orientação definida acerca dessa questão. Não há tal orientação porque Paulo não estava considerando a eventualidade das exceções, quando escreveu esta seção de sua epistola aos Romanos. Antes, opunha-se ele à iniqüidade, e não escrevendo alguma constituição que governasse todas as ações dos crentes no tocante à sua atitude para com as autoridades civis. Alguns dos primeiros pais da Igreja, como Hipólito, Tertuliano e Lactâncio, eram pacifistas, parcialmente porque o serviço no antigo exército romano envolvia ritos pagãos. Porém, Clemente de Alexandria estava convencido de que um soldado que se convertesse ao cristianismo tinha o direito de permanecer como tal. Tenho traçado a história dessa questão no segundo ponto, acima. Basta dizer que a Bíblia tem sido variegadamente interpretada. O trabalho de Agosti­ nho e Tomás de Aquino sobre a questão de uma guerra justa, teve o seu efeito. E é assim que a Nova Enciclopédia Católica, vol. X, pág. 856, assevera: «O pacifismo absoluto é irreconciliável com a doutrina católica tradicional». Lutero e Calvino reconheceram a necessidade de guerrear, sob determinadas circuns­ tâncias, e quase todos os grupos protestantes têm retido esse ponto de vista. O reformador Zwínglio foi morto durante uma batalha. Mas os anabatistas, os waldenses e os quacres condenam qualquer forma de atividade militar. 4. O Ideal e Sua Praticabilidade Não há que duvidar que matar é errado; também é um erro quando uma nação envia propositalmente suas forças armadas para matarem pessoas de outra nação! Também ninguém duvida que a guerra é um dos mais profundos males que o homem já inventou. Ainda recenteme ate, li sobre uma experiência perto da morte (ver o artigo a respeito), durante a qual um homem entrou nos primeiros estágios da morte, e viu os rostos de todos aqueles que tinham sido mortos, quando ele havia sido um soldado que atuou no Vietnã. A guerra constitui uma imoralidade, com as suas matanças, as suas mutilações, os seus rancores. Um amigo meu, que serviu durante a guerra da Coréia, contou-me que os soldados são ensinados a odiar, a fim de que possam desincumbir-se melhor de sua missão de matar. Um dos dez mandamentos proíbe que um homem mate a seus semelhantes; mas Israel não hesitava em matar em massa. Para mim, o ideal é claro. Quem pode matar, se é que ama? O amor é um dos principais princípios bíblicos, sendo a essência mesma da espiritualidade (ver I João 4:7 ss). Por outra parte, a história demonstra que homens ímpios e seus exércitos em nada se deixam impressionar por esse ideal. Isso significa que a guerra torna-se uma necessidade, para proteger uma nação ou um povo. Assim, se o ideal é claro, é óbvia também a praticabilidade (e necessidade) histórica da guerra. Os pacifistas britânicos sempre tiveram muita força. Mas, tanto na Primeira quanto na Segunda Guerras Mundiais eles se deixaram convencer diante da premente necessidade de guerrear, a fim de fazer frente a gigantescas forças malignas. Quanto a mim, se tivesse de ser convocado ao serviço militar, eu tomaria o caminho intermediário: não me recusaria a servir, contanto que não pegasse em armas. Para mim, isso constitui um ideal pessoal; mas, como é óbvio, se todos os homens seguissem esse ideal, forças malignas de potências estrangeiras não poderiam ser detidas. No tocante à questão, pois, que cada indivíduo examine a sua própria consciência e ache a resposta mais apropriada para si mesmo, que os outros deveriam respeitar. O pacifismo é um ideal que será atingido durante o milênio (vide). No momento, porém, não é muito prático, em um mundo como o nosso. (AM E H NTI, em Rom. 13:3, P) PACOM Esse termo é usado para designar o nono mês do ano, em III Macabeus 6:38. Ver Calendário. 4

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PACÔMIO - PACTO PACOMIO (SANTO) Pacômio foi o fundador do estilo de vida monástica. No Egito, ele fundou nove mosteiros, além de dois conventos para mulheres. A ordem religiosa por ele fundada continuou existindo até o século XI D.C. A festa religiosa em sua memória é celebrada a 14 de maio. Ver o artigo Monasticismo. PACTO Ver os dois artigos: Pacto* e Alianças. Entre outras formas de linguagem antropomórfica nas Escrituras, encontramos o termo pacto. A palavra é usada para designar a maneira de Deus tratar com o homem e de entrar em alianças com ele; ou então somente entre seres humanos. No primeiro caso, há um uso antropomórfico; no segundo, um uso literal. O termo hebraico envolvido é berith, que significa «corte». Como o sentido de pacto deriva-se desse verbo não é bem claro. Talvez deva-se ao costume de compartilhar de alimentos, em uma refeição, por ocasião do estabelecimento de um pacto, nos dias antigos. Porém, também conjectura-se de que o termo hebraico envolvido esteja relacionado às idéias de «algemas», de «decidir», de «aquinhoar», mediante diversas conjecturas etimológicas. Ou então «cortar um acordo» era simplesmente uma expressão idiomá­ tica para «estabelecer um acordo». O vocábulo diathéke, usado no Novo Testamento, é o termo grego que significa pacto ou testamento. Essa é a palavra envolvida no titulo «Novo Testamento», que alguns estudiosos prefeririam ver alterado para Novo Pacto. 1. Na terminologia religiosa, temos os acordos formais estabelecidos entre Deus e o homem, dos quais há diversos, no Antigo Testamento. Ver os detalhes abaixo. A teologia cristã distingue entre o antigo e o novo pactos. O primeiro repousa sobre a lei mosaica, e o segundo sobre a graça divina, por meio do sangue de Cristo. Paulo ensinava que o primeiro pacto foi ultrapassado pelo segundo. Segundo o islamismo, a esses dois pactos, foi adicionado um terceiro, final, por meio da aliança estabelecida entre Deus e Maomé. 2. Na teologia, a palavra «pacto» é usada para designar alguma interpretação particular da doutrina cristã. Ver o artigo sobre a Teologia do Pacto ou Teologia Federal. Uma aplicação especial desse vocábulo encontra-se no título pacto do meio caminho, que se refere a certa prática da Nova Inglaterra, mediante a qual crianças eram admitidas ao batismo se tivessem pais simpáticos à Igreja, embora não fossem membros qualificados. 