Revista O PROFESSOR Edição 09

 

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Relembre os alertas que o SINPRO ABC fez sobre a crise da água a 7 anos atrás.

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Entrevista: “Uma série de fatores tem impedido que a Amazônia tenha um desenvolvimento sustentável” - Aldalice Otterloo SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC abril/maio/junho de 2008 edição nº 09 Revista do Professor - SINPRO ABC 1

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DESNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA A venda de instituições privadas de Educação Superior para empresas internacionais é um crime contra a educação no Brasil. É inaceitável a ingerência de especuladores estrangeiros nos assuntos educacionais do nosso país. A educação desempenha um papel estratégico para o desenvolvimento e a soberania nacional. É urgente que o governo Lula tome medidas que impeçam o avanço dessas negociatas. EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA! 2 Revista do Professor - SINPRO ABC

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SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC Edição 09 - Abril/ Maio/ Junho 2008 Educação Ensino para todos ........................................... 12 05 Entrevista Aldalice Otterloo ........................................... E mais... Especial: Economizar água é sinônimo de preservar a vida .................................. 14 Defender a CUT contra a divisão, resgatar seus princípios históricos, por Julio Turra .................................................................................................................................. 20 Sebos: Livros bons e baratos ........................................................................................ 22 Cultura indígena nas salas de aula ............................................................................. 27 Amazônia e meio ambiente, por Raimundo da Cruz Neto...................................... 28 Mídias alternativas de informação ............................................................................. 30 Sala de aula: Civilização de índios civilizados, por Vagner Alaimo ....................... 33 Revista do Professor - SINPRO ABC 3

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Editorial Notícias frescas? Nem tanto... stamos novamente às voltas com as eleições. O movimento natural (ou nem tanto) das pesquisas impulsiona os personagens políticos que pleiteiam a sucessão na esfera municipal. Então, mais uma vez, nos deparamos com uma infinidade de propostas e plataformas eleitorais, que sabemos, de ante mão, poderão ou não fazer a diferença no cenário ampliado. O importante, nessa conjuntura, é aproveitarmos o momento para promover uma reflexão sobre os projetos apresentados nessa fase de campanha, avaliar o que realmente é realizável, portanto viável; incentivar o debate, abrindo espaços sérios para discussões em nossas salas de aula, nos locais de trabalho, com a vizinhança do bairro etc. Enfim, estamos novamente com papel e lápis nas mãos, escrevendo mais um capítulo de nossa história. Conjeturas eleitorais à parte, a Revista do Professor, em sua nona edição, aproxima-nos das questões sócioambientais que subsidiarão o Fórum Social Mundial 2009, que, sediado na Amazônia, amplia a observação e reflexão, em âmbito mundial, para a necessidade de implementação de ações que resultem no desenvolvimento sustentável dessa região, aprofundando discussões antigas sobre questões ambientais relacionadas à sobrevivência do próprio planeta. Nesse sentido, reafirmamos a necessidade de fundamentarmos nossas políticas educacionais na garantia de todos os direitos universais, que assegurem a toda sociedade ações educativas que implementem a inclusão, diminuindo as desigualdades. Trazemos, também, a discussão acerca da responsabilidade de introduzirmos atitudes que valorizem a vida e, conseqüentemente, os recursos naturais, acabando com o desperdício e incentivando o reaproveitamento, o reuso e a reciclagem. Destacamos, ainda, ações que induzam a discussão de aspectos fundamentais sobre nossa representatividade, viabilizando o resgate dos princípios históricos da Central Única dos Trabalhadores – CUT. Damos destaque às iniciativas culturais como os sebos, que proporcionam a circulação de livros, a preços reduzidos, na intenção de resgatar a leitura e ampliar espaços de convivência. Os sebos são pontos de promoção de cultura e informação, assim como os canais alternativos de comunicação, pontuados na editoria Nacional. Ações educacionais inclusivas para pessoas com necessidades educativas especiais e o cumprimento da legislação que insere o ensino da cultura indígena nas grades curriculares de escolas públicas e privadas também ganham espaço em nossa revista. Ainda, como contribuição sobre o aspecto da sustentabilidade, apresentamos o artigo Amazônia e o meio ambiente, de Raimundo da Cruz Neto, membro da Coordenação Estadual da Consulta Popular do Pará, e presidente da CEPASP – Centro de Educação Pesquisa e Assessoria Sindical de Popular, em Marabá. A seção Sala de Aula apresenta a contribuição do professor Vagner Alaimo, que discute aspectos sócio-culturais no texto Civilização de índios civilizados. O SINPRO-ABC reitera que a valorização de cada um de nós se faz, também, pela escolha de nossa valorização profissional e pela valorização de nossa categoria - trabalho que tem sido construído por nosso sindicato há mais de 20 (vinte) anos, visando a manutenção de direitos, que ajudamos a conquistar, e a anexação de novos direitos, luta intensificada por nossa ação sindical na defesa do trabalhador da educação. Para finalizar, informamos que, a partir da próxima Revista do Professor, ampliaremos nosso canal de comunicação, por meio da coluna Opinião. Nesse espaço, a categoria poderá participar, enviando críticas, elogios e sugestões, para que possamos, sempre, deixar nossa publicação com a cara do professor. Boa leitura e até sempre! Revista do E Publicação do Sindicato dos Professores de Santo André, São Bernardo e São Caetano Ano III - Número 9 - abr/mai/jun - 2008 - ISSN 1807-7994 - SINPRO ABC - Gestão 2007/2011 Projeto Gráfico: Mayra Monteiro e Israel Barbosa Capa: Israel Barbosa Tiragem: 4.000 exemplares SINPRO ABC - Rua Pirituba, 61/65 - Bairro Casa Branca - Santo André CEP 09015-540 - São Paulo www.sinpro-abc.org.br • imprensa@sinpro-abc.org.br Diretoria Executiva: Aloisio Alves da Silva, Célia Regina Ferrari, Denise Filomena L. Marques, José Carlos Oliveira Costa, José Jorge Maggio, Nelson Valverde Dias, Paulo Ostroski e Paulo Roberto Yamaçake Presidente: Aloisio Alves da Silva Diretora de Imprensa: Denise Filomena L. Marques Edição e reportagem: Mayra Monteiro - MTb 47.135 4 Revista do Professor - SINPRO ABC

