Caleidoscópio nº 70

 

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Caleidoscópio nº 70

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Caleidoscó opio Nº 70 COLÉGIO SANTA MARIA Revista Projeto do 6º ano orienta alunos para o uso responsável da internet Alunos que concluem o Ensino Médio fazem relato de despedida Violinista da Orquestra Sinfônica Municipal descobriu paixão pelo instrumento no Santa Maria Desenvolvimento de habilidades variadas favorecem a aprendizagem nas diferentes etapas da vida escolar

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eu que fiz Trabalhos desenvolvidos pelos alunos da 1ª série do Ensino Médio nas aulas de Oficimagem (Currículo diversificado) expediente Instituto das Irmãs da Santa Cruz COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Maria Cristina Forti Maria Soledad Más Gandini Paula Bacchi Silvio Soares Moreira Freire Tiyomi Misawa Editora Suze Smaniotto Diretor de arte Marcelo Paton Revisão Rita de Cássia Cereser Sogi COLABORADORES Adriana Freitas, Alexandre da Silva, Carlos Colabone, Caroline Mieko Moreira, Cibele Duarte, Claudia R. Simões Lacerda, Cleber da Silva, Fernanda Lugatto, Gabriela Kraft, Giseli Coli, Gustavo de Almeida, Inês Namour, João Neto, Joyce Willis, Lucilene Silverio, Luis Fernando Branco, Luis Carlos de Carvalho, Márcia Carvalho Rufino, Marcos Roberto dos Santos, Ricardo Ferreira, Sergio Seixas, Rita de Cássia Pisano, Roberta Edo, Silvio Soares Moreira Freire, Thaís Castro, Tiago Fernandes, Veronice Leal, Wallace Marante Impressão Intergraf Tiragem 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02

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sumário carta 04 07 08 09 10 12 13 14 18 19 20 21 22 COTIDIANO ALÉM DOS MUROS É BOM SABER FORMAÇÃO MISSÃO INSPIRADORA INTERAÇÃO NA REDE MAIS SABER DEPOIS DO SANTA DEIXA COMIGO VIVA! SANTA DO BEM REFLEXÃO Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria M Prontos para a vida Instalação produzida e apresentada pelo 7º ano do Fundamental II inha sobrinha contou uma história surpreendente. Ela seguia com sua filha de nove anos numa estrada em Chicago, nos Estados Unidos, quando o carro parou de repente. Como ela estava sem celular, deixou um recado na janela avisando que iria procurar socorro em algum posto de combustível. Fazia muito frio. As duas caminharam até que um carro, dirigido por um negro, alto e desconhecido, parou. Ele estava na companhia de sua filha adulta, contou que vira o recado no veículo quebrado e decidira encontrar a motorista para oferecer ajuda. Mais do que isso: a intenção era levá-las para sua casa e comprar comida, enquanto seu filho faria o conserto. Que habilidades ajudaram a motorista na decisão de aceitar a oferta ou não? A resposta você vai encontrar nesta edição da Caleidoscópio, que fala sobre habilidades de que a pessoa precisa para trilhar cada etapa da vida. São aquelas adquiridas pelos alunos do 7º ano, a partir das conversas com alunos do Supletivo que percebem o mundo sem preconceito. São também as habilidades que o 9º ano aprendeu no curso de matemática financeira ao detectar oportunidades nas diversas opções. E aquelas que os alunos do 6º ano desenvolveram ao aproveitar a sucata de forma rica. Nesse caso, tratava-se da possível ajuda de um desconhecido que muitos iriam descartar. São ainda as habilidades que os alunos do Ensino Médio desenvolveram por não terem tido medo de enfrentar uma situação nova, com a possibilidade de ganharem mais segurança e autonomia. Não é possível continuar descrevendo todas as habilidades envolvidas, porque o espaço para esta mensagem é curto, mas eu me lembrei dessa história quando li o artigo da Área de Linguagens e Códigos apontando a educação dos sentidos e todas as formas em que a experiência de vida refletida de forma profunda é algo que prepara o aluno para fazer julgamentos pelos seus próprios olhos e coração, e não por aquilo que se lê ou vê em filmes ou na televisão. Se minha sobrinha aceitou o convite? Aceitou, foi para a casa do desconhecido, que comprou comida enquanto o filho identificava a peça com defeito, fazia o reparo e levava o carro para a casa do pai. Ela tentou pagar pelo serviço e pela comida, mas o homem não quis e explicou que ele tinha levantado da cama naquele dia disposto a fazer o bem para alguém, então ficou feliz em encontrar minha sobrinha e sua filha naquela situação. Que bom que ela estava preparada para fazer a melhor escolha! | 03