3. Inspiração por Fatores Sociais. Na primitiva sociedade israelita, nômade ou seminômade, os pactos entre os homens e seus vizinhos eram necessários à sobrevivência. Assim, os vizinhos cortavam acordos uns com os outros, usualmente erigindo algum sinal visível do pacto estabelecido, como uma coluna ou um monte de pedras, com o acompanhamento de votos e sacrifícios, além de uma refeição da qual participavam aqueles que tinham fei­ to o pacto. Visto que a segurança de que os homens mais precisam é a da paz com Deus, as relações com o Ser divino eram tidas como acordos ou pactos. Era questão séria alguém agir de modo contrário às estipulações de um pacto humano, com a quebra de votos e o desprezo a colunas ou montões de pedras, com tudo que esses sinais externos representavam. Portanto, em certo sentido, o pecado consiste em romper o pacto com Deus, desprezando seus sinais externos. Consideremos os conflitos causados por causa da circuncisão (que vide), que era o sinal do pacto abraâmico, quando os primitivos cristãos começaram a dizer que esse sinal não era necessário à salvação (Atos 15). A Igreja cristã entrou em estado de turbilhão por esse motivo, por um longo período de tempo, visto que a circuncisão era um grande montão de pedras, uma nobre coluna que assinalava o pacto feito entre Deus e Abraão. Mas, se era o sinal desse pacto, não era o próprio pacto. E foi isso que Paulo e outros líderes cristãos logo compreenderam. Deus escolheu Israel, e impôs acordos, acompa­ nhados por certas bênçãos, sob a condição dos acordos serem observados. Esses pactos foram estabelecidos em períodos históricos críticos, isto é, com Noé, com Abraão, com Moisés e com Davi. Isso posto, toda a teologia judaica estava envolvida no conceito de pactos. Destarte, poderíamos afirmar que o Antigo Pacto é a súmula do relacionamento diversificado de Deus com o povo de Israel. 4. Nos Profetas Posteriores. Escritores sagrados como Oséias, Jeremias, Ezequiel e Moisés, no livro de Deuteronômio, fazem uso do conceito de pacto a fim de expressar algumas de suas principais idéias. Em Oséias 6:7; 8:1; Jeremias 11:1 ss, e 34:18, lemos que Israel quebrou sua aliança com Deus. Disso resultou um intenso sofrimento. 5. No Novo Testamento. O vocábulo grego diathéke é usado com os sentidos de pacto e testamento. No grego helenista, era comum essa palavra ter o sentido de «testamento». O nono capítulo da epístola aos Hebreus retém a idéia de testamento. Um testamento, para que entre em vigor, requer a morte do testador (Heb. 9:16). Porém, o conceito de pacto é o sentido mais freqüente vinculado à palavra grega diathéke. Todo o debate que se vê nos comentários, em torno dessa questão é uma perda de tempo, visto que ambos os lados estão com a razão, até onde cada um deles vai. O oitavo capítulo de Hebreus trata longamente da idéia neotestamentâria de pacto, afirmando enfaticamente que o antigo pacto foi substituído pelo novo (Heb. 8:13). A salvação da alma é um dos resultados do novo pacto, conforme o contexto dessa passagem mostra claramente. 6. Considerações Teológicas. Devemos levar em conta o livre-arbítrio humano e o amor de Deus. Há pessoas necessitadas. Deus amou o mundo de tal maneira que promoveu sua vontade misericordiosa através de pactos. Deus dá tudo aos homens, e espera-se que os homens dêem tudo a ele. Por sua parte, Deus sempre se mostra leal, constante e imutável (Êxo. 34:6). Mas o homem mostra-se vacilante. Contudo, o sistema funciona no caso do novo pacto, porque o Espírito de Deus atua a fim de garantir a transação. O pacto com Deus, no Antigo e no Novo Testamentos é retratado como um casamento (Osé. 2:22), devido à intimidade do relacionamento entre Israel ou a alma individual (conforme o caso), e Deus. O pacto com Deus é descrito como um acordo inscrito no coração (Jer. 31; Eze. 36:37; Heb. 8:10). Diz esta última referência: «Porque esta é a aliança que firmarei... Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei...» E o resultado disso aparece logo adiante: «...e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo». O novo pacto opera com tão magníficos resultados porque Deus atua, e o homem, nesse processo, vai sendo espiritualizado. Nisso é que consiste a nossa salvação. O alvo final da salvação é a participação na imagem de Cristo (II Cor. 3:18), é a participação na própria natureza divina (II Ped. 1:4). ••• ••• 5

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PACTO, TEOLOGIA DO - PACTOS PACTO, TEOLOGIA DO A chamada Teologia do Pacto ou Teologia Federal surgiu nos fins do século XVI, aparentemente de forma independente, entre os reformados do oeste da Alemanha, os puritanos ingleses e certos teólogos escoceses. Essa teologia retrata Deus como quem trata com os homens por meio de dois pactos, um das obras e outro da graça. Sob o primeiro deles, Deus teria oferecido a vida eterna aos homens, com base na obediência. Mas esse pacto foi quebrado por Adão, e Deus alterou o seu plano, estabelecendo o pacto da graça, sob o qual a salvação é dada mediante a graça divina, através da fé. Essa doutrina recebeu impulso na Confissão de Westminster, tendo sido muito apreciada entre certos calvinistas. Ver o artigo sobre o Calvinismo. Na Confissão de Westminster, o pacto da graça é visto em operação em três períodos latos: antes da lei, durante a vigência da lei, e durante o ministério do evangelho. O puritanismo da Nova Inglaterra enfatizava essa doutrina, encontrando aplicação para a mesma não somente no campo da fé religiosa, mas também em contextos sociais e políticos. O pacto das obras passou por vários estágios de aplicação, dentro do contexto histórico do Antigo Testamento. Esses estágios foram com Adão, Noé, Abraão e, finalmente, com o povo de Israel, quando se tornou um pacto nacional. As partes envolvidas eram Deus e Adão (bem como os seus descendentes). A promessa consistia na vida eterna; e a condição era a obediência. O fracasso do pacto das obras exigiu o estabelecimento de um novo pacto (que vide). Por sua vez, o pacto da graça tem dois aspectos: há um aspecto relativo a Deus, pelo que poderia ser intitulado de pacto da redenção. Os participantes, pelo lado divino, são o Pai e o Filho. A condição foi