Edição 204

 

Embed or link this publication

Description

Edição 204 da Revista Jornauto

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2



[close]

p. 3



[close]

p. 4

EXPEDIENTE - EDITORIAL Navegando pelo Mar Morto Exagero, claro, mas certamente teremos de atravessar por águas de poucos peixes, que serão disputados a tapa pelos pescadores profissionais. A má notícia é que o crescimento da economia não será de 3% como prega o governo no seu orçamento para 2015. Fontes de confiança falam em menos de 1%. Claro que não será um desastre total, afinal, o Brasil está entre as dez maiores economias do mundo e tem um mercado consumidor de mais de 200 milhões de pessoas. A expectativa fica com a nova equipe de ministros que deverão tomar medidas saneadoras. Provavelmente duras, mas criando novas esperanças e, assim, incentivando novos investimentos. Apenas uma coisa me intriga: A Rússia tem um PIB 5,5% menor do que o do Brasil, mas detém uma das mais avançadas tecnologia aeroespecial do mundo, chegando ao ponto de depender totalmente deles a sobrevivência da estação orbital. Sem falar do seu poderio bélico, de assustar o mundo. Vejam na tabela, os dez maiores PIBs previstos para este ano. Em trilhões de dólares. Dados recentemente divulgados pela ABCR - Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, diz que, entre outubro de 2013 e outubro de 2014, houve uma queda 3% no fluxo de caminhões nas estradas administradas por elas. Mas, o transporte pesado cresceu 1,1% entre setembro de outubro. A esperança é que seja uma tendência ou apenas uma substituição das barcaças que não podem navegar em águas rasas. Segundo a Consultoria Tendências, o segmento de transporte rodoviário de carga representa 17,5% do setor de serviços e tem uma receita estimada em 5,5% do PIB. Mas o IBGE dá a boa notícia. Como sempre, vem do setor agrícola, com a previsão de uma produção de quase 200 milhões de toneladas de grãos em 2015, aumento de 2,5% em relação a este ano, com início da colheita em março. Este ano, apesar da seca, a safra foi de 194 milhões de toneladas, 2,8% superior à de 2013. Os números da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, preveem uma safra de 194,4 a 200 milhões de toneladas. Os fabricantes de veículos continuam totalmente perdidos com relação ao que vai acontecer em 2015. É o que se constata nas diversas palestras feitas em eventos do setor. Mas, a maioria acha que os números deste ano se manterão inalterados, isto é, o crescimento será zero. O mercado ficará estável, o que não chega a ser uma má notícia. As vendas de veículos comerciais deverão girar em torno de 130 mil unidades, mas a produção dependerá do estoque com que cada marca atravessar o ano. O importante, dizem os marqueteiros, é não perder participação e cuidar muito bem da imagem do produto. A revista Jornauto termina o ano com um novo site, mais moderno, informativo, dinâmico e abrangente. A novidade maior, e totalmente inovadora, é oferecer aos fabricantes de caminhões uma página diferenciada. Cada marca terá seu próprio espaço e o conteúdo dependerá, unicamente, das assessorias de cada uma delas. Mandou notícia, nós publicamos. Achamos que isso é absolutamente necessário para uma publicação bimestral. Assim, daremos vazão imediata a cada novidade que surgir no mercado. Enquanto isso, a nossa equipe de colaboradores trabalha na produção de matérias exclusivas. Fonte: Anfavea (com CKD) (*) inclui importados, inclusive pelas próprias montadoras. Gilberto Gardesani no evento de lançamento do novo Iveco Tector 150E21 Economy 4X2 10 maiores PIBs previstos para 2014 1 - USA 2 - China 3 - Japão 4 - Alemanha 5 - França 6 - Reino Unido 7 - Brasil 8 - Itália 9 - Rússia 10 - India 17.528 10.027 4.846 3.875 2.885 2.877 2.215 2.171 2.092 1.895 Edição: Gilberto Gardesani editoria@jornauto.com.br Membro da Cadastro: cadastro@jornauto.com.br Distribuição/Assinaturas: assinatura@jornauto.com.br Assistente: Giulio Gardesani Tuvacek giulio.gardesani@jornauto.com.br Colaboradores: Adriana Lampert (RS) Alexandre Akashi (SP) Antonio Ferro (SP) Eliana Teixeira (ES) Fernando Calmon (SP) Guilherme Ragepo (BA) Luís Perez (SP) Mauro Geres (SC) Paulo Rodrigues (RS) Ricardo Conte (SP) Cultura automotiva EDIÇÃO 204 - Dezembro- 2014 Diretoria: Gilne Gardesani Fernandez Gisleine Gardesani Tuvacek Administração: Neusa Colognesi Gardesani Produção Gráfica: Daniel Moscardo Impressão: DuoGraf Uma publicação da Comercial: Sérgio Ribeiro sergio.ribeiro@jornauto.com.br Rua Oriente, 753 - São Caetano do Sul - SP Cep. 09551-010 PABX: (5511) 4227-1016 contato@jornauto.com.br www.jornauto.com.br Circulação Nacional: Distribuição dirigida aos diretores e principais executivos que decidem pelas marcas de veículos e peças utilizadas em suas empresas, nos segmentos de frotistas urbanos e rodoviários de cargas e passageiros, rede oficial e independente de oficinas mecânicas, retíficas, varejistas e distribuidores de autopeças, fabricantes de veículos, concessionários, autopeças, equipamentos, prestadores de serviços, sindicatos e associações de classes que representam todos os segmentos do setor automotivo brasileiro. Auditada pelo: Nosso perfil (our profile): www.jornauto.com.br 4 Revista Jornauto

[close]

p. 5

Faça revisões em seu veículo regularmente. INVESTIMENTO BOM É ASSIM: RENDE MUITO NO SEU BOLSO E MAIS AINDA NA ESTRADA. • COMPRE PELO FINAME: 10% de entrada, 60 meses para pagar* Versões 6x2 e 6x4 Motor Cummins 410 cv CMT 60 a 78 ton Versões 4x2, 6x2 e 6x4 Motor MWM 274 cv PBT 16 a 26 ton www.internationalcaminhoes.com.br *Crédito sujeito a aprovação e disponibilidade de recursos do BNDES. Entrada de 10% para empresas com faturamento inferior a R$ 90 milhões, superior entrada de 20%.