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Entrevista “Uma série de fatores tem impedido que a Amazônia tenha um desenvolvimento Aldalice Otterloo, membro da organização do Fórum Social Mundial 2009 concede entrevista exclusiva à redação da Revista do Professor sustentável” Ary Souza / O Liberal desmatamento não é a única preocupação da população quando falamos em Floresta Amazônica. Além da extração indevida dos recursos naturais, a exploração sexual, o tráfico de crianças e a série de desrespeito aos direitos humanos dos habitantes também afligem os moradores da região ocupada pela maior floresta do mundo. Em entrevista ao Sindicato dos Professores do ABC, Aldalice Otterloo, membro do Colegiado de Gestão da Abong (Associação Brasileira de ONGs) e participante do Comitê de Facilitação do Fórum Social Mundial Amazônia 2009, fala O sobre a organização do FSM 2009 e os caminhos para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Acompanhe a entrevista concedida diretamente do Pará ao SINPRO ABC. Revista do Professor - O que levou a organização do Fórum Social Mundial a optar pela Amazônia como sede e foco da próxima edição, a ser realizada em 2009? Aldalice Otterloo – A idéia se deu, basicamente, pela questão das mudanças climáticas, Revista do Professor - SINPRO ABC 5

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Foto: Jefferson Rudy/MMA do aquecimento global e, fundamentalmente, por toda essa discussão sobre a internacionalização da Amazônia, além da história dos modelos energéticos, agrocombustível, expansão da monocultura em detrimento da produção de alimentos e, a partir daí, da questão da soja, da cana, do eucalipto, entre outros. Essas são situações que têm impactado nas questões ambientais porque, além da indústria madeireira, a expansão da pecuária e o avanço da monocultura têm contribuído sistematicamente para o aumento do desmatamento. Essas três ações, aqui na região do Pará, têm provocado não só as mudanças climáticas, como impactado na segurança alimentar. Então, essas foram algumas variáveis que trouxeram essa discussão para cá. Revista do Professor - Quais os objetivos do FSM 2009? O que ele tem de diferente das outras edições? Aldalice – Uma das coisas que nós temos discutido, não só com o Conselho Internacional, mas também em Abuja (Nigéria) e em outras reuniões realizadas com os nove países da Pan Amazônia é, justamente, focar no processo da articulação da identificação de lutas e temáticas que possam ser convergentes na construção de plataformas de ação comuns que resistam, enfrentem e proponham alternativas para esse modelo de desenvolvimento econômico imposto em nossa região. Revista do Professor – Em sua opinião, o que a Amazônia representa para o Brasil e para o mundo e qual o valor que as autoridades têm dado a ela? Aldalice – Para dizer honestamente, eu acho que os governos, independente da cor ideológica, ainda vêem a Amazônia apenas como uma reserva de recursos naturais que podem ser explorados em função do pagamento da dívida, da produção Pan- Amazônia: Área compreendida pela Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além da Guiana Francesa. A PanAmazônia é conhecida pela riqueza da maior biodiversidade do planeta e pela força e tradição dos povos e das entidades que constroem um movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento. 6 Revista do Professor - SINPRO ABC