a perfeita obediência do Filho, mediante o seu sofrimento, levando sobre si as conseqüências do pecado humano. A promessa é a salvação de todos os crentes, por meio da obra expiatória de Cristo. O segundo aspecto diz respeito ao homem. Nesse caso, os lados envolvidos são Deus e o homem. A promessa é a vida eterna. A condição é a fé em Jesus Cristo, como a única obra requerida da parte do crente (João 6:29). (B CHA E) Esta teologia contrastada com Dispensacionalismo. Ver o artigo sobre Dispensação, Dispensacionalismo, III, 1 e 2. Ver os artigos sobre Teologia Federal e Doia Homens, Metáfora dos. PACTO DE SAL Era costume que aqueles que estabeleciam um acordo usarem de sal em uma refeição conjunta ou em algum ritual. Ver Núm. 18:19; II Crô. 13:5. Segundo as evidências indicam, esse costume originou-se da observação que o sal tem a capacidade de dar maior sabor aos alimentos e de preservá-los, o que pode simbolizar aquilo que se deve esperar dos pactos firmados, isto é, força, preservação, fidelidade, sem qualquer mescla com decadência ou hipocrisia. A lei judaica, em seu aspecto cerimonial, exigia o uso do sal em todas as ofertas de manjares; e é possível que fosse usado sal em todos os demais tipos de oferendas. Ver Lev. 2:13. Apesar de que certas ofertas eram consumidas no altar dos holocaustos, a maioria das oferendas tinha uma porção que era entregue aos sacerdotes, para ser consumida. E o sal fazia parte necessária da dieta. Disso proveio o fato que o sal, usado nas ofertas rituais, significava simbolicamente a perpetuidade e a fidelidade. Essa prática parece ter sido comum entre os povos orientais, e não somente em Israel. PACTO NOVO Ver Novo Testamento Ver também Pactos, seção VI, Novo Pacto. PACTOS Esboço: I. Definição e Caracterização Geral II. Os Pactos Enumerados III. Os Pactos e Cristo IV. Pacto Abraâmico V. Pacto Davídico VI. Novo Pacto I. Definlçio e Caracterização Geral. Ver sobre Pacto. H. Os Pactos Enumerados 1. O pacto edênico (ver Gên. 1:26-28). Esse pacto condicionava a vida do homem em seu estado de inocência. 2. O pacto adâmico(ver Gên. 3:14-19). Esse pacto condicionava a vida do homem após a queda, dando-lhe a promessa da redenção. 3. O pacto noaico (ver Gên. 9:1 e ss). Esse pacto estabeleceu o princípio do governo humano. 4. O pacto abraâmico (ver Gên. 15:8). Esse pacto diz respeito à fundação física e espiritual de Israel, impondo condições aos que quisessem pertencer ao Israel espiritual. 5. O pacto mosaico (ver Êxo. 19:25; 20:1-24:11 e 24:12-31:18). A lei foi dada, supostamente como meio de vida, mas terminou por ser o motivo da morte e da condenção. 6. O pacto palestiniano (ver Deut. 28—30). Esse prometeu a restauração de Israel no tempo devido. 7. O pacto davídico(ver II Sam. 7:8-17). Esse pacto estabeleceu a perpetuidade da família e do reino davídico, cumprido em Cristo como Rei (ver Mat. 1:1; Luc. 1:31-33; Rom. 1:3). Isso inclui o reino milenar (ver II Sam. 7:8-17; Zac. 12:8; Luc. 1:31,33; Atos 15:14-17; I Cor. 15:24), que tipifica o reino eterno de Cristo. 8. O novo pacto. Esse repousa sobre a obra sacrificial e sacerdotal de Cristo, tendo por fito garantir a bênção eterna e a salvação para os homens. Apesar dos homens não poderem produzir nada que esse pacto exige, por si mesmos, a verdade é que ele está condicionado à fé e à outorga da alma nas mãos de Cristo. O trecho de Heb. 10:19 — 12:3 é, essencialmente, uma descrição de como esse novo pacto é melhor. É o pacto mosaico que está em foco no trecho de Heb. 8:6, contrastado com o novo. Fazia exigências impossíveis aos homens, transformando-os em escra­ vos. Mas não era capaz de dar-lhes a força para vive­ rem à altura dessas exigências. Portanto, o pacto baseado na lei estava condenado ao fracasso. No novo pacto foi dada a lei do Espírito de Deus que opera no coração e em que as operações íntimas do Espírito garantem o cumprimento das condições. Daí vem o sucesso desse novo pacto. UI. Os Pactos e Cristo Cristo, sua substância (Isa. 42:6; 49:8). Cristo, seu mediador (Heb. 8:6; 9:15; 12:24). Cristo, seu mensageiro (Mal. 3:1). Estabelecido com: 6

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PACTOS Abraão (Gên. 15:7-18; 17:2-14; Luc. 1:72-75; Atos 3:25; Gál. 3:16). Isaque (Gên. 17:19,21; 26:3,4). Jacó (Gên. 28:13,14 com I Crô. 16:16,17). Israel (Êxo. 6:4; Atos 3:25). Davi (II Sam. 23:5; Sal. 89:3,4). Renovado sob o evangelho (Jer. 31:31-33; Rom. 11:27; Heb. 8:8-10,13). Cumprido em Cristo (Luc. 1:68-79). Confirmado em Cristo (Gál. 3:17). Ratificado pelo sangue de Cristo (Heb. 9:11-14; 16:23) É um pacto de paz (Isa. 54:9,10; Eze. 34:25 ; 37:36). Ê inalterável (Sal. 89:34; Isa. 54:10; 59:21; Gál. 3:17). É eterno (Sal. 111:9; Isa. 55:3; 61:8; Eze. 16:60-63; Heb. 13:20). Todos os santos estão interessados no mesmo (Sal. 25:14; 89:29-37; Heb. 8:10). Os ímpios não se interessam pelo mesmo (Efé. 2:12). Bênçãos vinculadas ao mesmo (Isa. 56:4-7; Heb. 8 : 10- 12). Deus é fiel ao mesmo (Deu. 7:9; I Reis 8:23; Nee. 1:5; Dan. 9:4). Deus jamais se olvida do mesmo (Sal. 105:8; 111:5; Luc. 1:72). Lembremo-nos do mesmo (I Crô. 16:15). Cautela contra nos esquecermos do mesmo (Deu. 4:23). Pleiteio-o em minhas orações (Sal. 74:20; Jer. 14:21). Punição para quem o despreza (Heb. 10:29,30). IV. Pacto Abraâmlco O pacto abraâmico conta com sete porções distintas (ver os trechos de Gên. 12:1-4; 13:14-17; 15:1-7 e 17:1-8): 1. Abraão tornar-se-ia uma grande nação: a. issose cumpriria em sua posteridade natural, «como o pó da terra» seria o seu número (ver Gên. 13:16 e João 8:37), e isso fala da nação literal de Israel, b. Teria cumprimento e está sendo cumprido na sua posteridade espiritual. Nesse sentido, todos os homens regenerados são filhos de Abraão. O seu número seria «como as estrelas do céu» (ver João 8:39; Rom. 4:16,17; 9:7,8; Gál. 3:6,7,29). Quanto a isso, não haveria qualquer distinção de raça. c. Também teria cumprimento em Ismael, isto é, nas nações árabes (ver Gên. 17:18-20). 2. A bênção de Deus estaria sobre ele e os seus descendentes: a. em sentido temporal ou material (ver Gên. 13:14,15,17; 15:18; 24:34,35). b. Mais particularmente, em sentido espiritual, o que visa a vida eterna, conferida aos remidos (ver Gên. 15:6; João 8:56; Gál. 3:13,14 e Rom. 4:1-5). 