[close]

p. 6

CARGAS Iveco desenvolve versão Tector Economy para 15 toneladas Gilberto Gardesani | São Paulo - SP Na busca por nichos ainda não explorados pela marca, engenharia brasileira desenvolveu uma versão considerada ideal para esse segmento. A Iveco tem a família Vertis para 9 e 13 toneladas de PBT e a família Tector para 17 e 23 toneladas de PBT. No caso, a melhor solução encontrada foi utilizar a plataforma do Tector, desenvolver um novo motor de quatro cilindros mais potente, aplicar as soluções exigidas pelo mercado e, assim, atender da melhor maneira possível um segmento destinado especificamente ao transporte de cargas urbanas e interurbanas. A Iveco possui um Centro de Desevovimento de Produtos completo, no seu complexo industrial de Sete Lagoas onde já ultrapassou a marca de 300 mil unidades produzidas. Hoje, possui uma linha completa de produtos, desde semileves, passando por leves, médios, semipesados, pesados e extrapesados. Acaba de lançar seu primeiro chassi de ônibus, o modelo 170S28 para o segmento de 17 toneladas de PBT. Participa com cerca de 9% do mercado total de veículos comerciais. “Nove em cada dez compradores aprovam o Tector. Procuramos manter nessa nova versão todos os atributos que tornaram o veículo tão reconhecido pelos nossos compradores. O Tector 15 toneladas é perfeito para entregas urbanas e apresenta desempenho igualmente excepcional em distâncias curtas e médias em rodovias”, afirma Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina. Marco Borba Mercado específico Pesquisas da Iveco mostraram que esse segmento de 15 toneladas, de caminhões semipesados, é de cerca de 15% do mercado total. Constatou que é uma fatia significativa de mercado que não pode ser ignorada, pois tem vendas estáveis, com um volume que pode atingir até de 4.000 unidades por ano. Geralmente, são utilizados por pequenos e médios frotistas na distribuição de cargas nos ambientes urbanos e interurbanos, entre cidades próximas e grandes metrópoles. Os maiores centros consumidores estão em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, e se destacam no transporte de alimentos, materiais de construção e metais em geral. “Estamos estreando no segmento com um veículo cujo nome já tem tradição. Com o novo Tector 15 toneladas Economy, a Iveco oferece ao mercado uma opção que une três características desejadas pelos clientes: robustez, versatilidade e baixo consumo de combustítvel. Além disso, a geração Economy chega para somar ainda mais atributos à gama Tector, que, como dizemos, quem prova, aprova. É um caminhão que leva economia até no sobrenome”, 6 Revista Jornauto

[close]

p. 7

Características técnicas A Iveco garante que o novo produto é o que oferece a maior potência e o maior torque da categoria, aliados a uma significativa economia de combustível, até 15% superior ao líder de vendas do segmento. A engenharia pegou o motor de 4 cilindros FPT NEF4 de 3,9 litros utilizado no Vertis e passou para 4,5 litro, adicionou um novo turbo e obteve 206 cavalos de potência máxima (a 2.500 rpm) e torque de 720 Nm, na faixa que vai de 1.350 a 2.100 rotações. Assim nasceu o FPT N45 equipado com um sistema de injeção common rail de segunda geração, com 1.600 bar de pressão. O trem de força é completado pela transmissão mecânica Eaton, de seis marchas, com novo acionamento a cabo, mais fácil de manejar. Destaque para o eixo traseiro Meritor MS 23-235 que vem com duas relações de redução. Diz a Iveco que, na caixa baixa, com carga que exige mais força do veículo, oferece ao motorista condições de sobrepor obstáculos do dia a dia com maior facilidade e, na caixa alta, permite guiar o veículo em situações que requerem menos força do conjunto motriz. Está equipado de série com ABS + EBL e ajuste automático das folgas das lonas de freios. O cubo de roda é banhado a óleo. A Iveco garante que o sistema reduz paradas para manutenção e aumenta a disponibilidade do veículo. O Tector 150E21 Economy tem dois anos de garantia. A Iveco possui uma rede de aproximadamente 100 concessionárias cobrindo o território nacional e serviço de atendimento de emergência 24 horas, conhecido por Programa Assistance Non-Stop. Christian Gonzalez afirma Christian Gonzalez, diretor de Marketing da Iveco. Estes são os concorrentes mais diretos: Ford Cargo 1519, VW Worker 15.190, VW Constellation 15.190, além do MB Atego 1419, o MB Atron 1319. Clientes exigentes As Pesquisas realizadas pela Iveco também demonstraram que quanto menor for o cliente, mais exigente ele é. Dirigem seus próprios negócios e não abrem mão da qualidade, preço, conforto, desempenho, versatilidade e, principalmente, economia de combustível. Olham e analizam os menores detalhes. “Com o novo produto, podemos atender tanto as grandes redes de transportadores quanto os pequenos e médios frotistas, que podem preferir um caminhão de 15 toneladas, em vez de adquirir um de tonelagem superior, desde que, como é o caso do Tector, tenha capacidade e robustez suficientes”, completa Gonzalez. Com esses dados na mão, o fabricante decidiu pela utilização da plataforma do Tector, isto é, criar um bom produto de cima para baixo, no lugar de utilizar a plaforma do Vertis e trabalhar para desenvolver um produto “mais reforçado”. E, assim, nasceu a versão Tector 150E21 Economy 4X2, nova opção de caminhão na categoria de comerciais semipesados que a Iveco acredita ser um dos melhores disponíveis no mercado brasileiro. Os fabricantes consideram caminhões pesados apenas aqueles que tem um PBT acima de 16 toneladas. Conforto é fundamental Para operar em trechos com tráfego geralmente pesado, é necessário dispor de uma cabina confortável, mesmo porque, com a carência de profissionais do volante, fica difícil conseguir interessados. Esse item ajuda nesse quesito. A engenharia de Iveco também se preocupou com esse detalhe e trabalhou para tornar a vida a bordo mais confortável possivel. De série, vem com banco de motorista com regulagem de altura, do passageiro biposto, escotilha de teto, porta-estepe, volante com regulagem de altura e profundidade. O ar-condicionado é opcional, quando deveria ser de série. A engenharia da Iveco apoiou a cabina em molas helicoidais na parte traseira e, com isso, diz que conseguiu um bom resultado, suavizando o movimentos e tornando a viagem mais prazerosa. Informa que os tecidos usados no seu interior são os mesmos do Tector Stradale, versão Premium da linha, conferindo um ar mais sofisticado ao veículo. O chassi foi equipado com novas molas parabólicas na dianteira, possibilitando capacidade maior de absorção de impacto, principalmente em trechos onde as vibrações são elevadas. As molas montadas na suspensão traseira também são parabólicas, de duplo estágio, para se adaptar melhor a todos os tipos de terreno. Elas são ideiais para distribuir melhor os impactos e contribuem significativamente para melhorar a estabilidade do veículo. Também são mais leves e podem suportar pesos maiores de carga. Revista Jornauto 7