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de commodities, da exportação para garantir um Alemanha, Espanha, Holanda, têm se mobilizado desenvolvimento ainda muito fundamentado para denunciar qual é a situação do comércio de numa concepção desenvolvimentista, ainda mulheres, por exemplo, daqui da Amazônia - via não equilibrado com o desenvolvimento social, Macapá e Suriname – para a Europa, para serem ainda não inserido num processo de justiça sócio- exploradas sexualmente. A mesma coisa tem ambiental em que a exploração dos recursos acontecido em Roraima, com a compra de crianças e naturais tem de ser racional. Falo racional, mas no exploração, ou, até mesmo, para tráfico de órgãos. sentido de preservação não só do equilíbrio do meio Essas coisas a Polícia Federal deveria fiscalizar ambiente, mas, também, dos povos, das culturas, do e o Exército controlar e não criar situações que fortalecimento da sociedade civil, da produção da criminalizam o movimento social e as ONGs agricultura familiar, fundamentada na agroecologia, que atuam na Amazônia, como se todas fossem na produção de alimentos sem violação do meio financiadas pelo grande capital, com funções de ambiente e sem a ‘desculturalização’ dos povos da repartir e distribuir a região. Quem está vendendo Amazônia. Na medida que avança a a Amazônia não são as ONGs sérias, monocultura e a disputa pela terra, do campo da Abong (Associação temos o trabalho escravo, exploração Brasileira de ONGs), e outras "Eu acho que sexual de crianças e adolescentes, o organizações comprometidas com os governos, tráfico de mulheres e impacto na saúde o desenvolvimento sustentável, independente da da população, fomento ao inchamento democrático, com sustentabilidade das cidades da Amazônia, que estão cor ideológica, ainda ambiental, com promoção e defesa dos vêem a Amazônia ficando cada vez mais insustentáveis. direitos, com uma nova relação entre apenas como uma Não tem habitação para todos, não tem Estado-sociedade e com o estímulo reserva de recursos a uma democracia participativa, com saneamento básico, equipamentos sociais como escola, postos de saúde, naturais que podem envolvimento dos povos não só da áreas de cultura e lazer. Amazônia, mas também de outras ser explorados em Com isso, vai se criando uma função do pagamento regiões do Brasil e da América Latina. população cada vez mais expropriada As organizações internacionais da dívida" não só da própria identidade, como estão construindo, desde 2001, e está acontecendo com os povos ampliando esse movimento cada vez indígenas, quilombolas, extrativistas. mais. Em 2001 (data da primeira edição do Fórum Não basta demarcar a área indígena ou Social Mundial, no Rio Grande do Sul), tínhamos 30 quilombola, tem que dar condições para ela se países e hoje temos mais de 150 países envolvidos, desenvolver, tem que dar condições para ela não ser dos cinco continentes. invadida, tem que dar condições de regularização Ocorre, ainda, uma descentralização enorme fundiária. Uma série de fatores tem impedido que a em termos de fóruns, já que temos o Fórum das Amazônia tenha um desenvolvimento sustentável, Américas, Fórum Europeu, Fórum Indiano, Fórum democrático, com promoção e garantia dos direitos Africano, reunindo sempre mais movimentos sociais humanos, na perspectiva dos Descas (Direitos e organizações da sociedade civil nessa perspectiva Econômicos Sociais, Culturais e Ambientais), que de construir essa alternativa para uma sociedade possam fortalecer, inclusive, essa identidade mais justa. multicultural da região e do país. Revista do Professor – Mas você acha que a Revista do Professor – O Fórum Amazônia deve ser explorada por outros países Social Mundial é um evento de proporções ou ela deve ser considerada um patrimônio internacionais, assim como a repercussão de exclusivamente brasileiro? temas ligados à Amazônia. Sendo assim, como os outros países participantes do FSM analisam Aldalice – Eu acho que os recursos naturais o problema do desmatamento, venda da floresta da Amazônia devem ser explorados racionalmente e outras questões? com a garantia de que os direitos dos povos da Amazônia sejam preservados e a qualidade de Aldalice - Com o tráfico de mulheres, vida da Amazônia, seja na área rural ou urbana, organizações da Europa, basicamente da Itália, seja garantida e preservada. A parceria com Revista do Professor - SINPRO ABC 7