3. A exaltação do próprio Abraão, porquanto haveria de ser grande e famosa figura da história — e isso lhe daria um grande nome. Naturalmente, Abraão é um dos nomes universais da história humana. 4. Através dele seriam dadas diversificadas bênçãos para muitos (ver Gál. 3:13,14). 5. Um favor divino especial seria conferido àqueles que fossem bondosos para com Abraão. Por implicação, provavelmente está em vista a nação de Israel; e, por extensão, está em vista o grupo dos regenerados, que são filhos espirituais de Abraão (ver Gên. 12:3). 6. O desfavor divino se voltaria contra todos que amaldiçoassem a Abraão, com as implicações que aparecem no ponto 5, acima. A própria história do mundo confirma isso, porquanto tem acontecido, invariavelmente, que aqueles que maltratam aos israelitas são, finalmente, julgados de maneira definida e pública. Não precisamos mais do que lembrar a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas também perseguiram aos judeus, para ter uma prova disso. Assim também acontecerá no futuro, conforme lemos nos trechos de Deut. 30:7; Isa. 14:1,2; Joel 3:1-9; Miq. 5:7-9; Ageu 2:22; Zac. 14:1-3 e Mat. 15:40,45. As hordas que invadirão a Palestina, provavelmente antes do fim do século atual, provocando assim a apocalíptica batalha de Armagedcm. aprenderão a veracidade dessa provisão do pacto abraâmico. Israel será libertada por uma intervenção divina miraculosa, apesar de sabermos que essa nação será cercada por um adversário impossível de ser derrotado de outro modo. Reco­ nhecendo então o caráter divino dessa estrondosa vitória, Israel, como nação, voltar-se-á finalmente para Deus e seu Cristo, a saber, o Senhor Jesus, e tornar-se-á uma nação verdadeiramente cristã. 7. «Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra...» Essa é a sétima e última provisão do pacto abraâmico. Nessa provisão cumprir-se-á o grande propósito evangélico de Deus, por intermédio de Cristo, o Filho de Abraão (ver Gál. 3:16 e João 8:56-58). Esta sétima provisão revela-nos, mais especificamente, o que se tencionou revelar no trecho de Gên. 3:15, no tocante ao «descendente da mulher», que é Jesus Cristo. O Filho de Abraão seria o Redentor da humanidade, e isso retrata a missão do Messias, em sua inteireza, incluindo até mesmo o seu segundo advento e todos os seus gigantescos efeitos. Essa bênção, que é prometida aos filhos de Abraão, não respeitará distinções de nacionalidade, mas antes, terá um caráter universal, atingindo todos os verdadeiros regenerados. Os acontecimentos do dia de Pentecoste ilustraram o começo do cumprimento dessa promessa (ver Atos 2:5-11). O alvo final dessa bênção é a total transformação dos crentes segundo a imagem moral e metafísica de Cristo e, mediante isso, a participação dos remidos na própria natureza divina, que é o alvo real do destino da humanidade salva, bem como o mais elevado conceito que se conhece entre os homens (ver Rom. 8:29; II Cor. 3:18; II Ped. 1:4; Efé. 1:23 e 4:13). V. Pacto Davidi co O Pacto Davídico, é referido em II Sam. 7:4-17 (vide). Suas previsões principais são as seguintes: 1. Teria continuação uma casa davidica, isto é, posteridade e família. 2. Haveria um trono, isto é, autoridade real. 3. Haveria um reino, isto é, uma esfera de governo. 4. Esse governo e reino se estenderiam para sempre. 5. A obediência era exigida; e por causa da desobediência, por parte dos descendentes de Davi, sobreveio a punição divina, a linhagem real foi interrompida e aparentemente até se perdeu no mundo para sempre. Não obstante, a promessa é que ela seria permanente, conforme vemos em II Sam. 7:15. devido às misericórdias de Deus. 6. Salvação universal, dos judeus e dos gentios, pelo «Rei» (ver Rom. 15:12). 7. O rei legítimo foi coroado de espinhos e crucificado; mas ainda haverá de reinar. Essa foi justamente a promessa e a afirmação de Pedro, na passagem de Atos 2:30. Esse pacto, confirmado por juramento de Deus, e renovado a Maria (ver Luc. 1:26-38), pelo anjo Gabriel, é imutável (ver Sal. 89:30-37). O Senhor Deus ainda entregará esse trono ao Salvador ressurrecto (ver Luc. 1:31-33; Atos 2:29-32 e 15:14-17). VI. Novo Pacto — Ver o artigo separado sobre o Novo Testamento. 7

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PADÀ (PADÀ-ARÃ) - PÃES ASMOS PACTOS DE WESTPHALIA Ver Weatphalla, Pacto« de. batismo de adultos, e não com o batismo de infantes. Posteriormente, os infantes batizados eram represen­ tados por um padrinho e uma madrinha, e não por testemunhas, que tinham o dever de declarar a dignidade do batizando. O pano de fundo histórico da questão parece ter raizes em costumes judaicos quanto ao batismo de convertidos ao judaísmo. Nesse caso, as testemunhas deixavam-se ficar do lado de fora do ambiente cercado por cortinas, onde o próprio batizando imergia-se na água. Eles citavam passagens da lei de Moisés, que afirmavam as obrigações assumidas pelos convertidos por ocasião do batismo. Tertuliano (Sobre o Batismo-, Cap. 18) fala-nos sobre as testemunhas. Sua explicação (feita em cerca de 192 D.C.), não descreve quais eram os deveres dessas testemunhas; mas pelo menos, com base nessa circunstância, podemos supor que era uma prática que já havia sido estabelecida por algum tempo, que ele julgou não precisar de qualquer esclarecimento. Na história da Igreja antiga, os próprios pais da criança atuavam como padrinhos; mas essa prática foi proibida por ocasião do concílio de Mainz, em cerca de 813 D.C. Dentro da comunidade anglicana, desde 1661, um menino tem dois padrinhos e uma madrinha, ao passo que uma menina ganha duas madrinhas e um padrinho, embora isso possa incluir os próprios pais da criança. Na Igreja Católica Romana, os padrinhos são vistos como pessoas que contraíram um íntimo relacionamento espiritual uma com a outra, com o resultado que (pelo menos em alguns lugares) fica vedado o casamento entre os afilhados dos mesmos padrinhos. Membros de ordens religiosas não podem atuar como padrinhos, visto que, algumas vezes, estes são solicitados a cuidar de questões seculares, em favor dos afilhados, o que não é permitido para pessoas que seguem ordens religiosas. PÃES ASMOS Há uma palavra hebraica e uma palavra grega que precisamos levar em conta neste verbete, a saber: 1. Matstsah, «bolos sem fermento». Esse vocábulo ocorre por quarenta e duas vezes: Gên. 19:3; Éxo. 12:8,15,17,18,20,39; 13:6,7; 23:15; 29:2,23 ; 34:18; Lev. 2:4,5; 6:16; 7:12; 8:2,26; 23:6; Núm. 6:15,17,19; 9:11; 28:17; Deu. 16:3,8,16; Jos. 5:11; Juí. 6:19-21; I Sam. 28:24; II Reis 23:9; I Crô. 23:29; II Crô. 8:13; 30:13,21; 35:17; Esd. 6:22 e Eze. 45:21. 