[close]

p. 8

MERCADO As estradas falam, a Mercedes-Benz ouve Por Ricardo Conte | São Paulo - SP Seguindo esse conceito, o vice-presidente de Vendas e Marketing da Mercedes-Benz, Roberto Leoncini, ficou mais fora do que dentro da fábrica. “O cliente continua sendo a peça mais importante no negócio de caminhões”, afirma. O cupou parte de seu tempo conhecendo o portfólio da marca, muito maior e mais completo, tanto em caminhões quanto em ônibus, que a concorrente sueca Scania, onde atuou por 26 anos. “Vim de lugar onde a minha responsabilidade era bem clara no mercado de extrapesados ao semipesados. Aqui tenho que fazer minha lição pessoal de casa em segmentos menores (de médios, leves e semileves). Nesse começo fiquei mais focado em entender isso, olhar e expandir suas possibilidades”, disse. Fez contatos com clientes e parte da rede de concessionárias – muito maior com 184 casas contra 100, portanto, mais complexo com maior cobertura. Fez três viagens para a Alemanha e Mato Grosso. “Toma um tempo para a gente conhecer as pessoas e saber como tudo funciona”, complementa. Marco Borba Rede pode dar novos passos Mesmo bem distribuída, a rede vai sofrer mudanças, de um lado, para acompanhar as novas rotas surgidas, como aquelas para escoar a safra do agronegócio. “Temos a soja agora saindo via Pará”, informa. Atento a essas mudanças junto à Assobenz, que representa a rede, implementará novos modelos para continuar perto da frota dos clientes. De outro lado, sair de dentro das cidades, que expandem mais rápida do que o deslocamento da revenda. A princípio pensa em montar postos de serviços avançados, antes de migrar para um full dealer, ou operações remotas junto à oficina das novas bases de manutenção e abastecimento dos clientes. “Posso pegar carona nessa logística e compartilhar novas operações. O importante é não deixar essas novas fronteiras agrícolas descobertas”, argumenta. Como atendem desde furgões a vans para passageiros, segundo ele, vai chegar um momento que terá de fazer dois tipos de atendimentos para cada ponta do mercado. Estar instalada na cidade não é uma desvantagem competitiva, mas uma vantagem para alguns segmentos. “Só vamos estabilizar melhor o atendimento do caminhão pesado e extrapesado, ficando um pouco mais distante do centro urbano”, argumenta. Nem sempre pedem melhorias tecnológicas, mas preferências, como o retorno do freio a tambor para modelos como Axor e Actros. Leoncini acredita que os semipesados Atego evoluirão na configuração de 8×2 de fábrica, hoje atendido na forma de kit. “Não faz sentido implementar um eixo fora. Estamos vendo onde podemos entregar o veículo completo. Temos várias iniciativas, inclusive para nichos específicos nos fora de estradas. Só posso dizer que teremos surpresas para 2015 e 2016”, garante. Vocacionar as fábricas Informa que está vocacionando a planta de Juiz de Fora para ser produtora de cabinas e, ao mesmo tempo, a de São Bernardo do Campo para ser uma montadora de caminhões. O Acello volta a ser produzido na Grande São Paulo, menos o Actros que continuará saindo de Minas Gerais. Outra novidade é que o modelo Premium Actros poderá ser 100% financiado a partir de janeiro próximo. “Atingimos os índices de peso e valor para sair do Finame parcial. Vai brigar pesado com modelos mais tradicionais”, afirma. Segundo Leoncini, não é uma decisão pensando em dois ou três anos, mas uma estratégia de longo prazo. “Não adianta pensar só no amanhã, mesmo porque novas normas de emissões virão. Temos que estar preparados”, lembra. Voltar à liderança é uma questão de tempo. Segundo a Anfavea, apenas 583 unidades o separava da líder MAN/VWC no acumulado até novembro. “A liderança é uma soma de ações e atitudes. A equipe já vinha agindo com essa consistência, antes de eu chegar aqui”, finaliza. De vilão a herói? No passado, Leoncini roubou a liderança da Mercedes-Benz no segmento de extrapesados, para a Scania, agora terá virar esse jogo. Disse o VP que seu objetivo é criar estratégias no campo junto com o atual time de engenheiros, desenvolvedores e rede com lances inteligentes para mostrar-lhes que o extrapesado da marca é uma opção com custo de operação competitivo e, ao mesmo tempo, resgatar o orgulho da marca junto aos motoristas. “Estamos voltando a falar muito com eles em eventos”, disse. Para isso, vai incrementar encontros para test drive e conversar mais com os profissionais do volante. “Sempre fiquei muito na rua e escutei. Nosso mote é as estradas falam, a Mercedes ouve. A gente tem que escutar e devolver soluções até para os segmentos Leves e Médios, que não é minha praia”, brinca. 8 Revista Jornauto