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cotidiano Caleidoscópio nº 70 Troca de experiências Ao som do Rap do grupo de Hip Hop Mamelo Sound System, teve início a esperada e agradável “Vivência com o Supletivo” deste ano, encontro tradicional entre os alunos do 7º ano e do Supletivo do Santa Maria. A proposta de 2014 foi a construção de um diálogo sobre a percepção de mundo deles e uma reflexão sobre a desigualdade social e o quanto ela diferencia as pessoas nas condições de acesso a novas oportunidades. Momentos como esses, nos quais a troca de experiências ocorre de maneira natural e muito tranquila, permitem aos alunos uma amplitude na forma de perceber o mundo e, ao mesmo tempo, lhes dá autonomia para que, com os olhos livres de “pré-conceitos”, possam fazer uma leitura de que a sabedoria, a educação e a cidadania estão além dos muros da idade e da condição social. financeira Matemática Marcas do que ficou “Quando eu estiver no Ensino Médio, passarei pelos canteiros de antúrios que plantamos e lembrarei dos momentos felizes que tive no São José”, relata o aluno Rafael Tagliaferri sobre algumas marcas que ficaram plantadas na sua vida escolar. O projeto Verdemania agregou hábitos e atitudes de trabalho aos conhecimentos e atividades desenvolvidas pelos alunos do 5º ano. Conduzida de forma pedagógica e questionadora, a aprendizagem vivenciada despertou a inversão da lógica do desenvolvimento acompanhado pela degradação ambiental e proporcionou o resgate e a construção da cultura do plantar. “ O Verdemania me ensinou que é preciso ter cuidado com as plantas, preservá-las, pois elas são essenciais e importantes para as nossas vidas. Quando planto uma muda, tenho a sensação de vida nova”, resume a aluna Isabella Pellegrini. Em função da reorganização dos conceitos tratados no componente de Matemática, o tema Educação Financeira está sendo abordado no 4º bimestre com os alunos do 9º ano. Assuntos como Impostos, Contribuição Previdenciária, Previdência Privada, Inflação, Juros, Multa, Desconto, Investimentos e 13º Salário estão sendo discutidos em sala de aula, buscando ampliar o conhecimento geral dos alunos. “Interessante perceber a curiosidade que eles demonstram, principalmente, em uma época tão politizada como a que estamos atravessando”, observa a professora Lucilene Silverio. Para fechar o trabalho, os alunos foram convidados a fazer uma visita à Bovespa, no início de novembro, oportunidade valiosa para conhecer o espaço e presenciar uma simulação de um pregão eletrônico, além de participarem de uma palestra sobre o funcionamento do mercado de ações e a necessidade de iniciar, desde jovens, um planejamento financeiro. 04

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eletivos Cursos Neste ano, alunos do 9º ano passaram a ter um componente a mais na grade curricular, ministrado na última aula das sextas-feiras. A diferença é que eles puderam escolher a disciplina, entre Geopolítica; Ateliê da Palavra; Cinema, Arte e História; Química e Física no Cotidiano. As duas últimas foram as mais concorridas, com duas turmas para cada. Gabriela Jakomulsky de Albuquerque Leite, do 9° ano C, dá sua opinião a respeito da novidade: “A grande vantagem em escolher o que se vai aprender é a vontade. O gosto e o interesse tornam o aprendizado mais leve e prazeroso. Eu escolhi a eletiva ‘Cinema: História e Linguagem’, que, além de me proporcionar o prazer do aprendizado, trouxe uma nova perspectiva para a minha vida. (...) Para mim, a História é importante e sempre bem-vinda, afinal, através dela conheço o mundo em que vivo e construo a minha identidade. Assim, a História do Cinema ampliou as fronteiras do meu conhecimento e adicionou à minha personalidade uma apreciação maior de muitas obras e diretores que eu nem conhecia antes. A linguagem do cinema foi algo ainda mais novo no meu repertório e, ao tomar conhecimento dela, consegui enxergar de um ângulo diferente não só os filmes, mas também tudo ao meu redor”. urbanas Cisternas Os alunos do 8º ano, juntamente com a professora de Ciências, Denise Carneiro, e a equipe de manutenção do Santa Maria, já estão finalizando a construção da minicisterna que será entregue no CCA Frei Reginaldo. O grupo está colocando a “mão na massa”, com furadeiras, limas e lixas, uma oportunidade para exercitar suas habilidades manuais. No dia 7 de novembro, com o objetivo de vivenciar processos e a integração solidária, o Colégio recebeu um grupo do CCA Frei Reginaldo. Nesse dia, foi feita a arte final da minicisterna, com desenhos criados pelos alunos do trabalho voluntário juntamente com as crianças do Centro Comunitário. Os visitantes também conheceram a cisterna do viveiro de plantas e entenderam seu funcionamento. Visita à EMEI Os alunos do 6º ano fizeram durante o 4º bimestre uma visita à Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Anhanguera como parte do projeto ecoestudantil desenvolvido na disciplina de Ciências. A atividade, supervisionada pelos professores de Ciências e História, começou em sala com a discussão sobre sustentabilidade e reaproveitamento de materiais. Após a reflexão, foram apresentados os trabalhos desenvolvidos para o projeto e expostos na Semana Pe. Moreau. Cada aluno apresentou seu trabalho e demonstrou algumas possibilidades de reaproveitamento de materiais que seriam descartados. No total, inscreveram-se 56 alunos, que, juntamente com os professores, tinham como objetivo conscientizar sobre a importância do processo de reutilização de materiais, por meio de diferentes linguagens, ajustadas às situações do cotidiano, de forma lúdica e prazerosa, assim como dialogar e criar formas alternativas de ações para cuidar melhor do meio ambiente. | 05