2. Ázumos, «bolos sem fermento». Essa palavra grega é utilizada por nove vezes no Novo Testamento: Mat. 26:17; Mar. 14:1,12; Luc. 22:1,7; Atos 12:3; 20:6; I Cor. 5:7,8. O pão asmo, ou melhor, o bolo asmo, é apenas a massa feita sem o emprego de fermento. Na preparação do pão caseiro, um pouco de massa fermentada, do pão preparado anteriormente, era misturado com a massa nova, para então ser levado ao forno. Mas o pão asmo não levava essa mistura de massa já fermentada. O pão asmo, pois, é associado aos elementos ingeridos durante a refeição da páscoa, aquela festividade religiosa que comemorava o livra­ mento do povo de Israel da servidão no Egito. Somente pão sem fermento podia ser consumido durante os sete dias que se seguiam à festa da Páscoa (ver Êxo 12:15-20; 13:3-7). Alguns estudiosos pensam que a festa dos pães asmos (por sete dias), que se seguia à Páscoa, originalmente havia sido uma festa ligada à colheita da cevada, que, posteriormente, teria sido transmutada para a festa da Páscoa. Finalmente, a proibição do uso de fermento ter-se-ia tomado mais escrupulo­ PADÀ (PADÀ-ARÀ) No hebraico, «planície de Arã* Essas palavras apontam para a área da alta Mesopotâmia, em redor de Harã, rio acima da junção entre os rios Eufrates e Harbur (ver Gên. 25:20; 28:8; 31:18). As tribos conhecidas como os arameus (da área de Arã) foram mencionadas, pela primeira vez, até onde vão os registros históricos, pelo rei assírio Salmaneser I, em cerca de 1300 A.C. Em seguida, essas tribos araméias ocuparam o território de Alepo até às margens do rio Eufrates, e até mesmo mais além, um fato que permaneceu até dentro da era cristã. Abraão residiu nessa região antes de migrar para o sul, para a Palestina. Mais tarde, da Palestina enviou um servo seu para buscar noiva para Isaque, seu filho, dentre as jovens de Padã-Arã, onde tinham ficado alguns parentes seus. Mais tarde ainda, Jacó fugiu da Palestina para Padã-Arã, sentindo-se ameaçado de morte por seu irmão gêmeo, Esaú, e permaneceu com seu sogro, Labão, durante longo tempo, no mínimo vinte anos. Ver Gên. 25:20 quanto ao nome dado à região natal de Rebeca; e, em Gên. 28:2-7, Padã-Arã aparece como lugar onde residia Labão. Oséias chamou a área de «terra da Síria» (Osé. 12:12). O distrito em foco é uma extensa planície, circundada de montanhas. PADEIRO Ver os artigos sobre Artes e ofícios e Pão. PADOM No hebraico, «redenção», «livramento», «resgate». Esse foi o nome de um dos netinins (vide), os servos do templo, que formavam a classe mais baixa em Israel, excetuando somente os escravos. Eles voltaram a fim de servir, uma vez mais, no templo reconstruído, terminado o cativeiro babilónico. Padom era um deles. Ver Esd. 2:44 e Nee. 7:47. Ele viveu por volta de 536 A.C. O nome Padom veio a designar um clã em Israel. PADRES NEGROS E IRMÃS NEGRAS São chamados assim os que seguem a regra de St° Agostinho (ver o artigo), embora seu verdadeiro título seja Cânones e Canonesas Regulares de St° Agos­ tinho. As congregações monásticas que seguem essa regra vieram à existência no fim do século XI D.C. O termo «negro» lhes foi dado como adjetivo, devido à cor de sua vestimenta. (E) PADRINHO, MADRINHA Esses são os nomes do homem e da mulher que representam a criança, por ocasião da cerimônia de seu batismo, na Igreja Católica Romana. Eles comprometem-se em ser os guardiães espirituais da criança. Seu dever é instruírem ativamente a criança, cuidando para que ela cumpra seus votos por procuração, tomados durante a cerimônia de batismo. Em algumas culturas, esse ofício inclui ajuda também quanto a outras questões, não relacionadas à fé religiosa, de tal modo que os padrinhos tomam-se uma espécie de pais secundários. No caso de batismo de adultos, as pessoas envolvidas não são padrinhos, mas testemunhas. De fato, foi assim que esse costume começou. Em outras palavras, tudo começou com o

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PÃES ASMOS - PAFOS samente observada. Assim, um israelita que comesse pão fermentado, durante aqueles dias, seria cortado, isto é, excluído do acampamento de Israel. Quando consumiam pão sem fermento, os israelitas estavam relembrando a precipitação com que haviam abandonado o Egito, e tudo quanto de mal o mesmo representava, o que sucedeu por ocasião do êxodo, em meio a grandes prodígios divinos, desde algum tempo antes, e ainda por muito tempo depois. Naquela oportunidade, as mulheres hebréias não tinham tido tempo para preparar a massa, esperando que a mesma fermentasse; antes, tinham levado a massa fermentada em separado, em suas sacolas, quando de sua precipitada fuga do Egito. Mas, ao chegarem ao deserto, enquanto viajavam em direção à Terra Prometida, foram cozendo pão com fermento. Isso é o que fazem as mulheres beduínas no deserto, até os nossos próprios dias. Ao comer o «pão da amargura», o povo de Israel relembrava a negra noite do Egito, e assim começava um período em que só se comia pães asmos, um período comemorativo de sete dias. Simbologia dos Pães Asmos. Visto que o fermento representa o pecado (ver, por exemplo, I Cor. 5:8), o pão sem fermento, naturalmente, representa a ausência do pecado, ou seja, a sinceridade do crente. Escreveu o apóstolo: «Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade» (I Cor. 5:7,8). PÃES DA PROPOSIÇÃO No hebraico há duas expressões diferentes, lechem maareketh, «pães do arranjo», e lechem panim, «pães da presença ou do rosto». No grego, ártoi tès prothéseos, «pães da exposição». No hebraico, sob uma forma ou outra, a expressão ocorre em Exo. 25:30; 35:13; 39:36; Núm. 4:7; I Sam. 21:6; I Reis 7:58; I Crô. 9:32; 23:29; II Crô. 4:19; 13:11 e Nee. 10:33. No Novo Testamento, a expressão grega aparece em Mat. 