[close]

p. 9

SEMINÁRIO Lideranças discutem perspectivas para 2015 Alexandre Akashi | São Paulo - SP Mesmo com crise econômica e baixo crescimento, setor de reposição tem motivos para comemorar, apesar de ainda precisar trabalhar de forma mais profissional e investir mais em capacitação da mão de obra A Uma deficiência muito grande do aftermarket automotivo brasileiro é a falta de dados, informações e estatísticas, elementos fundamentais para se tomar decisões estratégicas e matéria-prima de quem pensa no futuro do negócio. Porém, pode ser que em breve surja uma luz no fim deste túnel obscuro, uma vez que os principais sindicatos do setor (Sindipeças, Sindirepa e Sincopeças) encomendaram, da Roland Berger, um STEPHAN KEESE estudo sobre o cenário macroeconômico, frota, canais de reposição, movimentação das montadoras e de consolidação e rentabilidade no setor. Este foi um dos principais temas debatidos durante o 20º Seminário da Reposição Automotiva, realizado em São Paulo. O consultor Stephan Keese, da Roland Berger, apresentou uma prévia do estudo. “Após um ano difícil, o mercado de veículos deve crescer, mas em nível moderado, até 2020”. Aponta, como fatores responsáveis para este resultado, o maior poder de compra, aumento e renovação da frota, elevação do valor dos veículos, mudanças regulatórias e no comportamento do consumidor. “É esperado que o mercado de reposição alcance R$ 17 bilhões em 2020”, concluiu. O evento contou ainda com a participação de lideranças do setor e analistas de mercado, que abordaram o atual cenário do aftermarket, com atenção especial na formação de mão de obra, um dos principais gargalos da indústria da reparação e reposição de autopeças. Mão de obra Incentivar a atualização profissional de quem já está no mercado foi uma das soluções propostas pelos representantes das entidades participantes do debate sobre Os desafios da mão de obra na reposição. Esta é uma das ideias de Luís Norberto, presidente do Grupo DPaschoal, que desenvolve um trabalho especial para qualificar os colaboradores e também reparadores em todo o País, por meio do projeto Maxxi Training. “Treinamos 44 mil homens/hora e conseguimos reter 20% desse contingente”, LUÍS NORBERTO afirmou. Segundo Norberto, indústrias e fornecedores têm colaborado para levar conhecimentos aos profissionais. Na sua visão, a indústria, em parceria com distribuidores, deve promover treinamento aos profissionais do varejo e oficinas. “Também é preciso aprimorar sistemas de gestão, pois o mercado deverá passar de 30 a 40 mil CKUs para 100 mil CKUs nos próximos anos devido à variedade de modelos e marcas da frota”, complementou o empresário, que é engajado em projetos sociais relacionados à educação por meio da Fundação Educar, criada em 1989. Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças-CE, aproveitou para compartilhar a experiência no Estado que representa juntamente com o Sebrae, e que atualmente atende profissionais de 90 empresas. “Com isso, estamos mudando a cara do setor no Estado”, ressaltou. Quem também sofre com a falta de mão de obra especializada é a indústria, e o conselheiro do Sindipeças, Ali El Hage, apresentou alguns resultados do Instituto Sindipeças de Educação Corporativa, que conta com cinco escolas voltadas para manufatura, gestão de pessoas, gestão de mercado, gestão de negócios e sustentabilidade. “Treinar é investimento e não despesa. Temos que mudar a cultura, se a empresa quer ter sucesso precisa de mão de obra qualificada”, disse ao sugerir parcerias para criar módulos também para o comércio, uma vez que os cursos no instituto são voltados para a indústria. Já o diretor técnico do Senai, Ricardo Terra, enfatizou o trabalho do governo Federal para amenizar o problema, com a criação do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) que tem como objetivo ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. Disse ainda que uma saída para a falta de mão de obra especializada são as parcerias entre a instituição de ensino e todos os elos da cadeia, e sugeriu constituir um grupo de trabalho para entender melhor o setor e desenvolver ações concretas na área de profissionalização. “É só acertar os pleitos do setor porque recurso público destinado à educação tem”, enfatizou o diretor técnico. Revista Jornauto 9

[close]