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organizações internacionais que possam contribuir tem que ter critérios, fiscalização e um acordo internacional transparente, com controle social não só do governo, mas também da sociedade. Revista do Professor – A organização do Fórum sofre algum tipo de pressão, iniciada por algum órgão ou entidade, para dificultar ou barrar a realização do evento? Aldalice – Eu posso falar, agora, que estou no olho do furacão. Nos outros fóruns, eu atuei Revista do Professor – O Fórum será como participante, como representante da minha realizado efetivamente em 2009. Até a data, o organização, mas agora estamos no processo de que será realizado? construção não só das idéias e das possibilidades de intercâmbio cultural, Aldalice – Em Belém, estamos político etc, mas também na construção realizando um projeto chamado“Fórum "Não queremos da logística. Para isso, nós tivemos um na Praça”, que mobiliza e prepara apenas preparar apoio enorme dos governos Federal a comunidade local para receber o território para e Estadual, no sentido de construir as pessoas que chegam. Estamos o recebimento juntos os projetos que vão garantir a acompanhando e monitorando os do Fórum, mas logística e as condições necessárias projetos construídos na orla do evento, preparar sujeitos para receber um contingente grande para o debate, para porque as duas universidades ficam de pessoas. à beira do Rio Guamá. Nós estamos visibilidade das Claro que essa relação criando alternativas para que o acesso ações e das lutas historicamente nunca foi tranqüila. ao território não seja somente terrestre, que se dão aqui na Há um tensionamento, mas um mas também fluvial. Esse diálogo região" tensionamento até certo ponto é realizado por várias comissões e positivo. Cada vez mais, clareiam-se grupos de trabalho da sociedade quais os papéis dos sujeitos envolvidos, seja da civil (GT de Comunicação, Mobilização, Economia sociedade, seja dos governos. Essa infra-estrutura Solidária, Cultura, Metodologia, Juventude, Criança já deveria ser algo dado, porque se cada governo e Adolescente, Comitê Inter-religioso), então é investisse na melhoria das cidades, no saneamento uma efervescência de processos que estão sendo básico, no sistema de transporte, de comunicação, feitos para que possamos envolver a população de políticas públicas que pudessem garantir uma local, preparando-a para o debate de idéias. Não vida mais saudável e mais segura, não precisaria queremos apenas preparar o território para o investir tanto quando ocorre um evento dessa recebimento, mas preparar sujeitos para o debate, natureza numa cidade, pois isso exige a cobertura para visibilidade das ações e das lutas que se dão imediata de lacunas que são históricas e que, aqui na região. muitas vezes, não tem os recursos necessários Outras reuniões preparatórias serão para, naquele momento, fazer essas obras. realizadas ao longo desse ano, para definir os Embora estejamos avançando bastante no rumos e temáticas das discussões. As reuniões diálogo com os governos para que essas obras no Brasil discutirão temas específicos. No sejam duradouras e permanentes não somente Amapá, envolvendo Suriname e Guiana Francesa, na perspectiva do Fórum. abordará o tráfico de mulheres. Em Rondônia, com Por exemplo, o Fórum Social da Amazônia vai a Bolívia, tratará da Hidrelétrica do Rio Madeira. ser realizado nas duas grandes universidades federais Na relação Brasil – Acre, Colômbia e Venezuela (Universidade Federal do Pará e Universidade – serão debatidos os modelos energéticos e Federal Rural da Amazônia), que são dois espaços da integração regional e, assim por diante, nos juntos um do outro. Para isso, foi necessário muito “Encontros sem fronteiras”. investimento para as condições objetivas do Realizaremos, também, reuniões com recebimento e para desenvolvimento das atividades culturais, encontros inter-religiosos, espaços de convivência dos diferentes povos indígenas da Pan Amazônia, para que afrodescendentes e afro negritude dos quilombos e do movimento negro possam dialogar, ver quais os pontos de convergência, quais ações conjuntas podem ser efetivadas para realmente ter uma força maior de diálogo, de ação e de transformação na construção de um mundo mais justo e mais humano. 8 Revista do Professor - SINPRO ABC