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cotidiano Caleidoscópio nº 70 O céu é o limite O Santa Maria está comemorando a atuação de seus alunos em Olimpíadas, um trabalho de estudos que mobiliza todo o corpo docente, além da Biblioteca e do NETi. No dia 15 de outubro, os participantes da XVII Olimpíada Brasileira de Astronomia do 3º, 4º e 5º ano do Fundamental I receberam medalhas e certificados. A solenidade do Fundamental II foi no dia 17, com a entrega das 40 medalhas conquistadas pelas séries, o que representa um aumento de 25% em relação a 2013. O Ensino Médio também chegou a um número significativo de medalhas da OBA, mas a boa notícia é que cinco desses medalhistas foram pré-selecionados para a Olimpíada Internacional de Astronomia, que acontecerá na Indonésia em 2015. Escolhidos entre os mil melhores do Brasil, os “olímpicos” já começaram um treinamento aprofundado e intensivo, que exige conteúdo avançado de Astronomia e Astrofísica, bem como conhecimentos básicos em Física e Matemática. Na Olimpíada Paulista de Matemática 2014, o Santa Maria também fez bonito: Amanda Lopes, Bianca Albino, Carlos Ohara, Eduardo Lucas Felippa, João A. Anteghini, Fernando da Cunha, Frederico Schiffner, Gabriel Golfetti e Pedro Giorgi, todos do Fundamental II, se classificaram para a última prova da OPM, uma etapa difícil, com 590 alunos de todo o Estado. Destes, apenas 25 receberam medalhas, sendo dois do Santa Maria: Eduardo Lucas Felippa (7º ano) e Pedro Giorgi (9º ano). Parabéns aos medalhistas e a todos os alunos que participaram das Olimpíadas em 2014! 06