p. 10

MERCADO DE REPOSIÇÃO Mercedes-Benz lança sua marca de peças originais Gilberto Gardesani | São Bernardo do Campo – SP Mercedes-Benz do Brasil lança no mercado a linha de peças Alliance Truck Parts criada nos Estados Unidos e utilizada também na Austrália. P rimeiro é necessário relembrar os conceitos: peça genuína é aquela embalada e fornecida pelos próprios fabricantes de veículos e peça original é aquela embalada e fornecidas ao mercado de reposição pelos mesmos fornecedores das montadoras. Geralmente, as peças são as mesmas é só diferem na embalagem e na garantia oferecida. Peças encontradas no chamado mercado paralelo são fabricadas por indústrias que não fornecem para as linhas de montagem. Os norte-americanos perceberam, desde muito tempo, que existe um enorme mercado das chamadas peças originais e, como não gostam de ficar de fora de nada lucrativo, também criaram suas próprias marcas para poder entrar nesse negócio. As mais conhecidas no Brasil são as marcas ACDelco da General Motors e a Motorcraft da Ford. Mas, por algum motivo, pouco se ouve falar delas. É preciso também entender que, lá nos EUA, existe um mercado relativamente saudável, com cadeias de fornecimento que começam pelos grandes distribuidores - que são atendidos diretamente pelos fabricantes - passam pelos médios que, por sua vez, são abastecidos por esses distribuidores. O mercado consumidor é abastecido pelos varejistas, os únicos que possuem balcão. Aqui, essa cascata não é totalmente obedecida, aquele modelo de estrutura não funciona, pois a maioria dos grandes distribuidores também possui balcão. ampliar cada vez mais o portfólio de produtos e serviços que os ajudem a obter o máximo em seus veículos. Contribuímos assim para que ele alcance eficiência e produtividade com a rentabilidade desejada”. O objetivo principal é atingir aqueles proprietários de veículos mais antigos que já não utilizam a rede de concessionários e procuram ofiPeça Original ACDelco: R$ 28,00 cinas independentes para dar manutenção ao Peça GM Genuína: R$ 128,00 seu veículo ou à sua frota. Essas diversas redes de oficinas existentes no mercado já têm sua importância reconhecida pela MBB e passaram a receber mais atenção, até com treinamento na fábrica. Funcionalidade O departamento de Pós-Venda da Mercedes-Benz é reconhecido como um dos melhores a mais atuantes do segmento de veículos comerciais, ganhador de vários prêmios, inclusive o “Mérito Reconhecido” dado pela revista Jornauto como o melhor Pós-Venda do Brasil, resultado de uma das mais abalizadas pesquisas realizadas entre frotistas, a nível nacional. Peça Ford Genuína com trava: R$ 398,54. Ari se mostra entusiasmado como o novo Peça Original Motorcraft projeto e revela que os preços desses comsem trava: R$ 127,50. ponentes com embalagem da Alliance Truck Parts serão até 30% mais baratos do que os genuínos, mas terão garantia de apenas três meses enquanto os embalados com a marca Mercedes-Benz é de um ano. Diz Ari que o projeto foi muito bem recebido pela rede de concessionários e, até o final do ano, pretende colocar à disposição do mercado entre 60 a 80 itens. Imagina-se que a dificuldade maior seja a negociação com os fabricantes. Sabe-se que eles praticam um preço bem maior no mercado paralelo onde a concorrência direta é com as suas próprias peças que são embaladas com a marca do fabricante do veículo. Os preços praticados com as montadoras sempre teve uma negociação muito dura enquanto lá fora é livre. Mas, Ari de Carvalho acena com um volume de compra maior e com a oferta de mais de 200 pontos de vendas formados pela sua rede oficial, além da confiabilidade que a nova marca deverá gerar. Para atender a burocracia nacional, já existe acordo com as respectivas Secretarias da Fazenda de 15 estados para efeito de impostos. Projeto Quem dá as informações e justifica o novo projeto é Ari de Carvalho, diretor de Pós-Venda da Mercedes-Benz do Brasil. Para ele, a chegada ao Brasil da linha Alliance Truck Parts aumenta a oferta de peças de reposição e manutenção para clientes de caminhões, ônibus e veículos da família Sprinter. “O cliente encontra tudo o que necessita dentro da própria marca e nosso objetivo é ARI CARVALHO 10 Revista Jornauto

[close]

p. 11

MERCADO Ricardo Conte | São Paulo – SP Ford aposta suas fichas na linha F Segundo o diretor de Operações de Caminhões da Ford para a América do Sul, Guy Rodriguez, a Ford não tem pressa. Vai continuar desenvolvendo e inovando produtos e serviços para se manter entre os cinco primeiros produtores de caminhões H á pouco mais de um ano na função, logo de cara se reparou com um ano difícil, mas movimentado. De seu ponto de vista, a empresa tinha muito a fazer no começo de 2014 em cada extremo do mercado. Como dar continuidade à introdução do primeiro extrapesado da marca americana, apresentado no mercado doméstico em 2013. Sua linha de atuação tem sido demonstrar para os frotistas o desempenho do novo pesadão. Segundo ele, ficam impressionados e tem tido bom retorno. “Na medida em que o veículo vai sendo conhecido, o volume de vendas cresce”, afirma. Extrapesado compete com metade do segmento A Ford teve o azar de trabalhar o extrapesado justamente num momento de recessão do mercado em geral, principalmente para esse segmento. O principal cliente desse veículo, as empresas ligadas ao agronegócio, pisou no freio. As boas safras também Guy Rodriguez conseguidas pelos Estados Unidos influenciaram nos preços dos commodities. Como resultado, o empresariado preferiu estocar nos armazéns seus produtos, refletindo nas vendas desses caminhões. Poucos renovaram suas frotas. Além de não ter tradição nesse mercado, a Ford enfrenta dois problemas: compete apenas com metade do segmento de extrapesados, pois oferece somente duas configurações básicas (4X2 e 6X2). “Mesmo assim, conseguimos avançar para 1,8% de participação”, informa. A montadora não tem intenções de expandir suas configurações até que a marca ganhe seu espaço. “É um processo lento. Os frotistas já têm frota formada. Não têm tendência de trocar marcas. Como somos novos nesse negócio, precisam conhecer nosso caminhão no campo. Temos que provar que são bons”, argumenta. Nesse sentido, Rodriguez conta que tem realizado experiências com frotistas, geralmente por dois ou três meses, e ao mesmo tempo, treinado seus motoristas para mostrá-los como tirar o melhor proveito do caminhão. Avaliam e comparam seu desempenho em relação às atuais marcas da sua frota. “Temos tido sucesso, mas compram pouco nessa fase de demonstração (10 ou 15 unidades)”, informa. Segundo ele, leva tempo. Preferem experimentar esses veículos por um ano ou mais, fazendo todo tipo de comparação de manutenção ao atendimento da rede, antes de pensar em comprar mais. E definitivamente, mudar o perfil de sua frota. Esperança na linha F Ao mesmo tempo, reintroduzia a retrabalhada Serie F recentemente colocada à disposição dos clientes. Por sinal, foi a primeira linha de veículos a sair da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) em 1957. “Sempre foi muito importante, interrompida por questões técnicas. Perdemos mercado e temos que recuperá-lo”, disse. Sua importância pode ser demonstrada no ano de 2010, quando representava 25% das vendas totais da companhia, quando a indústria era maior. O que garantia a marca um terceiro lugar no ranking global. Um percentual bastante expressivo para correr atrás. “Acredito que possamos chegar próximo de 20% dentro de dois anos”, espera. Depois de dois anos ausentes, a F-350, ex-líder disparado no passado, é a principal esperança da Ford. Tanto que fez inédita pré-venda em agosto último, incluindo a linha F-4000, registrando, segundo o executivo, a intenção de compra de mais de 800 unidades. No acumulado até novembro, a Anfavea registrou o licenciamento de 310 unidades. Enquanto a série F-4000 marcou emplacamento ainda maior de 341 unidades. Na soma, esses 651 unidades já abocanha 3,6% do total das vendas da Ford em menos de três meses. Nada mal para um recomeço em tão curto espaço de tempo. Além desses veículos, naquele ano de 2013, o Cargo 816 remodelado, que surpreendeu um ano depois ao conquistar a liderança na sua faixa de atuação, é citado pelo executivo como um veículo que agora já tem um mercado definido. Como acontece com o novo Cargo 11 toneladas, lançado no mesmo período. Ambos elevaram de participação em seus segmentos específicos, na média, perto de 20%. “Ficamos com receio de perder pontos percentuais do 8 t, porém nada disso aconteceu. Compete com modelos da concorrência nas faixas de 9 e 10 t e tem nos surpreendido”, comenta. Revista Jornauto 11