12:4; Mar. 2:26; Luc. 6:4 e, com leve transposição na ordem das palavras, isto é, próthesis tõn árton, em Hebreus 9:2. Ao falar sobre os pães da proposição, entretanto, as Escrituras utilizam-se de quatro descrições designati­ vas distintas, no Antigo Testamento: 1. «pães da proposição» (Exo. 25:30); 2. «doze pães» (Lev. 24:5-7); 3. «mesa da proposição» (Núm. 4:7); e4. «pão contínuo da proposição» (II Crô. 2:4). A primeira dessas designações fala sobre o «pão da face» ou «pão da presença». Há um paralelo na expressão assíria akalpanu. A segunda dessas designações refere-se ao pão como um memorial. A terceira, ao pão como uma exposição permanente. E a quarta dessas expressões como um arranjo ou arrumação, ou seja, sobre a mesa onde aqueles pães ficavam expostos. Essa variedade de nomes, aplicada aos pães da proposição, indica a importância que esses pães tinham, dentro do cerimonial do tabernáculo e do templo de Jerusalém. Da mesma maneira que o azeite era importante para que o candeeiro produzisse luz, e assim como o incenso era elemento imprescindível para o altar do incenso, assim também, esse terceiro móvel, a mesa, tinha como elemento indispensável os doze pães da proposição, dentro do simbolismo da religião revelada aos hebreus. Os pães da proposição eram doze e não levavam fermento em sua fórmula (o que é confirmado por Josefo, Anti. 3:6,6). Cada pão era feito de um quinto de efa de flor de farinha, ou seja, a farinha de trigo da melhor qualidade. Usualmente, esse pão era servido aos hóspedes, mas, principalmente, aos reis (Gên. 18:6; I Reis 4:22). Os pães eram postos sobre a mesa existente no Santo Lugar, um sobre o outro, formando duas pilhas de seis pães cada uma. Os pães ficavam expostos sobre essa mesa durante uma semana e, então, eram removidos e consumidos pelos sacerdotes, no recinto do santuário (Lev. 24:5-9). Seria considerado um sacrilégio se alguém, que não fosse sacerdote, comesse dos pães da proposição (I Sam. 21:2,3; Mat. 12:4), porquanto esses pães eram considerados pães «sagrados» (I Sam. 21:6). Os doze pães da proposição representavam as doze tribos de Israel (Lev. 24:8). Os sacerdotes coatitas estavam encarregados da confecção dos pães da proposição e dos cuidados com os mesmos (I Crô. 9:32). Os «bolos» dos pães da proposição significam, literalmente, na opinião de alguns estudiosos, «bolos traspassados», porquanto eles eram perfurados, provavelmente para permitir um cozimento mais fácil e uniforme. Não há qualquer indício de que os pães da proposição eram cobertos por alguma peça de pano, ou eram postos sobre alguma peça de pano. Os pratos usados em conexão com a mesa dos pães da proposição podem ter s:do usados para ali serem postos os pães; as colheres eram usadas para pôr incenso sobre os pães; a» taças serviam para o vinho das libações. Os pires para o incenso permitiam que uma agradável fragrância permanecesse no Lugar Santo durante a semana inteira. O que restasse de tudo, porém, era queimado sobre o altar de bronze, a cada sábado (Lev. 24:7-9), juntamente com o que não fosse comido dos pães da semana anterior. Os doze pães da proposição representavam a unidade nacional (cf. I Reis 18:31,32; Eze. 37:16-22). Quando o tabernáculo era transportado, durante as jornadas dos israelitas pelo deserto, a mesa dos pães da proposição era levada, juntamente com seus pratos, recipientes de incenso, as taças e as galhetas (Núm. 4:7). Incenso puro era posto sobre a mesa, provavelmente em taças de ouro, sobre os pães (Josefo, acima). Nos livros históricos do Antigo Testamento, a primeira menção aos pães da proposição diz respeito a Davi, em Nobe. Davi e seus homens satisfizeram a fome com o pão sagrado, visto estarem todos eles cerimonialmente puros (I Sam. 21:6). Todos os evangelhos sinópticos mencionam essa ocasião (Mat. 12:4; Mar. 2:26; Luc. 6:4). No templo de Salomão, havia uma mesa especial, recoberta de ouro, onde ficavam expostos os pães da proposição (I Reis 7:48). No templo restaurado houve uma taxa com vistas ao serviço da casa de Deus, incluindo o necessário para os pães da proposição (Nee. 10:32). Quando Tito destruiu o templo de Jerusalém, em 70 D.C., ele levou a mesa dos pães da proposição, juntamente com outros despojos, para a cidade de Roma. Sua gravura pode ser vista no Arco de Tito, em Roma, que retrata o cortejo triunfal em comemoração da vitória dos romanos sobre os judeus. Ver também sobre o Tabernáculo. PAFOS Havia duas cidades com esse mesmo nome na parte sudoeste da ilha de Chipre. Os estudiosos, para distingui-las, vieram a chamá-las de Velha Pafos e Nova Pafos. A Velha Pafos, atualmente assinalada pela moderna cidade de Konklia, era um povoado fenício e santuário religioso de grande antiguidade, situada ligeiramente para o interior da costa marítima. — Ficava cerca de dezesseis quilô­ 9

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PAFOS - PAGÃOS, DESTINO DOS metros a suleste da Nova Pafos. Essa cresceu como porto da Velha Pafos, depois que os romanos anexaram ao seu império a ilha de Chipre, em 58 A.C. A Nova Pafos tomou-se a sede do govemo romano local, tendo sido reconstruída essencialmente através de fundos enviados pelo imperador, porquanto fora severamente danificada por um terremoto, em 15 A.C. Foi então chamada Augusta, em honra ao seu benfeitor, tendo sido adornada com muitas magnificentes edificações do estilo romano. Originalmente, sua fama devia-se principalmente ao fato de ter sido um centro da adoração a Afrodite (Vênus). Afrodite era a deusa grega do amor, e a adoração a ela era considerada questão séria no mundo antigo. A razão de Pafos ser o centro do culto a Afrodite é que havia um mito associado ao nascimento dela, que a ligava a Pafos. Os gregos eram um povo de fértil imaginação. Contava-se, pois, que Afrodite nascera da espuma do mar, tendo flutuado até Chipre em uma concha, que terminou aportando perto de Pafos. O festival religioso mais importante da ilha era a afrodisia, que durava três dias, durante a primavera. O arqueólogo De Cesnola descobriu o que pensou ser o templo de Afrodite, em Nova Pafos. Dispunha de um recinto de cerca de 210 m x 164 m. Um segundo grande abalo sísmico afetou o lugar em