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além dos muros Caleidoscópio nº 70 resistir Preser var é te ais precisamen de Ubatuba, m de da ici un a m ra mpo pa fesa das co uma saída a ca sistir – em de re ou é iz al ar , re rv co io se lo re éd In Ensino M história. do meio “P o, a 1ª série do l de sujeitos da ntral do estudo br pe ce tu a pa ou ei te o id s de an A st na ês a. st No m áticas ba os e indíge à Aldeia Boa Vi sando por tem retira de negr da Fazenda e cional, perpas cêntrica que na ro e eu ad o o das terras, o ao Quilombo sã tid çã vi en ca a ação da id a de demar rm foi desfazer ic fo lít is” a po na ra a io : cha pa ic os s ad un tr dades ica dos al da maior man ção de ambo ar a contribui trução acadêm gem na borda ns isa irm co nf pa co na da s s el ív da õe ra foi poss ansformaç dem ser igno escentes, as tr as que não po mbolas reman ilo qu contemporâne de es ad to de comunid reconhecimen . as tr ou e ís, entr urbana do pa Caminhos, fronteiras, memórias e histórias: do café ao açúcar Com o intuito de resgatar e discutir a construção da identidade paulista, os alunos da 2ª série do Ensino Médio realizaram no mês de outubro visita à região de Limeira e Piracicaba, onde conheceram a Fazenda de Ibicaba, pioneira na substituição do trabalho escravo pela mão-de-obra imigrante em meados do século XIX, e também a ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), onde tomaram contato com pesquisas voltadas para biotecnologia e agroexportação. “A saída possibilitou análises sociais e históricas no que tange às relações de trabalho, às estruturas sociais, às transformações econômicas do café ao açúcar, aos investimentos no agronegócio, enfim, aos aspectos que compõem esse novo cenário rural, que precisa ser constantemente revisitado”, declara Adriana Freitas, coordenadora da área de Ciências Humanas. Pé na estrada io se do Ensino Méd os da 1ª série un al bli0 pú 14 e o, rt br setem o o transpo No dia 25 de Paulo, utilizand o da Sã ir rt de pa a de pela cida eto surgiu aventuraram eciam. O proj nh ar co iz o al nã re e de qu lugares capacidade co para visitar tudantes sua es s iro te ao ro ar rç um fo itar e re tabeleceu ideia de explic da professor es posto metrópole. Ca na es pl da grupo, com ca sim e atividades da cidade ão gi re a ser a e ad rt in po a determ jeto e o trans cultural em um escolher o tra esfio sa eb rc de o pe m dantes se , teve co por 15 alunos ível que os estu ss po na i fo ia , m im no ss to rcurso. “A mais au utilizado no pe de e ganharem da ci la pe r ca se deslo berta Edo. sem capazes de da 1ª série, Ro a orientadora e m su re a”, ic vida públ | 07

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é bom saber Caleidoscópio nº 70 Sobre A adaptação dos alunos novos Márcia Carvalho Rufino, orientadora do 7º ano do Fundamental II, esclarece algumas questões dos pais de alunos recém-chegados ao Santa Maria Q uando o aluno novo chegar ao Santa Maria, nos primeiros dias de aula, o que será feito para favorecer a sua adaptação e criação de vínculo com os colegas? Existe em cada série do ensino fundamental de 6º a 9º ano uma preocupação com a acolhida e adaptação dos alunos novos. Nesse sentido, cada série faz a opção por um determinado movimento, cuja finalidade é a mesma: cuidar do acolhimento e da adaptação do aluno que estiver chegando. Esse movimento consiste em promover atividades durante os três a cinco primeiros dias de aula, nas quais são apresentados a todos os alunos, os professores da série, os novos colegas, a Orientação e os espaços do Colégio. Sendo assim, para os alunos novos, em especial, ficam designados, por exemplo, “o Anjo”, no 6º ano, “o GPS” no 7º e 8º anos e o colega acompanhante, no 9º ano. Esses são os alunos que optam por acolher e acompanhar o aluno novo, de modo a fazer as apresentações entre colegas, até que esse colega novo sinta-se à vontade e não veja mais a necessidade de que o seu acompanhante desempenhe continuamente essa função. É um movimento muito interessante e que tem dado bons rresultados. Às vezes, um aluno novo tem mais de um acompanhante, que se revezam nos diferentes dias da semana. Meu filho vem de um colégio muito menor. Será que ele não terá dificuldades para “se achar” pelos espaços? O trabalho realizado começa pela apresentação dos espaços aos alunos novos, no primeiro dia de aula e demais semanas, até que eles se adaptem. Nesse momento, as turmas saem para fazer com os recém-chegados uma espécie de excursão pelos espaços mais utilizados pela série. Isso é mais fortemente realizado no 6º ano, dada a transição de um nível e de um prédio para outro. As outras três séries do Ensino Fundamental também têm um ritual de apresentação feito pelo aluno acompanhante: o responsável por acompanhar um aluno novo, durante o período de duas semanas ao menos, de modo que possa inseri-lo ao contexto e, consequentemente, aos diferentes espaços. O Colégio tem mais de uma portaria para a entrada e a saída dos alunos. Como vocês cuidam da questão segurança? O aluno só pode sair desacompanhado se tiver a autorização permanente de saída, a qual é solicitada pela família, via formulário. Caso contrário, o aluno é retirado pela família ou pelo transporte escolar, dentro do espaço do Colégio. Para identificação de quem irá trazer o aluno ou retirá-lo, o Colégio conta com o cadastro das placas dos automóveis da família. Em caso de necessidade de troca de pessoa / automóvel para buscar ou trazer o aluno, a família faz a comunicação ao Colégio, que se encarrega de avisar os setores sobre essa alteração. 08