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Ary Souza / O Liberal representantes do Comitê Internacional do Fórum e membros da Ásia, África, Europa, América do Norte, Paraguai, Bolívia, Argentina e Brasil para discutir a metodologia e questões operacionais do FSM. Revista do Professor - Como a sociedade pode participar do FSM 2009? Revista do Professor - Para finalizar, a saída da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afetou de que forma a luta pela defesa da Amazônia? O que ela representava para o país e para a floresta? Aldalice – Eu acredito que a saída da Marina simboliza um conflito de visões em relação ao Aldalice – A partir de agosto, desenvolvimento da Amazônia. Pelo teremos disponível no site do Fórum impacto que estamos sentindo das as inscrições de atividades e inscrição ações governamentais no conjunto O Fórum Social de participantes, assim como da região, realmente não eram inscrição para o Acampamento da Mundial será realizado compatíveis com aquilo que a ministra entre os dias 27 Juventude, hospedagem e uma série Marina queria e abertamente colocava de janeiro e 1 de de coisas. Os interessados devem nas suas intervenções e que tentou fevereiro de 2009, pagar uma taxa, que contribuirá desenvolver dentro do Ministério do no Pará. Em debate: na captação de recursos para Meio Ambiente. desmatamento, operacionalização do Fórum, já que não podemos ficar totalmente exploração sexual, dependentes das contribuições dos garantia de direitos, governos. Apesar de entendermos entre outros temas que quando solicitamos ajuda do governo, não estamos solicitando favores do governante, mas acessando recursos públicos que são de toda Mais informações sociedade para garantir o seu fortalecimento, Para obter mais informações sobre o Fórum numa perspectiva de mais autonomia, mais Social e realizar inscrições, basta acessar www. democracia e de mais participação. fsm2009amazonia.org.br Revista do Professor - SINPRO ABC 9

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Notas Ensino Médio terá Sociologia e Filosofia O presidente da República, em exercício, José Alencar, sancionou, em 2 de junho, a lei que torna obrigatório o ensino das disciplinas Sociologia e Filosofia nas escolas de Ensino Médio, públicas e privadas. A lei foi aprovada primeiro na Câmara dos Deputados, onde o projeto começou a tramitar em 2003, e no dia 8 de maio deste ano, no Senado. Fonte: MEC MEC descredencia quatro faculdades do Sul do país O Ministério da Educação decidiu descredenciar quatro faculdades mantidas pela União de Tecnologia e Escolas de Santa Catarina (Utesc), todas com sede no mesmo endereço, em Joinville. Um interventor foi nomeado para facilitar a transferência dos alunos para outras instituições. A entidade oferecia quatro cursos superiores e contava com cerca de 300 alunos. A decisão foi tomada após inspeção, motivada por denúncia, realizada pela Diretoria de Regulação e Supervisão da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec/MEC). A visita teve o acompanhamento de representantes da Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC) e do Ministério Público Federal. Desde outubro do ano passado, os estudantes tentavam a liberação, pelas faculdades, de documentos que possibilitassem a transferência. “O objetivo da nossa ação é resguardar os alunos, dar a eles o direito de continuar com seus cursos em outras instituições”, explica a diretora de Regulação e Supervisão da Setec, Andréa Andrade. Além da intermediação acadêmica a ser promovida pelo interventor, o MEC admite passar a responsabilidade pela oferta dos cursos, em especial o de design de interiores, para outra entidade, já que a Utesc era a única na região a oferecê-lo. Fonte: MEC Ensino Superior para todos: Financiar estudos fica mais fácil O Ministério da Educação modificou as regras para os empréstimos e, agora, os estudantes que quiserem solicitar o financiamento para os cursos de faculdades particulares terão mais recursos disponíveis e mais tempo para pagar. Em 2008, serão oferecidas 120 mil novas bolsas de estudo em instituições particulares de Ensino Superior. Os alunos poderão solicitar as bolsas para qualquer carreira acadêmica. São 47 mil bolsas integrais, com financiamento de 100% do valor dos cursos e outras 73 mil bolsas parciais, com financiamentos de 25 e 50%. A iniciativa é possível graças à interação do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) com o Programa Universidade para Todos (Prouni). “A novidade deste ano é que, por meio do Fies Solidário, em parceria com a Caixa Econômica Federal, será possível a todos os estudantes, que se habilitarem para as bolsas parciais do Prouni, o financiamento integral da diferença, com recursos do Fies”, explicou Haddad. Assim, quem conseguir uma bolsa do Prouni de 50%, poderá financiar os outros 50% pelo Fies. Fonte: MEC O SINPRO ABC quer ouvir você, professor! O SINPRO ABC quer ouvir a sua opinião. Escreva para sinpro@sinpro-abc.org.br e faça seu comentário, pergunta, crítica ou elogio à Revista do Professor. Caso queria publicar um artigo, entre em contato pelo mesmo endereço eletrônico. Outra ferramenta de interatividade é o Blog do SINPRO. Nesse espaço, a categoria opina e tem voz ativa. Não deixe de acessar: http://sinproabc.blog.uol. com.br. No SINPRO ABC, o professor participa! 10 Revista do Professor - SINPRO ABC