cerca de 76 D.C.; houve ainda um terceiro, no século IV D.C., o que pôs fim ao lugar como povoação de qualquer importância. A modema aldeia de Baffa marca o antigo lugar da Nova Pafos. Foi em Nova Pafos que Paulo conheceu o procônsul Sérgio Paulo (ver Atos 13:6,7,12), em sua primeira viagem missionária. Foi ali, igualmente, que teve um choque com o mágico Elimas (ver Atos 13:6-11). O ■ministério de Paulo envolveu a ilha inteira, e ele visitou as várias sinagogas judaicas do lugar. A conversão do governador do lugar, Sérgio Paulo, naturalmente foi um grande avanço na vitória da fé cristã na ilha. Sérgio Paulo serviu como procônsul romano entre 46 e 48 D.C. Uma inscrição com seu nome foi descoberta em Pafos. PAGÃOS, DESTINO DOS Esboço: I. Definição II. Uma Questão de Justiça III. Podemos Levar-nos por Demais a Sério IV. A Provisão da Descida de Cristo ao Hades V. A Provisão do Mistério da Vontade de Deus VI. A Severidade do Julgamento I. Definlçio De acordo com uma definição lata, um pagão é qualquer indivíduo que não aceitou o evangelho de Cristo e nem se deixou transformar segundo a imagem de Cristo (o que acontece com todos os regenerados), mesmo que tal pessoa viva em um país civilizado e nominalmente cristão, e mesmo que ela seja religiosa. Mas, de acordo com uma definição mais estrita, os pagãos são aqueles que vivem em condições primitivas, que nunca tiveram oportunidade de ouvir o evangelho cristão, o que significa que nunca se converteram e nem foram salvos. Em qualquer desses dois sentidos, os pagãos sãcJ a grande maioria dos seres humanos, tanto no passado quanto no presente. Em conseqüência de seu grande número, o destino deles é uma questão séria para nós, merecendo a nossa consideração. II. Uma Questão de Justiça Alguns teólogos (e também cristãos de todas as denominações) pensam que o Senhor não faz injustiça alguma aos pecadores quando permite que eles pereçam em seus pecados. Esses pensam que não há qualquer problema teológico se incontáveis milhões de pessoas chegam a perecer e sofrer as agonias de um inferno eterno, simplesmente porque nunca ouviram o evangelho. Eles apelam para o primeiro capítulo da epístola aos Romanos, como texto de prova de sua opinião. Tal atitude, entretanto, é uma afronta ao próprio caráter de Deus. Deveríamos lembrar que o oposto da injustiça não é a justiça, e, sim, o amor. Isso equivale a dizer que a justiça de Deus nunca subsiste sem o acompanhamento do amor e da misericórdia. O primeiro capítulo da epístola aos Romanos fala sobre uma justiça nua; em outras palavras, fala sobre o que Deus poderia fazer, se ele quisesse fazê-lo. O que ele poderia fazer seria deixar os pagãos perecerem, sem qualquer testemunho; e ainda assim ele continuaria sendo justo. Porém, a começar pelo terceiro capitulo de Romanos, Paulo mostra que a justiça de Deus, afinal de contas, não é uma justiça nua, ainda que, como um argumento lógico, possamos pensar a respeito dela como algo separado da provisão de amor de Deus. Porém, o próprio evangelho é a negação de uma justiça nua da parte de Deus. Portanto, declaro enfaticamente que envolve uma questão moral e ética de vulto se os pagãos chegarem a morrer sem qualquer testemunho do evangelho. Além disso, constitui uma questão moral importante se não houver para eles uma provisão adequada, visto que Deus amou ao mundo de tal maneira, e que Cristo morreu pelos pecados de todos os homens (João 3:16; I João 2:2). Deus quer que todos os homens sejam salvos (I Tim. 2:4). Um apóstolo afirmou que Deus amou a todos os homens; um outro disse que Cristo morreu por todos os homens; ainda um outro asseverou que Deus quer que todos os homens sejam salvos. No entanto, os homens resolvem que eles podem interpretar essas declarações enfáticas como se elas nada significassem. Em seguida, falam sobre uma justiça divina nua, que faz o evangelho fracassar em muito, quanto aos seus propósitos, que faz o amor de PAGÃO (PAGANISMO) Essa palavra pode ser um simples sinônimo de Nações (vide). Porém, em um sentido mais restrito, o termo adquire reverberações religiosas e culturais depreciativas. Um dos usos da palavra é aquele que declara pagãos todos quantos não seguem as grandes fés monoteístas, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Por outro lado, os judeus podem considerar pagãos aos seguidores de todas as outras religiões; e nisso serem secundados por islamitas e cristãos. Segundo o uso cristão primitivo, um «pagão» era alguém envolvido na adoração idólatra. A raiz dessa palavra é latina, pagus, «país», de onde se derivou a idéia de algo cru e não-civüizado, em contraste com os citadinos sofisticados. Porém, modernamente, esse vocábulo quase sempre tem reflexos religiosos. Os cristãos antigos usavam o termo latino paganus, (interiorano), aludindo àqueles que se recusavam a converter-se ao cristianismo, e permaneciam em suas religiões idólatras, grega ou romana. Talvez o termo fosse usado a princípio, pelos cristãos, em um sentido religioso devido ao fato de que os habitantes das áreas rurais durante muito tempo estiveram infensos à mensagem do evangelho, pelo que foram deixados no «paganismo», ao passo que, nas cidades, o cristia­ nismo obteve desde o começo fortes centros de expressão. 10

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PAGÃOS, DESTINO DOS Deus tornar-se ineficaz, e que leva o poder de Cristo a perder muito de sua potência de salvar. Não há algo de errado com um evangelho assim? Tal evangelho constitui más novas para os homens, e não boas novas. O Novo Testamento tem coisas melhores a dizer do que isso, se ao menos estivermos dispostos a ouvi-lo. Os homens dizem que Deus não está sob qualquer obrigação de salvar àqueles que nunca ouviram o evangelho. Também dizem que Deus não tem obrigação de providenciar para que todos os homens ouçam o evangelho. No entanto, o Novo Testamento existe por causa do fato de que Deus auto-obrigou-se a interessar-se pela salvação de todos os homens. Um outro argumento falaz é aquele que nega o intuito universal de Deus. Alguns pensam que está tudo certo se Deus tomou providências quanto à salvação de alguns, mas não quanto à salvação das massas. Porém, isso contradiz