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formação Caleidoscópio nº 70 Formação Em busca permanente da qualidade, professores do Ensino Médio aproveitam reuniões pedagógicas para aprofundarem estudos o final do ano passado, a equipe de professores do Ensino Médio lançou uma proposta para que as reuniões pedagógicas de 2014 tivessem também um caráter de formação profissional por meio de atividades de estudo. O objetivo seria o de criar momentos de troca de ideias, compartilhar experiências, tirar dúvidas e definir práticas pedagógicas coletivas. Ou seja, possibilitar um movimento de ensino-aprendizagem entre os educadores das diferentes áreas no Ensino Médio. “Para tanto, definimos que cada uma das áreas coordenaria uma atividade de estudo ao longo do ano, escolhendo o tema e apresentando as ideias transversais via leitura de alguns referenciais teóricos básicos” , explica o diretor do Ensino Médio, Silvio Soares Moreira Freire. A área de Ciências Humanas liderou as discussões em torno do tema “O estudo do meio como aprendizado vivido”. As leituras utilizadas nas análises foram as de Nídia Pontuschka, que descreve como o conceito de estudo do meio se transformou ao longo do tempo no Brasil; Marco Antonio de Llarena, que em sua dissertação de mestrado apresenta o estudo do meio como método de ensino-aprendizagem, e a contribuição metodológica à educação ambiental defendida por Samia Sulaiman e Virgínia Tristão. “Nas discussões observamos que a aprendizagem pelo envol- continuada N vimento e seu caráter interdisciplinar é o momento para confrontar o aprendizado em sala de aula à realidade social e ambiental. A compreensão dos conteúdos conceituais relacionados com a experiência real é catalisada pelas relações interpessoais, resignificando a relação professor-aluno e o contato com a diversidade ambiental e sociocultural do lugar”, resume o professor Marcos Roberto dos Santos. Já a área de Linguagens e Códigos escolheu investigar “A adolescência e sua complexidade” , fase marcada por diversos desafios tanto no campo da maturação física quanto emocional. Diante de uma breve análise do panorama social, o grupo fez algumas leituras que embasaram a discussão. Dentre elas, Imanol Aguirre, educador espanhol que pensa no imaginário adolescente frente a cultura da imagem para que, a partir desse olhar, seja pensado o papel da escola; J.D.Nasio, que esclarece alguns “tipos” em que os jovens podem ser enquadrados e possibilita uma leitura mais clara de algumas patologias e, por fim, Contardo Galligaris, que faz um resgate histórico do termo adolescência e nos permite refletir sobre qual é o nosso olhar para esses jovens. “Esse estudo nos levou a pensar em como podemos de fato trabalhar para uma educação emancipadora e dessa forma horizontalizar as relações entre professor e aluno, tornando-o não só sujeito do seu conhecimento mas responsável pelo seu processo de maturação, estando assim preparado para ingressar no mundo adulto”, conclui a professora Rita de Cássia Pisano. A última atividade de estudo deste ano será coordenada pelas Áreas de Ciências da Natureza e Matemática e terá como temática “A lição de casa como ferramenta de ensino-aprendizagem” . O desenvolvimento dessas atividades promoveu uma maior qualificação dos profissionais envolvidos, provocando mudanças qualitativas nas ações pedagógicas de cada professor em sua prática de sala de aula, atingindo positivamente o aluno do Santa Maria. | 09