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OMS alerta sobre impactos das mudanças climáticas para saúde humana A Organização Mundial de Saúde (OMS) aproveitou o Dia Mundial da Saúde para fazer um alerta sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde humana. De acordo com a Organização, o aumento da temperatura do planeta colabora para a manutenção e ampliação de doenças tropicais e negligenciadas, como malária, cólera e tuberculose. Para enfrentar o agravamento das epidemias, governos e sociedade foram orientados a intensificar os investimentos em saúde pública, saneamento e defesa civil. “As mudanças climáticas colocam em risco a saúde humana”, destacou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em comunicado divulgado pela organização. “O aquecimento do planeta será gradual, mas o efeito de tempestades, enchentes e secas é abrupto e imediato. ”Segundo a OMS, a onda de calor na Europa, em 2003, que matou cerca de 70 mil pessoas, é um exemplo de impacto negativo das mudanças climáticas. As epidemias de malária na África e de cólera, na Ásia, também são citadas no alerta da organização. Para minimizar os efeitos dos desequilíbrios ambientais, a OMS aposta no apoio às iniciativas comunitárias e movimentos de mulheres, especialmente nos países em desenvolvimento com populações vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Fonte: Agência Brasil Portal da Capes ganha mais de 170 títulos de 15 disciplinas A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) conta com mais uma ferramenta para divulgar periódicos acadêmicos. O ministro Fernando Haddad e o presidente da Capes, Jorge Guimarães, lançaram a mais nova aquisição do banco de periódicos da Coordenação, o banco de dados JSTOR. São mais 174 títulos disponíveis no acervo do Portal de Periódicos Capes. A coleção adquirida é o primeiro título da Coleção Artes e Ciências da JSTOR. Abrange 15 disciplinas, com publicações voltadas para áreas como Economia, História, Ciências Políticas, Sociologia, além de títulos sobre Ecologia, Matemática e Estatística. Organização criada nos anos 1990, a JSTOR conta hoje com 1 bilhão de acessos ao ano por parte de 4 mil instituições de ensino em todo o mundo, segundo o diretor de relacionamentos da instituição, Bruce Heterick. De acordo com o presidente da Capes, outros bancos de dados da JSTOR também devem ser adquiridos. Criado em 2000, o portal de periódicos da Capes já dispõe de mais de 12,3 mil veículos no formato eletrônico, possibilitando a instituições de Ensino Superior, de todo o país, acesso rápido a novos periódicos lançados no Brasil e no exterior – além de economizar espaço em bibliotecas universitárias. A base de dados JSTOR se une agora a outras 126 bases já disponíveis no Portal Capes (www.capes.gov.br). Fonte: MEC Encontro internacional aprova proposta da CONTEE O Encontro sindical “Nuestra América”, realizado no mês de maio em Quito, no Equador, aprovou manifesto “Contra la Desnacionalización de la Educación”, dando apoio total à Campanha da CONTEE “Educación no Es Mercancia”. Representantes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Porto Rico, México, Cuba, Jamaica, República Dominicana, EUA, Canadá, Equador e Brasil, aprovaram com entusiasmo as propostas apresentadas pelo representante da CONTEE, professor Edson de Paula, Secretário de Assuntos Jurídicos da entidade. Fonte: Contee Revista do Professor - SINPRO ABC 11

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Educação Educação para todos Israel Barbosa er diferente é característica comum entre todos os seres humanos. Cada um possui sua própria identidade, seus anseios, pensamentos, que tornam 'único' cada indivíduo. Além de aspectos físicos e emocionais, nos diferenciamos pelas habilidades e competências, fundamentais para determinar nosso ritmo de aprendizado. Apresentamos dificuldades em algumas áreas, mas, em contrapartida, mostramos mais facilidade em outras. Isso ocorre com todo mundo. Na sala de aula, um aluno com necessidades educativas especiais (PNEE) é diferente de qualquer outro estudante, sim, assim como todos os demais são diferentes e únicos. Ao longo do tempo, o conceito ‘deficiência’, seja ela física, mental, visual, auditiva, de fala, emocional ou comportamental, mudou para ‘necessidades especiais’. Com a transformação do termo, evoluíram, também, as leis e a inclusão dessas pessoas na sociedade. S Inclusão escolar Em 1994, na Espanha, a ONU lançou a Declaração de Salamanca - Procedimentos Padrões das Nações Unidas para a Equalização de Oportunidades para Pessoas Portadoras de Deficiências. O documento destaca a necessidade de “os Estados assegurarem que a educação de pessoas com deficiências seja parte integrante do sistema educacional”. Em outras palavras, a educação é direito fundamental de todos. No Brasil, dia 13 de maio deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. De acordo com a secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, Cláudia Pereira Dutra, “no que diz respeito à educação, a Convenção assegura a inclusão educacional das pessoas com deficiência, em todos os níveis de escolaridade, por meio do Artigo 24, que garante, por exemplo, que nenhuma pessoa com necessidades especiais 12 Revista do Professor - SINPRO ABC