[close]

p. 12

PNEUS Em busca da liderança do mercado de pneus Alexandre Akashi | Santo André - SP Considerada a maior fabricante mundial de pneus, a japonesa Bridgestone é apenas a terceira colocada no mercado brasileiro A gora sob o comando de Fabio Fossen, executivo com experiência em bens de consumo como Coca Cola Femsa, Booz&Co, Ambev, a fabricante de pneus Bridgestone do Brasil quer ser líder de mercado. E, muito mais do que isso, quer conquistar a confiança e o respeito do consumidor com a qualidade dos seus produtos. “Queremos que a marca Bridgestone seja sinônimo de pneu também no Brasil”, afirma FABIO FOSSEN Fossen. O executivo assume a presidência da Bridgestone do Brasil das mãos de Ariel Depascuali, que vai se aposentar após 15 anos no grupo. Ao passar o bastão, Depascuali deixa como legado uma empresa mais moderna e competitiva, e também uma missão: a conquista da liderança. “Os planos são para ser líder daqui a 10 anos”, comenta. A marca japonesa é líder de mercado na Ásia e EuARIEL DEPASCUALI ropa, mas no Brasil ocupa apenas a terceira colocação. Para atingir este objetivo, Fossen comenta que será necessário investir mais no conhecimento da marca. Não é à toa, portanto, que este ano a empresa é patrocinadora de uma das principais competições esportivas de futebol da América do Sul, a Copa Bridgestone Libertadores da América, e já tem planos para patrocinar as Olimpíadas do Rio em 2016. No setor automotivo, patrocina a Fórmula Truck. Em Santo André (SP), a empresa está investindo na modernização das linhas de fabricação de pneus de passeio aros 13 e 14 para atender à demanda desse mercado, que sofre concorrência acirrada com os produtores locais e importados. Além disso, a linha de produção de pneus agrícolas da marca Firestone, os chamados pneus AGR (Agrícola Radial), está recebendo investimentos para duplicar a capacidade produtiva. Na unidade de Camaçari, o investimento é na ampliação de cerca de 25% da produção de pneus de alto desempenho e ultra-alto desempenho para carros de passeio e caminhonetes. O término das obras está previsto para maio de 2015 e, com esta ampliação, serão criados mais de 100 empregos diretos. 2015, ano da reposição Com a retração das vendas de veículos zero Km, os planos para 2015 da Bridgestone serão focados no mercado de reposição, e com a recuperação do dólar frente ao real, retomar as exportações para os Estados Unidos. “Nosso grande cliente serão os Estados Unidos”, afirma Fossen. Assim, ele acredita que em 2015 as vendas serão divididas em 50% no mercado de reposição, 30% para montadoras e 20% nas exportações. No aftermarket, a empresa conta atualmente com mais de 600 pontos de vendas de pneus da linha leve, 130 BTS (Bandag Truck Service), 100 recapeadoras Bandag, e cinco lojas próprias batizadas Car Club Firestone. Em tempo: desde 1988 a Bridgestone é dona da Firestone, e mantém a marca pela tradição do nome no mercado, uma vez que existe no Brasil desde 1929, com produção local desde 1939. Nos planos futuros, ainda sem data definida, está a criação de um novo serviço, inspirado no Car Club Firestone, porém com a marca Bridgestone, que segundo Alexandre Lopes, diretor de Marketing e Vendas da Bridgestone do Brasil, oferecerá produtos com qualidade diferenciada. Anos difíceis Antes de passar a bola para Fossen, Depascuali fez um breve balanço dos quatro anos que esteve à frente da empresa. “Foi um período bastante difícil, com câmbio baixo e, portanto, competição acirrada dos produtos importados”. “Minha missão foi recuperar a competitividade para que pudéssemos voltar a crescer”, comenta. A importância do mercado brasileiro para a Bridgestone é evidente. Segundo Depascuali, nos próximos 10 anos o consumo de pneus deve dobrar no Brasil, com número superior a 140 milhões de unidades por ano. Por conta disso, a empresa acaba de divulgar um projeto de expansão e modernização das linhas de fabricação de pneus nas fábricas de Santo André (SP) e Camaçari (BA), de US$ 120 milhões até 2016. 12 Revista Jornauto