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missão inspiradora Caleidoscópio nº 70 Ajudando a professora do 2º ano do Fundamental I Maíra Bedran, 29 anos, está há três anos no Santa Maria, é formada em Pedagogia com pós-graduação em Psicopedagogia. Sua carreira sempre esteve ligada aos alunos em fase de consolidação da alfabetização. Vem dessa experiência o orgulho em ajudar as crianças a descobrirem o prazer da leitura. Ser professor é uma profissão ou uma missão? Ser professor é uma missão, pois é preciso ir além da aprendizagem dos conteúdos. É uma grande missão ensinar os alunos a ter criticidade, saber fazer escolhas, analisar a realidade para poder transformá-la, mesmo que com pequenas ações. Para a formação integral do educando no Santa Maria, empenho-me com competência, dedicação e paixão. Quais são as principais motivações no seu trabalho? Sem dúvida alguma, a principal motivação é saber que posso transformar a vida de uma criança! No momento em que meu aluno se torna um leitor e escritor autônomo, sinto-me agradecida por fazer parte da vida dele! Quais os principais desafios para lidar com essa faixa etária? Acredito que um dos principais desafios é a consolidação e sistematização da alfabetização. O aluno chega ao 2º ano sabendo escrever palavras e frases. No decorrer do ano, passa a escrever textos de autoria com coesão e elementos narrativos. Os pais são mais ansiosos do que os alunos nessa fase escolar? Normalmente, sim. Para o aluno o processo é natural. A revelar as letras Grupo da professora Maíra em atividade de leitura O que te deixa mais feliz ao final de um dia de trabalho?  A gratidão dos alunos e o brilho nos olhos a cada aprendizagem e conquista. Também quando recebo singelas demonstrações de admiração e carinho. É um amor muito puro e sincero! É possível descrever a emoção de ajudar a formar um leitor? A emoção é grandiosa! Possibilitar aos alunos descobrir o mundo pela leitura e vê-los curiosos a descobrir sempre mais é motivo de muito orgulho. Quais são os principais conflitos ou frustrações? Os desafios frente às diversidades e diferenças são, em alguns momentos, confli- tantes para o alfabetizador. Sabemos que os alunos possuem capacidades e habilidades, mas dependem muito do estímulo e das situações de aprendizagens oportunizadas. Às vezes, as exigências da família e da escola são diferentes para a mesma criança. Qual é o seu maior sonho em relação à educação? O meu maior sonho é que a educação possa ser igual para todos. Que todos os professores assumam com ousadia a missão de formar pessoas não só no aspecto cognitivo, mas também no aspecto humano, para que de fato, futuramente, possamos viver em uma sociedade mais justa com respeito e preocupação com o bem comum. 10

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Educação R e sonho obson Veríssimo, 28 anos, é professor de Geografia do 6º ano do Fundamental II do Santa Maria há quatro anos. Possui bacharelado e licenciatura em Geografia e é pós-graduando em Competências e Habilidades em Linguagens e Ciências Humanas. Está à frente de sala de aula desde os 19 anos. Também precoce foi sua decisão de abraçar a profissão, ainda no início do Ensino Médio. Como amenizar os dilemas da mudança de ciclo, do Fundamental I para o II ? O processo de ensino e aprendizagem ocorre do nascimento à morte do indivíduo. A fim de sistematizar o conhecimento, a sociedade ocidental desenvolveu um sistema de organização baseado na separação em disciplinas específicas, ciclos de aprendizagem e outros. Essa separação, porém, é artificial, uma vez que a aprendizagem é contínua. Para amenizar tais dilemas, basta encarar essa passagem como o que ela realmente é: uma sequência natural de tudo o que já vem sendo desenvolvido nos ciclos anteriores. Aluno em transição na vida, da infância para a adolescência, requer mais atenção? Qualquer etapa de desenvolvimento cognitivo tem um papel importante na constituição do indivíduo. Contudo, é necessário explorar essa fase corretamente: nela, manifestam-se as mais diversas variáveis, que muitos interpretam como ações impróprias ao ambiente escolar. Cabe ao educador utilizar-se deste momento a favor da construção do conhecimento. A curiosidade, a criticidade e a oralidade são exemplos de recursos abundantes nesses alunos que, se mediados corretamente, apresentam enorme potencial de favorecimento da aprendizagem. Professor Robson: aulas dinâmicas no 6º ano para dar sentido à aprendizagem Como motivar o aluno para os estudos em meio a tantos apelos externos? Muitas vezes a visão dicotômica do “mundo externo, carregado de prazeres” frente ao “mundo escolar” é reproduzida em aulas que mantêm a estrutura de décadas atrás. Ao compreender as transformações na linguagem, nos gêneros textuais e nos interesses culturais em uma geração que está habituada a mudanças rápidas e mediadas pelos avanços tecnológicos, é possível romper com aulas engessadas e atribuir sentido real à aprendizagem. Uma vez que a aula é focada em desenvolver a aprendizagem do aluno, e não em combatê-lo, o interesse e a motivação são conquistados naturalmente. Qual é o maior prazer nessa carreira? Decidi seguir essa carreira ainda no início do Ensino Médio, em função de excelentes professores que me motivaram e encantaram. Encontrar alunos com o mesmo tipo de motivação e encantamento é o meu maior motivo de orgulho. E a principal frustração? Ter consciência de que ainda existe um longo caminho a ser trilhado até que a educação conquiste um patamar capaz de dignificar a existência do ser humano. Qual é o seu maior sonho em relação à educação? Educar é fazer sonhar. Sonho com o dia em que existam condições para que cada cidadão seja capaz de pensar de maneira autônoma, abolindo de uma vez a reprodução sistemática de informações. | 11