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seja excluída do sistema educacional geral sob alegação de deficiência”. Promover ações de acessibilidade nos recursos, equipamentos, materiais didáticos e pedagógicos e nos prédios escolares, com o objetivo de garantir o acesso e a permanência de pessoas com deficiência nas classes comuns do ensino regular são outros pontos fundamentais apontados no documento. ou classe especial e ir para a classe comum do ensino regular”, completa Tessaro. O papel dos profissionais da educação Incluir um aluno com necessidades educativas especiais em uma sala regular exige atenção, dedicação e preparo do professor e da escola. Para as especialistas em educação especial, Longe do ideal Soraia Napoleão Freitas e Sabrina Fernandes de Castro, “ao professor da sala de aula comum é Em 2005, a psicóloga Dra. Nilza Sanchez imprescindível, além da capacitação e de apoio, Tessaro realizou pesquisa de campo com que ele esteja preparado para receber o ‘novo professores e alunos ligados à educação inclusiva aluno’, para que a inclusão não seja somente física, e levou aos entrevistados questões como: “Qual é mas que haja uma aprendizagem a opinião dos alunos com deficiência significativa para todos os alunos”. e dos professores sobre inclusão?”, Durante as aulas, o profissional “A escola possui infra-estrutura “Ao professor da da educação deve estimular e adequada para participar da inclusão sala de aula comum desenvolver as potencialidades escolar?”, “Os alunos deficientes se é imprescindível, do estudante especial, tratando-o sentem bem com a inclusão escolar?” além da capacitação com a devida atenção. A troca e “Os professores estão capacitados e de apoio, que ele de experiências com outros para educação inclusiva?”. Com esteja preparado para profissionais que atuam com base nas respostas obtidas dos 140 consultados, a psicóloga constatou receber o ‘novo aluno’, pessoas com necessidades especiais para que a inclusão também garante enriquecimento que “os conceitos sobre inclusão são não seja somente e amadurecimento. “Compartilhar insatisfatórios e não houve diferenças física, mas que haja experiências é fundamental para a entre os alunos e professores uma aprendizagem formação continuada em educação, quanto a essa dimensão”. Ambas as pois os conhecimentos teóricos categorias entrevistadas apontaram significativa para somente não bastam. É necessária a dificuldades no processo de inclusão todos os alunos” participação nas mudanças sociais, escolar e destacaram a falta de infracomo agente de formação e não estrutura das escolas, a falta de preparo apenas transmissor de conhecimentos, cabendoe capacitação profissional, discriminação social e lhe aprimorar-se pessoal e profissionalmente”, a falta de aceitação da inclusão como principais destacam as educadoras. obstáculos para o sucesso da educação inclusiva. À escola cabe o dever de contribuir na “Pesquisas têm confirmado que a inclusão qualificação dos profissionais e dar acessibilidade escolar vem se efetivando de forma inadequada, aos alunos em questão, não somente no que diz longe do ideal, revelam o pouco interesse e respeito à educação, mas, também, à inserção investimento neste processo. Com isso, pode se social e cultural. O investimento no profissional dizer que não se deve simplificar o complexo, ou trará melhorias à qualidade de ensino e, seja, achar que incluir signifique apenas mudar o conseqüentemente, à escola. aluno de endereço, ou seja, sair da escola especial Referências bibliográficas TESSARO, N. S. - Inclusão escolar: concepções de professores e alunos de educação regular e especial. 1ª. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005. v. 1. 203 p. CASTRO, S. F.; FREITAS, N. S. - Representação social e educação especial: a representação dos professores de alunos com necessidades educativas especiais incluídos na classe comum do Ensino Regular. 2003. Disponível em: - 2004. Artigo científico. Revista do Professor - SINPRO ABC 13