[close]

p. 13

MERCADO International rema contra a maré no azul Ricardo Conte | São Paulo - SP 2014 foi um bom ano para esta marca do grupo americano Navistar, única das mais antigas da indústria de caminhões a apontar desempenho positivo no acumulado até novembro: 104,3%. É verdade que teve um empurrãozinho do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), que junto com a Mercedes-Benz e VWC/MAN, ganhou parte de uma concorrência, no ano passado, na qual 60% das 946 unidades licenciadas, que aparecem no acumulado até novembro, foram entregues no primeiro semestre. “Uma venda é uma venda”, argumenta Guilherme Ebeling, presidente da InternaGuilherme Ebeling tional Caminhões no Brasil. Ele está certo. A concorrência também registrou parte da compra do MDA em seus números este ano. Mas o que importa é que, depois de idas e vindas (surgiu aqui em 1998), a marca é mundialmente reconhecida, desta vez, finca pé com produtos e fábrica em Canoas (RS) com capacidade de 5 mil caminhões/ano. “Buscamos um crescimento maduro sobre um alicerce bem sustentável não só em vendas, mas em serviços e na construção de uma rede forte para garantir atendimento”, afirma. Ele se refere ao bruto 9800i. Apesar de sua aparência nostálgica, meio parrudo, em nada deve em termos tecnológicos. Promete para 2015 novos pacotes de melhorias, inclusive de faixa de potência, passando de 420 cv para 440 cv, mas garante que a “cara” não muda tão cedo. “Mesmo com menos potência compete com igualdade em termos de torque, que é o que o mercado pede”, afirma. Há três anos, ampliou a gama com o semipesado DuraStar, cujas vendas crescem acima do irmão maior, principalmente na versão 6X4 para aplicações off-roads. Ao contrário da concorrência, é um caminhão narigudo com motorização MWM 7.2 litros e 280 cv. “Levamos ao cliente final para testar suas vantagens em relação aos caminhões tradicionais com cabinas avançadas para determinadas aplicações”, informa. O DuraStar tenta quebrar esse paradigma, antes comum nos anos 90. Segundo o CEO, leva vantagem grande de ângulo de ataque, serviço de motor fácil (não precisa bascular a cabina). Conta com a opção de 4x2 com motor de 260 cv. Segundo ele, um caminhão exclusivo, porque concorre nas faixas de motores menores (190 cv). O oferece ainda a versão estradeiro 6X2, porém o mercado tem demanda maior por cabina leito, o que não dispõe aqui, só nos Estados Unidos. Rentabilidade da rede é prioridade Tanto que esse é o seu principal desafio. Está espalhando pontos de serviços e concessionárias, diz, com rentabilidade garantida. Segundo o CEO, estão consolidados 33 postos de serviços autorizados. A maioria é da MWM, que faz parte da holding, incluindo da Eaton e Cummins. Não fazem a venda de caminhões e não são exclusivos da marca. Mas já conta com 11 concessionárias plenas. Estas, sim, vendem com exclusividade. Desse total de 44 casas, boa parte (13) está instalada no Sudeste e no Nordeste (12). Para ganhar a confiança do empresário brasileiro, a estratégia de marketing da International é regionalizada e pontual junto à rede em pequenos e grandes eventos locais. Ainda não tem a ambição de realizar divulgação em nacional. “Nosso foco é captar clientes pequenos e médios, onde temos colhidos bons resultados. É trabalho de formiguinha que leva algum tempo”, argumenta. Novidades que vem por aí Mas antecipa que estuda nichos vocacionais para introduzir uma versão cabina dupla de fábrica. Acreditar colher frutos nos setores de prestação de serviços. Vingará no final do ano que vem. “Não vamos fabricar em série, mas por encomenda”, disse. Confirma introduzir versões menores nas faixas de 6 a 9 toneladas, mas somente dentro de um ano e meio para dois. Encaminha mais fortemente parceria com a chinesa JAC Motors que já tem joint venture com a Navistar na China. Inaugurou planta recente para produzir para o mercado chinês, nesta primeira fase, os MWM brasileiros de 3.2 e 4.8 litros e um 2.8 litros próprio. A demora esbarra na complexidade desse tipo de negociação no Brasil. “Imagine explicar para um executivo chinês como funciona nosso sistema tributário e que nosso mercado tem altos e baixos e, por isso, é emocional? Demanda certo tempo”, finaliza. Andando na contramão Tudo tem o momento certo de atacar. Esse é o pensamento de Ebeling. O mercado de caminhões pesados é extremamente competitivo, principalmente, os extrapesados. Diante de uma concorrência com marcas de longo tempo estabilizadas no País não vai desafiá-la sem ter a estrutura totalmente consolidada. “É melhor tomar uma sopa quente pelas bordas do que enfiar uma colher no meio do prato e queimar o bico”, brinca. Revista Jornauto 13

[close]