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interação Caleidoscópio nº 70 USO RESPONSÁVEL DA INTERNET: uma pauta necessária 6º ano, em parceria com o núcleo NETI, tem sido desenvolvido o projeto Uso responsável da internet, no qual, além dos estudantes serem alertados sobre o funcionamento e os riscos relacionados à interação dos indivíduos na rede, eles próprios estão em processo de produção de uma cartilha com dicas e sugestões sobre o tema. Posteriormente, produzirão vídeos baseados nesta cartilha. Os materiais serão distribuídos a todos os alunos do 6º ano e discutidos em sala de aula. A ideia é que os jovens protagonizem a problematização do assunto e sejam disseminadores daquilo que aprenderem coletivamente. Conectados sim, alienados não! Maria Cristina Forti, orientadora do 6º ano do Fundamental II N 12 a vida contemporânea, usar os recursos tecnológicos de comunicação e estar na rede, é corriqueiro. Os nossos estudantes de 6º ano, jovens de 11, 12 anos não estão fora desta realidade. São usuários da internet, em contato com uma infinidade de possibilidades de recursos: sites de pesquisa, sites de jogos, canais de vídeos e músicas e, principalmente, as redes sociais. É a geração conectada. Daí a importância de proporcionar aos jovens espaços de reflexão e discussão sobre os cuidados, riscos, conduta e ética, no uso da internet. Assim, como parte do trabalho de orientação educacional, no

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na rede Caleidoscópio nº 70 Primeiros passos na Trabalho com 2º ano do Fundamental I ajuda alunos a desvendar o emaranhado de informações da internet pesquisa escolar A internet é, sem dúvida, um dos ambientes virtuais que mais atrai crianças e adultos. Jogos, redes sociais, notícias, fotos, muita diversão...Mas será que é só para isso que ela serve? Como utilizar de forma positiva essa ferramenta, principalmente com quem está aprendendo e/ou aprimorando seu desenvolvimento na escrita e linguagem? Como mostrar às crianças, tão curiosas e prontas para adquirir novos conhecimentos, esse “outro lado da moeda”? Para responder a estas perguntas na prática, nada melhor que levar os alunos ao Laboratório de Informática e mostrar que é possível mesclar os recursos da web com os conteúdos desenvolvidos em sala de aula. E foi por meio da pesquisa que os alunos do 2º ano do Fundamental I desvendaram os mistérios da internet. “Cada turma definiu um tema de interesse e, a partir daí, iniciamos a busca por informações, com o intuito de ensinar a buscar respostas imediatas para as perguntas que rondam os pensamentos infantis”, explica Joyce Willis, Supervisora de Informática Educacional. Acessando um site direcionado ao público infantil, o Zuggi (www.zuggi.com.br), e o Google (www.google.com.br), os alunos aprenderam a decifrar os conteúdos que apareciam e a filtrar o que lhes seria útil no momento, para que selecionassem sites com informações pertinentes ao tema e de fácil compreensão, que deram base aos alunos para fazer análises, sínteses e melhorias no desenvolvimento acadêmico. Após a busca e seleção, os alunos traba- Alunos do 2º ano recebem orientações sobre pesquisas na internet lharam com o programa Power Point, introduzindo recursos básicos oferecidos pelo aplicativo, a digitação dos conteúdos e a inserção de imagens. O resultado do trabalho foi muito positivo e enriquecedor, como relata a professora Rosilene Moutinho Arriola: “O 2º ano Coruja iniciou o conteúdo sobre o Sistema Solar nas aulas de Informática. Pesquisar na internet foi uma estratégia de iniciar um novo conteúdo e que aguçou a curiosidade dos educandos. Em sala de aula, quando entraram em contato com outros textos, fizeram as relações com as imagens e com as informações encontradas nos sites que visitaram. Quando liam os textos no caderno de atividades, diziam: ‘Ah, eu vi sobre este planeta na minha pesquisa com a Joyce!’ ou ‘Eu escolhi a imagem deste planeta para colar na minha pesquisa’”. A experiência trouxe também maior autonomia aos alunos em outros ambientes, inclusive na realização das tarefas de casa. Os trabalhos produzidos pelos alunos podem ser visualizados no site do Santa Maria: http://www.colsantamaria. com.br/v2008/news/completa.asp?id=225.       | 13