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Especial Economizar hoje para garantir a vida A vida sem água é uma situação que não podemos imaginar e muito menos vivenciar. Por isso, preservar e economizar esse bem fundamental é defender o direito à vida. Hoje tem, amanhã, quem sabe? Ilustração: Israel Barbosa 14 Revista do Professor - SINPRO ABC

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ão é novidade anunciar que o terá acesso a porção mínima individual de água Planeta Terra, chamado também para as necessidades básicas. Diante desse cenário, de planeta água, não está em sua alerta o geólogo, projeta-se que a próxima guerra melhor fase, no que diz respeito mundial será pela disputa da água. E o que o Brasil a assuntos ambientais. Falamos de aquecimento tem com isso? global, desmatamento, poluição, entre outros, Ao lado de países como Rússia, China e mas não podemos esquecer das discussões com a Canadá, o Brasil controla reservas de água potável questão da água. Por mais que se fale em economia no mundo. Reparem que o Brasil é o único na de água, parece que a população ainda não se América Latina... deu conta da gravidade do problema. Quando Com a detenção das fontes hídricas, prevêserá que isso vai acontecer? Quando, ao abrirem se que a água, futuramente, poderá ser vendida a as torneiras, não cair uma gota d´água sequer, não preços superiores aos do petróleo, o que colocaria por conta de rodízio ou manutenção o Brasil na mira da guerra. Outro das redes de abastecimento, mas, sim, ponto agravante é o fato de o Brasil "Quando abrimos a por não haver mais reserva de água torneira, costumamos ser o maior detentor de água doce para suprir nossas necessidades? superficial disponível no planeta, com cometer o erro de Antigamente, observávamos cerca de 15% de todo o mundo. Deter pensar que a água as reflexões sobre os benefícios da água é deter o poder. pode ser utilizada água para nossa saúde e vida. Hoje, Jacobi explica que a sem nenhuma atrelado a esse conceito, precisamos distribuição de água no Brasil é feita preocupação. alertar, sempre, para uma possível falta de forma muito irregular: “O Brasil é Desconhecemos, desse bem natural e fundamental no altamente privilegiado em termos mundo, caso o desperdício continue. assim, que se trata de de disponibilidade hídrica global. Acredite, a água é um recurso natural Nós temos um volume médio anual um recurso natural, e pode acabar! finito e que a cada dia de 8.130 km3, que representa um Para a Companhia de Tecnologia torna-se mais caro e volume por habitante de 50.810 m3/ de Saneamento Ambiental do Estado hab/ano”. “Estes números devem ser escasso" de São Paulo, Cetesb, o problema da encarados com uma certa reserva, escassez de água em todo mundo pois a distribuição de água no Sabesp dá-se pela desigualdade social e pela Brasil também é bastante irregular. falta de manejo e usos sustentáveis A Amazônia, o lugar mais rico em de recursos naturais. água potável superficial de todo o Planeta, está distante dos grandes centros urbanos nacionais”, Planeta água, país água complementa o geólogo. Jacobi destaca que “é muito importante Se olharmos a imagem do Planeta Terra, dizer que apesar de termos a impressão de que a compreenderemos o motivo pelo qual é conhecido água está desaparecendo, a quantidade de água como Planeta Água. O globo azul é composto de na Terra é praticamente invariável há centenas 2/3 de água. Isso, entretanto, não significa que de milhões de anos, ou seja, a quantidade de todo esse volume é apropriado para o consumo. água permanece a mesma o que muda é a sua Pelo contrário, segundo a ONG Universidade da distribuição e seu estado”. O que torna a água Água, menos de 3% do total é composto por água imprópria para o consumo são contaminações e doce. Achou pouco? Então veja: somente 0,007% a poluição. Assim como a população, o governo pode ser encontrada em locais de fácil acesso para e as grandes empresas têm responsabilidade na o consumo humano. Ou seja, a situação é bem preservação e racionamento do uso da água. mais delicada do que parece. José Galizia Tundisi, presidente do Instituto O geólogo Pedro Jacobi, no artigo “A Internacional de Ecologia de São Carlos e autor água na Terra está se esgotando?”, aponta dados do livro “A água”, em entrevista à ONG ACMA, preocupantes do relatório anual da Organização Associação de Cultura e Meio Ambiente, ressalta das Nações Unidas. De acordo com o documento, que “essa questão da escassez é relativa e está em 2050, mais de 45% da população mundial não muito ligada aos usos múltiplos da água e com N Revista do Professor - SINPRO ABC 15

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