p. 14

AUTOPEÇAS Farina poderá investir R$ 25 milhões em modernização Adriana Lampert | Bento Gonçalves – RS Projeto que seria implementado neste ano, foi adiado para 2015, em vista da queda do faturamento da empresa, que diminuiu em 25% C onsiderada uma das maiores da América Latina na fabricação de autopeças fundidas e usinadas, a fabricante de Bento Gonçalves já havia injetado – em 2013 – outros R$ 9,5 milhões na reformulação e modernização de sua outra unidade industrial, onde foi alterado todo o sistema de moldagem. Com isso, aumentou em 15% a capacidade produtiva. A meta agora é passar das atuais 2,7 mil toneladas/mês de produto fundido para 3 mil toneladas/mês a partir do ano que vem. “No entanto, o projeto deve permanecer em stand by até que tenhamos definição de como vai ficar o mercado”, pondera o diretor presidente da Farina Componentes Automotivos, Ayrton Luiz Giovannini. Segundo o executivo, o momento é de expectativa em torno das medidas que o governo tomará a partir de 2015, quando inicia sua segunda gestão do País. “No mais, estamos conseguindo sobreviver. Este ano foi atípico e exigiu esforços diversos: fizemos alongamento de endividamento bancário, redução no quadro administrativo e no quadro diretivo, além do cancelamento de alguns turnos de trabalho na unidade de maior queda (na linha de tratores e caminhões). Assim, concentramos o trabalho em uma única unidade, dando produtividade para a mesma, e, na outra, fizemos redução de turno de trabalho.” Em 1969, Giovannini e um cunhado compraram o controle acionário da empresa. E foi a partir de meados da década de 1970 que começaram a dirigir os negócios da fabricante para as linhas de tambor de freio e cubo de roda, destinadas às montadoras. Atualmente, a fabricante fornece peças para a Scânia, Volvo, Mercedes Benz e Iveco na linha de caminhões pesados; e para Ford, Volks e Chevrolet na linha de semi-pesados e leves. Na indústria de tratores, os clientes mais importantes são CNH, do grupo Fiat, e Gecel, dos tratores Massey Ferguson. Ayrton Luiz Giovannini Peças acabadas “Antigamente, entregávamos peças brutas, que os clientes usinavam. Com o tempo, desenvolvemos um serviço de usinagem, e hoje não nos consideramos mais como indústria de fundição, mas sim de autopeças, porque 85% da nossa produção entregue é acabada, como peças finalizadas, e não mais somente como produto fundido”, detalha Giovannini. Contando atualmente com 460 funcionários, a Farina tem metas de melhorar a produção em 2015, tentando voltar aos níveis de 2013, quando o faturamento foi melhor. “Também iremos buscar nicho de outras fundições que fecharam e conseguir novos clientes. Dentro da nossa cartela, queremos absorver linhas que antes não participávamos”, projeta o diretor presidente. 125 anos de existência Atuando em um mercado que movimenta US$ 466 milhões somente no Rio Grande do Sul, a empresa fundada por imigrantes italianos em 1888 completou 125 anos de existência em 2014. Hoje em dia, fornece peças para grandes fabricantes globais da indústria automotiva pesada e de máquinas agrícolas. Mas antes de entrar para o setor de fundição, a Farina foi inaugurada como uma ferraria, e posteriormente começou a fabricar materiais para indústria vinícola e de bebidas, então incipiente no Estado. 14 Revista Jornauto

[close]

p. 15

CARGAS ES Transportes amplia e moderniza frota Eliana Teixeira | Cariacica - ES Com 28 anos de mercado e frota de 60 unidades, exclusivamente da marca Mercedes-Benz, modelo Atego, empresa capixaba busca aprimorar seus diferenciais de respeito ao cliente: confiança e pontualidade nas entregas. É no transporte de louças sanitárias nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País que a ES Transportes se mantém e se destaca no mercado. A empresa, localizada no município de Cariacica, no Espírito Santo, atua com eficiência e qualidade levando os produtos do fabricante aos pontos de distribuição e venda. A transportadora potencializa as viagens de retorno dos seus caminhões ao carregar produtos diversos como frutas, verduras, rações para cães, madeiras e vidros. Fundada em 1986, é uma empresa familiar que começou com a garra e o empreendedorismo dos cunhados Gerônimo da Rocha Sedano e Antônio Adauto Alves. Hoje, os filhos deles, Jeferson Alves Sedano e Gustavo Ferreira Alves, respectivamente, são sócios no negócio. “A empresa teve início com o meu pai nas estradas desse grande Brasil. Tivemos um começo difícil. Ele e meu tio saíram da condição de empregados para se tornarem patrões e foram anos de muita luta e aprendizado até conquistarmos a excelência dos nossos serviços”, afirma Jeferson Sedano. Entre os momentos marcantes da trajetória, ele destaca a iniciativa de oferecer o serviço de transporte de cargas fracionadas. “Exigiu muito trabalho de nossa parte, já que era algo novo e havia pouca experiência no ramo”, completa o empresário. Jeferson Sedano Localização estratégica Hoje, a ES Transportes está situada em uma área de 30 mil metros quadrados em Cariacica, município que integra a Região Metropolitana da Grande Vitória e destaca-se pelo potencial logístico devido à sua posição estratégica, próxima a BRs e a portos. A empresa tem atualmente 150 colaboradores. E, segundo os sócios, foi pensando exatamente em aprimorar cada vez mais os diferenciais de respeito ao cliente e pontualidade que a empresa iniciou a renovação da sua frota em 2014. Recentemente, foram adquiridos 10 caminhões semipesados Atego 2430 6x2 da Mercedes-Benz, considerado veículo que alia conforto a bom desempenho no transporte de carga. Com essa aquisição, agora a ES Transportes dispõe de uma frota de 60 caminhões Atego 6x2, modelos 2425, 2426 e 2430, com idade média de três anos, além de um extrapesado Actros. Agilidade com modernidade De acordo com o empresário, os caminhões oferecem a agilidade e o conforto necessários para a atividade. “Nossa frota percorre longos trechos rodoviários, que vão de 1.000 a 2.700 quilômetros. E o Atego, que já nos atendia muito bem, agora ficou ainda melhor. Os nossos motoristas encontram mais comodidade, uma vez que as unidades que adquirimos têm câmbio automatizado PowerShift e cabina Leito Teto Alto”, elogia. Jeferson Sedano aponta ainda outros aspectos que fizeram a empresa optar por esse tipo de caminhão. “A harmonia do motor com o câmbio automatizado trouxe mais economia no consumo de combustível e também maior torque, o que mantém ótimo desempenho nas subidas, agilizando as viagens. Sem falar nos custos da manutenção. Os maiores intervalos de troca de óleo nos trazem benefícios”, afirma. Revista Jornauto 15

[close]

Comments

no comments yet