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mais saber Caleidoscópio nº 70 linguagens e Códigos O desenvolvimento de um aluno no Santa Maria se dá de forma plena e diversificada, por meio das artes e de outros recursos que permitam o despertar de habilidades que compõem a aprendizagem nas diferentes fases da vida do estudante 14

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Alunos do Jardim I em contato com ervas para despertar todos os sentidos Educação dos sentidos As imagens mentais são construídas a partir de todos os sentidos, ou seja, não basta observar, por exemplo, uma árvore. A experiência será enriquecida se, além de olhar, passarmos a mão e sentirmos a textura do tronco e das folhas e o aroma característico desta árvore. “A qualidade da experiência fará diferença no momento em que precisarmos nos relembrar como é uma árvore”, explica a professora do Jardim I, Claudia R. Simões Lacerda. A série vivencia situações para a educação dos sentidos de maneiras diferenciadas: escuta dos sons da natureza e do próprio corpo, desenhos de observação, brincadeiras de roda, relaxamentos e massagens, plantação de ervas e temperos e experiências culinárias. “Nossos sentidos vão além da nossa visão. Temos que aguçar cada um para que se tornem ferramentas importantes na educação e construção do conhecimento das crianças”, lembra a professora Fernanda Lugatto. Com a plantação de ervas e temperos, puderam ser desenvolvidos: Olfato: sentir o aroma das diferentes ervas e temperos. Tato: além de plantar, sentir a textura das folhas (lisas, enrugadas, pontudas, macias). Paladar: degustar chás, sucos e receitas com alecrim, salsinha e manjericão. Visão: observar as diferenças entre as folhas (cores, tamanhos e formas). atitudes do cotidiano dos alunos no Colégio, como por exemplo: segurar no corrimão para descer a escada, carregar a mochila, guardar seus pertences, estender a mão para ajudar o amigo, recolher o lixo, fazer carinho nas pessoas e animais, sempre ressaltando o uso das mãos”, lembra Thaís Castro, professora da série. “No Dia das Mães, trabalhamos os cuidados, os ensinamentos e as atitudes que elas têm conosco; no Dia do Trabalho, enfatizamos a ação dos trabalhadores no Colégio, no Dia dos Pais, o que gostamos de fazer com eles; na reunião pedagógica do 2º semestre ressaltamos a autonomia dos alunos, sempre exaltando as ações executadas com as mãos”, completa a professora Giseli Coli. Depois foi a vez de pensar nas ações e funções mais importantes e próximas do dia a dia, na escola ou em casa que têm ação direta com as mãos, como alimentação, cuidados com objetos, pessoas e animais. Na Semana Pe. Moreau, a série organizou uma manhã de vivências sobre esses ensinamentos distribuídas em oficinas: Mãos que alimentam (Oficina de culinária: Pão de queijo), Mãos que constroem (Oficina de construção de jogos com sucatas) e Mãos que cuidam (Oficina de jardinagem: plantação de mudas de temperos). O objetivo central deste projeto foi impulsionar os alunos a aprenderem a observar, valorizar e reconhecer que as mãos revelam infindáveis segredos em suas formas e gestos, pois com elas o ser humano constrói sua experiência de ação no mundo e elas captam do mundo diferentes temperaturas, texturas e sensações, além de proporcionarem o resgate da sensibilidade humana. O necessário uso da arte Considerando a curiosidade como uma característica própria da criança e seu envolvimento com as Artes, o professor oferece diferentes possibilidades de vivências, de forma que ela possa desenvolver habilidades de observar, experimentar, elaborar hipóteses e interpretações, trocar ideias com seus pares, processo que a levará a novas aprendizagens. Que lugar as crianças poderiam experimentar? Que materiais seriam adequados para isso? O que fazer? Qual seria o melhor momento para se por a ideia em prática? “A observação e a escuta do professor é fundamental nesse processo, pois elas nos dão pistas sobre seus interesses de formas variadas e os expressam por meio de diferentes linguagens: sua narrativa, sentimentos, expressão facial e movimento corporal. Podemos considerar todas essas ações como Arte”, pondera a professora do Pré, Cibele Duarte. Partindo dessa premissa, a turma do Pré Doninha realizou dife- Mãos que constroem, alimentam, cuidam... O Jardim II desenvolveu o projeto “Mãos que constroem, mãos que alimentam, mãos que cuidam...” com o objetivo de mostrar a importância do trabalho humano, simbolizado pelas mãos como agente transformador e criador de ações mais responsáveis nos alunos. “Ao longo do ano chamamos a atenção para diversas Projeto do Jardim II trabalha uso das mãos | 15

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