as assertivas dos apóstolos, que mostram claramente o intuito e a provisão universais de Deus. Um outro argumento falaz é aquele que se refere a uma punição inferior, como se isso solucionasse o problema. Os pagãos que nunca ouviram o evangelho, obviamente têm menos oportunidades; e, se têm menos oportunidades, continua esse argumento, então é lógico que eles também receberão um julgamento menos severo. No entanto, esse tipo de raciocínio não concorda com todos os fatos do evangelho. Devemo-nos preocupar em reconhecer as verdadeiras dimensões da missão de Cristo, não aceitando qualquer idéia que importe em falha, por parte da missão de Cristo, mesmo que tal falha signifique apenas que certos homens sofrerão menos no inferno do que outros. Esse evangelho é pequeno demais. O tipo de evangelho que segue as linhas do raciocínio acima é pequeno demais para ser o verdadeiro evangelho do Novo Testamento. Esse evangelho truncado tem sobrevivido bem na teologia cristã ocidental. No entanto, sempre foi rejeitado pela Igreja oriental. Muitas heresias consistem em visões parciais da verdade, embora haja aquelas que consistem em acréscimos feitos à revelação bíblica. Ora, esse raciocínio nos apresenta uma visão parcial da verdade do evangelho. m . Podemos Levar>nos por Demais a Sério Muitos crentes supõem que se nós não atingirmos os perdidos, e dentro do período de vida em que eles viverem na terra, então eles estão automaticamente condenados, sem qualquer remédio. Porém, o evangelho real ensina-nos que Cristo fez provisão para os perdidos no hades, onde eles estão sendo castigados, tendo levado o evangelho até àquele lugar espiritual. Ver o artigo sobre a Descida de Cristo ao Hades. A citação feita abaixo, pelo teólogo batista A.H. Strong, ilustra como até mesmo homens inteligentes podem levar-se por demais a sério: «A questão se os pagãos nunca serão salvos, se não lhes apresentarmos o evangelho, não é uma questão tão séria quanto aquela outra, isto é, se nós mesmos seremos salvos, se não lhes dermos o evangelho». Essa declaração de Strong é curiosa, para dizermos o mínimo. Os pagãos estão perdidos. Mas, podería­ mos nos perder, se não cumprirmos o nosso dever para com os pagãos. Isso faz de nós importantes demais. Não é solução melhor pensarmos na tríplice missão de Cristo: na terra, no hades e no céu? O que poderíamos fazer, com nossos minúsculos e incons­ tantes esforços, para evitar que milhões e milhões de pessoas não morram sem ouvir o evangelho? O Novo Testamento, entretanto, assegura-nos que há uma solução para isso. Conforme ensina Pedro, o evangelho foi pregado até mesmo àqueles que estão no hades, a fim de que possam obter uma vida abençoada no Espírito, o que envolve a própria vida divina (ver I Pedro 4:6). IV. A Provisio da Descida de Cristo ao Hades Sem o ministério de Cristo no hades, o evangelho deixaria de atingir a fatia maior da humanidade. Ê sabido que o evangelho sempre foi uma mensagem muito localizada, desde a antiguidade até hoje. Milhões de criaturas humanas jamais terão oportuni­ dade de ouvi-la. Acresça-se a isso que as pessoas que só conhecem a teologia da Igreja Católica Romana, e das igrejas protestantes e evangélicas (as quais, no Ocidente, originaram-se da Igreja Católica Romana, pelo menos historicamente falando) ficam surpreendi­ das quando descobrem ^ue as Igrejas Orientais (que vieram dos quatro grandes patriarcados de Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Constantinopla, e que se desenvolveram nas Igrejas Ortodoxas Orientais) ensinam que há uma oportunidade bem maior para os homens, com resultados muito mais amplos, do que se espera no mundo ocidental. Ofereço provas sobre isso no artigo intitulado Descida de Cristo ao Hades: Perspectiva Histórica e Citações Significativas. Esse artigo demonstra como a Igreja cristã histórica tem encarado a missão de Cristo no hades, com muitas e úteis citações, que ilustram a teologia envolvida. Paralelamente, há um artigo geral sobre a Descida de Cristo ao Hades. Orígenes afirmava que ensinar que o juízo divino é apenas retributivo é aceitar uma teologia inferior. O trecho de I Pedro 4:6 declara abertamente que os homens serão julgados a fim de poderem viver no Espírito, conforme Deus faz. Isso importa em uma vida bendita, e será conseguida através do julgamento. A leitura dos dois artigos citados oferece a posição deste autor sobre a questão, a qual conta com o apoio de largos segmentos da Igreja cristã histórica. Há um evangelho maior e mais amplo do que muitas pessoas supõem, cujas mentes só conhecem a teologia chamada ocidental. V. A Provisào do Mistério da Vontade de Deus A passagem de Efésios 1:9,10 mostra-nos que Deus, finalmente, fará todas as coisas girarem em torno de Cristo, formando uma unidade. Essa é a sua vontade, vontade essa que envolve, finalmente, o que ele realizará. Outrossim, essa vontade de Deus estava oculta em mistério, tendo sido revelada por Paulo na epístola aos Efésios. Isso significa que aquilo que Deus tenciona fazer com todos os homens não era conhecido nos tempos do Antigo Testamento; e nem mesmo no Novo Testamento, enquanto Paulo não o revelou. Mas vemos, para nossa imensa satisfação, que a vontade de Deus abrange todos os homens, e que conseguirá realizar uma vasta e universal harmonia. Ver os artigos separados sobre a Restaura­ ção e sobre o Mistério da Vontade de Deus. Afirmo, alicerçado sobre os ensinamentos de largos segmentos da Igreja cristã histórica, de que há um ministério do Logos nos ciclos da eternidade, que ainda jaz no futuro; e que também ali (já no ministério celestial de Cristo) grandes coisas serão feitas em favor de todos os homens. Todavia, isso não fará todos os homens tornarem-se remidos, no sentido evangélico. Todavia, todos os que não forem salvos, serão restaurados. Os remidos serão aqueles poucos que participarão da natureza divina (ver II Ped. 1:4), por haverem sido regenerados; e os restaurados serão os demais homens. Isso só poderá redundar em bem para toda a espécie humana. De fato, pode-se esperar uma tremenda glória, em resultado disso, porquanto será a realização do Cristo 11

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